Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (2014)

Por André Dick

Um pombo pousou.Filme 3Depois de receber o prêmio de melhor filme em Veneza, Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência passou a ter maior destaque. Com direção do sueco Roy Andersson, trata-se de uma das peças mais surrealistas já feitas depois dos filmes de Buñuel, uma espécie de A árvore da vida com quadros estáticos e tentando reunir características que sintetizem a existência humana. A inspiração original seria o quadro Os caçadores na neve, de Pieter Bruegel.
Pelo trailer, parecia que este complemento da trilogia iniciada com Canções do segundo andar, seguida por Eles, os vivos, era composto apenas por uma sequência de passagens estranhas; elas estão lá, mas de modo notavelmente humano. De maneira inesperada, o diretor coloca o espectador já diretamente dentro de um museu, observando um casal diante de animais empalhados. É esta espécie de configuração que irá permear toda a narrativa, que prossegue com três retratos da morte. Tudo é feito de maneira pausada, teatral, como nos dois primeiros filmes, com uma fotografia capaz de capturar o cenário como se fosse um quadro realmente, no qual se movem os seres humanos, mas sem muita vitalidade. Ele dialoga em alguns pontos com o extraordinário Amour fou, no qual a diretor Jessica Hausner retrata a tentativa de um poeta encontrar uma mulher interessada em seguir por um caminho extremo em nome do amor. A diferença é que Andersson realmente não está interessado em algum discurso, como ainda acontece na peça intermediária da trilogia, Eles, os vivos, e sim apenas nos gestos dos personagens enfocados.

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Filmes conceituais podem ser rigorosamente insuportáveis quando apenas parecem encaminhar uma sucessão de imagens pretensamente reflexivas; o caso de Um pássaro pousou… parece estar mais ligado a uma nova visão sobre pequenas ações que nos cercam e não possuem a devida importância (embora não deixará de ser insuportável para muitos espectadores que não ingressarem na proposta). E extremamente corrosivo ao apresentar a recepção da morte: numa das cenas, um homem cai ao chão depois de servir seu almoço e pesar a bandeja. As pessoas o olham a distância, e a moça do caixa pergunta se alguém quer o prato com a refeição pois já está paga. Estamos num cenário, como em todo o filme, quase surrealista, e as janelas lembram cabines. O ambiente, com a mesma cor em tom bege e uma claridade por vezes de uma luz quase teatral, é tão espantosamente estranha quanto a própria situação que se coloca, assim como a música “Battle Hymm of The Republic” soar como um anexo a alguns momentos.
Dois homens, Jonathan (Holger Andersson) e Sam (Nils Westblom), tentam vender bugigangas pelas ruas de Gotemburgo, inclusive dentes de vampiro. Eles querem oferecer diversão para as pessoas e discutem sobre os rumos das vendas. Enquanto isso, vemos imagens de uma professora de dança (Lotti Törnros) tentando conquistar um aluno (Oscar Salmomonsson), de um casal na praia acompanhado de um cão, de uma moça com um carrinho de bebê, de um homem que não para de vir à frente de um restaurante, a fim de observar as pessoas que estão dentro, independente da hora do dia. De repente, surge uma cavalaria com o rei Carlos XII ((Viktor Gyllenberg), a caminho da Rússia, adentrando num bar do qual as mulheres precisam sair para a entrada do homem em seu cavalo imponente. Seu interesse passa a ser não chegar ao campo de batalha, mas demonstrar interesse por uma pessoa que está no bar. Tudo isso pode ser patético, enfocando temas como a solidão, a tentativa de dominar o outro, de conquistar o afeto, e homens vão e voltam da guerra sem necessariamente transformar o mundo, ou mostrar seu poder, mas em sua estrutura Andersson conta parte da história de cada um de nós, ou seja, tudo parece disperso e, ao mesmo tempo, é coeso.

