Frantz (2017)

Por André Dick

O cineasta francês François Ozon tem se tornado cada vez mais reconhecido por seu estilo eclético. Desde o início da década passada, ele tem realizado obras com uma frequência digna de artista em tempo integral, sendo talvez seu maior destaque Swimming Pool. Nos últimos anos, ele se destacou com Dentro de casa, mas havia nesta obra uma certa frieza, forçando sempre uma metalinguagem. Além disso, a mescla entre drama e humor não se fazia de todo convincente, abrindo lacunas para interpretações que dentro do contexto soavam um pouco forçadas. Essa frieza volta a ser presente em Frantz, primeiro filme dele a estrear nos cinemas este ano (o outro será O amante duplo, exibido no Festival de Cannes).
O filme se passa em 1919, quando Anna (Paula Beer), uma jovem, chora a morte do noivo, Frantz (Anton von Lucke), desaparecido em luta na Primeira Guerra Mundial. Ela vê um jovem, Adrien Rivoire (Pierre Niney), visitar dias seguidos o túmulo dele em sua cidade, Quedlinburg, na Alemanha, e fica intrigada, pois nunca o viu antes. Adrien se anuncia como um amigo de Frantz, de antes da Guerra travada, na qual franceses combateram alemães.

Anna vive com os pais de Frantz, Doutor Hoffmeister (Ernst Stötzner) e Magda (Marie Gruber), desconfiados de Adrien, o que se mostra pelos olhares trocados à mesa durante um encontro. No entanto, ela logo estabelece um vínculo com o visitante, mesmo que esteja sendo seguida por Kreutz (Johann von Bulow). A guerra é um peso para todos: está no dia a dia de cada habitante; a única saída é justamente esperar o fim dela. E, para isso, também imaginar que, de algum modo, ela não existe.
Indicado a 11 prêmios César, o Oscar francês, Frantz ganhou o de melhor fotografia, assinada por Pascal Marti, num trabalho irretocável, que lembra bastante aquele efetuado em A fita branca, de Haneke. Em muitos momentos, suas imagens lembram pinturas e até mesmo a reação dos personagens conduz à interpretação de que Ozon está, na verdade, gravando essas imagens como uma pintura em preto e branco. Nesse sentido, é um filme realmente extraordinário: tudo se sente como sendo de época. O espectador é transportado para os anos 1910, e pode-se traçar também um comparativo com a reconstituição de Mulher-Maravilha para ver como ambos são cuidadosos nesse aspecto. Além disso, o comportamento de cada personagem e os gestos feitos uns em relação aos outros se mostram completamente dotados de verossimilhança.

Os conceitos de Ozon são sempre interessantes e a narrativa muito bem focada, mas por vezes falta alguma reação mais humana, ficando tudo num plano mais literal. Algumas sequências que necessitariam de mais romantismo se sentem excessivamente demarcadas, sem expansão. Tudo, claro, parece fazer parte do objetivo: estamos assistindo praticamente a um filme não apenas passado nos anos 1910, como localizado na mais cuidadosa discrição. Muitos sentimentos ficam subentendidos e o espectador, para captá-los, deve ter, por vezes, certa paciência.
A atmosfera de Primeira Guerra Mundial do filme carrega uma espécie de sentimento de luto, que é vivenciado dia a dia pela jovem. Nesse sentido, Adrien pode ser uma espécie de libertação deste sentimento, e Ozon lida com isso de maneira a nunca perdermos de vista os personagens centrais. Ozon lida com essa relação de maneira que eles podem estar tentando suprir o sentimento de luto com a descoberta possível de um novo amor. Talvez ele seja mais previsível no modo como retrata isso: em flashbacks ou momentos especialmente felizes, Ozon traz cores para o filme, o que causa uma quebra de atmosfera substancialmente prejudicial, como se estivesse fazendo uma produção de época apenas por certa vaidade artística.

Embora Niney tenha uma bela atuação, é Beer que se destaca: ela mostra uma insegurança e uma tentativa de se manter firme que concede à obra de Ozon seu melhor elemento, além daquele contraponto que ele faz entre a velocidade do trem e a chegada da arte moderna (principalmente no terceiro ato) e a lentidão de se definir por um amor ou a permanência a uma promessa feita anteriormente. O diretor sabe escrever roteiros para figuras femininas, e aqui não é diferente: especialmente inspirada é a relação entre uma escritora e uma jovem em Swimming Pool, assim como a melancólica Isabelle de Bela e jovem. Em certos momentos, lembra um pouco o tom impresso na personagem de Audrey Tautou em Eterno amor por Jean-Pierre Jeunet, que também trata de uma mulher à espera do grande amor desaparecido durante a Primeira Guerra Mundial, transformando Anna numa mulher voltada a uma nova inspiração de felicidade. Ao final, inspirado numa peça de Maurice Rostand, que deu origem a um filme de 1932, Broken Lullaby, Frantz agrada pela sua hábil composição de imagens e pelas atuações, podendo numa segunda sessão ser até melhor apreciado.

Frantz, FRA, 2017 Diretor: François Ozon Elenco: Paula Beer, Pierre Niney, Anton von Lucke, Ernst Stötzner, Marie Gruber, Johann von Bülow, Cyrielle Clair, Alice de Lencquesaing Roteiro: François Ozon Fotografia: Pascal Marti Trilha Sonora: Philippe Rombi Produção: Eric Altmayer, Nicolas Altmayer, Stefan Arndt, Uwe Schott Duração: 113 min. Distribuidora: Califórnia Filmes Estúdio: Mandarin Films

 

Na vertical (2017)

Por André Dick

Há três anos, o diretor francês Alain Guiraudie lançou no Festival de Cannes o badalado Um estranho no lago, um thriller de suspense que parecia misturar elementos de Zodíaco, de David Fincher, com Parceiros da noite, obra referencial dos anos 80. Agora, em Na vertical, que estreou no mesmo Festival, ele ingressa numa área de estranheza que vai de David Lynch a Leos Carax, passando por outros cineastas com toques de surrealismo, como Buñuel.
Um estranho no lago trazia uma narrativa tão pré-concebida, dirigida a um final em forma de esquema e simbologia, que às vezes dava impressão de falta de envolvimento sentimental do espectador com seus personagens. A solidão, as árvores, a tranquilidade do lago que pode esconder a morte, o cenário cercado por pedras e os faróis noturnos dos carros, tentando iluminar um cenário que parece tão claro durante o dia, indicavam que Guiraudie tentava criar subterfúgios para não explorar suficientemente os personagens, reduzindo suas experiências a trocas de diálogos não tão ousadas quanto as cenas de sexo. Parece que de Um estranho no lago para Na vertical houve um salto do cineasta, com novas escolhas, mais interessantes e mesmo ousadas tematicamente.

O roteirista Leo Breton (Damien Bonnard) caminha por um campo em Lozère, numa atmosfera que evoca algo de Michael Haneke em A fita branca e Caché, e de Bruno Dumont em A humanidade, quando se encontra com Marie (Indie Hair), mãe solteira de duas crianças, que trabalha como pastora na fazenda de seu pai, Jean-Louis (Raphaël Thiéry), com uma espingarda em mãos caso apareçam lobos. Eles logo se apaixonam, e não se deixa nada muito explicado. Na região, também mora Yoan (Basile Meilleurat), um jovem que vive com o velho Marcel (Christian Bouillette), com os quais Leo estabelece uma estranha ligação. Ele tenta convencer Yoan a participar de uma audição para se transformar em ator, mas não tem uma boa receptividade.
Marie tem um bebê com Leo, mas está sofrendo por uma depressão pós-parto, e ele não deseja assumi-la, preferindo ficar na cidade grande e indo ao campo apenas algumas vezes. Guiraudie mostra como todas essas ligações podem estabelecer um patamar cíclico à medida que podem esconder, na verdade, um desejo oculto pertencente a cada personagem. Para desenhar a presença do homem, Guiraudie recorre à figura do lobo e ele torna Leo numa espécie de representação daquele que tenta fugir de uma revelação, mas é levado a ela a cada momento – e os momentos em que ele procura terapia natural com uma médica (Laure Calamy) são os mais estranhos possíveis, assim como há algumas cenas de sexo nos moldes de Um estranho no lago. Guiraudie, a exemplo do que apresentou em seu filme anterior, mostra esse comportamento em geral próximo ao instinto selvagem, daí o roteiro nunca esclarecer muito bem a relação que Leo deseja estabelecer com outras pessoas.

Para tratar da paternidade, Guiraudie elege uma série de escolhas incomuns num filme, assim como para tratar da submissão da mulher em determinados momentos e da tentativa de agradar ao outro. No entanto, o tema em destaque, aqui, é o da fuga: quando Leo não consegue entregar o roteiro a seu produtor, quando se nega a morar com Marie, quando se nega a um comportamento familiar – tudo acaba indicando que ele terá de se dobrar. Guiraudie usa uma metalinguística muito comum a poetas que lidam com o surrealismo, desde Buñuel, passando por Lynch até Carax, para citar alguns dos mais conhecidos. Seu interesse é sempre situar os personagens no limite da convivência natural, para que eles possam ser extraídos dela e colocados numa espécie de universo paralelo, que não se afasta, no entanto, da realidade (e vemos isso claramente na nova temporada da série Twin Peaks, de Lynch). Para isso, o elenco é de suma importância e o destaque absoluto aqui é para a atuação de Damien Bonnard, uma das mais excêntricas do cinema recente. Ele representa o homem indefinido entre a carreira – ser roteirista – e se dedicar à família. Já Christian Bouillette está excepcional, num papel que exige um rigor descompromissado.

A maneira como Guiraudie mostra seu interesse em cuidar do filho, ao contrário de Marie, mostra um sentimento de fundo trágico. Há uma ideia familiar para ele, e suas tentativas de estabelecer contato com Marcel mostram isso, no entanto desequilibradas pela falta de clareza do que realmente almeja. É como se ele quisesse vivenciar a vida alheia, mas ao mesmo tempo não se conforma com isso.
Não que seja um mérito especial, mas Na vertical é um dos filmes mais originais dos últimos anos, mesmo que alguns temas ao final emerjam de maneira um pouco abrupta, devido ao pouco desenvolvimento adotado por Guiraudie para determinados personagens, embora Leo ingresse exatamente no universo ficcional que produz como roteirista, adentrando em sua própria criação. Há um sentimento permanente nele de deslocamento, assim como se mostra ao longo de toda a narrativa, seja caminhando por um campo aberto, seja caminhando embaixo de um viaduto na cidade. A fotografia de Claire Mathon cria uma sensação de distanciamento de tudo, principalmente quando mostra a fazenda durante a noite ou a estrada onde Leo se desloca constantemente. Isso funciona em combinação com a analogia estabelecida entre homens e lobos, extremamente funcional e impactante.

Rester vertical, FRA, 2017 Diretor: Alain Guiraudie Elenco: Damien Bonnard, India Hair, Raphaël Thiéry, Christian Bouillette, Basile Meilleurat, Sébastien Novac, Laure Calamy Roteiro: Alain Guiraudie Fotografia: Claire Mathon Produção: Benoît Quainon, Sylvie Pialat Duração: 100 min. Distribuidora: Zeta Filmes Estúdio: Les Films du Worso

 

A vigilante do amanhã – Ghost in the shell (2017)

Por André Dick

O diretor Rupert Sanders estreou com um grande blockbuster há alguns anos, Branca de neve e o caçador, um dos mais interessantes do gênero de fantasia, mesmo com sua má recepção em geral, com Kristen Stewart e Charlize Theron vivendo um duelo transposto do conto de fadas. Sanders já demonstrava um talento interessante para a composição de imagens diferenciadas, em que o fantástico se mesclava com um tom que remetia aos filmes dos anos 80, a exemplo de A lenda e Labirinto, e Cruzada e Gladiador, de Ridley Scott, principalmente na grandiosidade de algumas cenas de batalha.
Em seu novo filme, A vigilante do amanhã – Ghost in the shell, ele procura outro universo, baseado no mangá criado por Masamune Shirow. Num futuro não muito distante do Japão, a Hanka Robotics desenvolve o projeto de um corpo que, ao invés de simplesmente ser uma inteligência artificial, carrega um cérebro humano. No caso, Mira Killian (Scarlett Johansson) é um jovem sobrevivente de um ataque em que seus pais morreram. A Dra. Ouelet (Juliette Binoche) é a sua idealizadora e Cutter (Peter Ferdinando), o responsável pela Hanka, decide usá-la para combater o terrorismo.

