Halloween (2018)

Por André Dick

Em 1978, John Carpenter, um mestre do terror e do suspense, criou uma das franquias mais exitosas do gênero, com Halloween, tendo à frente a jovem Jamie Lee Curtis e um assassino por trás de uma máscara, Michael Myers. Ele rendeu uma série de sequências, a segunda com o mesmo estilo, assinada por Rick Rosenthal, e a terceira mudando a perspectiva para um tom mais fantasioso. Depois, vinte anos depois, tivemos Halloween H-20 – Vinte anos depois, com a personagem de Curtis de volta, assim como em Halloween – Ressurreição. Já em 2007 e 2009 Rob Zombie fez uma reinicialização da saga contra o psicopata, desta vez com um estilo mais hiperbólico, com violência ao extremo e um excesso de luzes que remetia a um clube noturno.
O novo Halloween se passa quatro décadas depois do que aconteceu na noite enfocada pela obra clássica de John Carpenter. A localidade é a mesma: Haddonfield, Illinois. No entanto, o filme começa com jornalistas, Aaron Korey (Jefferson Hall) e Dana Haines (Rhian Rees), que vão para o Sanatório de Smith Grove tentar entrevistar Michael Myers (Nick Castle sem máscara e James Jude Courtney com), tratado pelo Dr. Ranbir Sartain (Haluk Bilginer), que substituiu o Dr. Samuel Loomis (Donald Pleasence).

Os jornalistas buscam, em seguida, de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), a sobrevivente da chacina de 1978. Sua relação com a família é distante, tendo perdido a guarda de sua filha, Karen Nelson (Green), que se casou com Ray (Toby Huss) e teve a filha Allyson (Andi Matichak). Esta tem como amigos Vicky (Virginia Gardner) e Dave (Milles Robbins) e namora Cameron Elam (Dylan Arnold).
Se a história continua a história de 1978, desconsiderando as continuações, pode-se dizer que o estilo é mais interessante, sob o ponto de vista de movimentação de câmera, o que se deve à presença de David Gordon Green na direção, cineasta de origem indie. Diretor de obras respeitadas (George Washington, Prova de amorContra corrente), Gordon Green nos últimos anos se situou entre comédias desconexas (Sua alteza), retratos de homens comuns (Joe e Príncipes da estrada) e uma análise semidocumental das eleições (Especialista em crise, uma espécie de No com Sandra Bullock), mas voltou a mostrar seu melhor em O que te faz mais forte. Isso inclui diálogos críveis e uma montagem suficientemente atraente para que não esqueçamos da importância de cada personagem e do drama existencial maior que cerca cada pessoa. Seu filme comove do melhor modo e dá a importância adequada aos acontecimentos enfocados.

No entanto, o que o diretor Green faz é muito mais eficaz: ele mostra como um determinado acontecimento lida não apenas com o extremo da pessoa visivelmente atingida por um atentado terrorista, Jeff Bauman (Jake Gyllenhaal), como aqueles familiares que o cercam, do mesmo modo que os amigos próximos. Essa característica se reproduz na maneira que enfoca Laurie Strode, traumatizada por décadas com Michael Myers e que construiu uma casa que parece uma fortaleza contra o crime. Há, sem dúvida, um posicionamento crítico e social na visão de Gordon Green. Aqui, as mulheres resistem ao mal, enquanto os homens, de certo modo, são fracos ou fascinados pela figura do psicopata, ou simplesmente desconsideram a segurança da família (sim, de modo geral, eles são os vilões). Laurie não quer depender da polícia, adquirindo suas próprias armas para defesa, mesmo porque aquela não lhe ofereceu segurança no primeiro filme. O xerife Frank Hawkins, (Will Patton) simplesmente não consegue organizar seus comandados, enquanto pensar muito não parece ser o forte de Dr. Ranbir. A neta de Laurie também, em determinado momento, enfrenta o namorado diante de uma atitude dele, enquanto Dave recua em defender Vicky numa sequência que envolve o menino Julian Morrisey (Jibrail Nantambu), de quem ela é babá, num diálogo direto com o original de Carpenter, aqui um dos colaboradores da antológica trilha sonora.

O roteiro de Jeff Fradley, Danny McBride e David Gordon Green, nesse sentido, é interessante na sua maneira de editar as passagens, sem excessos. A primeira meia hora, principalmente na visita dos jornalistas a Myers no sanatório, é muito bem feita e simbólica. Eles caminham em direção ao criminoso sobre um chão pintado como se fosse um tabuleiro gigante, antecipando as próprias ações a seguir: saber quais personagens escaparão de Myers será o principal. Depois, Laurie observa sua neta Allyson a distância, do lado de fora do colégio, como se fosse um espectro, igual a Myers no original observando os jovens pelas ruas, mostrando seu trauma inabalável. Green mescla o estilo dos anos 70 a uma nova visão de cinema, com destaque para a iluminação dos ambientes, não apenas pelo uso de luzes quanto pela mescla entre o ambiente noturno, entrecortado pelas abóboras iluminadas nas ruas e varandas das casas, e as sirenes dos carros de polícia, influenciado não apenas pelo Carpenter dos anos 70, como por Corrente do mal, de David Robert Mitchell, e Nicolas Winding Refn (além de uma breve homenagem a Sombras da vida, na cena do lençol de fantasma). A elegância de sua direção é essencial para a permanência do gênero de terror nesta releitura, servindo também como sequência, muito digna de um clássico.

