Melhores filmes 2010-2019 (até agora)

Por André Dick

Assim como aconteceu em relação aos anos 1980, 1990 e 2000, é apresentada, aqui, uma lista de melhores filmes de 2010 a 2019 (o deste ano, claro, provisória),  cada uma seguida por menções honrosas. Em cada ano, são destacadas 25 obras. O cinema dos anos 2010, como o da década que abre o século, é caracterizado por apresentar o cinema fora dos Estados Unidos de uma maneira que nunca havia acontecido em décadas anteriores.
Cineastas vindos de Taiwan (Apichatpong Weerasethakul), da China (Jia Zhangkhe, Bi Gan), do Japão (Wong Kar-Wai, Hirokazu Koreeda), da Coreia do Sul (Joon-ho Bong, Chang-Dong Lee, Chan-wook Park, Hong Sang-soo) e da Malásia (Tsai Ming-Liang) são correntes nessa década, em que o cinema norte-americano também continuou abrindo espaço para diretores estrangeiros, a exemplo de Ang Lee, Walter Salles, Werner Herzog, Alfonso Cuarón, Wim Wenders, Pablo Larraín, Sebastián Lelio e Guillermo del Toro, com destaque para Alejandro G. Iñárritu, que ganhou dois Oscars consecutivos, e Nicolas Winding Refn, com seu artesanato surrealista (ocupando o lugar de um ausente David Lynch no cinema, que regressou em grande estilo com Twin Peaks). Atores e atrizes. como Bradley Cooper, Andy Serkis, Olivia Wilde e Paul Dano, estrearam atrás das câmeras.
Nuri Bilge Ceylan continua apresentando um trabalho interessante, assim como Abdellatif Kechiche e Béla Tarr, além de Carlos Reygadas, todos vitoriosos em Cannes. Também continua tendo destaque o cinema iraniano, com cineastas como Abbas Kiarostami, que lamentavelmente faleceu em 2016, e italiano, com Luca Guadagnino e Paolo Sorrentino.
E, mais ainda do que seu regresso em O novo mundo, na década passada, Terrence Malick tem cada vez mais ressurgido com frequência. Seu cinema é o mais influente dos anos 2010.

Cineastas que começaram produzindo nos anos 70 ou 80 continuaram a mostrar seus filmes, como Martin Scorsese, Steven Spielberg, Tim Burton, David Cronenberg, Cameron Crowe, Oliver Stone, Woody Allen, William Friedkin, Joel e Ethan Coen, Francis Ford Coppola, Michael Mann, Gus Van Sant, Robert Zemeckis, Brian De Palma, Ron Howard, Jim Jarmusch, Spike Lee, Sam Raimi e Clint Eastwood. Numa retrospectiva, chamou atenção como o trabalho de Ridley Scott continua vigoroso, tendo sido indicado ao Oscar de direção por Perdido em Marte. Firmaram-se também Kathryn Bigelow e M. Night Shyamalan, este apesar de todas as críticas.
O austríaco Michael Haneke conquistou Cannes, assim como novamente os irmãos Dardenne, enquanto Lars von Trier se viu convidado a se retirar dele (e depois regressou). Destaques também para os irmãos belgas Jean-Pierre Jeunet, juntamente com os franceses François Ozon, Jacques Audiard, Olivier Assayas, Benoît Jacquot, Claire Denis e Phillipe Garrel e o franco-argentino Gaspar Noé, além da continuidade de Jean-Luc Godard.
A geração ligada ao cinema indie dos anos 90 continuou seu trabalho, mostrando sua vitalidade: Quentin Tarantino, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Spike Jonze, Richard Linklater, Sofia Coppola e Todd Solondz. Entre eles, muitos continuaram chegando ao Oscar ou chegaram pela primeira vez à nomeação de melhor filme, como Jonze, Linklater e Anderson.

Como na década passada, prosseguiram seus trabalhos Greg Mottola, com sua visão de juventude, assim como Judd Apatow, depois da série Freaks and geeks, além de Noah Baumbach, enquanto surgiram ou mostraram novos trabalhos nomes como Jeff Nichols, Derek Cianfrance, Shane Carruth, David Robert Mitchell, Jean-Marc Vallée, David O. Russell e Ben Affleck. E David Fincher continuou trabalhando entre o drama e o suspense. No campo da comédia, Seth MacFarlane (à frente de séries de animação) e Sam Esmail (criador de Mr. Robot) migraram da TV para o cinema, e Shawn Levy mostrou um talento subestimado que se confirmaria à frente de alguns episódios e da produção de Stranger things, série exitosa de 2016.
Também surgiram grandes diretoras, a exemplo de Mia Hansen-Løve, Angelina Jolie, Gia Coppola, Stéphane Lafleur, Julia Loktev, Céline Sciamma, Maïwenn, Sophie Barthes e Jessica Hausner, além do documentarista Joshua Oppenheimer. Duplas-revelações: Phil Lord e Christopher Miller e Veronika Franz e Severin Fiala.
Na Austrália, tivemos o surgimento de David Michôd. Em Portugal, Miguel Gomes lançou o marcante Tabu. Na Romênia, surgiu Cristian Mungiu; na Grécia, Yorgos Lanthimos; na Argentina, Lisandro Alonso; na Suécia, Ruben Östlund; e na Rússia, testemunhamos a volta de Andrey Zvyagintsev.
Também nos Estados Unidos, prosseguiram com inclinação para o espetáculo nomes como Peter Jackson, J.J. Abrams, Christopher Nolan, Bryan Singer e Zack Snyder, com os acréscimos de Joss Whedon, Joe & Anthony Russo, Rian Johnson, David F. Sandberg e Jon Favreau, outros para o drama cotidiano, como Jason Reitman, James Ponsoldt, Mike Mills e Kelly Reichardt, ou drama histórico ou atual, com James Gray.

Os irmãos Wachowski tentaram avançar em seus experimentos com Cloud Atlas, embora tenham recuado um tanto em O destino de Júpiter, ao lado do alemão Tom Tykwer. Da Inglaterra, continuaram a se destacar Guy Ritchie, Lenny Abrahamson, Andrea Arnold, David Yates, Stephen Frears, Steven McQueen, Edgar Wright e Joe Wright. No Canadá, Denis Villeneuve se firmou ainda mais, como o jovem cineasta Xavier Dolan, e Atom Egoyan continuou a lançar filmes em grande quantidade.
E, no universo da animação, apesar da presença da Pixar, foi Hayao Miyazaki quem continuou se destacando. Entre os cineastas brasileiros, assinala-se a manutenção de cineastas como Laís Bodanzky, Jorge Furtado, José Padilha, Anna Muylaert e Cláudio Assis, e as revelações Fellipe Barbosa, Kleber Mendonça Filho, Marina Person, Alê Abreu, Paulo Morelli e Júlia Rezende, assim como Carlos Saldanha, de Rio, para lembrar alguns nomes.

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Como observado na lista aos melhores filmes das décadas de 1980 a 2000, alguns filmes que não agradam na primeira visão se mostram interessantes e até mesmo indispensáveis quando revisitados. Muitas dessas listas mudaram em poucos anos, à medida que, ao rever alguns filmes, fui gostando mais ou menos deles (um exemplo é O lado bom da vida, que estava longe de ser um dos meus favoritos quando lançado e, em revisões, cresceu como obra). Ou seja, aqueles que a princípio parecem indispensáveis, com o passar dos anos parecem ter o impacto reduzido e se tornam menos importantes. A premissa de que um filme é bom ou fraco muitas vezes varia, mas a distância dos anos parece ser a melhor maneira de constatar isso. Os anos de cada filme estão de acordo com o IMDb, com raras exceções. Nesta década, às vezes é difícil precisar o ano de alguns filmes, pois muitos são exibidos primeiramente em festivais (em Cannes e Sundance, por exemplo) para serem lançados oficialmente dali a um ou até dois anos. Veja-se os casos de Personal shopper e Graduation, que estrearam em Cannes em 2016, mas só foram lançados internacionalmente no ano seguinte. Ou seja, tento colocar o filme no ano em que ele tem data de lançamento internacional, não apenas em seu país de origem, pelo menos nos últimos dois anos, quando isso se tornou mais recorrente. A partir de 2017, os filmes produzidos pela Netflix passam em alguns festivais ou estreiam em poucos cinemas, isso quando não são exibidos apenas pela plataforma. Eles passaram a ser considerados como filmes (não telefilmes), principalmente porque costumam ter uma produção cinematográfica, incluindo diretores de fotografia, compositores e elenco. Alguns títulos mantenho no original, pois não gosto especial da tradução feita, como Cloud Atlas (intitulado no Brasil A viagem) e Greenberg (chamado no Brasil de O solteirão).  Tenta-se um equilíbrio com essas informações, mas às vezes elas podem destoar.
Espera-se que as listas levem você, cinéfilo e leitor, a rever ou descobrir alguns desses filmes.

1. Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz)
2. Cisne negro (Darren Aronofksy)
3. Reino animal (David Michôd)
4. Cópia fiel (Abbas Kiarostami)
5. Bravura indômita (Joel e Ethan Coen)
6. A rede social (David Fincher)
7. Poesia (Chang-Dong Lee)
8. O mágico (Sylvain Chomet)
9. O mito da liberdade (David Robert Mitchell)
10. Incêndios (Denis Villeneuve)

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11. Um doce olhar (Semih Kaplanoğlu)
12. Um lugar qualquer (Sofia Coppola)
13. Scott Pilgrim contra o mundo (Edgar Wright)
14. Greenberg (Noah Baumbach)
15. Ventre (Benedek Fliegauf)
16. Não me abandone jamais (Mark Romanek)
17. O escritor fantasma (Roman Polanski)
18. Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1 (David Yates)
19. Como você sabe (James L. Brooks)
20. Caminho para o nada (Monte Hellmann)
21. The Runaways – Garotas do rock (Floria Sigismondi)
22. O atalho (Kelly Reichdart)
23. Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Apichatpong Weerasethakul)
24. Filme socialismo (Jean-Luc Godard)
25. Encontro explosivo (James Mangold)

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Menções honrosas: 127 horas (Danny Boyle), Tron – O legado (Joseph Kosinski), A origem (Christopher Nolan), A mentira (Will Gluck), O último mestre do ar (M. Night Shyamalan), Atração perigosa (Ben Affleck), Homem de ferro 2 (Jon Favreau), A ressaca (Steve Pink), O lobisomem (Joe Johnston), Coincidências do amor (Josh Gordon, Will Speck), Biutiful (Alejandro G. Iñárritu), Cyrus (Jay Duplass), Além da vida (Clint Eastwood), A lenda dos guardiões (Zack Snyder), Toy Story 3 (Lee Unkrich), As melhores coisas do mundo (Laís Bodanzky), Meu malvado favorito (Pierre Coffin, Chris Renaud), Splice (Vincenzo Natali), Paul – O alien fugitivo (Greg Mottola), Essential killing (Jerzy Skolimowski), Salt (Phillip Noyce), Confiança (David Schwimmer), Deixe-me entrar (Matt Reeves), Red – Armados e perigosos (Robert Schwentke), Shrek para sempre (Mike Mitchell), O estranho caso de Angélica (Miguel de Oliveira), Wall Street – O dinheiro nunca dorme (Oliver Stone), Uma noite fora de série (Shawn Levy), Lembranças (Allen Coulter), Pânico na neve (Adam Green), Uma manhã gloriosa (Roger Michell), O lenço amarelo (Udayan Prasad), Tropa de elite 2 (José Padilha), Reencontrando a felicidade (John Cameron Mitchell)

1. A árvore da vida (Terrence Malick)
2. Os descendentes (Alexander Payne)
3. A separação (Asghar Farhadi)
4. Drive (Nicolas Winding Refn)
5. O cavalo de Turim (Béla Tarr)
6. O abrigo (Jeff Nichols)
7. Pina (Wim Wenders)
8. O garoto da bicicleta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)
9. Era uma vez na Anatólia (Nuri Bilge Ceylan)
10. Super 8 (J.J. Abrams)

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11. A invenção de Hugo Cabret (Martin Scorsese)
12. Millennium – O homem que não amava as mulheres (David Fincher)
13. Meia-noite em Paris (Woody Allen)
14. Melancolia (Lars von Trier)
15. Amor a toda prova (Glenn Ficarra, John Requa)
16. A pele que habito (Pedro Almodóvar)
17. Missão madrinha de casamento (Paul Feig)
18. Margaret (Kenneth Lonergan)
19. Tomboy (Céline Sciamma)
20. 50% (Jonathan Levine)
21. Polissia (Maïwenn)
22. Jovens adultos (Jason Reitman)
23. Planeta solitário (Julia Loktev)
24. As aventuras de Tintim (Steven Spielberg)
25. Virgínia (Francis Ford Coppola)

