Sonhos (1990)

Por André Dick

Este é o projeto mais pessoal do cineasta japonês Akira Kurosawa, diretor de filmes antológicos como Kagemusha e Ran. Não apenas por tratar de oito sonhos que teve ao longo da vida, mas também porque apresenta uma narrativa leve e densa, sem permitir uma superficialidade. Ele havia feito Ran cinco anos antes, tendo sido indicado ao Oscar de melhor diretor, sua adaptação para o Rei Lear, de Shakespeare. Pela primeira vez, utiliza efeitos especiais da Industrial Light & Magic, de George Lucas, também porque o filme conta com a produção executiva de Steven Spielberg (possíveis spoilers a partir daqui).
O primeiro dos oito sonhos é “A chuva em meio ao sol”, em que um garoto (Mitsunori Isaki) presencia um casamento de raposas, proibido para todo mundo, sendo levado pela mãe (Mitsuko Baisho) a ter de optar por um caminho tortuoso. A atitude dela é surpreendente, e ecoa um desprendimento familiar em nome de uma tradição, ainda que seja assustadora. Belamente fotografado, com um figurino extraordinário, é talvez o melhor episódio, com fundo ecológico. O final do sonho – o garoto observando um arco-íris no horizonte – é uma das sequências mais bem feitas do cinema, trazendo a sensação de onirismo que o diretor pretende empregar em cada uma de suas peças.

O segundo sonho se chama “O jardim de pessegueiros”, novamente criticando a humanidade, que destrói árvores, no caso pessegueiros. Atraído por uma bela moça, o menino Kurosawa atravessa para outra realidade, em que árvores são interpretadas por seres humanos, em meio a diálogos sobre a finitude e o respeito pela natureza, porém sem abdicar de um ritmo orquestrado, em que figurantes com vestuários de cores diferenciadas compõem os espíritos vários pessegueiros e parecem prestar uma homenagem ao menino que chora pela perda. Tudo remete à poesia de origem japonesa: prevalecem as imagens sobre a narrativa, porém esta se infiltra nos mais ínfimos movimentos feitos por Kurosawa.
Quando termina o segundo sonho e começa o terceiro, “A nevasca”, parece que há uma queda na narrativa. Pesada e distante, essa história não chega a engrenar como as anteriores, nem mesmo quando uma equipe de alpinistas enfrenta a morte no frio. Necessitava de um pequeno corte inicial, já que se perde tempo demasiado com a angústia da situação, sendo, porém, por outro lado, essa uma de suas virtudes sob outro olhar. Aqui, há um enfrentamento com os limites do corpo, lembrando um dos melhores momentos da filmografia de Kurosawa, Dersu Uzala, e possuindo um desfecho altamente bem filmado, com uma integração entre visão, sonho e sensação de luto na imagem de uma figura que representa a forte nevasca (Mieko Harada).

No quarto sonho, “O túnel”, temos um sonho bastante original: o tenente de uma tropa (Akira Terao, a partir daqui em todos os sonhos, como Kurosawa) depara-se com soldados mortos (com os rostos pintados de azul celeste), enfrentando um cão raivoso, talvez sua consciência culposa. Interessante como se traça um diálogo com o sonho anterior no sentido da morte que parece inevitável, mas se abre numa nota otimista de regeneração do ser humano. Kurosawa dirige com brilhantismo este sonho, assim como em “Corvos”, o quinto sonho, seu alter ego revisita pinturas de Van Gogh num museu e imagina caminhar dentro delas – aqui, a fotografia inicial, mais poética, é retomada e os efeitos especiais, muito bem feitos, marcam presença – e se encontra com o pintor (interpretado por Martin Scorsese, fortemente maquiado). Este talvez seja o momento mais autobiográfico da trajetória de Kurosawa, que, antes de ser cineasta, gostaria de ter sido pintor e eclode numa quase homenagem a Os pássaros, de Hitchcock, contrastando um campo amarelado de trigo com a cor dos corvos, que dão título à passagem. É o sonho que também, ao contrário daquele da nevasca e da montanha, abre o mundo para múltiplos caminhos, também em contato com a natureza e a arte, lembrando mais os dois primeiros localizados na infância.

O sexto e sétimo sonhos,  “Monte Fuji em vermelho” e “O demônio que chora”, talvez sejam os mais fracos, apoiados num roteiro menos inspirado e aqueles mais ligados a um possível apocalipse na Terra. No sexto, usinas nucleares explodem, e os habitantes perto do Monte Fuji precisam fugir da radioatividade. Os efeitos especiais são propositadamente limitados, remetendo a obras japonesas dos anos 60, mas com um trabalho de cores interessante. No sétimo, um rapaz encontra uma espécie de demônio (Mieko Harada), num sonho estranho, inclusive com flores gigantes, resultantes da radioatividade, mas uma direção de arte não tão feliz como os demais, acentuando em demasia o fundo acizentado, embora o final, com várias criaturas sendo projetadas em vermelho na água, ofereça uma angústia interessante. São também esses episódios que parecem finalizar a ideia apresentada pelos sonhos do túnel e da nevasca: o personagem aceitando sua fragilidade diante das escolhas humanas.

Felizmente, o último sonho, “Povoado dos moinhos”, é excelente o bastante para dar a Sonhos um status de obra-prima. Nele, o jovem Kurosawa conversa com um velho carpinteiro (Chishu Ryu) de um local cheio de moinhos e crianças. Com uma espécie de cerimônia ritualística, parece que se fecha a obra, percorrendo da infância à velhice e o contato com a natureza, primeiramente no bosque, agora numa cidade composta por moinhos-d’água. Mestre em fazer imagens impressionantes, Kurosawa encerra aqui afirmando a concretude de cada um dos sonhos. Sem dar especial atenção aos diálogos, como em Ran, por exemplo, ele se concentra no traço pictórico para atingir a sensibilidade do espectador. Uma caminhada representa todo um percurso de vida e não deixa de estabelecer vínculo com o primeiro sonho, no qual o menino se depara com um arco-íris depois de ser levado pela mãe a ter de optar pela decisão das raposas. O homem já adulto não está escondido por trás das árvores: ele está consciente do seu percurso. É um canto para a natureza, dentro ou fora das pinturas que exibe. Desse modo, os múltiplos caminhos do sonho sobre as pinturas de Van Gogh se mostram cada vez mais presentes e notáveis.

夢 /Akira Kurosawa’s Dreams, EUA/JAP, 1990 Diretor: Akira Kurosawa Elenco: Akira Terao, Martin Scorsese, Chishū Ryū, Mieko Harada, Mitsuko Baisho, Mitsunori Isaki Roteiro: Akira Kurosawa Fotografia: Takao Saito e Shôji Ueda Trilha Sonora: Shinichirô Ikebe Produção: Hisao Kurosawa e Mike Y. Inoue Duração: 119 min. Estúdio: Akira Kurosawa USA Distribuidora: Warner Bros. (Estados Unidos), Toho (Japão)

 

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80 anos de Ridley Scott

Por André Dick

O cineasta britânico Ridley Scott comemora hoje 80 anos de idade. Algumas críticas sobre filmes dele, publicadas no Cinematographe e no Letterboxd, como homenagem a um dos grandes cineastas da história.

Alien – O 8º passageiro (1979)

Blade Runner – O caçador de androides (1982)

Thelma & Louise (1991)

Gladiador (2000)

Cruzada (2005)

Um bom ano (2006)

Prometheus (2012)

O conselheiro do crime (2013)

Êxodo – Deuses e reis (2014)

Perdido em Marte (2015)

Alien: Covenant (2017)

Abaixo, um TOP 10 de sua carreira:

Twin Peaks – Segunda temporada (1991)

Por André Dick

Este texto apresenta spoilers

A segunda temporada de Twin Peaks inicia com um episódio excelente – dirigido por David Lynch –, no qual o agente Cooper (Kyle MacLachlan) é visitado por um senhor atendente do hotel, Senhor Droolcup (Hank Worden), e, em seguida, por um gigante (Carel Struycken), que lhe dá novas pistas, enquanto se encontra baleado no chão. Vários personagens procuram ainda se recuperar do que aconteceu ao final da primeira temporada: Shelley Johnson (Mädchen Amick) e seu marido Leo (Eric DaRe), Pete Martell (Jack Nance), Dr. Jacoby (Russ Tamblyn) e Ronette Pulaski (Phoebe Augustine) são alguns que estão no hospital da cidade. Shelley passa a cuidar de Leo, junto com Bobby (Dana Ashbrook), enquanto Donna Hayward (Lara Flynn Boyle) começa a trabalhar entregando almoços para Norma Jennings (Peggy Lipton), função de Laura Palmer antes de sua morte, e vai à casa dos Tremond: uma avó (Frances Bay) e seu neto, Pierre (Austin Jack Lynch, filho de David), peças-chaves do filme Twin Peaks – Fire walk with me e que são do Black Lodge. Ambos falam do amigo de Laura, Harold Smith (Lenny von Dohlen), que guarda seu diário secreto e mora na casa ao lado. Mais segredos se pronunciam quando o pai de Laura diz a Cooper e ao xerife conhecer o homem retratado por Philip Gerard (Al Strobel), chamado Bob; seria um antigo vizinho da praia aonde ia com a família, na infância, e o assustava jogando fósforos acesos nele. Mas não apenas com o caso de Laura Palmer Cooper está preocupado: ele teme pelo desaparecimento de Audrey Horne (Sherilyn Fenn), embora tenha pistas de que possa estar no Jack Caolho’s.

O Great Northern se transforma numa espécie de Overlook de O iluminado (há, inclusive, uma arquitetura indígena e Ben Horne (Richard Beymer) encenando a Guerra Civil norte-americana, enquanto seu filho lança flechas contra imagens de búfalos), com fantasmas eventualmente andando pelo hotel, tentando ajudar Dale Cooper e nesse sentido a série deriva para o terror e suspense.
Só isso explica por que no episódio 15, ao mesmo tempo em que vemos Cooper, o xerife Truman (Michael Ontkean) e a Senhora do Tronco (Catherine E. Coulson) na Roadhouse, ouvindo Julee Cruise contra uma cortina vermelha e sob uma luz em tom amarelo, descobrimos o assassino – numa das sequências mais violentas já filmadas para a TV. O mesmo gigante que ofereceu pistas a Cooper surge no palco e avisa: “está acontecendo de novo”. Essa revelação, segundo os planos originais de Lynch, não seria feita, pois ele gostaria de ter conservado o segredo, sem os espectadores saberem a identidade do assassino.
A partir dessa nova tragédia, a luta de Cooper e do xerife Truman (Michael Ontkean) é para descobrir qual espécie de mal ameaça Twin Peaks, fazendo-os se aproximar do Major Briggs (Don S. Davis) – pai de Bobby –, que diz haver na floresta da cidade um Black Lodge, com uma passagem para outra dimensão. As pistas do Major levam Cooper e o xerife à Caverna da Coruja, que ajuda a solucionar a ligação com esse universo paralelo à cidade. Neste ponto, a série se direciona a um contexto mais surreal, pois, ao mesmo tempo, chega à cidade Windom Earle (Kenneth Welsh), um ex-agente federal enlouquecido, querendo se vingar de Cooper.

