Rubens Ewald Filho

Por André Dick

Imagem: Marcos Alves (Agência O Globo)

O crítico Rubens Ewald Filho infelizmente faleceu aos 74 anos de idade. Para pessoas da minha idade que gostam de cinema, ele possivelmente fez parte da formação de leitura e escrita sobre a sétima arte. No meu caso, em um determinado período dos anos 80, havia três referências na crítica brasileira de filmes: SET, Cinemin e Rubens. Enquanto a SET e Cinemin trabalhavam com textos mais longos, alguns parecidos com ensaios (a SET por meio de, por exemplo, José Emilio Rondeau, José Geraldo Couto, Eugênio Bucci e Ana Maria Bahiana; a Cinemin, com Fernando Albagli e Hugo Sergio Sukman), Rubens era um mestre da crítica sintética, formato que escolheu certamente para poder tratar do número maior possível de produções. Lembro-me principalmente de um guia de filmes infantojuvenis que ele escreveu em meados dos anos 80 e de quantos deles vi a partir de então, a exemplo de Duna, De volta para o futuro e Indiana Jones e o templo da perdição. E também pude ler pela primeira vez textos sobre alguns que já tinha visto, como A história sem fim e Os Goonies.
Acabei depois assinando a Video News, na qual Rubens fazia críticas de filmes lançados em VHS. Era o auge das locadoras. Chegar da escola em determinada semana do mês, sabendo que a revista havia chegado, era uma alegria ímpar. Por anos, foi possível acompanhar Rubens também nos comentários da festa do Oscar. Talvez seja um lugar-comum, mas ele era uma enciclopédia. Suas observações no Oscar, quando passavam as imagens em memória aos que morreram, atestavam isso. É muito raro um crítico conhecer bem artistas de uma ou duas gerações: ele conhecia de várias. Tinha um conhecimento incontestável da história do cinema. E, apesar de lidar com lançamentos, também escreveu o essencial Dicionário de Cineastas, uma enciclopédia sobre diretores, até os mais desconhecidos. As notas que eu datilografava em determinada época sobre diretores que iam surgindo eram baseadas neste livro dele. E os guias com resenhas que eu xerocava e tentava empurrar a familiares e amigos traziam muito dessas leituras.
Claro que, como referência, fiquei chateado algumas vezes, como quando, num jornal da TV, ele anunciou Batman como o pior filme de 1989. Ou quando criticava o excesso de surrealismo em David Lynch (mesmo que admirasse especialmente Veludo azul). Em determinado momento, pode-se imaginar que nosso gosto será igual ao do crítico, porque apreciamos o que ele escreve. Quando um crítico que se admira pensa o contrário, gostaríamos que pensasse igual apenas para termos a certeza de que realmente determinada obra tem a qualidade que vimos nela. Mas críticos são vitais também para descobrirmos nossas próprias escolhas, sem que se diminua a importância deles. E Rubens também apresentava uma ótima característica: era imprevisível nas avaliações. Às vezes filmes bem recebidos eram bastante criticados por ele, e o contrário acontecia em igual escala. Outra grande característica: tendo lançado inúmeros guias de filmes em VHS e em DVD, referenciais para qualquer um que aprecie cinema, ele nunca lamentava quando determinadas plataformas iam perdendo vigor ou mesmo desaparecendo; sempre ia se acostumando a novas. Na verdade, ao que me parece, seu intuito sempre foi querer o acesso do cinema ao grande público, torná-lo sempre mais forte. Tenho a sincera impressão de que ele conseguiu isso com raro êxito. E, com sua dedicação a vida toda ao cinema, possivelmente seja sua maior realização.

Descanse em paz, Rubens Ewald Filho.