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Menções honrosas: Oslo, 31 de agosto (Joachim Trier), Ataque ao prédio (Joe Cornish), Tudo pelo poder (George Clooney), A hora do espanto (Craig Gillespie), Kung fu panda 2 (Jennifer Yuh Nelson), Carnage (Roman Polanski), Hanna (Joe Wright), Las acacias (Pablo Giorgelli), Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2 (David Yates), Histórias cruzadas (Tate Taylor), Quero matar meu chefe (Seth Gordon), Contágio (Steven Soderbergh), A arte da conquista (Gavin Wiesen), O artista (Michel Hazavenicus), Thor (Kenneth Branagh), Alpes (Yorgos Lanthimos), Rango (Gore Verbinski), Cowboys e aliens (Jon Favreau), Para a floresta da luz dos vaga-lumes (Takahiro Omori), Compramos um zoológico (Cameron Crowe), O homem que mudou o jogo (Bennett Miller), Meu país (André Ristum), Minha semana com Marilyn (Simon Curtis), Sherlock Holmes – O jogo das sombras (Michael Ritchie), Vencer, vencer (Tom McCarthy), Sucker Punch (Zack Snyder), Se beber, não case! – Parte II (Todd Phillips), Amor profundo (Terrence Davies), Rio (Carlos Saldanha), X-Men – Primeira classe (Matthew Vaughn), Margin Call – O dia antes do fim (J. C. Chandor), Inquietos (Gus Van Sant), O exótico Hotel Marigold (John Madden)

1. Cloud Atlas (Andy e Lana Wachovski e Tom Tykwer)
2. O mestre (Paul Thomas Anderson)
3. Moonrise Kingdom (Wes Anderson)
4. Amor (Michael Haneke)
5. As vantagens de ser invisível (Stephen Chobsky)
6. Um alguém apaixonado (Abbas Kiarostami)
7. A hora mais escura (Kathryn Bigelow)
8. Luz depois das trevas (Carlos Reygadas)
9. Na estrada (Walter Salles)
10. O hobbit – Uma jornada inesperada (Peter Jackson)

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11. O som ao redor (Kleber Mendonça Filho)
12. Prometheus (Ridley Scott)
13. A visitante francesa (Hong Sang-soo)
14. Tabu (Miguel Gomes)
15. Batman – O cavaleiro das trevas ressurge (Christopher Nolan)
16. O gebo e a sombra (Miguel de Oliveira)
17. Ferrugem e osso (Jacques Audiard)
18. Anna Karenina (Joe Wright)
19. Vampiras (Amy Heckerling)
20. Holy Motors (Leos Carax)
21. A caça (Thomas Vinterberg)
22. O lado bom da vida (David O. Russell)
23. As aventuras de Pi (Ang Lee)
24. Cosmópolis (David Cronenberg)
25. Sombras da noite (Tim Burton)

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Menções honrosas: Os miseráveis (Tom Hooper), No (Pablo Larraín), Lincoln (Steven Spielberg), O voo (Robert Zemeckis), As loucuras de Charlie (Roman Coppola), Além das montanhas (Cristian Mungiu), 007 – Operação Skyfall (Sam Mendes), Um divã para dois (David Frankel), Celeste e Jesse para sempre (Lee Toland Kriger), John Carter – Entre dois mundos (Andrew Stanton), O amante da rainha (Nicolaj Arcel), Ruby Sparks – A namorada perfeita (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Django livre (Quentin Tarantino), Vizinhos imediatos de terceiro grau (Akiva Schaffer), As sessões (Ben Lewin), O espetacular homem-aranha (Marc Webb), Branca de neve e o caçador (Ruppert Sanders), Para Roma com amor (Woody Allen), Anjos da lei (Phil Lord, Christopher Miller), Adeus à rainha (Benoît Jacquot), Bem-vindo aos 40 (Judd Apatow), A baía (Barry Levinson), Espelho, espelho meu (Tarsem Singh), Os vingadores (Joss Whedon), Detona Ralph (Rich Moore), Barbara (Christian Petzold), Amigos inseparáveis (Fisher Stevens), Ted (Seth MacFarlane), O ditador (Sascha Bara Cohen), Paranorm (Chris Butler, Sam Fell), Amor mudo (Jeff Nichols), Dentro da casa (François Ozon), Hitchcock (Sacha Gervasi), O labirinto de Kubrick (Rodney Ascher), Eles voltam (Marcelo Lordello)

1. Azul é a cor mais quente (Abdellatif Kechiche)
2. Ela (Spike Jonze)
3. Amor pleno (Terrence Malick)
4. O grande mestre (Wong Kar-Wai)
5. Heli (Amat Escalante)
6. O lobo de Wall Street (Martin Scorsese)
7. Vidas ao vento (Hayao Miyazaki)
8. Nebraska (Alexander Payne)
9. Cores do destino (Shane Carruth)
10. O conselheiro do crime (Ridley Scott)

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11. O maravilhoso agora (James Ponsoldt)
12. A imagem que falta (Rithy Panh)
13. 12 anos de escravidão (Steve McQueen)
14. Bastardos (Claire Denis)
15. Gravidade (Alfonso Cuarón)
16. Temporário 12 (Destin Daniel Cretton)
17. Star Trek – Além da escuridão (J.J. Abrams)
18. Apenas Deus perdoa (Nicolas Winding Refn)
19. O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata)
20. Rush – No limite da emoção (Ron Howard)
21. O lugar onde tudo termina (Derek Cianfrance)
22. Walt Disney nos bastidores de Mary Poppins (John Lee Hancock)
23. Um toque de pecado (Jia Zhangke)
24. Fruitvale Station (Ryan Coogler)
25. A vida secreta de Walter Mitty (Ben Stiller)

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Menções honrosas: O grande Gatbsy (Baz Luhrmann), Frances Ha (Noah Baumbach), Oldboy – Dias de vingança (Spike Lee), Pais e filhos (Hirokazu Koreeda), Um estranho no lago (Alain Guiraudie), O mordomo da casa branca (Lee Daniels), We’re the Millers (Rawson Marshall Thurber), Red 2 (Dean Parisot), Une jeune fille (Catherine Martin), O verão da minha vida (Jim Rash, Nat Faxon), Universidade Monstros (Dan Scanlon), Depois da terra (M. Night Shyamalan), O foguete (Kim Mordaunt), Antes da meia-noite (Richard Linklater), Philomena (Stephen Frears), O menino e o mundo (Alê Abreu), Os estagiários (Shawn Levy), Círculo de fogo (Guillermo del Toro), Oz – Mágico e poderoso (Sam Raimi), Filha de ninguém (Hong Sang-soo), Meu namorado é um zumbi (Jonathan Levine), O homem de aço (Zack Snyder), Clube de compras Dallas (Jean-Marc Vallée), A menina que roubava livros (Brian Percival), O ciúme (Philippe Garrel), Um fim de semana em Paris (Roger Michell), Bling Ring – A gangue de Hollywood (Sofia Coppola), Trapaça (David O. Russell), Elysium (Neill Blomkamp), Entre nós (Paulo Morelli), A morte do demônio (Fede Alvarez), Mesmo se nada der certo (John Carney), Jack, o caçador de gigantes (Bryan Singer), Confissões de adolescente (Daniel Filho, Chris D’Amato), Caça aos gângsteres (Ruben Fleischer), Sem evidências (Atom Egoyan)

1. Boyhood (Richard Linklater)
2. Vício inerente (Paul Thomas Anderson)
3. Interestelar (Christopher Nolan)
4. Ida (Pawel Pawlikowski)
5. Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância) (Alejandro G. Iñárritu)
6. O hobbit – A batalha dos cinco exércitos (Peter Jackson)
7. Sono de inverno (Nuri Bilge Ceylan)
8. Leviathan (Andrey Zvyagintsev)
9. O homem duplicado (Denis Villeneuve)
10. Dois dias, uma noite (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

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11. Palo Alto (Gia Coppola)
12. Homens, mulheres e filhos (Jason Reitman)
13. O grande hotel Budapeste (Wes Anderson)
14. Força maior (Ruben Östlund)
15. Ninfomaníaca – Vol. I (Lars von Trier)
16. O ano mais violento (J. C. Chandor)
17. Jersey Boys – Em busca da música (Clint Eastwood)
18. Cães errantes (Tsai Ming-liang)
19. Vida de adulto (Scott Coffey)
20. Mapas para as estrelas (David Cronenberg)
21. Nós somos as melhores! (Lukas Moodysson)
22. RoboCop (José Padilha)
23. Invencível (Angelina Jolie)
24. Transcendence (Wally Pfister)
25. Êxodo: deuses e reis (Ridley Scott)

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Menções honrosas: A culpa é das estrelas (Josh Boone), Acorda, Nicole (Stéphane Lafleur), Ninfomaníaca – Vol. II (Lars von Trier), Pássaro branco na nevasca (Gregg Araki), O duplo (Richard Ayoade), Noé (Darren Aronofsky), O reino da beleza (Denys Arcand), Cake – Uma razão para viver (Daniel Barnz), Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro), Calvário (John Michael McDonagh), Uma viagem extraordinária (Jean-Pierre Jeunet), Grandes olhos (Tim Burton), Amores inversos (Liza Johnson), Tirem o sorriso do rosto (Daniel Patrick Carbone), Duna de Jodorowksy (Frank Pavich), Planeta dos macacos – O confronto (Matt Reeves), Frank (Lenny Abrahamson), Guardiões da galáxia (James Gunn), Magia ao luar (Woody Allen), Uma aventura LEGO (Phil Lord, Christopher Miller e Chris McKay), Boa noite, mamãe (Veronika Franz, Severin Fiala), Anjos da lei 2 (Phil Lord e Christopher Miller), O abutre (Dan Gilroy), The blue room (Mathieu Almaric), Marcados pela guerra (Peter Sattler), Top five (Chris Rock), Willow creek (Bobcat Goldthwait), À procura (Atom Egoyan), Love & Mercy (Bill Pohlad), Jogos vorazes: A esperança – Parte 1 (Francis Lawrence), Sniper americano (Clint Eastwood)

1. O regresso (Alejandro G. Iñárritu)
2. Amour fou (Jessica Hausner)
3. Os oito odiados (Quentin Tarantino)
4. Eden (Mia Hansen-Løve)
5. A juventude (Paolo Sorrentino)
6. Creed (Ryan Coogler)
7. Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (Roy Andersson)
8. O peso do silêncio (Joshua Oppenheimer)
9. Sob o mesmo céu (Cameron Crowe)
10. À beira mar (Angelina Jolie Pitt)

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11. A assassina (Hou Hsiao-Hsien)
12. A colina escarlate (Guillermo del Toro)
13. Hacker (Michael Mann)
14. Corrente do mal (David Robert Mitchell)
15. Casa Grande (Fellipe Barbosa)
16. Jauja (Lisandro Alonzo)
17. 007 contra Spectre (Sam Mendes)
18. O conto dos contos (Matteo Garrone)
19. O quarto de Jack (Lenny Abrahamson)
20. Sicario – Terra de ninguém (Denis Villeneuve)
21. Rio perdido (Ryan Gosling)
22. Peter Pan (Joe Wright)
23. No coração do mar (Ron Howard)
24. O fim da turnê (James Ponsoldt)
25. Homem-Formiga (Peyton Reed)

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Menções honrosas: Califórnia (Marina Person), Madame Bovary (Sophie Barthes), Poltergeist – O fenômeno (Gil Kennan), Oeste sem lei (John Maclean), Férias frustradas (John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein), Chatô – O rei do Brasil (Guilherme Fontes), Homem irracional (Woody Allen), Cidades de papel (Jake Schreier), Amizade desfeita (Levan Gabriadze), Love (Gaspar Noé), Jogos vorazes: A esperança – O final (Francis Lawrence), Vingadores – A era de Ultron (Joss Whedon), A teoria de tudo (James Marsh), Phoenix (Christian Petzold), Magic Mike XXL (Gregory Jacobs), Nossa irmã menor (Hirokazu Koreeda), A visita (M. Night Shyamalan), Ponte aérea (Júlia Rezende), Star Wars – O despertar da força (J.J. Abrams), O agente da U.N.C.L.E. (Guy Ritchie), Eu estava justamente pensando em você (Sam Esmail), O bom dinossauro (Peter Sohn), A garota dinamarquesa (Tom Hooper), Que horas ela volta? (Anna Muylaert), A travessia (Robert Zemeckis), Joy – O nome do sucesso (David O. Russell), A grande aposta (Adam McKay), Enquanto somos jovens (Noah Baumbach), Timbuktu (Abderrahmane Sissako), Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível (Brad Bird), American Ultra – Armados e perigosos (Nima Nourizadeh), Ted 2 (Seth MacFarlane), Faults (Riley Stearns), Pixels – O filme (Chris Columbus), O que fazemos nas sombras (Jemaine Clement, Taika Waititi), Lugares escuros (Gilles Paquet-Brenner)

1. Cavaleiro de copas (Terrence Malick)
2. Paterson (Jim Jarmusch)
3. La La Land (Damien Chazelle)
4. Batman vs Superman – A origem da justiça (Zack Snyder)
5. Ave, César! (Joel e Ethan Coen)
6. Cemitério do esplendor (Apichatpong Weerasethakul)
7. Silêncio (Martin Scorsese)
8. Demônio de neon (Nicolas Winding Refn)
9. A criada (Chan-wook Park)
10. Elle (Paul Verhoeven)

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11. Depois da tempestade (Hirokazu Koreeda)
12. Jovens, loucos e mais rebeldes (Richard Linklater)
13. Docinho da América (Andrea Arnold)
14. Wiener-dog (Todd Solondz)
15. Moonlight – Sob a luz do luar (Barry Jenkins)
16. Voyage of time: Life’s journey (Terrence Malick)
17. Jackie (Pablo Larraín)
18. É apenas o fim do mundo (Xavier Dolan)
19. As montanhas se separam (Jia Zhangke)
20. Regras não se aplicam (Warren Beatty)
21. Zootopia (Byron Howard, Rich Moore, Jared Bush)
22. Lion – Uma jornada para casa (Garth Davis)
23. Mais forte que bombas (Joachim Trier)
24. Dois caras legais (Shane Black)
25. Café Society (Woody Allen)

