Resultados do Oscar 2017

Por André Dick

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Melhor filme

Ninguém pode dizer que o Oscar 2017 não foi surpreendente. Quando a dupla de Bonnie e Clyde Faye Dunaway e Warren Beatty subiu ao palco para a entrega do prêmio de melhor filme, nada indicaria que o vencedor anunciado, La La Land, não seria de fato o escolhido. Depois de toda a equipe de La La Land agradecer, Beatty ressurgiu para explicar que o vencedor era Moonlight – Sob a luz do luar. No envelope lido por Dunaway, aparecia Emma Stone (La La Land), que havia vencido como melhor atriz. Envelope duplicado? Beatty, por aparentar não conseguir ler o envelope, foi visto pela imprensa como responsável pela confusão – o que é lamentável, assim como nenhuma indicação para seu mais recente e ótimo filme, Rules don’t apply. Mas quem o leu foi Dunaway, que nunca imaginaria que o envelope entregue estava errado. Culpa dos atores? Isso seria desconsiderar que uma organização não deve abrir espaço para a possibilidade de um equívoco desse tamanho. E avaliar que Beatty e Dunaway, astros históricos de Hollywood, quiseram prejudicar a premiação é ainda mais injusto.
Gosto mais da seleção deste ano do que a dos três anos anteriores. Há dois filmes excelentes, La La Land e Moonlight, dois ótimos (Manchester à beira-mar e Lion), dois muito bons (Até o último homem e A qualquer custo), dois particularmente sustentados por grandes atuações (Um limite entre nós Estrelas além do tempo) e uma ficção científica interessante e que melhorou em duas revisões que fiz (A chegada) em relação à primeira vez. La La Land saiu com 6 prêmios, Moonlight com 3, Até o último homem e Manchester à beira-mar com 2 e Um limite entre nós e A chegada com 1.

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Desde Crash, em 2005, o escolhido a melhor filme não vencia exatamente 3 Oscars. E, assim como em outros anos, especificamente aqueles em que Ang Lee foi escolhido melhor diretor (em O segredo de Brokeback Mountain e As aventuras de Pi), ou quando Cuarón recebeu o Oscar por Gravidade e Iñárritu em O regresso, o melhor diretor não acompanha melhor filme.
Novamente a Academia não atinge 10 concorrentes. Numa décima vaga, poderiam ter lembrado de Silêncio, JackieA lei da noiteLoving, Elle, Florence – Quem é essa mulher?, PatersonA longa caminhada de Billy LynnAnimais noturnos e vários outros sequer cotados, a exemplo de Ave, César!, Cavaleiro de copasA criada, A luz entre oceanos, Jovens, loucos e mais rebeldes!!Wiener-dogDocinho da América, Beleza ocultaMais forte que bombas, Dois caras legais, A garota no trem, Café Society e Demônio de neon.
A ordem dos meus preferidos a melhor filme era a seguinte:

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A apresentação de Jimmy Kimmel, de forma geral, foi vaga e pouco inspirada, destacando-se apenas em meio à confusão no final, e os números musicais foram um tanto apagados. Houve um belo in memoriam a artistas da indústria que faleceram, encerrado com Carrie Fisher. E, nos agradecimentos, apenas as falas de Viola Davis e Mahershala Ali foram realmente comoventes. Artistas que ganham o prêmio muito jovens, como Casey Affleck e Emma Stone, não costumam render bons discursos de agradecimento, assim como o do diretor Damien Chazelle foi apagado.
O fato é que, tirando esse momento histórico de gafe da organização, o Oscar aconteceu com premiações bastante previstas.

Melhor direção

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Damien Chazelle, logo depois de Whiplash, consegue seu prêmio como melhor diretor, de forma merecida e com somente 32 anos. Com um belo musical, ele conseguiu extrair grandes atuações de seu elenco. Seu concorrente mais forte, Jenkins, de Moonlight, acabou sendo agraciado com o melhor roteiro adaptado. Alguns esperavam uma possível surpresa de Mel Gibson ou Kenneth Lonergan, mas ambos não tinham potencial para atingir os votantes, e Villeneuve é ainda um nome com futuros projetos de destaque, a exemplo de Duna e Blade Runner 2049, e certamente será relembrado.