Halloween, EUA, 2018 Diretor: David Gordon Green Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Will Patton, Virginia Gardner, Nick Castle Roteiro: Jeff Fradley, Danny McBride, David Gordon Green Fotografia: Michael Simmonds Trilha Sonora: John Carpenter, Cody Carpenter, Daniel Davies Produção: Malek Akkad, Jason Blum, Bill Block Duração: 105 min. Estúdio: Miramax, Blumhouse Productions, Trancas International Films, Rough House Pictures Distribuidora: Universal Pictures

22 de julho (2018)

Por André Dick

Não chega a ser o forte de Greengrass a discussão que repercute do relato contado, mas em Voo United 93 tínhamos uma concepção visual de suspense, para a qual convergia o fato histórico. Capitão Phillips, seu filme indicado ao Oscar, também não parece funcionar exatamente como ação. Contado como uma espécie de documentário, salvo a presença de Hanks e de Barkhad Abdi (excelente), não há movimento além daquele empregado pela montagem – e um filme que pretende manter 100% de tensão acaba por vê-la diluída, fazendo de sua metade final um momento estafante. A emoção costuma surgir de personagens, e não de uma ação e de uma montagem que tenta trazer a emoção: o que parece inexistir em Capitão Phillips é exatamente a ligação entre os personagens, a qual se tenta preencher com movimento, um traço bastante explorado em Voo United 93, mesmo com personagens a princípio reunidos por uma situação calamitosa.

Em Capitão Phillips, ele mostra uma direção com uma variação de movimentos de câmera, tentando, de certo modo, se desvencilhar da dificuldade em lidar com os temas, sejam políticos ou sociais, que pretende colocar como pano de fundo. É difícil imaginar o que Greengrass quis nesta mistura de fatos reais com elementos do que existe de mais questionável nessa forma de cinema: a maneira patriótica e agressiva como ele filma ou a maneira de manipulação que ele lança sobre esses personagens, principalmente sobre os piratas da Somália. Segundo Greengrass, o objetivo desses piratas por meio do roubo seria viajar para os Estados Unidos. Os Estados Unidos permitirão isso? Greengrass tem todas as fontes para responder, mas parece uma difícil escolha.

Já em 22 de julho, amadurecido com a passagem dos anos e já afastado da série que o revelou, do personagem Bourne, Greengrass, baseado no livro One of Us: The Story of a Massacre in Norway – and Its Aftermath, de Åsne Seierstad, retoma esse traço documental com impressionante sobriedade. A história começa mostrando o responsável pelo massacre de centenas de pessoas na Noruega em 2012: Anders Behring Breivik (Anders Danielsen Lie), que ataca tanto com uma bomba lançada perto do escritório do primeiro-ministro Jens Stoltenberg (Ola G. Furuseth), quanto assassina jovens na ilha de Utoya. Greengrass desenha essa escala de violência mostrando a preparação de Beivik, em direção a essa ilha, pretendo assinalar sua loucura. Sua concepção dada ao caminho dele lembra aquela que Gus Van Sant oferece aos jovens de Elefante, influenciado por um antissemitismo flagrante e praticante de xenofobia – que fazem figuras psicopatas tentarem justificar sua própria loucura.

O advogado de Breivik, Geir Lippestad (Jon Øigarden) não quer defender o assassino, mas se impõe como parte de uma defesa constrangida. No entanto, o grande destaque é o foco dado a um dos sobreviventes, Viljar Hanssen (Jonas Strand Gravli), que fica com fragmentos de uma bala em seu crânio e a cegueira de um olho, enquanto ajuda seu irmão, também testemunha do acontecimento, Torje (Isak Bakli Aglen).
22 de julho se constitui num dos filmes mais particulares da filmografia de Greengrass e possivelmente o mais autoconsciente de seus caminhos. Com um estilo europeu e uma fotografia belíssima de Pål Ulvik Rokseth, ele contrasta o ataque feito ao país à tentativa de Viljar superar a violência em sua recuperação diária. A atuação de Gravli é espetacular, talvez a mais contida até agora do ano e ainda assim altamente impactante, assim como Anders Danielsen Lie, ator preferido de Joachim Trier, é de uma frieza controlada e angustiante no papel do homem que procura deixar uma espécie de legado da distorção da realidade. 22 de julho poderia servir para apresentar um discurso político por trás de suas ideias, mas como em Voo United 93, Greengrass mostra a humanidade resistente das vítimas de um psicopata.