Despedida

Para Lauro João Dick (1934-2016), com amor, in memoriam

e-t-logo

Meu pai tinha a literatura como seu grande referencial na arte, tendo sido professor desse campo, mas nunca deixou de apreciar excelentes filmes, também certamente por seu interesse pela dramaturgia. Num momento em que me despeço dele, lembro de alguns filmes que marcaram sobretudo a minha infância e entrada na adolescência: filmes que ajudaram a configurar minha paixão pelo cinema, que devo a ele tanto quanto à minha mãe. São obras que me marcaram quando assisti com ele e que eram também, alguns, de sua predileção. Os elos sentimentais se fazem por meio também da arte: as pessoas são parte de nosso elo com a imaginação, com a maneira com que vivenciamos essas relações (acho que nisso estou citando indiretamente Barthes). Tive alguns professores de literatura, mas nunca o tive como professor em aula. Entendo que ele não ensinava literatura, mas de fato a vivenciava.
Depois da época de pedir brinquedos, estava sempre atrás dele ou da mãe para comprarem a Cinemin, Vídeo News e a SET. Meu interesse por livros e filmes cresceu com a leitura dessas revistas, e devo isso a eles. Também lembro que meu pai gostava de comprar livros com roteiros de filmes, como o de Adeus, meninos, que eu ia mexer na biblioteca de casa. Era, igual à minha mãe, interessado na arte como forma de crescimento pessoal e como maneira de estabelecer relação com os filhos (minha irmã e meu irmão também sempre gostaram de filmes e livros), parentes, amigos. Conversávamos sobre isso sempre. Recordo, nisso, de sessões especialmente gratificantes de Aliens – O resgateGremlins e Gremlins 2Esqueceram de mim e Esqueceram de mim 2Império do sol, O ursoUma cilada para Roger RabbitUma secretária de futuroO segredo do abismo De volta para o futuro III, Os caça-fantasmas 2Indiana Jones e última cruzadaRain ManDick TracyTop Gang – Ases muito loucos, As tartarugas ninja, Corra que a polícia vem aí e O poderoso chefão III. E lembro especificamente de um filme que não assisti com ele e o marcou muito: Entre os muros da escola, filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Tanto meu pai quanto minha mãe começaram a se afastar mais da vida no momento de fazer a passagem para algo maior e transcendental. A memória é o que fica. Abaixo, uma lista de 10 filmes marcantes, em homenagem a meu pai.

10. Jurassic Park – Parque dos Dinossauros

jurassic-park

Spielberg volta ao antigo ingrediente que o consagrou na série Indiana Jones: muita aventura e uma trama para justificá-la. Desta vez, ele se baseia num romance de Michael Crichton (também autor da adaptação para o cinema). O projeto do parque dos dinossauros é fascinante e ao mesmo tempo assusta um casal de arqueólogos e um matemático. Apesar da superficialidade dos personagens e da lição de moral previsível, o filme tem uma qualidade inegável: empolga o espectador. Spielberg não faria um mau filme de ficção, e este não fica para trás. O capricho na parte técnica (sobretudo nos efeitos especiais espetaculares, que continuam os melhores nessa área, mesmo com os computadores atuais) tornam o filme uma obra única na história, capaz de suscitar imitações e manter a originalidade. Quando o vi com meu pai em 1993, Jurassic Park nos deixou impressionados com seus efeitos visuais de ponta, a um palmo da tela. Eram mais de 10 anos depois de eu ter pedido para sair da sessão de um filme por causa das criaturas assustadoras: O cristal encantado.

9. Batman

batman

Determinados filmes conseguem, por um motivo às vezes também secundário ao cinema, marcar uma determinada época. Em 1989, o trailer de Batman, de Tim Burton, tinha uma presença destacada em salas de cinema. A diferença do mês de estreia nos Estados Unidos para o do Brasil ainda era considerável (nos Estados Unidos, a estreia se deu em junho, aqui em outubro), auxiliando num dos mais bem feitos trabalhos de marketing da história. A expectativa se dava não apenas em razão dos fatores de produção e da presença de Jack Nicholson no elenco, mas por se tratar do primeiro grande filme de Tim Burton, que havia assinado um ano antes a comédia Os fantasmas se divertem e tinha estreado em 1985 com As grandes aventuras de Pee-wee, com um personagem mais familiar para os norte-americanos. E pelo menos desde 1978, de Richard Dooner, não era feito um filme baseado em herói dos quadrinhos tão esperado. Precedido ainda por críticas elogiosas da imprensa estrangeira, a estreia de Batman se deu num ambiente receptivo – e a questão seria se sua qualidade corresponderia ao marketing. Esse marketing não poderia escapar ao fato de que meu pai e eu fomos assisti-lo no dia de estreia e na primeira sessão, quando um cinema inteiro conheceu o que era um ator fazendo a plateia rir a sessão toda: Jack Nicholson, um dos atores favoritos dele (meu pai gostava especialmente de Melhor é impossível).

