Fora de série (2019)

Por André Dick

A atriz Olivia Wilde, conhecida por filmes como Ela e Vinyl, estreia atrás das câmeras dirigindo esta comédia adolescente com um tom mais incomum em relação a outras. Sua inspiração é bem clara: Superbad, da década passada. No entanto, pode-se dizer que dialoga também com várias outras que vieram posteriormente, além daquelas obras mais dramáticos e sensíveis sobre a passagem da adolescência, a exemplo de As vantagens de ser invisível e Bling Ring – A gangue de Hollywood e também com humor menos sutil, presente em Não vai dar, lançado em 2018.
Ela foca a amizade de Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein), duas colegas de ensino médio e melhores amigas. Elas descobrem, no fim dessa fase em suas vidas, que não aproveitaram absolutamente nada em termos de festa e resolvem, numa noite de despedida, buscarem conciliar seus sonhos e pretensões. Os pais de Amy são Doug (Will Forte) e Charmaine (Lisa Kudrow), despreocupados com o que pode acontecer.

Enquanto Molly é apaixonada por Nick (Mason Gooding), Amy gosta de uma outra colega de escola, Ryan (Victoria Ruesga). Para chegarem à festa e sem terem noção do caminho a ser seguido, elas pedem ajuda a Jared (Skyler Gisondo, de Férias frustradas e da série Santa Clarita Diet), que gosta de Molly. A primeira parada é num iate com um salão de festas grandioso, onde os três se deparam com Gigi (Billie Lourd), que, ao longo da narrativa, pode aparecer em lugares imprevistos.
A maneira como Wilde mostra a escola é bem mais otimista do que séries e filmes recentes, por exemplo Oitava série, no qual a protagonista sofria constantemente, embora não sem certo uso de bom humor em momentos-chave. Não que as duas amigas não tenham problemas aqui, no entanto Wilde acrescenta um tom de humor, principalmente quando elas têm de lidar com o diretor Jordan Brown (o ótimo Jason Sudeikis), a professora Miss Fine (Jessica Williams) e com Hope (Diane Silvers).

É muito interessante a maneira como Wilde filma a dinâmica de amizade ou inimizade das duas com seus colegas, principalmente num encontro de Molly com colegas que ela imagina perdidos na vida e em suas escolhas no banheiro da escola, quando descobre não se sobressair como imaginava em relação a eles, a começar por Triple A (Molly Gordon) e Theo (Eduardo Franco). Sua reação é um dos melhores momentos da primeira parte, estabelecendo praticamente o caminho seguido pela história. O roteiro escrito a oito mãos por Emily Halpern, Sarah Haskins, Katie Silberman e Susanna Fogel (esta diretora do interessante Meu ex é um espião) flui de maneira objetiva, não apresentando grande espaçamento entre uma e outra etapa nem desperdiçando alguns coadjuvantes que contribuem realmente para a narrativa. Os estereótipos quase caem no lugar-comum, porém os diálogos se fazem necessários.
Há algumas sequências com extrato um tanto surreal, perdidas em meio a outras, com alívio cômico por vezes desnecessário, mas Fora de série apanha a atmosfera e o clima de uma determinada época e as agruras da transformação adolescente. Dever já se mostrou antes ótima atriz, em filmes como Querido menino e Outside in, além do já referencial (e infelizmente subestimado) Homens, mulheres e filhos, e Feldstein tem mais uma chance depois de sua participação exitosa em Lady Bird, demonstrando um lado cômico pouco explorado por jovens atrizes em Hollywood.

Ambas possuem uma química muito grande, situadas entre a aceleração do que desejam fazer e as dúvidas que as cercam, em cenas sobretudo emotivas no ato final, no qual a trilha sonora tem uma participação relevante, remetendo ao curioso Meu namorado é um zumbi. Mas talvez seja Gisondo o grande intérprete dessa história, passada basicamente em uma noite e com ótima fotografia de Jason McCormick, captando uma atmosfera interessante, e trilha sonora. Ele oferece, como ótimo ator que é, um tom agridoce a esta passagem de fase e se confirma como um dos talentos jovens de Hollywood. E Wilde se firma como uma nova diretora de destaque, com influência de Sofia Coppola na combinação de um ar sofisticado com algo mais popular na abordagem, levando Fora de série para um campo de diversão reflexiva.

Booksmart, EUA, 2019 Diretora: Olivia Wilde Elenco: Kaitlyn Dever, Beanie Feldstein, Jessica Williams, Lisa Kudrow, Will Forte, Jason Sudeikis, Skyler Gisondo, Mason Gooding, Victoria Ruesga, Billie Lourd Roteiro: Emily Halpern, Sarah Haskins, Susanna Fogel, Katie Silberman Fotografia: Jason McCormick Trilha Sonora: Dan the Automator Produção: Megan Ellison, Chelsea Barnard, David Distenfield, Jessica Elbaum e Katie Silberman Duração: 105 min. Estúdio: Annapurna Pictures, Gloria Sanchez Productions Distribuidora: United Artists Releasing

Edward mãos de tesoura (1990)

Por André Dick

Este filme é exemplo da importante contribuição de Tim Burton para o cinema, não apenas por trazer um novo estilo narrativo, em que os cenários representam as características dos personagens, mas porque consegue equilibrar sempre o elenco com uma história fabulosa. Foi assim em Os fantasmas se divertem – em que Michael Keaton era um fantasma que aterrorizava humanos –, em Batman – os cenários de Gotham City representavam a personalidade do herói – e do mesmo jeito em Edward mãos de tesoura, uma mistura de Pinóquio, O patinho feio, A bela e a fera, Batman e Os fantasmas se divertem.
Um dos melhores filmes de humor negro já feitos, este último marca o talento inicial de Tim Burton, que antes havia feito os curtas Vincent e Frankenweenie e o longa As grandes aventuras de Pee-Wee. Continua sendo seu filme mais autoral, com uma cenografia de quadrinhos, efeitos estilizados e uma maquiagem impecável, mostrando o fantasma Beetlejuice (Michael Keaton), que ajuda um casal de mortos (Alec Baldwin e Geena Davis) a tirar uma família intelectual da casa onde moravam, na nova Inglaterra. Ou seja, mesmo mortos, continuam a habitá-la. Nessa família, no entanto, há uma menina (Winona Ryder) que faz amizade com eles.

É quase um Os caça-fantasmas às avessas, sendo que a melhor piada talvez seja aquela em que a família e seus convidados são obrigados a dançar calipso. Talvez o roteiro seja irregular, assim como os atores, contudo a direção de arte é impressionante, assim como o figurino de Aggie Rodgers e a trilha de Danny Elfman, que dá o tom certo. Para um filme em que personagens deslocados se mostram tão presentes, não é de se estranhar que Burton tenha sido convidado para fazer o primeiro Batman e tenha criado Edward – assim como inseriu Pee Wee numa espécie de Disneylândia pessoal, com sua profusão de cores e invenções cotidianas.
Edward (Johnny Depp) é uma criação do cientista que o deixou num castelo abandonado, tendo morrido antes de conceder-lhe mãos humanas (feito por Vincent Price). Descoberto por uma vendedora de cosméticos Avon, Peg Boggs (Dianne Wiest), cuja procura por clientes é assídua, sem contrapartida, ele é levado para a cidade, ou uma espécie de fragmento de subúrbio dos Estados Unidos, com casas pintadas de diferentes cores, como se separadas do ambiente gótico do castelo, quando, na verdade, parecem ser o seu complemento.

Bem recebido pela família dela, o marido Bill (Alan Arkin) e o filho Kevin (Robert Olivieri), apesar de suas mãos pouco comuns e o rosto com cicatrizes, escondidas por uma branca maquiagem, Edward se apaixona pela filha da vendedora, Kim (Winona Ryder), que fica dividida entre ele e seu namorado, Jim (Anthony Michael Hall). As coisas se complicam quando Edward passa a ser visto até como uma espécie de fetiche por algumas vizinhas da região, de forma mais destacada uma cabeleireira, Joyce (Kathy Baker) e Helen (Conchata Ferrell) e, depois de começar a ser conhecido, envolve-se em problemas juvenis.
O roteiro, escrito pelo diretor e Caroline Thompson, tem raros momentos soltos, ligando as pontas de maneira clara. Burton lida com o roteiro de uma maneira que só havia conseguido em Batman e só conseguiria repetir com semelhante êxito em A lenda do cavaleiro sem cabeça, e consegue um elenco à altura. Johnny Deep transforma Edward numa referência para sua trajetória (embora também no sentido menos adequado, às vezes se encaixando num estereótipo de estranheza), Dianne Wiest é com competência sua mãe adotiva e Winona Ryder se encaixa bem no papel de adolescente apaixonada, no início de uma década em que se destacaria. Entre os coadjuvantes, Alan Arkin aparece pouco, como Bill, casado com Peg, mas Kathy Baker está ótima como a cabelereira que manifesta interesse por Edward.

Burton utiliza uma fórmula quase gasta em passagens de apelo, mostrando uma sociedade vazia e multicolorida, como um modelo autossustentável dos anos 80, em contraste com a escuridão do início dos anos 90. Para isso, os cenários de Bo Welch e os figurinos de Collenn Atwood (parceira habitual de seus trabalhos) são essenciais, sobretudo o castelo abandonado, um primor de concepção, cheio de máquinas e plantas no jardim em formato de animais, em cenários que dialogam ainda mais com As grandes aventuras de Pee-Wee, sua estreia. Trata-se, sem dúvida, de uma fábula, bastante parecida com seu primeiro curta-metragem (que viraria longa) Frankenweenie, em que Edward é uma espécie de Frankenstein contemporâneo. De certo modo, também Edward é uma reprodução excêntrica de Bruce Wayne, e Burton havia feito Batman um ano antes para a Warner.
Nesse sentido, Burton sempre coloca seus personagens numa posição à margem, como se estivessem ilhados, sem saída. Aqueles que o cercam o principal muitas vezes querem ajudá-lo, porém em Edward mãos de tesoura essa ajuda é menos efetiva, a partir de determinado ponto. O filme de Burton, basicamente, traz uma melancolia que nenhum outro dele possui, mesmo quando pareça ter, a exemplo do superestimado Peixe grande. Além da ausência de família, característica em Edward e Bruce Wayne, do Ichabord Crane de A lenda do cavaleiro sem cabeça, ou do Barnabas de Sombras da noite, Edward mãos de tesoura coloca os símbolos de uma fábula em jogo: Kim e Jim só se diferenciam, a princípio, por uma letra, mas suas decisões tomam o rumo diferente diante de uma situação-limite, embora seja Edward que vai entender, afinal, o cão caminhando pela calçada, embora não entenda o comportamento desgovernado dos habitantes deste subúrbio tipicamente americano, em que suas tesouras servem, em determinado momento, para assar pedaços de carne para a vizinhança.

Há uma espécie de onirismo nas imagens do filme de Burton que não nos permite definir exatamente esses personagens, mesmo que eles pareçam resultado de alguma fábula, pois justamente há essa solidão presente em cada passo que Edward dá (como a primeira refeição em família) e que inspiraria outras obras referenciais, como O fabuloso destino de Amélie Poulain. Edward não é simplesmente à parte do comum, mas uma representação dessas figuras que o cercam ao longo da narrativa, com todos os seus conflitos e sentido de ausência no universo. Educado com zelo por um cientista, ele pode, no entanto, ser tão perseguido e visto como uma ameaça quanto o Coringa de Nicholson. Para Burton, não há um linha definida entre as expectativas referentes a um ser humano e o encantamento por uma novidade que logo pode se converter em rotina. Burton consegue transformar Edward num personagem de notável significado quando justamente coloca a fantasia dentro da rotina: quando vemos o filme, e chegamos ao triste e melancólico teor de uma fábula, estamos diante da obra de um artista.