Ao contrário de outro filme lançado este ano sobre esse acontecimento, este no festival de Berlim, Utoya, 22 de julho, Greengrass não se foca apenas no acontecimento que dá resultado ao restante. Não tenta criar atenção com a figura do assassino caçando jovens pela ilha de maneira claustrofóbica, embora certamente crie um mal-estar, e sim expande a noção de um país voltado para suas camadas sociais mal resolvidas, embora apenas implicitamente. Filmes com essas temáticas costumam ser recebidos muito bem ou de maneira enviesada, observando apenas seus problemas ou sua tentativa de reproduzir a dor. Greengrass estabelece uma relação indireta entre a situação do assassino, do menino que se recupera e do advogado em meio à turbulência de defender um criminoso declarado e que passa a sofrer ameaças, junto com sua família, e recebe o convite de tirar sua filha do colégio onde ela estuda. Ele não está interessado exatamente em revelar como esse assassino interfere na sociedade norueguesa, e sim como esta responde a um acontecimento que transtorna todos. Para Greengrass, a superação humana absorve toda a mudança guardada depois de um acontecimento dessa natureza e, sem tentar explicá-lo, o coloca em observação sob vários ângulos.

22 july, EUA, 2018 Diretor: Paul Greengrass Elenco: Anders Danielsen Lie, Jonas Strand Gravli, Jon Øigarden, Isak Bakli Aglen, Maria Bock, Thorbjørn Harr, Seda Witt, Ola G. Furuseth, Hilde Olausson Roteiro: Paul Greengrass Fotografia: Pål Ulvik Rokseth Trilha Sonora: Sune Martin Produção: Scott Rudin, Eli Bush, Gregory Goodman, Paul Greengrass Duração: 143 min. Estúdio: Scott Rudin Productions, Netflix Distribuidora: Netflix

O primeiro homem (2018)

Por André Dick

Em 2014, o diretor Damien Chazelle já havia realizado um filme considerado por muitos um clássico instantâneo, Whiplash, selecionado com surpresa entre os indicados ao Oscar principal, recebendo três estatuetas. Sua obra seguinte, La La Land – Cantando estações, veio com uma repercussão ainda mais forte, desde seu lançamento no Festival de Veneza. Com inúmeras referências a musicais antigos ou dos anos 80, apresentou uma história que podia ser considerada romântica em seu limite. Talvez ele não apresentasse nada de muito novo sobre os sonhos da cidade de Hollywood, que ganharam versões nas obras de mestres como Billy Wilder e David Lynch, mas, além de trazer canções antológicas (principalmente “City of stars”, bastante evocativa), num trabalho notável de Justin Hurwitz, tinha muito a falar da divisão entre sonho e realidade, da concretização ou não de uma pretensão artística. Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) eram figuras que, como no cinema vendo uma sessão do clássico Juventude transviada, se dividiam entre o que pretendem ser e o que se mostrava realmente viável. Isso conferia ao filme uma camada que Chazelle tornava encantadora pela maneira como a revelava, aos poucos.

Depois do grande desempenho junto ao crítico e à pública de La La Land, recebendo seis Oscars, a nova obra do diretor, O primeiro homem, mostra a vida do astronauta Neil Armstrong (Ryan Gosling), a partir de 1961, e sua rotina com a sua primeira esposa Janet Shearon (Claire Foy), até começar a fazer parte da missão coordenada pela Nasa em direção à Lua em 1969. Esses são personagens que realmente existiram e próximos de um contexto do qual La La Land se afastava: o da tentativa de ser fiel aos fatos. Chazelle sofre uma transformação por trás das câmeras. Se em Whiplash e La La Land, ele utilizava um estilo simples e ambientes arejados, nada disso se repete em O primeiro homem.
Com uma notável tentativa estética, por meio da fotografia de Linus Sandgren, de remeter ao estilo de Terrence Malick de A árvore da vida, assim como àquele visto em Interestelar, de Christopher Nolan, e ao clássico 2001, de Kubrick – na iluminação dos capacetes dos astronautas, sobretudo –, a dicção de Chazelle quase desaparece. Temos a sensação de assistir a uma busca de estilo que ressoa uma determinada emulação de outros artistas. Chazelle não está preocupado com o sentimento, a exemplo do que víamos em La La Land, apenas com a técnica e em criar enquadramentos diferenciados. Por sua vez, a tentativa de ir à Lua se torna menos intensa e o personagem de Neil Armstrong é emblemático nesse sentido.