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Não por acaso,o diretor filma algumas imagens como se estivéssemos vendo o mesmo museu apresentado no início da narrativa – repare-se todos os cenários ao fundo, como se fizessem parte de uma grande maquete na qual os humanos apenas são bonecos colocados em posições estratégicas. A fotografia extraordinária de Gergely Pálos e István Borbás, de qualquer modo, acaba acrescentando um tom de comédia à situação – um humor patético – e o espectador vê os personagens como se estivessem se movimentando dentro de uma pintura, principalmente pela utilização de pontos referenciais no enquadramento (as mesas, cadeiras, portas, o chão, e o que aparece ao fundo de tudo e quase não pode ser notado). E, ao contrário de Eles, os vivos, Um pombo pousou… possui muito mais uma atmosfera concretamente de filme – no outro, Andersson dá a impressão de jogar com sua experiência em publicidade para tentar tornar pop a arthouse: neste, sentimos realmente a narrativa com densidade, com o que aparenta ser um fio quase transparente. A impressão de que sejam iguais não apenas visualmente pode conferir, no entanto me parece que o filme mais recente é muito melhor resolvido. Esta não é uma simples obra de scketches, e sim um panorama existencial.
A partir de determinados pontos, também não chegaria a julgar o roteiro de Andersson uma metáfora das crises sociais, o que redunda não raramente nos mesmos rótulos e imprecisões, para não dizer no maniqueísmo, que não tem relação com uma obra de arte. Um pombo pousou… se sente mais como uma espécie de pedido de atenção desses personagens. Para um deles, o simples fato de alguém tirar uma pedra do sapato pode ser o acontecimento do dia. Ele pergunta: “Você viu ela tirando a pedra do sapato”? O outro, ao lado, não vê nem tem interesse como ele. O espectador se sente com vontade de sorrir, no entanto ao mesmo tempo há um clima melancólico. Estamos inseridos dentro da repetição cotidiana e de momentos que não podem ser vistos apenas na superfície: para quem concorda com a proposta, Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência é, literalmente, uma grande peça.

En Duva Satt på en Gren och Funderade på Tillvaron/A pigeon sat on a branch reflecting on existence, Alemanha / França / Noruega / Suécia, 2014 Diretor: Roy Andersson Elenco: Holger Andersson, Jonas Gerholm, Lotti Törnros, Nils Westblom, Ola Stensson, Oscar Salomonsson, Roger Olsen Likvern, Viktor Gyllenberg Roteiro: Roy Andersson Fotografia: Gergely Pálos, István Borbás Trilha Sonora: Gorm Sundberg, Hani Jazzar Produção: Pernilla Sandström Duração: 101 min. Distribuidora: Mares Filmes Estúdio: Roy Andersson Filmproduktion AB

Cotação 5 estrelas

Homem-Formiga (2015)

Por André Dick

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A parceria dos estúdios Disney com a Marvel vem resultando numa sequência de filmes com os mais variados heróis: Thor, Homem de Ferro, Capitão América. Enquanto isso, paralelamente, a Fox tem feito franquias do Homem-Aranha continuamente, trocando o ator a cada cinco anos, quando não antes. No próximo ano, a DC Comics finalmente colocará em cena o duelo entre Batman e Superman, já visualizado nos quadrinhos de Frank Miller. No entanto, um dos heróis mais improváveis a sair dessa parceria da Marvel com Disney é outro. Enquanto Homem de Ferro, Thor e Capitão América, e ainda Hulk (que não possui ainda um filme solo com o ator atual, Mark Ruffalo), são bastante conhecidos, mesmo para quem não acompanha quadrinhos, o Homem-Formiga parecia, em primeiro lugar, não anunciar um projeto seguro. No início, foi chamado Edgar Wright para dirigi-lo. Wright é o responsável por filmes de grande humor, violência e ação, a exemplo de Chumbo grosso e Scott Pilgrim contra o mundo, principalmente em sua parceria com Simon Pegg, reproduzida também em Heróis de ressaca. É ainda Wright um dos responsáveis pelo roteiro de Homem-Formiga, ao lado de Jay Cornish, autor da história de As aventuras de Tintim, Adam McKay e Paul Rudd. No entanto, quem assumiu a direção foi o mais improvável ainda Peyton Reed. Enquanto ele possui um par de obras menos felizes (Abaixo o amor e Separados pelo casamento), também dirigiu Jim Carrey numa de suas melhores comédias pós-anos 90, o subestimado Sim, senhor, uma sátira também aos gurus da autoajuda.

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Esta influência de Reed e Wright, com humor, é a principal chamada de Homem-Formiga. Scott Lang (Paul Rudd) é um prisioneiro. Depois de liberado, quem o recebe de volta à vida é o amigo Luis (Michael Peña). Para infelicidade de Lang, ele tem planos de novos assaltos, com a ajuda dos amigos Kurt (David Dastmalchian), gênio da informática, e Dave (T.I.). Eles certamente formam algo que se assemelha a um trio pouco inclinado a invadir propriedades sem chamar a atenção. O personagem principal pretende rever a convivência com a  filha, Cassie (Abby Ryder Fortson), mas se depara com a antiga mulher, Maggie (Judy Greer, a mãe preocupada com os filhos dos filmes do verão norte-americano, a julgar também por Jurassic World), e o seu novo marido, o policial Paxton (Bobby Cannavale), que exigem dele um emprego e o pagamento da pensão. Ao mesmo tempo, Darren Cross (Corey Stoll) está fazendo experimentos, iniciados tempos atrás com Hank Pym (Michael Douglas), cuja filha Hope van Dyne (Evangeline Lilly) está à frente ainda da empresa que era dele e cujo desaparecimento da mulher ainda é um mistério. Cross não é alguém certamente confiável, pois está tentando reproduzir um experimento iniciado por Pym com partículas, a fim de criar o Yellowjacket, e o destino colocará Lang no rumo desses acontecimentos.
Diferente dos demais heróis da Marvel, o passado de Lang e o interesse que provoca é justamente por sua habilidade em roubos, em burlar sistemas a princípio invioláveis. Ao contrário dos demais, como o de Stark em revolucionar a tecnologia, ou Thor com seu entorno de disputa pelo poder de Asgard, ele pretende, por meio da possibilidade de ser o Homem-Formiga, em conseguir novamente ver a filha. Também não se transforma como esses heróis com um poder externo ou interno a ele, nem é picado por um inseto antes de adquirir poderes, nem é um cientista como Banner ou Stark. Ele simplesmente aceita usar o uniforme de Homem-Formiga e aprender a lidar com uma tropa de insetos, que ficam gigantes perto dele.