As críticas a esta segunda temporada em relação à primeira aconteceram sobretudo porque David Lynch teria deixado muitos episódios nas mãos de outros roteiristas e diretores. É visível que seus substitutos tentaram desenvolver tramas paralelas – Nadine (Wendy Robie) se apaixonando por Mike Nelson (Gary Herschenberg), amigo de Bobby; o próprio James Hurley (James Marshall) indefinido entre se envolver com Donna e com uma mulher misteriosa, Evelyn Marsh (Annette McCarthy); negócios escusos de Benjamin Horne com um presidiário, Hank (Chris Mulkey), marido de Norma (Peggy Lipton); a paixão de Audrey Horne por um milionário que chega ao hotel, John Justice Wheeler (Billy Zane); o casamento do prefeito Dwayne Milford (John Boylan) com uma jovem, Lana (Robyn Lively); o triângulo entre Lucy (Kimmy Robertson), Andy (Harry Goaz) e Dick Tremayne (Ian Buchanan), entre outras –, mas o fizeram com uma combinação entre drama, surrealismo e comédia. São essas tramas aparentemente deslocadas, criadas na maior parte por Robert Engels, Harley Peyton, Barry Pullman, Scott Frost e Tricia Brock que conseguem revitalizar o interesse pela trama depois da descoberta de quem assassinou Laura Palmer. Mais do que a primeira, a segunda temporada revela alguns lugares-comuns de uma pequena cidade, mas que adquirem grande significado. Tudo nos faz sentir ser mais uma investigação sobre o comportamento dos habitantes do que exatamente uma procura do FBI em desvendar um crime.

O clima também supera em muitos momentos os defeitos possíveis (a fotografia irretocável de Frank Byers, a direção de arte, a música de Badalamenti), sobretudo aquele que existe no Double R, a lanchonete na qual os personagens se reúnem, e ajuda a desenhar boa parte da série. Temos, com esse clima, o desenvolvimento de novas tramas interessantes: a chegada de um novo agente federal, Denise Byrson (feito por David Duchovny, de Arquivo X); do chefe de Dale Cooper, Gordon Cole (em ótima participação do próprio David Lynch); a descoberta do xerife de que Josie (Joan Chen) tem segredos e que o marido dela, Andrew Packard (Dan O’Herlihy), não morreu como se imaginava; a investigação da chegada de drogas em Twin Peaks, fazendo com que Jean Renault (Michael Parks) aponte Cooper como o responsável pelo “pesadelo em que se transformou Twin Peaks”; o encontro do agente do FBI com uma nova atendente da lanchonete, Annie Blackburn (Heather Graham), irmã de Norma Jennings, por quem se apaixona e é peça-chave no final da série. Blackburn surge na série num momento em que Cooper precisa enfrentar seu passado, por meio da figura de Earle, e é uma personagem complexa. Ela estava num convento antes de sair e tentou cometer suicídio, sendo uma espécie de representação feminina do próprio agente Cooper, à procura da beleza novamente de Twin Peaks depois de passagens tão nebulosas, da paixão que teve pela esposa de Windom Earle e do pesadelo a que se referiu Renault. O interessante é que Annie adentra a série sendo enquadrada junto ao Major Briggs no Double R, como se a figura dela adiantasse o que acontecerá ao final. É Annie também que vai falar a Cooper que o desenho dele, baseado em alguns sinais, lembra o da Caverna da Coruja, que fica na cidade.

Os personagens visivelmente ganham intensidade de uma temporada para outra, como Albert Rosenfield, feito por Miguel Ferrer (um dos melhores da série, e talvez esquecido, em comparação com os demais), embora se perca um pouco o lado juvenil – com um interesse forçado entre Audrey e Bobby Briggs, por exemplo –, não diminuindo, porém, o impacto de vermos essa história contada em detalhes. Nisso tudo, a atuação do elenco, mesmo quando o roteiro não se mostra tão interessante, é excepcional. É interessante perceber como Twin Peaks trouxe novos nomes, como Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, Dana Ashbrook, Mädchen Amick, James Marshall, Heather Graham, Billy Zane – que apareceriam, mais tarde, em filmes, em maior ou menor escala, mas ficaram marcados por sua participação aqui (sobretudo Sherilyn Fenn, Sheryl Lee e Lara Flynn Boyle).
As imagens dos semáforos, dos bosques da cidade e da coruja ameaçadora (e da Caverna da Coruja, que ajuda a criar mais elementos para a mitologia da série e se corresponde com o filme e a terceira temporada) intensificam a percepção de medo, assim como o destino de alguns personagens (como o de Leo).

Twin Peaks atravessa um terreno, da realidade para o simbólico e o metafórico, o que acabou afastando muitos espectadores que não conseguiram à época do lançamento desses episódios associar o realismo de uma investigação do FBI  com fatos estranhos. Entretanto, não por acaso, nesse sentido, a série ajudou a antecipar outras de mistério, como Arquivo X. As tortas e as rosquinhas da delegacia sempre escondem algo muito mais problemático, a ser enfrentado, embora o distúrbio seja de origem desconhecida (alguns personagens começam a sentir seus braços dormentes, o que se reproduzirá no filme, com Teresa Banks e Laura Palmer e na terceira temporada com Dougie Jones). Nesse sentido, esta segunda temporada ajuda a estabelecer a terceira, com seus temas misteriosos ligados ao Major Briggs, envolvido com o projeto “Rosa Azul”, do FBI: o White Lodge e o Black Lodge são temas suscitados no acampamento de Cooper com o Major, quando este desaparece, e por Hawk, ligando-os aos temas indígenas da cidade.

Quando Windom Earle (numa ótima atuação de Walsh) surge na perseguição a Cooper tudo parece uma desculpa exatamente para descobrir esses dois lugares que se encontram em Twin Peaks. “O amor e o medo abrem os portais”, diz Briggs em determinado momento, para Cooper entender que o amor abre o White Lodge e o medo o Black Lodge. Quando, em alucinação depois de capturado por Earle, ouve seu nome Garland, o Major Briggs se pergunta: “Judy Garland?”. Lembremos que Philip Jeffries falava em Judy em Twin Peaks – Fire walk with me e o duplo mal de Cooper quer saber quem é ela na terceira temporada. Ou seja, se alguns dos temas apresentados na segunda temporada pareciam deslocados e mesmo mal encaixados, se fazem mais fortes numa revisão. Nesse sentido, os temas que teriam desvirtuado Twin Peaks são exatamente os que mantêm o seu retorno. Do mesmo modo, embora David Lynch tenha dirigido os episódios 9, 10, 15 e 30 (alguns dos melhores das três temporadas), deve-se destacar as direções de Caleb Deschanel (conhecido diretor de fotografia, pai de Zoe), Diane Keaton, James Foley, Tim Hunter (diretor de Tex), Uli Endel (diretor alemão) e Lesli Linka Glatter (que seria reconhecida recentemente pela série Homeland), entre outros, em alguns deles. Esses diretores ajudam a dar uma ambientação clássica à série, mas, ao mesmo tempo, completamente nova, em meio a cenários campestres ou do Greath Northern, sugerindo uma espécie de viagem aos anos 50.

E deve-se dizer que o episódio final da série, dirigido por David Lynch, é, por mais estranho que pareça, o mais fiel ao que vimos antes. Há pelo menos em torno de 20 minutos com material completamente imprevisto para a televisão – quando Cooper entra na sala vermelha do Black Lodge, no Bosque Glastonbury (que Cooper liga ao Rei Arthur), da Floresta Ghostwood, em meio aos sicômoros, e tenta salvar Annie, precisando se deparar com o anão/Braço, com Laura, seu pai, Leland, Bob e seu outro eu. Essas imagens são excepcionalmente fotografadas por Frank Byers (num dos trabalhos mais exitosos da história da TV), e criam um laço direto com o filme de 1992, pois este poderia também ser parte do final daquele, e a terceira temporada. Este episódio final praticamente adianta a questão dos duplos que acompanhamos na terceira temporada, além do surrealismo muito mais explícito e bem dosado que caracterizaria também o retorno da série. Há um diálogo principalmente com o estilo de Coração selvagem, com o qual Lynch havia recebido a Palma de Ouro em Cannes um ano antes, mais exatamente nas sequências do protesto de Audrey no banco de Twin Peaks, contra Ghostwood, da reunião entre o Dr. Jacoby com Big Ed, Nadine e Mike, além do confronto de Dr. Hayward e Ben Horne. Também se destaca que As peças que faltam, extras de Twin Peaks – Fire walk with me, mostram o que acontece exatamente depois do final da segunda temporada, fazendo parte mais uma vez da mitologia que cerca esses personagens de uma série primorosa.

Twin Peaks – Season 2, EUA, 1991 Diretores: David Lynch, Graeme Clifford, Caleb Deschanel, Duwayne Dunham, Uli Edel, James Foley, Mark Frost, Lesli Linka Glatter, Stephen Gyllenhaal, Todd Holland, Tim Hunter, Diane Keaton, Tina Rathborne, Jonathan Sanger Elenco: Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Joan Chen, Piper Laurie, Dana Ashbrook, Mädchen Amick, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, James Marshall, Miguel Ferrer, Warren Frost, Russ Tamblyn, Harry Goaz, Michael Horse, Kimmy Robertson, Catherine E. Coulson, Eric DaRe, Peggy Lipton, Don S. Davis, David Patrick Kelly, Russ Tamblyn, Victoria Catalin, Wendy Robie, Gary Hershberger, Michael J. Anderson, Frank Silva, Al Strobel, Heather Graham, Frances Bay, Austin Jack Lynch, Kenneth Walsh, Annette McCarthy, Chris Mulkey, Billy Zane, John Boylan, Robyn Lively, Ian Buchanan, Michael Parks, David Duchovny, Lenny von Dohlen, Hank Worden, Carel Struycken, Dan O’Herlihy Roteiro: David Lynch, Robert Engels, Mark Frost, Harley Peyton, Jerry Stahl, Barry Pullman, Scott Frost, Tricia Brock Fotografia: Frank Byers Trilha Sonora: Angelo Badalamenti Produção: Francis Bouygues, Gregg Fienberg Duração (Temporadas 1 e 2): 1670 min.

Twin Peaks – Primeira temporada (1990)

Por André Dick

Este texto apresenta spoilers

A série Twin Peaks marcou época na televisão norte-americana. Quando exibida no Brasil, sofreu diversos cortes, tornando o que já era de entendimento complexo ainda mais difícil. Podendo se assistir novamente às duas primeiras temporadas, constatam-se os motivos de seu sucesso. Como trama policial e narrativa de suspense, não foi feito ainda nada parecido na TV. A história da jovem rainha da escola Laura Palmer, que aparece morta enrolada num plástico, na margem do rio de Twin Peaks, é um pretexto para descobrirmos, como em outras obras de David Lynch, o que acontece por trás de alguns habitantes de uma cidade do interior. A sequência de aviso da morte ao pai de Laura, Leland (Ray Wise), e à mãe, Sarah (Grace Zabriskie), é realizada em tom crescente e melancólico, em razão da música de Angelo Badalamenti, assim como o aviso dado pelo diretor da escola sobre o acontecimento, repercutindo entre os amigos de Laura. A partir daí, conhecemos Bobby Briggs (Dana Aschbrook), namorado de Laura, o motoqueiro James Hurley (James Marshall), amante dela, Donna Hayward (Lara Flynn Boyle), sua amiga, além de Audrey Horne (Sherilyn Fenn), filha de Ben Horne (Richard Beymer), dono do hotel da cidade, o Great Northern, cujo irmão Jerry (David Patrick Kelly) é um parceiro de negócios.

Designado para a investigação, Dale Cooper (Kyle MacLachlan, em seu melhor papel), que parece voltar a uma cidade da infância, dos anos 50, mas onde não há mais inocência, ganha a parceria do xerife Harry S. Truman (Michael Ontkean). Cooper chega aos envolvidos com Laura Palmer com o objetivo de montar o quebra-cabeça, em meio a perguntas sobre os pinheiros que existem na rota para a cidade, explicações para o seu gravador (para a secretária Diane) e interesses por rosquinhas e café preto – que não atenuam o pesadelo do cenário, contrastando com a beleza da paisagem.
Toda essa teia de personagens tem várias extensões. A primeira temporada mostra, a partir disso, a perseguição aos principais suspeitos do assassinato de Laura, entre os quais estão também o caminhoneiro Leo Johnson (Eric DaRe), que bate na mulher, Shelly (Mädchen Amick), empregada na lanchonete de Twin Peaks, Double R, e amante de Bobby Briggs, e alguns desses personagens referidos. E seu piloto (tanto o feito para a TV quanto o feito para vídeo, um pouco mais extenso) tem uma condição de cinema como nada na TV, antes e depois. As cores e a atmosfera da cidade são trabalhadas em detalhes por Lynch: a perseguição a James Hurley e Donna Hayward, na estrada noturna, por exemplo, ajuda a determinar o clima de tensão da série.