Não apenas desenhado com um sujeito frio e distante da família e da esposa, por causa de uma perda marcante, mal percebemos o quanto ele pouco interage com outros personagens, como seus companheiros de aventura Buzz Aldrin (Corey Stoll) e Michael Collins (Lucas Haas), além dos astronautas Ed White (Jason Clarke), Roger B. Chaffee (Corey Michael Smith) e Gus Grissom (Shea Whigham) e o diretor de operações de voo Deke Slayton (Kyle Chandler), reunindo um grande elenco. Nas cenas em que brinca com os filhos, a lembrança imediata é o estilo de Malick em A árvore da vida, porém o que o cerca é uma sensação permanente de luto.
Por isso, talvez esse sentimento se estenda ao restante da história. As reuniões na Nasa, que eram tão interessantes em Os eleitos, de Philip Kaufman, o qual certamente influenciou também Chazelle, são passageiras. A câmera de Sandgren treme como se estivéssemos num filme de guerra de Kathryn Bigelow, porém isso não guarda relação com os sonhos desses personagens. Há um verniz documental sobre um fundo de mundo de transformação, mas as duas características não se fundem como poderia. Isso tudo parece proposital por parte de Chazelle, tornando os fatos históricos preenchidos por um ar de certa insegurança e mesmo espanto (os voos dos astronautas antes da missão final são, de certo modo, assustadores, sobretudo no uso da câmera). Não há elementos retumbantes; tudo parece em suspenso, contido.

O primeiro homem é um filme levemente autocentrado e desprovido de certa emoção que faz Gravidade e Perdido em Marte, por exemplo, parecerem playgrounds de desenvolvimento de personagens – e mesmo oferece certa ausência do clima de rotina e mudança histórica encontrados em Estrelas além do tempo. E impacta a maneira como Gosling e Foy, um par de grande talento, fica às vezes sem sustentação do roteiro. Gosling parecia um ator perfeito para esse papel, no entanto seu olhar vago é muito diferente daquele que utiliza em Drive, O lugar onde tudo termina e Blade Runner 2049, nos quais possui um roteiro para trabalhar; aqui ele aparenta estar apenas entre momentos marcantes para a humanidade, mas dos quais ele se aproxima apenas por um interesse remoto e baseado em efeitos visuais muito bem realizados. Ainda assim, Gosling entrega uma atuação que ajuda O primeiro homem a não ser um filme plenamente comercial. Há uma sequência no início de choro que remete à atuação dele impecável em De canção em canção e sua presença sintetiza um certo olhar distante da humanidade.
Isso se deve muito ao roteiro de Josh Singer, que ganhou um Oscar inexplicável por Spotlight e escreveu The Post, baseado no livro de James R. Hansen, que não consegue tecer um elo real entre os personagens – principalmente de Neil com seus parceiros de voo – e faz com que Chazelle tente concentrar a expectativa e suspense nas engrenagens de um foguete indo ao espaço. O que não tinham Spotlight e The Post? Exatamente relações efetivas entre os personagens (difícil recordar, ao longo do filme, uma fala de Lukas Haas, por exemplo). A questão é que este elemento se encaixa com a proposta da narrativa, que visa exatamente um sentimento constante de deslocamento do mundo, percebido nos flashbacks e na visão que o filme entrega da vida dos filhos dos astronautas, sempre próximos de um abandono anunciado. E, nessa linha, os pátios das casas mostrados por Chazelle mesclam uma alegria e um desconforto em igual escala.

O curioso é que a missão da Nasa na Apollo 11 em direção à Lua é uma reminiscência de infância, dos sonhos de cada criança quando descobrimos que o homem chegou a ela, e teve sua transmissão ao vivo desse acontecimento. Tudo isso desperta uma grande nostalgia. O primeiro homem faz o contrário. O que ele consegue é reverter essa espécie de sonho coletivo numa espécie de conto sobre um homem solitário e como a chegada à Lua, na verdade, foi apenas uma extensão do vazio que o preenche toda a narrativa, com a trilha sonora introspectiva de Justin Hurwitz. Essa sequência do pouso (imaginamos não ser um spoiler) é um registro da secura da paisagem diante a qual Neil se mostra sempre, mesmo quando visualiza a Lua à noite no céu.
Muitas críticas avaliam que o filme de Chazelle falharia ao ser um tanto antiamericano: não é o caso, apenas não sendo patriótico ou com sentimentos retumbantes pelo êxito do país na corrida espacial, que seriam incoerentes com a figura mostrada de Neil Armstrong na narrativa, na qual o luto é definidor mesmo para um discurso de John Kennedy sobre a Lua e com um instante-chave da personagem de Foy. É, por alguns instantes, bastante profundo. O seu problema é não ser uma obra com a grandeza do acontecimento enfocado, apesar de sua parte técnica notável, deixando no espectador a sensação de que muitos elementos estavam prontos para funcionar, sem serem, ao fim, totalmente colocados em prática. O que temos ainda, porém, é uma obra bastante interessante de um gênero que não cansa de receber novos exemplares de impacto.

