Resultados do Oscar 2018

Por André Dick

Melhor filme

Quando a dupla de Bonnie e Clyde Faye Dunaway e Warren Beatty voltou a subir ao palco para a entrega do prêmio de melhor filme, uma justa homenagem de reparação da Academia, as apostas estavam concentradas em três filmes: A forma da água, Três anúncios para um crime e, em razão do resultado do Independent Spirit Awards, Corra! Antes das premiações de início de ano um dos favoritos, Lady Bird – A hora de voar ficou em segundo plano.
Gosto tanto da seleção do Oscar deste ano quanto a do ano passado. Há uma obra-prima (Trama fantasma), três filmes excelentes (Lady Bird, A forma da água e Três anúncios para um crime), um muito bom (Corra!) e um historicamente interessante e bem interpretado (O destino de uma nação). Não sou apreciador, no entanto, de Dunkirk, The Post – A guerra secreta e de Me chame pelo seu nome.  Eu teria substituído esses três filmes por Blade Runner 2049De canção em canção e Projeto Flórida, e acrescentaria um décimo: Todo o dinheiro do mundo ou Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi. Como Blade Runner 2049, por exemplo, não chegou à média para ser indicado na categoria principal tendo ganho 2 Oscars?
Dos indicados a melhor filme, A forma da água saiu com 4 prêmios, Dunkirk com 3, O destino de uma naçãoTrês anúncios para um crime com 2 e Corra!, Trama fantasma e Me chame pelo seu nome com 1 Oscar cada.

Desde Birdman, em 2015, o escolhido em melhor filme não vencia também o Oscar de direção. E justamente com outro mexicano, Alejandro G. Iñárritu; desta vez foi Guillermo del Toro. E importantíssima a vitória de A forma da água: é o único filme de fantasia a ganhar o Oscar principal ao lado de O senhor dos anéis – O retorno do rei, este em 2004, na história da Academia de Hollywood.
A ordem dos meus preferidos a melhor filme era a seguinte:

A apresentação de Jimmy Kimmel foi muito melhor do que a do ano passado. Como homenagem aos 90 anos da premiação, houve várias seções com imagens de filmes que participaram ou não do Oscar ao longo desse tempo. Incluiu-se um belo in memoriam a artistas da indústria que faleceram, ao som de Eddie Vedder, encerrado com imagens de Jerry Lewis. Kimmel suscitou o caso Harvey Weinstein, sendo sucedido por lembranças aos movimentos Me Too e Time’s Up por meio de apresentadore(a)s e sobre imigrantes, nas falas de Lupita Nyong’o, Kumail Nanjiani e Del Toro. Igualmente, Kimmel fez várias referências ao sucesso do filme Pantera Negra. E, nos agradecimentos, foram ótimos os de James Ivory (roteiro adaptado), Gary Oldman (ator), Frances McDormand (atriz) e Roger Deakins (fotografia). Del Toro fez uma homenagem singela a Spielberg, mas este parecia ainda impactado pelas poucas chances de The Post. Entre os apresentadores de categorias, destaques para Mark Hamill, BB8 e Maya Rudolph. Entretanto, para uma festa em que as mulheres tiveram especial atenção, o Oscar foi pouco afeito a premiá-las. Greta Gerwig (que parecia a única na plateia realmente emocionada pela indicação, ao lado do marido, o cineasta Noah Baumbach) não ter recebido um sequer aceno para seu Lady Bird – o único a não ganhar um Oscar entre os indicados a melhor filme ao lado do fraco The Post – marca o Oscar 2018 como aquele em que “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Melhor direção

Guillermo del Toro sempre teve seu nome associado a fantasias soturnas, como O labirinto do fauno A colina escarlate. Também fez dois filmes para uma franquia (Hellboy), uma fantástica homenagem a monstros e robôs (Círculo de fogo), entre outros, além de ter ajudado a escrever, por exemplo, a trilogia O hobbit. Depois dele, possivelmente Jordan Peele e Greta Gerwig concorriam mais ao prêmio, por Corra! e Lady Bird, respectivamente, estreia de ambos na direção. Christopher Nolan fez um trabalho elogiado por Dunkirk, mas ele não havia sido indicado por trabalhos superiores (a trilogia Batman e Interestelar). Indicado antes por Sangue negro a melhor diretor, Paul Thomas Anderson concorria por Trama fantasma e merecia ganhar.