Menções honrosas: Loving (Jeff Nichols), A longa caminhada de Billy Lynn (Ang Lee), Animais fantásticos e onde habitam (David Yates), A garota no trem (Tate Taylor), Animais noturnos (Tom Ford), O nascimento de uma nação (Nate Parker), Cães de guerra (Todd Phillips), Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan), Uma repórter em apuros (Glenn Ficarra, John Requa), O mar de árvores (Gus Van Sant), Sully (Clint Eastwood), O invasor americano (Michael Moore), Mãe só há uma (Anna Muylaert), Rogue One – Uma história Star Wars (Gareth Edwards), Demolição (Jean Marc-Vallée), Mogli – O menino lobo (Jon Favreau), Memórias secretas (Atom Egoyan), Um holograma para o rei (Tom Tykwer), Warcraft – O primeiro encontro de dois mundos (Duncan Jones), Até o último homem (Mel Gibson), Cosmos (Andrzej Zulawski), A qualquer custo (David Mackenzie), Popstar: sem parar, sem limites (Akiva Schaffer, Jorma Taccone), Meu amigo, o dragão (David Lowery), A incrível aventura de Rick Baker (Taika Waititi), A lenda de Tarzan (David Yates), Kung fu panda 3 (Jennifer Yuh Nelson, Alessandro Carloni), Top model (Mads Matthiesen), A chegada (Denis Villeneuve), A luz entre os oceanos (Derek Cianfrance), Star Trek – Sem fronteiras (Justin Lin), Florence – Quem é esta mulher? (Stephen Frears), 13 horas – Os soldados secretos de Benghazi (Michael Bay), A chefa (Ben Falcone), Invasão zumbi (Yeon Sang-ho), O lar das crianças peculiares (Tim Burton), O contador (Gavin O’Connor), Esquadrão suicida (David Ayer), Terra violenta (Tiu West), Gênios do crime (Jared Hess), O abraço da serpente (Ciro Guerra), Sing Street – Música e sonho (John Carney), Alice através do espelho (James Bobin), Shin Godzilla (Hideaki Anno, Shinji Higuchi), Quase 18 (Kelly Fremon Craig), Mulheres do século 20 (Mike Mills), Beleza oculta (David Frankel)

1. Twin Peaks – O retorno (David Lynch)
2. De canção em canção (Terrence Malick)
3. Trama fantasma (Paul Thomas Anderson)
4. Blade Runner 2049 (Denis Villeneuve)
5. Lady Bird – A hora de voar (Greta Gerwig)
6. Projeto Flórida (Sean Baker)
7. A lei da noite (Ben Affleck)
8. O apartamento (Ashgar Farhadi)
9. Todo o dinheiro do mundo (Ridley Scott)
10. Happy end (Michael Haneke)

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11. Lágrimas sobre o Mississipi (Dee Rees)
12. A forma da água (Guillermo del Toro)
13. Sombras da vida (David Lowery)
14. Os Meyerowitz – Família não se escolhe (Histórias novas e selecionadas) (Noah Baumbach)
15. Columbus (Kogonada)
16. Em ritmo de fuga (Edgar Wright)
17. mãe! (Darren Aronofksy)
18. A cura (Gore Verbinski)
19. O estranho que nós amamos (Sofia Coppola)
20. Planeta dos macacos – A guerra (Matt Reeves)
21. O filme da minha vida (Selton Mello)
22. O sacrifício do cervo sagrado (Yorgos Lanthimos)
23. Graduation (Cristian Mungiu)
24. Alien: Covenant (Ridley Scott)
25. The Square – A arte da discórdia (Ruben Östlund)

Menções honrosas: Poesia sem fim (Alejandro Jodorowsky), Três anúncios para um crime (Martin McDonagh), A região selvagem (Amat Escalante), Corra! (Jordan Peele), Personal shopper (Olivier Assayas), Valerian e a cidade dos mil planetas (Luc Besson), Castelo de areia (Fernando Coimbra), Z – A cidade perdida (James Gray), Logan Lucky – Roubo em família (Steven Soderbergh), O outro lado da esperança (Aki Kaurismäki), Ao cair da noite (Trey Edward Schults), Primeiro, mataram o meu pai (Angelina Jolie), A morte te dá parabéns (Cristopher B. Landon), Terra selvagem (Taylor Sheridan), O castelo de vidro (Destin Cretton), Maudie (Aisling Walsh), John Wick 2 (Chad Stahelski), Um homem chamado Ove (Hannes Holm), Free fire – O tiroteio (Ben Wheatley), Na vertical (Alain Guiraudie), Homem-Aranha – De volta ao lar (Jon Watts), The little hours (Jeff Baena), Nossas noites (Ritesh Batra), Na praia à noite sozinha (Hong Sang-soo), Sandy Wexler (Steven Brill), Eu já não me sinto em casa nesse mundo (Macon Blair), The comedian (Taylor Hackford), Vida (Daniel Espinosa), Little boxes (Rob Meyer), Atômica (David Leitch), Rastros (Agnieszka Holland), Tramps (Adam Leon), Doentes de amor (Michael Showalter), Insensata paixão (Pierre Godeau), Guardiões da galáxia Vol. 2 (James Gunn), Wilson (Craig Johnson), Buster’s mal heart (Sarah Adina Smith), Transformers – O último cavaleiro (Michael Bay), War machine (David Michôd), Una (Benedict Andrews), Fobia (Ana Asensio), Uma beleza fantástica (Simon Aboud), Onde está Segunda? (Tommy Wirkola), Lovesong (So Young Kim), Kong – A ilha da Caveira (Jordan Vogt-Roberts), Suburbicon – Bem-vindos ao paraíso (George Clooney), Gaga: five foot two (Chris Moukarbel), Colossal (Nacho Vigalondo), As aventuras de Brigsby bear (Dave McCary), A garota desconhecida (Jean-Pierre e Luc Dardenne), Logan (James Mangold), Raw (Julia Docournau), Você e os seus (Hong Sang-soo), Spielberg (Susan Lacy), A vigilante do amanhã – Ghost in the shell (Rupert Sanders), Jasper Jones (Rachel Perkins), T2: Trainspotting (Danny Boyle), O círculo (James Ponsoldt), Carros 3 (Brian Fee), Founds of love (Ben Young), Agnes (Johannes Schmid), Power Rangers (Dean Israelite), Na selva (Greg Mclean), Fome de poder (John Lee Hancock), Rei Arthur – A lenda da espada (Guy Ritchie), Lotte (Julius Schultheiß), O mínimo para viver (Marti Noxon), Ingrid goes west (Matt Spicer), Patti Cake$ (Geremy Jasper), O estado das coisas (Mike White), Frantz (François Ozon), LEGO Batman – O filme (Chris McKay), O livro de Henry (Colin Trevorrow), Além das palavras (Terence Davies), Os amantes (Azazel Jacobs), Eine hunerhörte frau (Hans Steinbichler), A grande muralha (Zhang Yimou), Feito na América (Doug Liman), A tartaruga vermelha (Michel Dudok de Wit), Planetarium (Rebecca Zlotowski), Rakka (Neil Blomkamp), American fable (Anne Hamilton), Mulher-Maravilha (Patty Jenkins), Liga da Justiça (Zack Snyder), Extraordinário (Stephen Chobsky), Detroit em rebelião (Kathryn Bigelow), O que te faz mais forte (David Gordon Green), Boneco de neve (Tomas Alfredson), A guerra dos sexos (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Depois daquela montanha (Hany Abu-Assad), Star Wars – Os últimos Jedi (Rian Johnson), Sem fôlego (Todd Haynes), A melhor escolha (Richard Linklater), Uma mulher fantástica (Sebastián Lelio), O rei do show (Michael Gracey), O destino de uma nação (Joe Wright), Homens de coragem (Joseph Kosinski), 120 batimentos por minuto (Robin Campillo), A grande jogada (Aaron Sorkin), Viva – A vida é uma festa (Lee Unkrich), Ratos de praia (Eliza Hittman), Honra ao mérito (Jason Hall), Bright (David Ayer), Roman J. Israel, Esq. (Dan Gilroy), Pequena grande vida (Alexander Payne), O formidável (Michel Hazanavicius)

1. Nasce uma estrela (Bradley Cooper)
2. Roma (Alfonso Cuarón)
3. Foxtrot (Samuel Maoz)
4. Hereditário (Ari Aster)
5. Colo (Teresa Villaverde)
6. A balada de Buster Scruggs (Joel e Ethan Coen)
7. Maus momentos no Hotel Royale (Drew Goddard)
8. Querido menino (Felix Van Groeningen)
9. Suspíria – A dança do medo (Luca Guadagnino)
10. Vida selvagem (Paul Dano)

***

11. O amante duplo (François Ozon)
12. Você nunca esteve realmente aqui (Lynne Ramsey)
13. Outside in (Lynn Shelton)
14. No portal da eternidade (Julian Schnabel)
15. 22 de julho (Paul Greengrass)
16. Green Book – O guia (Peter Farrelly)
17. A favorita (Yorgos Lanthimos)
18. Deixe a luz do sol entrar (Claire Denis)
19. Dogman (Matteo Garrone)
20. Arábia (João Dumons e Affonso Uchoa)
21. Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald (David Yates)
22. O primeiro homem (Damien Chazelle)
23. Creed II (Steven Caple Jr.)
24. Puro-sangue (Cory Finley)
25. Se a Rua Beale falasse (Barry Jenkins)

Menções honrosas: A mula (Clint Eastwood), Bem-vindos a Marwen (Robert Zemeckis), Stan & Ollie – O gordo e o magro (John S. Baird), Sicario – Dia do soldado (Stefano Sollima), Custódia (Xavier Legrand), Mudo (Duncan Jones), Corpo e alma (Ildikó Enyedi), As aventuras de Paddington 2 (Paul King), Noviciado (Margaret Betts), Ilha dos cachorros (Wes Anderson), Jogador Nº 1 (Steven Spielberg), Tully (Jason Reitman), 15h17 – Trem para Paris (Clint Eastwood), Like me (Robert Mockler), Deadpool 2 (David Leitch), Best f(r)iends – Vol. 1 (Justin MacGregor), Em pedaços (Fatih Akin), Robin Williams – Entre na minha mente (Marina Zenovich), The girl (Lukas Dhont), O conto (Jennifer Fox), Bird box (Susanne Bier), Baseado em fatos reais (Roman Polanski), Os incríveis 2 (Brad Bird), Eighth grade (Bo Durnham), Noite de lobos (Jeremy Saulnier), Mais uma chance (Tamara Jenkins), A pé ele não vai longe (Gus Van Sant), Venom (Ruben Fleischer), Jumanji – Bem-vindo à selva (Jake Kasdan), Hearts beat loud (Brett Haley), Amizade desfeita 2: dark web (Stephen Susco), Pedro Coelho (Will Gluck), As boas maneiras (Juliana Rojas, Marco Dutra), Sob o sol do oeste (David e Nathan Zellner), Domando o destino (Chloé Zhao), Missão: impossível – Efeito Fallout (Christopher McQuarrie), Permissão (Brian Crano), Quem somos agora (Matthew Newton), Princess Syd (Stephen Cone), Verão de 84 (François Simard, Anouk Whissell, Yoann-Karl Whissell), What keeps you alive (Colin Minihan), Bumblebee (Travis Knight), Pérolas no mar (Rene Liu), A noite do jogo (John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein), O outro lado do vento (Orson Welles), Sem amor (Andrey Zvyagintsev), Você e os seus (Hong Sang-soo), Não vai dar (Kay Cannon), Felicité (Alain Gomis), Homem-Formiga e a Vespa (Peyton Reed), Rastros (Agnieszka Holland), Fútil e inútil (David Wain), Halloween (David Gordon Green), Espectador profissional (Dito Montiel), Vende-se esta casa (Suzanne Coote e Matt Angel), Newness (Drake Doremus), Jurassic World – Reino ameaçado (J. A. Bayona), Tudo que quero (Ben Lewin), Hostis (Scott Cooper), Alfa (Albert Hughes), Rampage – Destruição total (Brad Peyton), Desobediência (Sebastián Lelio), Cargo (Ben Howling e Yolanda Ramke), Flower (Max Winkler), Almas secas (Liz W. Garcia), Blame (Quinn Shepard), Together (Terrence Malick), Distúrbio (Steven Soderbergh), No coração das trevas (Paul Schrader), Becks (Daniel Powell, Elizabeth Rohrbaugh), Fullmetal alchemist (Fumihiko Sori), Perigo na montanha (Lin Oeding), Frost (Šarūnas Bartas), A vingança de Lefty Brown (Jared Moshe), Submersão (Wim Wenders), Aniquilação (Alex Garland), O ritual (David Bruckner), Um lugar silencioso (Joseph Krasinki), O animal cordial (Gabriela Amaral Almeida), A sombra da árvore (Hafsteinn Gunnar Sigurðsson), Todas as razões para esquecer (Pedro Coutinho), O plano imperfeito (Claire Scanlon), O mercador (Tamta Gabrichidze), Utoya, 22 de julho – Terrorismo na Noruega (Erik Poppe), O rei da polca (Maya Forbes), Vingança (Coralie Fargeat), The Cloverfield Paradox (Julius Onah), Uma mulher exemplar (Susanna White), A rota selvagem (Andrew Haigh), Maria Madalena (Garth Davis), A câmera de Claire (Hong Sang-soo), Christopher Robin – Um reencontro inesquecível (Marc Forster), Grande saída (Alex Ross Perry), Tal pai, tal filha (Lauren Miller), O predador (Shane Black), Com quem será? (Victor Levin), Stella’s last weekend (Polly Draper), A esposa (Björn Runge), Juliet, nua e crua (Jesse Peretz), O mistério do relógio na parede (Eli Roth), Buscando… (Aneesh Chaganty), Bohemian Rhapsody (Dexter Fletcher), The kindergarten teacher (Sara Colangelo), Infiltrado na Klan (Spike Lee), Legítimo rei (David Mackenzie), Guerra fria (Pawel Pawlikowski), Meu ex é um espião (Susanna Fogel), Never goin’ back (Augustine Frizzell), Skate kitchen (Crystal Moselle), Boy erased – Uma verdade anulada (Joel Edgerton), Acrimônia (Tyler Perry), WiFi Ralph – Quebrando a internet (Rich Moore, Phil Johnston), O retorno de Mary Poppins (Rob Marshall), Poderia me perdoar? (Marielle Heller), Aquaman (James Wan), Os irmãos Sisters (Jacques Audiard), Mogli – Entre dois mundos (Andy Serkis), Millennium – A garota na teia da aranha (Fede Alvarez), Viúvas (Steve McQueen), Um pequeno favor (Paul Feig), Support the girls (Andrew Bujalski), Vice (Adam McKay), Zama (Lucrecia Martel), Anos 90 (Jonah Hill)

