Resultados do Oscar 2019

Por André Dick

Dos possíveis candidatos ao Oscar que apontei em setembro de 2018 (neste post), quatro chegaram às indicações de melhor filme: Infiltrado na KlanNasce uma estrela, A favorita e Roma. Das repescagens, Pantera Negra e Vice (à época chamado de Backseat). No entanto, as grandes surpresas foram O primeiro homem e Se a Rua Beale falasse, dos diretores que em 2017 quase conquistaram juntos o Oscar de melhor filme por La La Land e Moonlight, lembrados em várias premiações, serem deixados de lado.
Este foi um Oscar surpreendente. Certamente poucos apostavam que Bohemian Rhapsody saísse com o maior número de estatuetas (quatro), seguido por Pantera Negra Green Book – O guia, cada um com três, ao lado de Roma. Interessante é a Academia, no momento menos prestigiado de sua história, recorrer a dois sucessos de bilheteria para manter sua atenção (veremos como isso se refletiu na audiência). Uma curiosidade, pouco recorrente: todos os indicados a melhor filme saíram com pelo menos um prêmio, quando normalmente dois ou três candidatos não saem com nenhum. Apenas se lamenta que o melhor filme de 2018, particularmente, Nasce uma estrela, tenha saído apenas com uma estatueta, depois de ver esvaziado seu hype justamente na época das premiações.
A falta de um apresentador prejudicou substancialmente a festa, que não tinha ninguém para dialogar ou interagir com a plateia e mesmo com o que nela transcorria. Apenas uma voz anunciando a entrada dos atores parecia impessoal, que anunciavam os candidatos para mostrar o resultado como se corressem contra o tempo. Algumas apresentações musicais foram ótimas (como a de “Shallow”), o show inicial do Queen, assim como as participações de Melissa McCarthy (apresentando uma categoria vestida com um figurino espalhafatoso que remetia à rainha de A favorita), Tina Fey, Ana Poehler e Maya Rudolph (que poderiam ter apresentado perfeitamente todo o show) e entre os agradecimentos se destacaram os de Olivia Colman (realmente surpresa), Regina King e Rami Malek. Cuarón, com o feito de conseguir três Oscars, parecia sem qualquer entusiasmo, mostrando que ele privilegia uma certa simetria que há em seus filmes, sem destoar muito do script, o que é uma pena. Foi uma festa sem emoção, talvez a mais mal organizada que vi desde o ano em que passei a acompanhar o Oscar, em 1987.

Melhor filme

A seleção deste ano tem filmes excelentes (RomaNasce uma estrela) dois ótimos (A favorita e Green Book – O guia), dois muito bons (Infiltrado na Klan e Bohemian Rhapsody) e um historicamente interessante e bem interpretado (Vice), apesar de abaixo do esperado, além do sucesso de bilheteria Pantera Negra.
O prêmio dado a Green Book – O guia, de Peter Farrelly, não foi totalmente merecido, mas nem de longe é questionável, levando em conta sua qualidade de atores, narrativa e roteiro. Certamente ele lida com temas sensíveis de modo politicamente incorreto. No entanto, o mais impactante é alguns considerarem um filme preconceituoso, quando, na verdade, mostra parte da trajetória de um pianista afroamericano, Don Shirley, de grande talento e sua amizade com um italiano racista que, aos poucos, compreende o que está em jogo. Que se considere Pantera Negra, um personagem fictício, mais importante e historicamente mais excepcional do que ele é uma incógnita típica da cultura pop. Questionável, a partir disso, é O discurso do rei ganhar de A rede social, Cisne negro e Bravura indômita, ou Argo vencer A hora mais escura, Django livre, Amor e O lado bom da vida, e Spotlight derrotar O regresso. Spike Lee teria se irritado com a premiação. Faz sentido. Há um momento em que Tony, o motorista interpretado por Viggo Mortensen, aconselha o pianista feito por Mahershala Ali a ouvir nomes da música negra da época, a exemplo de Aretha Franklin, Chubby Checker e Little Brown, para fugir um pouco do seu universo clássico de compositores como Chopin, o que soa um pouco forçoso, visto que é como se a figura do afro-americano tivesse de ser guiada pela do branco que aprendeu a reconhecer culturas híbridas. Mas, na verdade, é quase o discurso oposto que Spike Lee apresentava em Faça a coisa certa, quando o personagem do entregador de pizza que interpretava apontava a seu chefe, um pizzaiolo italiano, que seus ídolos eram predominantemente afrodescendentes. Lee sabe, claro, que Peter Farrelly está fazendo uma provocação indireta a ele e sua obra.

Novamente a Academia não atinge 10 concorrentes. Nas duas vagas não preenchidas, os votantes poderiam ter lembrado de Suspiria, de Luca Guadagnino (que recebeu os prêmios de melhor fotografia e elenco no Independent Spirit Awards), O primeiro homem (ignorado em categorias principais, como de diretor, ator e atriz coadjuvante), Se a Rua Beale falasse (com direção, atuações centrais e parte técnica primorosas), Querido menino (com a melhor atuação de um ator coadjuvante do ano, de Timothée Chalamet), Creed II (com grandes atuações de Michael B. Jordan, Tessa Thompson e Sylvester Stallone), A balada de Buster Scruggs (indicado a três Oscars, mas que merecia melhor recepção), No portal da eternidade (com uma fotografia e direção de arte fora de série), 22 de julho (melhor trabalho de Paul Greengrass, já lembrado pelo Oscar em Voo United 93 e Capitão Phillips), Hereditário (com destaque para Toni Colette e o design de produção) e Vida selvagem (estreia na direção do ator Paul Dano). Eu daria mais destaque a Jogador Nº 1 e Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald, menosprezados mesmo nas categorias técnicas.

Melhor diretor

O grande vencedor foi Alfonso Cuarón, por Roma, já premiado anteriormente com Gravidade. É um feito extraordinário que, desde 2015, três mexicanos tenham recebido o Oscar de diretor: Iñárritu por Birdman e O regresso, Guillermo del Toro por A forma da água e agora ele. Praticamente é a visão autoral do cinema originário do México se estabelecendo em Hollywood. Considero seu trabalho impecável, também à frente da fotografia e do roteiro. O grego Lanthimos já havia sido indicado pelo roteiro de O lagosta e por filme estrangeiro em Dente canino. Sua indicação foi bastante merecida por A favorita e reserva uma possível trajetória cada vez mais exitosa em Hollywood, assim como Pawel Pawlikowski ter sido incluído entre os indicados por Guerra fria pode significar sua entrada no mercado norte-americano, mesmo que pareça mais independente que Cuarón e Lanthimos. Spike Lee já fez trabalhos muito melhores que Infiltrado na Klan, como Faça a coisa certa, Malcolm X e Oldboy, mas, de qualquer modo, foi um concorrente à altura. Já o mediano McKay ocupou a vaga de vários possíveis candidatos: Luca Guadagnino (Suspiria), Lynne Ramsay (Você nunca esteve realmente aqui), Bradley Cooper (Nasce uma estrela), Paul Dano (Vida selvagem), Damien Chazelle (O primeiro homem), Felix Van Groeningen (Querido menino), Paul Greengrass (22 de julho) e Joel e Ethan Coen (A balada de Buster Scruggs).