8. O nome da rosa

o-nome-da-rosa-2

O nome da rosa, adaptado de um romance de Umberto Eco por Jean-Jacques Annaud, trazia Sean Connery como William de Baskerville, um fransciscano acompanhado pelo jovem Adso (Christian Slater) que investigava crimes numa abadia italiana. O mistério envolvia os livros de uma biblioteca. Tendo sido professor de latim e leitor da obra de Eco, entendo como este filme era tão agradável para meu pai, além de lindas paisagens e um mistério impressionante.

7. Os saltimbancos trapalhões

os-saltimbancos-trapalhoes

Não havia um filme dos Trapalhões que eu perdesse. Extremamente popular nos anos 70 e 80, o grupo lançava um filme nas férias de inverno e outro nas de verão e meu pai era admirador deles. O mais marcante, para mim, foi Os saltimbancos trapalhões, passado no circo Bartolo. Dirigido por J.B. Tanko, é uma espécie de mistura entre humor, drama e musical, apresentando Os Trapalhões em grande momento, além de Lucinha Lins, com cuidado cenográfico especial na sua alternância de cenários.

6. Campo dos sonhos

campo-dos-sonhos

Um dos maiores sucessos de 1989, trata-se de uma obra modesta, baseada em livro de Ray Kinsella, com toques de ficção científica, de pouco mais de 6 milhões, que arrecadou dez vezes mais. Atestou também a posição de galã de Costner, que no ano seguinte faria o épico Dança com lobos. Aqui ele faz o fazendeiro Ray Kinsella, que vive com a mulher (Madigan) e uma filha (Gaby). Certo dia, começa a escutar vozes no milharal, que lhe dizem para construir um campo de beisebol. A princípio, fica assustado, pois apenas ele ouve as vozes. Um dia, ele tem a visão de um campo de beisebol e resolve construí-lo, já que seu falecido pai era fã do esporte. Era outro filme que meu pai adorava.

5. Sociedade dos poetas mortos

sociedade-dos-poetas-mortos-3

Merecido vencedor do Oscar de roteiro original, concorreu também ao de melhor filme e tem todos os temas que poderiam interessar a meu pai. Robin Williams interpreta o professor de poesia John Keating, que em meados dos anos 50 dá aulas a uma turma de alunos inseguros da universidade Welton Academy, conhecida pelas tradições escocesas. O professor excêntrico sobe na mesa para explicar a arte poética e imita Marlon Brandon e John Wayne falando versos de poesia. A turma é formada por um futuro ator (o ótimo Robert Sean Leonard), um jovem tímido (Ethan Hawke), um apaixonado (Josh Charles), um disciplinado (Dylan Kussman) e o rebelde (Gale Hansen), entre outros. Eles acabam recriando a Sociedade dos Poetas Mortos, fundada pelo próprio Keating quando estudou na Welton Academy, para lerem poemas de autores antigos, numa gruta dentro da universidade. Mas, como sempre, enfrenta o preconceito dos diretores e pais. O maior problema é o de um jovem que deseja ser ator (Leonard, ótimo), mas seu pai (Smith) não deixa. Tecnicamente perfeito (direção, música, cenários, fotografia), foi um merecido sucesso e se mantém atual, tendo transformado Weir num dos diretores australianos mais requisitados de Hollywood (ele fez antes A testemunha e faria depois O show de Truman). Poucos filmes fazem chorar realmente. Este é um deles.

4. Guerra nas estrelas

guerra-nas-estrelas-5

Luke Skywalker, o jovem guerreiro Jedi; Darth Vader, o lado negro da força; o mercenário Han Solo; seu amigo Chewbacca; o sábio Obi-Wan Kenobi; os robôs R2-D2 e C-3PO, entre outros, são figuras inseridas num mundo onde os valores humanos – embora a história não se passe na Terra, mas em planetas com lugares parecidos – se misturam à mais avançada tecnologia de naves e novos universos. Os enfrentamentos entre o bem e o mal, os temores, os ensinamentos espirituais de luta, ganham, na trilogia de Lucas, contornos ao mesmo tempo medievais e futuristas.
A mensagem por trás das palavras de Obi Wan-Kenobi podem, hoje, parecer ingênuas – e foi criticada à época principalmente por seus amigos próximos –, mas a questão é que George Lucas conseguiu sintetizar o panorama de uma geração por meio de suas batalhas estelares e criar o cinema para a diversão. Lembro de ter visto com meu pai este filme num cinema de praia, em que passam muitas vezes filmes antigos e de ter, à época, ficado especialmente assustado com Darth Vader.