1. A árvore dos frutos selvagens (Nuri Bilge Ceylan)
2. Nunca deixe de lembrar (Florian Henckel von Donnersmarck)
3. Longa jornada noite adentro (Bi Gan)
4. Vingadores – Ultimato (Joe & Anthony Russo)
5. Sob o lago prateado (David Robert Mitchell)
6. Vox Lux (Brady Cobert)
7. O hotel às margens do rio (Hong Sang-soo)
8. Vidro (M. Night Shyamalan)
9. Velvet Buzzsaw (Dan Gilroy)
10. Climax (Gaspar Noé)

***

11. Alita – Anjo de combate (Robert Rodriguez)
12. Shazam! (David F. Sandberg)
13. Obsessão (Neil Jordan)
14. High life (Claire Denis)
15. Fora de série (Olivia Wilde)
16. Cemitério maldito (Kevin Kölsch e Dennis Widmyer)
17. Paddleton (Alexandre Lehmann)
18. Brightburn (David Yarovesky)
19. Dumbo (Tim Burton)
20. Uma aventura Lego 2 (Mike Mitchell)
21. Aladdin (Guy Ritchie)
22. A morte te dá parabéns 2 (Christopher Landon)
23. Gloria Bell (Sebastián Lelio)
24. John Wick 3 – Parabellum (David Stahelski)
25. Tater Tot & Patton (Andrew Kightlider)

Menções honrosas: JT LeRoy (Justin Kelly), Calmaria (Steven Knight), A cinco passos de você (Justin Baldoni), Estrada sem lei (John Lee Hancock), Deixando Neverland (Dan Reed), High flying Bird (Steven Soderbergh), O menino que queria ser rei (Joe Cornish), Casal improvável (Jonathan Levine), Amanda (Mikhaël Hers)

Acompanhe atualização desta lista de melhores filmes de 2019 aqui.

Aladdin (2019)

Por André Dick

Lançado em 1992, Aladdin é um dos desenhos animados de maior bilheteria de todos os tempos. Embora não tenha repetido o feito de ser indicado ao Oscar de melhor filme, como A bela e a fera um ano antes, trata-se de uma grande diversão, sobretudo pela presença de Robin Williams no papel do Gênio da Lâmpada.
Em seu live-action, dirigido por Guy Ritchie, ele conta basicamente a mesma história: Aladdin (Mena Massoud) é um jovem que vive nas ruas do reino de Agrabah, em meio ao deserto, com o macaco Abu, seu melhor amigo. Seu objetivo é casar com a princesa do reino, Jasmine (Naomi Scott), filha do Sultão (Navid Negahban) e cuja melhor amiga é a criada Dalia (Nasim Pedrad). O pai quer casá-la com o Príncipe Anders (Billy Magnussen). Antes, contudo, precisa enfrentar Jafar (Marwan Kenzari), que, sempre com seu papagaio, controle o reino por meio de seus poderes hipnóticos. Ele pretende se transformar no homem mais temido do mundo e deseja encontrar o Gênio da Lâmpada (Will Smith) na Caverna das Maravilhas. Ele pode ser o meio de Aladdin se transformar num príncipe.

No filme de 1992, Jafar não é tão divertido quanto Aladdin, que se transformava em qualquer coisa para aparecer, lembrando um showman, mas tinha grande presença, o que seu intérprete no filme não consegue lamentavelmente repetir. É importante lembrar o quanto Guy Ritchie, em Snatch – Porcos e diamantes, trazia uma espécie de miscelânea de gêneros ligados ao mundo da máfia, com todos os maneirismos possíveis de sentido pop e violência influenciada visivelmente por Tarantino. Ritchie parecia um bom cineasta, mas ainda tateando, em busca de uma personalidade. Ele não conseguiu isso em projetos como Destino insólito (com sua ex-mulher, Madonna), mas são os elementos que já apareciam em Snatch que fizeram funcionar tão bem nos dois Sherlock Holmes, em O agente da U.N.C.L.E e em Rei Arthur – A lenda da espada.

Neles estão os elementos que já se encontravam em Snatch: uma espécie de necessidade de destacar os movimentos de câmera, lembrando às vezes um videoclipe, o visual carregado e o elenco fazendo soar o máximo uma espontaneidade teatralizada. Nesta adaptação com atores de Aladdin, Ritchie não emprega visualmente seu estilo – mais soturno –, apanhando um colorido capaz de remeter ao cinema de Bollywood, mas, principalmente, a The fall, de Tarsem Singh. Mesmo assim, ele consegue mostrar sua personalidade num certo humor agridoce trazido pelo Gênio da Lâmpada, numa das melhores atuações de Will Smith em sua carreira – e o filme diminui de tamanho quando em determinados momentos ele sai de cena. De algum modo, ele ainda está lá, por trás do estilo imposto pela Disney, capaz de tirar algumas vezes o mérito de diretores à frente de outras obras nesses moldes, a exemplo de A bela e a fera.
O filme de Ritchie não tem objetivo de respeitar algum molde clássico, como todos os projetos do cineasta: é um espetáculo em movimento quase de videoclipe, com uma montagem por vezes confusa, mas sem tanto, como ele gosta, idas e vindas no tempo e cortes para evitar excessivo material expositivo – uma das suas qualidades. O roteiro dele em parceria com John August (autor de vários filmes de Tim Burton, como Peixe grande e Sombras da noite), baseado no original de 1992, assinado por Ron Clements, John Musker, Ted Elliott e Terry Rossio, tenta mesclar as partes musicais, com danças, inclusive, com uma atmosfera de obra infantojuvenil que possa dialogar também com os adultos.

Nesse sentido, um dos destaques do live-action é novamente a trilha sonora brilhante de Alan Menken (o mesmo de A pequena sereia), com a parceria de Howard Ashman, que tem pelo menos três canções antológicas e um som de inegável qualidade. Não à toa, o desenho animado ganhou dois Oscars neste campo e rendeu muitos frutos. Os diálogos que a narrativa empresta ao Gênio são muito bons, embora a porção romântica entre Aladdin e Jasmine se realize mais no visual do que exatamente nas atuações um pouco deslocadas de Massoud e Scott, embora nenhuma diminua o material e sempre evoquem a animação. Apenas chama a atenção como este live-action é aquele mais realista já feito pela Disney, sem recorrer tanto a CGI (os efeitos visuais, inclusive, são ótimos, como os do tigre e do macaco) e adotando uma fotografia com várias tomadas destacando um design de produção real, assim como em seus figurinos ultracoloridos. Há também, como diferença em relação ao original, uma nova canção, “Speechless”, dos oscarizados Benj Pasek e Justin Paul, responsáveis pela belíssima “City of stars” de La La Land, e uma certa modulação no roteiro visando algumas temáticas atuais. Nada se sente forçado como poderia se imaginar inicialmente de um cineasta tão pouco provável para este material. Mesmo não alcançando a magia do original, este Aladdin consegue às vezes alçar voos altos.

Aladdin, EUA, 2019 Diretor: Guy Ritchie Elenco: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen Roteiro: John August e Guy Ritchie Fotografia: Alan Stewart Trilha Sonora: Alan Menken Produção: Dan Lin e Jonathan Eirich Duração: 128 min. Estúdio: Walt Disney Pictures, Rideback, Marc Platt Productions Distribuidora: Walt Disney Studios

John Wick 3 – Parabellum (2019)

Por André Dick

Em 2014, foi lançado o personagem de John Wick em De volta ao jogo, com Keanu Reeves, que se caracterizava pelo visual potencialmente distinto e com violência extrema. Sua vingança se dava em nome  da morte de seu cão. John Wick – Um novo dia para matar começa apenas quatro dias depois dos acontecimentos do original, com o personagem indo atrás de seu Mustang 1969 totalmente escuro, que se encontra com Abram Tarasov (Peter Stormare), irmão dos principais antagonistas da primeira história. Achando que voltou à tranquilidade, com um novo cão, John recebe a visita do italiano Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio), que lhe apresenta um medalhão que obrigaria John a lhe prestar serviços. No entanto, é o que ele menos quer: seu desejo é ficar recolhido em sua casa, recordando da esposa. O roteiro apresentava os personagens com agilidade e, embora não soubéssemos muito sobre eles, as principais características eram desenhadas. Agora, ele está de volta em John Wick 3 – Parabellum.

O diretor Chad Stahelski, dublê de Reeves em Matrix e coordenador na área das sequências, novamente mostra cenas que parecem saídas de um filme de arthouse de ação. Se eu imaginasse um Nicolas Winding Refn fazendo uma obra urbana com uma sequência impressionante de mortes seria esta, em que Stahelski busca claramente inspiração, principalmente no uso de cenários com neons. E, mais do que trazer uma influência de Johnnie To – uma referência para filmes de máfia oriental e que se liga a um certo exagero cênico –, John Wick 3 já começa apresentando uma sequência impressionante de lutas e com fundo metalinguístico: vai de Wick lutando artes marciais na Biblioteca Pública de Nova York até ele andando de cavalo pelas ruas da cidade, lembrando um faroeste, e em seguida participando de uma perseguição de motos. Uma juíza (Asia Kate Dillon) da High Table, órgão global do crime, surge para tentar punir quem o liberou de pagar por um determinado crime, colocando sua cabeça a prêmio por 14 milhões de dólares, ameaçando Winston (Ian McShane), que é o dono do hotel Continental em Nova York, sempre assessorado por Charon (Lance Reddick), onde a trilogia, até agora, tem cenas substanciais.

Como o segundo, este John Wick 3 acentua a tragédia do personagem, aprisionado num universo violento. O anterior tinha cenas inusitadas passadas em Roma,este não fica para trás. No momento em que se encontra com a superiora de Wick da Ruska Roma (Anjelica Huston, com figurino que remete a Cidade dos sonhos, de David Lynch), aquela que dá a porção Cisne negro à história (e talvez a analogia mais óbvia da trama, que não passa, no fundo, de um balé de cenas coreografadas de maneira espetacular e ultraviolenta), ele se mostra como no fim do primeiro filme, pertencente a um novo Matrix, principalmente quando mostra Rei Bowery, numa boa atuação do mesmo Laurence Fishburne que fazia Morpheus na série das hoje irmãs Wachowski.
Quando ele se desloca para o Marrocos, mais exatamente Casablanca, onde encontra Sofia (Halle Berry, um pouco deslocada) e depois no deserto, em cenas que dialogam de maneira imprevisível com a série Indiana Jones e O céu que nos protege, de Bertolucci, o personagem adota uma linha entre Neo e 007. Reeves se apresenta bem no papel e, mesmo não havendo nenhuma sequência que rivalize com a da estação de trem do anterior, e em geral seja estilo total sobre substância (o que o segundo escondia com um corte abrupto em relação ao original de 2014, de uma violência mais urbana e menos estilizada), John Wick 3 se sente um filme de ação especial pela tentativa de continuar esboçando uma mitologia. Ainda surge um sushiman especializado em artes marciais, Zero (Mark Dacascos), com dois assessores pouco simpáticos (Cecep Arif Rahman e Yayan Ruhian).