Melhor ator

Embora quase não tenha uma carreira no cinema, sendo mais conhecido pela série Mr. Robot, pela qual recebeu vários prêmios, Rami Malek levou Bohemian Rhapsody a se superar nesta temporada de premiações. Suas atuações em O mestre e em Buster’s mal heart são excepcionais, recorrendo a trabalhos anteriores dessa sua performance detalhista baseada em Freddie Mercury. Ele superou o favoritismo de Christian Bale depois do Critics Choice Awards, abalado pela perda do SAG. Bale realmente não parecia merecer o prêmio (difícil separar onde inicia a atuação e onde acaba o overacting), que eu daria para Viggo Mortensen, por Green Book, ou Bradley Cooper, por Nasce uma estrela. Willem Dafoe fez também um ótimo Van Gogh em No portal da eternidade. A Academia volta a manifestar sua antipatia por Ethan Hawke, premiado no Independent Spirit Awards por Fé corrompida, e Steve Carell, esquecido por Querido menino. Também John David Washington em Infiltrado na Klan, Michael B. Jordan no subestimado Creed II e Joaquin Phoenix em Você nunca esteve realmente aqui estavam melhores que Bale.

Melhor atriz

Glenn Close era a grande favorita. Depois de várias indicações nos anos 80 (O mundo segundo Garp, O reencontro, Um homem fora de série, Atração fatal e Ligações perigosas), e uma nesta década (Albert Nobbs), Close parecia que ia conseguir finalmente o prêmio mais importante da indústria de cinema. Isso não aconteceu: sua atuação não merece, e seu filme, A esposa, é apenas bom. Mesmo Lady Gaga tendo uma atuação muito superior às outras candidatas (e não recebeu o prêmio por preconceito a artista pop que se arrisca em atuar e por ser seu primeiro papel de destaque no cinema, ao contrário de Cher, vencedora da categoria por Feitiço da lua, que já havia aparecido em Silkwood, Marcas do destino e As bruxas de Eastwick), é valoroso lembrar de Melissa McCarthy, a segunda melhor atuação da categoria, por Poderia me perdoar?, e de Yalitza Aparicio, a grande figura de Roma: sua indicação é um reconhecimento. Vencedora em Veneza e do BAFTA, Olivia Colman venceu por A favorita, mesmo não sendo a atriz principal e sim Emma Stone, certamente indicada a coadjuvante porque já ganhou há poucos anos com La La Land. Seu agradecimento foi o melhor momento do show. Acrescento entre as atrizes que poderiam ter sido lembradas: Rosamund Pike (A private war), Elsie Fisher (Eighth grade), Toni Collette (Hereditário), Viola Davis (As viúvas), Juliette Binoche (Deixe a luz do sol entrar), Regina Hall (Support the girls), Carey Mulligan (Vida selvagem) e Charlize Theron (Tully).

Melhor ator coadjuvante

Indicado no ano passado por Me chame pelo seu nome na categoria de melhor ator, Timothée Chalamet poderia ter regressado nessa categoria com uma performance realmente extraordinária, em Querido menino; acabou sendo preterido. Mahershala Ali já havia ganho o prêmio por Moonlight e merecidamente ganha o segundo; sua atuação é repleta de detalhes e sustenta boa parte do filme. Sam Elliott teve uma presença rápida, mas marcante, em Nasce uma estrela. Adam Driver e Sam Rockwell, por Infiltrado na Klan e Vice, respectivamente, não mereciam ser indicados, ocupando possíveis vagas para Steve Carell (Vice), Nicholas Hoult (A favorita), Daniel Kaluuya (As viúvas), Jesse Plemmons (A noite do jogo), Robert Pattinson (Damsel), Jeff Bridges (Maus momentos no Hotel Royale), Ed Oxenbould (Vida selvagem), Russell Crowe (Boy erased), Sylvester Stallone (Creed II) e Jonas Strand Gravli (22 de julho).

Melhor atriz coadjuvante

Regina King confirmou o favoritismo por Se a Rua Beale falasse, mas as melhores atuações eram as de Emma Stone e Rachel Weisz em A favorita, tornando a presença de suas personagens no melhor embate da temporada. Amy Adams não merecia ser indicada por Vice, nem Marina de Tavira por Roma, tirando a vaga de atrizes como Olivia Cooke (Puro-sangue), Zoe Kazan (A balada de Buster Scruggs), Rachel McAdams (Desobediência), Tilda Swinton (Suspiria), Elizabeth Debicki (As viúvas) e Nicole Kidman (Boy erased).

Melhor roteiro original

Apesar de o roteiro de A favorita ter mais camadas narrativas, o vencedor, Green Book, assinado por Brian Hayes Currie, Peter Farrelly e Nick Vallelonga, é simples e, ao mesmo tempo, lida com temas complexos. A grande falha é a inclusão de McKay nessa categoria, por um roteiro no máximo competente em Vice.

Melhor roteiro adaptado

Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott venceram por Infiltrado na Klan, embora Nasce uma estrela Se a Rua Beale falasse tenham melhor desenvolvimento e o dos Coen para A balada de Buster Scruggs, premiado no Festival de Veneza, seja memorável. Spike Lee nunca havia recebido um Oscar, o que, por sua trajetória, era injusto.

Melhor filme estrangeiro

Há anos não havia um favorito tão grande quanto Roma (talvez o último tenha sido Amor). Seu concorrente principal era Guerra fria, também com uma extraordinária fotografia em preto e branco. Imagino que a péssima distribuição de A árvore dos frutos selvagens, de Ceylan, que estreou apenas este ano nos Estados Unidos, tenha colaborado na sua não nomeação (o filme de Ceylan é melhor que o de Cuarón).