First man, EUA, 2018 Diretor: Damien Chazelle Elenco: Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll, Ciarán Hinds, Christopher Abbott, Patrick Fugit, Lukas Haas Roteiro: Josh Singer Fotografia: Linus Sandgren Trilha Sonora: Justin Hurwitz Produção: Wyck Godfrey, Marty Bowen, Isaac Klausner, Damien Chazelle Duração: 142 min. Estúdio: Universal Pictures, DreamWorks Pictures, Temple Hill Entertainment, Perfect World Pictures Distribuidora: Universal Pictures

Nasce uma estrela (2018)

Por André Dick

A nova versão de Nasce uma estrela, apesar de ser a quarta, depois da primeira em 1937, com Janet Gaynor e Fredric March e da segunda em 1954, estrelada por Judy Garland e James Mason, dialoga muito com a terceira, de 1976, com Barbra Streisand e Kcaris Kristofferson. Não se diz isso tendendo a desvalorizar o filme de Bradley Cooper, sua estreia como diretor, e sim como um mérito. Apesar de ter sido mal recebida em sua estreia, a versão dos anos 1970 conseguia captar o universo de música country daquele período, assim como o agito mais contemporâneo do surgimento de uma estrela. Cooper, sem imitar Kristofferson, mas se baseando nele e na sua persona de cinema mais recente, Jeff Bridges (Coração louco), faz um astro da música country, Jackson Maine, que tem problemas com bebida e um problema de audição cada vez mais frequente, atingido por acufenos.

Determinada noite, depois de um show, ele sai com o motorista de limousine Wolfe (Michael Harney), pelas ruas da cidade, até encontrar um bar. Nele, acaba conhecendo uma cantora, Ally (Lady Gaga), que trabalha como atendente também num restaurante, amiga de Ramon (Anthony Ramos). Ambos imediatamente se aproximam e Jackson identifica um talento nela até então não descoberto por nenhum outro, nem pelo pai dela, Lorenzo (Andrew Dice Clay), que tentou ser cantor e brinca sempre dizendo que amigos o apontavam como melhor do que Frank Sinatra.
A referência a um passado nostálgico e do universo nova-iorquino permeia esta versão de Nasce uma estrela, com sua infinitude de estradas e shows a se perderem de vista. O roteiro de Cooper escrito com Eric Roth e Will Fetters é exemplar na passagem de tempo, sem ficar atento demais a pequenas minúcias, mas inserindo tudo numa espécie de mosaico sonoro e contemporâneo. Jackson ajuda Ally a surgir como cantora, assim como compõe com ela músicas que fazem sucesso. Porém, é sua sensibilidade no primeiro encontro, quando vai ao camarim dela, que torna esse o registro de um homem que deseja encontrar na figura feminina uma maneira de entender melhor suas ausências pessoais. Quando ele a convida para adentrar o palco, a fim de cantarem juntos uma nova música feita por ela no estacionamento de um supermercado, além de lembrar a atmosfera de Quase famosos, muito convincente, ajuda a entrelaçar épocas distintas.

De certo modo, Bradley Cooper, ator que se projetou com a trilogia Se beber, não case!, apanha a faceta do trabalho de Todd Phillips (um dos produtores desta sua estreia como diretor), carregada de cenários reais, e oferece um verniz onírico com a contribuição da fotografia de Matthew Libatique, habitual colaborador de Darren Aronofksy. Ele se baseia na iluminação de um dos melhores filmes sobre o universo musical, The Runaways, com uma grande concentração da cor vermelha nos bastidores, em contraponto à claridade do deserto e do sonho americano.
O que Nasce uma estrela tem de melhor, além da química entre Cooper e Lady Gaga, é a relação que ele mostra entre o sonho idealizado e o sonho a ser atingido por meio do marketing. Ally é uma cantora de uma nova geração e não tarda a seguir passos que, para Jackson, não são os mais corretos – ela de fato se torna uma artista parecida com Lady Gaga –, influenciada pelo oportunista Rez Gafron (Rafi Gafron). Ele é auxiliado pelo irmão, também seu empresário, Bobby (Sam Elliott, com participação menor do que poderia), com quem se desentende em relação à figura paterna. Cooper consegue trazer os cenários dos shows para a frente da plateia como se fizessem parte da composição desses personagens e os torna realistas, a exemplo da passagem pelo Saturday Night Live. Malick havia conseguido isso em De canção em canção, no ano passado, embora com um tom mais poético na captação de imagens, próprio do diretor de A árvore da vida. Cooper concentra esse realismo de modo a expandir a relação entre Jackson e Ally, abdicando do desenvolvimento, inclusive, de outros personagens, que só aparecem para fortalecer essa relação.