Edward scissorhands, EUA, 1990 Diretor: Tim Burton Elenco: Johnny Depp, Winona Ryder, Dianne Wiest, Alan Arkin, Anthony Michael Hall, Kathy Baker, Robert Oliveri, Vincent Price Roteiro: Caroline Thompson, Tim Burton Fotografia: Stefan Czapsky Trilha Sonora: Danny Elfman Produção: Denise Di Novi, Tim Burton Duração: 105 min. Estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation

X-Men – Fênix Negra (2019)

Por André Dick

É preciso estar atento que X-Men – Fênix Negra está conseguindo ter uma aprovação de pouco mais de 20% no Rotten Tomatoes, o agregador de críticas que alguns utilizam para decretar a qualidade de um filme e não conseguem expor exatamente o motivo, a não ser o simples fato de que em algum lugar possa se encontrar uma opinião “consensual”, mesmo que cada espectador tenha motivos para pensar justamente o contrário. Isso parece prenunciar um desastre no mínimo constrangedor para o último filme realizado ainda na Fox do universo da Marvel, já que ela foi incorporada pela Disney, agora sua distribuidora.
A história inicia em 1975, mostrando Jean Grey (Summer Fontana) com oito anos de idade, no carro de seus pais, Elaine (Hannah Emily Anderson) e Dr. John (Scott Shepherd) quando há uma interferência de sua telecinesia na viagem. O resultado do acontecimento a leva para a Escola do professor Charles Xavier, em Westchester County, New York, destinada a crianças e jovens com habilidades especiais ligadas ao cérebro.

Transportada para 1992, a história acompanha os X-Men que estão para salvar um ônibus espacial, Endeavour, do desastre. Liderados por Xavier, Grey (Sophie Turner), agora conhecida como Fênix Negra, acaba por absorver os resíduos de uma explosão, tornando-se mais forte, para preocupação do mestre. Ficam sabendo disso após uma análise de Hank McCoy/Fera (Nicholas Hoult). Grey namora Scott Summers/Ciclope e é amiga próxima de Raven Darkhölme/Mística (Jennifer Lawrence). Essas relações já são desenhadas no filme X-Men – Apocalipse, quando Summers é levado por seu irmão, Havok (Alex Summers) para a escola de Xavier, assim que começa a ter problemas em manter seus olhos abertos, logo depois de uma sequência escolar que lembra o recente Homem de aço, de Snyder. Ele se aproxima de Jean, em razão dessa falta de adaptação. Aparecem de relance Peter Maximoff/Mercúrio (Evan Peters) e Ororo Munroe/Tempestade (Alexandra Shipp) e Kurt Wagner/Noturno (Kodi Smit-McPhee).
Grey não sabe que destino exatamente teve seus pais e passa a ficar preocupada com o que pode ter acontecido a ela. Isso a leva para uma tentativa de reencontrar seu pai em Red Hook, Nova York e ir atrás da ajuda de Erik Lehnsherr/Magneto (Michael Fassbender). Enquanto isso, segue em seu encalço a enigmática Vuk (Jessica Chastain).

Se a nova fase de X-Men teve uma trilogia dirigida inicialmente por Matthew Vaughn e continuada por Bryan Singer, e seus destaques sejam Primeira classe e Apocalipse, a criticada sequência com um dos melhores desenvolvimentos de personagens da série, este episódio dedicado à figura de Fênix Negra talvez seja o derradeiro no estilo desses personagens na Fox antes de ser vendida para a Disney. E, não contando com Singer na direção, mais afeito a um tratamento pop, embora de qualidade, apresenta no comando Simon Kinberg, que estreia como diretor, mas tem no currículo o roteiro dos dois episódios anteriores dessa nova fase de X-Men, além de X-Men – O confronto final (da primeira fase, dos anos 2000), com pontos parecidos com o desta nova obra no desenvolvimento da saga de Fênix Negra, além de trabalhos ótimos, como Sherlock Holmes, de Guy Ritchie. É curioso também que ele tenha produzido inúmeros filmes (a exemplo de Logan e Deadpool2) e escreva X-Men – Fênix negra. Nada – nem mesmo Vingadores – Ultimato – tem um ritmo tão contemplativo no universo Marvel quanto este episódio para uma figura feminina de destaque. Há um peso para as ações de cada personagem, um sentimento de culpa envolvendo lembranças familiares e ser aluno de um mestre. Esse ritmo vem acompanhado de ótimas atuações, como as de McAvoy, Fassbender, Turner e, principalmente, Jessica Chastain, além da trilha sonora de Hans Zimmer, capaz de dar profundidade a sequências de ação e explosões, aqui com ótimos efeitos visuais, sobretudo no terceiro ato.

Como no filme anterior, subestimado, Prof. Xavier, na tentativa de dar uma certa tranquilidade aos novos mutantes, é uma espécie de figura que complementa a de Magneto: se este não deseja revelar seus poderes, o professor pretende que os mutantes sejam, afinal, considerados como parte do mundo. Um dos problemas que havia lá – e que não se repete aqui – é que os personagens quase não possuíam cenas em conjunto. Agora essa aproximação dos alunos de Xavier mostra, ao mesmo tempo, uma tentativa de independência, assim como a tentativa do professor em convencer Magneto a ficar novamente de seu lado no embate continue. Se o duelo masculino prossegue entre eles, Fênix Negra e Vuk protagonizam o duelo feminino, ligado a uma figura do passado da personagem central. O roteiro não trabalha com os excessos de tramas de Apocalipse e prefere focar bem em alguns personagens. Desse modo, em X-Men – Fênix Negra novas surpresas ocorrem nesse campo de ligações anteriores e com uma dose a mais de introspecção, não notada desde Logan pelo menos entre as produções da Marvel ligadas inicialmente à Fox. É justamente essa característica que torna o filme tão interessante do ponto de vista do desenvolvimento e, justamente ao contrário da obra com Hugh Jackman, o que surpreendentemente suscita tantas críticas injustas.

Dark Phoenix, EUA, 2019 Diretor:  Simon Kinberg Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Jessica Chastain, Summer Fontana Roteiro: Simon Kinberg Fotografia: Mauro Fiore Trilha Sonora: Hans Zimmer Produção: Simon Kinberg, Hutch Parker, Lauren Shuler Donner Duração: 114 min. Estúdio: 20th Century Fox, The Donners’ Company, Marvel Entertainment, TSG Entertainment Distribuidora: Walt Disney Studios Motion Pictures

Anos 90 (2018)

Por André Dick

Ator que se destacou inicialmente em filmes de Judd Apatow (a exemplo de O virgem de 40 anos e Ligeiramente grávidos) e que depois empreendeu uma trajetória peculiar, fazendo desde Superbad, passando por O homem que mudou o jogo, até O lobo de Wall Street e Cães de guerra, além da boa série Anjos da lei, com êxito incomum nas bilheterias, Jonah Hill faz sua estreia na direção em Anos 90, produzido pela A24, uma distribuidora de filmes independentes que têm se destacado nos últimos anos, a exemplo de Lady Bird e Projeto Flórida. Pode-se afirmar que há uma tentativa de mesclar Harmony Korine (que faz uma ponta nele), de peças como Gummo e autor de Kids, com Richard Linklater, aquele de Jovens, loucos e rebeldes, no entanto com elementos realmente particulares.
Embora tenhamos Katherine Waterston e Lucas Hedges como a mãe, Dabney, e o irmão, Ian, do personagem principal, Stevie, de 13 anos, interpretado com êxito por Sunny Suljic, que se encontra na vida fazendo amizade com um grupo de skatistas, Hill nunca os utiliza de maneira previsível. Primeiramente, ele mostra as dificuldades de relacionamento entre os irmãos. Há uma adoração de Stevie por Ian, na tentativa de descobrir suas preferências musicais, no entanto quando os conflitos se encadeiam são inevitáveis.

Solitário, Stevie encontra uma saída dese universo num no grupo liderado por Ray (Na-kel Smith), tendo o agressivo e mais próximo de sua idade Ruben (Gio Galicia), “Fuckshit” (Olan Prenatt) e “Fourth Grade” (Ryder McLaughlin). Stevie é um menino que tem o cobertor de as Tartarugas Ninja, remetendo diretamente à década do título, no entanto passa por conflitos internos que se reproduzem na relação problemática com o irmão e a mãe quando esta lhe pede para se afastar dos amigos e desperta uma mágoa. A história é quase uma versão masculina de Soul Kitchen, sobre um grupo de meninas skatistas, também marcante e que não chegou aos cinemas brasileiros, pelo menos até agora.
Anos 90 baseia sua qualidade no ótimo elenco. Isso não parece com obras sobre a adolescência feitos em Hollywood, seja dramáticos ou bem-humorados, como o próprio Superbad do qual Hill participa. É mais soturno, com uma fotografia pouco atrativa, que, por outro lado, oferece certo realismo, e utiliza uma trilha da dupla Trent Reznor e Atticus Ross, responsável por aquela notável de A rede social. Para um filme passado na ensolarada Los Angeles, ele parece exatamente um contraponto ao clima da cidade, com o uso do cinza e de um céu nunca azul, além de prédios que parecem tirar o espaço de cada um desses skatistas, à procura de pistas e lugares vazios para fazer suas manobras. Esses jovens estão dispersos: nunca vemos como são suas vidas familiares, nem se destaca a personalidade de cada um. Em meio a tudo, eles acabam desenhando a proximidade de Stevie do skate, atraindo para um universo no qual pode encontrar liberdade, lembrando em alguns momentos As patricinhas de Beverly Hills, sem o mesmo humor. A loja de skate onde se encontram passa a ser sua casa.

A fotografia em 16mm na proporção 4:3 de Christopher Blauvelt (lembrando um filme antigo) e a trilha (sem canções em excesso querendo referenciar o período enfocado), enlaçadas, produzem uma sensação de aproximação da década mencionada, porém, ao mesmo tempo, uma volta nostálgica a um esporte que praticamente se consolidou nela. É uma época pré-internet e celulares, na qual havia mais inter-relações na fase da adolescência, sobretudo, e uma simples tentativa de pertencer a um grupo ajudava a constituir uma personalidade, mais do que servir de referência para algo que se pudesse fazer. Stevie, de certo modo, é uma espécie de símbolo dessa passagem da infância para a adolescência, na qual o universo ao redor se mostra mais confuso quando o contexto parece ser mais delicado do que se imagina. Não por acaso, ele é apelidado de “Sunburn”. Hill não chega a explorar, também pela duração de seu filme ser curta (apesar de na medida), outros temas para além daquele da relação do menino com a família  e com os amigos, porém, dentro de sua perspectiva, é bastante eficiente. Os diálogos dele com o líder do grupo, interpretado com afeto por Na-kel Smith, são verdadeiramente autênticos, assim como o duelo que trava com o amigo que o levou a este universo, com receio de perder espaço para alguém mais corajoso na hora de efetuar algumas manobras no skate. De forma mesmo inesperada, vemos em Jonah Hill um autor em meio à leva de novos cineastas, propenso a apresentar uma época com sensibilidade rara.