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Não estamos diante de Tropas estelares, de Paul Verhoeven, com sua compulsão por bílis de monstros; Homem-Formiga é para um público infantojuvenil. Ele tem diálogos maiores com Querida, encolhi as crianças – e os efeitos da Industrial Light & Magic se expandiram realmente 25 anos depois, embora o lado artesanal do filme de Johnston em 1989, ano em que inicia Homem-Formiga, tem seus méritos – na maneira como mostra, por exemplo, o herói em meio aos insetos num jardim caseiro. Ainda assim, a produção de Reed não se sente descartável, como muitos blockbsusters. Particularmente, mesmo que se considere Capitão América 2 uma grande conquista da Marvel, acompanhada por Guardiões da galáxia, Homem-formiga me pareceu o filme de herói solo mais interessante desta leva. Ele tem uma composição que parece acessível e pouco original, mas consegue lidar com a fórmula de maneira muito eficiente, não apenas em razão dos efeitos especiais excelentes, como também por causa do elenco e do design de produção situado entre o tecnológico e o caseiro (a moradia de Pym ou da filha de Lang, com um trem que trará uma das cenas-chave da produção, como já se vê no trailer). Do mesmo modo, o humor leve não soa forçado, nem mesmo em seus flashbacks, certamente um acréscimo de Edgar Wright, cujas histórias trazem certamente esse elemento, principalmente em Chumbo grosso e Scott Pilgrim. E há as referências à S..H.I.E.L.D. e à Hydra, assim como a participação de um dos personagens já vistos anteriormente em Capitão América e Os vingadores.
Talvez seja a simplicidade de Reed em lidar com elementos pouco originais e ainda contar com um elenco tão interessante que torna Homem-Formiga numa diversão superior ao que se espera. O ator Paul Rudd é, de longe, um dos comediantes mais subestimados de sua geração, com boas participações em O virgem de 40 anosA razão do meu afeto e As patricinhas de Beverly Hills. No início desta década, ele participou de Como você sabe, uma tentativa de James L. Brooks reproduzir Melhor é impossível, sem efetivamente conseguir, e depois o professor de As vantagens de ser invisível.

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Como o Homem-Formiga, ele consegue lidar com um aspecto bem humorado, no entanto sem querer repetir Robert Downey Jr. Ao seu lado, Michael Douglas consegue um bom papel, sem chamar atenção demais, equivalendo a Stanley Tucci em Capitão América na esperança de ter escolhido a pessoa certa para efetuar o que precisa, enquanto Evangeline Lilly tem uma composição agradável. Stoll é um vilão também plausível e há uma cena de ameaça num banheiro masculino que remete àquela do RoboCop dos anos 80. Além disso, o trio de amigos de Lang consegue ser interessante para o fluxo da narrativa.
Impressiona como Reed consegue utilizar todos esses elementos, junto com o elenco, na realização de um filme que coloca uma ideia a princípio apenas curiosa em um triunfo de técnica e bom humor. Não são poucas as vezes em que é surpreendente como ele coloca Lang entre o mundo das formigas e o mundo dos homens de maneira que a fantasia nunca soe excessiva, sobretudo nas sequências de confronto e mesmo quando ele precisa contar com a ajuda dos insetos para entrar nos lugares mais imprevistos, com o auxílio da fotografia excepcional de Rusell Carpenter, que recebeu um Oscar por Titanic, lembrado num determinado momento da trama. Do mesmo modo, Reed desenha essas sequências com uma agilidade grande, ao colocar o humor como válvula de escape. Neste sentido, Homem-formiga chega àquele limite muito difícil de ser traçado, entre um filme apenas meramente divertido e realmente bem feito; ele se inclina com êxito para a segunda característica.