O humor de Twin Peaks aparece sobretudo a partir da entrada em cena de Albert Rosenfield (Miguel Ferrer), brigando com o Dr. Will Hayward (Warren Frost), legista local, e com uma presença maior de Ben Horne, embora nada sobrepuje o agente Cooper e o corpo policial da cidade, que rende boas cenas de humor, protagonizadas por Lucy Moran (Kimmy Robertson), Andy Brennan (Harry Goaz) e Hawk (Michael Horse). Há um misto de seriedade e ironia em cada personagem, o que não os torna pesados mesmo quando enveredam pelo drama intenso. Por outro lado, surge o desespero do pai de Laura, Leland, apenas consolado com a presença da sobrinha Maddy Ferguson (também interpretada por Sheryl Lee), igual a Laura Palmer, em versão morena (imaginamos aqui uma precursora das personagens de Patricia Arquette em A estrada perdida e das atrizes de Cidade dos sonhos).
No quarto episódio, depois de iniciar seu processo de investigação baseado em premissas do Tibete (o que vai ao encontro de David Lynch e sua meditação transcendental) e brincadeiras com a psicologia (na figura do Dr. Lawrence Jacoby, interpretado por Russ Tamblyn), Dale Cooper tem o sonho que mudará a série: numa sala vermelha, um anão (Michael J. Anderson) dança, fala frases ao contrário e Laura Palmer se aproxima, dando pistas para Cooper desvendar o crime.

A partir disso, o agente do FBI investe numa espécie de perseguição zen ao criminoso, costurando pistas por meio das mensagens cifradas do seu sonho, elemento típico em David Lynch – e a investigação vai parar em duas cabanas da floresta: numa delas, Cooper conhece a Senhora do Tronco (Catherine E. Coulson), que tem histórias sobre o que aconteceu na floresta na noite do assassinato; e em outra descobre o pássaro Waldo, que repete o nome de dois homens, até desembocar num cassino localizado no Canadá, Jack Caolho’s, administrado por uma mulher misteriosa, Blackie O’Reilly (Victoria Catalin).
O cenário a ser seguido, para Lynch, é o da floresta, e Twin Peaks está à margem dela. O mistério está localizado em figuras como a coruja (numa sequência, o rosto de Bob, o assassino, tem a imagem dela) e dos galhos das árvores que se balançam. Como diz Truman a Cooper numa reunião com um grupo que vigia a entrada de drogas em Twin Peaks, inclusive com James Hurley, há algo estranho nas árvores da cidade, uma força estranha e misteriosa. É para ela que Lynch, afinal, quer direcionar a série. E há os relacionamentos duplos, como o de Norma Jennings (Peggy Lipton), apaixonada por Big Ed Hurley (Everett McGill), dono de um posto de gasolina, casado com Nadine (Wendy Robie); a traição de Catherine Martell (Piper Laurie), casada com Pete (Jack Nance) e dona da serraria local, ao lado de Josie Packard (Joan Chen), e amante de Ben Horne. Leve-se em conta ainda que o xerife Truman é um namorado secreto de Josie. Enquanto a cidade se movimenta com uma economia baseada na serraria, tudo esconde um núcleo de traições e interesses escusos, além do tráfico de drogas, tendo à frente Leo Johnson, com Bobby Briggs e Mike (Gary Hershberger) como compradores.

O roteiro envolvendo Dale Cooper não lida apenas com a investigação sobre o assassinato de Laura Palmer, como sua amizade com Audrey Horne, que não se considerava amiga de Laura. É ela a personagem que o faz se aproximar da cidade e se torna uma espécie de investigadora do caso, ao tentar descobrir por que Laura trabalhou na seção de perfumes de uma das lojas de seu pai, Ben. Trata-se de uma cidade estranha com duas faces bastante distintas (uma diurna, outra noturna), na qual os pais da vítima, Leland e Sarah, parecem habitar uma espécie de universo paralelo: ela com visões assustadoras e ele dançando ou cantando músicas antigas, e na qual uma das principais referências é Phillip Gerard, o Homem de um Braço Só (Al Strobel), vendedor de sapatos e capaz de levar a polícia ao criminoso. No final desta primeira temporada, em que a tentativa de solucionar o crime é envolvida pelo clima dos anos 50 ou 60 que habita a cidade – e faz os jovens se reunirem com os pais à beira da lareira da sala, colocarem músicas para dançar no Double R, onde quase todos da cidade vão tomar café e comer tortas –, Cooper, ao atender a porta no hotel, é baleado. São oito episódios com condução perfeita: a direção segura, o elenco excelente e os elementos que compõem Twin Peaks (a direção de arte, a fotografia, a música) destacados como em poucas séries, mostrando por que ela se notabilizou tanto.

Twin Peaks, EUA, 1990 Diretores: David Lynch, Caleb Deschanel, Duwayne Dunham, Mark Frost, Lesli Linka Glatter, Tim Hunter, Tina Rathborne Elenco: Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Joan Chen, Piper Laurie, Dana Ashbrook, Mädchen Amick, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, James Marshall, Miguel Ferrer, Warren Frost, Russ Tamblyn, Harry Goaz, Michael Horse, Kimmy Robertson, Catherine E. Coulson, Eric DaRe, Peggy Lipton, Don S. Davis, David Patrick Kelly, Russ Tamblyn, Victoria Catalin, Wendy Robie, Gary Hershberger, Michael J. Anderson, Frank Silva, Al Strobel Roteiro: David Lynch, Robert Engels, Mark Frost, Harley Peyton Fotografia: Ron García, Frank Byers Trilha Sonora: Angelo Badalamenti Produção: Francis Bouygues, Gregg Fienberg

Pintura e cinema em David Lynch e Twin Peaks

Por André Dick

O cineasta David Keith Lynch nasceu em 20 de janeiro de 1946 em Missoula, Montana, filho de um cientista, Donald Walton Lynch, que servia o Departamento de Agricultura dos EUA, e de uma professora de inglês, Edwina “Sunny” Lynch. Depois de uma infância com várias mudanças de cidade, Lynch, em 1964, começou seus estudos na School of the Museum of Fine Arts, Boston. Voltando de uma viagem à Europa, foi estudar pintura, em 1965, na Academia de Belas Artes da Pensilvânia, na Filadélfia, onde conheceu sua primeira esposa, Peggy Reavey, com quem teve Jennifer Lynch.
Em Lynch, as imagens valem por si e se autoexplicam. Se em Veludo azul e Twin Peaks, elas evocam as pinturas de Edward Hopper, em O homem elefante e Império dos sonhos podemos perceber a influência de Francis Bacon. E a cortina é um elemento-chave, pictórico: para revelar a mulher misteriosa de Eraserhead, ou para servir de pano de fundo às apresentações de Isabela Rossellini, como a cantora Dorothy Vallens, em Veludo azul, de Julee Cruise, em Twin Peaks, e de Rebekha del Rio, em Cidade dos sonhos, por exemplo, no Club Silencio (Lynch, inclusive, projetou um lugar com este nome em Paris, inaugurado em 2011).
Há algumas tomadas de Twin Peaks, sobretudo da parte externa do Double R, quando passam caminhões com toras, que lembram pinturas em movimento de Edward Hopper.

Isso quando não são quase bastante semelhantes: o posto de Big Ed (personagem de Twin Peaks) dialoga diretamente com a pintura “Gas”, de Hopper:

Além disso, entre 1982 e 1983, Lynch fez a história em quadrinhos intitulada O cão mais raivoso do mundo. Numa entrevista ao The Guardian, explica: “I always say Philadelphia, Pennsylvania is my biggest influence. But for painters, I like many, many painters but I love Francis Bacon the most, and Edward Hopper. Both really different, but Edward Hopper makes us all dream, take off from a painting. Magical stuff. And Bacon for a whole bunch of reasons, but those two are big, big, big inspirations”. Vejamos algumas pinturas expostas por Lynch na Tilton Gallery em 2012:

Perguntado por Ana Maria Bahiana (em entrevista intitulada “David Lynch, diretor, roteirista e escoteiro”, Revista SET, ed. 41, nov. 1990) por que faz filmes, David Lynch respondeu: “Bom, eu queria ser pintor e cheguei aos filmes através das pinturas, porque eu queria que as pinturas se mexessem. E eu ouvia pequenos sons vindos da tela, enquanto pintava, daí resolvi fazer filmes, em vez de pintar”.
Especificamente de René Magritte, difícil não perceber que Lil, que vem explicar, por meio de Gordon Cole, o modo como o agente do FBI Chester Desmond deve se comportar na cidade em que investigará o assassinato de Teresa Banks, no filme de Twin Peaks, é uma pintura em movimento de “Le tombeau des lutteurs”.

E a conversa de Chester Desmond e Sam Stanley com Irene no Hap’s Diner Café remete à pintura “Nighthawks”, de Edward Hopper. Como Hopper, Lynch retrata aquilo que era seu objetivo no início da carreira: falar da vida do interior norte-americano e o que se esconde sob ela.

A mãe de Laura, quando acorda à noite, em outro momento do filme, tem uma visão que evoca “The blank shake”, pintura de Magritte, explorando ainda mais o aspecto pictórico da narrativa e sua ligação com a floresta.

Num momento determinante para a história do filme, Laura sonha e entra no quadro dado de presente pelos Tremond, uma avô e seu neto que na série aparecem na agenda de entregas de almoço que a personagem fazia para o Double R. Dentro do quadro, surgem, exatamente, a velhinha Tremond e o neto fazendo um passe de mágica, como se eles representassem uma espécie de subconsciente. Ela, então, encontra o anão do Red Room e o agente Cooper. Depois, ela acorda dentro do sonho e vai até a porta; virando-se para trás, vê sua própria imagem à porta dentro do quadro; em seguida, realmente acorda. Perceba-se que na primeira imagem há o cenário do quarto dela por trás, mas, na última imagem desta sequência, aparece a cortina vermelha do Red Room, do seu sonho. Toda essa parte simboliza uma tentativa de Lynch estabelecer uma ligação de Laura com esses personagens estranhos e com o agente que investigará sua morte – mas sobretudo com a pintura e com os sonhos.

Podemos estabelecer uma relação entre a representação existente na pintura e a realidade da pintura “La condition humaine”, de Magritte, em que a janela é ao mesmo tempo uma pintura:

Em seu quarto, Laura também possui o quadro abaixo:

Em determinado momento do filme, quando sua angústia se acentua, a figura do anjo desaparece (spoiler em seguida). No final, ao fazer reaparecer o anjo – como John Merrick sonhava em dormir normalmente, ao olhar pinturas de seu quarto, em O homem elefante –, Lynch encerra o filme com uma nota otimista, mostrando o encontro da personagem com a luminosidade e uma divindade.

David Lynch é um dos raros cineastas que conseguiram isso: transformar pinturas em filmes.

* Esta é uma síntese do texto que abriu o “Especial David Lynch“, com algumas alterações, publicado em 29 de setembro de 2012.

Twin Peaks – Piloto – Versão europeia (1990)

Por André Dick

Como trama policial e narrativa de suspense, não foi feito ainda nada parecido na TV como Twin Peaks. A história da jovem rainha da escola Laura Palmer (Sheryl Lee), que aparece morta enrolada num plástico, na margem do rio de Twin Peaks, é um pretexto para descobrirmos, como em outras obras de David Lynch, o que acontece por trás de alguns habitantes de uma cidade do interior. A sequência de aviso da morte ao pai de Laura, Leland (Ray Wise), e à mãe, Sarah (Grace Zabriskie), é realizada em tom crescente e melancólico, em razão da música de Angelo Badalamenti, assim como o aviso dado pelo diretor da escola sobre o acontecimento, repercutindo entre os amigos de Laura. A partir daí, conhecemos Bobby Briggs (Dana Aschbrook), namorado de Laura, o motoqueiro James Hurley (James Marshall), amante dela, Donna Hayward (Lara Flynn Boyle), sua amiga, além de Audrey Horne (Sherilyn Fenn), filha de Ben Horne (Richard Beymer), dono do hotel da cidade, o Great Northern.