Mid90s, EUA, 2018 Diretor: Jonah Hill Elenco: Sunny Suljic, Lucas Hedges, Na-Kel Smith, Olan Prenatt, Gio Galicia, Ryder McLaughlin, Alexa Demie, Katherine Waterston Roteiro: Jonah Hill Fotografia: Christopher Blauvelt Trilha Sonora: Trent Reznor e Atticus Ross Produção: Eli Bush, Jonah Hill, Ken Kao, Scott Rudin, Lila Yacoub Duração: 85 min. Estúdio: A24, Waypoint Entertainment, Scott Rudin Productions Distribuidora: A24

Melhores filmes de 2013

Por André Dick

A década de 2010 está chegando ao final. Por isso, o Cinematographe irá mostrar sua seleção dos 10 melhores filmes de cada ano. Neste mês, as obras de 2013. Antes, os 15 que formariam um Top 25. Destaca-se que o visual das imagens é baseado naquele utilizado pelo MUBI.

25. A vida secreta de Walter Mitty (Ben Stiller) 24. Fruitvale Station (Ryan Coogler) 23. Um toque de pecado (Jia Zhangke) 22. Walt nos bastidores de Mary Poppins (John Lee Hancock) 21. O lugar onde tudo termina (Derek Cianfrance) 20. Rush – No limite da emoção (Ron Howard) 19. O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata) 18. Apenas Deus perdoa (Nicolas Winding Refn) 17. Star Trek – Além da escuridão (J.J. Abrams) 16. Temporário 12 (Destin Daniel Cretton) 15. Gravidade (Alfonso Cuarón) 14. Bastardos (Claire Denis) 13. 12 anos de escravidão (Steve McQueen) 12. A imagem que falta (Rithy Panh) 11. O maravilhoso agora (James Ponsoldt)

Melhores filmes 2010-2019 (até agora)

Por André Dick

Assim como aconteceu em relação aos anos 1980, 1990 e 2000, é apresentada, aqui, uma lista de melhores filmes de 2010 a 2019 (o deste ano, claro, provisória),  cada uma seguida por menções honrosas. Em cada ano, são destacadas 25 obras. O cinema dos anos 2010, como o da década que abre o século, é caracterizado por apresentar o cinema fora dos Estados Unidos de uma maneira que nunca havia acontecido em décadas anteriores.
Cineastas vindos de Taiwan (Apichatpong Weerasethakul), da China (Jia Zhangkhe, Bi Gan), do Japão (Wong Kar-Wai, Hirokazu Koreeda), da Coreia do Sul (Joon-ho Bong, Chang-Dong Lee, Chan-wook Park, Hong Sang-soo) e da Malásia (Tsai Ming-Liang) são correntes nessa década, em que o cinema norte-americano também continuou abrindo espaço para diretores estrangeiros, a exemplo de Ang Lee, Walter Salles, Werner Herzog, Alfonso Cuarón, Wim Wenders, Pablo Larraín, Sebastián Lelio e Guillermo del Toro, com destaque para Alejandro G. Iñárritu, que ganhou dois Oscars consecutivos, e Nicolas Winding Refn, com seu artesanato surrealista (ocupando o lugar de um ausente David Lynch no cinema, que regressou em grande estilo com Twin Peaks). Atores e atrizes. como Bradley Cooper, Andy Serkis, Olivia Wilde e Paul Dano, estrearam atrás das câmeras.
Nuri Bilge Ceylan continua apresentando um trabalho interessante, assim como Abdellatif Kechiche e Béla Tarr, além de Carlos Reygadas, todos vitoriosos em Cannes. Também continua tendo destaque o cinema iraniano, com cineastas como Abbas Kiarostami, que lamentavelmente faleceu em 2016, e italiano, com Luca Guadagnino e Paolo Sorrentino.
E, mais ainda do que seu regresso em O novo mundo, na década passada, Terrence Malick tem cada vez mais ressurgido com frequência. Seu cinema é o mais influente dos anos 2010.

Cineastas que começaram produzindo nos anos 70 ou 80 continuaram a mostrar seus filmes, como Martin Scorsese, Steven Spielberg, Tim Burton, David Cronenberg, Cameron Crowe, Oliver Stone, Woody Allen, William Friedkin, Joel e Ethan Coen, Francis Ford Coppola, Michael Mann, Gus Van Sant, Robert Zemeckis, Brian De Palma, Ron Howard, Jim Jarmusch, Spike Lee, Sam Raimi e Clint Eastwood. Numa retrospectiva, chamou atenção como o trabalho de Ridley Scott continua vigoroso, tendo sido indicado ao Oscar de direção por Perdido em Marte. Firmaram-se também Kathryn Bigelow e M. Night Shyamalan, este apesar de todas as críticas.
O austríaco Michael Haneke conquistou Cannes, assim como novamente os irmãos Dardenne, enquanto Lars von Trier se viu convidado a se retirar dele (e depois regressou). Destaques também para os irmãos belgas Jean-Pierre Jeunet, juntamente com os franceses François Ozon, Jacques Audiard, Olivier Assayas, Benoît Jacquot, Claire Denis e Phillipe Garrel e o franco-argentino Gaspar Noé, além da continuidade de Jean-Luc Godard.
A geração ligada ao cinema indie dos anos 90 continuou seu trabalho, mostrando sua vitalidade: Quentin Tarantino, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Spike Jonze, Richard Linklater, Sofia Coppola e Todd Solondz. Entre eles, muitos continuaram chegando ao Oscar ou chegaram pela primeira vez à nomeação de melhor filme, como Jonze, Linklater e Anderson.

Como na década passada, prosseguiram seus trabalhos Greg Mottola, com sua visão de juventude, assim como Judd Apatow, depois da série Freaks and geeks, além de Noah Baumbach, enquanto surgiram ou mostraram novos trabalhos nomes como Jeff Nichols, Derek Cianfrance, Shane Carruth, David Robert Mitchell, Jean-Marc Vallée, David O. Russell e Ben Affleck. E David Fincher continuou trabalhando entre o drama e o suspense. No campo da comédia, Seth MacFarlane (à frente de séries de animação) e Sam Esmail (criador de Mr. Robot) migraram da TV para o cinema, e Shawn Levy mostrou um talento subestimado que se confirmaria à frente de alguns episódios e da produção de Stranger things, série exitosa de 2016.
Também surgiram grandes diretoras, a exemplo de Mia Hansen-Løve, Angelina Jolie, Gia Coppola, Stéphane Lafleur, Julia Loktev, Céline Sciamma, Maïwenn, Sophie Barthes e Jessica Hausner, além do documentarista Joshua Oppenheimer. Duplas-revelações: Phil Lord e Christopher Miller e Veronika Franz e Severin Fiala.
Na Austrália, tivemos o surgimento de David Michôd. Em Portugal, Miguel Gomes lançou o marcante Tabu. Na Romênia, surgiu Cristian Mungiu; na Grécia, Yorgos Lanthimos; na Argentina, Lisandro Alonso; na Suécia, Ruben Östlund; e na Rússia, testemunhamos a volta de Andrey Zvyagintsev.
Também nos Estados Unidos, prosseguiram com inclinação para o espetáculo nomes como Peter Jackson, J.J. Abrams, Christopher Nolan, Bryan Singer e Zack Snyder, com os acréscimos de Joss Whedon, Joe & Anthony Russo, Rian Johnson, David F. Sandberg e Jon Favreau, outros para o drama cotidiano, como Jason Reitman, James Ponsoldt, Mike Mills e Kelly Reichardt, ou drama histórico ou atual, com James Gray.

Os irmãos Wachowski tentaram avançar em seus experimentos com Cloud Atlas, embora tenham recuado um tanto em O destino de Júpiter, ao lado do alemão Tom Tykwer. Da Inglaterra, continuaram a se destacar Guy Ritchie, Lenny Abrahamson, Andrea Arnold, David Yates, Stephen Frears, Steven McQueen, Edgar Wright e Joe Wright. No Canadá, Denis Villeneuve se firmou ainda mais, como o jovem cineasta Xavier Dolan, e Atom Egoyan continuou a lançar filmes em grande quantidade.
E, no universo da animação, apesar da presença da Pixar, foi Hayao Miyazaki quem continuou se destacando. Entre os cineastas brasileiros, assinala-se a manutenção de cineastas como Laís Bodanzky, Jorge Furtado, José Padilha, Anna Muylaert e Cláudio Assis, e as revelações Fellipe Barbosa, Kleber Mendonça Filho, Marina Person, Alê Abreu, Paulo Morelli e Júlia Rezende, assim como Carlos Saldanha, de Rio, para lembrar alguns nomes.

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Como observado na lista aos melhores filmes das décadas de 1980 a 2000, alguns filmes que não agradam na primeira visão se mostram interessantes e até mesmo indispensáveis quando revisitados. Muitas dessas listas mudaram em poucos anos, à medida que, ao rever alguns filmes, fui gostando mais ou menos deles (um exemplo é O lado bom da vida, que estava longe de ser um dos meus favoritos quando lançado e, em revisões, cresceu como obra). Ou seja, aqueles que a princípio parecem indispensáveis, com o passar dos anos parecem ter o impacto reduzido e se tornam menos importantes. A premissa de que um filme é bom ou fraco muitas vezes varia, mas a distância dos anos parece ser a melhor maneira de constatar isso. Os anos de cada filme estão de acordo com o IMDb, com raras exceções. Nesta década, às vezes é difícil precisar o ano de alguns filmes, pois muitos são exibidos primeiramente em festivais (em Cannes e Sundance, por exemplo) para serem lançados oficialmente dali a um ou até dois anos. Veja-se os casos de Personal shopper e Graduation, que estrearam em Cannes em 2016, mas só foram lançados internacionalmente no ano seguinte. Ou seja, tento colocar o filme no ano em que ele tem data de lançamento internacional, não apenas em seu país de origem, pelo menos nos últimos dois anos, quando isso se tornou mais recorrente. A partir de 2017, os filmes produzidos pela Netflix passam em alguns festivais ou estreiam em poucos cinemas, isso quando não são exibidos apenas pela plataforma. Eles passaram a ser considerados como filmes (não telefilmes), principalmente porque costumam ter uma produção cinematográfica, incluindo diretores de fotografia, compositores e elenco. Alguns títulos mantenho no original, pois não gosto especial da tradução feita, como Cloud Atlas (intitulado no Brasil A viagem) e Greenberg (chamado no Brasil de O solteirão).  Tenta-se um equilíbrio com essas informações, mas às vezes elas podem destoar.
Espera-se que as listas levem você, cinéfilo e leitor, a rever ou descobrir alguns desses filmes.

1. Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz)
2. Cisne negro (Darren Aronofksy)
3. Reino animal (David Michôd)
4. Cópia fiel (Abbas Kiarostami)
5. Bravura indômita (Joel e Ethan Coen)
6. A rede social (David Fincher)
7. Poesia (Chang-Dong Lee)
8. O mágico (Sylvain Chomet)
9. O mito da liberdade (David Robert Mitchell)
10. Incêndios (Denis Villeneuve)

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11. Um doce olhar (Semih Kaplanoğlu)
12. Um lugar qualquer (Sofia Coppola)
13. Scott Pilgrim contra o mundo (Edgar Wright)
14. Greenberg (Noah Baumbach)
15. Ventre (Benedek Fliegauf)
16. Não me abandone jamais (Mark Romanek)
17. O escritor fantasma (Roman Polanski)
18. Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1 (David Yates)
19. Como você sabe (James L. Brooks)
20. Caminho para o nada (Monte Hellmann)
21. The Runaways – Garotas do rock (Floria Sigismondi)
22. O atalho (Kelly Reichdart)
23. Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Apichatpong Weerasethakul)
24. Filme socialismo (Jean-Luc Godard)
25. Encontro explosivo (James Mangold)

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Menções honrosas: 127 horas (Danny Boyle), Tron – O legado (Joseph Kosinski), A origem (Christopher Nolan), A mentira (Will Gluck), O último mestre do ar (M. Night Shyamalan), Atração perigosa (Ben Affleck), Homem de ferro 2 (Jon Favreau), A ressaca (Steve Pink), O lobisomem (Joe Johnston), Coincidências do amor (Josh Gordon, Will Speck), Biutiful (Alejandro G. Iñárritu), Cyrus (Jay Duplass), Além da vida (Clint Eastwood), A lenda dos guardiões (Zack Snyder), As melhores coisas do mundo (Laís Bodanzky), Meu malvado favorito (Pierre Coffin, Chris Renaud), Splice (Vincenzo Natali), Paul – O alien fugitivo (Greg Mottola), Essential killing (Jerzy Skolimowski), Salt (Phillip Noyce), Confiança (David Schwimmer), Deixe-me entrar (Matt Reeves), Red – Armados e perigosos (Robert Schwentke), Shrek para sempre (Mike Mitchell), O estranho caso de Angélica (Miguel de Oliveira), Wall Street – O dinheiro nunca dorme (Oliver Stone), Uma noite fora de série (Shawn Levy), Lembranças (Allen Coulter), Pânico na neve (Adam Green), Uma manhã gloriosa (Roger Michell), O lenço amarelo (Udayan Prasad), Tropa de elite 2 (José Padilha), Reencontrando a felicidade (John Cameron Mitchell)

1. A árvore da vida (Terrence Malick)
2. Os descendentes (Alexander Payne)
3. A separação (Asghar Farhadi)
4. Drive (Nicolas Winding Refn)
5. O cavalo de Turim (Béla Tarr)
6. O abrigo (Jeff Nichols)
7. Pina (Wim Wenders)
8. O garoto da bicicleta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)
9. Era uma vez na Anatólia (Nuri Bilge Ceylan)
10. Super 8 (J.J. Abrams)

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11. A invenção de Hugo Cabret (Martin Scorsese)
12. Millennium – O homem que não amava as mulheres (David Fincher)
13. Meia-noite em Paris (Woody Allen)
14. Melancolia (Lars von Trier)
15. Amor a toda prova (Glenn Ficarra, John Requa)
16. A pele que habito (Pedro Almodóvar)
17. Missão madrinha de casamento (Paul Feig)
18. Margaret (Kenneth Lonergan)
19. Tomboy (Céline Sciamma)
20. 50% (Jonathan Levine)
21. Polissia (Maïwenn)
22. Jovens adultos (Jason Reitman)
23. Planeta solitário (Julia Loktev)
24. As aventuras de Tintim (Steven Spielberg)
25. Virgínia (Francis Ford Coppola)

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Menções honrosas: Oslo, 31 de agosto (Joachim Trier), Ataque ao prédio (Joe Cornish), Tudo pelo poder (George Clooney), A hora do espanto (Craig Gillespie), Kung fu panda 2 (Jennifer Yuh Nelson), Carnage (Roman Polanski), Hanna (Joe Wright), Las acacias (Pablo Giorgelli), Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2 (David Yates), Histórias cruzadas (Tate Taylor), Quero matar meu chefe (Seth Gordon), Contágio (Steven Soderbergh), A arte da conquista (Gavin Wiesen), O artista (Michel Hazavenicus), Thor (Kenneth Branagh), Alpes (Yorgos Lanthimos), Rango (Gore Verbinski), Cowboys e aliens (Jon Favreau), Para a floresta da luz dos vaga-lumes (Takahiro Omori), Compramos um zoológico (Cameron Crowe), O homem que mudou o jogo (Bennett Miller), Meu país (André Ristum), Minha semana com Marilyn (Simon Curtis), Sherlock Holmes – O jogo das sombras (Michael Ritchie), Vencer, vencer (Tom McCarthy), Sucker Punch (Zack Snyder), Se beber, não case! – Parte II (Todd Phillips), Amor profundo (Terrence Davies), Rio (Carlos Saldanha), X-Men – Primeira classe (Matthew Vaughn), Margin Call – O dia antes do fim (J. C. Chandor), Inquietos (Gus Van Sant), O exótico Hotel Marigold (John Madden)

1. Cloud Atlas (Andy e Lana Wachovski e Tom Tykwer)
2. O mestre (Paul Thomas Anderson)
3. Moonrise Kingdom (Wes Anderson)
4. Amor (Michael Haneke)
5. As vantagens de ser invisível (Stephen Chobsky)
6. Um alguém apaixonado (Abbas Kiarostami)
7. A hora mais escura (Kathryn Bigelow)
8. Luz depois das trevas (Carlos Reygadas)
9. Na estrada (Walter Salles)
10. O hobbit – Uma jornada inesperada (Peter Jackson)

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11. O som ao redor (Kleber Mendonça Filho)
12. Prometheus (Ridley Scott)
13. A visitante francesa (Hong Sang-soo)
14. Tabu (Miguel Gomes)
15. Batman – O cavaleiro das trevas ressurge (Christopher Nolan)
16. O gebo e a sombra (Miguel de Oliveira)
17. Ferrugem e osso (Jacques Audiard)
18. Anna Karenina (Joe Wright)
19. Vampiras (Amy Heckerling)
20. Holy Motors (Leos Carax)
21. A caça (Thomas Vinterberg)
22. O lado bom da vida (David O. Russell)
23. As aventuras de Pi (Ang Lee)
24. Cosmópolis (David Cronenberg)
25. Sombras da noite (Tim Burton)

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Menções honrosas: Os miseráveis (Tom Hooper), No (Pablo Larraín), Lincoln (Steven Spielberg), O voo (Robert Zemeckis), As loucuras de Charlie (Roman Coppola), Além das montanhas (Cristian Mungiu), 007 – Operação Skyfall (Sam Mendes), Um divã para dois (David Frankel), Celeste e Jesse para sempre (Lee Toland Kriger), John Carter – Entre dois mundos (Andrew Stanton), O amante da rainha (Nicolaj Arcel), Ruby Sparks – A namorada perfeita (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Django livre (Quentin Tarantino), Vizinhos imediatos de terceiro grau (Akiva Schaffer), As sessões (Ben Lewin), O espetacular homem-aranha (Marc Webb), Branca de neve e o caçador (Ruppert Sanders), Para Roma com amor (Woody Allen), Anjos da lei (Phil Lord, Christopher Miller), Adeus à rainha (Benoît Jacquot), Bem-vindo aos 40 (Judd Apatow), A baía (Barry Levinson), Espelho, espelho meu (Tarsem Singh), Os vingadores (Joss Whedon), Detona Ralph (Rich Moore), Barbara (Christian Petzold), Amigos inseparáveis (Fisher Stevens), Ted (Seth MacFarlane), O ditador (Sascha Bara Cohen), Paranorm (Chris Butler, Sam Fell), Amor mudo (Jeff Nichols), Dentro da casa (François Ozon), Hitchcock (Sacha Gervasi), O labirinto de Kubrick (Rodney Ascher), Eles voltam (Marcelo Lordello)

1. Azul é a cor mais quente (Abdellatif Kechiche)
2. Ela (Spike Jonze)
3. Amor pleno (Terrence Malick)
4. O grande mestre (Wong Kar-Wai)
5. Heli (Amat Escalante)
6. O lobo de Wall Street (Martin Scorsese)
7. Vidas ao vento (Hayao Miyazaki)
8. Nebraska (Alexander Payne)
9. Cores do destino (Shane Carruth)
10. O conselheiro do crime (Ridley Scott)

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11. O maravilhoso agora (James Ponsoldt)
12. A imagem que falta (Rithy Panh)
13. 12 anos de escravidão (Steve McQueen)
14. Bastardos (Claire Denis)
15. Gravidade (Alfonso Cuarón)
16. Temporário 12 (Destin Daniel Cretton)
17. Star Trek – Além da escuridão (J.J. Abrams)
18. Apenas Deus perdoa (Nicolas Winding Refn)
19. O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata)
20. Rush – No limite da emoção (Ron Howard)
21. O lugar onde tudo termina (Derek Cianfrance)
22. Walt Disney nos bastidores de Mary Poppins (John Lee Hancock)
23. Um toque de pecado (Jia Zhangke)
24. Fruitvale Station (Ryan Coogler)
25. A vida secreta de Walter Mitty (Ben Stiller)

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Menções honrosas: O grande Gatbsy (Baz Luhrmann), Frances Ha (Noah Baumbach), Oldboy – Dias de vingança (Spike Lee), Pais e filhos (Hirokazu Koreeda), Um estranho no lago (Alain Guiraudie), O mordomo da casa branca (Lee Daniels), We’re the Millers (Rawson Marshall Thurber), Red 2 (Dean Parisot), Une jeune fille (Catherine Martin), O verão da minha vida (Jim Rash, Nat Faxon), Universidade Monstros (Dan Scanlon), Depois da terra (M. Night Shyamalan), O foguete (Kim Mordaunt), Antes da meia-noite (Richard Linklater), Philomena (Stephen Frears), O menino e o mundo (Alê Abreu), Os estagiários (Shawn Levy), Círculo de fogo (Guillermo del Toro), Oz – Mágico e poderoso (Sam Raimi), Filha de ninguém (Hong Sang-soo), Meu namorado é um zumbi (Jonathan Levine), O homem de aço (Zack Snyder), Clube de compras Dallas (Jean-Marc Vallée), A menina que roubava livros (Brian Percival), O ciúme (Philippe Garrel), Um fim de semana em Paris (Roger Michell), Bling Ring – A gangue de Hollywood (Sofia Coppola), Trapaça (David O. Russell), Elysium (Neill Blomkamp), Entre nós (Paulo Morelli), A morte do demônio (Fede Alvarez), Mesmo se nada der certo (John Carney), Jack, o caçador de gigantes (Bryan Singer), Confissões de adolescente (Daniel Filho, Chris D’Amato), Caça aos gângsteres (Ruben Fleischer), Sem evidências (Atom Egoyan)

1. Boyhood (Richard Linklater)
2. Vício inerente (Paul Thomas Anderson)
3. Interestelar (Christopher Nolan)
4. Ida (Pawel Pawlikowski)
5. Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância) (Alejandro G. Iñárritu)
6. O hobbit – A batalha dos cinco exércitos (Peter Jackson)
7. Sono de inverno (Nuri Bilge Ceylan)
8. Leviathan (Andrey Zvyagintsev)
9. O homem duplicado (Denis Villeneuve)
10. Dois dias, uma noite (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

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11. Palo Alto (Gia Coppola)
12. Homens, mulheres e filhos (Jason Reitman)
13. O grande hotel Budapeste (Wes Anderson)
14. Força maior (Ruben Östlund)
15. Ninfomaníaca – Vol. I (Lars von Trier)
16. O ano mais violento (J. C. Chandor)
17. Jersey Boys – Em busca da música (Clint Eastwood)
18. Cães errantes (Tsai Ming-liang)
19. Vida de adulto (Scott Coffey)
20. Mapas para as estrelas (David Cronenberg)
21. Nós somos as melhores! (Lukas Moodysson)
22. RoboCop (José Padilha)
23. Invencível (Angelina Jolie)
24. Transcendence (Wally Pfister)
25. Êxodo: deuses e reis (Ridley Scott)