3. JFK – A pergunta que não quer calar

jfk

Oliver Stone coloca a pergunta: por que se quer encobrir o assassinato de Kennedy, visto como a ação solitária de Lee Oswald? Para isso, tenta desvendar aquilo que ficou encoberto no acontecimento em Dallas, Texas. Num lugar associado à mitologia do velho oeste, Kennedy sofreu a emboscada de um inimigo oculto, em que não teve chance de defesa. Mas Stone também está tratando daquele que é considerado como o país que tenta sempre estar à frente de qualquer questão política ou de guerra. No período em que Kennedy estava à frente da presidência, havia conspirações de toda ordem para que os Estados Unidos organizassem a situação no Vietnã e se contrapusessem à União Soviética. Havia motivos para que se quisesse, segundo Stone e os livros em que ele se baseia, a eliminação de JFK, quando ele teria deixado de agir com a firmeza esperada diante desses fatores – e não apenas se restringem a uma ação de Oswald. JFK definiu para mim o que seria um filme com fundo político, com suas inúmeras elucubrações. Em 1992, quando o assisti com meu pai, era como se descortinasse outro universo.

2. A missão

a-missao-2

Com fotografia esplêndida, A missão foi sucesso de bilheteria e mostra Robert De Niro e Jeremy Irons ótimos como jesuítas. Começa com os índios sacrificando um padre, mas logo vem outro (Irons) para tentar catequizá-los. De Niro interpreta um caçador de índios, traído pela mulher com seu irmão, o qual mata. Arrependido, pede ao padre jesuíta (Irons) para se converter e ajudar na guerra contra os espanhóis, que querem destruir as missões. A transformação dele de caçador sanguinário em missionário não tem nenhuma grande sutileza, mas o diretor Roland Joffé quer considerá-la parte intrínseca de um arrependimento maior, o qual não tem solução ou retorno. A amizade entre esses dois personagens sem nenhuma proximidade prévia, junto com algumas das mais belas imagens já captadas da natureza – com uma dose essencial de realismo –, ao som da excelente e antológica trilha de Ennio Morricone, faz o espectador gostar do filme sem nenhum comprometimento religioso, mas interessado em olhar o aspecto histórico de frente: embrenhar-se na mata fechada, em outra cultura, não é para inocentes. É justamente isto que A missão pretende tratar, de forma aberta, sem nenhum sectarismo, e com um golpe de realidade final como vemos em poucos filmes. Uma bela lição de história e de humanidade, esta obra me comoveu quando assisti com meu pai no início de 1987. Era um dos favoritos dele.

1. E.T. – O extraterrestre

e-t

Finalmente, o filme mais clássico de Spielberg. Perdi a conta das vezes em que o assisti com meu pai: a cada Natal, depois de 1982, ele era relançado, antes de existir VHS. Álbum de figurinhas, revista Cinemin com a capa do filme, desenhos, pedidos para ter a mesma bicicleta de Elliot. Descoberta, vida, morte e ressurreição. Quando revimos a versão com cenas inéditas em 2002, algo estranho aconteceu: não era realmente o mesmo filme. Spielberg depois pediria desculpas por esta versão. Não precisava. Este filme é incrível. Há pessoas que mudam o sentido da vida. E há filmes que também podem mudar. E.T. – O extraterrestre é um deles. Obrigado, pai, por me ter levado para assisti-lo. Não há como não chorar com sua despedida final.

Uma mãe (e cinéfila) memorável

Para Cenira Dias Dick (1940-2013), com amor, in memoriam

Um violinista no telhado.Filme.Apresentação

Minha mãe sempre foi, além de uma pessoa extraordinária e uma leitora dedicada, uma cinéfila memorável. Desde a infância, com os mais variados filmes, lembro que ela apresentou uma seleção de filmes que nunca esqueci. Desde musicais como Um violinista no telhado, o preferido dela, e Hair – cujo vinil havia em casa –, que quase não foi exibido no Brasil, passando por comédias como As loucas aventuras de Rabbi Jacob, com Louis de Funès – ao qual ela sempre voltava a assistir quando o cinema reprisava o filme, algo mais comum nos anos 1980, e levava sempre um familiar diferente –, até filmes dramáticos, de ficção científica e blockbusters de todos os gêneros, ela não perdia nenhum lançamento.
Era comum viajarmos a Porto Alegre, de ônibus, na sexta-feira, para assistir a lançamentos (também de carro, aos finais de semana, com meu pai). Lembro de ter visto assim, ou de forma parecida, O milagre veio do espaço, em 1987, Willow, em 1988, De volta para o futuro II e Indiana Jones e a última cruzada, em 1989, O vingador do futuro, em 1990, Robin Hood, em 1991, Batman – O retorno e Alien 3, em 1992 – para lembrar de alguns anos mais distantes (e tão presentes).