Também Stahelski volta a investir num visual extraordinário, com um jogo de luzes primoroso, concedido por Dan Laustsen (que vem fazendo uma parceria exitosa com Guillermo del Toro, em trabalhos como A forma da água), aqui destacando a chuva sobre a cidade de Nova York, fazendo lembrar, com seus neons e luminosos, o futurismo de Blade Runner. Reeves, ator que se sente muito bem nesses papéis, faz de maneira exata seu John Wick. Seu semblante entre a passividade e a fúria joga com o duplo que seu personagem desempenha: em nenhum momento o espectador se pergunta por que ele age dessa maneira; ele apenas se pergunta por que querem tanto que ele aja assim. Acentua o drama de modo adequado. E, em meio a tudo, há sempre cães rondando Wick, como se o simbolizassem, desde o primeiro filme. Há, nesta terceira parte, contudo, os diálogos breves não fazem mais tanto sentido e algumas cenas de ação excessivas, mesmo que conduzidas com uma técnica impressionante, o que o torna relativamente menos interessante e surreal do que o segundo. Talvez porque Stahelski deveria dividir a direção novamente com David Leitch, do primeiro, que fez depois os criativos Deadpool 2 e Atômica. Ainda assim, é uma conquista do gênero, estabelecendo uma franquia recente capaz de rivalizar com Missão: impossível.

John Wick: Chapter 3 – Parabellum, EUA, 2019 Diretor: Chad Stahelski Elenco: Keanu Reeves, Halle Berry, Laurence Fishburne, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance Reddick, Anjelica Huston, Ian McShane Roteiro: Derek Kolstad, Shay Hatten, Chris Collins, Marc Abrams Fotografia: Dan Laustsen Trilha Sonora: Tyler Bates, Joel J. Richard Produção: Basil Iwanyk, Erica Lee Duração: 131 min. Estúdio: Thunder Road Pictures, 87Eleven Productions Distribuidora: Summit Entertainment

Brightburn – Filho das trevas (2019)

Por André Dick

Com produção do diretor dos dois Guardiões da galáxia e de Super, James Gunn, e roteiro assinado por seu irmão Brian e primo Mark, Brightburn – Filho das trevas é dirigido por David Yarovesky, O filme inicia com um casal, Tori (Elizabeth Banks), e Kyle (David Denman), que mora na área rural do Kansas, numa grande fazenda, pensando em ter um filho. Nesse momento, a obra dá um salto no tempo, e os vemos criando um menino, Brandon (Jackson A. Dunn).
Se Brighturn tem algo não é exatamente a originalidade. Brandon caiu do céu dentro de uma espécie de cápsula que lembra imediatamente aquela de Superman, de Richard Donner, e de O homem de aço, de Zack Snyder (lembrando que James Gunn escreveu o primeiro filme desse diretor, Madrugada dos mortos). A semelhança é tão grande que se pode avaliar como os dois Gunn autores do roteiro devem ter feito uma pesquisa detalhada sobre aquele que se esconderia por trás da persona de Clark Kent.

No entanto, Brandon não é exatamente como Clark. A princípio, um filho educado, prestativo com os pais, começa, na chegada da adolescência, ater acessos de raiva e descobre uma força incomum, sobretudo depois de tentar ligar um cortador de grama. Esses momentos lembram principalmente O homem de aço, de Snyder, até mesmo nos enquadramentos, no entanto sob o ponto de vista de uma ameaça maligna. Aqui não existe kryptonita: ela está encarnada na própria figura do personagem central. E os símbolos das abelhas e das flores interagem para mostrar como o personagem do menino está situado entre o possível ataque e uma tentativa de sensibilidade, oferecendo um bom resultado.
Obviamente, Brightburn vai se sucedendo em blocos, com uma narrativa a princípio previsível, no entanto, além da atuação de Banks, muito bem, e da presença de Denman, o jovem ator Dunnan, o qual fez uma rápida participação em Vingadores – Ultimato como o jovem Scott Lang, traz uma plausibilidade ao roteiro. Os momentos em que ele contracena com o pai e a mãe são verdadeiros e, quando começa a mudar seu comportamento, em diálogo com a sua idade, há um interesse genuíno de avaliá-lo psicologicamente. O próprio interesse nele por sua colega de aula Caitlyn (Emmie Hunter), filha de Erica (Becky Wahlstrom), que trabalha na lanchonete da cidadezinha, mostra isso.

E, embora seja muito rápida sua transformação, a edição colabora para que o espectador aceite isso. Tendo apenas curtas e um longa-metragem, A colmeia, antes desse filme (aliás, imagem utilizada aqui em momentos-chave), o diretor David Yarovesky escolhe alguns elementos de obras de super-heróis: o menino, em determinado momento, começa a desenhar um uniforme em seu caderno. A atmosfera rural é decisivamente importante para que a narrativa se sinta real, com a presença de um bosque onde Brandon e seu pai vão treinar tiros a alvo.
Há, nisso, não apenas a influência de Superman, como também da série A profecia, que iniciou com uma peça em 1976 do mesmo diretor Richard Donner. No entanto, mais recentemente tivemos Destino especial, um menino do interior que descobria super-poderes. Brightburn tem muito desse filme, com a diferença de que acentua seu horror em suas bordas. É um grande quadro de como pode brotar o pavor de um cenário idílico, inofensivo, e adianta em sua narrativa uma espécie de diálogo com Hereditário.

É clara, em alguns momentos, a influência dessa obra de Aster, principalmente aproveitando a noite como uma oposição ao dia – os momentos mais assustadores se passam nesse período, aproveitando a imagem de bosques. O trabalho de fotografia de Michael Dallatorre, desse modo, é muito bom, e sempre deixa o fundo das cenas como espaço para a imaginação do espectador, temendo o que pode acontecer. Com isso, apesar de muitas sequências serem possivelmente previsíveis, há nelas um conjunto que consegue aparentar uma construção interessante e mesmo elegante, apesar de adotar o caminho mais brusco em alguns momentos. Mas, acima de tudo, o roteiro consegue desenvolver um elo de ligação dos pais com o filho de modo que, quando as coisas começam a ficar agitadas, o espectador fica receoso de haver um elo quebrado. Para isso, é vital a atuação principalmente de Banks, atriz subestimada. Ela consegue dar credibilidade à pressa do ato final, com momentos realmente emocionais, seja para assustar ou não.

Brightburn, EUA, 2019 Diretor: David Yarovesky Elenco: Elizabeth Banks, David Denman, Jackson A. Dunn, Matt Jones, Meredith Hagner, Emmie Hunter, Becky Wahlstrom Roteiro: Mark Gunn e Brian Gunn Fotografia: Michael Dallatorre Trilha Sonora: Timothy Williams Produção: James Gunn e Kenneth Huang Duração: 90 min. Estúdio: Screen Gems, Stage 6 Films, Troll Court Entertainment, The H Collective Distribuidora: Sony Pictures Releasing

Cobra Kai II (2019)

Por André Dick

No ano passado, o YouTube lançou Cobra Kai, dando continuidade à série Karatê Kid, dos anos 80, ampliando um universo que conecta Ocidente e Oriente. Tudo teve início em Karatê Kid – A hora da verdade, de John G. Avildsen, que ganhou um Oscar surpreendente por Rocky – Um lutador. Como o filme de Stallone dos anos 70, a obra de 1984 tinha uma mensagem válida, cenas de luta interessantes e personagens acessíveis, assim como os dois episódios seguintes e ainda um quarto, com Hilary Swank.
O protagonista era o jovem Daniel LaRusso (Ralph Macchio, bom ator) , que chegava a Reseda, bairro de Los Angeles, vindos de Newark, New Jersey, e passava a ser perseguido por Johnny Lawrence (William Zabka), isso porque se envolvia com a ex-namorada desse, Ali Mills (Elizabeth Shue). LaRusso era ajudado pelo Sr. Miyagi (Noriyuki “Pat” Morita), um zelador do seu condomínio, depois que começava a sofrer violência. Na primeira temporada de Cobra Kai, Johnny reerguia o dojo Cobra Kai, do sensei John Creese (Martin Kove), enquanto Daniel se mostrava um competente vendedor de carros, ao lado da esposa Amanda (Courtney Henggeler). Nesta segunda, o próprio Creese reaparece para tentar reviver guerras antigas.

Cobra Kai, como o primeiro Karatê Kid, funcionava de maneira quase perfeita. Cobra Kai II atrai o espectador para a ligação entre Lawrence e Creese, que o ajudou desde quando era pequeno e tinha problemas familiares. Creese sempre incentivou seus alunos a um karatê violento, enquanto os ensinamentos do Sr. Miyagi se baseiam num contato com a natureza, seja no mar ou num lago. O mesmo acontece na segunda temporada, quando Daniel abre seu dojo Miyagi-Do, tendo como seus dois primeiros alunos a filha, Samantha (Mary Mouser), e o filho de Johnny, Robby Keene (Tanner Buchanam), praticamente abandonado pela mãe e com problemas de relacionamento com o pai. Este se dedica a ajudar principalmente seu melhor aluno, Miguel (Xolo Maridueña, ótimo), enquanto nutre um interesse secreto pela mãe do aluno, Carmen (Vanessa Rubio). A série volta a trabalhar com as classes sociais de Daniel e Johnny: no filme, o primeiro morava na periferia e o segundo na parte de classe alta da cidade. As coisas se invertem, e o espectador, por vezes, se vê compadecido com a situação de Lawrence, mesmo que ele às vezes pareça não ter mudado muito em sua personalidade.

Ele admite a volta do antigo sensei e não consegue ter domínio sobre os alunos mais violentos, especificamente Hawk (Jacob Bertrand), que também sofria bullying. Hawk, no entanto, abandonou o antigo amigo nerd, Demetri (Gianni Decenzo), que tem dificuldades de se adaptar ao Cobra Kai e parte em busca da ajuda de Daniel no dojo Miyagi-Do. A maneira como os personagens vão mudando conforme a situação é o melhor elemento dessas duas temporadas e um exemplo de fan service sem cair na previsibilidade. Lawrence se vê sob conflito quando descobre que seu antigo sensei passa por dificuldades, no entanto também sente ausência de uma companheira e não compreende por que o filho não quer seu contato e sim com seu maior inimigo.
Cobra Kai II mostra que as decepções e mágoas temporais estão em discussão e o tempo vai trazendo novas lições para, inclusive, esclarecer o passado. O diálogo com os episódios do cinema é muito bem trabalhado, desta vez quando Daniel, por exemplo, lembra de quando foi ludibriado por um amigo de John Creese, Terry (Thomas Ian Griffith), na terceira parte da série de cinema. Do mesmo modo, as lembranças do Sr. Miyagi, por meio, por exemplo, de uma medalha de guerra dele, são exitosas. As tentativas de Daniel ensinar a seus alunos as técnicas do karatê também replicam memórias dos anos 80, assim como os carros no pátio da mesma casa de Miyagi onde ele organiza o seu dojo.

Igual à primeira temporada, é  interessante os limites entre o que é certo e o que é errado se tornarem um pouco menos claros. As vidas de LaRusso e Johnny se cruzam como aquelas que vemos no ótimo filme O lugar onde tudo termina, sobre a ligação entre diferentes gerações. Se os conhecíamos jovens, a sua versão mais velha e experiente leva a uma reavaliação do que os levou aonde estão. O momento em que dividem um restaurante com seus interesses amorosos, a exemplo de uma conversa de bar no primeiro, é um dos melhores. No entanto, Cobra Kai II acentua a figura da violência escolar desta vez por meio de Tori (Peyton List), uma nova aluna do Cobra Kai, que se desentende com a filha de LaRusso e se aproxima de Aisha (Nichole Brown), até então melhor amiga daquela. Tudo pode acabar no entendimento e em aprendizados interiores ou em lutas realmente violentas – e em Cobra Kai II estão as melhores do universo de Karatê Kid, principalmente aquelas que desencadeiam um grande final da temporada, excepcionais em sua coreografia.

Josh Heald, Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg, que criaram a série Cobra Kai a partir do filme original, voltam a mostrar um trabalho de roteiro simples, mas notável, mesmo em sua introdução de personagens apenas para divertir, como o de Raymond (Paul Walter Hauser), aproveitando referências oitentistas sem cair no lugar-comum (talvez as melhores sejam aquelas que lembram um videoclipe e A garota de rosa shocking). E, apesar do ótimo elenco juvenil e de Macchio, Henggeler e Kove apresentarem boas atuações, é William Zabka novamente que se destaca no papel de Johnny Lawrence, numa atuação por vezes comovente, quando se encontra, por exemplo, com os antigos amigos. Cobra Kai II ajuda não apenas a ver as coisas menos estáticas, como mostra que o tempo ainda pode trazer o melhor da sabedoria, seja em qual parte o indivíduo se encontra de sua vida. Na maior parte de sua narrativa despretensioso, por vezes bem-humorado, ele consegue alcançar pontos dramáticos que mesmo os filmes de cinema não atingiam.

