Alien – A ressurreição (1997)

Por André Dick

Muito criticado, Alien 3 veio no rastro do sucesso de Aliens e dirigido pelo talentoso estreante David Fincher (que faria depois, entre outros, SevenO curioso caso de Benjamin Button e A rede social), antes dele responsável por clipes de Madonna e Billy Idol, entre outros. Ele pode ter salvo uma ficção científica com muitos problemas de produção. No papel da tenente Ellen Ripley, Sigourney transforma-se, aqui, numa espécie de fuzileira naval. Ela volta a enfrentar um alien, muito mais veloz, num planeta-prisão, habitado por homens que seguem uma religião medieval e foram aprisionados ali por serem loucos ou psicopatas. O diretor soube criar uma atmosfera vazia e com clima claustrofóbico, tal como o primeiro da trilogia, mas com o suspense do segundo.
O fator que diferencia este Alien dos outros é a temática existencial, assinada por Vincent Ward (diretor de Navigator). Os personagens nunca agem de maneira previsível, principalmente, sobretudo os de Dance (o médico) e Dutton (o braço direito do líder da religião) e, claro, de Sigourney, emprestando um lado verossímil a um personagem que combate um monstro quase sem armas – ao contrário do segundo filme, ou seja, aproximando-se mais do original. Tem muita ação, muitos movimentos de câmera (para mostrar as perseguições), excelente maquiagem, uma boa dose de humor e apenas um problema: a curta duração.  No entanto, o final indica um desfecho para a série. Como contornar esse fato?

A resposta é dada em Alien – A ressurreição. Além de trazer de volta a tenente Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, os produtores da Fox chamaram o francês  Jean-Pierre Jeunet para o cargo de diretor do novo Alien. Se ele era elogiado por Delicatessen e Ladrão de sonhos, requintes de apuro visual – exigência para ser diretor da série, a julgar por Scott, Cameron e Fincher –, e viria a dirigir a obra-prima O fabuloso destino de Amélie Poulain, em sua estreia de Hollywood não se deu bem. Apesar do filme ter o seu registro visual e cenários fantásticos, superiores a qualquer ficção científica atual, Alien – A ressurreição tem uma predileção pelo exagero. Isso se mostra não apenas na maneira como Ripley reaparece – e a versão estendida, com 13 minutos de cenas acrescidas ou modificadas é vital para estabelecer seu contato novamente com Newt, a menina de Aliens. A partida da história mostra cientistas numa nave espacial em 2379, a  USM Auriga, clonando a tenente Ripley, conseguindo extrair dela o embrião da rainha alien, para reprodução.

Enquanto a clone tem uma força incomum, proporcional ao do alien, os monstros da nova ninhada se rebelam contra os cientistas que os pesquisam, entre os quais Dr. Mason Wren.(JE Freeman) e Dr. Jonathan Gediman (Brad Dourif). Na nave, chega um grupo de mercenários que traz humanos para pesquisas: Ron Johner (Ron Perlman), Gary Christie (Gary Dourdan), Sabra Hillard (Kim Flowers),, Annalee Call (Winona Ryder) e Dom Vriess (Dominique Pinon).
Em alguns momentos, também no elenco – com a inclusão de Perlman e Pinon –, este Alien dialoga com o filme anterior de Jeunet, Ladrão de sonhos, com seu clima claustrofóbico e esfumaçado, como se ocorresse numa penumbra, assim como traz gráficos de experimentos laboratoriais que remetem à mesma obra.
Com um festival de mortes e violência, carrega na atmosfera, um híbrido entre gosma e pesadelo, exibindo monstros estraçalhando humanos – o que se via apenas de forma discreta, sobretudo no terceiro e, infelizmente, não o último capítulo –, seres mutantes e uma nova rainha alien, que dá a luz a um rebento assustador.