Killian, depois de certo tempo, se torna uma major no Setor 9, trabalhando com Batou (Pilou Asbæk) e Togusa (Chin Han) sob as ordens de Daisuke Aramaki (Takeshi Kitano). Killian, no entanto, como RoboCop, vem tendo lembranças do seu passado e quer descobrir, afinal, sua origem. Esta é a busca de Batty em Blade Runner, e A vigilante do amanhã trabalha no mesmo universo cyberpunk, em que o corpo humano é confrontado com o tecnológico – e muitos detalhes remetem também à adaptação do conto de Phillip K. Dick Minority Report, feita por Spielberg. Depois de uma determinada missão, Killian se depara com uma figura desconhecida chamada Hideo Kuze (Michael Pitt). Kuze e Killian podem ter mais algo em comum do que o aparente universo que os afasta.
O filme de Sanders tem um design de produção notável, influenciado tanto por Blade Runner quanto pela Seul futurista de Cloud Atlas, das irmãs Wachowski e Tom Tkywer, e pelo Japão psicodélico de Enter the void, embora seus temas possam dialogar mais com Matrix, a ficção científica referencial do final dos anos 90, e RoboCop, de Paul Verhoeven. O design funciona em conjunto com a narrativa, que parece às vezes contemplativa, em termos de ação e de envolvimento emocional. A escolha de Scarlett Johansson foi muito criticada por ela não ser uma atriz oriental, mas deve-se dizer que a figura original tinha traços ocidentais, e a atriz tenta utilizar a falta de emoção da personagem como resultado apenas de sua configuração tecnológica.

O segmento de Cloud Atlas em que se mostra Sonmi-451, interpretada por Doona Bae, dialoga aberta com A vigilante do amanhã. Bae era uma atriz que conseguia imprimir certa emoção mesmo com poucos gestos, já que lá também era um experimento tecnológico que estava à frente de uma revolução. Por sua vez, Johansson nunca transparece grandes sentimentos em suas personagens (curiosamente, aquele filme em que mais transpareceu afeto foi Ela, em que fazia um dispositivo virtual romântico) e aqui ela consegue transparecer uma humanidade diferente da superfície gelada – melhor do que em Lucy e Sob a pele, no qual fazia uma alienígena. Fala-se que esta escalação é o que levou o filme a uma dificuldade clara de obter uma bilheteria condizente com seu orçamento. Não se trata disso, e sim do fato de que o roteiro tem um rumo filosófico, embora alguns personagens não tenham o desenvolvimento adequado, principalmente da personagem de Binoche, excepcional atriz francesa, tão subaproveitada quanto em Godzilla e fazendo uma parceria indireta com a Marion Cotillard de Assassin’s creed.
Se já existia uma animação clássica baseada nesse mangá, dos anos 90, A vigilante do amanhã se sente bem feito em suas sequências de ação, lembrando Assassin’s creed, mas se equivoca em alguns momentos em depositar suas chances numa possível continuação, sem desenvolver suficientemente a história.

Ainda, assim a importância que dá ao visual – plano em que a atuação de Johansson ganha uma nuance de destaque, pelos efeitos visuais incríveis – se vê expandida por esta busca da personagem por seu eu verdadeiro e, mesmo que a trama principal seja simples, o que se passa na tela não necessariamente fica esclarecido, deixando uma sensação de mistério interessante. Há cenas que dialogam com o segundo John Wick, deste ano, com sua profusão de neons, porém A vigilante do amanhã desenvolve imagens simbólicas, como a da casa oriental que a personagem vislumbra e pode remeter a algo mais íntimo, assim como o mergulho na água pode representar tanto adentrar na vida quanto na mente alheia ou na morte. E Keanu Reeves, sendo seu personagem quase uma máquina, parecia ter um sentimento de angústia permanente, o que não acontece com Johansson.
O roteiro de Ehren Kruger, William Wheeler e Jamie Moss se sente lento e, ao mesmo tempo, apressado, dando ao filme uma camada existencial interessante. Enquanto não vemos todos os personagens se desenvolvendo, percebemos que o diretor não está também interessado em cobrir a lacuna do problema com ação ruidosa, que excluiria da história seu diferencial. O que torna o espetáculo mais atrativo ainda é, além do design de produção e dos efeitos visuais, a fotografia de Jess Hall, que colaborou em Transcendence. Hall tem um olhar interessante para a composição de cores e os enquadramentos. Veja-se o olhar que ele lança para uma repartição de edifícios visitada por Killian, com o céu ao alto. Dentro do material e da narrativa em que seu trabalho é inserido, ele se sente bem o quanto poderia: A vigilante do amanhã é surpreendentemente profundo.

Ghost in the shell, EUA, 2017 Diretor: Rupert Sanders Elenco: Scarlett Johansson, Takeshi Kitano, Michael Pitt, Pilou Asbæk, Chin Han, Juliette Binoche, Lasarus Ratuere, Danusia Samal, Yutaka Izumihara, Tawanda Manyimo, Peter Ferdinando, Pete Teo Roteiro: Jamie Moss, William Wheeler, Ehren Kruger Fotografia: Jess Hall Trilha Sonora: Lorne Balfe, Clint Mansell Produção: Avi Arad, Steven Paul, Michael Costigan Duração: 107 min. Estúdio: DreamWorks Pictures, Reliance Entertainment, Arad Productions, Shanghai Film Group Corporation, Huahua Media Distribuidora: Paramount Pictures

Twin Peaks – O retorno (Episódio 7) (2017)

Por André Dick

Este texto apresenta spoilers

O sétimo episódio de Twin Peaks – O retorno (disponível na Netflix) marca o reencontro com alguns personagens de peças anteriores e a inclusão de novos. Se tudo começa com Jerry Horne (David Patrick Kelly) no bosque de Twin Peaks experimentando drogas enquanto fala ao telefone com o irmão Ben (Richard Beymer), no hotel, a história se transporta para a delegacia. Hawk (Michael Horse) conversa com o xerife Truman (Robert Forster) sobre os papéis que encontrou na porta do banheiro da delegacia. São páginas rasgadas do diário de Laura Palmer, que relatam um sonho que ela teve com Annie Blackburn (Heather Graham), a namorada de Cooper, no filme Twin Peaks – Fire walk with me. Neste sonho, Annie avisa que Cooper está preso no Black Lodge e que é para Laura anotar isso em seu diário. O xerife, depois de conversar com seu irmão ao telefone, entra em contato com o Doutor Hayward (Warren Frost, falecido no início deste ano), um dos últimos a ter visto Cooper décadas atrás. Esse ingresso do Dr. Hayward traz uma aura de conversas sobre pescaria que remete às primeiras temporadas da série, contrastando com a tecnologia campestre do computador do xerife.

O corpo sem cabeça que se encontra na delegacia de Buckhorn, Dakota do Sul, é identificado como sendo do major Garland Briggs, depois que a tenente Knox (Adele René) conversa com o detetive Dave Mackley (Brent Briscoe) e a legista Constance Talbot (Jane Adams). Esta sequência lembra muito aquela dos agentes Stanley e Desmond no filme Twin Peaks – Fire walk with me. No corredor em que ela liga para seu superior, Davis (Ernie Hudson), vemos passar o que se parece com o mendigo que se encontrava numa cela do segundo episódio. Há um momento de tensão e ameaça típico de Lynch que é cortado por Gordon Cole (David Lynch) assoviando com o retrato da bomba atômica ao fundo de sua sala (e repare-se que, antes, a câmera mostra outro quadro, com uma espiga de milho, remetendo ao “garmonbozia” do Black Lodge). Albert Rosenfield (Miguel Ferrer) adentra a sala dizendo que tentou falar com Diane (Laura Dern), sem êxito: ambos, então, depois de um pedido engraçado de Albert, vão visitá-la, tentando convencê-la a interrogar o agente Cooper do mal, Mr. C., na prisão de Dakota do Sul. Seguem todos para Dakota junto com Tammy Preston (Chysta Bell).
Os desentendimentos de Diane com os ex-companheiros dão um indicativo que pode se confirmar ou não: Laura Dern será uma das personagens centrais dessa temporada. Apesar de apreciar Dern, suas cenas neste episódio são levemente inclinadas ao exagero, o que descaracteriza o surrealismo despropositado de muitas passagens. O figurino e a peruca, que envelhecem a atriz, não se sentem orgânicos nas cenas em que aparece, além de o roteiro aplicar a técnica do “F***” para tentar uma comicidade forçada, pouco utilizada por Lynch em sua carreira (perceba-se como ela surge bem no recente Wilson, ao lado de Woody Harrelson, ao natural). É Diane, no entanto, que parece prever o que o Cooper do mal (Kyle MacLachlan) pode fazer, tanto que, logo depois, ele consegue uma reunião com o diretor da prisão de Yankton, Warden Dwight Murphy (James Morrison), e parece saber segredos suficientes dele para conseguir uma liberdade incondicional para ele e o parceiro Ray Monroe (George Griffith). Esta sequência é bem feita, mas talvez muito direta para os simbolismos que Lynch costuma entregar, nunca tão evidenciados.

Lynch trafega entre esses espaços com naturalidade, porém o personagem do Cooper mal não parece o melhor indicativo para o que se pode extrair com esta nova temporada: sua presença já parece suficientemente aproveitada. Será uma presença ainda muito ativa?
Enquanto Andy (Harry Goaz) tenta descobrir, de maneira estranha, o que houve com o acidente no episódio anterior, Ben Horne flerta com sua secretária Beverly Page (Ashley Judd) ao mesmo tempo que procuram identificar de onde vem um estranho barulho na eletricidade do escritório. Ele também recebe das mãos dela a chave que chegou do correio, do quarto em que Cooper estava hospedado vinte anos antes, enviada por Jade (Nafessa Williams), no quinto episódio. Nada mais interessante que a câmera se direcionar a uma das tapeçarias indígenas do Great Northern – simbolizando os enigmas da série e do bosque. E a eletricidade estaria avisando sobre a volta de Cooper?
Já a brava Janey-E Jones (Naomi Watts, em tempo exato de humor novamente) vai buscar o marido Dougie (também MacLachlan) no trabalho, quando ele é visitado por três detetives, T. Fusco (Larry Clarke), “Smiley” Fusco (Eric Edelstein) e D. Fusco (David Koechner), por causa do seu carro, que explodiu do outro lado da cidade. Ele também é ajudado pelo chefe Bushnell Mullins (Don Murray), depois de ignorar o colega Anthony Sinclair (Tom Sizemore), a quem acusou de mentiroso no capítulo 5.

Na saída do trabalho, ele precisa enfrentar Ike “The Spike” Stadtler (Christophe Zajac-Denek), enquanto aparece a árvore do Black Lodge, o Braço, dizendo o que ele deve fazer. Essa cena mescla estranheza e surrealismo em doses desproporcionais, e o que mais a engrandece é Cooper/Dougie ouvindo as sirenes da polícia como se estivesse recordando do passado. Ainda assim, o que seria um humor calibrado acaba se perdendo um pouco.
Há uma cena executada de forma impecável no Roadhouse, quando um homem varre o salão por alguns minutos, juntando minuciosamente a sujeira deixada pelos clientes no chão, ao som de “Green Onions”, quando ao fundo o parente de Renault (feito pelo mesmo ator, Walter Olkewicz), atende ao telefone e fala sobre negócios ilegais – o que mostra novamente a podridão da pequena cidade embaixo da tentativa de limpá-la.
Neste universo, o duplo mal de Cooper é mais do que uma ameaça: ele é realmente algo a ser combatido. David Lynch até o momento expôs uma história muito bem trabalhada em partes e misteriosa até seu cerne: resta saber o que ele pretende daqui em diante, e até que ponto ele vai utilizar a figura do duplo mal de Cooper e, principalmente, de Diane, que se sente, pelo menos neste episódio, fora do tom. Lynch diz a ela: “O microfone e a cortina são seus”, antes de ela falar com o duplo mal de Cooper, numa cena que parece saída de Império dos sonhos, sobretudo na maneira como ela é enfocada. Esperamos que ele não esteja dizendo a Laura Dern que o espetáculo é dela, como pareceu nesses primeiros momentos.