Cobra Kai II, EUA, 2018 Diretores: Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Michael Grossman, Josh Heald, Jennifer Celotta Criadores: Josh Heald, Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg Roteiristas: Jason Belleville, Stacey Harman, Josh Heald, Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg, Kevin McManus, Matthew McManus, Luan Thomas, Joe Piarulli, Michael Jonathan Smith Elenco: Ralph Macchio, William Zabka, Courtney Henggeler, Xolo Maridueña, Mary Mouser, Tanner Buchanan, Jacob Bertrand, Gianni Decenzo, Peyton List, Nichole Brown Fotografia: Cameron Duncan Trilha Sonora: Leo Birenberg e Zach Robinson Duração: entre 22-36 minutos (10 episódios) Distribuidora: YouTube Red

Cemitério maldito (2019)

Por André Dick

O cinema vem adaptando obras de Stephen King em larga escala desde os anos 70, quando livros como Carrie, a estranha e Os vampiros de Salem, se transformaram em filmes (o de Hooper feito inicialmente para a TV, mas depois lançado no cinema em circuito restrito, pela qualidade). No entanto, foi nos anos 80, com peças como O iluminado, Fog, Christine – O carro assassino, Conta comigo e A hora do lobisomem, que King chegou as maiores plateias. Em Creepshow ele participou, inclusive, como ator numa das histórias. No final dessa década, foi lançada a primeira adaptação de Cemitério maldito, mais exatamente em 1989. Desde lá, as adaptações do escritor não cessaram, inclusive algumas indicadas ao Oscar de melhor filme (Um sonho de liberdade, À espera de um milagre). Apenas em 2017 foram lançados It – A coisa e Jogo perigoso.
Desta vez, temos uma nova versão da mesma obra de King, como antes já aconteceu com o próprio It, O iluminado e Carrie, entre outros. Ele mostra a chegada de Louis Creed (Jason Clarke), médico de Boston, que se muda para a cidezinha de Ludlow, Maine, com sua esposa Rachel (Amy Seimetz) e seus dois filhos pequenos, Ellie (Jeté Laurence) e Gage (os gêmeos Hugo e Lucas Lavoie).

Além disso, há o gato de Ellie, chamado “Church”. A câmera sobrevoando uma estrada em meio a florestas obviamente lembra o filme de Kubrick do início dos anos 80, no entanto não existe aqui, exatamente, um tom grandioso. Tudo vai se situar num determinado espaço. Logo na chegada, Ellie vai até o bosque, onde vê crianças com máscaras levando um animal a um cemitério chamado “Pet Sematary”, onde conhece o vizinho Jud Crandall (John Lithgow), que avisa sobre o perigo do lugar.
Desde o início, a dupla de diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer tenta escapar da versão de 1989, com toda a atmosfera daquela década e a canção-título numa versão antológica dos Ramones (que mais tornou o filme conhecido), com uma fotografia mais soturna. Eles também acentuam o clima pesado e cadavérico dos personagens. Todos eles parecem ter sido afetados pelo conceito de morte, não apenas o médico, como sua esposa, que não quer falar sobre um determinado acontecimento em sua vida.

O mais interessante nessa história é que, para personagens que não conseguem enfrentar a ideia de morte, esta se aproxima cada vez mais, seja por meio de visões estranhas, seja por meio de uma determinada situação envolvendo o gato de Ellie. Este é o momento em que a história é conduzida para um ambiente fantástico, principalmente por meio de uma neblina noturna e por meio de passeios no bosque perto de casa que não parecem exatamente reais, contudo repletos de uma sensação onírica. De certo modo, há uma influência decisiva do excelente Hereditário, nos cenários apertados da casa, além de um diálogo aberto com No cair da noite, embora sem a mesma sensação de claustrofobia, e com O ritual nas cenas de sonho. Também há influências de Twin Peaks e Shyamalan quando os diretores filmam as folhas das árvores do bosque, e de Boa noite, mamãe no uso de crianças com máscaras assustadoras.
Os diretores privilegiam as atuações de Clarke, Seimetz e Lithgow, além da revelação Laurence, verdadeiramente efetiva nos melhores momentos. Kölsch e Widmyer, com um cuidado extremo, fazem da história de terror de King uma análise sobre a constituição familiar e de como os personagens dependem uns dos outros para que um certo padrão predomine.

É o tema principal da obra de King, principalmente em clássicos como O iluminado: a ligação entre os pais e como elas se projetam nos filhos, sobretudo ainda crianças. Em Cujo, por exemplo, uma mãe tenta defender seu filho de um cachorro da raça São Bernardo, que fica com raiva depois de ser mordido por um morcego. O roteiro de Jeff Buhler consegue sintetizar essas ideias de King num roteiro bastante sintético, porém sem os exageros de adaptações recentes do escritor que se pretendem épicas e soam vazias. Há alguns lapsos na narrativa, com certeza, no entanto nunca se mostram prejudiciais para o todo e, mesmo que a fotografia de Laurie Rose se sinta um tanto sem inspiração na paleta de cores, há uma movimentação de câmera interessante. Quando a violência cresce em proporção, ela não soa exagerada e sim cabível no contexto – e alguns instantes realmente assustam. É só comparar esta adaptação com outras de King que envolvem gatos (por exemplo, Sonâmbulos) para ver o quanto ele é superior e aborda de modo eficaz seus temas, além de entregar momentos decisivamente temíveis, a exemplo daqueles que envolvem uma estrada que está perto da nova casa da família e já constituíam também os melhores da versão anterior.

Pet sematary, EUA, 2019 Diretor: Kevin Kölsch e Dennis Widmyer Elenco: Jason Clarke, Amy Seimetz, John Lithgow, Jeté Laurence, Hugo Lavoie, Lucas Lavoie Roteiro: Jeff Buhler Fotografia: Laurie Rose Trilha Sonora: Christopher Young Produção: Lorenzo di Bonaventura, Mark Vahradian, Steven Schneider Duração: 101 min. Estúdio: Di Bonaventura Pictures Distribuidora: Paramount Pictures

Melhores filmes dos anos 70 (1970-1979)

Por André Dick

Anos 1970. Trata-se de uma das décadas mais interessantes do cinema, não apenas por causa da Nova Hollywood, em que surgiram ou se firmaram cineastas autorais como Francis Ford Coppola, Robert Altman, Terrence Malick, Michael Cimino, Hal Ashby, Martin Scorsese, Bob Rafelson, Monte Hellman, Arthur Penn, Peter Bogdanovich, John Boorman, Sam Peckinpah, Brian De Palma, Sydney Pollack, Mike Nichols, John Cassavetes e William Friedkin, entre muitos outros, como também aqueles voltados a um cinema mais popular de alta qualidade, como Steven Spielberg e George Lucas. É a década dos filmes que mais lembram minha infância e minha mãe apreciava muitos dessa lista.
Na Europa, grandes cineastas produziram muito: Eric Rohmer, Claude Chabrol, Luis Buñuel, Dario Argento, Louis Malle, François Truffaut, Rainer Werner Fassbinder, Federico Fellini, Ingmar Bergman, Werner Herzog, Bernardo Bertolucci, Wim Wenders, assim como Tarkovsky foi o grande nome da Rússia. No Chile, surgiu o cineasta de origem surrealista Alejandro Jodorowsky; na Austrália, Peter Weir e George Miller; no Canadá, David Cronenberg; na Inglaterra, Terry Gilliam e Nicolas Roeg; na Suécia, Roy Andersson; no Japão, Shohei Imamura; no Irã, Abbas Kiarostami. Alguns cineastas europeus foram filmar nos Estados Unidos, como Antonioni e Milos Forman. E foi a década em que se confirmou o talento de Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock fez suas peças finais. Grandes nomes surgiram, como David Lynch, John Carpenter e Ridley Scott, assim como Woody Allen acrescentou muitos filmes à sua filmografia e Clint Eastwood deu seus primeiros passos atrás das câmeras.
O panorama político dos Estados Unidos suscitou filmes com essa marca de paranoia e perseguição, como A trama, A conversação, Todos os homens do presidente e Três dias do Condor, e foi a última década de grandes musicais. Mel Brooks fez comédias provocativas. O universo do rock se mesclou ao cinema em documentários como Gimme Shelter. A ficção científica atingiu um novo patamar com Tarkovsky, Spielberg, Lucas e Robert Wise. O terror ganhou um status de arte com Argento, Carpenter e Tobe Hooper. O cinema com pano de fundo histórico talvez nunca tenha sido tão presente em grandiosidade, em obras como Barry Lindon, Nicholas e Alexandra, Os duelistas, Waterloo e Patton E a Guerra do Vietnã foi retratada de diversas formas, por cineastas como Cimino, Ashby e Coppola. Já no fim da década, Superman – O filme marca a primeira superprodução de super-herói. 41 anos atrás.
Depois do Especial Filmes da década de 1970, do Cinematographe (pode-se encontrar outras críticas na minha página pessoal do Letterboxd), segue abaixo a lista dos melhores filmes de 1970 a 1979, acompanhados por menções honrosas.

1. O açougueiro (Claude Chabrol)
2. O conformista (Bernardo Bertolucci)
3. Patton (Franklin J. Schaffner)
4. O pássaro das plumas de cristal (Dario Argento)
5. O círculo vermelho (Jean-Pierre Melville)
6. Zabriskie Point (Michelangelo Antonioni)
7. Performance (Nicolas Roeg e Donald Cammell)
8. M.A.S.H. (Robert Altman)
9. De volta ao vale das bonecas (Russ Meyer)
10. El Topo (Alejandro Jodorowsky)

Menções honrosas: Eram os deuses astronautas? (Harald Reinl), Love Story – Uma História de Amor (Arthur Hiller), Trinity é o meu nome (Enzo Barboni), O pequeno grande homem (Arthur Penn), Pele de asno (Jacques Demy), Cada um vive como quer (Bob Rafelson), Aristogatas (Wolfgang Reitherman), Valéria e sua semana de deslumbramentos (Jaromil Jires), Voar é com os pássaros (Robert Altman), O meu pé de laranja lima (Aurélio Teixeira), Waterloo (Sergei Bondarchuk), Gimme Shelter (Albert Maysles, David Maysles, Charlotte Zwerin), Uma lição para não esquecer (Paul Newman), Tristana (Luis Buñuel), Ardil 22 (Mike Nichols), Woodstock – 3 dias de paz, amor e música (Michael Wadleigh), Uma história de amor sueca (Roy Andersson), Joe (George G. Avildsen)

1. Um violinista no telhado (Norman Jewison)
2. Sob o domínio do medo (Sam Peckinpah)
3. Laranja mecânica (Stanley Kubrick)
4. Encurralado (Steven Spielberg)
5. Quando os homens são homens (Robert Altman)
6. A última sessão de cinema (Peter Bogdanovich)
7. Operação França (William Friedkin)
8. A tocha do zen (King Hiu)
9. Caminhada sem fim (Nicolas Roeg)
10. Ensina-me a viver (Hal Ashby)

Menções honrosas: Nicholas e Alexandra (Franklin J. Schaffner), Se minha cama voasse (Robert Stevenson), THX 1138 (George Lucas), A fantástica fábrica de chocolate (Mel Stuart), 007 – Os diamantes são eternos (Guy Hamilton), Ânsia de Amar (Mike Nichols), Procura insaciável (Milos Forman), Aventuras com tio Maneco (Flávio Migliaccio), Dirty Harry – Perseguição implacável (Don Siegel), O gato de nove caudas (Dario Argento), O estranho que nós amamos (Don Siegel), Bananas (Woody Allen), Corrida sem fim (Monte Hellman), O enigma de Andrômeda (Robert Wise), Morte em Veneza (Luchino Visconti), Trinity ainda é o meu nome (Enzo Barboni), Os emigrantes (Jon Troell), Klute – O passado condena (Alan J. Pakula), Corrida contra o destino (Richard C. Sarafian), Houve uma vez um verão (Robert Mulligan)

1. O poderoso chefão (Francis Ford Coppola)
2. Os implacáveis (Sam Peckinpah)
3. Solaris (Andrei Tarkovsky)
4. Amargo pesadelo (John Boorman)
5. O candidato (Michael Ritchie)
6. Frenesi (Alfred Hitchcock)
7. As lágrimas de Petra von Kant (Rainer Werner Fassbinder)
8. O discreto charme da burguesia (Luis Buñuel)
9. Corrida silenciosa (Douglas Trumbull)
10. Mais forte que a vingança (Sydney Pollack)

Menções honrosas: Essa pequena é uma parada (Peter Bogdanovich), Cabaret (Bob Fosse), O último tango em Paris (Bernardo Bertolucci), Aguirre – A cólera dos deuses (Werner Herzog), Inimigos inseparáveis – Que assim seja Trinity ( Maurizio Lucidi), Amor à tarde (Eric Rohmer), A conquista do planeta dos macacos (Jack Lee Thompson), Lágrimas de esperança (Martin Ritt), Gritos e sussurros (Ingmar Bergman), A inocente face do terror (Robert Mulligan), Imagens (Robert Altman), O dia dos loucos (Bob Rafelson), Joe Kidd (John Sturgess), Sexy e marginal (Martin Scorsese), Tintim e o lago dos tubarões (Raymond Leblanc)

1. As loucas aventuras de Rabbi Jacob (Gérard Oury)
2. O espírito da colmeia (Víctor Erice)
3. O exorcista (William Friedkin)
4. Amarcord (Federico Fellini)
5. Inverno de sangue em Veneza (Nicolas Roeg)
6. Loucuras de verão (George Lucas)
7. Terra de ninguém (Terrence Malick)
8. Lua de papel (Peter Bogdanovich)
9. Espantalho (Jerry Schatzberg)
10. O homem de palha (Robin Hardy)