O interessante, mais de mais de 20 anos depois, é ver como alguns lances do roteiro de Joss Whedon – que havia ajudado a escrever Toy Story dois anos antes – antecipam as ideias de Prometheus, na fusão entre aliens e humanos. Embora o espectador precise obrigatoriamente aceitar a ideia de que Ripley agora é um clone com uma força descomunal, ele pode aceitar a ideia de sua amizade com Call como reflexo da lembrança que tem de Newt, o que a versão estendida do filme provoca. Isso dá razão a uma conversa mais longa entre elas depois de um embate bastante interessante da equipe contra aliens embaixo d’água, filmada com rara competência por Jeunet numa profusão visual intensa. Os casulos também parecem mais realistas neste episódio de Alien, e os monstros com um aspecto mais aterrorizante. De certa maneira, é o mais próximo do episódio inicial de 1979, com elementos do segundo de Cameron.
A fotografia de Darius Khondji  (que havia feito a da obra anterior de Jeunet, Ladrão de sonhos), os efeitos especiais e os cenários do novo filme são irrepreensíveis, assim como os outros do diretor. Na versão estendida, a curiosidade é seu final estabelecer uma ligação principalmente com Delicatessen, numa marca autoral interessante. De modo geral, sua versão estendida melhora uma produção que não foi tão recebida e merece um reconhecimento: dentro do que se propõe é uma das melhores.

Alien: resurrection, EUA, 1997 Diretor: Jean-Pierre Jeunet Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman, Gary Dourdan, Michael Wincott Roteiro: Joss Whedon Fotografia: Darius Khondji Trilha Sonora: John Frizzell Produção: Bill Badalato, Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Duração: 109 min. (Versão teatral); 116 min. (Versão estendida) Estúdio: Brandywine Productions/ Twentieth Century Fox Film Corporation Distribuidora: Twentieth Century Fox Film Corporation

Destacamento Blood (2020)

Por André Dick

O diretor Spike Lee vem conseguindo manter uma média de filmes muito boa desde sua estreia em Ela quer tudo, em 1986. Depois do grande sucesso de Faça a coisa certa três anos depois, principalmente no Festival de Cannes, ele encadeou obras significativas para os anos 90, Mais e melhores blues, Febre da selva e Malcolm X. No entanto, a partir de meados dessa década, mesmo que tenhamos Irmãos do sangue e O verão de Sam, até o final dos anos 2000, Lee, refinando sua estética, basicamente reprisou os temas desses filmes, com uma breve interrupção no ótimo A última noite, sobre os efeitos do 11 de setembro. Depois de sua refilmagem mal-recebida de Oldbboy – com Josh Brolin –, ele voltou a fazer bastante sucesso com Infiltrado na Klan. Este novo filme seu, Destacamento Blood, lançado pela Netflix, vem exatamente reafirmar este novo momento.

Certamente interessado em recuperar vestígios de uma Guerra do Vietnã pouco abordada por cineastas negros, Spike Lee consegue situar os personagens de modo simples e eficiente.  Quatro veteranos de guerra afro-americanos, Paul (Delroy Lindo), intranquilo e às vezes agressivo, o tranquilo Otis (Clarke Peters), mais Eddie (Norm Lewis) e Melvin (Isiah Whitlock Jr.). estão em Ho Chi Minh, Vietnã, para uma missão: recuperar barras de ouro perdidas durante a guerra, quando se envolveram numa batalha ao lado de Stormin ‘Norman (Chadwick Boseman), que não está mais entre eles. Otis reencontra uma amante dos tempos de guerra, Tiên Luu (Y. Lan), enquanto Paul recebe a visita inesperada de seu filho David (Jonathan Majors). Depois de um encontro com um francês, Desroche (Jean Reno), negociante que pode ajudá-los a esconder o valor do ouro em contas no exterior, eles partem na missão com a ajuda de Vinh (Johnny Tri Nguyen)  – que não sabe exatamente o que estão fazendo ali. No caminho para o lugar almejado, David conhece um grupo formado por Bouvier (Mélanie Thierry), Simon (Paul Walter Hauser) e Seppo (Jasper Pääkkönen).