As loucas aventuras de Rabbi Jacob

Willow.Filme

Conduzindo miss Daisy

O tigre e o dragão

Na época do Oscar, a ida ao cinema intensificava. Em 1990, vimos Conduzindo miss Daisy, do qual gostamos muito, e no dia seguinte ele foi a zebra levando o Oscar de melhor filme. Era extraordinária a parceria de Jessica Tandy e Morgan Freeman (nesse mesmo ano, ela achou belíssimo O campo dos sonhos). Em 1993, ficamos entre Os imperdoáveis, Perfume de mulher e Questão de honra; em 1998, a preferência era Melhor é impossível; em 2000, tínhamos certeza de que O sexto sentido era um filme muito melhor do que Beleza americana; em 2001, gostou muito de O tigre e o dragão; em 2005, de Em busca da terra do nunca; em 2007, de Pequena miss sunshine; em 2009, de O curioso caso de Benjamin Button; em 2011, de Bravura indômita e Cisne negro.
Quantos filmes fantásticos, que desde o início era possível perceber que seriam clássicos, como A história sem fim e Edward, mãos de tesoura. Filmes dos anos 80 como O retorno de Jedi, Os Gonnies, Gremlins, as séries Karatê Kid e Loucademia de polícia e Conan, o destruidor a divertiram muito – vimos todos no cinema, sobretudo no antigo Cinema Saionara, de Novo Hamburgo. Numa determinada época, também assistimos, em fita VHS, toda a série 007, naquele momento até Sean Connery, Roger Moore – que ela considerava o mais divertido –, Timothy Dalton e o raro George Lazenby.

A história sem fim.Filme

Os Goonies.Filme 6

Melhor é impossível.Cena.Filme

O senhor dos anéis.Série

Não perdeu um filme da série O senhor dos anéis, que de 2001 a 2003 fez com que se esperasse um ano a cada aventura; por gostar da série antiga, não perdeu um episódio da trilogia mais recente de Star Wars. Lembro de sessões como a de Os excêntricos Tenenbaums, com o ótimo Gene Hackman, e de Terapia de choque, com Jack Nicholson (o ator preferido dela, sobretudo por causa, pelo que lembro, de Um estranho no ninho, Laços de ternura, As bruxas de Eastwick, Melhor é impossível e As confissões de Schmidt).
Com exceção de Insônia, outro ator favorito era Al Pacino. Lembro de ela pedir a trilha de Perfume de mulher por causa da música “Por una cabeza”, de Carlos Gardel, ao som da qual o personagem de Pacino dança com Gabrielle Anwar no restaurante – energia tão grande quanto aquela que lhe transmitia a música de Ennio Morricone em A missão.

Perfume de mulher.Imagem

Mamma mia.Meryl Streep

Tootsie

Aladdin

Também por gostar muito de Abba, tinha predileção pelo Mamma mia!, com a Meryl Streep, a atriz preferida, em inúmeros filmes – sobretudo Kramer vrs. Kramer, Ela é o diabo (apreciava Rosie O’Donnell), As pontes de Madison e O diabo veste prada.
Apreciava Robert De Niro, especialmente A missão, Os intocáveis, Máfia no divã e Entrando numa fria. Achava impagável a caracterização de Dustin Hoffman como Tootsie, uma comédia memorável, e sua atuação em Rain man.
Leslie Nielsen em Apertem os cintos, o piloto sumiu e na série Corra que a polícia vem aí.
Robin Williams, em Aladdin, Amor além da vida e A gaiola das loucas.
Eddie Murphy, em Trocando as bolas, Um tira da pesada e Um príncipe em Nova York.
Robert Downey Jr., em Chaplin e Morrendo e aprendendo.
Tom Hanks, em Splash, Meus vizinhos são um terror, Forrest Gump, Náufrago e Prenda-me se for capaz.
Johnny Depp, em Edward, mãos de tesoura, Don Juan DeMarco, A lenda do cavaleiro sem cabeça, Chocolate e Piratas do caribe.
Whoopi Goldberg, em A cor púrpura, Ghost e Mudança de hábito – sobretudo as cenas do coral.
Steve Martin, em O panaca (principalmente a sequência inicial, em que o personagem central, quando decide sair de casa, pega uma carona com o vizinho até a porta da casa do vizinho, para dar início à sua jornada!), Os safados, O pai da noiva e o melhor: O sargento trapalhão.
Dos diretores, os filmes de Spielberg e Tim Burton, aquele de Edward, mãos de tesoura e A lenda do cavaleiro sem cabeça.
Também lembro de ela gostar muito de alguns filmes dos Coen, Arizona nunca mais (ela apreciava o Nicolas Cage dos filmes de início de carreira, como este e Feitiço da lua), Fargo, O homem que não estava lá e Bravura indômita.