Melhor ator

Gary Oldman, apontado sempre como o favorito, ganhou por sua personificação de Winston Churchill em O destino de uma nação. Como no ano passado, Denzel Washington perdeu por Roman J. Israel, esq. (no qual está ótimo); ele ganharia o terceiro Oscar, depois de Tempo de glória e Dia de treinamento. Já Daniel Day-Lewis, por Trama fantasma, corria por fora, mesmo com três Oscars no currículo (Meu pé esquerdo, Sangue negro e Lincoln). Surpreendente a indicação de Timothée Chalamet por Me chame pelo seu nome, num papel bastante superstimado. Daniel Kaluuya tem bela atuação em Corra!, mas não sei se comportaria uma indicação.

Melhor atriz

Depois de ganhar um Oscar por Fargo, dos irmãos Coen, em 1997, Frances McDormand voltou ao palco por Três anúncios para um crime. É uma bela atuação, mas quem possivelmente merecia mais é Sally Hawkins, de A forma da água, cuja atuação em Maudie – Sua vida e sua arte também é brilhante. Saoirse Ronan aparece muito bem em Lady Bird, ainda que suas chances tenham diminuído muito com as premiações pós-Globo de Ouro. Margot Robbie é ótima atriz, o que já provou em O lobo de Wall Street, no entanto não merecia estar entre as indicadas por Eu, Tonya. E, principalmente, Meryl Streep. Seu papel em The Post – A guerra secreta só justifica uma indicação por quesitos extra-artísticos. Lembremos as atrizes que ficaram de fora: Jennifer Lawrence (mãe!), Sareum Srey Moch (Primeiro, mataram o meu pai), Rooney Mara (Una ou De canção em canção), Emma Stone (A guerra dos sexos), Danielle Macdonald (Patti Cake$), Alexandra Borbély (Corpo e alma), Daniela Vega (Uma mulher fantástica), Haley Lu Richardson (Columbus), Nicole Kidman (O sacrifício do cervo sagrado e O estranho que nós amamos), Vicky Krieps (Trama fantasma), Michelle Williams (Todo o dinheiro do mundo), Jessica Chastain (A grande jogada) e Brooklynn Prince (Projeto Flórida).

Melhor ator coadjuvante

O grande favorito Sam Rockwell levou o prêmio com Três anúncios para um crime, superando o companheiro de elenco Woody Harrelson e outros grandes intérpretes: Christopher Plummer (Todo o dinheiro do mundo), Willem Dafoe (Projeto Flórida) e Richard Jenkins (A forma da água).

Melhor atriz coadjuvante

Talvez na premiação mais injusta da noite, Allison Janney, habitualmente ótima, recebeu um Oscar inexplicável por seu papel unidimensional e com overacting em Eu, Tonya. Ela ganhou de atuações excelentes: Laurie Metcalf (Lady Bird), Mary J. Blige (Mudbound), Lesley Manville (Trama fantasma) e Octavia Spencer (A forma da água).

Melhor roteiro original

Jordan Peele recebeu o Oscar por Corra! No entanto, fez com que Greta Gerwig saísse do Oscar sem prêmio algum por Lady Bird, uma injustiça da Academia, como já observado. A forma da água ficou inviabilizado nessa categoria depois de processo por plágio e Três anúncios para um crime era outro favorito que não confirmou.

Melhor roteiro adaptado

O agradecimento de James Ivory, diretor de filmes como Vestígios do dia e Retorno a Howard’s End, foi tão emocionante ao ganhar o prêmio pelo roteiro adaptado de Me chame pelo seu nome que me fez esquecer o quanto Aaron Sorkin merecia por A grande jogada. Outro trabalho excepcional da categoria era o de Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi, escrito por Virgil Williams e Dee Rees.

Melhor animação

Viva – A vida é uma festa, da Disney/Pixar, era o grande favorito e cumpriu a expectativa, deixando em segundo plano Com amor, Van Gogh e The breadwinner.