Melhor ator

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Nos últimos dias, Denzel Washington era apontado como favorito ao prêmio por Um limite entre nós, mas quem ficou com a estatueta foi o desde sempre favorito Casey Affleck, de Manchester à beira-mar. Pelo olhar de Washington, foi uma derrota sentida – ele ganharia o terceiro Oscar, depois de Tempo de glória e Dia de treinamento. Andrew Garfield, particularmente o melhor entre os concorrentes, era visto com uma possibilidade por sua atuação em Até o último homem, mas tem uma longa carreira pela frente, o que indica também Silêncio, em que faz um padre. Viggo Mortensen não estava muito cotado por Capitão Fantástico, nem Ryan Gosling por La La Land, embora seu Sebastian seja um ponto de equilíbrio para o filme ter êxito.

Melhor atriz

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A ótima Emma Stone, depois da indicação a coadjuvante por Birdman, superou as atuações de Isabelle Huppert em Elle e Natalie Portman em Jackie, superiores à dela. Mesmo Ruth Negga, em Loving, apresenta um trabalho mais marcante. Já Meryl Streep, excelente em Florence Foster Jenkins, apenas cumpria a sua participação. Mas Emma é uma atriz que tem uma longa carreira pela frente e já fazia por merecer indicações desde A mentira e Histórias cruzadas.

Melhor ator coadjuvante

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Mahershala Ali era o favorito e ganhou por Moonlight, num papel que domina todo o primeiro ato da narrativa. Jeff Bridges apresenta um trabalho excelente em A qualquer custo, mas não muito diferente do que já apresentara em Bravura indômita, enquanto Michael Shannon reafirma seu estilo singular em Animais noturnos e Dev Patel mostra um lado desconhecido de emoção em Lion – Uma jornada para casa.

Melhor atriz coadjuvante

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A grande Viola Davis finalmente venceu o Oscar, por seu papel em Um limite entre nós. Depois de várias indicações e ser favorita ao prêmio, em Histórias cruzadas, ela já havia sido premiado por esse papel pelo Tony, quando o representou na Broadway. Naomie Harris está bastante convincente em Moonlight, como a mãe de Cherrie, enquanto Victoria Spencer novamente é carismática em Estrelas além do tempo. Nicole Kidman está muito bem em Lion, enquanto Michelle Williams faz participação em Manchester à beira-mar.

Melhor roteiro original

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Kenneth Lonergan subiu ao palco por Manchester à beira-mar. Deixou para trás a estranheza do roteiro de O lagosta, a agilidade narrativa de A qualquer custo, a alegria agridoce de La La Land e o trabalho excepcional de Mike Mills em Mulheres do século 20, o melhor, a meu ver, nesta categoria.

Melhor roteiro adaptado

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Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney levaram o prêmio por Moonlight – Sob a luz do luar, superando os trabalhos elogiados de A chegada, Um limite entre nós e Estrelas além do tempo.

Melhor animação

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O grande favorito, Zootopia, foi o escolhido, superando o blockbuster Moana e o cult A tartaruga vermelha, além do influenciado por animações orientais, Kubo e as cordas mágicas.

Melhor longa estrangeiro

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O favorito e superestimado Toni Erdmann viu sua corrida encolher na reta final, e Asghar Farhadi recebeu o prêmio pelo excepcional O apartamento. Ele já havia recebido o prêmio com A separação, em 2011, e não compareceu à premiação por causa da política de imigração atual dos Estados Unidos, enviando uma mensagem. Um homem chamado Ove também possuía boas características para ser lembrado, embora os grandes esquecidos tenham sido Elle e É apenas o fim do mundo (esta obra de Xavier Dolan chegou a figurar entre os nove pré-finalistas).

Melhor documentário em curta-metragem

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Os capacetes brancos

Melhor documentário em longa-metragem

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O.J. – Made in America

Melhor curta-metragem

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Sing

Melhor curta em animação

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Piper

Melhor fotografia

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O sueco Linus Sandgren quebra a sequência de Emmanuel Lubezki, sequer indicado, com o belíssimo trabalho de luzes de La La Land. Embora muitos vissem James Laxton um potencial concorrente forte com Moonlight e Rodrigo Prieto, a indicação solitária de Silêncio, de Scorsese, uma possibilidade, não há maneira de dizer que Sandgren não tenha modernizado Los Angeles com uma nostalgia recorrente ao passado. Ele tem clara influência dos trabalhos de Lubezki e escolhe uma paleta de cores que transforma a narrativa numa referência.