Destacamento Blood usa diferentes tipos de formato de tela: um para representar a pré-missão, quando os amigos saem inclusive para uma discoteca com um grande painel ao fundo de Apocalypse now, de Francis Ford Coppola, homenageado também quando embarcam numa navegação por um rio ao som de “Cavalgada das Valquírias”, outro quando mostra o passado, com o grupo no campo de batalha do Vietnã; e outro no presente quando estão em missão, quando o formato de tela se preenche totalmente. O talento da fotografia de Newton Thomas Sigel, acompanhado por uma trilha sonora de Terence Blanchard e canções de Marvin Gaye, evita com que isso pareça um mero maneirismo, fazendo bem o contraponto entre a tonalidade das imagens atuais e as dos anos 70 (granuladas, em 16mm), quando lembram uma espécie de documentário, na linha de Corações e mentes. É um trabalho brilhante em alguns momentos, esteticamente apurado e bem inserido.
O início do filme é repleto de informações históricas, uma característica de Spike Lee, mas aqui, embora ele tenha sempre uma certa vontade de trabalhar suas ideias políticas, ele parece liberar um lado mais humano desses personagens, sem exatamente escondê-los por trás de um discurso.

Com uma luz natural, ele parece se inspirar na filmografia do tailandês Apichatpong Weerasethakul para mostrar uma selva vietnamita ameaçadora, mas ao mesmo tempo com templos; ainda presa ao passado, mas já com vontade de esquecer a tragédia. Porem, para Spike Lee, o que esse grupo vai procurar não é exatamente o ouro e sim o acerto de contas com seu passado. Parecem atraídos pelo sentimento de culpa, que a selva não ajuda a atenuar. E o ouro, sobretudo a partir de determinada sequência, é uma extensão da perda, do que já não pode ser recuperado – um passado feito de discursos, ouvidos no início e no final. Isso é feito sobretudo pela figura de Paul, numa atuação magnífica de Delroy Lindo, e sua relação conflituosa com o filho. Apesar de Lee não consiga trabalhar da melhor maneira os outros personagens, é possível visualizar neles de fato um grupo efetivo, com verdadeiras ligações.
Destacamento Blood é um filme raro sobre a Guerra do Vietnã porque faz dele uma espécie de memória viva de seus personagens, e nunca torna os personagens estáticos: eles mudam conforme o grau de tensão do qual vão se aproximando. Nesse sentido, se eles chegam ao Vietnã apenas com o ouro em mente, aos poucos eles vão se deparando com os efeitos da guerra também nas pessoas que ali moram – e uma discussão entre Paul e um vendedor num barco é emblemática disso. A violência vivenciada pelos negros provoca uma reação de quem também a sofreu, e a culpa parece compartilhada. Para os integrantes do grupo, a guerra foi traumatizante: eles a levaram embora, mas também mantiveram seus resquícios ali. Lee trabalha isso de maneira interessante, tornando os diálogos fluidos e as situações bastante realistas.

Se em Infiltrado na Klan havia uma certa homenagem singela ao cinema dos anos 70, aqui o objetivo não é o mesmo e, com elementos pop, o antigo companheiro é visto como uma espécie de Pantera Negra, não à toa interpretado por Chadwick Boseman, fazendo da selva uma espécie de mapa da insegurança. Pode também o efeito da “febre do ouro”, e Lee introduz isso de maneira curiosa, com uma espécie de quebra da quarta parede e alguns monólogos explicando reações anteriores.
De modo geral, Destacamento Blood é uma grande realização na trajetória desse cineasta e, se o fim não faz jus ao restante, como já havia acontecido em Infiltrado na Klan, tentando reduzir uma história complexa por meio de uma síntese de palavras e declarações excessivamente rápidas, é bem verdade que talvez seja isto que atraia os olhares para o cinema de Spike Lee. Como em Faça a coisa certa, parece que o melhor do cinema dele é o conflito. Não é. Quando o espectador percebe que ele trata de um universo mais denso, é interessante voltar a ele: há algo profundamente humano e inexplicado por qualquer discurso no roteiro de Destacamento Blood.