Ant-man, EUA, 2015 Diretot: Peyton Reed Elenco: Paul Rudd, Michael Douglas, Corey Stoll, Evangeline Lilly, Michael Peña, Bobby Cannavale, Judy Greer Roteiro: Adam McKay, Edgar Wright, Joe Cornish, Paul Rudd Fotografia: Russell Carpenter Trilha Sonora: Christophe Beck Produção: Kevin Feige Duração: 117 min. Distribuidora: Walt Disney Pictures Estúdio: Big Talk Productions / Marvel Enterprises / Marvel Studios

Cotação 4 estrelas

Lugares escuros (2015)

Por André Dick

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No ano passado, David Fincher adaptou com ótima recepção de público e crítica o suspense Garota exemplar, escrito por Gillian Flynn. Apesar de Flynn colaborar diretamente no roteiro, a partir de determinado momento é possível que seu estilo é substituído claramente pelo de Fincher, na maneira de conduzir a narrativa e os personagens, em parte resultando numa decepção, pois em seus projetos anteriores o diretor havia conseguido um notável equilíbrio. Pouco tempo depois (o romance original é de 2009), Flynn tem outro romance adaptado para as telas do cinema, Lugares escuros. Como em Garota exemplar, trata-se de uma trama de mistério e de indagações, relacionadas desta vez a um passado um pouco mais longínquo.
Libby Day (Chalize Theron) é sobrevivente de um massacre ocorrido em 1985, em Kinnakee, no Kansas, no qual parte de sua família terminou morta. Desde então, ela tem conseguido vários ganhos financeiros a partir desse acontecimento, seja por meio de livros, seja por meio de programas de TV, porém chega-se ao limite, e suas economias cessaram. Ela é procurada por Lyle Wirth (Nicholas Hoult), líder do Kill Club, formado por integrantes obcecados por assassinatos e crimes nunca solucionados devidamente. Lyle é dono de uma lavanderia, mas decide dar a Libby todo o custo financeiro cobrado para ela cobaborar com novas informações para saber se o que aconteceu ou não no Kansas corresponde às informações das autoridades. Segundo a mesma Libby declarou aos 8 anos de idade, tudo aconteceu da forma como relatado à época. A partir daí, Libby decide visitar o irmão acusado pelos assassinatos, condenado à prisão, Ben (Corey Stoll).

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Ao mesmo tempo, a narrativa começa a lançar os flashbacks sobre sua vida familiar numa fazenda do interior. Nela, sua mãe, Patty (Christina Hendricks) convive com os problemas conflituosos de Ben (Tye Sheridan), aos 15 anos, e ainda Michelle (Natalie Precht) e Libby (Sterling Jerins). Esta tem um bom relacionamento com o irmão, que se vê envolvido com Diondra Wertzner (Chloë Grace Moretz) e Trey (Shanon Kook), integrantes de uma estranha seita. Decisivamente, Libby está interessada em remontar essa história como um quebra-cabeças, vendo inclusive onde entram seu pai, Runner (Sean Bridgers) e Krissi (Addy Miller), uma menina que, à época, teria acusado Ben de tê-la molestado – fazendo a notícia se espalhar por toda a escola. Há vários temas em Lugares escuros: hipotecas de fazendas, crianças ameaçadas e jovens desgovernados. E há o Kill Club, embora apenas no início, pouco explicado pela narrativa e com uma ideia severamente desperdiçada.
O diretor francês Gilles Paquet-Brenner faz uma sucessão de idas e vindas no tempo para entendermos a presença de Libby no dia do massacre, e para isso ele tem o auxílio da fotografia de Barry Ackroyd. Responsável por trabalhos de filmes com movimentação de câmera contínua, como Guerra ao terror e Capitão Phillips, Ackroyd tenta dar uma motivação a todos os momentos de Lugares escuros, com êxito em alguns momentos, e em outros nem tanto. Não há um grande alento nas imagens de Lugares escuros, mas, de algum modo, este clima oferecido pelo filme leva todos os personagens a uma espécie de afastamento da realidade.

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Tanto quanto o clube coordenado por Lyle – em mais uma boa atuação de Hoult, que também divide a cena de Mad Max com Theron –, essas figuras estão dominadas por uma faceta noturna. Libby se movimenta com dificuldade, sempre associada ao massacre, enquanto o irmão está na prisão. As lembranças da mãe não são menos pesadas, e Hendricks mais uma vez consegue atuar bem  num papel de determinado modo limitado. No entanto, é Sheridan e Moretz que conduzem o filme para o foco do mistério e se mostram mais uma vez bons atores, sobretudo Sheridan, depois de Amor bandido e Joe (uma grande falha com Nicolas Cage, quase salva por ele). Theron, por sua vez, tem uma boa presença de cena, embora seu personagem não seja muito diferente daqueles que já protagonizou: em muitos momentos, a gelidez de Libby impede o espectador de uma aproximação maior, como se ela fosse a responsável pela nave de Prometheus. Em parte, isso é necessário para o papel, contudo Theron exagera por vezes, repetindo alguns maneirismos de amargura já entrevistos em Jovens adultos; Hoult ao aparecer em cena, como em Mad Max, consegue recompor a narrativa, apesar de nunca usado como deveria.
Entende-se que Gillian Flynn teria feito um romance com acontecimentos improváveis, mas isso já transparecia em Garota exemplar, cuja parte final é próxima do desastroso. Se Paquet-Brenner não tem nem um traço do talento para o visual de Fincher, pode-se dizer que sua trama é mais árida e concentrada, ao contrário daquela apresentada em Garota exemplar.