Melhor animação

Há filmes inventados pela crítica e Homem-Aranha no aranhaverso é um deles. É recebido como uma animação inovadora, mas neste campo aquela que se destaca é Ilha dos cachorros, de Wes Anderson. Sou apreciador de Os incríveis 2 e WiFi Ralph – Quebrando a Internet também, muito bem solucionados em sua despretensão.

Melhor documentário em longa-metragem

Free Solo

Melhor documentário em curta-metragem

Period. End of sentence

Melhor curta em animação

Bao

Melhor curta-metragem

Skin

Melhor fotografia

Alfonso Cuarón recebeu o seu Oscar por Roma, mesmo que minha aposta fosse em Lukasz Zal, por Guerra fria, ambos com fotografia em preto e branco. O trabalho de Robbie Ryan em A favorita e Matthew Libatique em Nasce uma estrela eram notáveis, o que aumenta a qualidade da vitória. Lembremos que, no ano passado, Paul Thomas Anderson fez a fotografia também de seu excepcional Trama fantasma e não foi indicado. Na época, disseram que era por uma “defesa” dos diretores de fotografia.

Melhor trilha sonora

A vitória de Ludwig Goransson por Pantera Negra deve ter quebrado com algumas bolsas de aposta. O favorito era Nicholas Britell, pela trilha irretocável de Se a Rua Beale falasse, e Alexandre Desplat tinha um belo trabalho em Ilha dos cachorros, assim como Terence Blanchard em Infiltrado na Klan. O melhor trabalho, no entanto, de Justin Hurwitz, de O primeiro homem, sequer tinha sido indicado.

Melhor canção original

A performance da noite foi a do grande vencedor desta categoria, “Shallow”, de Nasce uma estrela, cantada por Bradley Cooper e Lady Gaga. Deve-se considerar que “When a Cowboy Trades his Spurs for Wings”, de A balada de Buster Scruggs também é muito bela.

Melhor design de produção

Hannah Beachler e Jay Hart ganharam por Pantera Negra, superando A favorita, Roma, O primeiro homem e O retorno de Mary Poppins, todos trabalhos de alto nível. Fico um pouco em dúvida quanto ao uso de CGI, de excesso de computação gráfica, como trabalho de design de produção tão sofisticado quanto aquele com objetos reais. A favorita, por exemplo, lembra Barry Lindon em seus detalhes e O primeiro homem simplesmente reproduz as salas e corredores da Nasa nos anos 60.

Melhor figurino

Quem venceu foi Ruth E Carter, por Pantera Negra, superando A favorita e Duas rainhas, principalmente, além de O retorno de Mary Poppins. Com influência do figurino de O jardineiro fiel e Rainha de Katwe, Carter mescla influências de costura africana com elementos futuristas.

Melhor edição

O trabalho de John Ottman em Bohemian Rhapsody não tem a agilidade de Green Book – O guia e é cronologicamente confuso, no estabelecimento de algumas fases da banda e alguns shows dos quais ela participou. O trabalho de Vice era muito bom, no sentido frenético.

Melhor maquiagem e cabelo

Merecido prêmio para Vice, com um trabalho de caracterização de Dick Cheney em Christian Bale e George W. Bush em Sam Rockwell irretocável.

Melhor edição de som

O grande vencedor foi Bohemian Rhapsody, superando o favoritismo de O primeiro homem. É um trabalho competente e consegue lidar com materiais de gravação do Queen com sons criados especialmente para a obra.

Melhor mixagem de som

Novamente o grande vencedor foi Bohemian Rhapsody, superando o favoritismo de O primeiro homem.  A obra de Chazelle parecia mais detalhista neste quesito e possui uma função na narrativa que não há na obra de Singer. No entanto, o melhor trabalho nesse campo parece estar em Nasce uma estrela, com seu uso poderoso e menos artificial do som dos espetáculos e dos eventos a que os personagens comparecem na narrativa, mais realista.

Melhores efeitos visuais

O único Oscar de O primeiro homem veio na categoria em que mais merecia. Duvidar de sua vitória frente a trabalhos questionáveis e que sequer deveriam ter sido lembrados nesta categoria (com seu excesso de CGI e de má qualidade) não parecia plausível. Seu único concorrente forte era Jogador Nº 1, sobretudo por causa da cena que homenageia uma obra de Kubrick, antológica. A obra de Chazelle talvez seja a primeira a recuperar momentos de verdadeira angústia no espaço desde 2001 – Uma odisseia no espaço, uma referência clara no pouso da lua, além de muitos serem extremamente próximos da realidade (os experimentos com os astronautas, tendo à frente Neil Armstrong). Este é um dos filmes mais injustiçados pelo Oscar.

Possíveis vencedores do Oscar 2019

Por André Dick

Gosto tanto da seleção do Oscar deste ano quanto a do ano passado. Há excelentes filmes (Roma e Nasce uma estrela), dois ótimos (Green Book – O guia e A favorita), e os demais com qualidades, alguns com mais, outros com menos. Uma lista com 10 indicados seria bem-vinda, principalmente com a inclusão de Querido menino, A balada de Buster Scruggs, Vida selvagem, No portal da eternidade ou Suspiria.
Dos indicados, a disputa vai ficar, ao que tudo indica, entre Roma, Green Book – O guia e, com menos chances, A favorita. Pessoalmente, seria uma surpresa Vice, Pantera Negra e Bohemian Rhapsody vencerem, isto é, Infiltrado na Klan tem chances se conseguir os Oscars de trilha sonora e roteiro adaptado. Já Nasce uma estrela teve seu hype inicial reduzido, na temporada de premiações, à categoria de melhor canção, e o trabalho de Bradley Cooper foi praticamente ignorado. No caso de Pantera Negra, a Academia pensava em criar uma categoria para possivelmente premiá-lo (melhor filme pop), ou seja, dificilmente ele sairá sem uma estatueta. A grande incógnita é quantas estatuetas serão dadas a Alfonso Cuarón. Como os Oscars de melhor diretor e filme estrangeiro muito possivelmente serão dele, não sei se a Academia terá interesse de consagrá-lo ainda com melhor filme principal, fotografia ou roteiro, inclusive porque ele já recebeu o prêmio por Gravidade; acredito que não. É basicamente esta divisão de prêmios que vai definir o Oscar. Se não quiserem consagrar de modo absoluto Cuarón, Roma não irá vencê-lo, ficando com Green Book. Abaixo, quem VAI ganhar, PODE ganhar e DEVERIA ganhar em cada categoria principal, em escolhas pessoais (destaco a imagem do filme preferido).