Menções honrosas: Fernão Capelo Gaivota (Hall Barlett), Com 007 viva e deixe morrer (Guy Hamilton), Jesus Cristo Superstar (Norman Jewison), Batalha do planeta dos macacos (Jack Lee Thompson), Serpico (Sidney Lumet), Um longo adeus (Robert Altman), A montanha sagrada (Alejandro Jodorowsky), As aventuras de Tom Sawyer (Don Taylor), Magnum 44 (Ted Post), Westworld – Onde ninguém tem alma (Michael Crichton), 40 quilates (Milton Katselas), A última missão (Hal Ashby), Golpe de mestre (George Roy Hill), Nosso amor de ontem (Sydney Pollack), A noite americana (François Truffaut), Robin Hood (Wolfgang Reitherman)

1. O fantasma da liberdade (Luis Buñuel)
2. Ali: O medo consome a alma (Rainer Werner Fassbinder)
3. O poderoso chefão: Parte II (Francis Ford Coppola)
4. Chinatown (Roman Polanski)
5. O enigma de Kaspar Hauser (Werner Herzog)
6. A trama (Alan J. Pakula)
7. Alice não mora mais aqui (Martin Scorsese)
8. Alice nas cidades (Wim Wenders)
9. O passageiro (Abbas Kiarostami)
10. Inferno na torre (John Guillermin)

Menções honrosas: A conversação (Francis Ford Coppola), Nossa, que loucura! (Peter Yates), O jovem Frankenstein (Mel Brooks), O massacre da serra elétrica (Tobe Hooper), Banzé no oeste (Mel Brooks), O último golpe (Michael Cimino), Assassinato no Expresso Oriente (Sidney Lumet), O pequeno príncipe (Stanley Donen), Benji (Joe Camp), 007 – contra o homem da pistola de ouro (Guy Hamilton), As novas aventuras do fusca (Robert Stevenson), Zardoz (John Boorman), Uma mulher sob influência (John Cassavetes), Louca escapada (Steven Spielberg), Lenny (Bob Fosse)

1. Barry Lyndon (Stanley Kubrick)
2. Piquenique na montanha misteriosa (Peter Weir)
3. Um estranho no ninho (Milos Forman)
4. Tubarão (Steven Spielberg)
5. Dersu Uzala (Akira Kurosawa)
6. O espelho (Andrei Tarkovsky)
7. Shampoo (Hal Ashby)
8. Primo, prima (Jean-Charles Tacchella)
9. Um lance no escuro (Arthur Penn)
10. O direito do mais forte (Rainer Werner Fassbinder)

Menções honrosas: Overlord (Stuart Cooper), Três dias do Condor (Sydney Pollack), Jeanne Dielman (Chantal Akerman), Um dia de cão (Sidney Lumet), Bang-Bang no oeste (Norman Tokar), O vento e o leão (John Milius), Nashville (Robert Altman), O retorno da pantera cor-de-rosa (Blake Edwards), Profissão: repórter (Michelangelo Antonioni), Tommy (Ken Russell), Monty Python em busca do cálice sagrado (Terry Jones e Terry Gilliam), A história de Adele H. (François Truffaut), A última noite de Bóris Grushenko (Woody Allen), Operação França II (John Frankenheimer), O prisioneiro da segunda avenida (Melvin Frank)

1. 1900 (Bernardo Bertolucci)
2. Quando as metralhadoras cospem (Alan Parker)
3. Todos os homens do presidente (Alan J. Pakula)
4. Taxi Driver (Martin Scorsese)
5. Rocky – Um lutador (John G. Avildsen)
6. Maratona da morte (John Schlesinger)
7. Oeste selvagem (Robert Altman)
8. Casanova de Fellini (Federico Fellini)
9. Cria cuervos (Carlos Saura)
10. Trama macabra (Alfred Hitchcock)

Menções honrosas: King Kong (John Guillermin), Eaton alive (Tobe Hooper), O império dos sentidos (Shohei Imamura), Cannonball – A corrida do século (Paul Bartel), Grizzly – A fera assassina (William Girdler), No decurso do tempo (Wim Wenders), Rede de intrigas (Sidney Lumet), Roleta chinesa (Rainer Werner Fassbinder), O inquilino (Roman Polanski), Assalto ao 13º DP (John Carpenter), Os trapalhões no planeta dos macacos (J.B. Tanko), A Condessa de O. (Eric Rohmer), A queda (Ruy Guerra), Sem medo da morte (James Fargo), Nasce uma estrela (Frank Pierson), Carrie – A Estranha (Brian De Palma), Face a face (Ingmar Bergman), A profecia (Richard Donner), Josey Wales – O fora da lei (Clint Eastwood), A última loucura de Mel Brooks (Mel Brooks), O homem que caiu na terra (Nicolas Roeg), Mickey e Nicky (Elaine May), O expresso de Chicago (Arthur Hiller), A mansão diabólica (Dan Curtis)

1. O amigo americano (Wim Wenders)
2. Guerra nas estrelas (George Lucas)
3. Stroszek (Werner Herzog)
4. Alguém lá em cima gosta de mim (Carl Reiner)
5. New York, New York (Martin Scorsese)
6. O ovo da serpente (Ingmar Bergman)
7. Suspiria (Dario Argento)
8. Contatos imediatos do terceiro grau (Steven Spielberg)
9. A última onda (Peter Weir)
10. Jabberwocky (Terry Gilliam)

Menções honrosas: Eraserhead (David Lynch), Noite de estreia (John Cassavetes), Meu amigo, o dragão (Don Chaffey), Os duelistas (Ridley Scott), O grande búfalo branco (J. Lee Thompson), Noivo neurótico, noiva nervosa (Woody Allen), Os embalos de sábado à noite (John Badham), Pelo amor de Benji (Joe Camp), Bernardo e Bianca (Wolfgang Reitherman, John Lounsbery, Art Stevens), Orca – A baleia assassina (Michael Anderson), Quadrilha de sádicos (Wes Craven), Alta ansiedade (Mel Brooks), Três mulheres (Robert Altman), 007 – O espião que me amava (Lewis Gilbert), Vale tudo (George Roy Hill), Agarra-me se puderes (Hal Needham), Rabid (David Cronenberg), Herbie – O fusca enamorado (Vincent McEveety), A garota do adeus (Herbert Ross), A ilha do dr. Moreau (Don Taylor), O adorável Benji (Joe Camp), O exorcista II – O herege (John Boorman), Dois tiras fora de ordem (Enzo Barboni), O comboio do medo (William Friedkin), House (Nobuhiko Obayashi)

1. O franco-atirador (Michael Cimino)
2. Cinzas no paraíso (Terrence Malick)
3. Superman – O filme (Richard Donner)
4. O casamento de Maria Braun (Rainer Werner Fassbinder)
5. Invasores de corpos (Philip Kaufman)
6. Febre de juventude (Robert Zemeckis)
7. Halloween (John Carpenter)
8. A fúria (Brian De Palma)
9. O céu pode esperar (Warren Beatty e Buck Henry)
10. A árvore dos tamancos (Ermanno Olmi)

Menções honrosas: Liberdade condicional (Ulu Grosbard), Coma (Michael Crichton), Caçador de morte (Walter Hill), Os meninos do Brasil (Franklin J. Schaffner), Amargo regresso (Hal Ashby), Grease – Nos tempos da brilhantina (Randal Kleiser), Uma mulher descasada (Paul Mazurksy), Piranha (Joe Dante), Tubarão 2 (Jeannot Szwarc), 007 – Foguete da morte (Lewis Gilbert), Golpe sujo (Colin Higgins), Um passe de mágica (Richard Attenborough), Clube dos cafajestes (John Landis), O enxame (Irwin Allen), O ladrão de Bagdá (Clive Donner), O expresso da meia-noite (Alan Parker), Watership down – Uma grande aventura (Martin Rosen), Interiores (Woody Allen), Os olhos de Laura Mars (Irvin Kershner), O mágico inesquecível (Sidney Lumet), Vivendo na corda bamba (Paul Schrader), Mogli – O menino lobo (Zoltan Korda), Um longo fim de semana (Colin Eggleston), Os trapalhões na guerra dos planetas (Adriano Stuart), A gaiola das loucas (Édouard Molinaro)

1. Hair (Milos Forman)
2. Tess (Roman Polanski)
3. All That Jazz – O show deve continuar (Bob Fosse)
4. Os vampiros de Salem (Tobe Hooper)
5. A vida de Brian (Terry Jones)
6. Nosferatu – O vampiro da noite (Werner Herzog)
7. Justiça para todos (Norman Jewison)
8. Alien – O oitavo passageiro (Ridley Scott)
9. Bye Bye Brasil (Cacá Diegues)
10. Jornada nas estrelas – O filme (Robert Wise)

Menções honrosas: Muito além do jardim (Hal Ashby), Warriors – Os selvagens da noite (Walter Hill), Muppets – O filme (James Frawley), O campeão (Franco Zefirelli), O panaca (Carl Reiner), Norma Rae (Martin Ritt), Manhattan (Woody Allen), O corcel negro (Carroll Ballard), 007 contra o foguete da morte (Lewis Gilbert), Mulher Nota 10 (Blake Edwards), A rosa (Mark Rydell), Kramer vs. Kramer (Robert Benton), O vencedor (Peter Yates), Síndrome da China (James Bridges), Rocky II – A revanche (Sylvester Stallone), O buraco negro (Gary Nelson), Alcatraz – Fuga impossível (Don Siegel), American Graffiti – E a festa acabou (Bill L. Norton), Mad Max (George Miller), 1941 – Uma guerra muito louca (Steven Spielberg), Almôndegas (Ivan Reitman), Nós jogamos com os hipopótamos (Italo Zingarelli), As quatro irmãs (Gillian Armstrong), O bom burguês (Osvaldo Caldeira), Apocalypse now (Francis Ford Coppola)

Alien – O oitavo passageiro (1979)

Por André Dick

Dirigido por Ridley Scott – que vinha de Os duelistas (1977) – Alien – O oitavo passageiro marcou o final dos anos 1970 como uma das ficções científicas mais originais até então feitas, com elementos de terror e visual repleto de jogos de luz. Apesar de revolucionário e ter influenciado dezenas de filmes em seguida, Alien surgiu da impossibilidade do roteirista Dan O’Bannon terminar um roteiro para a versão cinematográfica de Duna (que seria também filmado por Jodorowsky, depois por Ridley Scott e acabou sendo feito por David Lynch), e fez tanto sucesso que deu origem a uma franquia, que perdura até hoje, muito em razão também da sua sequência, Aliens, dirigida por James Cameron.
Os personagens estão em viagem espacial na Nostromo, um cargueiro de minério espacial. quando são acordados ao receberem sinais de vida vindos de um planeta. A bordo da espaçonave, estão o capitão Dallas (Tom Skerritt), os oficiais Kane (John Hurt) e Ripley (Sigourney Weaver), Lambert (Veronica Cartwright), o cientista Ash (Ian Holm) e dois engenheiros, Parker (Yaphet Kotto) e Brett (Harry Dean Stanton). Ao descerem no planeta de onde vêm os sinais, além de problemas estruturais, o principal: uma criatura fica grudada no capacete de Kane, com tentáculos agarrados em seu pescoço, deixando-o numa espécie de coma. Como deixá-lo vir a bordo trazendo uma potencial ameaça?

É nesse planeta que se destaca, além dos excelentes efeitos visuais (vencedores do Oscar), o desenho de produção fascinante de H. R. Giger. A maneira como se prepara o que irá acontecer, numa mesa de jantar, é definidora dos padrões de mescla entre terror e ficção científica que seria replicada com êxito por John Carpenter em O enigma de outro mundo (aliás, O’Bannon havia escrito Dark Star, de 1974, dirigido pelo próprio Carpenter).
Durante alguns anos, depois do sucesso de público e crítica de Os duelistasAlien e Blade Runner – o terceiro de forma tardia –, Ridley Scott tentou encontrar um novo rumo para sua carreira. Nos anos 80, depois de Blade Runner, realizou obras como A lenda, para chegar à consagração, nos anos 90, com Thelma & Louise, até chegar ao subestimado Gladiador, um dos melhores filmes já realizados sobre a Roma Antiga. Depois de fazer Falcão negro em perigo, com cenas de ação muito bem feitas, Hannibal (a sequência desagradável de O silêncio dos inocentes), Os vigaristas (mistura entre drama e comédia com Nicolas Cage), encadeou uma espécie de remake de Gladiador, o grandioso Cruzada, e alguns filmes com Russell Crowe: Um bom anoO gângsterRede de mentiras e Robin Hood – dos quais os dois primeiros se destacam, e nos últimos anos retomou a saga Alien, com os ótimos e subestimados Prometheus e Alien: Covenant.

É em Alien – O oitavo passageiro que Scott constrói a a premissa de sua trajetória elegante: um cineasta com primor visual, logo depois de Os duelistas (em seu diálogo com Barry Lindon), e que busca concentrar as ideias em narrativas aparentemente simples. O androide Ash antecipa David de Prometheus e Alien: Covenant, um parente próximo também de Roy Batty, feito por Rutger Hauer, em Blade Runner, à procura de uma explicação divina para a existência, ao mesmo tempo que parece se afastar dela ou mesmo colocá-la em dúvida. Será, afinal, que ele deseja conservar a vida eterna de seu pai? É este pai, responsável pela corporação à qual pertence a Nostromo, que lembra Tyrell, o criador dos replicantes de Blade Runner. O deuses – e os homens que se movem para descoberta –, são colocados em dúvida – mas aparecem a cada instante, na forma de conflitos e tentativa de persuadir o outro a caminhar rumo ao abismo. David é quem dá uma espécie de consistência existencial a Prometheus, e as partes de que participa são as melhores, seja no início, inspecionando os sonhos de Elizabeth, seja quando anda de bicicleta jogando basquete ou caminha de chinelo num ambiente asséptico – remetendo ao David Bowman de 2001.