As cenas em que estão na sua casa demonstram isso de maneira exata, e Gaga consegue alcançar uma atuação que já se entrevia em seu documentário excelente, Gaga: five foot two, no qual, sendo exibida nos bastidores de seu novo projeto musical (iniciado, inclusive, com uma parabenização pelo papel conseguido para este filme), já se mostrava boa atriz. Sem recursos excessivos de maquiagem ou figurino excêntrico, Gaga se mostra uma estrela no cinema maior do que aquela com a qual é comparada inúmeras vezes, Madonna, a qual nunca atingiu notas dramáticas no cinema como sua colega de música faz neste projeto. Cooper, por sua vez, é uma espécie de solitário, e demonstra isso muito bem quando domina a maior parte das cenas. Seu drama pessoal, tocado pelo problema alcóolico, pode ser tematicamente previsível, porém consegue se estabelecer de modo vital para o funcionamento da engrenagem, sobretudo numa cena em que partilha alguns diálogos com um pai de família dedicado e melhor amigo, Noodles (Dave Chappelle). Perceba-se, em igual intensidade, como Cooper torna a narrativa repleta de espelhos ou de imagens espelhadas em molduras, e ao final mostra a antítese disso. Não há nada especialmente novo na história: a tentativa de fazer sucesso, como chegar lá, as consequências e os caminhos a seguir depois de tudo são alguns dos percalços de Nasce uma estrela. No entanto, tudo é conduzido com rara habilidade.

Há, por trás da narrativa, um diálogo com New York, New York, de Scorsese, com a diferença de que Jackson é um personagem simpático e afetuoso, ao contrário daquele saxofonista feito por De Niro no filme referido. Não apenas há traços melhor elaborados do que o filme de 1976 com a aversão de Jackson ao caminho seguido pelo amada, como também uma homenagem derradeira lembra muito a de Liza Minnelli. Como diretor, além da atuação com mais nuances do que a de Kristofferson, da versão dos anos 70, fazendo deste o seu melhor trabalho desde O lado bom da vida, Cooper compõe vinte minutos finais especialmente belos, reunindo sentimentos e conflitos que não podem ser sintetizados por palavras, apenas por imagens. Vem dessa parte final a grandeza desta versão de Nasce uma estrela: em seu tempo de viagem, conta mais o que percebemos no interior dos personagens e o que permanecem são os momentos mais afastados do grande público e que impulsionam esse casal atrás de um sonho, como na melhor canção do filme, “Shallow”. Temos aqui um exemplo de filme que capta parte da vida e de sentimentos ligados a ela muitas vezes esquecidos e que permanecem fortes independente do que aconteça.

A star is born, EUA, 2018 Diretor: Bradley Cooper Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Andrew Dice Clay, Dave Chappelle, Sam Elliott, Anthony Ramos, Rafi Gavron Roteiro: Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters Fotografia: Matthew Libatique Produção: Bill Gerber, Jon Peters, Bradley Cooper, Todd Phillips, Lynette Howell Taylor Duração: 135 min. Estúdio: Warner Bros. Pictures, Live Nation Productions, Metro-Goldwyn-Mayer Pictures, Gerber Pictures Peters Entertainment, Joint Effort Distribuidora: Warner Bros. Pictures

Venom (2018)

Por André Dick

A corrente de filmes de super-heróis rendeu algumas das maiores bilheterias do ano, incluindo as duas principais. Se Venom segue o filão de adaptações de histórias em quadrinhos, desta vez mostrando um supervilão, pode-se lembrar que ele já apareceu em Homem-Aranha 3, o fechamento contestado da trilogia de Sam Raimi, vivido então por Topher Grace. O personagem regressa neste filme sob direção de Ruben Fleischer, que se tornou conhecido por seu cult de comédia Zumbilândia e depois teve uma má recepção com Caça aos gângsters, com um visual elaborado, tanto na direção de arte de época quanto no figurino, além do elenco que inclui Ryan Gosling e Emma Stone. Dessas duas obras, Venom recupera a parte técnica bem elaborada e um cuidado na maneira com que se desenham os personagens num ritmo vertiginoso, sem dar muita importância a explicações psicológicas ou algo do gênero.

A obra de Fleischer teve problemas em suas filmagens, muitos cortes na edição final (fala-se em 40 minutos) e um trabalho de marketing no mínimo duvidoso. Mostra como o jornalista Eddie Brock (Tom Hardy), sob a liderança do editor Jack (Ron Cephas Jones), entra em contato com a corporação Life Foundation, que investiga resquícios de vida num cometa, tendo à frente o CEO Carlton Drake (Riz Ahmed). Ele descobre haver essas pesquisas secretas num documento em posse da sua noiva, Anne Weying (Michelle Williams). Eddie se desentende com Carlton numa visita à empresa, tentando trazer a verdade à tona. Depois de algum tempo, Drake continua fazendo testes com humanos utilizando a forma de vida que caiu com o cometa, uma espécie de parasita. Diante disso, Brock é procurado por Dora Skirth (Jenny Slate), que trabalha para Drake. A partir daí, ele se envolve numa rede de acontecimentos que podem levá-lo a um momento extremamente delicado em sua vida, entre idas a um minimercado constantemente assaltado e incômodos com o vizinho afeiçoado a ligar o rock no último volume diante de seu apartamento, além de uma ida altamente nonsense a um restaurante, a fim de comer de forma desajeitada frutos do mar num aquário.