Melhor filme

Vai ganhar: Green Book – O guia

Pode ganhar: Roma

Deveria ganhar: Nasce uma estrela

Melhor diretor

Vai ganhar: Alfonso Cuarón (Roma)

Pode ganhar: Spike Lee (Infiltrado na Klan)

Deveria ganhar: Alfonso Cuarón (Roma)

Melhor ator

Vai ganhar: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

Pode ganhar: Christian Bale (Vice)

Deveria ganhar: Viggo Mortensen (Green Book – O guia)

Melhor atriz

Vai ganhar: Glenn Close (A esposa)

Pode ganhar: Lady Gaga (Nasce uma estrela)

Deveria ganhar: Lady Gaga (Nasce uma estrela)

Melhor ator coadjuvante

Vai ganhar: Mahershala Ali (Green Book – O guia)

Pode ganhar: Sam Elliott (Nasce uma estrela)

Deveria ganhar: Mahershala Ali (Green Book – O guia)

Melhor atriz coadjuvante

Vai ganhar: Regina King (Se a Rua Beale falasse)

Pode ganhar: Rachel Weisz (A favorita)

Deveria ganhar: Emma Stone (A favorita)

Melhor roteiro original

Vai ganhar: Deborah Davis e Tony McNamara (A favorita)

Pode ganhar: Brian Hayes Currie, Peter Farrelly e Nick Vallelonga (Green Book – O guia)

Deveria ganhar: Deborah Davis e Tony McNamara (A favorita)

Melhor roteiro adaptado

Vai ganhar: Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel e Kevin Willmott (Infiltrado na Klan)

Pode ganhar: Nicole Holofcener e Jeff Whitty (Poderia me perdoar?)

Deveria ganhar: Bradley Cooper, Will Fetters e Eric Roth (Nasce uma estrela)

Melhor filme em língua estrangeira

Vai ganhar: Roma (México)

Pode ganhar: Guerra fria (Polônia)

Deveria ganhar: Roma (México)

Melhor animação

Vai ganhar: Homem-Aranha no aranhaverso 

Pode ganhar: Os incríveis 2

Deveria ganhar: Ilha dos cachorros

Melhor fotografia

Vai ganhar: Lukasz Zal (Guerra fria)

Pode ganhar: Alfonso Cuarón (Roma)

Deveria ganhar: Alfonso Cuarón (Roma)

Melhor trilha sonora

Vai ganhar: Nicholas Britell (Se a Rua Beale falasse)

Pode ganhar: Terence Blanchard (Infiltrado na Klan)

Deveria ganhar: Nicholas Britell (Se a Rua Beale falasse)

Melhor canção

Vai ganhar: “Shallow” (Nasce uma estrela)

Pode ganhar: “All the Stars” (Pantera Negra)

Deveria ganhar: “Shallow” (Nasce uma estrela)

Melhor design de produção

Vai ganhar: Pantera Negra

Pode ganhar: A favorita

Deveria ganhar: A favorita

Melhor figurino

Vai ganhar: A favorita

Pode ganhar: O retorno de Mary Poppins

Deveria ganhar: A favorita

Melhor edição

Vai ganhar: Green Book – O guia

Pode ganhar: Vice

Deveria ganhar: Green Book – O guia

Melhor mixagem de som

Vai ganhar: Nasce uma estrela

Pode ganhar: Bohemian Rhapsody

Deveria ganhar: Nasce uma estrela

Melhor edição de som

Vai ganhar: O primeiro homem

Pode ganhar: Bohemian Rhapsody

Deveria ganhar: O primeiro homem

Melhor maquiagem e cabelo

Vai ganhar: Vice

Pode ganhar: Border

Deveria ganhar: Vice

Melhores efeitos visuais

Vai ganhar: O primeiro homem

Pode ganhar: Jogador Nº 1

Deveria ganhar: O primeiro homem 

Green Book – O guia (2018)

Por André Dick

O diretor Peter Farrelly ficou conhecido por sua parceria com o irmão Bobby à frente de filmes como Debi & Loide, O amor é cego e Eu, eu mesmo e Irene. Depois de alguns exemplares que pareceram retroceder a qualidade da comédia em sua carreira (a continuação de Debi & Loide, Passe livre e Os três patetas), Peter decidiu fazer uma obra à parte de de sua trajetória. Green Book – O guia foi o resultado. Lançado no Festival de Sundance, onde foi escolhido como melhor filme, ele mostra dois personagens que existiram na vida real.
Frank Vallelonga (Viggo Mortensen), mais conhecido como Tony Lip, é um italiano do Bronx, casado com Dolores (Linda Cardellini), que é escolhido como motorista da turnê do pianista “Doc” Don Shirley (Mahershala Ali). O primeiro encontro entre os dois se dá no apartamento de Don Shirley, em cima do Carneggie Hall, onde esse surge vestido com um figurino de origem africana. Pelo tom escolhido por Farrelly, muito leve, talvez seja necessário avaliar que não há um enfoque excessivamente político nas escolhas dele. Com um roteiro de diálogos ágeis, Green Book é quase uma reminiscência dos antigos filmes de Hollywood, uma espécie de road movie nos moldes que Farrelly já fez em Eu, eu mesmo e Irene e Debi & Loide com paisagens que lembram uma espécie de sonho norte-americano perdido.

A princípio, Vallelonga é um italiano racista, mas Farrelly quer mostrá-lo como aquele que, de certo modo, vai fazer Don Shirley se autodescobrir realmente. Isso soa em parte forçado, com uma certa condescendência. No entanto, Green Book é um exemplar de cinema despretensioso em relação ao qual o espectador acaba relevando certas inconsistências de roteiro e mesmo a mensagem de pano de fundo às vezes previsível até demais. Ele tem, além de uma atmosfera trabalhada, com uma fotografia sensível de Sean Porter, que lembra a de obras recentes como Carol e Fome de poder, uma espécie de equilíbrio entre tons narrativos que não é fácil de conseguir, principalmente no cinema contemporâneo, muito mais rápido e quase sem elementos clássicos.
O debate cultural, no entanto, quando Tony aconselha o pianista a ouvir nomes da música negra da época, a exemplo de Aretha Franklin, Chubby Checker e Little Brown, para fugir um pouco do seu universo clássico de compositores como Chopin, soa um pouco forçoso, visto que é como se a figura do afro-americano tivesse de ser guiada pela do branco que aprendeu a reconhecer culturas híbridas. No entanto, é quase o discurso oposto que Spike Lee apresentava em Faça a coisa certa, quando o personagem do entregador de pizza que interpretava apontava a seu chefe, um pizzaiolo italiano, que seus ídolos eram predominantemente afrodescendentes. No entanto, ao contrário de Lee, Farrelly não chega a ser contundente ao abordar esses temas.