Melhor trilha sonora

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Justin Hurwitz foi o vencedor pela belíssima trilha de La La Land, embora Mica Levi apresente um trabalho excepcional em Jackie e Nicholas Britell traga notas musicais interessantes para os conflitos de Moonlight.

Melhor canção original

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“City of Stars”, música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul, de La La Land, foi a grande vencedora, um clássico instantâneo. Destaque-se que a canção aparece melhor no filme, com Ryan Gosling, do que na performance de John Legend durante a apresentação.

Melhor edição

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John Gilbert recebeu o prêmio por Até o último homem. Prêmio que costuma acompanhar melhor filme, mas não foi o caso desta vez. O trabalho de montagem de La La Land é excepcional, e os de A qualquer custo e Moonlight conseguem mesclar boas passagens de tempo.

Melhor figurino

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Depois de ganhar o prêmio por ChicagoMemórias de uma gueixa e Alice no país das maravilhas, Coleen Atwood recebe um novo Oscar por Animais fantásticos e onde habitam, superando o favoritismo de La La Land e Jackie. Interessante que nenhum filme da série Harry Potter tenha recebido um Oscar sequer.

Melhor design de produção

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David Wasco (design de produção) e Sandy Reynolds-Wasco (decoração de set) receberam o prêmio por La La Land, embora os trabalhos de Animais fantásticos e Ave, César! não fiquem distantes em termos de qualidade, o primeiro na passagem do universo literário de J.K. Rowling para as telas e o segundo na reelaboração de uma Hollywood já histórica.

Melhor maquiagem e cabelo

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Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson receberam o prêmio por Esquadrão suicida, um dos filmes mais subestimados de 2016. Jared Leto estaria rindo agora da crítica que o menosprezou ou a crítica que disse que Esquadrão nunca poderia concorrer ao Oscar estaria chorando?

Melhor mixagem de som

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Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mckenzie e Peter Grace receberam o prêmio por Até o último homem, embora o trabalho de La La Land fosse suficientemente forte, assim como os de Rogue One e 13 horas – Os soldados secretos de Benghazi.

Melhor edição de som

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Sylvain Bellemare recebeu o único prêmio de A chegada, de forma merecida, com um trabalho competente, principalmente quando os personagens adentram a espaçonave principal da obra, superando o favorito La La Land.

Melhores efeitos visuais

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Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon receberam o Oscar por Mogli – O menino lobo, superando Doutor Estranho e Rogue One. O visual belíssimo da nova adaptação da Disney é um destaque desde o seu lançamento e traz inovação para o campo.

 

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Indicados ao Oscar 2017

Por André Dick

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Em outubro de 2016, fiz um texto sobre 10 possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme:

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Dos que apontei, apenas três chegaram às indicações de melhor filme: A chegada, La La Land e Manchester à beira-mar. Nas alternativas, eu colocava Moonlight, Até o último homem Fences/Um limite entre nós. Não cogitei Lion, Estrelas além do tempo e A qualquer custo, que à época, no entanto, já apareciam entre as possibilidades em algumas listas. Desses que apontei, alguns chegaram em categorias principais (como de atriz), no caso de Jackie, ou (de ator coadjuvante) Animais noturnos. No entanto, não se imaginava que o filme de Scorsese fosse recepcionado com tanta frieza, assim como o de Ben Affleck fosse um desastre de crítica. E O nascimento de uma nação prejudicado pelas acusações a seu diretor. Já Fome de poder, com Michael Keaton, simplesmente não aconteceu. Algumas horas antes de os indicados ao Oscar serem revelados, já baseado em premiações e listas mais recentes, apostei nos seguintes:

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Gosto mais da seleção deste ano do que a do ano passado. Há dois filmes excelentes, La La Land e Moonlight, dois ótimos (Manchester à beira-mar e Lion), dois muito bons (Até o último homem e A qualquer custo), dois particularmente sustentados por grandes atuações (Um limite entre nós, Estrelas além do tempo) e uma ficção científica interessante e que melhorou em duas revisões que fiz (A chegada) em relação à primeira vez. Novamente a Academia não atinge 10 concorrentes. Numa décima vaga, poderiam ter lembrado de Silêncio, JackieA lei da noiteLoving, Elle, Florence – Quem é essa mulher?, PatersonA longa caminhada de Billy LynnAnimais noturnos e vários outros sequer cotados, a exemplo de Ave, César!, Cavaleiro de copasA criada, A luz entre oceanos, Jovens, loucos e mais rebeldes!!Wiener-dogDocinho da América, Beleza ocultaMais forte que bombas, Dois caras legais, A garota no trem, Café Society e Demônio de neon.