Da 5 Bloods, EUA, 2020 Diretor: Spike Lee Elenco: Delroy Lindo, Jonathan Majors, Clarke Peters, Norm Lewis, Isiah Whitlock Jr, Mélanie Thierry, Paul Walter Hauser, Jasper Pääkkönen, Jean Reno, Chadwick Boseman Roteiro: Danny Bilson, Paul De Meo, Spike Lee, Kevin Willmott  Fotografia: Newton Thomas Sigel Trilha Sonora: Terence Blanchard Produção: Jon Kilik, Spike Lee, Beatriz Levin, Lloyd Levin Duração: 155 min. Estúdio: 40 Acres and a Mule Filmworks, Rahway Road, Lloyd Levin/Beatriz Levin Production Distribuidora: Netflix

Melhores filmes de 2020 (até agora)

Por André Dick

O Cinematographe publica uma lista pessoal dos melhores filmes até agora lançados internacionalmente em 2020, nos cinemas, VOD e streaming. Não inclui filmes lançados internacionalmente em 2019 e que chegaram ao Brasil este ano. Não sabia se seria possível fazer uma lista antecipada por motivos evidentes, como é de costume a cada ano neste espaço. São incluídos dois curta-metragens, um de David Lynch e outro de Olivia Wilde, pela qualidade. A lista será atualizada à medida que forem sendo vistas novas produções, algumas delas lembradas abaixo, se não houver novos adiamentos.

1. Pinóquio (Matteo Garrone)
2. Wendy (Benh Zeitlin)
3. Capone (Josh Trank)
4. Má educação (Cory Finley)
5. O chalé (Veronika Franz e Severin Fiala)
6. A vastidão da noite (Andrew Patterson)
7. Devorar (Carlo Mirabella Davis)
8. Emma (Autumn de Wilde)
9. Vivarium (Lorcan Finnegan)
10 Dois irmãos – Uma jornada fantástica (Dan Scanlion)
11. A última coisa que ele queria (Dee Ress)
12. Ya no estoy aquí (Fernando Frias)
13. Aves de Rapina – Arlequina e sua emancipação fantabulosa (Cathy Yan)
14. O caminho de volta (Gavin O’Connor)
15. O pássaro pintado (Václav Marhoul)

Menções honrosas: 16. Troco em dobro (Peter Berg) 17. O chamado da floresta (Chris Sanders) 18. Big time adolescence (Jason Orley) 19. Wake up (Olivia Wilde) 20. Maria e João – O conto das bruxas (Osgood Perkins) 21. Um crime para dois (Michael Showalter) 22. What did Jack do? (David Lynch) 23. Sonic – O filme (Jeff Fowler) 24. Ameaça profunda (William Eubank) 25. SCOOBY! O filme (Tony Cervone)

Filmes a serem vistos: Mulan (Niki Caro), Duna (Denis Villeneuve), Mulher-Maravilha 1984 (Patty Jenkins), Amor, sublime amor (Steven Spielberg), The French dispatch (Wes Anderson), Destacamento Blood (Spike Lee), Tenet (Christopher Nolan), Viúva Negra (Cate Shortland), Top Gun: Maverick (Joseph Koskinki), The new mutants (Josh Boone), Um lugar silencioso – Parte II (John Krasinski), Greyhound (Aaron Schneider), Free Guy – Assumindo o controle (Shawn Lewy), Soul (Pete Docter, Kemp Powers), Mank (David Fincher), 007 – Sem tempo para matar (Cary Joji Fukunaga), The last planet (Terrence Malick)

A vastidão da noite (2020)

Por André Dick

Lançado pela Amazon Prime, A vastidão da noite acompanha dois personagens desde o momento em que estão no ginásio da pequena cidade onde moram, Cayuga, nos anos 50, na qual vai acontecer um jogo de basquete: a operadora de telefonia Fay Crocker (Sierra McCormick) e o DJ de rádio Everett (Jake Horowitz). Eles saem para seus respectivos trabalhos em seguida. Surge um som estranho tanto na mesa de telefonia quanto na rádio, ao mesmo tempo que acontece um jogo de basquete. O diretor estreante Andrew Patterspn situa a história como um episódio de  Paradox Theatre , uma série de TV nos moldes de Além da imaginação, ou seja, seu filme parte da ideia de que estamos vendo um episódio independente, apostando numa certa metalinguagem.