Designado para a investigação, o agente do FBI Dale Cooper (Kyle MacLachlan, em seu melhor papel) parece voltar a uma cidade da infância, dos anos 50, mas onde não há mais inocência, e ganha a parceria do xerife Truman (Michael Ontkean), o qual passa a apresentá-lo aos envolvidos com Laura Palmer. Cooper tenta desvendar o quebra-cabeças, em meio a perguntas sobre os pinheiros que existem na rota para a cidade, explicações para o seu gravador (para a secretária Diane) e interesse por rosquinhas e café preto – que não atenuam o pesadelo do cenário, contrastando com a beleza da paisagem.
Nisso tudo, a atuação do elenco é excepcional. É interessante perceber como Twin Peaks trouxe novos nomes, como Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, Dana Ashbrook, Mädchen Amick e James Marshall – que apareceriam, mais tarde, em filmes, em maior ou menor escala, mas que ficam marcados por sua participação aqui (sobretudo Sherilyn Fenn, Sheryl Lee e Lara Flynn Boyle).

Toda essa teia de personagens tem várias extensões. A primeira temporada mostra, a partir disso, a perseguição aos principais suspeitos do assassinato de Laura, entre os quais estão também o caminhoneiro Leo (Eric Da Re) e alguns desses personagens referidos. No entanto, particularmente seu piloto (tanto o feito para a TV quanto o feito para a Europa, um pouco mais extenso, com 19 minutos a mais) tem uma condição de cinema como nada na TV, antes e depois. As cores escuras da cidade são trabalhadas em detalhes por Lynch: a perseguição a James Hurley e Donna Hayward no episódio-piloto, por exemplo, ajuda a determinar o clima de tensão da série. Há um misto de seriedade e ironia em cada ação dos personagens, mas o humor é incorporado à ação de cada um, o que não torna nada pesado. Na versão europeia do piloto, vemos, por exemplo, uma sequência estranhíssima com Lucy Moran (Kimmy Robertson) e o policial Andy Brennan (Harry Goaz), que, ao longo da série, nunca seriam vistos em sua casa como aqui, assim como a presença de duas figuras-chave para a explicação da trama.

É interessante porque se trata do piloto, excepcional, acrescido de um tom surreal, matéria-prima do restante da série. É David Lynch em seu grande momento como diretor. De qualquer modo, é o clima (a fotografia de Ron García, que colaborou com Vittorio Storaro em O fundo do coração, a direção de arte, a música de Badalamenti), sobretudo aquele que existe no Double R, a lanchonete em que os personagens se reúnem, que ajuda a constituir boa parte da série.
Twin Peaks atravessa um terreno da realidade para o simbólico e o metafórico, o que acaba afastando muitos espectadores que não conseguem associar o realismo de uma investigação do FBI  com fatos estranhos. Entretanto, não é à toa que, nesse sentido, a série ajudou a antecipar outras de mistério, como Arquivo X. De qualquer modo, o universo de Twin Peaks é muito mais sintético, voltado a uma única cidade e a inter-relação entre seus habitantes, dentro ou fora de uma investigação policial. As tortas e as rosquinhas da delegacia sempre escondem algo muito mais problemático, a ser enfrentado, mesmo que o distúrbio seja de origem desconhecida. Importante reconhecer como o piloto da série já anunciava tanto as características dos capítulos seguintes como ganha mais interesse ainda em razão do filme que se passa justamente antes dele, embora lançado depois.

Há muitos detalhes aqui que seriam reconhecidos no filme feito para o cinema Twin Peaks – Fire walk with me, remetendo a Ronette Pulaski (Phoebe Augustini), por exemplo, ao fato de Bobby Briggs ter se envolvido num problema, junto com Laura, e, principalmente, à relação conflituosa entre Laura, Donna e James Hurley e a Laura trabalhar entregando refeições no Double R. E a versão europeia do piloto traz as imagens do Black Lodge, o quarto vermelho, onde estão Cooper, Laura Palmer e o anão que dança ao som de Angelo Badalamenti deixando pistas (Lynch apreciou tanto essas cenas realizadas para a Europa que resolveu incluí-las no terceiro episódio da série). O filme para o cinema mostra onde tudo começou, com Teresa Banks numa cidade vizinha, e esta personagem também é lembrada aqui pelo agente Cooper. Daí o piloto de Twin Peaks ser praticamente uma continuação (em estilo cinematográfico) realmente de Twin Peaks – Fire walk with me. O mais interessante é que ele foi lançado no Miami Film Festival, em fevereiro de 1990, antes de estrear na BBC. Num momento em que se quer determinar que o “real cinema” só se vê nos cinemas, Twin Peaks é precursor e mostra que a qualidade vem em primeiro lugar.

Twin Peaks, EUA, 1990 Diretor: David Lynch Elenco: Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Joan Chen, Piper Laurie, Dana Ashbrook, Mädchen Amick, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, James Marshall, Russ Tamblyn, Eric Da Re, Kimmy Roberts, Harry Goaz, Peggy Lipton, Don S. Davis Roteiro: David Lynch, Robert Engels Fotografia: Ron García Trilha Sonora: Angelo Badalamenti Produção: Francis Bouygues, Gregg Fienberg Duração: 113 min.

 

Twin Peaks – As peças que faltam (2014)

Por André Dick

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Este texto contém spoilers

Depois do anúncio feito no ano passado, de que Twin Peaks estaria de volta em 2016, com nove episódios dirigidos por David Lynch, os rumos se modificaram com a notícia de que o cineasta estaria de fora da empreitada; no dia 15 de maio, no entanto, ele confirmou novamente sua presença, o que volta a criar expectativa. No ano passado, as duas primeiras temporadas já haviam sido lançadas em Blu-ray, trazendo também o filme, Twin Peaks – Fire walk with me (no Brasil, Twin Peaks – Os últimos dias de Laura Palmer). O material vem numa bela caixa, para os fãs da série, num item raro, basicamente utilizando a mesma confecção estrangeira, com cuidado sobretudo na apresentação das imagens icônicas da série e uma remasterização realmente impressionante (a imagem é irretocável).
O filme, por sua vez, é acompanhado ainda de um material extra, intitulado Twin Peaks – As peças que faltam (The missing pieces), que reserva 91 minutos de cenas estendidas ou deletadas, ou seja, compõe basicamente outra obra. Desde 1992, depois de David Lynch afirmar que teve de excluir muito material da versão final preparada para ser exibida no Festival de Cannes, há uma grande expectativa em conhecê-lo, e seu lançamento sempre foi adiado por questão de direitos autorais. No entanto, fotografias dispersas de algumas dessas cenas deram origem a petições para que fossem liberadas.
A exibição em Cannes, seguida por vaias, foi a primeira polêmica despertada pelo filme. Tarantino, que estreava por lá com seu Cães de aluguel, saiu da sessão desapontado, dizendo que nunca mais veria um filme do diretor, do qual se dizia fã. Pedro Almodóvar – um dos integrantes do júri, que tinha como presidente Gérard Depardieu –, disse, em entrevista a Fabio Liporoni (Revista SET, ed. 62, ago. 1992), que teria dado a Palma de Ouro ou a Twin Peaks – Fire walk with me ou para L’oeil qui ment (de Raul Ruiz):  “O filme é fantástico. David Lynch é um diretor excepcional. E, ao contrário do que muitos disseram, totalmente independente da série de televisão”.

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Twin Peaks – Fire walk with me figurou ao lado de obras que acabaram se tornando referências, como O jogador, de Robert Altman, Instinto selvagem, de Paul Verhoeven, Retorno a Howards End, de James Ivory, O fim de um longo dia, de Terrence Davies, e Simples desejo, de Hal Hartley. Quem venceu foi As melhores intenções, de Bille August, que já havia recebido a Palma pelo ótimo Pelle – O conquistador. O interessante é como a peça de David Lynch foi recebendo mais atenção do que todos esses filmes, reunindo um culto não apenas por sua ligação com uma série referencial, mas sim por sua importância. Apesar de Lynch defendê-lo, o filme rendeu um hiato ao diretor de cinco anos, até A estrada perdida, período em que se questionou seu talento, como depois da realização de Duna.
Nesse sentido, As peças que faltam é uma espécie de homenagem aos fãs de Twin Peaks e um grande acréscimo para quem gosta de materiais complementares de uma obra. Nos últimos anos, não são poucas as experiências e materiais que cresceram com uma versão estendida do diretor: O portal do paraíso, de Michael Cimino; Cruzada, de Ridley Scott; Era uma vez na América, de Sergio Leone, O barco, de Wolfgang Petersen, e Vidas sem rumo, de Francis Ford Coppola, são alguns, além da trilogia O senhor dos anéis (ainda melhor em sua versão estendida). David Lynch preferiu não fazer uma versão estendida do filme, considerando que este já tem a metragem que gostaria, deixando os 91 minutos de extras como um material complementar, assim como fez com Veludo azul há alguns anos, que contém quase outro filme também em extras. Ele chegou, inclusive, a fazer uma festa de lançamento no cinema, em Los Angeles, para As peças que faltam. No entanto, o caso de Twin Peaks é mais interessante: Lynch precisou cortar o material que não se encaixava bem no filme do cinema, com as participações de personagens queridos da série de TV. Mas não apenas.

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Se o material com entrevistas reserva um encontro memorável de David Lynch com os atores Ray Wise (Leland Palmer), Sheryl Lee (Laura Palmer) e Grace Zabriskie (Sarah Palmer), com um humor corrosivo e relatos interessantes sobre a convivência nas filmagens, As peças que faltam inicia com imagens da investigação dos agentes Chester Desmond (Chris Isaak) e Sam Stanley (Kiefer Sutherland) em Deer Meadow. Há uma ida estendida deles ao Hap’s Diner e depois a briga de Desmond com o xerife da cidade, Cable (Gary Bullock). Para os fãs de Chris Isaak, aqui tem uma participação mais longa dele, e esta briga, apesar de se entender por que foi excluída do filme, tem uma atmosfera típica da série, mais bem-humorada. Em seguida, Sam Stanley aparece com o agente Cooper, que ganha uma cena de acréscimo, uma conversa com Diane. Dessas cenas, o encontro com Sam Stanley é certamente a melhor; a de Cooper conversando à porta com Diane, sem que o espectador a veja, parece mais uma brincadeira de bastidores, embora Kyle MacLachlan faça valer sua presença.
Melhor é a participação mais detalhada do agente do FBI Phillip Jeffries, feito por David Bowie, que aparecia de relance no filme e aqui tem um destaque maior, transportando-se de um hotel na Argentina para a sede do FBI na Filadélfia; é um dos grandes momentos aterrorizantes da obra de David Lynch, e Bowie sabe como lançar um personagem surpreendente, como já fez em outras experiências suas no cinema, como Fome de viver e Furyo – Em nome da honra. Também interessante é quando o agente lembra de sua passagem pelo Black Lodge, atrás da misteriosa Judy, onde estão Bob (Frank Silva) e o anão (Michael J. Anderson), e fala, com o rosto sobre a mesa, exatamente a data em que Laura Palmer será morta. Essas sequências transformam o material num item necessário para a compreensão de alguns detalhes, e principalmente a reunião no Black Lodge mostra que Twin Peaks envereda pelo gênero do terror, como parte da segunda temporada da série.