Sabe-se que desde Veludo azul, passando por Coração selvagem, até Império dos sonhos, Dern é sua atriz favorita, mas desconfia-se o que ele está pretendendo destacar nela que destoe do restante da série. Além disso, os episódios anteriores continham longas sequências primorosas – neste, Lynch parece adotar uma narrativa mais entrecortada, que remete à série antiga, entretanto sem a mesma agilidade de ligação em alguns pontos. É a primeira vez na série que ele estabelece mais de duas passagens para os mesmos personagens, de forma mais definida, e talvez este episódio se sinta mais linear, o que não é a melhor qualidade. Ou seja, até então o diferencial era exatamente esse estilo mais vagaroso, o que muda aqui, e não se sabe ainda se é necessariamente de acordo com o que virá. Não é sem explicação que a melhor cena seja aquela do flerte de Ben Horne, com uma precisão de tempo e movimentos de câmera por parte de Lynch. Perceba-se também que Lynch, além de lidar com duplos, mostra vários irmãos (os Horne, os detetives, os Truman conversando ao telefone), como se a genealogia da série fosse se estendendo. Do mesmo modo, é interessante que o diretor consiga, nos próximos episódios, trazer de volta personagens que apareceram e sumiram, como James Hurley (que teve apenas uma breve aparição ao final do segundo), Bobby Briggs (que apareceu apenas no quarto) e Lucy (Kimmy Robertson), ausente nos dois últimos, para que não percamos de vista o que está ocorrendo a eles. Isso acontece aqui com Ben Horne, que não aparecia desde o primeiro episódio. Audrey, sua filha, desta vez é mencionada. Até agora, do elenco, MacLachlan e Naomi Watts são os dois destaques, seguidos pelo próprio David Lynch, e a fotografia de Peter Deming continua irretocável. Tudo faz parte da ideia de um filme dividido em 18 episódios, mas Lynch não deve destacar alguns do seu elenco para desviar o foco do que realmente nos interessa: os enigmas de Twin Peaks.

Twin Peaks – Episode 7, EUA, 2017 Diretor: David Lynch Elenco: Kyle MacLachlan, Naomi Watts, Michael Horse, Laura Dern, Robert Forster, Mädchen Amick, Ashley Judd, Larry Clarke, Eric Edelstein, David Koechner, Don Murray, Tom Sizemore, David Patrick Kelly, Richard Beymer, Miguel Ferrer, David Lynch, Christophe Zajac-Denek, Warren Frost, Adele René, Brent Briscoe, Ernie Hudson, Jane Adams, Walter Olkewicz Roteiro: David Lynch e Mark Frost Fotografia: Peter Deming Trilha Sonora: Angelo Balalamenti Produção: David Lynch e Mark Frost Duração: 58 min. Distribuidora: Showtime

 

Rakka (2017)

Por André Dick

Em 2009, Neill Blomkamp surpreendeu o público com sua ficção científica Distrito 9, indicada ao Oscar de melhor filme, e passou a ser visto como uma das promessas entre os novos diretores. Com um orçamento maior e a presença de Matt Damon à frente do elenco, Blomkamp regressou com Elysium, um filme que apostava, como sua estreia, num cenário que mescla os elementos de ficção científica com favelas e exploração de seres humanos vivendo numa Terra combalida, em 2154, Nele, tínhamos no espaço a presença de Elysium, uma estação espacial com mansões e uma vegetação tropical, almejada sobretudo porque conta com um suporte tecnológico que não permite seus moradores terem qualquer tipo de doença. Em 2015, Blomkamp investiu num projeto que mesclava elementos de RoboCop e Short Circuit: Chappie, que conseguia desenvolver bem até a primeira metade os seus personagens para depois se perder em clichês, mesmo com boas atuações do elenco, uma das virtudes do trabalho desse cineasta.

Depois de tentar levar adiante o projeto de Alien 5, que iria ignorar a existência de Alien 3 e Alien – A ressurreição, continuando a história de Aliens – O resgate, Blomkamp não conseguiu fazer seu projeto vir à luz. Somou-se a isso o fato de Ridley Scott estar fazendo a trilogia inicial de Alien. Resolveu, então, desenvolver o Oats Studios para projetos de curta-metragem, a serem lançados pela página do estúdio e pelo YouTube. A tendência é que, a partir desses projetos, ele possa transformá-los em longas, com a ajuda do público.
O primeiro experimento é Rakka, passado em 2020, que mostra a Terra invadida por répteis alienígenas assustadores, levando a humanidade praticamente à extinção. Seria a ideia inicial de Blomkamp para o Alien 5? Eles destroem cidades e constroem sobre obras da humanidade, como a Torre Eiffel, compartimentos que as tornam quase espaçonaves. Blomkamp mostra que os alienígenas usam um líquido escuro e viscoso que transforma o que eles querem na estrutura pretendida e ainda exercem uma influência sobre o cérebro dos humanos. Também passaram a escravizar os humanos; os que escaparam estão escondidos embaixo da terra, num clima pós-apocalíptico nos moldes de Mad Max. No Texas em ruínas, há, porém, um grupo de soldados dos Estados Unidos liderados por Jasper (Sigourney Weaver). O que mais interessa no estilo de Blomkamp é a mescla entre fantasia e realismo, tão bem efetuada, por exemplo numa cena em que a líder visita um espaço cheio de velas, para homenagear a humanidade – tão realista que parece saída de Central do Brasil, na peregrinação dos personagens do filme de Walter Salles.

Jasper vai atrás de Nosh (Brandon Auret), um piromaníaco que constrói bombas e vive num ferro-velho, mas se encontra preso. Ele não tem interesse em ajudar a humanidade, e seu nome subentende o contrário de Noah/Noé. Ao mesmo tempo, a organização encontra Amir (Eugene Khumbanyiwa), que conseguiu escapar dos alienígenas sob efeito dos experimentos. Sarah (Carly Pope), da resistência, tenta convencê-lo a ajudar, levando em conta que ele guarda um segredo consigo. Neste espaço, Blomkamp concentra algumas imagens que dialogam com os filmes de Kathryn Bigelow, a exemplo de A hora mais escura. Se há um elogio maior que se possa fazer é que o espectador realmente gostaria de assistir a uma versão estendida desse curta-metragem, que talvez exista, esperando por uma verba de finalização.
Rakka em finlandês significa “afloramento de rocha no cume de uma colina” (certamente referência ao que fazem os invasores com a paisagem terráquea) e o que se tem aqui, na verdade, é o ressurgimento da carreira de Blomkamp. Com um design de produção fabuloso de Bobby Cardoso e uma bela fotografia de Mannie Ferreira, Rakka tem as principais obsessões do cineasta: a ligação entre homens e uma possível chegada de alienígenas, o interesse pela tecnologia, o clima de Apocalipse. Veja-se, por exemplo, a sequência do alienígena segurando uma caveira shakesperiana antes de lançá-la numa caverna repleta de ossadas: há toda uma tragédia embutida nessa breve sequência. Se Chappie tinha muito pouco dessa efetividade, as visões de Rakka se sentem impressionantes, mesmo com a curta-metragem, desenhando um dos cenários mais assustadores para a humanidade e mostrando que Blomkamp poderia, sem dúvida, acrescentar ao universo da série Alien, mas, ao que tudo indica, vai acrescentar mais ainda com este projeto inovador.

Rakka, EUA, 2017 Diretor: Neil Blomkamp Elenco: Sigourney Weaver, Brandon Auret, Eugene Khumbanyiwa, Carly Pope Roteiro: Neil Blomkamp e Thomas Sweterlitsch Fotografia: Mannie Ferreira Trilha Sonora: Lorne Balfe Produção: Mike Blomkamp, Steven St. Arnaud Duração: 22 min. Distribuidora: Oats Estudio

 

Colossal (2017)

Por André Dick

São poucos os filmes que conseguem misturar gêneros diferentes, e Colossal está entre eles. No início, ele se equilibra entre o drama e o humor da vida de Gloria (Anne Hathaway), uma escritora sem emprego que enfrenta o alcoolismo, em Nova York. Seu namorado Tim (Dan Stevens) briga com ela, e Gloria acaba voltando para sua cidade do interior. Lá, ela encontra um amigo de infância, Oscar (Jason Sudeikis), cuja herança do pai foi um bar. A rotina de Gloria, portanto, continua a mesma. Oscar a ajuda a se estabelecer na sua casa de infância, ao mesmo tempo que Seul, na Coreia do Sul, passa a ser invadida por um monstro que lembra Godzilla, destruindo edifícios e que pode ter uma relação com a personagem central. Neste ponto, o filme avança no terreno do fantástico e da ficção científica. Como vender uma obra sem estilo pré-determinado? Com elementos claros de Godzilla e King Kong, é difícil encontrar um público determinado, principalmente porque o que se mostra na superfície não parece ser o mais importante e os personagens não se mostram exatamente como heróis ou vilões, com frases de efeito para provocar reação na plateia.

As noites de Gloria, imersa na bebida, junto com os amigos de Oscar, Garth (Tim Blake Nelson) e Joel (Austin Stowell), são interrompidas por uma sucessão de traços de absurdo. Um deles certamente é que, quando ela acorda de ressaca, percebe que está perdendo notícias importantes na televisão. Nada melhor do que prover um bar com mais bebida do que um assunto envolvendo tragédia e vários clientes querendo presenciá-la ao vivo. Contar mais é certamente tirar a graça deste filme dirigido pelo espanhol Nacho Vigalondo. É interessante como Hathaway, semidesaparecida desde o Oscar de atriz coadjuvante por Os miseráveis, tendo se destacado apenas em Interestelar e Um senhor estagiário, desde então, entrega aqui uma das melhores atuações de sua carreira. Ela consegue realmente mesclar o estilo cômico e dramático que a narrativa requisita. Sudeikis, conhecido por seus papéis bem-humorados, também se sai muito bem, ambos bem dirigidos por Vigalondo. Pode haver um interesse amoroso entre esses personagens interligados pela bebida? Este é outro elemento de Colossal: um possível romance. Mais uma vez, o gênero do filme se torna indefinido, à medida que a história vai retomando traços da infância dessa personagem para explicar sua condição atual diante de uma realidade. E o grande mérito de Vigalondo é a criação, pouco a pouco, de uma atmosfera mesclando sonho e realidade.

Se a bilheteria foi decepcionante (2 milhões nos EUA), Colossal conta pontos em sua matéria mais profunda do que aparenta. Trata-se de uma história realmente original e fora do esquema típico de produções de Hollywood. Numa época em que King Kong e Godzilla irão se conciliar numa franquia, os monstros de Colossal se mostram muito mais subjetivos, para além de qualquer explicação plausível. Em termos técnicos, o filme surpreende com a criação de cenários interessantes e efeitos visuais competentes. Tudo nele faz o espectador ficar imerso na história que está sendo contada. O bar onde a história se passa em grande parte tem um design atrativo, em que os personagens se confundem com neons ou a cor dos quadros de fundo, além das mesas que evocam um antigo estabelecimento do Velho Oeste, o que certamente é proposital para o desenlace que pretende mostrar. A cidadezinha de origem de Gloria tem um ar de que algo domina ali e não é certamente o entusiasmo, por isso a personagem central se concentrar exatamente nela para tentar crescer novamente, a partir de uma determinação em superar o que lhe aconteceu. Nesse sentido, Colossal tem muito mais relação com outro filme de kaijus, o já referencial Círculo de fogo, de Guillermo del Toro, em que o passado de uma menina e a tentativa de irmão vingar a morte de outro se convertia numa peça além da velha matéria de enfrentamento entre humanos (e sua tecnologia, no caso) e monstros.