Sob outro ponto de vista, isso parece exatamente proposital, com uma qualidade inegavelmente certeira e voltada aos enquadramentos de uma amizade solidificada pelas atuações convincentes de Morttensen e Ali. São ambos que tornam o filme uma referência para seu gênero, com um estilo cada qual despojado e com uma empatia inusitada. As sequências nas quais estão no carro, viajando pelo interior, são as melhores: incluem aquela em que Vallelonga pega uma determinada pedra num estabelecimento e outra em que Doc visualiza afro-americanos trabalhando no campo enquanto veem o seu motorista branco abrir a porta do carro para ele. Deve-se dizer que, em alguns momentos, o posicionamento de Don Shirley não chega a ser plausível, porém o roteiro constrói a sua figura de maneira até complexa, como alguém incompleto, que se entrega ao vício quando não consegue solucionar sua própria vocação no mundo, que é tocar piano – e Ali tem grande participação no êxito do resultado, mais ainda do que em Moonlight.

Nesse sentido, talvez a maior qualidade de Green Book seja tocar em temas conflituosos de maneira menos grave do que acontece. Isso, por um lado, poderia desmerecer um pouco tais temas; por outro, mostra que há uma tentativa de mostrá-los sob outro ponto de vista, mais direcionados a uma procura de se libertar das amarras do que se espera previamente do gênero dramático. O fato de Don Shirley sentir-se deslocado em relação à cultura construída por afro-americanos e o atrito dela com o universo da composição clássica, assim como seus trejeitos mais elaborados, contribui para isso de maneira significativa, provocando no espectador uma certa compreensão mais universal. A figura do Green Book, que apontava, por exemplo, os lugares que poderiam hospedar afro-americanos no Sul dos Estados Unidos dos anos 60, acaba servindo como símbolo de que, na verdade, Toni também se sente deslocado não apenas em relação à sua cultura original quanto em relação à influência que recebe do novo amigo, ao vivenciar o preconceito junto com ele (e talvez a única cena mais deslocada seja aquela do banheiro numa mansão sulista). Em determinados momentos, esse aspecto lembra No calor da noite, premiado com o Oscar de melhor filme em 1967, com Sidney Poitier.

Aqui, na verdade, Tony representa a pouca cultura, a grosseria, os maus modos e a falta de refinamento, sempre com um cigarro caindo do canto da boca. Aos poucos, ele também vai se sentindo deslocado do antigo universo que frequentava e ganha um pouco da sofisticação que vê nas peças de Chopin tocadas por Don Shirley. Engana-se quem pensa que o diretor de Green Book busca alguma facilitação no tratamento desse “embate” entre pessoas que poderiam ser apenas estranhas uma em relação à outra durante toda a narrativa. Ele está, utilizando elementos menos dramáticos, na verdade mostrando um panorama muito interessante da época enfocada, em que dois homens que parecem opostos, em seu comportamento e cultura, na verdade se completam. Há um momento em que um policial aponta que Toni, pela origem italiana, se adapta bem a ser o motorista do músico. Nesse momento, Farrelly indica que, em graus maiores ou menores, qualquer resquício de preconceito na sociedade se corresponde, mesmo indiretamente. Isso poderia ser absolutamente previsível. Não o é, e dificilmente é tratado com tanta humanidade quanto em Green Book.

Green Book, EUA, 2018 Diretor: Peter Farrelly Elenco: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini Roteiro: Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly Fotografia: Sean Porter Trilha Sonora: Kris Bowers Produção: Jim Burke, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga Charles B. Wessler Duração: 130 min. Estúdio: Participant Media, DreamWorks Pictures, Innisfree Pictures, Cinetic Media Distribuidora: Universal Pictures

Indicados ao Oscar 2019

Por André Dick

Dos possíveis candidatos ao Oscar que apontei em setembro de 2018 (neste post), quatro chegaram às indicações de melhor filme: Infiltrado na Klan, Nasce uma estrela, A favorita e Roma. Das repescagens, Pantera Negra e Vice (à época chamado de Backseat). Entre os outros que apontei, Duas rainhas não conseguiu chegar a tempo para as indicações: o filme com Saoirse Ronan e Margot Robbie não aconteceu junto à crítica e ao público. Boy erased – Uma verdade anulada também não conseguiu transformar as presenças de Lucas Hedges, Nicole Kidman e Russell Crowe em seu elenco em referenciais atrativos. Já o antimainstream Eighth grade teve boas indicações na temporada, no entanto sem alcançar a força de Lady Bird – A hora de voar, do ano passado, com temáticas semelhantes. Com ótimas atuações de Steve Carell e Timothée Chalamet, Querido menino infelizmente não agradou aos integrantes da Academia de Hollywood, pois merecia ser lembrado. No entanto, as grandes surpresas foram O primeiro homem e Se a Rua Beale falasse, dos diretores que em 2017 quase conquistaram juntos o Oscar de melhor filme por La La Land e Moonlight, lembrados em várias premiações, serem deixados de lado.

Melhor filme

Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
Green Book – O guia
Roma
A favorita
Nasce uma estrela
Vice