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Melhor filme

A chegada
Até o último homem
Estrelas além do tempo
Lion – Uma jornada para casa
Moonlight – Sob a luz do luar
Um limite entre nós
A qualquer custo
La La Land – Cantando estações
Manchester à beira-mar

Dos indicados, a disputa vai ficar, ao que tudo indica, entre La La Land, Moonlight e Até o último homem. A qualquer custo é uma surpresa desde suas primeiras indicações, um faroeste nos dias atuais, enquanto Um limite entre nós é uma adaptação aprovada pela Broadway, e Lion e Manchester à beira-mar sobre a solidão humana e conflitos que se estendem por gerações. Com um tema interessantíssimo, Estrelas além do tempo é outra surpresa e mostra um trabalho notável de elenco. E A chegada mostra que o gênero de ficção científica está sendo visto com mais atenção pela Academia, depois das indicações principais a Gravidade e Perdido em Marte.

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Melhor diretor

Denis Villeneuve, por A chegada
Mel Gibson, por Até o último homem
Damien Chazelle, por La La Land – Cantando estações
Kenneth Lonergan, por Manchester à beira-mar
Barry Jenkins, por Moonlight – Sob a luz do luar

Dos indicados, o grande favorito é Damien Chazelle, logo em seu terceiro filme. Para Gibson, a indicação já soa como um prêmio, depois de tantas polêmicas, levando em conta que ele já ganhou com Coração valente. Villeneuve tem sua primeira indicação, numa carreira que já possui várias obras, e neste ano continuará com Blade Runner 2049. Jenkins está em seu segundo filme e já recebe uma indicação importante, e Lonergan comprova sua trajetória de cineasta independente bem-sucedida. Acredito que poderiam ter lembrado de Paul Verhoeven (Elle), Clint Eastwood (Sully), Martin Scorsese (Silêncio), Pablo Larraín (Jackie), Ben Affleck (A lei da noite) e Jeff Nichols (Loving).

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Melhor ator

Casey Affleck, por Manchester à beira-mar
Andrew Garfield, por Até o último homem
Ryan Gosling, por La La Land – Cantando estações
Viggo Mortensen, por Capitão Fantástico
Denzel Washington, por Um limite entre nós

Uma categoria difícil. De todas, a de Garfield me parece ligeiramente superior. É seu melhor momento. Gosling faz com competência Sebastian, o pianista de jazz, e Washington alterna excelentes momentos com outros cansativos em Um limite entre nós. A indicação de Mortensen não me pareceu justa, mas ele está bem em Capitão Fantástico. O favorito Casey Affleck está muito bem em Manchester à beira-mar. Dos esquecidos, aprecio em especial as atuações de Tom Hanks em Sully; Jake Gyllenhaal em Animais noturnos; Shia LaBeouf em Docinho da América; Joel Edgerton em Loving; Joe Alwyn, em A longa caminhada de Billy Lynn; Logan Lerman em Indignação; Ben Affleck em A lei da noite; Will Smith em Beleza oculta; Adam Driver em Paterson; e Hugh Grant em Florence – Quem é essa mulher? (embora ele estivesse cotado para coadjuvante, ele é ator principal).

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Melhor atriz

Isabelle Huppert, por Elle
Ruth Negga, por Loving
Natalie Portman, por Jackie
Emma Stone, por La La Land – Cantando estações
Meryl Streep, por Florence – Quem é essa mulher?

Depois do Globo de Ouro, Isabelle Huppert tem chances por Elle, embora a Academia deva privilegiar Emma Stone, que também está ótima em La La Land, mesmo que não à altura da atriz francesa. Streep e Negga são indicadas com justiça. A atuação de Ruth Negga, particularmente, é sublime, num filme que poderia ter sido mais lembrado. Vencedora em Cisne negro, Porter surge como uma opção interessante no papel da esposa de JFK, numa atuação notável. Amy Adams foi negligenciada por Animais noturnos e A chegada e Sasha Lane poderia ter sido lembrada por Docinho da América, além de Emily Blunt, extraordinária em A garota no trem, Blake Lively, esquecida nas premiações por Águas rasas, e Alicia Vikander, comovente em A luz entre oceanos.