Fleischer sabe utilizar com maestria a fotografia excepcional de Matthew Libatique, habitual colaborador de Darren Aronofsky e aqui utiliza cores e neons que remetem tanto a seu trabalho em Cisne negro. Também mostra sua agilidade já mostrada nos dois primeiros Homem de ferro. Se as tomadas de efeitos visuais com a criatura que se apossa de Brock lembram as do filme Vida, um terror sobre um hospedeiro alienígena que torna caótica uma estação espacial, o humor da história, que cria um fio tênue entre os personagens, é o que mais sustenta tudo, mesmo a tentativa de dramaticidade. Para isso, a atuação de Hardy é exitosa. Um grande ator já revelado em O regresso, ele tinha bons momentos como o vilão Bane de Batman – O cavaleiro das trevas ressurge e mal aparecia em Mad Max, no entanto é aqui que com uma veia humorística muito bem dosada que ele se sobressai. Além disso, ele tem química com Williams, uma atriz que pouco aparece em blockbusters e naturalmente bem aproveitada pelo roteiro, nos momentos mais efetivos. A inclusão do seu novo namorado, Dr. Dan Lewis (Reid Scott), que tenta ajudar Brock em sua forma de Venom, é também um acerto do roteiro, fazendo o personagem central nunca se sentir antipático, mesmo sendo de fato um supervilão, assim como deposita em Ahmed, ator muito competente, revelado em O abutre, uma boa vilania.

Sustentado por um roteiro de Scott Rosenberg e Jeff Pinker, reescrito por Kelly Marcel, Venom possui uma ambientação que consegue mesclar a atmosfera urbana de uma grande cidade, no caso a mesma San Francisco de Homem-Formiga, e uma fantasia com efeitos visuais no mínimo competentes. As sequências de ação, principalmente aquelas em que o personagem se envolve em lutas, são bastante eficazes, mas nenhuma supera uma na qual ele está de moto – e sua habilidade elástica se mostra muito parecida com a sequência de moto de As aventuras de Tintim, com uma câmera panorâmica para mostrar o salto do personagem. Claro que, depois dessa produção, fica difícil colocá-lo como um vilão do Homem-Aranha em alguma aventura posterior do universo da Marvel – seja da Fox ou da Disney –, graças à intervenção de Hardy, porém é possível dizer que se trata de uma obra despretensiosa que consegue atingir seu feito de maneira interessante. Assim como sem sua grande realização cult Zumbilândia, Fleischer sabe como mesclar ação e uma montagem agilíssima, além de alguns momentos realmente tensos, entregando ao espectador parte de suas expectativas. Desse modo, Venom nunca se sente aborrecido ou em queda, entrelaçando boas situações e um núcleo bem dosado de humor.

Venom, EUA, 2018 Diretor: Ruben Fleischer Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Scott Haze, Reid Scott, Jenny Slate, Ron Cephas Jones Roteiro: Jeff Pinkner, Scott Rosenberg, Kelly Marcel Fotografia: Matthew Libatique Trilha Sonora: Ludwig Göransson Produção: Avi Arad, Matt Tolmach, Amy Pascal Duração: 112 min. Estúdio: Columbia Pictures, Marvel Entertainment, Tencent Pictures, Arad Productions, Matt Tolmach Productions, Pascal Pictures Distribuidora: Sony Pictures Releasing

Noite de lobos (2018)

Por André Dick

Lançado no Festival Internacional de Toronto há menos de duas semanas, Noite de lobos já está disponível na Netflix. Seu diretor é Jeremy Saulnier, muito elogiado por seu filme de estreia, Ruína azul, e mais ainda pelo seguinte, Sala verde. Se esses filmes já demonstravam uma tentativa de o diretor mostrar tramas antilineares, maior ainda era a propensão de ambos à violência. Ela se repete na sua nova obra.
Sua história, assinada por Macon Blair (diretor do muito interessante e vencedor do Festival de Sundance em 2017, Já não me sinto em casa nesse mundo), a partir de um romance de William Giraldi, é ainda mais estranha: o especialista em lobos Russell Core (Jeffrey Wright) vai para Keelut, no Alasca, a fim de caçar lobos que teriam matado três crianças. Quem o chama é Medora Slone (Riley Keough, depois de uma sequência de êxitos no interior dos Estados Unidos com Docinho da América e Logan Lucky), que teve o filho Bailey desaparecido. Ela quer que Core mate os lobos responsáveis. Ao mesmo tempo, Saulnier mostra o marido dela, Vernon (Alexander Skarsgård), na guerra do Iraque, agindo de maneira impactante diante de um abuso cometido por um soldado.