De volta às aulas

O casamento de Muriel 2

Edward, mãos de tesoura.Imagem

Nosso querido Bob

Entre as comédias mais divertidas, havia várias, mas lembro de ela gostar especialmente, além de As loucas aventuras de Rabbi Jacob, Nosso querido Bob, em que Bill Murray persegue Richard Dreyfuss com sua família em férias, De volta às aulas (ela gargalhava com o Rodney Dangerfield voltando à faculdade), A última cruzada do fusca (mais notavelmente a sequência da tourada, com o capitão Blythe (Harvey Korman) se exibindo para a plateia), A vida de Brian, do grupo Monty Phyton (logo em seguida, vinha Em busca do cálice sagrado), A marvada carne (com Fernanda Torres), O casamento de Muriel (com a Toni Collette) e Um hóspede do barulho (com o Pé-Grande na casa de John Lithgow). Ela também achava engraçado o personagem Zed, da série Loucademia de polícia, feito por Bob Goldthwait, e o filme Será que ele é?, com Kevin Kline, Tom Selleck e Matt Dillon, além de Casamento grego.
Achou Kill Bill Vol. 2 impressionante – e ela não gostava de filmes com excesso de violência. Também Cidade de Deus, que vimos numa das plateias mais lotadas que já presenciei.
Recordo-me, também, que ela gostava de alguns filmes que sempre reprisavam na TV, como Ensina-me a viverO céu pode esperarAs sete faces do Dr. Lao, com efeitos especiais nostálgicos, Os pássaros, além das comédias com Dean Martin e Jerry Lewis, épicos (Spartacus…E o vento levouOs dez mandamentosO maior espetáculo da terraBen-HurDr. Jivago…) e animações com humanos (Mary Poppins, A canção do sul e Se minha cama voasse).
Por mais que eu fizesse esforço na tentativa de interpretar um filme, invariavelmente a análise dela depois de cada um era melhor. Havia elementos que eu nunca perceberia se não fosse o que ela dizia.
Para ela, A cor púrpura era o filme mais belo e triste que já tinha visto, e o assistiu repetidas vezes. Um sonho de liberdade era outro que apreciava muito. A viagem pelo interior de Central do Brasil. E Babe – O porquinho atrapalhado, principalmente a sequência final.

A cor púrpura

Blade Runner.Cena.Filme

Amadeus.Filme

Considerava antológico o que Rutger Hauer dizia ao final de Blade Runner, uma de suas ficções favoritas: “Todos esses momentos perdidos no tempo, como lágrimas na chuva”.
Tinha fascinação pelo Amadeus, de Forman. Adorava a gargalhada do Tom Hulce no filme.
Na época em que Twin Peaks foi exibida pela primeira vez no Brasil, não perdíamos um episódio. Apesar da fama que tinha a série, não lembro de ninguém conversar sobre ela, na escola ou no círculo mais próximo. Mas ela adorava tanto a série e a atuação de Kyle MacLachlan como o agente Cooper quanto o tema de Angelo Badalamenti, melancólico. Num determinado episódio em que o agente Cooper e o xerife Truman vão a uma clínica veterinária, investigar um pássaro que poderia dar pistas sobre o crime que abalou Twin Peaks, há uma cena-chave.
Cooper e o xerife conversam no meio da sala da clínica e uma lhama passa entre os dois, parando, de repente, com o olhar compenetrado no agente Cooper, que também a olha fixamente. Uma cena comicamente surreal – que só poderia existir numa série de David Lynch.
Nunca – jamais – esquecerei da gargalhada que minha mãe deu com esta cena.

Twin Peaks.Cena.Série