Nesse sentido, A vastidão da noite é um filme para quem gosta de experimentos na linha dessa série antológica e de Histórias maravilhosas, a série de Spielberg, assim como No limite da realidade, versão em longa-metragem da primeira série. É conciso, bem escrito e tem ótima atmosfera, com o acréscimo de uma movimentação de câmera notável Começa de maneira lenta, acompanhando esses dois personagens caminhando pelas ruas da cidade quando cada objeto luminoso, principalmente as lâmpadas da rua, parecem lembrar OVNIs. Nesse ritmo, Patterson vai construindo uma atmosfera acolhedora e, ao mesmo tempo, ameaçadora, assim como lida muito bem com certo design de época, que remete a Loucuras de verão de George Lucas e Zodíaco, de Fincher. Os personagens falam sobre assuntos triviais, mas o espectador tem sempre a sensação de algo está para acontecer.

Vai crescendo com sucessão de referências a um acontecimento numa cidadezinha, mas tudo muito íntimo, nada espetacular. A primeira conversa de Everett com um senhor que diz que sabe de histórias relacionadas a disco voadores é, em sua simplicidade, uma grande arte na maneira de prender o espectador a um tema já explorado quase de forma incansável em outros filmes – e o primeiro que vem à mente é justamente Contatos imediatos do terceiro grau. Num momento também em que mistérios ligados ao espaço sideral já foram todos trabalhados por uma série como Arquivo X, A vastidão da noite injeta nessa simplicidade, sem grandes adereços, justamente sua personalidade.
O uso de efeitos sonoros e da trilha sonora de Erick Alexander e Jared Bulmer é bem feito, moldando momentos de tensão que parecem surgir do nada. Trata-se de uma obra que pode ser prejudicada pelo hype inicial que está tendo, mas, dentro do que se propõe, é efetiva. Lembra um cinema mais modesto, sem grande orçamento, baseado em pequenos gestos e truques de iluminação, quase caseiro em alguns momentos, sem deixar de ser rico no design de produção. Passado no Novo México e com referência à rua Sicômoro, típica de Twin Peaks, de David Lynch, onde mora uma senhora que também tem informações sobre possíveis criaturas do espaço, Não entraria em detalhes sobre aspectos da trama; o que se pode dizer é que o cineasta consegue, por meio de vários monólogos, extrair uma trama e uma tentativa de explicação para os fatos encadeados.

A vastidão da noite pode ser também entendido sob a luz do episódio 8 magnífico do retorno da série do cineasta de Cidade dos sonhos. Nesse episódio 8, que contava, depois da explosão de uma bomba atômica no deserto, vinham almas do espaço (ou do além) abordar uma rádio – afetando os habitantes de uma cidadezinha apenas por meio do que uma delas dizia no microfone da rádio. Patterson utiliza essa ideia de Lynch para expandir seu universo e também se pode, no ato final, lembrar de certos elementos de Veludo azul, na figura curiosa de Kyle MacLachlan sobre o que acontece em sua cidadezinha Lumberton; Não apenas uma sequência passada num carro lembra isso, como também uma que se desloca para o meio de uma floresta. É interessante imaginar como seria se Lynch voltasse a fazer uma ficção científica, como realiza no episódio 8 inspirador de Twin Peaks – O retorno, sem a grandiosidade de Duna dos anos 80, mais introspectiva. Se não vemos isso, pelo menos conhecemos algo parecido: o que Patterson faz, com inegável brilho, numa estreia mais do que promissora.

The vast of night, EUA, 2020 Diretor: Andrew Patterson Elenco:  Sierra McCormick, Jake Horowitz, Gail Cronauer, Bruce Davis, Cheyenne Barton, Gregory Peyton, Mallorie Rodak, Mollie Milligan, Ingrid Fease, Pam Dougherty Roteiro: James Montague e Craig W. Sanger Fotografia: M.I. Littin-Menz Trilha Sonora: Erick Alexander e Jared Bulmer Produção: Andrew Patterson, Melissa Kirkendall, Adam Dietrich Duração: 88 min. Estúdio: GED Cinema Distribuidora: Amazon Studios