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Melhor ator coadjuvante

Mahershala Ali, por Moonlight – Sob a luz do luar
Jeff Bridges, por A qualquer custo
Lucas Hedges, por Manchester à beira-mar
Dev Patel, por Lion – Uma jornada para casa
Michael Shannon, por Animais noturnos

Ali, Bridges e Shannon estão ótimos. É difícil ver quem está melhor como coadjuvante em A qualquer custo, que conta ainda com uma ótima atuação de Ben Foster. Desses, se fosse escolher, seria a atuação espetacular de Shannon. Lembre-se que Aaron Taylor Johnson, seu parceiro de cena, sequer foi lembrado depois de vencer o Globo de Ouro da categoria. De qualquer modo, Ali também aparece bem em Estrelas além do tempo, e é apontado como o favorito. Dev Patel confirma seu nome, já reconhecido desde Quem quer ser um milionário?, e está emocionante em Lion. Luke Hedges aparece bem em Manchester à beira-mar, contudo não saberia se comporta uma indicação. E como não lembrar do elenco coadjuvante de Um limite entre nós? Todos estão brilhantes em cena: Jovan Adepo, Russell Hornsby, Stephen McKinley Henderson e Mykelti Williamson. E de Garrett Hedlund em A longa caminhada de Billy Lynn? Ou de Armie Hammer em O nascimento de uma nação? Jonah Hill também está ótimo em Cães de guerra, assim como Adam Driver em Silêncio, Peter Sarsgaard em Jackie e Chris Messina em A lei da noite.

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Melhor atriz coadjuvante

Viola Davis, por Um limite entre nós
Naomie Haris, por Moonlight – Sob a luz do luar
Nicole Kidman, por Lion – Uma jornada para casa
Octavia Spencer, por Estrelas além do tempo
Michelle Williams, por Manchester à beira-mar

Viola Davis está irretocável em Um limite entre nós, mas Naomie Harris e Octavia Spencer (vencedora nessa categoria por Histórias cruzadas) não ficam muito atrás. Harris também está excelente em Beleza oculta. Nicole Kidman volta à premiação depois de alguns anos por uma bela atuação em Lion, assim como a subestimada Michelle Williams, que já teve atuações notáveis, em Wendy e Lucy, por exemplo, e faz uma participação em Manchester à beira-mar. Rachel Weisz foi esquecida por sua bela atuação em A luz entre oceanos e Haley Bennett por A garota no trem. Também aprecio a atuação de Helen Mirren no menosprezado Beleza oculta.

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Melhor roteiro original

Taylor Sheridan, por A qualquer custo
Damien Chazelle, por La La Land – Cantando estações
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou, por O lagosta
Kenneth Lonergan, por Manchester à beira-mar
Mike Mills, por 20th century woman

Interessante a lembrança ao roteiro original de O lagosta, um filme estranho, com atuações mais ainda. A qualquer custo tem bom roteiro, assim como La La Land e Manchester à beira-mar20th century woman tinha algumas possibilidades pelo elenco (Annete Bening, Greta Gerwig, Elle Fanning), mas sua única indicação saiu aqui. Gostaria muito que tivessem lembrado dos roteiros de Docinho da AméricaPaterson, Mais forte que bombas e Wiener-dog.

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Melhor roteiro adaptado

Eric Heisserer, por A chegada
August Wilson, por Um limite entre nós
Allison Schroeder e Theodore Melfi, por Estrelas além do tempo
Luke Davis, por Lion – Uma jornada para casa
Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney, por Moonlight – Sob a luz do luar

Uma categoria acirrada, em que Moonlight parece ser o destaque, embora a adaptação da peça teatral de Um limite entre nós conte pontos e a de A chegada tenha vários elogios. Gosto do roteiro de Estrelas além do tempo, contudo há alguns personagens que não desenvolve tão bem, como o de Jim Parsons. Lamentável o esquecimento de Silêncio nesta categoria. Também Cães de guerra, A lei da noite e A garota no trem mostram bons trabalhos de adaptação.