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Esses personagens, a começar por Libby, não têm exatamente uma polidez: há um universo encoberto e mesmo sujo aqui, e Paquet-Brenner consegue retratá-lo com uma atmosfera por vezes assustadora, tendo como base a música de Gregory Tripi. Temos imagens da cidade grande e de clubes noturnos (inclusive o Kill Club) e elas não são diminuídas pelas imagens bucólicas do interior: nessas, pelo contrário, existe ainda uma ameaça maior, como se o lado campestre estivesse sempre em união com o urbano, nunca trazendo alívio aos personagens; a sua atmosfera é quase inabitável e habilmente incômoda. O espectador nunca se sente à vontade com sua variação de cenários, aparentemente sempre com o objetivo de cada um parecer preso à sua forma de agir. As improbabilidades do que acontece, reservadas a um suspense e a um thriller, não jogam o filme na vala comum; antes, fazem parte apenas do gênero, e o diretor consegue fazer uma sucessão contínua de novas informações se sobrepondo junto com a recuperação do passado. Uma pena o filme falhar em seus instantes finais, quando o diretor deixa as descobertas subentendidas e não recompõe a importância de cada personagem para o contexto. Ainda assim, Lugares escuros lança o espectador em meio a uma narrativa capaz de atrair a atenção e não aponta a necessidade de uma resolução definitiva para aquilo que aos poucos também se desmantelou na memória de Libby.

Dark places, FRA/EUA, 2015 Diretor: Gilles Paquet-Brenner Elenco: Charlize Theron, Nicholas Hoult, Chloë Grace Moretz, Christina Hendricks, Tye Sheridan, Corey Stoll, Drea de Matteo, Natalie Precht, Sean Bridgers, Shannon Kook, Sheri Davis, Sterling Jerins Roteiro: Gilles Paquet-Brenner Fotografia: Barry Ackroyd Trilha Sonora: Gregory Tripi Produção: Charlize Theron, Peter Safran, Stéphane Marsil Duração: 114 min. Distribuidora: Paris Filmes Estúdio: Cuatro Plus Films / Da Vinci Media Ventures / Denver and Delilah Productions / Exclusive Media Group / Hugo Productions / Mandalay Vision

Cotação 3 estrelas e meia

Eden (2014)

Por André Dick

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Há inúmeros filmes com a temática musical de fundo, inclusive mostrando uma determinada cena. Cameron Crowe é especialista nesse gênero, o que demonstra em Vida de solteiro, sobre o grunge em Seattle, e Quase famosos, sobre as bandas de rock dos anos 70. Mostrando os mesmos anos 70, temos também The Runaways, sobre o grupo homônimo, e Control, uma cinebiografia em preto e branco de Ian Curtis. Ainda há aqueles filmes que retratam astros tentando se manter depois que o sucesso já diminuiu, como a subestimada comédia romântica Letra e música, traduzindo a influência da música dos anos 80, ou sobre um determinado músico, no caso de Johnny & June, o compositor Johnny Cash, em grande atuação de Joaquin Phoenix.
Eden talvez seja o filme que melhor reproduza a sensação de um músico dividido entre a noite, na qual se abriga, e o dia, no qual tenta apenas conservar os relacionamentos iniciados à noite. Ele surge na persona de Paul Vallée (Félix de Givry), segundo entrevistas o alter ego do irmão da diretora Mia Hansen-Løve, Sven, que coescreveu o roteiro. Ela decidiu contar sua história de forma enviesada, mostrando envolvimento com a house-music e a música eletrônica no mesmo período em que estava surgindo o Daft Punk, nas figuras dos DJs Thomas (Vincent Lacoste) e Guy-Man (Arnaud Azoulay). A cena que começava a emergir em Paris incluía festas em navios ancorados e o que se convencionou chamar de French Touch. Para isso, Vallée se reuniu com o amigo Stan (Hugo Conzelmann), também músico, formando o Cheers, e o desenhista Cyril (Roman Kolinka), que desenhava para sua carreira ao mesmo tempo que criava histórias, e o amigo Arnaud (Vincent Macaigne).