O contraponto entre a cidade do interior, com suas ruas vazias e playgrounds sem crianças brincando, e a metrópole que é Seul parece significar também a divisão de Gloria entre Nova York e seu passado. É ela que faz a ligação simbólica entre esses universos, enquanto Oscar parece ser aquele que tenta convencê-la a permanecer ocupando sua casa com móveis antigos. É como se ela precisasse sempre não apenas regressar ao passado, como se manter nele. Esta é uma história sobre o indivíduo norte-americano paralisado por guerras e destruições e que acaba se entregando ao vício e ao passado, mas que dele procurar escapar de algum modo, nem que seja por meio da fantasia. Oscar representa, ao que tudo indica, a própria consciência de Gloria desejando permanecer nesse presente em que não se livra de algumas mágoas. Vigalondo, para isso, torna a casa onde fica Gloria e o bar de Oscar quase personagens da narrativa, que se estabelece de maneira interessante até o final imprevisível. Embora ele pareça por vezes forçado e abrupto, deve-se dizer que a obra ganha um significado ainda mais interessante depois do caminho adotado por Vigalondo. Isso faz de Colossal não apenas diferenciado, como também deslocado do que surge nas telas hoje em dia: só isso o torna mais interessante do que poderia.

Colossal, EUA, 2017 Diretor: Nacho Vigalondo Elenco: Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Dan Stevens, Tim Blake Nelson, Austin Stowell, Agam Darshi, Rukiya Bernard, Hannah Cheramy Roteiro: Nacho Vigalondo Fotografia: Eric Kress Trilha Sonora: Bear McCreary Produção: Dominic Rustam, Nahikari Ipiña, Russell Levine, Zev Foreman Duração: 110 min. Distribuidora: Paris Filmes Estúdio: Brightlight Pictures / Sayaka Producciones Audiovisuales

 

Twin Peaks – O retorno (Episódio 6) (2017)

Por André Dick

Este texto apresenta spoilers

No sexto episódio de Twin Peaks – O retorno (disponível na Netflix), David Lynch retoma a história mostrando Dougie Jones/Agente Cooper (Kyle MacLachlan) ainda observando a estátua do caubói na saída de seu trabalho, tentando identificar o que ela lhe lembra de outra vida, exatamente a de um agente do FBI. Abordado por um policial que pede para sair do lugar, acaba sendo levado para casa, onde reencontra sua esposa Janey-E Jones (Naomi Watts, novamente no tempo certo de humor). Ela pede que fale com seu filho, Sonny Jim (Pierce Gagnon) antes de este dormir, e Dougie mal consegue calcular os passos para subir até o segundo andar da casa. Comendo batata frita, é chamado de volta pela esposa para explicar algumas fotos que estavam dentro de um envelope entregue por baixo da porta de sua casa nas quais aparece ao lado de Jade (Nafessa Williams). Mais do que ver em Jade apenas quem lhe deu carona, Dougie Jones/Agente Cooper precisa fazer a tarefa de casa: analisar os arquivos passados por seu chefe da companhia de seguros, Lucky 7 Insurance, para identificar possíveis erros. Depois de visualizar no chão de sua casa o Homem de Um Braço Só (Al Strobel) dizendo que ele precisa despertar – uma alusão clara a Paul Atreides de Duna, também interpretado por MacLachlan – e não morrer, Dougie Jones/Cooper começa a ver pontos luminosos do que precisa marcar em seus arquivos, e interessante também é ele ver no 7 do nome da empresa a mesma curva do piso do Black Lodge.

Se a polícia recolhe os escombros do carro de Dougie Jones que explodiu do outro lado da cidade, de pessoas para quem ele deve, Lynch vai juntando outros: apresenta o novo traficante da cidade de Twin Peaks, Red (Balthazar Getty). Ele estava flertando com Shelly no Road House ao final do segundo episódio e agora mostra drogas a Richard Horne (Eamon Farren), parente dos Horne. Balthazar estrelou A cidade perdida, de Lynch, e a estranheza do ator se manifesta ainda em seu comportamento e o gesto de mágica com uma moeda, que lembra alguns dos momentos surrealistas de Cidade dos sonhos.
Situada entre a realidade e o surrealismo é a ida de Carl Rodd (Harry Dean Stanton) de van de seu Ice Trout Trailer Park em Deer Meadow, Oregon, para Twin Peaks. Lembre-se que esse parque de trailers é administrado por ele já na época em que o FBI vem investigar o assassinato de Teresa Banks em Twin Peaks – Fire walk with me. Na mesma ida, um amigo do local, Mickey (Jeremy Lindholm), ganha carona e fala da esposa Linda, que acabou de receber uma cadeira de rodas do governo. Seriam Linda e Richard (Horne) os nomes mencionados pelo gigante a Cooper no primeiro episódio desta terceira temporada? Em Twin Peaks, sentado num banco de parque, como Dorothy Vallens ao final de Veludo azul, Carl vê uma mãe (Lisa Coronado) brincando com seu filho (Hunter Sanchez), enquanto parece ficar mais calmo olhando a copa das árvores acima.

No entanto, no mesmo cruzamento em que o Homem de um Braço Só aborda Laura Palmer e seu pai, Leland, no filme realizado para o cinema, acontecerá a morte trágica dessa criança. Rodd corre para ver o que aconteceu e visualiza uma chama de fogo subindo ao céu, quando o espectador visualiza a placa de seu parque de trailers, que era mostrada em Twin Peaks – Fire walk with me com o som indígena feito pelo anão do Black Lodge. Lynch desenha essa metafísica de sensações por meio de imagens sensíveis e violentas, desde a beleza natural que Rodd presencia ao extremo oposto. Mais estranha ainda é a violência do motorista que atropela a criança. É como se tudo fosse interligado pela natureza e um sentimento que desequilibra isso remete à eletricidade que provém do Black Lodge. E perceba-se a falta de reação dos habitantes de Twin Peaks, como se não tivessem possibilidade de sequer amparar a mãe com seu filho, mostrando que a pequena cidade ainda vive sob um peso de ameaça inexplicável, mesmo com sua aparente tranquilidade.
Em algum lugar indeterminado, um rapaz quase anão, Ike “The Spike” Stadtler (Christophe Zajac-Denek), recebe as fotos de Dougie Jones e da telefonista que aparece ao início do quinto episódio, Lorraine (Tammy Baird), e Lynch, de forma assustadora, já mostra a morte dela a facadas em seguida. E ainda temos Janey-E tentando fazer com que os perseguidores de Dougie Jones, Jimmy (Jeremy Davies) e Tommy (Ronnie Gene Blevins), deixem seu marido em paz, entregando um maço polpudo de dinheiro em troca.

Enquanto Hawk (Michael Horse), na delegacia, descobre algo na porta do banheiro, sob a preocupação de Chad Broxford (John Pirruccello), o xerife Truman (Robert Forster) volta a receber sua esposa, Doris (Candy Clark), revoltada com o não conserto do carro do pai. No Double R, a garçonete Heidi (Andrea Hays), das primeiras temporadas de Twin Peaks, com sua risada característica, atende uma professora, Miriam (Sarah Jean Long), antes de conversar com Shelly (Mädchen Amick).
No entanto, talvez a sequência mais enigmática seja a de Albert Rosenfield (Miguel Ferrer), depois de passar por uma chuva pesada – bradando palavras contra Gene Kelly e Cantando na chuva –, entrando num bar, onde chama por uma mulher bebendo no balcão de costas: é Diane (Laura Dern), a secretária para quem Cooper fazia suas gravações. A entrada de Dern no elenco de Twin Peaks é uma nostalgia pura de Veludo azul – e Dern, com uma peruca platinada, lembra a musa de Lynch à época de Coração selvagem, Isabella Rossellini.
E o que esperar de Dougie Jones quando reencontra seu chefe depois de novamente experimentar um café no elevador na ida para seu trabalho, ajudado por Reynaldo (o ótimo Juan Carlos Cantu)? Chamado a distância e assustado, em meio a um design da agência que remete a peças infantis, iguais a seus rascunhos, certamente, ele parece mais curioso com a imagem de seu chefe, Bushnell Mullins (Don Murray), como campeão de boxe quando mais jovem – o que remete ao agente Chester Desmond (Chris Isaak) vendo a imagem do xerife de Deer Meadow, Cable (Gary Bullock), dobrando um cabo de aço em Twin Peaks – Fire walk with me. Na hora do cumprimento, Lynch desliza sua nota cômica em um sentido mais surreal possível.

Lynch cada vez mais com a ajuda de uma fotografia belíssima de Peter Deming utiliza Kyle MacLachlan para extrair uma das atuações mais memoráveis que o espectador presencia nos últimos anos, mostrando o quanto este ator é subestimado, desde o início de sua trajetória, exatamente em Duna. Ele é impressionante na divisão entre Dougie e Agente Cooper, vivida a cada passo, literalmente, e cada gole de café. Tem a colaboração fundamental de coadjuvantes diretos, a exemplo de Watts e Murray, ou indiretos, como Dean Stanton numa participação extraordinária, com pausas no momento exato.
Em seu sexto episódio, David Lynch mostra mais uma vez que não está preocupado em contar uma história que se esclareça a cada sequência: este retorno precisa ser analisado em todos os pontos para ser essencialmente entendido. E mais: a cada episódio, expande a mitologia simbólica que era subentendida na série e explorada realmente no filme. No entanto, este episódio novamente se mantém com uma fascinação especial, com longas sequências, em que Lynch desenha um cinema de arte na televisão. É a verdadeira arthouse.

Twin Peaks – Episode 6, EUA, 2017 Diretor: David Lynch Elenco: Kyle MacLachlan, Naomi Watts, Michael Horse, Laura Dern, Robert Forster, Mädchen Amick, Eamon Farren, Miguel Ferrer, David Lynch, Pierce Gagnon, Al Strobel, Harry Dean Stanton, Candy Clark, Balthazar Getty, Sarah Jean Long, Christophe Zajac-Denek, Tammy Baird, Don Murray, Juan Carlos Cantu, John Pirruccello, Hunter Sanchez, Lisa Coronado, Jeremy Davies, Ronnie Gene Blevins, Jeremy Lindholm Roteiro: David Lynch e Mark Frost Fotografia: Peter Deming Trilha Sonora: Angelo Balalamenti Produção: David Lynch e Mark Frost Duração: 58 min. Distribuidora: Showtime

 

Mulher-Maravilha (2017)

Por André Dick

O universo compartilhado da DC Comics no cinema teve início há quatro anos com O homem de aço, de Zack Snyder, seguido por Batman vs Superman, do mesmo diretor, e Esquadrão suicida, ambos lançados no ano passado. Em um ambiente no qual a disputa da companhia com a Marvel cresce a cada filme, Mulher-Maravilha, o primeiro blockbuster dirigido por uma cineasta, Patty Jenkins, parece trazer uma certa nostalgia em seu início principalmente.
Na ilha de Themyscira, Diana Prince (na infância Lilly Aspel e na adolescência Emily Carey) é educada e treinada para ser uma amazona guerreira pela tia Antiope (Robin Wright), com todo o conhecimento e preparo físico possíveis, mesmo contra a vontade de sua mãe, Hippolyta (Connie Nielsen). Essa premissa familiar já seria suficiente para ver no filme de Jenkins, diretora de Monster, pelo qual Charlize Theron ganhou o Oscar de melhor atriz, um dos fundamentos desse gênero: o respeito às HQs, e o roteiro aposta nisso, apropriadamente interessante. Há uma preocupação em contar a origem das amazonas, com uma volta à mitologia de Zeus, e fica clara a influência do Zack Snyder, que ajudou a escrever a história com Scott Heinberg (responsável pelo roteiro final) e Jason Fuchs, principalmente nas imagens e na tonalidade das figuras gregas, remetendo a 300.