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Quando a história chega a Twin Peaks, temos sequências de Laura Palmer em convivência mais normal com seus pais – o que não acontece no filme oficial –, inclusive uma reunião em que Leland Palmer quer ensinar à mulher (Zabriskie, finalmente com maior oportunidade de aparecer) e a Laura como falar algumas palavras em norueguês, lembrando que é um comitiva da Noruega que está no Great Northern Hotel no início da série de TV. Leland adentra a sala como se fosse o personagem de Jack Nicholson em O iluminado. Também mostra Laura tendo um encontro mais demorado com Donna Hayward (Moira Kelly) e seus pais, o Dr. Will (Warren Frost) e Eileen (Mary Jo Deschanel), revelando uma normalidade familiar que não encontra em sua casa. Essas cenas são muito importantes tanto para a mitologia de Twin Peaks quanto para a compreensão do filme lançado nos cinemas: Dr. Hayward fala da figura do anjo a Laura – símbolo que será determinante a seu final – e faz um truque de mágica ligado à aparição de uma rosa vermelha (outro símbolo do roteiro, ligado à personagem de Lil); ele diz que a mágica havia dado certo no trecho da estrada em que Laura, afinal, virá a desaparecer (um detalhe colocado discretamente por Lynch). Nessas cenas, deve-se destacar não apenas a presença de Kelly, mas, principalmente, a atuação excelente de Frost.
Há também sequências de Laura com o namorado Bobby Briggs, editadas no filme oficial. Uma delas mostra Laura chegando à casa de Bobby, enquanto a mãe e o pai deste estão sentados na sala. O Major Briggs (Don S. Davis) lembra passagens bíblicas do Apocalipse, que remetem também à figura do anjo, fundamental para entender a narrativa de Twin Peaks – Fire walk with me. Além de David Lynch dar mais espaço ao cenário da casa – que no filme se restringe ao porão onde está Bobby (em mais uma excelente participação de Dana Ashbrook) –, e filmar exatamente como em algumas sequências do piloto da série (a câmera mais estática), ele novamente desenvolve esse encontro ou afastamento de Laura da vida familiar.
O contato de Laura com Donna rende igualmente uma sequência de ida das duas ao Canadá que dialoga certamente com o material que Lynch apresentaria anos depois em A estrada perdida. Não só a atriz Sheryl Lee, injustamente esquecida, e que depois faria pequenas participações em obras como Inverno da alma e Pássaro branco na nevasca, consegue mesclar diferentes tons em sua atuação como Laura. Ela divide a cena principalmente com Donna Hayward – e, ao contrário de muitos admiradores da série, não acredito que Lara Flynn Boyle faça exatamente falta. A atriz Moira Kelly, que no mesmo ano, 1992, fazia a namorada de Charlie Chaplin no filme biográfico com Robert Downey Jr., traz um certo ar de ingenuidade que Flynn Boyle não possui e se imagina como o personagem de Donna, na série de TV, teria crescido com sua participação. Se em Twin Peaks – Fire walk with me a sua participação era marcante, aqui, principalmente na conversa que tem com Laura, mais extensa do que no filme, ela ainda traz mais interesse para a dualidade que trava com a amiga. O clima noturno da sequência que desemboca no Canadá dialoga com aquele visto no início de Cidade dos sonhos.

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E temos, em determinado momento, Laura Palmer sendo hipnotizada pelo ventilador de teto, reproduzindo uma sequência que se encaixaria perfeitamente em Império dos sonhos. Ou seja, como realmente Twin Peaks sempre anunciou, esta obra antecipa o David Lynch do final dos anos 90 e início dos anos 2000.
Do mesmo modo, há sequências mais longas do relacionamento entre Teresa Banks (Pamela Gidley) e Leland Palmer – que no filme se mostram com uma edição bastante concentrada. Nos extras, Lynch destaca mais o Blue Diamond Motel, onde está Teresa, fazendo, inclusive, uma analogia entre o anel da coruja carregado por alguns personagens e o diamante que caracteriza a fachada do Motel. Em meio a essas conversas entre Banks e Leland, temos outra participação de Jacques Renault (Walter Olkewicz).
Há outras passagens que conferem uma lembrança justa aos personagens da cidade, mas não se sentiriam encaixadas de maneira clara no filme: a ligação de Ed Hurley (Everett McGill) com Nadine (Wendy Robie) e Norma Jennings (Peggy Lipton); o xerife Harry Truman (Michael Otkean), preparando-se para apanhar um traficante com Andy Brennan (Harry Goaz), Tommy (Michael Horse) e a assessoria de Lucy Moran (Kimmy Robertson); uma conversa na madeireira entre Pete (Jack Nance) e Josie (Joan Chen) com o senhor que trabalha no banco no último episódio de Twin Peaks, Dell Mibbler (Ed Wright); os atritos entre Leo (Eric Da Re) e Shelly (Mädchen Amick). E do mesmo modo temos, numa breve aparição, a Senhora do Tronco (Catherine E. Coulson). São particularmente boas aquelas sequências em que Ed escuta com Norma a música de Angelo Badalamenti na caminhonete, e a conversa na madeireira, de extrato surreal próprio da série. A maneira como Lynch os traz de volta mostra seu carinho com esses personagens e complementa o filme, mesmo que de forma menos clara.

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De modo geral, acredita-se que todas as cenas em que Laura Palmer aparece – inclusive aquela em que recebe o telefonema do psiquiatra, Dr. Lawrence Jacoby (Russ Tamblyn) – deveriam ter sido mantidas no filme oficial, assim como a participação estendida de Phillip Jeffries, que traria acréscimos à história, e o encontro de Cooper com o agente Stanley. Outras poderiam ter mescladas, talvez não com a mesma duração, pois o ritmo de Twin Peaks – Fire walk with me tem uma falsa lentidão, sendo, na verdade, muito ágil (apesar de seus 135 minutos). O importante de As peças que faltam, além de ser um complemento vital de Twin Peaks, é o cuidado com que David Lynch retomou este material: além de as cenas inéditas terem a mesma qualidade de imagem do filme oficial, receberam um tratamento sonoro, musical (com a colaboração sempre vital de Angelo Badalamenti) e visual claramente de acordo com os tempos atuais, como o teletransporte de Jeffries ou a imagem em que Laura Palmer se encontra embaixo do ventilador. Mostram como David Lynch tinha uma noção exata de que o filme não era apenas a continuação da série, e sim uma outra linguagem. Mais pesado do que a série, Twin Peaks – Fire walk with me também conserva experimentos poucas vezes visto, acentuados com este material, como na passagem de Jeffries, a reunião no Black Lodge e as sequências surrealistas com Laura Palmer. E existe ainda, ao final, algumas cenas que se passam depois do final da série de TV, com Annie Blackburn (Heather Graham), que dialogam, no entanto, com um símbolo existente apenas no filme. Twin Peaks – As peças que faltam só não é tão excelente, principalmente para os fãs, quanto a volta da série no ano que vem.

Twin Peaks – The missing pieces, EUA, 2014 Diretor: David Lynch Elenco: Sheryl Lee, Ray Wise, Dana Ashbrook, Kyle MacLachlan, Madchen Amick, James Marshall, Mary Jo Deschanel, Warren Frost, David Bowie, Chris Isaak, Kiefer Sutherland, Everett McGill, Wendy Robie, Peggy Lipton, Michael Otkean, Harry Goaz, Michael Horse, Kimmy Robertson, Jack Nance, Joan Chen, Ed Wright, Don S. Davis, Russ Tamblyn, Catherine E. Coulson, Heather Graham, Gary Bullock, Pamela Gidley Produção: Francis Bouygues, Gregg Fienberg Roteiro: David Lynch, Robert Engels Fotografia: Ron Garcia Trilha Sonora: Angelo Badalamenti Duração: 91 min.

Cotação 5 estrelas

 

Twin Peaks (1990-1991)

Por André Dick

A série Twin Peaks marcou época na televisão norte-americana. Quando exibida no Brasil, sofreu diversos cortes, tornando o que já era de entendimento complexo ainda mais difícil (daqui em diante, há spoilers). Podendo se assistir à série em DVD*, constatamos os motivos de seu sucesso. Como trama policial e narrativa de suspense, não foi feito ainda nada parecido na TV. A história da jovem rainha da escola Laura Palmer, que aparece morta enrolada num plástico, na margem do rio de Twin Peaks, é um pretexto para descobrirmos, como em outras obras de David Lynch, o que acontece por trás de alguns habitantes de uma cidade do interior. A sequência de aviso da morte ao pai de Laura, Leland (Ray Wise), e à mãe, Sarah (Grace Zabriskie), é realizada em tom crescente e melancólico, em razão da música de Angelo Badalamenti, assim como o aviso dado pelo diretor da escola sobre o acontecimento, repercutindo entre os amigos de Laura. A partir daí, conhecemos Bobby Briggs (Dana Aschbrook), namorado de Laura, o motoqueiro James Hurley (James Marshall), amante dela, Donna Hayward (Lara Flynn Boyle), sua amiga, além de Audrey Horne (Sherilyn Fenn), filha de Ben Horne (Richard Beymer), dono do hotel da cidade, o Great Northern.
Designado para a investigação, Dale Cooper (Kyle MacLachlan, em seu melhor papel), que parece voltar a uma cidade da infância, dos anos 50, mas onde não há mais inocência, ganha a parceria do xerife Truman (Michael Ontkean), que passa a apresentá-lo aos envolvidos com Laura Palmer. Cooper chega a esses jovens e começa a tentar desvendar o quebra-cabeças, em meio a perguntas sobre os pinheiros que existem na rota para a cidade, explicações para o seu gravador (para a secretária Dianne) e interesses por rosquinhas e café preto – que não atenuam o pesadelo do cenário, contrastando com a beleza da paisagem.

Toda essa teia de personagens tem várias extensões. A primeira temporada mostra, a partir disso, a perseguição aos principais suspeitos do assassinato de Laura, entre os quais estão também o caminhoneiro Leo (Eric Da Re, que bate na mulher, Shelly, interpretada por Mädchen Amick, empregada na lanchonete de Twin Peaks e amante de Bobby Briggs) e alguns desses personagens referidos. E seu piloto (tanto o feito para a TV quanto o feito para vídeo, um pouco mais extenso) tem uma condição de cinema como nada na TV, antes e depois. As cores escuras da cidade são trabalhadas em detalhes por Lynch: a perseguição a James Hurley e Donna Hayward, ao final, por exemplo, ajuda a determinar o clima de tensão da série. O humor de Twin Peaks começa a aparecer sobretudo a partir do primeiro e do segundo episódios, com a entrada em cena, por exemplo, de Albert Rosenfeld (Miguel Ferrer) e da presença maior de Ben Horne, embora nada sobrepuje o agente Cooper e o corpo policial da cidade, que rende boas cenas de humor. Há um misto de seriedade e ironia em cada ação dos personagens, mas o humor negro é incorporado a ação de cada um, o que não torna nada pesado. Por outro lado, surge o desespero do pai de Laura, Leland, apenas consolado com a presença da sobrinha Maddison (também interpretada por Sheryl Lee), igual a Laura Palmer, em versão morena (imaginamos aqui uma precursora das personagens de Patricia Arquette em A estrada perdida e das atrizes de Cidade dos sonhos).

No segundo episódio, depois de iniciar seu processo de investigação baseado em premissas do Tibete (o que vai ao encontro de David Lynch e sua meditação transcendental) e brincadeiras com a psicologia (na figura do Dr. Lawrence Jacoby, interpretado por Russ Tamblyn), Dale Cooper tem o sonho que mudará a série: numa sala vermelha, um anão dança, fala frases ao contrário e Laura Palmer se aproxima, dando pistas para Cooper desvendar o crime. A partir disso, o agente do FBI investe numa espécie de perseguição zen ao criminoso, costurando pistas por meio das mensagens cifradas do seu sonho, elemento típico em David Lynch – e o episódio ganha força novamente com sua direção, indo parar em uma cabana no meio da floresta, onde conhece a Senhora do Tronco (Catherine E. Coulson), que tem histórias sobre o que acontece na floresta à noite, e depois em outra, em que encontra o pássaro Waldo, que repete o nome de dois homens.