O comportamento de Medora é estranho durante uma noite, quando parece estar dominada por algum espírito maligno e tenta seduzir Core. No dia seguinte, ele vai atrás dos lobos, mas, sem conseguir atingi-los, na volta à casa de Medora tem uma grande surpresa, o que leva os aldeões a dizerem que ela está sob domínio de um demônio-lobo.
Vernon volta para casa e começa a agir de modo ainda mais estranho quando tem uma revelação chocante – e Saulnier parece predisposto a aliar o universo dos lobos com o do combate e da guerra, em sequências de ultraviolência, o que remete a seus filmes anteriores, principalmente Sala verde. Vernon visita uma bruxa local, Illanaq (Tantoo Cardinal), enquanto Russell tenta pedir ajuda ao chefe de polícia Donald Marium (James Badge Dale). O comportamento de Cheeon (Julian Black Antelope), um dos amigos de Vernon e que também perdeu um filho para a matilha de lobos que cerca o local, se conecta com as ações deste – e a passagem na qual enfrenta a polícia lembra aquela da segunda parte de O exterminador do futuro, de James Cameron, no entanto também com a guerra no Iraque. Lugares desolados, para Saulnier, e isso se mostra especificamente no filme anterior dele, estão predispostos a atrair a loucura e o desafio às leis.

Não se pode dizer que Noite de lobos tem como premissa copiar premissas de filmes de terror norte-americanos. Seu clima é mais introspectivo e possui uma fotografia notável de Magnus Nordenhof Jønck, com o talento já mostrado em Lean on Pete. Seu trabalho aqui remete à de dois filmes recentes passados num ambiente gelado, Terra selvagem e Boneco de neve, dialogando com as atuações do elenco, sobretudo de Skarsgård, logo depois do subestimado Mudo, e de Wright, muito compenetrado em sua sensação de nada saber sobre o que está acontecendo. Eles conseguem lidar muito bem com o simbolismo da trama, que tem correspondência com A hora do lobo, de Ingmar Bergman, dos anos 60, sobre um casal afastado numa ilha que vivia uma espécie de pesadelo. Esta obra bergmaniana é uma das influências mais notáveis na obra de David Lynch e, se Saulnier não tem a capacidade para tornar suas imagens tão enigmáticas, consegue, através das atuações e da maneira como dispõe a narrativa, sem um início, meio e fim claros, desenvolver uma notável amplitude quando é preciso o soco emocional para fazer as coisas andarem em frente.

O clima de aldeia ameaçada, além disso, remete ao clássico Grito de horror, de Joe Dante, pois o filme de Saulnier é, antes de tudo, uma revisitação à clássica figura cinematográfica do lobisomem, mas sob um olhar contemporâneo e mais em consonância com temas geopolíticos. Para Saulnier, o instinto da natureza do homem se mostra em diferentes contextos – o calor do Iraque e o gelo do Alasca são polos iguais –, assim como a violência se propaga do mesmo modo: um tiro na nuca de Vernon no Iraque e depois em outro personagem se juntam com o mesmo sentido, de que a violência fantasiosa do lobisomem, que morde suas vítimas, se dá agora por meio de tiros. O nível de sangue, que extrapolava em Sala verde e no filme dirigido pelo roteirista de Noite de lobos, contrasta com o cenário desolador do Alasca e sua brancura e desolação, porém é resultado também dessa guerra estrangeira trazida para o interior dos Estados Unidos. É como se Saulnier dispusesse esse contraste de maneira a fazer o espectador se espantar com seu simbolismo. Ele não expõe de maneira clara, como fazia em Sala verde, por exemplo, os temas que estavam por trás de tudo: pelo contrário, nunca entendemos realmente por que os personagens agem de uma maneira ou outra, sempre contrariando suas próprias posições iniciais. Por isso, talvez, Noite de lobos esteja sendo tão mal recebido. Trata-se de um avanço surpreendente e anticomercial na concepção de um cineasta que parecia fadado apenas a cenas chocantes e muitas vezes gratuitas, em alguns momentos tentando emular Quentin Tarantino. Desta vez, ele certamente tem algo a dizer, embora não pareça, pelos poucos diálogos e pela narrativa nada linear.

Hold the dark, EUA, 2018 Diretor: Jeremy Saulnier Elenco: Jeffrey Wright, Alexander Skarsgård, James Badge Dale, Riley Keough, Irene Bidel, Julian Black Antelope, Tantoo Cardinal Roteiro: Macon Blair Fotografia: Magnus Nordenhof Jønck Trilha Sonora: Brooke Blair e Will Blair Produção: Russell Ackerman, Eva Maria Daniels, John Schoenfelder Duração: 125 min. Estúdio: Addictive Pictures, VisionChaos Productions, FilmScience Distribuidora: Netflix