A seleção deste ano tem filmes excelentes (A favorita, Nasce uma estrela), um ótimo (Green Book – O guia), dois muito bons (Infiltrado na Klan e Bohemian Rhapsody) e um historicamente interessante e bem interpretado (Vice), apesar de abaixo do esperado. Pantera Negra se tornou a primeira obra de super-heróis a ser indicada ao Oscar principal, o que é um feito histórico. Novamente a Academia não atinge 10 concorrentes. Nas duas vagas não preenchidas, os votantes poderiam ter lembrado de Suspiria, de Luca Guadagnino (do superestimado Me chame pelo seu nome, do ano passado, indicado então ao prêmio principal), Maus momentos no Hotel Royale (com ótima atuação de Jeff Bridges e brilhante direção de arte), O primeiro homem (uma bela ficção científica, que se provou ao longo da temporada, e daí talvez seu esquecimento, anticomercial), Querido menino (um dos mais belos filmes já feitos sobre a relação entre um pai e um filho), A balada de Buster Scruggs (inusitado faroeste dividido em contos dos irmãos Coen), 22 de julho (melhor trabalho de Paul Greengrass, já lembrado pelo Oscar em Voo United 93 e Capitão Phillips), Hereditário (terror marcante de Ari Aster) e Vida selvagem (estreia na direção do ator Paul Dano). Estavam entre os cotados No coração das trevas (de Paul Schrader), Mais uma chance (de Tamara Jenkins) e Podres de ricos, mas não conseguiram chegar aos finalistas. E, se fosse lembrar de blockbusters, daria mais destaque a Jogador Nº 1 e Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald, menosprezados mesmo nas categorias técnicas (Animais fantásticos não ser indicado a efeitos visuais, design de produção e figurino faz lembrar o esquecimento recorrente da série Harry Potter na premiação). A Academia só nomeia os melhores filmes quando eles atingem, junto aos votantes, uma determinada média, porém é estranho peças como O primeiro homem,  A balada de Buster ScruggsSe a Rua Beale falasse, por exemplo, com indicações importantes, não chegarem a essa média. Nisso, anos que alternam entre 8, 9 ou 10 candidatos (este número apenas nos dois primeiros anos em que a regra passou a valer, em 2009 e 2010) parecem indicar uma inconstância que não está de acordo com o que acontece, pois claramente há no mínimo de 15 a 20 obras marcantes por ano.
Dos indicados, a disputa vai ficar, ao que tudo indica, entre Roma, Green Book – O guia e Nasce uma estrela. Correndo por fora paradoxalmente A favorita.

Melhor diretor

Alfonso Cuarón, por Roma
Adam McKay, por Vice
Yorgos Lanthimos, por A favorita 
Spike Lee, por Infiltrado na Klan 
Pawel Pawlikowski, por Guerra fria

O grande favorito é Alfonso Cuarón, por Roma. Apesar de ter sido premiado já com Gravidade, as premiações parecem apontá-lo como o principal nome. O grego Lanthimos já havia sido indicado pelo roteiro de O lagosta e por filme estrangeiro em Dente canino. Sua indicação é bastante merecida por A favorita. Uma surpresa a indicação de Pawel Pawlikowski por Guerra fria, contrapondo-se a Cuarón e Roma, entretanto bem-vinda: é um dos melhores cineastas surgidos na Europa nos últimos 20 anos.  E Spike Lee, normalmente negligenciado, volta a estar presente entre os indicados por Infiltrado na Klan. Talvez o mais deslocado aqui seja McKay, por um trabalho de direção até dinâmico, no entanto superficial, em Vice. Bradley Cooper, diretor exitoso em sua estreia em Nasce uma estrela, foi ignorado, o que mostra como a corrida do Oscar mudou na reta final, já que era um dos possíveis favoritos. Poderiam facilmente ter indicado Luca Guadagnino (Suspiria), Lynne Ramsay (Você nunca esteve realmente aqui), Paul Dano (Vida selvagem), Damien Chazelle (O primeiro homem), Felix Van Groeningen (Querido menino), Paul Greengrass (22 de julho) e Joel e Ethan Coen (A balada de Buster Scruggs).

Melhor ator

Rami Malek, por Bohemian Rhapsody
Christian Bale, por Vice 
Viggo Mortensen, por Green Book – O guia 
Bradley Cooper, por Nasce uma estrela 
Willem Dafoe, por No portal da eternidade

Bradley Cooper está fora de série em Nasce uma estrela. Gosto muito também da atuação de Rami Malek, e foi ele quem fez Bohemian Rhapsody chegar à temporada de premiações com tantas chances. O ator Willem Dafoe está sendo muito elogiado por sua atuação como Van Gogh em No portal da eternidade. Mais uma vez lembrado, depois de Capitão Fantástico, no ano passado, Viggo Mortensen tem boa presença em Green Book – O guia, numa apreciável parceria. O favorito parece ser, de qualquer modo, Christian Bale, que em Vice interpreta Dick Cheney com a voz sussurrada que empregou em Batman debaixo de muita maquiagem. É uma atuação correta, mas não à altura de sua trajetória, embora o roteiro não o ajude. Entre os esquecidos, aprecio em especial as performances de Steve Carell em Querido menino; John David Washington em Infiltrado na Klan; Ethan Hawke em No coração das trevas; Ryan Gosling em O primeiro homem; Joaquin Phoenix em Você nunca esteve realmente aqui e A pé ele não vai longe; e Jay Duplass em Outside in.  

Melhor atriz

Glenn Close, por A esposa 
Lady Gaga, por Nasce uma estrela 
Olivia Colman, por A favorita
Melissa McCarthy, por Poderia me perdoar
Yalitza Aparicio, por Roma

Olive Colman, das indicadas, aparecia há pouco tempo como literalmente a favorita, embora estejam a seu lado Lady Gaga e Glenn Close. Colman tem uma boa atuação, porém não saberia dizer se comporta um prêmio. Gaga é surpreendente em Nasce uma estrela e Close está muito bem em A esposa, por outro lado o filme é ligeiramente superficial. Depois de uma indicação como coadjuvante em Missão madrinha de casamento, Melissa McCarthy regressa à categoria de atriz principal por Poderia me perdoar? Yalitza Aparicio é, apesar de não ser atriz profissional, a grande figura de Roma: sua indicação é um reconhecimento. Acrescento entre as atrizes que poderiam ter sido lembradas: Rosamund Pike (A private war), Elsie Fisher (Eighth grade), Toni Collette (Hereditário), Viola Davis (As viúvas), Juliette Binoche (Deixe a luz do sol entrar), Regina Hall (Support the girls), Carey Mulligan (Vida selvagem) e Charlize Theron (Tully). Apesar de elogiada, não acredito que Emily Blunt merecesse ser indicada por O retorno de Mary Poppins ou Um lugar silencioso.

Melhor ator coadjuvante

Mahershala Ali, por Green Book – O guia 
Richard E Grant, por Poderia me perdoar?
Sam Elliott, por Nasce uma estrela 
Adam Driver, por Infiltrado na Klan
Sam Rockwell, por Vice

Indicado no ano passado por Me chame pelo seu nome na categoria de melhor ator, Timothée Chalamet poderia ter regressado nessa categoria com uma performance realmente extraordinária, em Querido menino; acabou sendo preterido. Vencedor do Oscar por Três anúncios para um crime, Sam Rockwell é lembrado por sua atuação como George W. Bush em Vice, no qual não chega a se destacar. Muito bem em Green Book, Mahershala Ali já ganhou o prêmio por Moonlight. Talvez seja sua segunda premiação. Sam Elliott, apesar de aparecer pouco, deixa sua marca na narrativa de Nasce uma estrela, e Adam Driver mostra uma boa atuação em Infiltrado na Klan (já havia sido esquecido há alguns anos por Silêncio, de Scorsese). Esquecidos: Steve Carell (Vice), Nicholas Hoult (A favorita), Daniel Kaluuya (As viúvas), Jesse Plemmons (A noite do jogo), Robert Pattinson (Damsel), Jeff Bridges (Maus momentos no Hotel Royale), Ed Oxenbould (Vida selvagem), Russell Crowe (Boy erased) e Jonas Strand Gravli (22 de julho).