O cenário, para Lynch, é o da floresta, e Twin Peaks está à margem dela. O mistério está localizado em figuras como a coruja (numa sequência, o rosto de Bob, o assassino, tem a imagem dela) e dos galhos das árvores que se balançam. Como diz Truman a Cooper numa reunião com um grupo que vigia a entrada de drogas em Twin Peaks, inclusive com James Hurley, há algo estranho nas árvores da cidade, uma força estranha e misteriosa – é para ela que Lynch, afinal, quer direcionar a série.
No final desta temporada, em que a tentativa de solucionar o crime é envolvida pelo clima dos anos 50 ou 60 que habita a cidade – e faz os jovens se reunirem com os pais à beira da lareira da sala, colocarem músicas para dançar no Double R, onde quase todos da cidade vão tomar café e comer tortas –, Cooper, ao atender a porta no hotel, é baleado, terminando em sete episódios com condução perfeita: a direção segura, o elenco excelente e os elementos que compõem Twin Peaks (a direção de arte, a fotografia, a música) destacados como em poucas séries.

A segunda temporada inicia com um episódio excelente – dirigido por David Lynch -, em que Cooper é visitado por um senhor atendente do hotel e, em seguida, por um gigante, que lhe dá novas pistas. O Great Northern se transforma numa espécie de Overlook de O iluminado às avessas (há, inclusive, uma arquitetura indígena e Ben Horne encenando a Guerra Civil norte-americana, enquanto seu filho lança flechas contra imagens de búfalos), com fantasmas eventualmente andando pelo hotel, tentando ajudar Dale Cooper e nesse sentido a série deriva para o terror e suspense (com cenas hospitalares). No segundo capítulo da segunda temporada, novos acontecimentos estranhos, também direcionados por David Lynch: Donna Hayward começa a trabalhar entregando lanches – no lugar de Laura Palmer – e vai à casa dos Tremond (a avó e seu neto, peças-chaves do filme do cinema), que leva a conhecer o amigo de Laura que guardava seu diário. Finalmente, no terceiro episódio, o pai de Laura afirma a Cooper e ao xerife que conhece o homem que está no retrato do criminoso procurado, chamado Bob; seria um antigo vizinho da praia aonde ia com a família, na infância, e que jogava fósforos acesos nele. Ao final do sétimo episódio, ao mesmo tempo em que vemos Cooper no Road House, ouvindo Julee Cruise contra uma cortina vermelha e uma luz em close amarela, descobrimos o assassino – numa das sequências mais violentas já filmadas para a TV. O mesmo gigante do hotel aparece no palco e fala que “está acontecendo de novo”. O atendente do hotel vai à mesa em que estão Cooper, o xerife e a Senhora do Tronco e lamenta – num dos momentos surpreendentes desta segunda temporada.

É essa revelação que, segundo os planos originais de Lynch, não seria feita por sua vontade, pois ele gostaria que o segredo fosse mantido, sem os espectadores saberem a identidade do assassino.
A partir dessa nova tragédia, a luta de Cooper e do xerife é para descobrir que tipo de mal ameaça Twin Peaks, o que os faz se aproximar do Major Briggs (Don S. Davis) – pai de Bobby –, que diz haver na floresta da cidade um Black Lodge, com uma passagem para outra dimensão. O General, numa ida à floresta com ambos, acaba sumindo e reaparece dias depois. Cooper e o xerife acabam chegando à caverna da coruja, que ajuda a solucionar a ligação com esse universo paralelo à cidade. É exatamente neste ponto que a série começa a partir para um lado mais surreal, pois, ao mesmo tempo, chega à cidade Windom Earle (Kenneth Welsh), um ex-agente federal que enlouqueceu e está atrás de Cooper.
A estranheza dessa segunda temporada em relação à primeira acontece sobretudo porque David Lynch abandonou muito dos episódios nas mãos de outros roteiristas e diretores. É visível que seus substitutos tentaram desenvolver tramas paralelas menos interessantes – a mulher do dono do posto de gasolina, tio de James Hurley, que se apaixona por Mike, amigo de Bobby; o próprio James indefinido entre se envolver com Donna e com uma misteriosa mulher de beira de estrada; negócios escusos de Benjamin Horne com um presidiário, ex-marido da dona de lanchonete, Norma (Peggy Lipton), por sua vez amante do dono do posto de gasolina, Big Ed (Everet McGill); a paixão de Audrey Horne por um milionário que chega ao hotel (Billy Zane); a paixão do prefeito por uma quase adolescente; a paixão entre a secretária do xerife e um galanteador, entre outras –, sem o mesmo humor combinado com os elementos trágicos dos personagens.

No entanto, é fato que o clima supera em muitos momentos os defeitos possíveis (a fotografia de Ron García, que colaborou com Vittorio Storaro em O fundo do coração, e principalmente de Frank Byers para todos os episódios restantes, a direção de arte, a música de Badalamenti), sobretudo aquele que existe no Double R, a lanchonete em que os personagens se reúnem, e ajuda a desenhar boa parte da série. Temos, além disso, o desenvolvimento de novas tramas interessantes – a chegada de um novo agente federal (feito por David Duchovny, de Arquivo X), do chefe de Dale Cooper, Gordon Cole (em ótima participação do próprio David Lynch), a descoberta do xerife em relação à sua amante, a investigação da chegada de drogas em Twin Peaks, o encontro de Cooper com uma nova atendente da lanchonete (Heather Graham), por quem se apaixona e é a peça-chave no final da série. Ou seja, a segunda temporada é inferior, embora tenha momentos ainda muito interessantes.
Os personagens visivelmente ganham intensidade de uma temporada para outra, como o detetive feito por Miguel Ferrer (um dos melhores da série, e talvez esquecido, em comparação com os demais), o xerife e o agente Cooper, embora se perca um pouco o lado juvenil – com um interesse forçado entre Audrey e Bobby Briggs, por exemplo –, o que não diminui o impacto de vermos essa história contada em detalhes. Nisso tudo, a atuação do elenco, mesmo quando o roteiro não se mostra tão interessante, é excepcional. É interessante perceber como Twin Peaks trouxe novos nomes, como Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, Dana Ashbrook, Mädchen Amick, James Marshall, Heather Graham, Billy Zane – que apareceriam, mais tarde, em filmes, em maior ou menor escala, mas que ficam marcados por sua participação aqui (sobretudo Sherilyn Fenn, Sheryl Lee e Lara Flynn Boyle).

As imagens dos semáforos, dos bosques da cidade, da coruja ameaçadora (e da Caverna da Coruja, que ajuda a criar mais elementos para a mitologia da série e se corresponde com o filme), intensificam a percepção de terror, assim como o destino de alguns personagens (como o de Leo).
Por isso, Twin Peaks atravessa um terreno, da realidade para o simbólico e o metafórico, o que acaba afastando muitas pessoas que não conseguem associar o realismo de uma investigação do FBI  com fatos estranhos. Entretanto, não é à toa que, nesse sentido, a série ajudou a antecipar outras de mistério, como Arquivo X. De qualquer modo, o universo de Twin Peaks é muito mais sintético, voltado a uma única cidade e a inter-relação entre seus habitantes, dentro ou fora de uma investigação policial. As tortas e as rosquinhas da delegacia sempre escondem algo muito mais problemático, a ser enfrentado, mesmo que o distúrbio seja de origem desconhecida (os personagens que começam a sentir dores em seus braços, o que se reproduzirá no filme do cinema com Teresa Banks e Laura Palmer).

E o episódio final da série, dirigido por David Lynch, é, por mais estranho que pareça, o mais fiel ao que vimos antes. Há pelo menos em torno de 20 minutos com material completamente imprevisto para a televisão – quando Cooper entra na sala vermelha do Black Lodge e precisa recuperar o contato com a pessoa de que gosta, tendo de se deparar com o anão, com Laura, seu pai, Leland, Bob e seu outro eu. Essas imagens são excepcionalmente fotografadas, e criam um laço direto com o filme do cinema, pois este poderia também ser parte do final daquele. Aliás, o roteiro original de Twin Peaks – Fire walk with me mostraria o que acontece depois desta sequência. Se as cenas foram rodadas e virão a público algum dia, já faz parte mais uma vez da mitologia que cerca esses personagens de uma série primorosa**.

Twin Peaks, EUA, 1990-1991 Diretores: David Lynch, Graeme Clifford, Caleb Deschanel, Duwayne Dunham, Uli Edel, James Foley, Mark Frost, Lesli Linka Glatter, Stephen Gyllenhaal, Todd Holland, Tim Hunter, Diane Keaton, Tina Rathborne, Jonathan Sanger Elenco: Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Joan Chen, Piper Laurie, Dana Ashbrook, Mädchen Amick, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn, Sheryl Lee, James Marshall, Heather Graham, Russ Tamblyn, Eric Da Re, Peggy Lipton, Don S. Davis, David Duchovny, Kenneth Welsh Produção: Francis Bouygues, Gregg Fienberg Roteiro: David Lynch, Robert Engels Fotografia: Ron García, Frank Byers Trilha Sonora: Angelo Badalamenti Duração: 1670 min.

Cotação 5 estrelas

Publicado originalmente em 18 de outubro de 2012 no Especial David Lynch.

* Em 2014, a série foi relançada em Blu-ray. Ontem, foi anunciada a terceira temporada, com 9 episódios, que estreará em 2016.

** O relançamento em Blu-ray da série trouxe junto também o filme feito para o cinema, Twin Peaks – Fire walk with me, acompanhado por 91 minutos de extras, reunidos sob o nome The missing pieces, montados por David Lynch.

Melhores filmes 1990-1999

Por André Dick

Melhores filmes.1990.1999.Cinematographecinemafilmes

Com o intuito de organizar uma seleção de filmes da década de 1990, assim como aconteceu em relação aos anos 80, é apresentada, aqui, uma lista de melhores a cada ano, de 1990 a 1999, cada uma seguida por menções honrosas. O cinema dos anos 90 é um dos mais interessantes já realizados, não apenas por sua multiplicidade, mas pela maneira como muitos de seus filmes continuam influenciando a produção contemporânea.
Caso selecionemos apenas o período entre 1990 e 1992, veremos alguns dos filmes mais importantes e referenciais já feitos, trazendo a concretização de cineastas que surgiram nos anos 70 e 80, a exemplo de Martin Scorsese, Steven Spielberg, Tim Burton, David Lynch, David Cronenberg, Oliver Stone, Woody Allen, Joel e Ethan Coen, Gus Van Sant, Brian De Palma, Jim Jarmusch, entre outros – e, após o início da década, um lento desaparecimento de Francis Ford Coppola, tão destacado nas décadas de 70 e 80. Dos cineastas norte-americanos que começaram a produzir em décadas anteriores, quem se firmou nessa década foi Clint Eastwood, que desde os anos 80 tentava encontrar seu estilo por trás das câmeras.
Há alguns movimentos, voluntários ou não, nessa década, e remetem ao cinema iraniano, com nomes como Abbas Kiarostami e Majid Majidi; ao cinema oriental, com nomes como Wong Kar-Wai, Ang Lee (que ao final da década já estava em Hollywood), Zhang Yimou, John Woo – de filmes de ação – e ainda, no início da década de Akira Kurosawa; e ao movimento (de fato) Dogma 95, de Thomas Vinterberg e Lars von Trier.
O cinema francês também continuou marcando presença destacada, sobretudo com a obra de Leos Carax, embora o principais nomes da Europa sejam os de Krzysztof Kieślowski, em razão da Trilogia das Cores, que marcaria toda a década, e do húngaro Béla Tarr. Ao lado de ambos, o mais comentado foi o de Pedro Almodóvar. Mas também Michael Haneke antecipou seus filmes dos anos 2000, com uma mescla entre Hitchcock e as ameaças contemporâneas de uma cultura que tenta compreender de onde surge a violência. Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro fizeram Delicatessen, Bruno Dumont firmou-se e Jean-Pierre e Luc Dardenne se destacaram, sobretudo em Cannes.
Também surgiram alguns grandes nomes do cinema norte-americano, de forma independente, naquele mercado a que se deu o nome de indie: Quentin Tarantino, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Spike Jonze, Hal Hartley, Richard Linklater, Sofia Coppola e Todd Solondz.
Além dos Irmãos Washowski, em Bound e Matrix, no gênero noir e de ficção científica, e de Peter e Bob Farrelly, no campo da comédia.
Com Alien3 surgiu David Fincher, até então diretor de videoclipes e dando início à carreira, que prosseguiria com Seven, Vidas em jogo e Clube da luta.
Do México, surgem Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón. Da Inglaterra, surge Danny Boyle, com Cova rasa e Trainspotting, e Mike Leigh, Jim Sheridan, James Ivory e Terry Gilliam se reafirmam. Da Itália, Giuseppe Tornatore passa a ser uma referência, depois de surgir nos anos 80 com Cinema Paradiso. Na Suécia, surge Lukas Moodysson e na Alemanha Tom Tykwer.
Cineastas europeus firmaram a carreira em Hollywood, como Lasse Hallström e Paul Verhoeven.
Em 1998, tivemos o retorno de Terrence Malick, e em 1999 a despedida de Stanley Kubrick. A animação dos estúdios Walt Disney regressou com títulos com A bela e a feraAladdin e O rei leão, mas quem se tornou realmente destacado no gênero foi o cineasta Hayao Miyazaki. Entre os cineastas brasileiros, Walter Salles revelou um grande talento em A grande arte (sua estreia), Central do Brasil, Terra estrangeira (esses dois em parceria com Daniela Thomas)  e Carlos Reichenbach fez o antológico Alma corsária.
Como observado na lista aos melhores filmes dos anos 1980, alguns filmes que não agradam na primeira visão se mostram interessantes e até mesmo indispensáveis quando revisitados. Do mesmo modo, outros que a princípio parecem indispensáveis, com o passar dos anos parecem ter o impacto reduzido e se tornam menos importantes. A premissa de que um filme é bom ou fraco muitas vezes varia, mas a distância dos anos parece ser a melhor maneira de constatar isso. Os anos de cada filme estão de acordo com o IMDb, com raras exceções.
Espera-se que as listas levem você, cinéfilo e leitor, a rever ou descobrir alguns desses filmes.