Quando Diana já adulta (Gal Gadot) presencia a queda do avião do norte-americano Steve Trevor (Chris Pine), e imediatamente se depara com a Primeira Guerra Mundial, temos um exemplo de como abordar a história com elementos de fantasia. Ele é um espião que está atrás de informações relativas a alemães. Poucas vezes isso foi feito, mais exatamente naquela obra que serve de comparativo com este, Capitão América – O primeiro vingador, com elementos também de Rocketeer, em que o herói enfrentava nazistas na Hollywood dos anos 40. Se o filme de Johnston insistia em certa narrativa fragmentada, Mulher-Maravilha tenta ser mais completo: é visível que não há os saltos propostos na narrativa de Johnston, nem uma excessiva vontade de converter cada imagem num frame de HQ.
Para um filme que inicia com belíssimo visual da ilha, em trabalho de fotografia magistral de Matthew Jensen (Game of Thrones), repleto de cores, é de se imaginar que há um novo tom adotado para a DC. No entanto, esse novo tom não percorre toda a narrativa: na maior parte das tomadas de guerra, muito realistas e bem feitas por Jenkins, com uma aura de cinema antigo, a atmosfera é soturna. O design de produção de Aline Bonetto, colaboradora de Jean-Pierre Jeunet, em O fabuloso destino de Amélie Poulain e Estranho amor – que possui cenários de guerra parecidos com as de Mulher-Maravilha – e o figurino de Lindy Hemming, que recebeu um Oscar por Topsy-Turvy e participou da trilogia Batman de Nolan, são notáveis.

Ambos os trabalhos acrescentam ao universo da DC, porém não destoam, ou seja, nada aqui é tão claro que deixe de lado uma ambientação atmosférica densa. Não parece haver humor excessivo, de qualquer modo, a não ser quando Mulher-Maravilha entra em contato com Etta Candy (a simpática Lucy Davis, subaproveitada) e a Londres de 1918, que remete à Nova York de Animais fantásticos e onde habitam, com seus detalhes inumeráveis, ou quando procura “guerreiros” para acompanhá-la no front de batalha – momentos em que o filme tenta agradar excessivamente ao público. Os personagens do general alemão Ludendorff (Danny Huston, na atuação problemática do elenco) e uma colega (Elena Anaya) dialogam mais com o universo de Harry Potter e Animais fantásticos e se sentem um pouco deslocados aqui. Nesse contexto, a figura da Mulher-Maravilha se dá com certa desenvoltura, principalmente quando em Londres se mostra intelectualmente já à frente de seu tempo. Há um subtexto claro aqui de temas voltados ao feminismo, com a determinação de Jenkins em lidar com eles de forma interessante e não pretensiosa.
Além disso, o século de distância que afasta essa Diana de Batman vs Superman, tendo Bruce Wayne em seu encalço, é exatamente aquele em que a heroína fica mais experiente e a mitologia se transforma em fantasia: a Primeira Guerra é o verdadeiro apocalipse que se materializa em Gotham City no filme de Snyder. A ilha Themyscira representa o oposto do mundo masculino, que seria exatamente o da guerra sem nenhuma razão: a oposição se dá não apenas pelo uso das cores na primeira parte em oposição aos momentos em que Diana sai do lugar onde nasceu. A Ilha Paraíso, como também é conhecido o lugar, presencia a queda da humanidade com a chegada do homem. E este, segundo Diana Prince, precisa ser salvo. Mas, no momento em que ela realmente conhece os horrores da guerra, talvez ele não queira exatamente isso. Jenkins procura fazer quase uma análise da guerra à parte de seu filme – que tem o foco evidente na fantasia. Isso por vezes engrandece a temática e por outras desvia o foco do que apresenta em cenas-chave. Já o discurso sobre deuses e humanos e a tentativa de Jenkins em representá-los como pinturas em movimento – quando Snyder expunha o tema por meio da pintura na sala de Lex Luthor em Batman vs Superman – é um tema que vem desde O homem de aço no universo compartilhado da DC.

Com um personagem fundamental criado em 1941 por William Moulton Marston, mesmo com essa parcela de mostrar o primeiro filme grande com uma super-heroína, Mulher-Maravilha não parece carregar o risco de Batman vs Superman e mesmo O homem de aço. Trata-se de uma aventura com elementos clássicos, apresentando um um otimismo mais evidente, na construção que ele faz da relação entre os super-heróis mostrados e suas famílias e na esperança de um mundo melhor, mesmo que de maneira conflituosa – o que é base desses personagens nas HQs e animações contemporâneas. Em Mulher-Maravilha, essa relação se dá desde o início, na ilha de Themyscira e forma a personalidade de Diana, mas, ao contrário de Batman e Superman, ela se sente um tanto desprendida do seu passado, e daí a principal diferença de enfoque. Além de tudo, situado durante os anos 1910, não seria possível Jenkins aplicar em sua personagem o mesmo nervosismo da modernidade em que Batman e Superman estão inseridos, com suas guerras a serem enfrentadas a partir de invasões alienígenas ou psicopatas com acesso à mais recente tecnologia para manipular o governo.

Há méritos evidentes para Jenkins em extrair uma boa atuação de Gal Gadot, que se sentia com uma participação tímida em Batman vs Superman e aqui realmente se encaixa no papel, fazendo uma boa parceria com um Chris Pine à vontade, como se estivesse a bordo da Enterprise, assim como na construção de algumas cenas de ação, em que os efeitos visuais são balanceados entre elementos de realismo e fantasia (o laço da Mulher-Maravilha é especialmente bem feito e confere impacto às cenas em que surge). Lamenta-se que Pine não seja suficientemente aproveitado da metade para o final, o que prejudica bastante a fluidez até então da narrativa, e é justamente ele que provoca uma cena antes do final emocionante.
Mais conhecida antes por participar da série Velozes e furiosos, Gadot apresenta um crescimento dramático, mesmo que não completo, principalmente no terceiro ato, que reduz de forma significativa as qualidades do filme (e a metragem se excede em pelo menos 15 minutos). Ela já havia se mostrado uma boa comediante em Vizinhos nada secretos, ao lado de Zach Galifianakis, e aqui novamente seu timing para humor é muito bom. No entanto, o discurso que ela apresenta sente-se didático demais, mesmo expositivo, pois Jenkins naturalmente está aproveitando a figura da Mulher-Maravilha mais para simbolizar um discurso bem dosado à guerra do que para inseri-la numa trama distribuída em camadas. No entanto, para quem está desconfiado de quem forma a opinião de alguns espectadores, não se engane: é tudo o que eles querem. Nada decisivamente melhorou ou piorou: tudo voa ao sabor das circunstâncias, assim como a Mulher-Maravilha em muitas sequências, desta vez sendo recebida em geral não com uma dose tendenciosa de ver apenas falhas onde há verdadeiros méritos.

Wonder woman, EUA, 2017 Direção: Patty Jenkins Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Connie Nielsen, Elena Anaya, Lucy Davis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremmer, Eugene Brave Rock Roteiro: Allan Heinberg Fotografia: Matthew Jensen Trilha Sonora: Rupert Gregson-Williams Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder, Richard Suckle Duração: 140 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: Atlas Entertainment / Cruel & Unusual Films / DC Entertainment

 

Twin Peaks – O retorno (Episódio 5) (2017)

Por André Dick

Este texto apresenta spoilers

O quinto episódio da terceira temporada de Twin Peaks (disponível na Netflix) amplia o que Lynch vinha mostrando no terceiro e quarto episódios, com a vinda do agente Cooper (Kyle MacLachlan) para a nossa dimensão na forma de Dougie Jones. Agora ficamos sabendo que ele trabalha numa agência de seguros, Lucky 7 Insurance, mas, ao ser deixado na frente do prédio onde ela fica pela esposa Janey-E (Naomi Watts), o que o guia até o escritório é o jovem Reynaldo (Juan Carlos Cantu), carregando uma porção considerável de café para os funcionários. O agente Cooper na pele de Dougie está, claro, completamente desencontrado – e apesar de um parceiro seu, Anthony Sinclair (Tom Sizemore), dizer que o auxiliou na última escapada de casa (possivelmente com Jade, que vimos no terceiro episódio), ele não sabe o que ocorre, assim como desconhece que em outra parte da cidade seu antigo carro está sendo vigiado por duas gangues.
No entanto, é inevitável perceber a tristeza de seu olhar antes de sair de casa ao ver Sonny Jim (Pierce Gagnon), filho de Dougie e provisoriamente dele, Cooper, enquanto uma lágrima escorre do seu rosto, o que remete a alguns momentos do personagem de MacLachlan em Veludo azul. Imagens em David Lynch transcendem as analogias: são códigos e pistas, assim como as impressões que o Cooper/Dougie vai tendo quando visualiza uma estátua de um cowboy ou quando escuta a palavra “agente”. Para quem queria uma volta imediata do principal personagem da série, tudo parece estar sendo preparado para algo ainda mais surpreendente. É preciso reconhecer como admirador da série original: não imaginava os caminhos que estão sendo adotados por Lynch, e isso demonstra sua originalidade de maneira determinante.

O espectador continua recebendo as informações de Lynch aos poucos e, quando vemos um jovem, Steven Burnett (Caleb Landry Jones, do recente Corra!), procurando emprego em Twin Peaks, para ser repreendido por Mike Nelson (Gary Hershberger), o antigo amigo de Bobby Briggs, por causa de seu currículo, vamos saber cenas mais adiante que ele é namorado de Becky (Amanda Seyfried), filha de Shelly (Mädchen Amick). Ela ainda trabalha na lanchonete Double R, de Norma Jennings (Peggy Lipton).
Esta cena antecede uma na qual ambos experimentam drogas no carro, e a filha de Shelly é levada a uma viagem por meio da música que toca no carro, “I Love How You Love Me” (The Paris Sisters) – recordando alguns dos momentos mais trágicos de Twin Peaks – Fire walk with me e também a representação que, além da permanência dos personagens, alguns problemas se repetem. Na cidade, também acompanhamos o xerife Truman (Robert Forster) sendo visitado por sua esposa, Doris (Candy Clark), cobrando agilidade nos consertos caseiros, e a contínua busca de Hawk (Michael Horse) e Andy (Harry Goaz) daquilo que está faltando na investigação de Laura Palmer a fim de se encontrar Cooper. Mais ainda: na Roadhouse, temos a primeira aparição de Richard Horne (Eamon Farren), da família Horne, capaz de lembrar outros psicopatas da filmografia de Lynch, ameaçando uma garota, Charlotte (Grace Victoria Cox), e sua amiga (Jane Levy, a atriz sósia de Emma Stone). Ele entrega um dinheiro (possivelmente relacionado a drogas) a Chad Broxford (John Pirruccello), um dos policiais da cidade que se desentendia com Andy no quarto episódio – e cujo modus operandi cria um paralelo com um policial de Twin Peaks – Fire walk with me, responsável por vender drogas a Laura Palmer e Bobby Briggs. A cena tem um significado para o inveterado fumante Lynch: nunca peça cigarros a um desconhecido.

O episódio transita entre o desencontro de Dougie e o lado violento de peças como A estrada perdida. No cassino onde Dougie/Cooper embolsou 425 mil dólares, Lynch apresenta os irmãos Bradley (James Belushi) e Robert Knepper (Robert Mitchum), que expulsam o Supervisor Burns (Brett Gelman) com uma dose de violência incontrolável – observados por meninas vestidas de pin-ups (cf. Cidade dos sonhos (ver última imagem acima) e Império dos sonhos), como se estivessem no Jack Caolho’s da antiga série. Vemos, nisso, uma analogia entre o cassino de Las Vegas e o cassino onde Cooper precisou buscar pistas para o assassino de Laura Palmer na série original. E, como nas demais sequências, são símbolos lançados por Lynch para atingir sua finalidade maior.
Novas pontes com a série original são traçadas: o psiquiatra Dr. Jacoby (Russ Tamblyn) agora transmite um programa pela internet por meio do qual tenta vender as pás que pintava de ouro no terceiro episódio depois de bradar palavras sobre liberdade na América, enquanto é visto por Jerry Horne (David Patrick Kelly) e Nadine (Wendy Robbie). Nesta breve sequência, temos uma influência de outro diretor contemporâneo (no primeiro episódio, algumas tomadas lembravam de Nicolas Winding Refn): Wes Anderson (perceba os objetos utilizados por Dr. Jacoby). Mas temos, acima de tudo, o que está acontecendo com o lado mal de Cooper (também MacLachlan), preso numa cadeia de Dakota do Sul.