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Menções honrosas: A culpa é das estrelas (Josh Boone), Acorda, Nicole (Stéphane Lafleur), Ninfomaníaca – Vol. II (Lars von Trier), Pássaro branco na nevasca (Gregg Araki), O duplo (Richard Ayoade), Noé (Darren Aronofsky), O reino da beleza (Denys Arcand), Cake – Uma razão para viver (Daniel Barnz), Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro), Calvário (John Michael McDonagh), Uma viagem extraordinária (Jean-Pierre Jeunet), Grandes olhos (Tim Burton), Amores inversos (Liza Johnson), Tirem o sorriso do rosto (Daniel Patrick Carbone), Duna de Jodorowksy (Frank Pavich), Planeta dos macacos – O confronto (Matt Reeves), Frank (Lenny Abrahamson), Guardiões da galáxia (James Gunn), Magia ao luar (Woody Allen), Uma aventura LEGO (Phil Lord, Christopher Miller e Chris McKay), Boa noite, mamãe (Veronika Franz, Severin Fiala), Anjos da lei 2 (Phil Lord e Christopher Miller), O abutre (Dan Gilroy), The blue room (Mathieu Almaric), Marcados pela guerra (Peter Sattler), Top five (Chris Rock), Willow creek (Bobcat Goldthwait), À procura (Atom Egoyan), Love & Mercy (Bill Pohlad), Jogos vorazes: A esperança – Parte 1 (Francis Lawrence), Sniper americano (Clint Eastwood)

1. O regresso (Alejandro G. Iñárritu)
2. Amour fou (Jessica Hausner)
3. Os oito odiados (Quentin Tarantino)
4. Eden (Mia Hansen-Løve)
5. A juventude (Paolo Sorrentino)
6. Creed (Ryan Coogler)
7. Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (Roy Andersson)
8. O peso do silêncio (Joshua Oppenheimer)
9. Sob o mesmo céu (Cameron Crowe)
10. À beira mar (Angelina Jolie Pitt)

***

11. A assassina (Hou Hsiao-Hsien)
12. A colina escarlate (Guillermo del Toro)
13. Hacker (Michael Mann)
14. Corrente do mal (David Robert Mitchell)
15. Casa Grande (Fellipe Barbosa)
16. Jauja (Lisandro Alonzo)
17. 007 contra Spectre (Sam Mendes)
18. O conto dos contos (Matteo Garrone)
19. O quarto de Jack (Lenny Abrahamson)
20. Sicario – Terra de ninguém (Denis Villeneuve)
21. Rio perdido (Ryan Gosling)
22. Peter Pan (Joe Wright)
23. No coração do mar (Ron Howard)
24. O fim da turnê (James Ponsoldt)
25. Homem-Formiga (Peyton Reed)

***

Menções honrosas: Califórnia (Marina Person), Madame Bovary (Sophie Barthes), Poltergeist – O fenômeno (Gil Kennan), Oeste sem lei (John Maclean), Férias frustradas (John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein), Chatô – O rei do Brasil (Guilherme Fontes), Homem irracional (Woody Allen), Cidades de papel (Jake Schreier), Amizade desfeita (Levan Gabriadze), Love (Gaspar Noé), Jogos vorazes: A esperança – O final (Francis Lawrence), Vingadores – A era de Ultron (Joss Whedon), A teoria de tudo (James Marsh), Phoenix (Christian Petzold), Magic Mike XXL (Gregory Jacobs), Nossa irmã menor (Hirokazu Koreeda), A visita (M. Night Shyamalan), Ponte aérea (Júlia Rezende), Star Wars – O despertar da força (J.J. Abrams), O agente da U.N.C.L.E. (Guy Ritchie), Eu estava justamente pensando em você (Sam Esmail), O bom dinossauro (Peter Sohn), A garota dinamarquesa (Tom Hooper), Que horas ela volta? (Anna Muylaert), A travessia (Robert Zemeckis), Joy – O nome do sucesso (David O. Russell), A grande aposta (Adam McKay), Enquanto somos jovens (Noah Baumbach), Timbuktu (Abderrahmane Sissako), Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível (Brad Bird), American Ultra – Armados e perigosos (Nima Nourizadeh), Ted 2 (Seth MacFarlane), Faults (Riley Stearns), Pixels – O filme (Chris Columbus), O que fazemos nas sombras (Jemaine Clement, Taika Waititi), Lugares escuros (Gilles Paquet-Brenner)

1. Cavaleiro de copas (Terrence Malick)
2. Paterson (Jim Jarmusch)
3. La La Land (Damien Chazelle)
4. Batman vs Superman – A origem da justiça (Zack Snyder)
5. Ave, César! (Joel e Ethan Coen)
6. Cemitério do esplendor (Apichatpong Weerasethakul)
7. Silêncio (Martin Scorsese)
8. Demônio de neon (Nicolas Winding Refn)
9. A criada (Chan-wook Park)
10. Elle (Paul Verhoeven)

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11. Depois da tempestade (Hirokazu Koreeda)
12. Jovens, loucos e mais rebeldes (Richard Linklater)
13. Docinho da América (Andrea Arnold)
14. Wiener-dog (Todd Solondz)
15. Moonlight – Sob a luz do luar (Barry Jenkins)
16. Voyage of time: Life’s journey (Terrence Malick)
17. Jackie (Pablo Larraín)
18. É apenas o fim do mundo (Xavier Dolan)
19. As montanhas se separam (Jia Zhangke)
20. Regras não se aplicam (Warren Beatty)
21. Zootopia (Byron Howard, Rich Moore, Jared Bush)
22. Lion – Uma jornada para casa (Garth Davis)
23. Mais forte que bombas (Joachim Trier)
24. Dois caras legais (Shane Black)
25. Café Society (Woody Allen)

Menções honrosas: Loving (Jeff Nichols), A longa caminhada de Billy Lynn (Ang Lee), Animais fantásticos e onde habitam (David Yates), A garota no trem (Tate Taylor), Animais noturnos (Tom Ford), O nascimento de uma nação (Nate Parker), Cães de guerra (Todd Phillips), Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan), Uma repórter em apuros (Glenn Ficarra, John Requa), O mar de árvores (Gus Van Sant), Sully (Clint Eastwood), O invasor americano (Michael Moore), Mãe só há uma (Anna Muylaert), Rogue One – Uma história Star Wars (Gareth Edwards), Demolição (Jean Marc-Vallée), Mogli – O menino lobo (Jon Favreau), Memórias secretas (Atom Egoyan), Um holograma para o rei (Tom Tykwer), Warcraft – O primeiro encontro de dois mundos (Duncan Jones), Até o último homem (Mel Gibson), Cosmos (Andrzej Zulawski), A qualquer custo (David Mackenzie), Popstar: sem parar, sem limites (Akiva Schaffer, Jorma Taccone), Meu amigo, o dragão (David Lowery), A incrível aventura de Rick Baker (Taika Waititi), A lenda de Tarzan (David Yates), Kung fu panda 3 (Jennifer Yuh Nelson, Alessandro Carloni), Top model (Mads Matthiesen), A chegada (Denis Villeneuve), A luz entre os oceanos (Derek Cianfrance), Star Trek – Sem fronteiras (Justin Lin), Florence – Quem é esta mulher? (Stephen Frears), 13 horas – Os soldados secretos de Benghazi (Michael Bay), A chefa (Ben Falcone), Invasão zumbi (Yeon Sang-ho), O lar das crianças peculiares (Tim Burton), O contador (Gavin O’Connor), Esquadrão suicida (David Ayer), Terra violenta (Tiu West), Gênios do crime (Jared Hess), O abraço da serpente (Ciro Guerra), Sing Street – Música e sonho (John Carney), Alice através do espelho (James Bobin), Shin Godzilla (Hideaki Anno, Shinji Higuchi), Quase 18 (Kelly Fremon Craig), Mulheres do século 20 (Mike Mills), Beleza oculta (David Frankel)

1. Twin Peaks – O retorno (David Lynch)
2. De canção em canção (Terrence Malick)
3. Trama fantasma (Paul Thomas Anderson)
4. Blade Runner 2049 (Denis Villeneuve)
5. Lady Bird – A hora de voar (Greta Gerwig)
6. Projeto Flórida (Sean Baker)
7. A lei da noite (Ben Affleck)
8. O apartamento (Ashgar Farhadi)
9. Todo o dinheiro do mundo (Ridley Scott)
10. Happy end (Michael Haneke)

***

11. Lágrimas sobre o Mississipi (Dee Rees)
12. A forma da água (Guillermo del Toro)
13. Sombras da vida (David Lowery)
14. Os Meyerowitz – Família não se escolhe (Histórias novas e selecionadas) (Noah Baumbach)
15. Columbus (Kogonada)
16. Em ritmo de fuga (Edgar Wright)
17. mãe! (Darren Aronofksy)
18. A cura (Gore Verbinski)
19. O estranho que nós amamos (Sofia Coppola)
20. Planeta dos macacos – A guerra (Matt Reeves)
21. O filme da minha vida (Selton Mello)
22. O sacrifício do cervo sagrado (Yorgos Lanthimos)
23. Graduation (Cristian Mungiu)
24. Alien: Covenant (Ridley Scott)
25. The Square – A arte da discórdia (Ruben Östlund)