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Conhecido como o filme que trataria do Daft Punk, Eden certamente não se restringe a isso. Nascida no início dos anos 80, Hansen-Løve, depois de Os pais de meus filhos e Adeus, primeiro amor, comprova ser uma cineasta claramente contemporânea: ela não está interessada em tecer elos óbvios entre os personagens, deixando a cargo do espectador selecionar uma narrativa das imagens. Nesse sentido, na primeira parte da história, intitulada “Paradise Garage”, vamos percebendo o interesse de Vallée por Louise (Pauline Etienne), sua relação com uma nova-iorquina, Julia (Greta Gerwig), seus desentendimentos com a mãe (Arsinée Khanjian). Todos esses relacionamentos vão se baseando em jogos aleatórios de montagem, em que cada um vai surgindo sem exatamente chamar a atenção para a sua presença.
O personagem de Vallée nunca se sente completo porque todos parecem estar de passagem – e Hansen-Løve consegue, por meio dessa sensibilidade de visão, colocar o espectador em meio a uma sensação de desamparo. Trata-se de um personagem pouco previsível, e Hansen-Løve mostra seu sonho de ser DJ e de tocar num clube lotado à noite como algo que faz parte de sua tentativa de esquecer não apenas uma vida com compromissos e sua vida acadêmica. No entanto, de forma paradoxal, ao agir dessa maneira Valeé sente exatamente falta do compromisso. Isso se manifesta na relação com Louise e Julia, das quais não consegue se desprender, mesmo que elas venham junto com o fluxo de sua vida conturbada.
Mais do que um filme sobre a cena musical registrada, Eden é retrata as perdas diante de um cenário que parece eterno e pode se mostrar, no fim das contas, efêmero. São notas desiludidas de uma cineasta que viveu o período por meio do envolvimento do irmão, o corroteirista, e tem um apreço por esta história adequado a seu tratamento para o retrato de tal círculo. Esta análise do que não é visto como espetacular no momento de sua criação ganha um diálogo com a presença de Arnaud, que mostra aos amigos o filme Showgirls, de Paul Verhoeven, bastante criticado à época de seu lançamento e que foi adquirindo, com o passar dos anos, um status de cult.

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É como se esses personagens, embora não tão considerados, fossem também parte da memória particular das pessoas. Se a trilha sonora traz composições como “One more time”, do Daft Punk, o que fica é justamente essa tentativa de o artista compor músicas entre a alegria e a melancolia, como diz Vallée em determinado momento. Associado a Inside Llewyn Davis por alguns, Eden é um filme que captura realmente a sensação de um período, e não se associa apenas a uma galeria de arte, com a obra dos irmãos Coen.
Há uma necessidade um pouco deslocada de Hansen-Løve separar o que considera alta e baixa cultura (a literatura e a música, neste caso), quando as artes, na verdade, se completam (o nome do personagem central lembra Paul Valéry), mas ela inegavelmente faz uma obra completamente imersiva. Talvez o espectador não seja especial admirador desse gênero musical (como é o meu caso); dito isso, ele traz a atmosfera exata de um lugar em que esta música soa, muito em razão do trabalho de fotografia de Denis Lenoir, e sabe, como Kechiche, em Azul é a cor mais quente, deixar o fluxo da narrativa levar seus personagens, embora sem a mesma sucessão de diálogos. Toda a parte do filme passada em Nova York, sobretudo no conhecido MoMA PS1, espaço para DJs, possui uma montagem ágil e, ao mesmo tempo, reflexiva, quando coloca os personagens de Vallée e Louise numa legítima crise de relacionamento, sem nenhuma espécie de exagero ou comedimento por parte de Hansen-Løve.
Não chegamos a ter simpatia especial pelas figuras apresentadas, mantendo-nos a distância; ainda assim, elas soam tão reais que essa distância parece diminuir, sugerindo uma proximidade. Isso proporciona uma sensação de passagem da juventude para a vida adulta de forma um tanto amarga – de qualquer modo, excepcional. Como Azul é a cor mais quente, a narrativa também utiliza saltos temporais, que pegam o espectador desprevenido e, não tendo visto soluções anteriores para as questões, acumula-se uma espécie de desapontamento temporal, sendo, por isso, a narrativa um pouco melancólica. Para isso, a atuação de Givry, central, é excelente, no entanto não ficam longe Kolinka, Etienne e Gerwig, bastante convincente como a amante americana de Paul. Não lembro de outra visão da juventude tão despretensiosa e impactante nos últimos anos, exceto, sob outro enfoque, As vantagens de ser invisívelEden tem uma noção muito grande de seu espaço e de sua passagem de anos, além de ver com nostalgia um período em que apenas alguns se destacaram, não diminuindo a importância de quem ajudou a fazer uma determinada cena. É uma obra em que os sentimentos são trabalhados de forma quase inexpressiva para que possam criar um impacto ainda maior no espectador que aceita a proposta de Hansen-Løve.