1. Close-up (Abbas Kiarostami)
2. O céu que nos protege (Bernardo Bertolucci)
3. Sonhos (Akira Kurosawa)
4. A viagem do capitão Tornado (Ettore Scola)
5. Edward, mãos de tesoura (Tim Burton)
6. Coração selvagem (David Lynch)
7. O poderoso chefão III (Francis Ford Coppola)
8. Estamos todos bem (Giuseppe Tornatore)
9. Dick Tracy (Warren Beatty)
10. Dias selvagens (Wong Kar-Wai)

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11. Filhos da guerra (Agnieszka Holland) 12. Horas de desespero (Michael Cimino). 13. Alucinações do passado (Adrian Lyne) 14. Coração de caçador (Clint Eastwood) 15. Os bons companheiros (Martin Scorsese) 16. Confiança (Hal Hartley) 17. Linha mortal (Joel Schumacher) 18. Dança com lobos (Kevin Costner) 19. Avalon (Barry Levinson) 20. Tempo de despertar (Penny Marshall)

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Menções honrosas: Ata-me (Pedro Almodóvar), Lembranças de Hollywood (Mike Nichols), Darkman (Sam Raimi), De volta para o futuro III (Robert Zemeckis), Nikita (Luc Besson), Louca obsessão (Rob Reiner), Loucos de paixão (Luis Mandoki), O vingador do futuro (Paul Verhoeven), Te amarei até te matar (Lawrence Kasdan), Destino em dose dupla (James Orr), Stelinha (Miguel Faria Jr.), Uma história americana (Richard Pearce), Esqueceram de mim (Chris Columbus), As aventuras na ilha do tesouro (Frase Clarke Heston), Minha mãe é uma sereia (Richard Benjamin), Jovem demais para morrer (Geoff Murphy), A chave do enigma (Jack Nicholson), RoboCop 2 (Irvin Kershner), Aracnofobia (Frank Marshall), O ataque dos vermes malditos (Ron Underwood), Duro de matar 2 (Renny Harlin), Acima de qualquer suspeita (Alan J. Pakula), Meu pequeno paraíso (Herbert Ross), Simplesmente Alice (Woody Allen), Mais e melhores blues (Spike Lee), A fogueira das vaidades (Brian De Palma), Gremlins 2 (Joe Dante)

Melhores filmes.1991.Cinematographe

1. JFK – A pergunta que não quer calar (Oliver Stone)
2. Os amantes da Pont-Neuf (Leos Carax)
3. O boi (Sven Nykvist)
4. Cabo do medo (Martin Scorsese)
5. Brincando nos campos do senhor (Hector Babenco)
6. Barton Fink – Delírios de Hollywood (Joel e Ethan Coen)
7. Nosso querido Bob (Frank Oz)
8. Até o fim do mundo (Wim Wenders)
9. Delicatessen (Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro)
10. A grande arte (Walter Salles)

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11. Kafka (Steven Soderbergh) 12. Grand Canyon – Ansiedade de uma geração (Lawrence Kasdan) 13. Mediterrâneo (Gabrielle Salvatores) 14. Tomates verdes fritos (Jon Avnet) 15. O silêncio dos inocentes (Jonathan Demme) 16. Os donos da rua (John Singleton) 17. Frankie & Johnny (Garry Marshall) 18. Um conto americano 2 – Fievel vai para o oeste (Phil Nibbelink, Simon Wells) 19. Lanternas vermelhas (Zhang Yimou) 20. Jornada nas estrelas VI – A terra desconhecida (Nicholas Meyer)

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Menções honrosas: As noites de Rose (Martha Coolidge), Cortina de fogo (Ron Howard), Voltar a morrer (Kenneth Branagh), Rocketeer (Joe Johnston), Garotos de programa (Gus Van Sant), Minha vida (Bruce Joel Rubin), Robin Hood (Kevin Reynolds), Corra que a polícia vem aí 2 ½ (David Zucker), Liebestraum (Mike Figgis), Aprendiz de feiticeiro (John Badham), É pura sorte (Nadia Tass), O último boy scout (Tony Scott), Mentes que brilham (Jodie Foster), Caninos brancos (Randal Kleiser), Meu querido intruso (Lasse Hallström), Para eles, com muito amor (Mark Rydell), L.A. Story (Mick Jackson), Uma segunda chance (Mike Nichols), Point Break – Caçadores de emoções (Kathryn Bigelow), A dupla vida de Veronique (Krzysztof Kieślowski), Hook – A volta do capitão Gancho (Steven Spielberg), A bela e a fera (Gary Trousdale, Kirk Wise), Febre da selva (Spike Lee), O exterminador do futuro 2 – O julgamento final (James Cameron), Thelma & Louise (Ridley Scott)

1. Twin Peaks – Os últimos dias de Laura Palmer (David Lynch)
2. Questão de honra (Rob Reiner)
3. Vida e nada mais (e a vida continua) (Abbas Kiarostami)
4. O sucesso a qualquer preço (James Foley)
5. Os imperdoáveis (Clint Eastwood)
6. O jogador (Robert Altman)
7. Simples desejo (Hal Hartley)
8. O fim de um longo dia (Terrence Davies)
9. Maridos e esposas (Woody Allen)
10. Chaplin (Richard Attenborough)

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11. Perfume de mulher (Martin Brest) 12. Lua de fel (Roman Polanski) 13. O vídeo de Benny (Michael Haneke) 14. Herói por acidente (Stephen Frears) 15. Como água para chocolate (Alfonso Arau) 16. Ratos e homens (Gary Sinise) 17. O óleo de Lorenzo (George Miller) 18. Aladdin (Ron Clements, John Musker) 19. Vem dançar comigo (Baz Luhrmann) 20. Os irresistíveis falsários (Helmut Dietl)

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Menções honrosas: Síndrome de Caim (Brian De Palma), Drácula de Bram Stoker (Francis Ford Coppola), Porco Rosso – O último herói romântico (Hayao Miyazaki), As melhores intenções (Bille August), Alien3 (David Fincher), A testemunha ocular (Howard Franklin), Batman – O retorno (Tim Burton), Indochina (Régis Wargnier), Desejos (Phil Joanou), Traídos pelo desejo (Neil Jordan), Mudança de hábito (Emile Ardolino), O último dos moicanos (Michael Mann), Instinto selvagem (Paul Verhoeven), O passageiro do futuro (Brett Leonard), Um sonho distante (Ron Howard), Bob Roberts (Tim Robbins), O amante (Jean-Jacques Annaud), 1492 – A conquista do paraíso (Ridley Scott), Retorno a Howards End (James Ivory), Quanto mais idiota melhor (Penelope Spheeris), Cães de aluguel (Quentin Tarantino), Vida de solteiro (Cameron Crowe), Meu primo Vinny (Jonathan Lynn), Para o resto de nossas vidas (Kenneth Branagh), Um peixe fora d’água (Fred Shepisi), Perdas e danos (Louis Malle)

Melhores filmes.1993.Cinematographe

1. Vale Abraão (Manoel de Oliveira)
2. Short Cuts – Cenas da vida (Robert Altman)
3. Terra das sombras (Richard Attenborough)
4. A liberdade é azul (Krzysztof Kieślowski)
5. O pagamento final (Brian De Palma)
6. Alma corsária (Carlos Reichenbach)
7. Gilbert Grape – Aprendiz de sonhador (Lasse Hallström)
8. Jurassic Park – Parque dos dinossauros (Steven Spielberg)
9. Um misterioso assassinato em Manhattan (Woody Allen)
10. Madadayo (Akira Kurosawa)

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11. Jovens, loucos e rebeldes (Richard Linklater) 12 Um mundo perfeito (Clint Eastwood) 13. Vestígios do dia (James Ivory) 14. Morango e chocolate (Tomás Gutiérrez Alea, Juan Carlos Tabío) 15. Na linha de fogo (Wolfgang Petersen) 16. A lista de Schindler (Steven Spielberg) 17. Feitiço do tempo (Harold Ramis) 18. Cronos (Guillermo del Toro) 19. O banquete de casamento (Ang Lee) 20. Em nome do pai (Jim Sheridan)

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Menções honrosas: Matinê (Joe Dante), Muito barulho por nada (Kenneth Branagh), Um dia de fúria (Joel Schumacher), O pequeno Buda (Bernardo Bertolucci), Uma mulher para dois (John McNaughton), Dias amargos (Marshall Herskovitz), Dave – Presidente por um dia (Ivan Reitman), A casa dos espíritos (Bille August), Coração indomável (Tony Bill), Benny e Joon – Corações em conflito (Jeremiah S. Chechick), Risco total (Renny Harlin), Caminho de pedras (Tony Bill), Evil Dead 3 (Sam Raimi), O fugitivo (Andrew Davis), O jardim secreto (Agniezka Holland), O piano (Jane Campion), Não chame a polícia (E. Max Frye), Filadélfia (Jonathan Demme), A família Addams 2 (Barry Sonnefeld), Os três mosqueteiros (Stephen Herek), A noite que nunca nos encontramos (Warren Leight), A época da inocência (Martin Scorsese)

Melhores filmes.1994.Cinematographe

1. Satantango (Béla Tarr)
2. Pulp fiction – Tempo de violência (Quentin Tarantino)
3. Ed Wood (Tim Burton)
4. A fraternidade é vermelha (Krzysztof Kieślowski )
5. Um sonho de liberdade (Frank Darabont)
6. Tiros na Broadway (Woody Allen)
7. Cinzas do passado (Wong Kar-Wai)
8. O carteiro e o poeta (Michael Radford)
9. Forrest Gump – O contador de histórias (Robert Zemeckis)
10. A guerra dos botões (John Roberts)