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Melhor animação

Kubo e as cordas mágicas
Moana – Um mar de aventuras
Minha vida de abobrinha
The red turtle
Zootopia – Essa cidade é o bicho

Infelizmente, não assisti a todos. Zootopia, no entanto, é um dos meus favoritos do ano passado.

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Melhor longa estrangeiro

Terra de minas (Dinamarca)
Um homem chamado Ove (Suécia)
O apartamento (Irã)
Tanna (Austrália)
Toni Erdmann (Alemanha)

Aqui o superestimado Toni Erdmann é favorito (Agnes e Um holograma para o rei seriam filmes que representariam melhor a Alemanha). O apartamento é de Ashgar Farhadi, que recebeu o Oscar por A separação. Deveria estar obviamente nessa lista Elle, eliminado já entre os 9 pré-finalistas.

Melhor documentário em curta-metragem

Extremis
4.1 Miles
Joe’s Violin
Watani – My homeland
Os capacetes brancos

Melhor documentário em longa-metragem

Fogo no mar
Eu não sou seu negro
Life, animated
O.J. – Made in America
13ª emenda

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Melhor curta-metragem

Ennemis intérieurs
La femme et le TGV
Silent nights
Sing
Timecode

Melhor curta em animação

Blind Vaysha
Borrewed time
Pear cider and cigarettes
Pearl
Piper

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Melhor fotografia

Bradford Young, por A chegada
Linus Sandgren, por La La Land – Cantando estações
Greig Fraser, por Lion – Uma jornada para casa
James Laxton, por Moonlight – Sob a luz do luar
Rodrigo Prieto, por Silêncio

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Melhor trilha sonora

Mica Levi, por Jackie
Justin Hurwitz, por La La Land – Cantando estações
Dustin O’Halloran e Hauschka, por Lion – Uma jornada para casa
Nicholas Britell, por Moonlight – Sob a luz do luar
Thomas Newman, por Passageiros

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Melhor canção original

“Audition (The Fools Who Dream)”, música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul, por La La Land – Cantando estações
“Can’t Stop the Feeling”, música e canção de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster, por Trolls
“City of Stars”, música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul, por La La Land – Cantando estações
“The Empty Chair”, música e canção de J. Ralph e Sting, por  Jim: The James Foley Story
“How Far I’ll Go”, Música e canção de Lin-Manuel Miranda, por Moana – Um mar de aventuras

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Melhor edição

Joe Walker, por A chegada
John Gilbert, por Até o último homem
Jake Roberts, por A qualquer custo
Tom Cross, por La La Land – Cantando estações
Nat Sanders e Joi McMillon, por Moonlight – Sob a luz do luar

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Melhor figurino

Joanna Johnston, por Aliados
Colleen Atwood, por Animais fantásticos e onde habitam
Consolata Boyle, por Florence – Quem é essa mulher?
Madeline Fontaine, por Jackie
Mary Zophres, por La La Land – Cantando estações

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Melhor design de produção

Patrice Vermette (design de produção) e Paul Hotte (decoração de set), por A chegada
Stuart Craig (design de produção) e Anna Pinnock (decoração de set), por Animais fantásticos e onde habitam
Jess Gonchor (design de produção) e Nancy Haigh (decoração de set), por Ave, César!
David Wasco (design de produção) e Sandy Reynolds-Wasco (decoração de set), por La La Land – Cantando estações
Guy Hendrix Dyas (design de produção) e Gene Serdena (decoração de set), por Passageiros

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Melhor maquiagem e cabelo

Eva Von Bahr e Love Larson, por Um homem chamado Ove
Joel Harlow e Richard Alonzo, por Star Trek – Sem fronteiras
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson, por Esquadrão suicida

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Melhor mixagem de som

Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye, por A chegada
Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mckenzie e Peter Grace, por Até o último homem
Andy Nelson, Ai-Ling Lee e Steve A. Morrow, por La La Land – Cantando estações
David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson, por Rogue One – Uma história Star Wars
Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth, por 13 horas – Os soldados secretos de Benghazi

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Melhor edição de som

Sylvain Bellemare, por A chegada
Wylie Stateman e Renée Tondelli, por Horizonte profundo – Desastre no Golfo
Robert Mackenzie e Andy Wright, por Até o último homem
Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan, por La La Land – Cantando estações
Alan Robert Murray e Bub Asman, por Sully – O herói do Rio Hudson