Ao se olhar no espelho, ele lembra a cena de encerramento da segunda temporada e, quando vai dar o telefonema permitido, acontece uma pane elétrica na cadeia – um elemento tipicamente lynchiano –, que remete imediatamente a Buenos Aires, onde estava Phillip Jeffries em Twin Peaks – Fire walk with me. Em meio a isso, a agente Tammy Preston (Chysta Bell), assistente do agente Gordon Cole (David Lynch), descobre mais sobre as digitais da versão maléfica do agente Cooper. Além de tudo, o início e o final do episódio entrelaçam o assassinato de Ruth Davenport, a bibliotecária encontrada em seu apartamento no primeiro episódio. A legista Constance Talbot (Jane Adams) descobre no corpo encontrado no local (não pertencente a Ruth) o anel de casamento de Dougie Jones.
Este é um dos pontos de partida para o enigma em que vai se constituindo Twin Peaks a cada episódio, envolto por surrealismo e elementos típicos da antiga série sob um ponto de vista completamente novo e, ao mesmo tempo, classicamente lynchiano. Como nos primeiros episódios, os personagens vão sendo apresentados em ritmo totalmente diferente de uma série de TV e cada episódio não se apresenta por si só e sim como parte de um conjunto maior. É essencialmente uma mescla, acrescida de novos elementos, de todos os filmes feitos por Lynch, principalmente de Veludo azul em diante, mas neste episódio há essencialmente uma presença de elementos trabalhados em A estrada perdida, na apresentação dos carros vermelho e preto que vigiam o de Dougie, na violência dos irmãos Mitchum e nas cenas da cadeia, que remetem à troca de corpo do personagem, naquele filme, de Bill Pullman. Lynch também traz seu interesse em mostrar a violência ao corpo como a oposição imediata a uma possível atração entre personagens. Veja-se o relacionamento entre os colegas de Dougie Jones ou a maneira como Lynch revela o parente mais novo dos Horne, ou quando coloca pin-ups testemunhando um ato de violência. Como Dr. Jacoby, David Lynch busca elementos que possam desvendar a própria América. Vinte e cinco anos depois de ter encontrado a maioria desses personagens, o cineasta não é mais o mesmo e a sua série também não. Esta continua imprevisível.

Twin Peaks – Episode 5, EUA, 2017 Diretor: David Lynch Elenco: Kyle MacLachlan, Naomi Watts Michael Horse, Harry Goaz, Nafessa Williams, Robert Forster, Chrysta Bell, Caleb Landry Jones, Gary Hershberger, Amanda Seyfried, Mädchen Amick, Peggy Lipton, Eamon Farren, Grace Victoria Cox, Jane Levy, James Belushi, Robert Knepper, Brett Gelman, Russ Tamblyn, David Patrick Kelly, Wendy Robbie, Jane Adams, John Pirruccello, Pierce Gagnon, Juan Carlos Cantu Roteiro: David Lynch e Mark Frost Fotografia: Peter Deming Trilha Sonora: Angelo Balalamenti Produção: David Lynch e Mark Frost Duração: 58 min. Distribuidora: Showtime

Melhores filmes 2010-2017 (até agora)

Por André Dick

Assim como aconteceu em relação aos anos 1980, 1990 e 2000, é apresentada, aqui, uma lista de melhores filmes de 2010 a 2017 (o deste ano, claro, provisória),  cada uma seguida por menções honrosas. Em cada ano, são destacadas 25 obras. O cinema dos anos 2010, como o da década que abre o século, é caracterizado por apresentar o cinema fora dos Estados Unidos de uma maneira que nunca havia acontecido em décadas anteriores.
Cineastas vindos de Taiwan (Apichatpong Weerasethakul), da China (Jia Zhangkhe), do Japão (Wong Kar-Wai, Hirokazu Koreeda), da Coreia do Sul (Joon-ho Bong, Chang-Dong Lee, Chan-wook Park, Hong Sang-soo) e da Malásia (Tsai Ming-Liang) são correntes nessa década, em que o cinema norte-americano também continuou abrindo espaço para diretores estrangeiros, a exemplo de Ang Lee, Walter Salles, Werner Herzog, Alfonso Cuarón, Wim Wenders, Pablo Larraín e Guillermo del Toro, com destaque para Alejandro G. Iñárritu, que ganhou dois Oscars consecutivos, e Nicolas Winding Refn, com seu artesanato surrealista (ocupando o lugar de um ausente David Lynch no cinema, que regressou em grande estilo, porém, à TV, com a série Twin Peaks).
Nuri Bilge Ceylan continua apresentando um trabalho interessante, assim como Abdellatif Kechiche e Béla Tarr, além de Carlos Reygadas, todos vitoriosos em Cannes. Também continua tendo destaque o cinema iraniano, com cineastas como Abbas Kiarostami, que lamentavelmente faleceu em 2016.
E, mais ainda do que seu regresso em O novo mundo, na década passada, Terrence Malick tem cada vez mais ressurgido com frequência. Seu cinema é o mais influente dos anos 2010.

Cineastas que começaram produzindo nos anos 70 ou 80 continuaram a mostrar seus filmes, como Martin Scorsese, Steven Spielberg, Tim Burton, David Cronenberg, Cameron Crowe, Oliver Stone, Woody Allen, William Friedkin, Joel e Ethan Coen, Francis Ford Coppola, Michael Mann, Gus Van Sant, Robert Zemeckis, Brian De Palma, Ron Howard, Jim Jarmusch, Spike Lee, Sam Raimi e Clint Eastwood. Numa retrospectiva, chamou atenção como o trabalho de Ridley Scott continua vigoroso, tendo sido indicado ao Oscar de direção por Perdido em Marte. Firmaram-se também Kathryn Bigelow e M. Night Shyamalan, este apesar de todas as críticas.
O austríaco Michael Haneke conquistou Cannes, assim como novamente os irmãos Dardenne, enquanto Lars von Trier se viu convidado a se retirar dele. Destaques também para os irmãos belgas Jean-Pierre Jeunet, juntamente com os franceses François Ozon, Jacques Audiard, Olivier Assayas, Benoît Jacquot e Phillipe Garrel e o franco-argentino Gaspar Noé, além da continuidade de Jean-Luc Godard.
A geração ligada ao cinema indie dos anos 90 continuou seu trabalho, mostrando sua vitalidade: Quentin Tarantino, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Spike Jonze, Richard Linklater, Sofia Coppola e Todd Solondz. Entre eles, muitos continuaram chegando ao Oscar ou chegaram pela primeira vez à nomeação de melhor filme, como Jonze, Linklater e Anderson.

Como na década passada, prosseguiram seus trabalhos Greg Mottola, com sua visão de juventude, assim como Judd Apatow, depois da série Freaks and geeks, além de Noah Baumbach, enquanto surgiram ou mostraram novos trabalhos nomes como Jeff Nichols, Derek Cianfrance, Shane Carruth, David Robert Mitchell, Jean-Marc Vallée, David O. Russell e Ben Affleck. E David Fincher continuou trabalhando entre o drama e o suspense. No campo da comédia, Seth MacFarlane (à frente de séries de animação) e Sam Esmail (criador de Mr. Robot) migraram da TV para o cinema, e Shawn Levy mostrou um talento subestimado que se confirmaria à frente de alguns episódios e da produção de Stranger things, série exitosa de 2016.
Também surgiram grandes diretoras, a exemplo de Mia Hansen-Løve, Angelina Jolie, Gia Coppola, Stéphane Lafleur, Julia Loktev, Céline Sciamma, Maïwenn, Sophie Barthes e Jessica Hausner, além do documentarista Joshua Oppenheimer. Duplas-revelações: Phil Lord e Cristopher Miller e Veronika Franz e Severin Fiala.
Na Austrália, tivemos o surgimento de David Michôd. Em Portugal, Miguel Gomes lançou o marcante Tabu. Na Romênia, surgiu Cristian Mungiu; na Grécia, Yorgos Lanthimos; na Argentina, Lisandro Alonso; na Suécia, Ruben Östlund; e na Rússia, testemunhamos a volta de Andrey Zvyagintsev.
Também nos Estados Unidos, prosseguiram com inclinação para o espetáculo nomes como Peter Jackson, J.J. Abrams, Cristopher Nolan, Bryan Singer e Zack Snyder, com os acréscimos de Joss Whedon e Jon Favreau, outros para o drama cotidiano, como Jason Reitman, James Ponsoldt, Mike Mills e Kelly Reichardt, ou drama histórico ou atual, com James Gray.

Os irmãos Wachowski tentaram avançar em seus experimentos com Cloud Atlas, embora tenham recuado um tanto em O destino de Júpiter, ao lado do alemão Tom Tykwer. Da Inglaterra, continuaram a se destacar Guy Ritchie, Lenny Abrahamson, Andrea Arnold, David Yates, Stephen Frears, Steven McQueen, Edgar Wright e Joe Wright. No Canadá, Denis Villeneuve se firmou ainda mais, como o jovem cineasta Xavier Dolan, e Atom Egoyan continuou a lançar filmes em grande quantidade.
E, no universo da animação, apesar da presença da Pixar, foi Hayao Miyazaki quem continuou se destacando. Entre os cineastas brasileiros, assinala-se a manutenção de cineastas como Laís Bodanzky, Jorge Furtado, José Padilha, Anna Muylaert e Cláudio Assis, e as revelações Fellipe Barbosa, Kleber Mendonça Filho, Marina Person, Alê Abreu, Paulo Morelli e Júlia Rezende, assim como Carlos Saldanha, de Rio, para lembrar alguns nomes.

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Como observado na lista aos melhores filmes das décadas de 1980 a 2000, alguns filmes que não agradam na primeira visão se mostram interessantes e até mesmo indispensáveis quando revisitados. Muitas dessas listas mudaram em poucos anos, à medida que, ao rever alguns filmes, fui gostando mais ou menos deles (um exemplo é O lado bom da vida, que estava longe de ser um dos meus favoritos quando lançado e, em revisões, cresceu como obra). Ou seja, aqueles que a princípio parecem indispensáveis, com o passar dos anos parecem ter o impacto reduzido e se tornam menos importantes. A premissa de que um filme é bom ou fraco muitas vezes varia, mas a distância dos anos parece ser a melhor maneira de constatar isso. Os anos de cada filme estão de acordo com o IMDb, com raras exceções. Nesta década, às vezes é difícil precisar o ano de alguns filmes, pois muitos são exibidos primeiramente em festivais (em Cannes e Sundance, por exemplo) para serem lançados oficialmente dali a um ou até dois anos. Veja-se os casos de Personal shopper e Graduation, que estrearam em Cannes em 2016, mas só foram lançados internacionalmente este ano. Ou seja, tento colocar o filme no ano em que ele tem data de lançamento internacional, não apenas em seu país de origem, pelo menos nos últimos dois anos, quando isso se tornou mais recorrente. A partir de 2017, os filmes produzidos pela Netflix passam em alguns festivais ou estreiam em poucos cinemas, isso quando não são exibidos apenas pela plataforma. Eles passaram a ser considerados como filmes (não telefilmes), principalmente porque costumam ter uma produção cinematográfica, incluindo diretores de fotografia, compositores e elenco. Alguns títulos mantenho no original, pois não gosto especial da tradução feita, como Cloud Atlas (intitulado no Brasil A viagem) e Greenberg (chamado no Brasil de O solteirão).  Tenta-se um equilíbrio com essas informações, mas às vezes elas podem destoar.
Espera-se que as listas levem você, cinéfilo e leitor, a rever ou descobrir alguns desses filmes.

Atualização: em 13 de junho, A cura entrou na lista de melhores filmes de 2017.

1. Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz)
2. Cisne negro (Darren Aronofksy)
3. Reino animal (David Michôd)
4. Cópia fiel (Abbas Kiarostami)
5. Bravura indômita (Joel e Ethan Coen)
6. A rede social (David Fincher)
7. Poesia (Chang-Dong Lee)
8. O mágico (Sylvain Chomet)
9. O mito da liberdade (David Robert Mitchell)
10. Um doce olhar (Semih Kaplanoğlu)

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11. Um lugar qualquer (Sofia Coppola)
12. Scott Pilgrim contra o mundo (Edgar Wright)
13. Greenberg (Noah Baumbach)
14. Ventre (Benedek Fliegauf)
15. Não me abandone jamais (Mark Romanek)
16. O escritor fantasma (Roman Polanski)
17. Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1 (David Yates)
18. Como você sabe (James L. Brooks)
19. Caminho para o nada (Monte Hellmann)
20. The Runaways – Garotas do rock (Floria Sigismondi)
21. O atalho (Kelly Reichdart)
22. Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Apichatpong Weerasethakul)
23. Filme socialismo (Jean-Luc Godard)
24. Tron – O legado (Joseph Kosinski)
25. Encontro explosivo (James Mangold)

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Menções honrosas: 127 horas (Danny Boyle), A origem (Cristopher Nolan), A mentira (Will Gluck), O último mestre do ar (M. Night Shyamalan), Atração perigosa (Ben Affleck), Homem de ferro 2 (Jon Favreau), A ressaca (Steve Pink), O lobisomem (Joe Johnston), Coincidências do amor (Josh Gordon, Will Speck), Biutiful (Alejandro G. Iñárritu), Cyrus (Jay Duplass), Além da vida (Clint Eastwood), A lenda dos guardiões (Zack Snyder), As melhores coisas do mundo (Laís Bodanzky), Meu malvado favorito (Pierre Coffin, Chris Renaud), Splice (Vincenzo Natali), Paul – O alien fugitivo (Greg Mottola), Essential killing (Jerzy Skolimowski), Salt (Phillip Noyce), Confiança (David Schwimmer), Deixe-me entrar (Matt Reeves), Red – Armados e perigosos (Robert Schwentke), Shrek para sempre (Mike Mitchell), O estranho caso de Angélica (Miguel de Oliveira), Wall Street – O dinheiro nunca dorme (Oliver Stone), Uma noite fora de série (Shawn Levy), Lembranças (Allen Coulter), Pânico na neve (Adam Green), Uma manhã gloriosa (Roger Michell), O lenço amarelo (Udayan Prasad), Tropa de elite 2 (José Padilha), Reencontrando a felicidade (John Cameron Mitchell)

1. A árvore da vida (Terrence Malick)
2. Os descendentes (Alexander Payne)
3. A separação (Asghar Farhadi)
4. Drive (Nicolas Winding Refn)
5. O cavalo de Turim (Béla Tarr)
6. O abrigo (Jeff Nichols)
7. Pina (Wim Wenders)
8. O garoto da bicicleta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)
9. Era uma vez na Anatólia (Nuri Bilge Ceylan)
10. Super 8 (J.J. Abrams)

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11. A invenção de Hugo Cabret (Martin Scorsese)
12. Millennium – O homem que não amava as mulheres (David Fincher)
13. Meia-noite em Paris (Woody Allen)
14. Melancolia (Lars von Trier)
15. Amor a toda prova (Glenn Ficarra, John Requa)
16. A pele que habito (Pedro Almodóvar)
17. Missão madrinha de casamento (Paul Feig)
18. Margaret (Kenneth Lonergan)
19. Tomboy (Céline Sciamma)
20. 50% (Jonathan Levine)
21. Polissia (Maïwenn)
22. Jovens adultos (Jason Reitman)
23. Planeta solitário (Julia Loktev)
24. As aventuras de Tintim (Steven Spielberg)
25. Virgínia (Francis Ford Coppola)

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Menções honrosas: Oslo, 31 de agosto (Joachim Trier), Ataque ao prédio (Joe Cornish), Tudo pelo poder (George Clooney), A hora do espanto (Craig Gillespie), Kung fu panda 2 (Jennifer Yuh Nelson), Carnage (Roman Polanski), Hanna (Joe Wright), Las acacias (Pablo Giorgelli), Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2 (David Yates), Histórias cruzadas (Tate Taylor), Quero matar meu chefe (Seth Gordon), Contágio (Steven Soderbergh), O artista (Michel Hazavenicus), Thor (Kenneth Branagh), Alpes (Yorgos Lanthimos), Rango (Gore Verbinski), Cowboys e aliens (Jon Favreau), Compramos um zoológico (Cameron Crowe), O homem que mudou o jogo (Bennett Miller), Meu país (André Ristum), Minha semana com Marilyn (Simon Curtis), Sherlock Holmes – O jogo das sombras (Michael Ritchie), Vencer, vencer (Tom McCarthy), Sucker Punch (Zack Snyder), Se beber, não case! – Parte II (Todd Phillips), Amor profundo (Terrence Davies), Rio (Carlos Saldanha), X-Men – Primeira classe (Matthew Vaughn), Inquietos (Gus Van Sant), O exótico Hotel Marigold (John Madden)

1. Cloud Atlas (Andy e Lana Wachovski e Tom Tkywer)
2. O mestre (Paul Thomas Anderson)
3. Moonrise Kingdom (Wes Anderson)
4. Amor (Michael Haneke)
5. As vantagens de ser invisível (Stephen Chobsky)
6. Um alguém apaixonado (Abbas Kiarostami)
7. A hora mais escura (Kathryn Bigelow)
8. Luz depois das trevas (Carlos Reygadas)
9. Na estrada (Walter Salles)
10. O hobbit – Uma jornada inesperada (Peter Jackson)

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11. O som ao redor (Kleber Mendonça Filho)
12. Prometheus (Ridley Scott)
13. A visitante francesa (Hong Sang-soo)
14. Tabu (Miguel Gomes)
15. Batman – O cavaleiro das trevas ressurge (Cristopher Nolan)
16. O gebo e a sombra (Miguel de Oliveira)
17. Ferrugem e osso (Jacques Audiard)
18. Anna Karenina (Joe Wright)
19. Vampiras (Amy Heckerling)
20. Holy Motors (Leos Carax)
21. A caça (Thomas Vinterberg)
22. O lado bom da vida (David O. Russell)
23. As aventuras de Pi (Ang Lee)
24. Cosmópolis (David Cronenberg)
25. Sombras da noite (Tim Burton)

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Menções honrosas: Os miseráveis (Tom Hooper), No (Pablo Larraín), Lincoln (Steven Spielberg), O voo (Robert Zemeckis), As loucuras de Charlie (Roman Coppola), Além das montanhas (Cristian Mungiu), 007 – Operação Skyfall (Sam Mendes), Um divã para dois (David Frankel), Celeste e Jesse para sempre (Lee Toland Kriger), John Carter – Entre dois mundos (Andrew Stanton), O amante da rainha (Nicolaj Arcel), Ruby Sparks – A namorada perfeita (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Django livre (Quentin Tarantino), Vizinhos imediatos de terceiro grau (Akiva Schaffer), As sessões (Ben Lewin), O espetacular homem-aranha (Marc Webb), Branca de neve e o caçador (Ruppert Sanders), Para Roma com amor (Woody Allen), Anjos da lei (Phil Lord, Cristopher Miller), Adeus à rainha (Benoît Jacquot), Bem-vindo aos 40 (Judd Apatow), A baía (Barry Levinson), Espelho, espelho meu (Tarsem Singh), Os vingadores (Joss Whedon), Detona Ralph (Rich Moore), Barbara (Christian Petzold), Amigos inseparáveis (Fisher Stevens), Ted (Seth MacFarlane), O ditador (Sascha Bara Cohen), Paranorm (Chris Butler, Sam Fell), Amor mudo (Jeff Nichols), Dentro da casa (François Ozon), Hitchcock (Sacha Gervasi), O labirinto de Kubrick (Rodney Ascher), Eles voltam (Marcelo Lordello)

1. Azul é a cor mais quente (Abdellatif Kechiche)
2. Ela (Spike Jonze)
3. Amor pleno (Terrence Malick)
4. O grande mestre (Wong Kar-Wai)
5. Heli (Amat Escalante)
6. O lobo de Wall Street (Martin Scorsese)
7. Vidas ao vento (Hayao Miyazaki)
8. Nebraska (Alexander Payne)
9. Cores do destino (Shane Carruth)
10. O conselheiro do crime (Ridley Scott)

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11. O maravilhoso agora (James Ponsoldt)
12. A imagem que falta (Rithy Panh)
13. 12 anos de escravidão (Steve McQueen)
14. Bastardos (Claire Denis)
15. Gravidade (Alfonso Cuarón)
16. Temporário 12 (Destin Daniel Cretton)
17. Star Trek – Além da escuridão (J.J. Abrams)
18. Apenas Deus perdoa (Nicolas Winding Refn)
19. O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata)
20. Rush – No limite da emoção (Ron Howard)
21. O lugar onde tudo termina (Derek Cianfrance)
22. Walt Disney nos bastidores de Mary Poppins (John Lee Hancock)
23. Um toque de pecado (Jia Zhangke)
24. Fruitvale Station (Ryan Coogler)
25. A vida secreta de Walter Mitty (Ben Stiller)

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Menções honrosas: O grande Gatbsy (Baz Luhrmann), Frances Ha (Noah Baumbach), Oldboy – Dias de vingança (Spike Lee), Pais e filhos (Hirokazu Koreeda), Um estranho no lago (Alain Guiraudie), O mordomo da casa branca (Lee Daniels), We’re the Millers (Rawson Marshall Thurber), Red 2 (Dean Parisot), Une jeune fille (Catherine Martin), Universidade Monstros (Dan Scanlon), Depois da terra (M. Night Shyamalan), O foguete (Kim Mordaunt), Antes da meia-noite (Richard Linklater), Philomena (Stephen Frears), O menino e o mundo (Alê Abreu), Os estagiários (Shawn Levy), Círculo de fogo (Guillermo del Toro), Oz – Mágico e poderoso (Sam Raimi), Filha de ninguém (Hong Sang-soo), Meu namorado é um zumbi (Jonathan Levine), O homem de aço (Zack Snyder), Clube de compras Dallas (Jean-Marc Vallée), A menina que roubava livros (Brian Percival), O ciúme (Philippe Garrel), Um fim de semana em Paris (Roger Michell), Trapaça (David O. Russell), Elysium (Neill Blomkamp), Entre nós (Paulo Morelli), A morte do demônio (Fede Alvarez), Mesmo se nada der certo (John Carney), Jack e o caçador de gigantes (Brian Synger), Confissões de adolescente (Daniel Filho, Chris D’Amato), Caça aos gângsteres (Ruben Fleischer), Sem evidências (Atom Egoyan)

1. Boyhood (Richard Linklater)
2. Vício inerente (Paul Thomas Anderson)
3. Interestelar (Cristopher Nolan)
4. Ida (Pawel Pawlikowski)
5. Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância) (Alejandro G. Iñárritu)
6. O hobbit – A batalha dos cinco exércitos (Peter Jackson)
7. Winter sleep (Nuri Bilge Ceylan)
8. Leviathan (Andrey Zvyagintsev)
9. O homem duplicado (Denis Villeneuve)
10. Dois dias, uma noite (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

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11. Palo Alto (Gia Coppola)
12. Homens, mulheres e filhos (Jason Reitman)
13. O grande hotel Budapeste (Wes Anderson)
14. Força maior (Ruben Östlund)
15. Ninfomaníaca – Vol. I (Lars von Trier)
16. O ano mais violento (J. C. Chandor)
17. Jersey Boys – Em busca da música (Clint Eastwood)
18. Cães errantes (Tsai Ming-liang)
19. Vida de adulto (Scott Coffey)
20. Mapas para as estrelas (David Cronenberg)
21. Nós somos as melhores! (Lukas Moodysson)
22. RoboCop (José Padilha)
23. Invencível (Angelina Jolie)
24. Transcendence (Wally Pfister)
25. Êxodo: deuses e reis (Ridley Scott)