Melhor atriz coadjuvante

Emma Stone, por A favorita
Rachel Weisz, por A favorita
Amy Adams, por Vice
Regina King, por Se a Rua Beale falasse
Marina De Tavira, por Roma

Emma Stone e Rachel Weisz fazem uma boa parceria em A favorita, tornando a presença de suas personagens no melhor embate da temporada. Mais uma vez, Amy Adams recebe uma indicação por Vice, novamente sem o hype de ganhar. Regina King é uma das favoritas, por Se a Rua Beale falasse. Uma surpresa a indicação de Marina de Tavira por Roma, substituindo Claire Foy, que aparece bem em O primeiro homem, embora não com a mesma contundência de suas atuações na TV, em The crown. Esquecidas: Olivia Cooke (Puro-sangue), Zoe Kazan (A balada de Buster Scruggs), Rachel McAdams (Desobediência), Tilda Swinton (Suspiria), Elizabeth Debicki (As viúvas) e Nicole Kidman (Boy erased).

10 possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme em 2019

Por André Dick

Abaixo, seleciono alguns possíveis indicados ao Oscar de melhor filme em 2019. Em 2017, acertei apenas 3 candidatos; em 2018, acertei 5. Neste embalo, o Cinematographe vai acabar antecipando todos os indicados 😂, servindo como referência para quem gosta de fazer previsões – isso se a Academia de Hollywood colocar 10 filmes na disputa principal, o que não faz desde 2012. Esta lista sai antes de premiações importantes (Independent Spirit Awards, BAFTA, Globo de Ouro, Festival de Cinema Internacional de Toronto, principalmente), ou seja, depois dos vencedores e indicações delas, as coisas se aclaram um pouco mais. As probabilidades se baseiam em recepção crítica (dos que estrearam até agora; alguns podem ainda ser mal recepcionados) e temas tratados, que agradam mais ou menos à Academia, além dos gêneros de filmes. Por isso, coloco também cinco filmes numa repescagem.

Nasce uma estrela

Estreia na direção de Bradley Cooper, esta nova adaptação da obra de William A. Wellman segue os passos do cantor Jackson Maine (o próprio ator), que se apaixona por uma estrela quase em queda, Ally (Lady Gaga). A boa recepção no Festival de Veneza indica que este é um dos grandes cotados para o Oscar. E mais ainda: vai na linha de La La Land, trazendo à tona o mundo da música, embora aqui não com danças ou direção de arte especialmente criativa. Pelas imagens do trailer e críticas, esta versão dialoga muito com a de 1976, que tinha Kris Kristofferson e Barbra Streisand.

O primeiro homem

Depois do grande desempenho de La La Land, recebendo 6 Oscars, o novo filme de Damien Chazelle mostra a vida do astronauta Neil Armstrong (Ryan Gosling) e sua rotina com a sua primeira esposa Janet Shearon (Claire Foy), até começar a fazer parte da missão coordenada pela Nasa em direção à Lua. As imagens do trailer, com a fotografia de Linus Sandgren, remetem ao estilo de Terrence Malick de A árvore da vida. Ainda no grande elenco estão Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll, Ciarán Hinds, Christopher Abbott, Patrick Fugit e Lukas Haas (o menino de A testemunha). É o filme com mais embalagem de Oscar do ano.

If Beale Street could talk

Baseado num romance de James Baldwin, o novo filme de Barry Jenkins, de Moonlight – Sob a luz do luar, traz no elenco Stephan James, KiKi Layne, Teyonah Parris e Regina King. Kiki Layne é Clementine “Tish” Rivers, apaixonado por Fonny (Stephan James), acusado de estupro. Ela descobre estar grávida e luta para que o marido possa sair da prisão. Será exibido no Festival de Toronto.

Beautiful boy

Este filme, dirigido pelo belga Felix Van Groeningen (Alabama Monroe), está sendo apontado como um dos preferidos da crítica. Traz a amizade e os conflitos entre um pai, Davis Sheff (Steve Carell), e seu filho Nic (Timothée Chalamet). Ele tem elementos para o prêmio, mas Carell ainda é visto com desconfiança pela Academia (foi indicado apenas por Foxcatcher, apesar de suas atuações extraordinárias em A grande aposta e A melhor escolha) e Chalamet já teve muitos holofotes com Me chame pelo seu nome, o que pode ser tão positivo quanto negativo em relação a este filme. Ainda assim, tem todos os elementos para surpreender.

Roma

Produção da Netflix vencedora do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza, Roma prossegue a trajetória exitosa de Alfonso Cuarón, Oscar de direção por Gravidade. Ele faz o mesmo movimento que efetuou depois de sua versão de Grandes esperanças em 1998 em Hollywood, voltando à época ao México para filmar …E sua mãe também. A história foca Cleo (Yalitza Aparicio), de origem indígena, que trabalha como empregada doméstica para uma família de classe média na Cidade do México. Por ser da Netflix, seria uma surpresa a indicação principal – entretanto, sendo de Cuarón, é uma possibilidade. A fotografia em preto e branco é do próprio diretor, substituindo sua parceria com Emmanuel Lubezki.

Eighth grade

O mais antimainstream dos possíveis indicados, Eighth grade é dirigido por Bo Burnham, de 28 anos, conhecido nos Estados Unidos por ser comediante e um youtuber.  A distribuidora A24, que teve um grande 2018, parece menos competitiva este ano. Hereditário não é cotado, assim como Clímax, de Gaspar Noé, e Under the Silver Lake, mal recebido em Cannes. A tarefa ficou com este filme, lançado em Sundance. Ele conta a história de Kayla Day (Elsie Fisher), de 13 anos, que passou sua última semana na Suffern Middle School. Ela lança alguns vídeos no YouTube, mas não recebe a atenção que quer. Eighth grade tem todos os elementos para ser o Lady Bird deste ano.