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Melhores efeitos visuais

Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton, por Horizonte profundo – Desastre no Golfo
Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould, por Doutor Estranho
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon, por Mogli – O menino lobo
Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff, por Kubo e as cordas mágicas
John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould, por Rogue One – Uma história Star Wars

Nas categorias técnicas, La La Land é o principal destaque, seguido por A chegada. Merecidas as indicações de Animais fantásticos e onde habitam e Rogue One. Surpreendentes as indicações de Passageiros, embora seu design de produção e trilha sonora sejam realmente bons. Ave, César! e Aliados têm lembranças isoladas e poderiam também estar em mais categorias, sobretudo o filme dos irmãos Coen. Mas se ressente mesmo, nessas categorias, da presença de A criada, em fotografia, design de produção e figurino, por exemplo; e de Silêncio em design de produção e figurino. E Emmanuel Lubezki, vencedor do Oscar três anos seguidos, não é lembrado por seus trabalhos com Malick, este ano Cavaleiro de copasAlice através do espelho também tinha uma parte técnica espetacular, completamente esquecida. E A lei da noite, de Ben Affleck tem uma reconstituição de época notável, mas as críticas pesaram. Por sua vez, Café Society, de Allen, é tecnicamente talvez seu filme mais belo, além de contar com boas atuações de Jesse Eisenberg, Kristen Stewart e Blake Lively.

A cerimônia de entrega acontece em 26 de fevereiro.

10 possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme em 2017

Por André Dick

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De acordo com as projeções recentes, eu apostaria nos seguintes indicados para o Oscar de melhor filme de 2017:

A chegada, de Denis Villeneuve, com Amy Adams, Jeremy Renner e Forest Whitaker, é a ficção científica do ano: em 2013, foi Gravidade; em 2014, Interestelar; e em 2015, Perdido em Marte. Villeneuve vem numa crescente como diretor em Hollywood: depois de Os suspeitos, realizou o ótimo O homem duplicado e o impactante Sicario – Terra de ninguém. Esta ficção que antecipa Blade Runner 2049 parece ser um conjunto visualmente impressionante, assim como um núcleo de atuações memoráveis. Adams interpreta a linguista Bank, que, com o matemático e cientista Ian Donnelly (Jeremy Renner), tentará entrar em contato com os seres de estranhas naves espaciais que chegam à Terra. Isto não parece Independence day.

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La La Land – Cantando estações, de Damien Chazelle, com Ryan Gosling e Emma Stone, se seguir o que dizem as críticas, será um dos filmes do ano. Se você imagina uma espécie de O fundo do coração, de Coppola, neste século, parece ser esta peça. Mesmo que eu não seja admirador de Whiplash, Stone e Gosling sabem como atuar juntos, o que já ficou claro em Amor a toda prova e Caça aos gângsteres. E, depois de Birdman, pode ser o ano de Stone receber seu Oscar. Gosling interpreta o pianista de jazz  Sebastian Wilder que conhece a aspirante à atriz Mia Dolan (Stone) e juntos tentam realizar os sonhos prometidos por LA (Los Angeles).

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Jackie, de Pablo Larraín, apresenta a atuação mais elogiada recentemente de Natalie Portman e, pelo que se fala, poderia ser um adendo de JFK, tratando da vida da primeira-dama depois do assassinato de seu marido. O diretor tem como um precedente o belo trabalho sobre o universo da política em No e aqui tem como um dos produtores Darren Aronofksy (Cisne negro). A Frances Ha Greta Gerwig é sua principal coadjuvante.

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Sully – O herói do rio Hudson traz Tom Hanks no papel do aviador que conseguiu uma aterrisagem espetacular, e se credencia pelo diretor principalmente, Clint Eastwood, depois de conseguir indicações surpreendentes para Sniper americano. Hanks este ano também esteve no menosprezado e belo Um holograma para o rei e mais uma vez é um potencial candidato.

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Manchester à beira-mar tem atuações elogiadas de Michelle Williams e Casey Affleck e parece ser o integrante com elementos mais underground desses possíveis indicados, mesmo que Kenneth Lonergan não seja um nome afeito à Academia. Affleck é Lee, que se torna responsável por Patrick (Lucas Hedges), filho de seu irmão falecido, e passa a lidar com os conflitos vividos com sua ex-esposa Randi (Williams) quando volta à sua cidade.