Quando coloca um uniforme com capacete, logo é perguntado por que faz aquilo, já que é um androide. Ele responde que é porque foi feito para que não fosse diferenciado dos seres humanos. Ou seja, há uma espécie de consciência para David, disfarçada de desumanidade, e todas as suas ações são completamente mecânicas e calculadas. Ele se difere dos androides feitos por Holm e Henriksen nos dois primeiros filmes da série, pois se aproxima muito mais do homem – e se visualiza que aqueles foram criados como versões avançadas deste – em suas ações inexplicáveis e indefinidas mesmo por quem está, digamos, “acima” dele em hierarquia.
De qualquer modo, é justamente seu antecessor Ash, numa atuação brilhante de Ian Holm, que concede a faceta humana mais assustadora de Alien, pois ele, de fato, é uma criação do homem em que não se tem confiança alguma. Por mais que se distancie das atitudes que teria um ser humano comum, ou seja, baseado em fatos assustadores. Quando Ripley desconfia de seu comportamento, Scott oferece a guinada de seu filme, entre corredores escuros da Nostromo. Weaver, nesse sentido, tem uma atuação excepcional, oferecendo um tom preocupado singular, precursor das personagens de outro sucesso de Scott, Thelma & Louise. Em meio a um clima misterioso, a trilha sonora de Jerry Goldsmith concede um atrativo extra para compor uma atmosfera aterradora e que ainda pode sintetizar boa parte da trajetória do cineasta britânico. Veja-se, por exemplo, as sequências em que Brett procura por um gato pela nave espacial ou aquela na qual o capitão Dallas tenta usar um aparelho para saber da chegada de uma potencial ameaça. Além disso, a maneira como Scott liga Alien e Prometheus é um dos grandes achados do cinema recente, colocando em discussão temas como a exploração espacial e como a humanidade pode ser colocada em segundo plano em nome de possíveis descobertas científicas. Para Scott, o elemento mais assustador pode ser justamente a decisão sob influência da humanidade. Para combatê-la, é preciso certo heroísmo e seguir o caminho certo para a autodescoberta.

Alien, EUA/ING, 1979 Diretor: Ridley Scott Elenco: Tom Skerritt, Sigourney Weaver, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm, Yaphet Kotto Roteiro: Dan O’Bannon Fotografia: Derek Vanlint Trilha Sonora: Jerry Goldsmith Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Duração: 117 min. Estúdio: 20th Century Fox e Brandywine Productions Distribuidora: 20th Century Fox

 

Longa jornada noite adentro (2019)

Por André Dick

Longa jornada noite adentro, lançado na mostra “Un certain regard” do Festival de Cannes e dirigido por Bi Gan, tem uma narrativa que trata da volta de Luo Hongwu (Huang Jue) a Kaili, província montanhosa do sudoeste de Guizho, sua cidade natal, da qual se afastou há muitos anos e na qual trabalhava como gerente de cassino. Ele ressurge para o funeral de seu pai e vêm à memória sua ligação com um antigo amigo, Wild Cat (Lee Hong-chi), a mãe dele (Sylvia Chang), e com um amor nunca superado, Wan Qiwen (Tang Wei).
As influências de Bi Gan são notáveis: de David Lynch, passando por Wong Kar-Wai (sobretudo 2046), até Nicolas Winding Refn, principalmente Demônio de neon e Apenas Deus perdoa. Ele trata a narrativa de maneira a nunca deixar muito claro o que está acontecendo, com longas sequências sem diálogo e uma atmosfera onírica muito forte e detalhista. Parece uma sucessão de devaneios, em que a ideia central é justamente colocar os atores em posição de expectativa. Há traços de Holy Motors, não apenas porque se passa predominantemente à noite, como também por seu cuidado com as cores e os figurinos (predominantemente o verde da amada do personagem central).

Se o personagem encontra a mulher de sua vida num túnel, aparentando estar mais dentro de um sonho, logo vemos que a história trata Wan como próxima a criminosos e que Wild Cat, o amigo do personagem central, foi assassinado por mafiosos de sua cidade. É um mistério a ser solucionado? Não mais do que o filme. As cenas de Longa jornada noite adentro podem mesmo ser cansativas à primeira vista, no entanto constituem um cinema capa de fascinar. E, apesar do título e do tom teatral, não há uma relação clara com a peça de Eugene O’Neill.
Segue-se, então, que, a partir de determinado momento, Luo vai a um cinema, como se fosse o par de mulheres em Cidade dos sonhos, para assistir a um filme, embora também lembre Adeus, Dragon Inn e Felizes juntos, partindo daí o brilhante trabalho de fotografia assinada pelo trio Yao Hung-i, Dong Jinsong e David Chizallet. No cinema, esta parte é em 3D, numa espécie de metalinguagem típica do cinema moderno e uma certa indicação para os experimentos de Godard e certamente de Lubezki e Iñárritu em Birdman. É nesse outro filme (ou sonho) que ele conhece Kaizhen (também Tang Wei).

A impressão que se tem é de um cinema baseado em metáforas e parcialmente fantasmagórico. Se o Mr. Oscar se movimentava em Holy Motors como um espectro na noite de Paris, simbolizando a própria morte do cinema antigo e sua passagem para o mundo digital, não é muito diferente nesse filme chinês. O personagem principal tem uma narração breve, com poucas falas, mas que remetem a uma narrativa noir de detetive e mesmo os cenários vão simbolizando essa tentativa de evocar outra época, com elementos típicos: a chuva, a escuridão da estrada, uma moça caminhando na rua sendo seguida de perto com os faróis de um carro, isqueiros sendo acesos e homens de chapéu soprando fumaça de cigarro. Tudo parece uma grande representação do cinema clássico, no entanto sob uma ótica contemporânea, com extrema perspicácia. É mais ou menos o movimento feito por Chan-wook Park em A criada: utilizar imagens com um ambiente já gravado na memória cinematográfica do espectador sob um ponto de vista diferente. Nesse sentido, as imagens de Longa jornada noite adentro lidam com uma constante espécie de nostalgia.

O design de produção de Liu Qiang, evocando ambientes do interior da China, misteriosos, recorda em algumas partes o trabalho de Gaspar Noé, com a ajuda do trabalho fotográfico, sobretudo numa sequência em que os personagens parecem voar (evocando Enter the void), em meio a um cenário que lembra um grande parque de diversões, com um karaokê de fundo. É um filme absolutamente preciso, mesmo com suas elipses, e predominantemente poético em sua tentativa de transformar imagens imprecisas em algo mais concreto. Ele consegue estabelecer uma relação de perda de Luo com a tentativa de ele se reconectar com um antigo amor de maneira que o espectador é recompensado por movimentos de câmera impecáveis. E, em certos momentos, a maneira como se conta a história recorda Nostalgia, de Tarkovsky, com o personagem caminhando em meio a cenários desolados e, como o cineasta russo, Bi Gan nunca desconfia que o hermetismo de seu conto não tem um profundo senso de realidade e humanidade, entregando um dos melhores filmes do ano.

Di qiu zui hou de ye wan, China, 2019 Diretor: Bi Gan Elenco: Tang Wei, Huang Jue, Lee Hong-chi, Sylvia Chang Roteiro: Bi Gan Fotografia: Yao Hung-i, Dong Jinsong e David Chizallet Trilha Sonora: Lim Giong e Hsu Point Produção: Shan Zuolong Duração: 140 min. Estúdio: Zhejiang Huace Film & TV, Dangmai Films, Huace Pictures Distribuidora: BAC Films (França)

Hair (1979)

Por André Dick

O cinema dos anos 70 pode ser referencial em alguns gêneros, mas talvez nenhum tanto quanto o musical. Pode-se dizer que foi a última grande década deste gênero, em razão de exemplares como Um violinista no telhado, Jesus Cristo Superstar, New York, New York, Cabaret e All That Jazz. Nenhum representa tanto a época em que foi lançado quanto Hair. Sendo originalmente um musical da Broadway, Hair: An American Tribal Love-Rock Musical, criado por Gerome Ragni e James Rado, foi levado ao cinema pelo cineasta checo Milos Forman, que quatro anos antes havia recebido os Oscars de filme e direção por Um estranho no ninho.
Forman trabalhou sobre um roteiro de Michael Weller, mostrando um jovem do interior, Claude Hooper Bukowski (John Savage), que sai de Oklahoma para a cidade de Nova York depois de ter sido convocado para o exército. Na metrópole, ele conhece o líder de um grupo de hippies, George Berger (Treat Williams), que tem como principais amigos LaFayette “Hud” Johnson (Dorsey Wright), Jeannie Ryan (Annie Golden) e Woof Dacshund (Don Dacus). Numa situação inusitada, eles se deparam com Sheila Franklin (Beverly D’Angelo), de uma família de ricaços, andando a cavalo no parque, pela qual Bukowski subitamente se apaixona. No dia seguinte, Berger mostra ao novo amigo uma foto de jornal em que se encontra Sheila.

Hair tem uma história tão direta quanto precisa ser a de um musical cuja concepção se sustenta nas canções. E a trilha é absolutamente brilhante, com uma sucessão de hits invejável: “Hair”, “Age of Aquarius” e “Let the Sunshine In”, por exemplo (deve ter sido o primeiro vinil que ouvi realmente com interesse). Se logo vemos os hippies e Bukowski na festa de Sheila na cena seguinte, é natural que, mais adiante, todos estejam encrencados com a lei. Forman não dá muita importância à ligação entre os personagens e, mesmo assim, os conduz de maneira sensível. O breve interesse de Bukowski e Berger por Sheila é plausível, assim como o de Jeannie, esperando um filho, pelo convocado para a guerra.
Forman adota uma imagem dedicada ao mundo dos hippies e sua contestação à Guerra do Vietnã com figurinos de muitas cores e um ambiente solar, como aquele comício pela paz no Central Park, que remete a Woodstock e conduz Bukowski a uma imagem excêntrica e à canção “Hare Krishna”, que representa basicamente o interesse originário do Ocidente pelo mundo oriental nos anos 60 e 70, principalmente quando John Lennon e os Beatles, assim como intelectuais, a exemplo de Roland Barthes, viam os orientais como uma referência. Do mesmo modo, o universo da contracultura já era interesse de Forman em Procura insaciável, no qual mostrava alguns pais que queriam conhecer o universo jovem para se aproximar dos filhos.

Procura insaciável tinha uma atmosfera que remete à festa de Sheila em Hair, por exemplo, em que vemos dispostas mesas para convidados avessos a qualquer ideia de se pensar sobre a guerra que está lá fora. Há um clima natural de contestação contra instituições, principalmente o exército norte-americano, subvertendo algumas imagens icônicas, assim como lida com temas que começavam a ser discutidos, ainda com certo romantismo, no entanto Forman não se concentra nisso porque se tornaria datado. No centro de tudo está a amizade entre um rapaz do interior comportamento e um grupo de contestação, entretanto o que os aproxima é justamente o mesmo: a imaginação com um mundo em que se pode batalhar pelas próprias coisas, sem estar a cargo de um governo decidir por isso. Obviamente, Forman exibe a faceta conhecida do universo hippie, como uma espécie de convite ao espectador interessado procurar mais informações sobre o que aconteceu. Hair, nesse sentido, é extraordinário, assim como, em termos de montagem e dança, movimenta-se como um musical de verdade. Os cortes em cenas rápidas ou mudanças repentinas de cenários e personagens em coreografias movimentadas são notáveis – a sequência em que Berger canta na calçada –, evocando Amor, sublime amor e preparando tudo para o terceiro ato sentimental e doloroso ao extremo.

Cineasta de grande talento, Forman faria em seguida Na época do Ragtime e mais adiante Amadeus, ganhando novamente os Oscars de filme e direção. Hair não chegou a mostrar potencial no Oscar, sendo indicado ao Globo de Ouro de melhor comédia ou musical e exibido no Festival de Cannes, porém é uma peça para entender a cultura dos anos 60 e 70 e o que a solidifica. Ao mesmo tempo que possui uma ideia de cinema popular, ele se alimenta de elementos mais underground (em seu final, lembra Nashville, de Altman, e antecipa O resgate do soldado Ryan), assim como trabalha com uma fotografia estupenda de Miroslav Ondříček, iluminando Nova York nos dias de sol e tornando-a cinzenta em dias menos calorosos, no entanto sem deixar de cativar o espectador. E o elenco é de grande destaque: apesar de Savage e D’Angelo, além de Golden, se sobressaírem em vários momentos, a história pertence a Williams, numa mistura de empatia e revolta que torna seu personagem antológico e numa espécie de símbolo dessa era de Aquarius que o filme simboliza com competência.

Hair, EUA, 1979 Diretor: Miloš Forman Elenco: John Savage, Treat Williams, Beverly D’Angelo, Dorsey Wright, Annie Golden, Don Dacus Roteiro: Michael Weller Fotografia: Miroslav Ondříček Trilha Sonora: Galt MacDermot Produção: Michael Butler e Lester Persky Duração: 121 min. Estúdio: CIP Filmproduktion GmbH Distribuidora: United Artists Pictures