Menções honrosas: Poesia sem fim (Alejandro Jodorowsky), Três anúncios para um crime (Martin McDonagh), A região selvagem (Amat Escalante), Corra! (Jordan Peele), Personal shopper (Olivier Assayas), Valerian e a cidade dos mil planetas (Luc Besson), Castelo de areia (Fernando Coimbra), Z – A cidade perdida (James Gray), Logan Lucky – Roubo em família (Steven Soderbergh), O outro lado da esperança (Aki Kaurismäki), Ao cair da noite (Trey Edward Schults), Primeiro, mataram o meu pai (Angelina Jolie), A morte te dá parabéns (Cristopher B. Landon), Terra selvagem (Taylor Sheridan), O castelo de vidro (Destin Cretton), Maudie (Aisling Walsh), John Wick 2 (Chad Stahelski), Um homem chamado Ove (Hannes Holm), Free fire – O tiroteio (Ben Wheatley), Na vertical (Alain Guiraudie), Homem-Aranha – De volta ao lar (Jon Watts), The little hours (Jeff Baena), Nossas noites (Ritesh Batra), Na praia à noite sozinha (Hong Sang-soo), Sandy Wexler (Steven Brill), Eu já não me sinto em casa nesse mundo (Macon Blair), The comedian (Taylor Hackford), Vida (Daniel Espinosa), Little boxes (Rob Meyer), Atômica (David Leitch), Rastros (Agnieszka Holland), Tramps (Adam Leon), Doentes de amor (Michael Showalter), Insensata paixão (Pierre Godeau), Guardiões da galáxia Vol. 2 (James Gunn), Wilson (Craig Johnson), Buster’s mal heart (Sarah Adina Smith), Transformers – O último cavaleiro (Michael Bay), War machine (David Michôd), Una (Benedict Andrews), Fobia (Ana Asensio), Uma beleza fantástica (Simon Aboud), Onde está Segunda? (Tommy Wirkola), Lovesong (So Young Kim), Kong – A ilha da Caveira (Jordan Vogt-Roberts), Suburbicon – Bem-vindos ao paraíso (George Clooney), Gaga: five foot two (Chris Moukarbel), Colossal (Nacho Vigalondo), As aventuras de Brigsby bear (Dave McCary), A garota desconhecida (Jean-Pierre e Luc Dardenne), Logan (James Mangold), Raw (Julia Docournau), Você e os seus (Hong Sang-soo), Spielberg (Susan Lacy), A vigilante do amanhã – Ghost in the shell (Rupert Sanders), Jasper Jones (Rachel Perkins), T2: Trainspotting (Danny Boyle), O círculo (James Ponsoldt), Carros 3 (Brian Fee), Founds of love (Ben Young), Agnes (Johannes Schmid), Power Rangers (Dean Israelite), Na selva (Greg Mclean), Fome de poder (John Lee Hancock), Rei Arthur – A lenda da espada (Guy Ritchie), Lotte (Julius Schultheiß), O mínimo para viver (Marti Noxon), Ingrid goes west (Matt Spicer), Patti Cake$ (Geremy Jasper), O estado das coisas (Mike White), Frantz (François Ozon), LEGO Batman – O filme (Chris McKay), O livro de Henry (Colin Trevorrow), Além das palavras (Terence Davies), Os amantes (Azazel Jacobs), Eine hunerhörte frau (Hans Steinbichler), A grande muralha (Zhang Yimou), Feito na América (Doug Liman), A tartaruga vermelha (Michel Dudok de Wit), Planetarium (Rebecca Zlotowski), Rakka (Neil Blomkamp), American fable (Anne Hamilton), Mulher-Maravilha (Patty Jenkins), Liga da Justiça (Zack Snyder), Extraordinário (Stephen Chobsky), Detroit em rebelião (Kathryn Bigelow), O que te faz mais forte (David Gordon Green), Boneco de neve (Tomas Alfredson), A guerra dos sexos (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Depois daquela montanha (Hany Abu-Assad), Star Wars – Os últimos Jedi (Rian Johnson), Sem fôlego (Todd Haynes), A melhor escolha (Richard Linklater), Uma mulher fantástica (Sebastián Lelio), O rei do show (Michael Gracey), O destino de uma nação (Joe Wright), Homens de coragem (Joseph Kosinski), 120 batimentos por minuto (Robin Campillo), A grande jogada (Aaron Sorkin), Viva – A vida é uma festa (Lee Unkrich), Ratos de praia (Eliza Hittman), Honra ao mérito (Jason Hall), Bright (David Ayer), Roman J. Israel, Esq. (Dan Gilroy), Pequena grande vida (Alexander Payne), O formidável (Michel Hazanavicius)

1. Nasce uma estrela (Bradley Cooper)
2. Roma (Alfonso Cuarón)
3. Foxtrot (Samuel Maoz)
4. Hereditário (Ari Aster)
5. Colo (Teresa Villaverde)
6. A balada de Buster Scruggs (Joel e Ethan Coen)
7. Maus momentos no Hotel Royale (Drew Goddard)
8. Querido menino (Felix Van Groeningen)
9. Suspíria – A dança do medo (Luca Guadagnino)
10. Vida selvagem (Paul Dano)

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11. O amante duplo (François Ozon)
12. Você nunca esteve realmente aqui (Lynne Ramsey)
13. Outside in (Lynn Shelton)
14. No portal da eternidade (Julian Schnabel)
15. 22 de julho (Paul Greengrass)
16. Green Book – O guia (Peter Farrelly)
17. A favorita (Yorgos Lanthimos)
18. Deixe a luz do sol entrar (Claire Denis)
19. Dogman (Matteo Garrone)
20. Arábia (João Dumons e Affonso Uchoa)
21. Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald (David Yates)
22. O primeiro homem (Damien Chazelle)
23. Creed II (Steven Caple Jr.)
24. Puro-sangue (Cory Finley)
25. Se a Rua Beale falasse (Barry Jenkins)

Menções honrosas: A mula (Clint Eastwood), Bem-vindos a Marwen (Robert Zemeckis), Stan & Ollie – O gordo e o magro (John S. Baird), Sicario – Dia do soldado (Stefano Sollima), Custódia (Xavier Legrand), Mudo (Duncan Jones), Corpo e alma (Ildikó Enyedi), As aventuras de Paddington 2 (Paul King), Noviciado (Margaret Betts), Ilha dos cachorros (Wes Anderson), Jogador Nº 1 (Steven Spielberg), Tully (Jason Reitman), 15h17 – Trem para Paris (Clint Eastwood), Like me (Robert Mockler), Deadpool 2 (David Leitch), Best f(r)iends – Vol. 1 (Justin MacGregor), Em pedaços (Fatih Akin), Robin Williams – Entre na minha mente (Marina Zenovich), The girl (Lukas Dhont), O conto (Jennifer Fox), Bird box (Susanne Bier), Baseado em fatos reais (Roman Polanski), Os incríveis 2 (Brad Bird), Eighth grade (Bo Durnham), Noite de lobos (Jeremy Saulnier), Mais uma chance (Tamara Jenkins), A pé ele não vai longe (Gus Van Sant), Venom (Ruben Fleischer), Jumanji – Bem-vindo à selva (Jake Kasdan), Hearts beat loud (Brett Haley), Amizade desfeita 2: dark web (Stephen Susco), Pedro Coelho (Will Gluck), As boas maneiras (Juliana Rojas, Marco Dutra), Sob o sol do oeste (David e Nathan Zellner), Domando o destino (Chloé Zhao), Missão: impossível – Efeito Fallout (Christopher McQuarrie), Permissão (Brian Crano), Quem somos agora (Matthew Newton), Princess Syd (Stephen Cone), Verão de 84 (François Simard, Anouk Whissell, Yoann-Karl Whissell), What keeps you alive (Colin Minihan), Bumblebee (Travis Knight), Pérolas no mar (Rene Liu), A noite do jogo (John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein), O outro lado do vento (Orson Welles), Sem amor (Andrey Zvyagintsev), Você e os seus (Hong Sang-soo), Não vai dar (Kay Cannon), Felicité (Alain Gomis), Homem-Formiga e a Vespa (Peyton Reed), Rastros (Agnieszka Holland), Fútil e inútil (David Wain), Halloween (David Gordon Green), Espectador profissional (Dito Montiel), Vende-se esta casa (Suzanne Coote e Matt Angel), Newness (Drake Doremus), Jurassic World – Reino ameaçado (J. A. Bayona), Tudo que quero (Ben Lewin), Hostis (Scott Cooper), Alfa (Albert Hughes), Rampage – Destruição total (Brad Peyton), Desobediência (Sebastián Lelio), Cargo (Ben Howling e Yolanda Ramke), Flower (Max Winkler), Almas secas (Liz W. Garcia), Blame (Quinn Shepard), Together (Terrence Malick), Distúrbio (Steven Soderbergh), No coração das trevas (Paul Schrader), Becks (Daniel Powell, Elizabeth Rohrbaugh), Fullmetal alchemist (Fumihiko Sori), Perigo na montanha (Lin Oeding), Frost (Šarūnas Bartas), A vingança de Lefty Brown (Jared Moshe), Submersão (Wim Wenders), Aniquilação (Alex Garland), O ritual (David Bruckner), Um lugar silencioso (Joseph Krasinki), O animal cordial (Gabriela Amaral Almeida), A sombra da árvore (Hafsteinn Gunnar Sigurðsson), Todas as razões para esquecer (Pedro Coutinho), O plano imperfeito (Claire Scanlon), O mercador (Tamta Gabrichidze), Utoya, 22 de julho – Terrorismo na Noruega (Erik Poppe), O rei da polca (Maya Forbes), Vingança (Coralie Fargeat), The Cloverfield Paradox (Julius Onah), Uma mulher exemplar (Susanna White), A rota selvagem (Andrew Haigh), Maria Madalena (Garth Davis), A câmera de Claire (Hong Sang-soo), Christopher Robin – Um reencontro inesquecível (Marc Forster), Grande saída (Alex Ross Perry), Tal pai, tal filha (Lauren Miller), O predador (Shane Black), Com quem será? (Victor Levin), Stella’s last weekend (Polly Draper), A esposa (Björn Runge), Juliet, nua e crua (Jesse Peretz), O mistério do relógio na parede (Eli Roth), Buscando… (Aneesh Chaganty), Bohemian Rhapsody (Dexter Fletcher), The kindergarten teacher (Sara Colangelo), Infiltrado na Klan (Spike Lee), Legítimo rei (David Mackenzie), Guerra fria (Pawel Pawlikowski), Meu ex é um espião (Susanna Fogel), Never goin’ back (Augustine Frizzell), Skate kitchen (Crystal Moselle), Boy erased – Uma verdade anulada (Joel Edgerton), Acrimônia (Tyler Perry), WiFi Ralph – Quebrando a internet (Rich Moore, Phil Johnston), O retorno de Mary Poppins (Rob Marshall), Poderia me perdoar? (Marielle Heller), Aquaman (James Wan), Os irmãos Sisters (Jacques Audiard), Mogli – Entre dois mundos (Andy Serkis), Millennium – A garota na teia da aranha (Fede Alvarez), Viúvas (Steve McQueen), Um pequeno favor (Paul Feig), Support the girls (Andrew Bujalski), Vice (Adam McKay), Zama (Lucrecia Martel), Anos 90 (Jonah Hill)

1. A árvore dos frutos selvagens (Nuri Bilge Ceylan)
2. Nunca deixe de lembrar (Florian Henckel von Donnersmarck)
3. Longa jornada noite adentro (Bi Gan)
4. Vingadores – Ultimato (Joe & Anthony Russo)
5. Sob o lago prateado (David Robert Mitchell)
6. Vox Lux (Brady Cobert)
7. O hotel às margens do rio (Hong Sang-soo)
8. Vidro (M. Night Shyamalan)
9. Velvet Buzzsaw (Dan Gilroy)
10. Climax (Gaspar Noé)

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11. Alita – Anjo de combate (Robert Rodriguez)
12. Shazam! (David F. Sandberg)
13. Obsessão (Neil Jordan)
14. High life (Claire Denis)
15. Fora de série (Olivia Wilde)
16. Cemitério maldito (Kevin Kölsch e Dennis Widmyer)
17. Paddleton (Alexandre Lehmann)
18. Brightburn (David Yarovesky)
19. Dumbo (Tim Burton)
20. Uma aventura Lego 2 (Mike Mitchell)
21. Aladdin (Guy Ritchie)
22. A morte te dá parabéns 2 (Christopher Landon)
23. Gloria Bell (Sebastián Lelio)
24. John Wick 3 – Parabellum (David Stahelski)
25. Tater Tot & Patton (Andrew Kightlider)

Menções honrosas: JT LeRoy (Justin Kelly), Calmaria (Steven Knight), A cinco passos de você (Justin Baldoni), Estrada sem lei (John Lee Hancock), Deixando Neverland (Dan Reed), High flying Bird (Steven Soderbergh), O menino que queria ser rei (Joe Cornish), Casal improvável (Jonathan Levine), Amanda (Mikhaël Hers)

Acompanhe atualização desta lista de melhores filmes de 2019 aqui.