Eden, FRA, 2014 Diretor: Mia Hansen-Løve Elenco: Félix de Givry, Pauline Etienne, Vincent Macaigne, Roman Kolinka, Hugo Conzelmann, Zita Hanrot, Vincent Lacoste, Arnaud Azoulay, Paul Spera, Hugo Bienvenu, Sébastien Chassagne, Laurent Cazanave, Sigrid Bouaziz, Léa Rougeron, Olivia Ross, Pierre-François Garel, Claire Tran, Arsinée Khanjian, Greta Gerwig, Brady Corbet Roteiro: Mia Hansen-Løve, Sven Hansen-Løve Fotografia: Denis Lenoir Produção: Charles Gillibert Duração: 131 min. Distribuidora: Imovision Estúdio: CG Cinéma

Cotação 5 estrelas

 

Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível (2015)

Por André Dick

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Lançado durante o verão dos Estados Unidos, Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível se mostra mais uma tentativa de Brad Bird em dirigir filmes com humanos. Precedido por desenhos animados importantes, como O gigante de ferro, Os incríveis e Ratatouille, Bird estreou em Missão fantasma – Protocolo fantasma à frente de um elenco. Se o episódio que fez de Ethan Hunt não possui a mesma vibração da terceira parte, de J.J. Abrams, pode-se dizer que ele conseguiu acertar nas sequências de movimento incessante. Com grande divulgação da Walt Disney, aos poucos Tomorrowland foi sendo comparado a John Carter, principalmente pela bilheteria, que equivale, no momento, a pouco mais de seu orçamento e teria provocado, inclusive, o cancelamento das filmagens de um possível terceiro Tron. E, se John Carter foi injustamente menosprezado, a dúvida seria se Tomorrowland possui as mesmas características.
Como no quarto Missão: impossível, há problemas na elaboração de roteiro, que parecem, de certo modo, se repetir neste filme. A cargo de Damon Lindelof, a narrativa se concentra em viagens de tempo ou no espaço, típicas do roteirista e já mostradas em larga escala em Lost, Prometheus, Cowboys e aliens e Além da escuridão – Star Trek, sempre mesclando teorias enigmáticas. Mesmo assim, Tomorrowland se sente ainda como um respiro ao mostrar personagens em lugares diferentes, não exatamente interligados. Inicia com um homem chamado Frank Walker (George Clooney) contando para a câmera sobre uma experiência que teve em 1964 na feira New York World (onde quem vive o personagem é Thomas Robinson). Ele conhece David Nix (Hugh Laurie), para quem mostra sua criação, uma espécie de foguete para usar às costas, e Bird homenageia certamente Rocketeer nas cenas de voo, com o auxílio fundamental da belíssima fotografia de Claudio Miranda, que recebeu o Oscar por As aventuras de Pi.

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Recebendo um pino de metal das mãos de uma menina que está com Nix, Athena (Raffey Cassidy), o menino consegue avançar para um lugar chamado Tomorrowland, uma espécie de mundo futuro, paralelo ao que vivemos, com um design fabuloso. Em seguida, a narrativa, voltando ao presente, mostra uma menina, Casey Newton (Britt Robertson), que tenta ajudar o pai, Eddie (Tim McGraw), a não perder seu emprego na Nasa no Cabo Canaveral, cujo rumo se encontra indefinido. Em determinado instante, ela entra em contato com o mesmo pino entregue a Walker em 1964, e, consequentemente, com Tomorrowland. As cenas do primeiro contato de Casey com esse universo são muito bem pensadas por Bird, sobretudo quando ela se encontra no carro ao lado do pai, ou quando chega em casa e decide ver novamente o funcionamento do pino. A partir de poucos elementos, percebe-se que Bird tem uma compreensão exemplar sobre o cinema infantojuvenil feito a partir da década de 1980, com E.T. – O extraterreste, Os Goonies – o pino é como se fosse o medalhão da caveira, que atrai para um mundo em que as riquezas podem ser descobertas no porão de uma casa à beira-mar – e, sobretudo, Super 8, a revisitação de Abrams para esses anos. Seguida pela mesma menina Athena, Casey chega a uma memorabilia em Houston, onde encontra Hugo (Keegan-Michael Key) e Ursula (Kathryn Hahn), que estão interessados no objeto capaz de efetuar esse deslocamento para um universo paralelo, e Bird desta vez estabelece um diálogo com Matrix, sobretudo por meio dos homens que estão no encalço da personagem, de terno e gravata.
A dúvida, em seguida, é saber como as histórias de Walker e Casey vão se conectar, e Brad Bird aponta sempre para uma sucessão de encontros, fugas e alguma ação muito bem conduzida, como já havia ficado claro em seu Missão: impossível. Enquanto isso há tentativas de divertimento no difícil contato entre Casey e Athena, que se revela uma androide mais otimista.