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11. A igualdade é branca (Krzysztof Kieślowski) 12. O profissional (Luc Besson) 13. Comer beber viver (Ang Lee) 14. Assassinos por natureza (Oliver Stone) 15. O casamento de Muriel (P.J. Hogan) 16. Amores expressos (Wong Kar-Wai) 17. Entrevista com o vampiro (Neil Jordan) 18. A morte e a donzela (Roman Polanski) 19. A teta e a lua (Bigas Luna) 20. Lobo (Mike Nichols)

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Menções honrosas: Céu azul (Tony Richardson), True lies (James Cameron), Ninguém segura este bebê (Patrick Read Johnson), Maverick (Richard Donner), Debi & Loide (Peter e Bob Farrelly), Priscila – A rainha do deserto (Stephan Elliott), Quatro casamentos e um funeral (Mike Newell), Tão longe, tão perto (Wim Wenders), O rio selvagem (Curtis Hanson), Assédio sexual (Barry Levinson), Corina, uma babá perfeita (Jessie Nelson), Almas gêmeas (Peter Jackson), Na roda da fortuna (Joel e Ethan Coen), Atraídos pelo destino (Andrew Bergman), Os cabeças de vento (Michael Lehmann), Velocidade máxima (Jan de Bont), Loucas férias de verão (Bob Clark), Amazônia em chamas (John Frankenheimer), O cliente (Joel Schumacher), O rei leão (Roger Allers, Rob Minkoff), O guarda-costas e a primeira dama (Hugh Wilson), Uma virada do destino (Gillies MacKinnon), Clifford (Paul Flaherty), Com mérito (Alek Keshishian), O jornal (Ron Howard), Prêt-à-porter (Robert Altman)

1. Bem-vindo à casa de bonecas (Todd Solondz)
2. Seven (David Fincher)
3. Dead man (Jim Jarmusch)
4. Anjos caídos (Wong Kar-Wai)
5. As pontes de Madison (Clint Eastwood)
6. Babe – O porquinho atrapalhado (George Noonan)
7. Eclipse de uma paixão (Agnieszka Holland)
8. As patricinhas de Beverly Hills (Amy Heckerling)
9. Antes do amanhecer (Richard Linklater)
10. Cassino (Martin Scorsese)

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11. A excêntrica família de Antônia (Marleen Gorris) 12. 12 macacos (Terry Gilliam) 13. Maré vermelha (Tony Scott) 14. Mr. Holland – Adorável professor (Stephen Herek) 15. A princesinha (Alfonso Cuarón) 16. O quatrilho (Fábio Barreto) 17. Os últimos passos de um homem (Tim Robbins) 18. Despedida em Las Vegas (Mike Figgis) 19. Sábado (Ugo Giorgetti) 20. Showgirls (Paul Verhoeven)

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Menções honrosas: O nome do jogo (Barry Sonnenfeld), Carlota Joaquina – Princesa do Brazil (Carla Camuratti), Fogo contra fogo (Michael Mann), Rápida e mortal (Sam Raimi), Assassinato em primeiro grau (Marc Rocco), Enquanto você dormia (Jon Turteltaub), A cor da fúria (Desmond Dakano), Os suspeitos (Bryan Singer), Um dia para relembrar (James Foley), Underground (Emir Kusturica), Por uma vida menos ordinária (Danny Boyle), Duro de matar – A vingança (John McTiernan), A chave mágica (Frank Oz), O balão vermelho (Jafar Panahi), Epidemia (Wolfgang Petersen), Todos os corações do mundo (Murilo Salles), Tempo de decisão (Noah Baumbach), Energia pura (Victor Salva), Jumanji (Joe Johnston), Apollo 13 (Ron Howard), Diário de um adolescente (Scott Kalvert), Caminhando nas nuvens (Alfonso Arau)

Melhores filmes.1996.Cinematographe

1. Na trilha do sol (Michael Cimino)
2. Bottle Rocket (Wes Anderson)
3. Fargo (Joel e Ethan Coen)
4. Trainspotting – Sem limites (Danny Boyle)
5. Ondas do destino (Lars von Trier)
6. Bound – Ligadas pelo desejo (Andy e Lana Wachowski)
7. Terra estrangeira (Walter Salles e Daniela Thomas)
8. Crash (David Cronenberg)
9. Segredos e mentiras (Mike Leigh)
10. Como nascem os anjos (Murilo Salles)

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11. Voando para casa (Carroll Ballard) 12. O oitavo dia (Jaco Van Dormael) 13. O povo contra Larry Flint (Milos Forman) 14. Jogada de risco (Paul Thomas Anderson) 15. Michael Collins – O preço da liberdade (Neil Jordan) 16. Jerry Maguire (Cameron Crowe) 17. A promessa (Jean-Pierre e Luc Dardenne) 18. Coragem sob fogo (Edward Zwick) 19. A sombra e a escuridão (Stephen Hopkins) 20.  Na corda bamba (Billy Bob Thornton)

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Menções honrosas: Hamlet (Kenneth Branagh), Missão impossível (Brian De Palma), A gaiola das loucas (Mike Nichols), Shine – Brilhante (Scott Hicks), Coração de dragão (Rob Cohen), O sargento trapalhão (Jonathan Lynn), O entardecer de uma estrela (Robert Harling), Lone Star – A estrela solitária (John Sayles), Eu, minha mulher e minhas cópias (Harold Ramis), Mãe é mãe (Albert Brooks), A rocha (Michael Bay), Emma (Douglas McGrath), Queima de arquivo (Chuck Russell), Amor por acidente (Richard Benjamin), As filhas de Marvin (Jerry Zaks), Matilda (Danny de Vito), Um dia especial (Michael Hoffman),  Um instante de inocência (Mohsen Makhmalbaf), Antes e depois (Barbet Schroeder), Feito cães e gatos (Michael Lehmann), O espelho tem duas faces (Barbra Streisand), Ruth em questão (Alexander Payne), Medidas extremas (Michael Apted), Tempo de matar (Joel Schumacher)

1. Boogie Nights (Paul Thomas Anderson)
2. Titanic (James Cameron)
3. Vidas em jogo (David Fincher)
4. Filhos do paraíso (Majid Majidi)
5. Melhor é impossível (James L. Brooks)
6. Gosto de cereja (Abbas Kiarostami)
7. Felizes juntos (Wong Kar-Wai)
8. Tempestade de gelo (Ang Lee)
9. Mãe e filho (Alexander Sukorov)
10. Contato (Robert Zemeckis)

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11. Matador em conflito (George Armitage) 12. Funny games (Michael Haneke) 13. Mera coincidência (Barry Levinson) 14. Reviravolta (Oliver Stone) 15. O quarto poder (Costa-Gravas) 16. Gênio indomável (Gus Van Sant) 17. A estrada perdida (David Lynch) 18. Donnie Brasco (Mike Newell) 19. Los Angeles – Cidade proibida (Curtis Hanson) 20. Os matadores (Beto Brant)

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Menções honrosas: O quinto elemento (Luc Besson), O mentiroso (Tom Shadyac), Beijos que matam (Gary Fleder), Gattaca – A experiência genética (Andrew Niccol), Kundun (Martin Scorsese), Tropas estelares (Paul Verhoeven), Desconstruindo Harry (Woody Allen), Princesa Mononoke (Hayao Miyazaki), Jackie Brown (Quentin Tarantino), Breakdown – Perseguição implacável (Jonathan Mostow), Justiça vermelha (Jon Avnet), Lolita (Adrian Lyne), Ou tudo ou nada (Peter Cattaneo), Cop land (James Mangold), Será que ele é? (Frank Oz), O pacificador (Mimi Leder), Soul food – Tudo aos domingos (George Tillman Jr.), Preso na escuridão (Alejandro Amenábar), Inimigo íntimo (Alan J. Pakula), A ostra e o vento (Walter Lima Jr.), O homem que fazia chover (Francis Ford Coppola), Guerra de Canudos (Sérgio Rezende), A vida é bela (Roberto Benigni), Força aérea um (Wolfgang Petersen), Teoria da conspiração (Richard Donner)

1. Corra, Lola, corra (Tom Tykwer)
2. Central do Brasil (Walter Salles)
3. Além da linha vermelha (Terrence Malick)
4. Amigas de colégio (Lukas Moodysson)
5. O grande Lebowski (Joel e Ethan Coen)
6. Pi (Darren Aronofsky)
7. Grandes esperanças (Alfonso Cuarón)
8. Rushmore (Wes Anderson)
9. Deuses e monstros (Bill Condon)
10. 32 de agosto na terra (Denis Villeneuve)

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11. Os amantes do Círculo Polar (Julio Medem) 12. O resgate do soldado Ryan (Steven Spielberg) 13. Medo e delírio (Terry Gilliam) 14. O show de Truman (Peter Weir) 15. Encontro marcado (Martin Brest) 16. Felicidade (Todd Solondz) 17. Festa de família (Thomas Vinterberg) 18. Arquivo X – O filme (Robert Bowman) 19. Quem vai ficar com Mary? (Peter e Bob Farrelly) 20. Amor além da vida (Vincent Ward)

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Menções honrosas: Psicose (Gus Van Sant), Shakespeare apaixonado (John Madden), Um crime perfeito (Andrew Davis), Cidade dos anjos (Brad Silberling), Afinado no amor (Frank Coraci), Pleasantville – A vida em preto e branco (Gary Ross), Following (Cristopher Nolan), O aprendiz (Bryan Singer), Babe – Um porquinho na cidade (George Miller), A razão do meu afeto (Nicholas Rytner), Ronin (John Frankenheimer), O príncipe do Egito (Brenda Chapman, Steve Hickner, Simon Wells), Vampiros de John Carpenter (John Carpenter), Medidas desesperadas (Barbet Schroeder), Olhos de serpente (Brian De Palma), A máscara do Zorro (Martin Campbell), Segredos do poder (Mike Nichols), Impacto profundo (Mimi Leder), A outra história americana (Todd Kaynes), Um plano simples (Sam Raimi), Irresistível paixão (Steven Soderbergh), Terras perdidas (Stephen Frears)

Melhores filmes.1999.Cinematographe

1. De olhos bem fechados (Stanley Kubrick)
2. História real (David Lynch)
3. Tudo sobre minha mãe (Pedro Almodóvar)
4. Eleição (Alexander Payne)
5. Titus (Julie Taymor)
6. A humanidade (Bruno Dumont)
7. A lenda do cavaleiro sem cabeça (Tim Burton)
8. O sexto sentido (M. Night Shyamalan)
9. Pola X (Leos Carax)
10. Rosetta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

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11. Um lugar chamado Notting Hill (Roger Mitchell) 12. Magnólia (Paul Thomas Anderson) 13. Poucas e boas (Woody Allen) 14. Quero ser John Malkovich (Spike Jonze) 15. O mundo de Andy (Milos Forman) 16. Matrix (Andy e Lana Washowski) 17. À espera de um milagre (Frank Darabont) 18. A cor do paraíso (Majid Majidi) 19. Um domingo qualquer (Oliver Stone) 20. O gigante de ferro (Brad Bird)

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Menções honrosas: Vivendo no limite (Martin Scorsese), As virgens suicidas (Sofia Coppola), Meninos não choram (Kimberly Peirce), eXistenZ (David Cronenberg), Audition (Takashi Miike), Três reis (David O. Russell), Dois córregos (Carlos Reichenbach), Guerra nas estrelas – A ameaça fantasma (George Lucas), Ressurreição – Retalhos de um crime (Russell Mulcahy), Asterix e Obelix contra César (Claude Zidi), Beleza americana (Sam Mendes), Segundas intenções (Roger Kumble), Heróis fora de órbita (Dean Parisot), Topsy-Turvy – O espetáculo (Mike Leigh), Stigmata (Rupert Wainwright), O primeiro dia (Walter Salles e Daniela Thomas), Regras da vida (Lasse Hallström), O talentoso Ripley (Anthony Minghella), O informante (Michael Mann), O vento nos levará (Abbas Kiarostami)

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