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Menções honrosas: A culpa é das estrelas (Josh Boone), Acorda, Nicole (Stéphane Lafleur), Ninfomaníaca – Vol. II (Lars von Trier), Pássaro branco na nevasca (Gregg Araki), O duplo (Richard Ayoade), Noé (Darren Aronofsky), Cake – Uma razão para viver (Daniel Barnz), Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro), Calvário (John Michael McDonagh), Uma viagem extraordinária (Jean-Pierre Jeunet), Grandes olhos (Tim Burton), Amores inversos (Liza Johnson), Tirem o sorriso do rosto (Daniel Patrick Carbone), Duna de Jodorowksy (Frank Pavich), Planeta dos macacos – O confronto (Matt Reeves), Frank (Lenny Abrahamson), Guardiões da galáxia (James Gunn), Magia ao luar (Woody Allen), Uma aventura LEGO (Phil Lord, Cristopher Miller e Chris McKay), Boa noite, mamãe (Veronika Franz, Severin Fiala), Anjos da lei 2 (Phil Lord e Cristopher Miller), O abutre (Dan Gilroy), The blue room (Mathieu Almaric), Marcados pela guerra (Peter Sattler), Top five (Chris Rock), Willow creek (Bobcat Goldthwait), À procura (Atom Egoyan), Love & Mercy (Bill Pohlad), Jogos vorazes: A esperança – Parte 1 (Francis Lawrence), Sniper americano (Clint Eastwood)

1. O regresso (Alejandro G. Iñárritu)
2. Amour fou (Jessica Hausner)
3. Os oito odiados (Quentin Tarantino)
4. Eden (Mia Hansen-Løve)
5. A juventude (Paolo Sorrentino)
6. Creed (Ryan Coogler)
7. Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (Roy Andersson)
8. O peso do silêncio (Joshua Oppenheimer)
9. Sob o mesmo céu (Cameron Crowe)
10. À beira mar (Angelina Jolie Pitt)

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11. A assassina (Hou Hsiao-Hsien)
12. A colina escarlate (Guillermo del Toro)
13. Hacker (Michael Mann)
14. Corrente do mal (David Robert Mitchell)
15. Casa Grande (Fellipe Barbosa)
16. Jauja (Lisandro Alonzo)
17. 007 contra Spectre (Sam Mendes)
18. O conto dos contos (Matteo Garrone)
19. O quarto de Jack (Lenny Abrahamson)
20. Rio perdido (Ryan Gosling)
21. Peter Pan (Joe Wright)
22. No coração do mar (Ron Howard)
23. O fim da turnê (James Ponsoldt)
24. Homem-Formiga (Peyton Reed)
25. Sicario – Terra de ninguém (Denis Villeneuve)

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Menções honrosas: Califórnia (Marina Person), Madame Bovary (Sophie Barthes), Poltergeist – O fenômeno (Gil Kennan), Oeste sem lei (John Maclean), Férias frustradas (John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein), Chatô – O rei do Brasil (Guilherme Fontes), Homem irracional (Woody Allen), Cidades de papel (Jake Schreier), Amizade desfeita (Levan Gabriadze), Love (Gaspar Noé), Jogos vorazes: A esperança – O final (Francis Lawrence), Vingadores – A era de Ultron (Joss Whedon), A teoria de tudo (James Marsh), Phoenix (Christian Petzold), Magic Mike XXL (Gregory Jacobs), Nossa irmã menor (Hirokazu Koreeda), A visita (M. Night Shyamalan), Ponte aérea (Júlia Rezende), Star Wars – O despertar da força (J.J. Abrams), Eu estava justamente pensando em você (Sam Esmail), O bom dinossauro (Peter Sohn), A garota dinamarquesa (Tom Hooper), Que horas ela volta? (Anna Muylaert), A travessia (Robert Zemeckis), Joy – O nome do sucesso (David O. Russell), A grande aposta (Adam McKay), Enquanto somos jovens (Noah Baumbach), Timbuktu (Abderrahmane Sissako), Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível (Brad Bird), American Ultra – Armados e perigosos (Nima Nourizadeh), Ted 2 (Seth MacFarlane), Faults (Riley Stearns), Pixels – O filme (Chris Columbus), O que fazemos nas sombras (Jemaine Clement, Taika Waititi), Lugares escuros (Gilles Paquet-Brenner)

1. Cavaleiro de copas (Terrence Malick)
2. Paterson (Jim Jarmusch)
3. La La Land (Damien Chazelle)
4. Batman vs Superman – A origem da justiça (Zack Snyder)
5. Ave, César! (Joel e Ethan Coen)
6. Cemitério do esplendor (Apichatpong Weerasethakul)
7. Silêncio (Martin Scorsese)
8. Demônio de neon (Nicolas Winding Refn)
9. A criada (Chan-wook Park)
10. Elle (Paul Verhoeven)

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11. Jovens, loucos e mais rebeldes (Richard Linklater)
12. Docinho da América (Andrea Arnold)
13. Wiener-dog (Todd Solondz)
14. Moonlight – Sob a luz do luar (Barry Jenkins)
15. Jackie (Pablo Larraín)
16. As montanhas se separam (Jia Zhangke)
17. Rules don’t apply (Warren Beatty)
18. Zootopia (Byron Howard, Rich Moore, Jared Bush)
19. Lion – Uma jornada para casa (Garth Davis)
20. Mais forte que bombas (Joachim Trier)
21. Dois caras legais (Shane Black)
22. Café Society (Woody Allen)
23. Loving (Jeff Nichols)
24. A longa caminhada de Billy Lynn (Ang Lee)
25. A garota no trem (Tate Taylor)

Menções honrosas: Animais fantásticos e onde habitam (David Yates), Animais noturnos (Tom Ford), O nascimento de uma nação (Nate Parker), Cães de guerra (Todd Phillips), Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan), Uma repórter em apuros (Glenn Ficarra, John Requa), O mar de árvores (Gus Van Sant), Sully (Clint Eastwood), O invasor americano (Michael Moore), Mãe só há uma (Anna Muylaert), Rogue One – Uma história Star Wars (Gareth Edwards), Demolição (Jean Marc-Vallée), Mogli – O menino lobo (Jon Favreau), Memórias secretas (Atom Egoyan), Um holograma para o rei (Tom Tkywer), Warcraft – O primeiro encontro de dois mundos (Duncan Jones), Até o último homem (Mel Gibson), Cosmos (Andrzej Zulawski), A qualquer custo (David Mackenzie), Meu amigo, o dragão (David Lowery), A incrível aventura de Rick Baker (Taika Waititi), A lenda de Tarzan (David Yates), Kung fu panda 3 (Jennifer Yuh Nelson, Alessandro Carloni), A chegada (Denis Villeneuve), A luz entre os oceanos (Derek Cianfrance), Star Trek – Sem fronteiras (Justin Lin), Florence – Quem é esta mulher? (Stephen Frears), 13 horas – Os soldados secretos de Benghazi (Michael Bay), Invasão zumbi (Yeon Sang-ho), O contador (Gavin O’Connor), Esquadrão suicida (David Ayer), Terra violenta (Tiu West), Gênios do crime (Jared Hess), O abraço da serpente (Ciro Guerra), Sing Street – Música e sonho (John Carney), Alice através do espelho (James Bobin), Quase 18 (Kelly Fremon Craig), Mulheres do século 20 (Mike Mills), Beleza colateral (David Frankel)

1. De canção em canção (Terrence Malick)
2. A lei da noite (Ben Affleck)
3. O apartamento (Ashgar Farhadi)
4. Depois da tempestade (Hirokazu Koreeda)
5. A cura (Gore Verbinski)
6. É o fim do mundo (Xavier Dolan)
7. Castelo de areia (Fernando Coimbra)
8. Corra! (Jordan Peele)
9. Graduation (Cristian Mungiu)
10. Alien: Covenant (Ridley Scott)

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11. Personal shopper (Olivier Assayas)
12. Free fire (Ben Wheatley)
13. Um homem chamado Ove (Hannes Holm)
14. John Wick 2 (Chad Stahelski)
15. Na vertical (Alain Guiraudie)
16. Sandy Wexler (Steven Brill)
17. Eu já não me sinto em casa nesse mundo (Macon Blair)
18. The comedian (Taylor Hackford)
19. Little boxes (Rob Meyer)
20. Colossal (Nacho Vigalondo)
21. Vida (Daniel Espinosa)
22. Guardiões da galáxia Vol. 2 (James Gunn)
23. Tramps (Adam Leon)
24. Wilson (Craig Johnson)
25. This beautiful fantastic (Simon Aboud)

Menções honrosas: War machine (David Michôd), Lovesong (So Young Kim), Kong – A ilha da Caveira (Jordan Vogt-Roberts), A garota desconhecida (Jean-Pierre e Luc Dardenne), Logan (James Mangold), Raw (Julia Docournau), A vigilante do amanhã – Ghost in the shell (Rupert Sanders), T2: Trainspotting (Danny Boyle), Hounds of love (Ben Young), Agnes (Johannes Schmid), Power Rangers (Dean Israelite), Fome de poder (John Lee Hancock), Rei Arthur – A lenda da espada (Guy Ritchie), Lotte (Julius Schultheiß), Frantz (François Ozon), LEGO Batman – O filme (Chris McKay), Eine hunerhörte frau (Hans Steinbichler), A grande muralha (Zhang Yimou), A tartaruga vermelha (Michel Dudok de Wit), Rakka (Neil Blomkamp), American fable (Anne Hamilton), Mulher-Maravilha (Patty Jenkins)

A serem vistos/lançados: Blade Runner 2049 (Denis Villeneuve), Logan Lucky (Steven Soderbergh), Loveless (Andrey Zvyagintsev), L’amant double (François Ozon), Jupiter’s Moon (Kornél Mandruczo), A gentle creature (Sergei Loznitsa), The killing of a sacred deer (Yorgos Lanthimos), Good time (Benny Safdie e Josh Safdie), You were never really Here (Lynne Ramsay), Le redoutable (Michel Hazanavicius), Wonderstruck (Todd Haynes), Liga da Justiça (Zack Snyder), Thor: Ragnarok (Taika Waititi), Happy end (Michael Haneke), Radiance (Naomi Kawase), Le jour d’après (Hong Sangsoo), Rodin (Jacques Doillon), O estranho que nós amamos (Sofia Coppola), 120 battements par minute (Robin Campillo), Assassinato no expresso Oriente (Kenneth Branagh), Okja (Bong Joon-Ho), Extraordinário (Stephen Chobsky), A fortaleza de vidro (Destin Cretton), Dunkirk (Cristopher Nolan), The battle of sexes (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Em ritmo de fuga (Edgar Wright), In the fade (Fatih Akin), The Meyerowitz stories (Noah Baumbach), Planeta dos macacos – A guerra (Matt Reeves), The shape of water (Guillermo del Toro), Detroit (Kathryn Bigelow), Last flag flying (Richard Linklater), Wonder wheel (Woody Allen), The square (Ruben Östlund), Where life is born (Carlos Reygadas), The snowman (Tomas Alfredson), Granite mountain (Joseph Kosinski), Stronger (David Gordon Green), The man with the iron heart (Cédric Jimenez), The mountain between us (Hany Abu-Assad), Mudbound (Dee Rees), Star Wars – Os últimos Jedi (Rian Johnson), Darkest hour (Joe Wright), Red sparrow (Francis Lawrence), Downsizing (Alexander Payne), Wind river (Taylor Sheridan), How to talk to girls at parties (John Cameron Mitchell), Phantom thread (Paul Thomas Anderson), My cousin Rachel (Roger Michell), Hostiles (Scott Cooper), Call me be your name (Luca Guadagnino​), Suburbicon (George Clooney), Molly’s game (Aaron Sorkin), 55 steps (Bille August), Thelma (Joachim Trier), Mute (Duncan Jones), Submergence (Wim Wenders), The book of Henry (Colin Trevorrow), American made (Doug Liman)

Acompanhe atualização desta lista de melhores filmes de 2017  aqui.