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Ela representa o avesso do David Bowman, de Prometheus; seu sonho parece ser acreditar na humanidade e sonha fazer parte dela. Não é difícil imaginar por que o nome Athena remete tanto à deusa grega da guerra, da civilização e da sabedoria, quanto ao nome de uma família de foguetes da Nasa. A atuação de Raffey Cassidy concede à personagem uma insuspeita humanidade centrada principalmente que ela conserva dos seres humanos, tentando buscá-los para que Tomorrowland possa sobreviver, não apenas como um universo paralelo. Ela recebe a contrapartida de Britt Robertson na maioria das cenas, uma atriz capaz de lidar de forma intensa com as cenas de ação.
O que Bird mais trabalha é justamente com a tentativa de o ser humano dominar seu futuro sem ter controle efetivo sobre seu passado e seu presente. E o faz de maneira interessante ao justapor o que seria o objetivo do criador da Disney, o Epcot Center, com este universo fantasioso, Tomorrowland, feito por pessoas com capacidade de sonhar. Avança neste terreno a sequência em que os personagens, em determinado momento, conhecem uma sala secreta na Torre Eiffel em Paris, com os manequins de Jules Verne (escritor francês), Nikola Tesla (criador da engenharia mecânica e eletrotécnica), Gustave Eiffel (engenheiro) e Thomas Edison (que, entre outras criações, fez o cinematógrafo), que teriam sido os fundadores da Plus Ultra, um grupo de sonhadores. Neste ponto, Tomorrowland adota uma clara influência de obras como Da terra à lua, de Jules Verne, assim como dialoga com a cinematografia de Meliès (numa associação direta com A invenção de Hugo Cabret). Essa sequência desenhada por Bird através de um gráfico esplendoroso de imagens coloca Paris como fonte de parte da criação humana e do sonho com um futuro ainda distante. É uma clara homenagem de Lindelof, um especialista em fazer essas referências, e Bird a alguns dos descobridores da modernidade. Neste ponto, o filme também dialoga com O gigante de ferro, estreia de Bird, em que o robô se alça ao espaço de maneira incontornável; em Tomorrowland o foguete que irrompe da Torre Eiffel é uma versão fantasiosa espetacular da Nasa.

Tomorrowland 2

Tomorrowland 5

Tomorrowland 3

Mais do que o roteiro em parte confuso, principalmente depois dos dois primeiros atos bastante trabalhados, para desencadear em um terceiro mais apressado, Tomorrowland tem as características do trabalho de escrita de Lindelof também no que se refere à caracterização dos personagens. As personagens de Walker e são desenhadas com o mínimo de características, e ainda se sustentam, enquanto Walker se mostra um homem ameaçado pelo que pode vir a ser o futuro, em razão da presença de Clooney bastante envelhecido, e Tomorrowland um registro de que seus sonhos podem ser ainda alcançados. Trata-se de um personagem bastante humano, escondido em sua casa diante de monitores de televisão com notícias ruins, e ainda mais: Tomorrowland, que visualiza o futuro, é, na verdade, a lembrança de seu passado e o que marcou sua vida. A personagem de Athena representa tudo aquilo que ele imaginava ser diferente. Por isso, a partir desses personagens distintos dos que encontramos em blockbusters, Tomorrowland se sente como um filme que mistura diversos estilos e não necessariamente é indicado para crianças, jovens ou adultos, pelo menos especificamente. Bird, junto com Lindelof, prefere a estranheza de uma narrativa que parece em movimento e, por outro lado, é apegado a uma visão tão alegre quanto melancólica das coisas que nos cercam. Daí a sua mensagem de pano de fundo se sentir como algo ao mesmo tempo possível e ilusório, pois cada indivíduo necessita de sua imaginação, como também de sua praticidade. Há uma espécie de ambiente onírico ao longo de todo o filme de Bird, e é nisso que se concentra seu maior acerto: cada um desses personagens sugere que seu futuro é um sonho a ser construído.

Tomorrowland, EUA, 2015 Diretor: Brad Bird Elenco: George Clooney, Britt Robertson, Raffey Cassidy, Hugh Laurie, Thomas Robinson, Tim McGraw, Keegan-Michael Key, Kathryn Hahn Roteiro: Damon Lindelof, Jeff Jensen Fotografia: Claudio Miranda Trilha Sonora: Michael Giacchino Produção: Brad Bird, Damon Lindelof, Jeff Jensen Duração: 129 min. Distribuidora: Disney Estúdio: A113 / Walt Disney Pictures

Cotação 3 estrelas e meia