Aladdin (2019)

Por André Dick

Lançado em 1992, Aladdin é um dos desenhos animados de maior bilheteria de todos os tempos. Embora não tenha repetido o feito de ser indicado ao Oscar de melhor filme, como A bela e a fera um ano antes, trata-se de uma grande diversão, sobretudo pela presença de Robin Williams no papel do Gênio da Lâmpada.
Em seu live-action, dirigido por Guy Ritchie, ele conta basicamente a mesma história: Aladdin (Mena Massoud) é um jovem que vive nas ruas do reino de Agrabah, em meio ao deserto, com o macaco Abu, seu melhor amigo. Seu objetivo é casar com a princesa do reino, Jasmine (Naomi Scott), filha do Sultão (Navid Negahban) e cuja melhor amiga é a criada Dalia (Nasim Pedrad). O pai quer casá-la com o Príncipe Anders (Billy Magnussen). Antes, contudo, precisa enfrentar Jafar (Marwan Kenzari), que, sempre com seu papagaio, controle o reino por meio de seus poderes hipnóticos. Ele pretende se transformar no homem mais temido do mundo e deseja encontrar o Gênio da Lâmpada (Will Smith) na Caverna das Maravilhas. Ele pode ser o meio de Aladdin se transformar num príncipe.

No filme de 1992, Jafar não é tão divertido quanto Aladdin, que se transformava em qualquer coisa para aparecer, lembrando um showman, mas tinha grande presença, o que seu intérprete no filme não consegue lamentavelmente repetir. É importante lembrar o quanto Guy Ritchie, em Snatch – Porcos e diamantes, trazia uma espécie de miscelânea de gêneros ligados ao mundo da máfia, com todos os maneirismos possíveis de sentido pop e violência influenciada visivelmente por Tarantino. Ritchie parecia um bom cineasta, mas ainda tateando, em busca de uma personalidade. Ele não conseguiu isso em projetos como Destino insólito (com sua ex-mulher, Madonna), mas são os elementos que já apareciam em Snatch que fizeram funcionar tão bem nos dois Sherlock Holmes, em O agente da U.N.C.L.E e em Rei Arthur – A lenda da espada.

Neles estão os elementos que já se encontravam em Snatch: uma espécie de necessidade de destacar os movimentos de câmera, lembrando às vezes um videoclipe, o visual carregado e o elenco fazendo soar o máximo uma espontaneidade teatralizada. Nesta adaptação com atores de Aladdin, Ritchie não emprega visualmente seu estilo – mais soturno –, apanhando um colorido capaz de remeter ao cinema de Bollywood, mas, principalmente, a The fall, de Tarsem Singh. Mesmo assim, ele consegue mostrar sua personalidade num certo humor agridoce trazido pelo Gênio da Lâmpada, numa das melhores atuações de Will Smith em sua carreira – e o filme diminui de tamanho quando em determinados momentos ele sai de cena. De algum modo, ele ainda está lá, por trás do estilo imposto pela Disney, capaz de tirar algumas vezes o mérito de diretores à frente de outras obras nesses moldes, a exemplo de A bela e a fera.
O filme de Ritchie não tem objetivo de respeitar algum molde clássico, como todos os projetos do cineasta: é um espetáculo em movimento quase de videoclipe, com uma montagem por vezes confusa, mas sem tanto, como ele gosta, idas e vindas no tempo e cortes para evitar excessivo material expositivo – uma das suas qualidades. O roteiro dele em parceria com John August (autor de vários filmes de Tim Burton, como Peixe grande e Sombras da noite), baseado no original de 1992, assinado por Ron Clements, John Musker, Ted Elliott e Terry Rossio, tenta mesclar as partes musicais, com danças, inclusive, com uma atmosfera de obra infantojuvenil que possa dialogar também com os adultos.

Nesse sentido, um dos destaques do live-action é novamente a trilha sonora brilhante de Alan Menken (o mesmo de A pequena sereia), com a parceria de Howard Ashman, que tem pelo menos três canções antológicas e um som de inegável qualidade. Não à toa, o desenho animado ganhou dois Oscars neste campo e rendeu muitos frutos. Os diálogos que a narrativa empresta ao Gênio são muito bons, embora a porção romântica entre Aladdin e Jasmine se realize mais no visual do que exatamente nas atuações um pouco deslocadas de Massoud e Scott, embora nenhuma diminua o material e sempre evoquem a animação. Apenas chama a atenção como este live-action é aquele mais realista já feito pela Disney, sem recorrer tanto a CGI (os efeitos visuais, inclusive, são ótimos, como os do tigre e do macaco) e adotando uma fotografia com várias tomadas destacando um design de produção real, assim como em seus figurinos ultracoloridos. Há também, como diferença em relação ao original, uma nova canção, “Speechless”, dos oscarizados Benj Pasek e Justin Paul, responsáveis pela belíssima “City of stars” de La La Land, e uma certa modulação no roteiro visando algumas temáticas atuais. Nada se sente forçado como poderia se imaginar inicialmente de um cineasta tão pouco provável para este material. Mesmo não alcançando a magia do original, este Aladdin consegue às vezes alçar voos altos.

Aladdin, EUA, 2019 Diretor: Guy Ritchie Elenco: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen Roteiro: John August e Guy Ritchie Fotografia: Alan Stewart Trilha Sonora: Alan Menken Produção: Dan Lin e Jonathan Eirich Duração: 128 min. Estúdio: Walt Disney Pictures, Rideback, Marc Platt Productions Distribuidora: Walt Disney Studios

John Wick 3 – Parabellum (2019)

Por André Dick

Em 2014, foi lançado o personagem de John Wick em De volta ao jogo, com Keanu Reeves, que se caracterizava pelo visual potencialmente distinto e com violência extrema. Sua vingança se dava em nome  da morte de seu cão. John Wick – Um novo dia para matar começa apenas quatro dias depois dos acontecimentos do original, com o personagem indo atrás de seu Mustang 1969 totalmente escuro, que se encontra com Abram Tarasov (Peter Stormare), irmão dos principais antagonistas da primeira história. Achando que voltou à tranquilidade, com um novo cão, John recebe a visita do italiano Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio), que lhe apresenta um medalhão que obrigaria John a lhe prestar serviços. No entanto, é o que ele menos quer: seu desejo é ficar recolhido em sua casa, recordando da esposa. O roteiro apresentava os personagens com agilidade e, embora não soubéssemos muito sobre eles, as principais características eram desenhadas. Agora, ele está de volta em John Wick 3 – Parabellum.

O diretor Chad Stahelski, dublê de Reeves em Matrix e coordenador na área das sequências, novamente mostra cenas que parecem saídas de um filme de arthouse de ação. Se eu imaginasse um Nicolas Winding Refn fazendo uma obra urbana com uma sequência impressionante de mortes seria esta, em que Stahelski busca claramente inspiração, principalmente no uso de cenários com neons. E, mais do que trazer uma influência de Johnnie To – uma referência para filmes de máfia oriental e que se liga a um certo exagero cênico –, John Wick 3 já começa apresentando uma sequência impressionante de lutas e com fundo metalinguístico: vai de Wick lutando artes marciais na Biblioteca Pública de Nova York até ele andando de cavalo pelas ruas da cidade, lembrando um faroeste, e em seguida participando de uma perseguição de motos. Uma juíza (Asia Kate Dillon) da High Table, órgão global do crime, surge para tentar punir quem o liberou de pagar por um determinado crime, colocando sua cabeça a prêmio por 14 milhões de dólares, ameaçando Winston (Ian McShane), que é o dono do hotel Continental em Nova York, sempre assessorado por Charon (Lance Reddick), onde a trilogia, até agora, tem cenas substanciais.

Como o segundo, este John Wick 3 acentua a tragédia do personagem, aprisionado num universo violento. O anterior tinha cenas inusitadas passadas em Roma,este não fica para trás. No momento em que se encontra com a superiora de Wick da Ruska Roma (Anjelica Huston, com figurino que remete a Cidade dos sonhos, de David Lynch), aquela que dá a porção Cisne negro à história (e talvez a analogia mais óbvia da trama, que não passa, no fundo, de um balé de cenas coreografadas de maneira espetacular e ultraviolenta), ele se mostra como no fim do primeiro filme, pertencente a um novo Matrix, principalmente quando mostra Rei Bowery, numa boa atuação do mesmo Laurence Fishburne que fazia Morpheus na série das hoje irmãs Wachowski.
Quando ele se desloca para o Marrocos, mais exatamente Casablanca, onde encontra Sofia (Halle Berry, um pouco deslocada) e depois no deserto, em cenas que dialogam de maneira imprevisível com a série Indiana Jones e O céu que nos protege, de Bertolucci, o personagem adota uma linha entre Neo e 007. Reeves se apresenta bem no papel e, mesmo não havendo nenhuma sequência que rivalize com a da estação de trem do anterior, e em geral seja estilo total sobre substância (o que o segundo escondia com um corte abrupto em relação ao original de 2014, de uma violência mais urbana e menos estilizada), John Wick 3 se sente um filme de ação especial pela tentativa de continuar esboçando uma mitologia. Ainda surge um sushiman especializado em artes marciais, Zero (Mark Dacascos), com dois assessores pouco simpáticos (Cecep Arif Rahman e Yayan Ruhian).

Também Stahelski volta a investir num visual extraordinário, com um jogo de luzes primoroso, concedido por Dan Laustsen (que vem fazendo uma parceria exitosa com Guillermo del Toro, em trabalhos como A forma da água), aqui destacando a chuva sobre a cidade de Nova York, fazendo lembrar, com seus neons e luminosos, o futurismo de Blade Runner. Reeves, ator que se sente muito bem nesses papéis, faz de maneira exata seu John Wick. Seu semblante entre a passividade e a fúria joga com o duplo que seu personagem desempenha: em nenhum momento o espectador se pergunta por que ele age dessa maneira; ele apenas se pergunta por que querem tanto que ele aja assim. Acentua o drama de modo adequado. E, em meio a tudo, há sempre cães rondando Wick, como se o simbolizassem, desde o primeiro filme. Há, nesta terceira parte, contudo, os diálogos breves não fazem mais tanto sentido e algumas cenas de ação excessivas, mesmo que conduzidas com uma técnica impressionante, o que o torna relativamente menos interessante e surreal do que o segundo. Talvez porque Stahelski deveria dividir a direção novamente com David Leitch, do primeiro, que fez depois os criativos Deadpool 2 e Atômica. Ainda assim, é uma conquista do gênero, estabelecendo uma franquia recente capaz de rivalizar com Missão: impossível.

John Wick: Chapter 3 – Parabellum, EUA, 2019 Diretor: Chad Stahelski Elenco: Keanu Reeves, Halle Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddick, Anjelica Huston, Ian McShane Roteiro: Derek Kolstad, Shay Hatten, Chris Collins, Marc Abrams Fotografia: Dan Laustsen Trilha Sonora: Tyler Bates, Joel J. Richard Produção: Basil Iwanyk, Erica Lee Duração: 131 min. Estúdio: Thunder Road Pictures, 87Eleven Productions Distribuidora: Summit Entertainment

Brightburn – Filho das trevas (2019)

Por André Dick

Com produção do diretor dos dois Guardiões da galáxia e de Super, James Gunn, e roteiro assinado por seu irmão Brian e primo Mark, Brightburn – Filho das trevas é dirigido por David Yarovesky, O filme inicia com um casal, Tori (Elizabeth Banks), e Kyle (David Denman), que mora na área rural do Kansas, numa grande fazenda, pensando em ter um filho. Nesse momento, a obra dá um salto no tempo, e os vemos criando um menino, Brandon (Jackson A. Dunn).
Se Brighturn tem algo não é exatamente a originalidade. Brandon caiu do céu dentro de uma espécie de cápsula que lembra imediatamente aquela de Superman, de Richard Donner, e de O homem de aço, de Zack Snyder (lembrando que James Gunn escreveu o primeiro filme desse diretor, Madrugada dos mortos). A semelhança é tão grande que se pode avaliar como os dois Gunn autores do roteiro devem ter feito uma pesquisa detalhada sobre aquele que se esconderia por trás da persona de Clark Kent.