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Fome de poder é o filme sobre Ray Crok, que comprou dos irmãos Mac e Dick McDonald uma grande cadeia de lojas de hambúrguer. Crok surge em desempenho de Michael Keaton, que tem a seu lado Laura Dern, Patrick Wilson e Linda Cardellini. Levando em conta que Keaton estava em Birdman e Spotlight, e o diretor é John Lee Hancock, que conseguiu indicação ao Oscar principal por Um sonho impossível, eis um filme que pode vir a concorrer. Seu filme anterior, Walt nos bastidores de Mary Poppins, foi um dos esquecidos nas premiações de 2014.

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Animais noturnos, de Tom Ford, com Jake Gyllenhaal, Amy Adams e Michael Shannon, bastante elogiado desde o Festival de Veneza, é um dos potenciais candidatos. Adams é a dona de uma galeria de arte, Susan Morrow, perseguida por seu ex-marido Edward Sheffield/Tony Hastings (Gyllenhaal). O trailer dele é grande; se o filme tiver metade de sua qualidade, o espectador já parece sair ganhando.

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Silence é o novo de Martin Scorsese, baseado em romance de  Shusaku Endo, com estreia prevista para dezembro – se estrear, é credenciado, ainda mais com o elenco: Andrew Garfield, Adam Driver e Liam Neeson. Será uma espécie de A missão passada no Oriente?

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O nascimento de uma nação é o filme polêmico de Nate Parker, contando a história de Nat Turner, escravo que liderou uma rebelião no Condado de Southampton, Virgínia, em 1831. Pelas imagens, parece uma mistura de 12 anos de escravidão e Gangues de Nova York.

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E, finalmente, A lei da noite é o novo filme dirigido, atuado e roteirizado por Ben Affleck a partir de um romance de Dennis Lehane, com a fotografia de Robert Richardson, dos filmes de Tarantino. Affleck é Joe Coughlin, filho de um capitão de polícia de Boston que acaba vendo sua vida modificada. Acompanhe alguns do elenco coadjuvante: Elle Fanning, Brendan Gleeson, Chris Messina, Sienna Miller, Zoe Saldana e Chris Cooper. Se Argo foi premiado, por que este não seria indicado, principalmente em razão de seu trailer? Tudo indica que será uma mistura entre Dick Tracy, Dália negra e Os intocáveis.

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Outras opções: Moonlight, A longa caminhada de Billy Lynn (de Ang Lee, com Kristen Stewart, Vin Diesel, Garrett Hedlund, Steve Martin e Chris Tucker), A luz entre oceanos (de Derek Cianfrance, com Michael Fassbender e Alicia Vikander), Aliados (de Robert Zemeckis, com Brad Pitt e Marion Cotillard), Beleza oculta (com Will Smith), Certas mulheres (de Kelly Reichardt, com Michelle Williams e Kristen Stewart), Hacksaw ridge (de Mel Gibson, com Andrew Garfield), A grande muralha (de Zhang Yimou, com Matt Damon), Amor & amizade (de Whit Stillman), The lost city of Z (de James Gray, com Robert Pattinson), Rainha de Katwe (de Mira Nair, com David Oyelowo e e Lupita Nyong’o), Passageiros (com Jennifer Lawrence e Chris Pratt), Ouro e cobiça (com Bryce Dallas Howard e Matthew McConaughey), Paterson (de Jim Jarmusch com Adam Driver), Fences (com Denzel Washington e Viola Davis) e Lion (com Dev Patel, Nicole Kidman e Rooney Mara). Pode-se adiantar, porém, que o filme de Lee está sendo bastante criticado, as obras de Zemeckis são vistas como excessivamente pop e Cianfrance parece meio underground demais para a Academia. No entanto, podem surpreender. Animais fantásticos e onde habitam, Sete minutos depois da meia-noite e Rogue One – Uma história Star Wars devem concorrer a vários prêmios técnicos, assim como Mogli – O menino lobo. E gostaria de incluir filmes nessa lista, como Cavaleiro de copas (Lubezki ganha Oscars com Cuarón e Iñárritu, mas é sequer indicado por seu trabalho com Malick, depois de A árvore da vida), Ave, César! (um dos filmes mais diferentes dos irmãos Coen), Jovens, loucos e mais rebeldes!! (o novo de Richard Linklater), The handmaidenDois caras legais e Café Society, no entanto dificilmente serão lembrados.