The favourite

O cineasta grego Yorgos Lanthimos vem sendo acompanhado desde os sucessos Dente canino, Alpes O lagosta e teve um grande momento em 2017 com O sacrifício do cervo sagrado. Nesta peça histórica, ele mostra por que pode ser lembrado pela Academia, depois de receber o Grande prêmio do júri e de melhor atriz (Olivia Colman) no Festival de Veneza. A história se passa na Inglaterra, durante o século XVIII, quando a rainha Anne (Colman) tem uma amiga, Sarah Churchill (Rachel Weisz), governando na realidade em seu lugar. Surge uma nova serva, Abigail Masham (Emma Stone), que é prima de Sarah e passa a ser a nova favorita da rainha. O design de produção é fabuloso, lembrando Barry Lindon e Maria Antonieta.

Infiltrado na Klan

Lançado no Festival de Cannes de 2018, esta talvez seja a oportunidade de Spike Lee ficar mais próximo de um Oscar depois de concorrer pelo roteiro original de Faça a coisa certa. O filme mostra Ron Stallworth (John David Washington), contratado como o primeiro detetive negro no departamento de polícia de Colorado Springs, Colorado. Junto com Flip Zimmerman (Adam Driver), ele pretende desbaratar um grupo da Ku Klux Khan. Lee não costuma ter grandes chances ao Oscar grande parte das vezes (o melhor exemplo é sua cinebiografia Malcolm X, praticamente esquecido nos anos 90, não fosse a indicação para Denzel Washington), porém esta produção vem agradando em geral, o que lhe oferece mais chances.

Mary Queen of Scots

Esta obra de Josie Rourke mostra Mary Stuart (Saoirse Ronan) tentando fazer com que sua prima Elizabeth (Margot Robbie) seja condenada. A junção das atrizes que fizeram sucesso no ano passado com Lady Bird e Eu, Tonya, respectivamente, além da reconstituição de época maravilhosa, faz deste filme um dos possíveis candidatos. Trata-se de um retrato sobre uma relação conflituosa, que, pelo trailer, pode apelar à extrema qualidade ou ao overacting, dependendo da abordagem.

Boy erased

Dirigido pelo ator australiano Joel Edgerton, Boy erased tem um elenco surpreendente, incluindo Russel Crowe, Nicole Kidman, Lucas Hedges e o próprio Edgerton. Hedges, revelação de Manchester à beira-mar e que no ano passado esteve em Três anúncios para um crime e Lady Bird, interpreta Jared Eamons, que é filho de um pastor batista, Marshall (Crowe), e de Nancy (Kidman), no interior dos Estados Unidos e precisa participar de um programa que tentará mudar sua orientação sexual, coordenado pelo terapeuta mental Victor Sykes (Edgerton). É um tema que costuma agradar à Academia de Hollywood.

Repescagem

Widows

Esta nova obra de Steve McQueen é sua primeira depois do êxito de 12 anos de escravidão no Oscar. Ela segue a vida de quatro viúvas que, depois de seus maridos (Liam Neeson, Manuel García-Rulfo, Jon Bernthal e Garret Dillahunt) morrerem, começam a atuar como criminosas. O elenco apresenta Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki e Cynthia Erivo à frente de uma narrativa baseada em roteiro de McQueen e Gillian Flynn, autora de Garota exemplar e Lugares escuros, a partir de um livro de Lynda La Plante.

The ballad of Buster Scruggs

O novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen teve ótima recepção em Veneza, recebendo o prêmio de melhor roteiro. Seu problema é extrafilme: James Franco está em seu elenco e, desde as acusações de assédio no ano passado, seu nome não é bem visto em Hollywood. Distribuído também pela Netflix, ele é um faroeste episódico, com o bom humor conhecido dos seus autores. Pode surpreender, como já o fizeram Fargo e Onde os fracos não têm vez, ou decepcionar, a exemplo de Inside Llewyn Davis.

Pantera Negra

O filme de super-herói da Marvel é um dos cotados à categoria principal do Oscar desde sua estreia. No entanto, deve-se lembrar que Deadpool, cotado em 2016, sequer foi indicado a melhor maquiagem. Por isso, a obra de Ryan Coogler pode até chegar ao prêmio, mas dependerá de os participantes da Academia estarem propensos a finalmente indicar um filme do gênero na categoria principal.

O retorno de Mary Poppins

Este novo filme de Rob Marshall, diretor do oscarizado Chicago, pode tanto render várias indicações, como o original de 1964, quanto ser esquecido. Tudo depende realmente de sua recepção ao final do ano – levando em conta que também se pretende um blockbuster, o que costuma causar rejeição na Academia. No papel de Mary Poppins, Emily Blunt é uma atriz cada vez mais respeitada, sobretudo depois de atuações em Sicario, Um lugar silencioso e A garota no trem.

Backseat

Estrelado por Christian Bale, quase irreconhecível como Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush, uma das figuras que mais se insurgiram, de maneira polêmica, no combate ao terrorismo e em divergências sobre armas de destruição no Iraque, e tendo a seu lado Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Bill Pullman e Alison Pill, Backseat é o novo filme de Adam McKay, que alguns anos atrás concorreu com o surpreendente A grande aposta.

Outros possíveis candidatos: Tully (Jason Reitman), Ilha dos cachorros (Wes Anderson), Old man & the gun (David Lowery), Hereditário (Ari Aster), A garota na teia de aranha (Fede Alvarez), Don’t worry, he won’t get far on foot (Gus Van Sant), Bohemian Rhapsody (Dexter Fletcher), Jogador Nº1 (Steven Spielberg), First reformed (Paul Schrader), The front runner (Jason Reitman), White boy Rick (Yann Demange), On the basis of sex (Mimi Leder), Welcome to Marwen (Robert Zemeckis), Você nunca esteve realmente aqui (Lynne Ramsay), Wildlife (Paul Dano), The miseducation of Cameron Post (Desiree Akhavan), Leave no trace (Debra Granik), Blaze (Ethan Hawke), Creed 2 (Steven Caple Jr.), Suspiria (Luca Guadagnino), Todos lo saben (Asghar Farhad), Peterloo (Mike Leigh), At eternity’s gate (Julian Schnabel), The public (Emilio Estevez), The seagull (Michael Mayer), The son (Denis Villeneuve), The sisters brothers (Jacques Audiard), Missão: impossível: Efeito Fallout (Christopher McQuarrie), Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald (David Yates), Máquinas mortais (Christian Rivers), Life itself (Dan Fogelman), Legítimo rei (David Mackenzie), 22 july (Paul Greengrass), Can you ever forgive me? (Marielle Heller), The children act (Richard Eyre)