No entanto, Brandon não é exatamente como Clark. A princípio, um filho educado, prestativo com os pais, começa, na chegada da adolescência, ater acessos de raiva e descobre uma força incomum, sobretudo depois de tentar ligar um cortador de grama. Esses momentos lembram principalmente O homem de aço, de Snyder, até mesmo nos enquadramentos, no entanto sob o ponto de vista de uma ameaça maligna. Aqui não existe kryptonita: ela está encarnada na própria figura do personagem central. E os símbolos das abelhas e das flores interagem para mostrar como o personagem do menino está situado entre o possível ataque e uma tentativa de sensibilidade, oferecendo um bom resultado.
Obviamente, Brightburn vai se sucedendo em blocos, com uma narrativa a princípio previsível, no entanto, além da atuação de Banks, muito bem, e da presença de Denman, o jovem ator Dunnan, o qual fez uma rápida participação em Vingadores – Ultimato como o jovem Scott Lang, traz uma plausibilidade ao roteiro. Os momentos em que ele contracena com o pai e a mãe são verdadeiros e, quando começa a mudar seu comportamento, em diálogo com a sua idade, há um interesse genuíno de avaliá-lo psicologicamente. O próprio interesse nele por sua colega de aula Caitlyn (Emmie Hunter), filha de Erica (Becky Wahlstrom), que trabalha na lanchonete da cidadezinha, mostra isso.

E, embora seja muito rápida sua transformação, a edição colabora para que o espectador aceite isso. Tendo apenas curtas e um longa-metragem, A colmeia, antes desse filme (aliás, imagem utilizada aqui em momentos-chave), o diretor David Yarovesky escolhe alguns elementos de obras de super-heróis: o menino, em determinado momento, começa a desenhar um uniforme em seu caderno. A atmosfera rural é decisivamente importante para que a narrativa se sinta real, com a presença de um bosque onde Brandon e seu pai vão treinar tiros a alvo.
Há, nisso, não apenas a influência de Superman, como também da série A profecia, que iniciou com uma peça em 1976 do mesmo diretor Richard Donner. No entanto, mais recentemente tivemos Destino especial, um menino do interior que descobria super-poderes. Brightburn tem muito desse filme, com a diferença de que acentua seu horror em suas bordas. É um grande quadro de como pode brotar o pavor de um cenário idílico, inofensivo, e adianta em sua narrativa uma espécie de diálogo com Hereditário.

É clara, em alguns momentos, a influência dessa obra de Aster, principalmente aproveitando a noite como uma oposição ao dia – os momentos mais assustadores se passam nesse período, aproveitando a imagem de bosques. O trabalho de fotografia de Michael Dallatorre, desse modo, é muito bom, e sempre deixa o fundo das cenas como espaço para a imaginação do espectador, temendo o que pode acontecer. Com isso, apesar de muitas sequências serem possivelmente previsíveis, há nelas um conjunto que consegue aparentar uma construção interessante e mesmo elegante, apesar de adotar o caminho mais brusco em alguns momentos. Mas, acima de tudo, o roteiro consegue desenvolver um elo de ligação dos pais com o filho de modo que, quando as coisas começam a ficar agitadas, o espectador fica receoso de haver um elo quebrado. Para isso, é vital a atuação principalmente de Banks, atriz subestimada. Ela consegue dar credibilidade à pressa do ato final, com momentos realmente emocionais, seja para assustar ou não.

Brightburn, EUA, 2019 Diretor: David Yarovesky Elenco: Elizabeth Banks, David Denman, Jackson A. Dunn, Matt Jones, Meredith Hagner, Emmie Hunter, Becky Wahlstrom Roteiro: Mark Gunn e Brian Gunn Fotografia: Michael Dallatorre Trilha Sonora: Timothy Williams Produção: James Gunn e Kenneth Huang Duração: 90 min. Estúdio: Screen Gems, Stage 6 Films, Troll Court Entertainment, The H Collective Distribuidora: Sony Pictures Releasing

Cobra Kai II (2019)

Por André Dick

No ano passado, o YouTube lançou Cobra Kai, dando continuidade à série Karatê Kid, dos anos 80, ampliando um universo que conecta Ocidente e Oriente. Tudo teve início em Karatê Kid – A hora da verdade, de John G. Avildsen, que ganhou um Oscar surpreendente por Rocky – Um lutador. Como o filme de Stallone dos anos 70, a obra de 1984 tinha uma mensagem válida, cenas de luta interessantes e personagens acessíveis, assim como os dois episódios seguintes e ainda um quarto, com Hilary Swank.
O protagonista era o jovem Daniel LaRusso (Ralph Macchio, bom ator) , que chegava a Reseda, bairro de Los Angeles, vindos de Newark, New Jersey, e passava a ser perseguido por Johnny Lawrence (William Zabka), isso porque se envolvia com a ex-namorada desse, Ali Mills (Elizabeth Shue). LaRusso era ajudado pelo Sr. Miyagi (Noriyuki “Pat” Morita), um zelador do seu condomínio, depois que começava a sofrer violência. Na primeira temporada de Cobra Kai, Johnny reerguia o dojo Cobra Kai, do sensei John Creese (Martin Kove), enquanto Daniel se mostrava um competente vendedor de carros, ao lado da esposa Amanda (Courtney Henggeler). Nesta segunda, o próprio Creese reaparece para tentar reviver guerras antigas.

Cobra Kai, como o primeiro Karatê Kid, funcionava de maneira quase perfeita. Cobra Kai II atrai o espectador para a ligação entre Lawrence e Creese, que o ajudou desde quando era pequeno e tinha problemas familiares. Creese sempre incentivou seus alunos a um karatê violento, enquanto os ensinamentos do Sr. Miyagi se baseiam num contato com a natureza, seja no mar ou num lago. O mesmo acontece na segunda temporada, quando Daniel abre seu dojo Miyagi-Do, tendo como seus dois primeiros alunos a filha, Samantha (Mary Mouser), e o filho de Johnny, Robby Keene (Tanner Buchanam), praticamente abandonado pela mãe e com problemas de relacionamento com o pai. Este se dedica a ajudar principalmente seu melhor aluno, Miguel (Xolo Maridueña, ótimo), enquanto nutre um interesse secreto pela mãe do aluno, Carmen (Vanessa Rubio). A série volta a trabalhar com as classes sociais de Daniel e Johnny: no filme, o primeiro morava na periferia e o segundo na parte de classe alta da cidade. As coisas se invertem, e o espectador, por vezes, se vê compadecido com a situação de Lawrence, mesmo que ele às vezes pareça não ter mudado muito em sua personalidade.

Ele admite a volta do antigo sensei e não consegue ter domínio sobre os alunos mais violentos, especificamente Hawk (Jacob Bertrand), que também sofria bullying. Hawk, no entanto, abandonou o antigo amigo nerd, Demetri (Gianni Decenzo), que tem dificuldades de se adaptar ao Cobra Kai e parte em busca da ajuda de Daniel no dojo Miyagi-Do. A maneira como os personagens vão mudando conforme a situação é o melhor elemento dessas duas temporadas e um exemplo de fan service sem cair na previsibilidade. Lawrence se vê sob conflito quando descobre que seu antigo sensei passa por dificuldades, no entanto também sente ausência de uma companheira e não compreende por que o filho não quer seu contato e sim com seu maior inimigo.
Cobra Kai II mostra que as decepções e mágoas temporais estão em discussão e o tempo vai trazendo novas lições para, inclusive, esclarecer o passado. O diálogo com os episódios do cinema é muito bem trabalhado, desta vez quando Daniel, por exemplo, lembra de quando foi ludibriado por um amigo de John Creese, Terry (Thomas Ian Griffith), na terceira parte da série de cinema. Do mesmo modo, as lembranças do Sr. Miyagi, por meio, por exemplo, de uma medalha de guerra dele, são exitosas. As tentativas de Daniel ensinar a seus alunos as técnicas do karatê também replicam memórias dos anos 80, assim como os carros no pátio da mesma casa de Miyagi onde ele organiza o seu dojo.

Igual à primeira temporada, é  interessante os limites entre o que é certo e o que é errado se tornarem um pouco menos claros. As vidas de LaRusso e Johnny se cruzam como aquelas que vemos no ótimo filme O lugar onde tudo termina, sobre a ligação entre diferentes gerações. Se os conhecíamos jovens, a sua versão mais velha e experiente leva a uma reavaliação do que os levou aonde estão. O momento em que dividem um restaurante com seus interesses amorosos, a exemplo de uma conversa de bar no primeiro, é um dos melhores. No entanto, Cobra Kai II acentua a figura da violência escolar desta vez por meio de Tori (Peyton List), uma nova aluna do Cobra Kai, que se desentende com a filha de LaRusso e se aproxima de Aisha (Nichole Brown), até então melhor amiga daquela. Tudo pode acabar no entendimento e em aprendizados interiores ou em lutas realmente violentas – e em Cobra Kai II estão as melhores do universo de Karatê Kid, principalmente aquelas que desencadeiam um grande final da temporada, excepcionais em sua coreografia.

Josh Heald, Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg, que criaram a série Cobra Kai a partir do filme original, voltam a mostrar um trabalho de roteiro simples, mas notável, mesmo em sua introdução de personagens apenas para divertir, como o de Raymond (Paul Walter Hauser), aproveitando referências oitentistas sem cair no lugar-comum (talvez as melhores sejam aquelas que lembram um videoclipe e A garota de rosa shocking). E, apesar do ótimo elenco juvenil e de Macchio, Henggeler e Kove apresentarem boas atuações, é William Zabka novamente que se destaca no papel de Johnny Lawrence, numa atuação por vezes comovente, quando se encontra, por exemplo, com os antigos amigos. Cobra Kai II ajuda não apenas a ver as coisas menos estáticas, como mostra que o tempo ainda pode trazer o melhor da sabedoria, seja em qual parte o indivíduo se encontra de sua vida. Na maior parte de sua narrativa despretensioso, por vezes bem-humorado, ele consegue alcançar pontos dramáticos que mesmo os filmes de cinema não atingiam.

Cobra Kai II, EUA, 2018 Diretores: Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Michael Grossman, Josh Heald, Jennifer Celotta Criadores: Josh Heald, Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg Roteiristas: Jason Belleville, Stacey Harman, Josh Heald, Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Kevin McManus, Matthew McManus, Luan Thomas, Joe Piarulli, Michael Jonathan Smith Elenco: Ralph Macchio, William Zabka, Courtney Henggeler, Xolo Maridueña, Mary Mouser, Tanner Buchanan, Jacob Bertrand, Gianni Decenzo, Peyton List, Nichole Brown Fotografia: Cameron Duncan Trilha Sonora: Leo Birenberg e Zach Robinson Duração: entre 22-36 minutos (10 episódios) Distribuidora: YouTube Red