Melhor filme estrangeiro

Antes das indicações, o favorito era o alemão Em pedaços. Ele caiu entre os pré-finalistas e passou o bastão para The Square – A arte da discórdia, vencedor do Festival de Cannes. No entanto, Uma mulher fantástica, do Chile, foi o premiado, ficando à frente, também, dos comentados Sem amor (Rússia) e Corpo e alma (Suécia), este vencedor do Festival de Berlim. É uma grande obra, com ótima atuação de Daniela Vega, trazendo um suspiro para o cinema da América Latina. O Brasil já deveria ter ganho um Oscar da categoria por Central do Brasil ou Cidade de Deus (não indicado a filme estrangeiro, mas a quatro Oscars no ano seguinte de seu lançamento) e nesta década já foi esquecido de forma significativa pela obra-prima O som ao redor, sequer indicado. Neste ano, Bingo – O rei das manhãs foi escolhido de maneira equivocada para representar o Brasil (não tem o estilo requisitado, apesar da excelente atuação de Vladimir Brichta), quando os candidatos poderiam ter sido O filme da minha vida ou As duas Irenes.

Melhor documentário em curta-metragem

Heaven is a traffic jam on the 405

Melhor documentário em longa-metragem

Icarus

Melhor curta-metragem

The silent child

Melhor curta em animação

Dear basketball

Melhor fotografia

O britânico Roger Deakins finalmente vence, em sua 14ª indicação, por Blade Runner 2049, mostrando um trabalho de cores e luzes praticamente insuperável, sem querer apenas imitar a estética do original de Ridley Scott. Ele superou outros fortes candidatos, como Hoyte Van Hoytema por Dunkirk, Dan Laustsen, por A forma da água e Rachel Morrison por Mudbound, esta a primeira mulher indicada na categoria. Talvez os trabalhos de fotografia que poderiam ter rivalizado com Blade Runner 2049 sejam os de Trama fantasma, feito pelo próprio diretor, Paul Thomas Anderson, que não se creditou, e De canção em canção, do já oscarizado três vezes Emmanuel Lubezki, sempre esquecido por suas parcerias com Terrence Malick depois de A árvore da vida.

Melhor trilha sonora

Depois de vencer por O grande Hotel Budapeste, o francês Alexandre Desplat voltou ao palco para receber o novo prêmio por A forma da água, embora Jonny Greenwood tenha composto uma trilha memorável para Trama fantasma.

Melhor canção original

“Remember me”, de Viva – A vida é uma festa, escrita por Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, já era a esperada vencedora. As apresentações das candidatas foram muito boas, principalmente as de “Mighty river” (Mudbound) e “This is me” (O rei do show).

Melhor edição

Lee Smith recebeu o prêmio por Dunkirk. No ano passado, outro filme de guerra havia vencido na categoria, Até o último homem. Smith superou fortes concorrentes, como A forma da água, Três anúncios para um crime e Em ritmo de fuga.

Melhor figurino

Mark Bridges recebeu o prêmio, merecido, por Trama fantasma. É seu segundo Oscar, depois de O artista, e trata-se de um trabalho refinado do habitual colaborador de Paul Thomas Anderson, reconstituindo-se o vestuário dos anos 50 com designs criados especialmente pelo estilista feito por Day-Lewis.

Melhor design de produção

Paul D. Austerberry, Jeffrey A. Melvin e Shane Vieau receberam o prêmio por A forma da água, embora os trabalhos de Blade Runner 2049 e A bela e a fera fossem ótimos. O trabalho extraordinário de Trama fantasma não chegou a ser indicado.

Melhor maquiagem e cabelo

Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick foram os vencedores por O destino de uma nação.

Melhor mixagem de som

Mark Weingarten, Gregg Landaker e Gary A. Rizzo ganharam por Dunkirk, superando os trabalhos elogiados de Em ritmo de fuga e Star Wars – Os últimos Jedi e a excelência de Blade Runner 2049.

Melhor edição de som

Alex Gibson e Richard King receberam o prêmio por Dunkirk, superando os competitivos Blade Runner 2049 e Em ritmo de fuga.

Melhores efeitos visuais

John Nelson, Paul Lambert, Richard R. Hoover e Gerd Nefzer venceram o Oscar por Blade Runner 2049, superando o favoritismo de Planeta dos macacos – A guerra e a competência técnica de Star Wars – Os últimos Jedi. Uma homenagem também aos técnicos que realizaram a primeira parte em 1982, um marco da ficção científica.

Possíveis vencedores do Oscar 2018

Por André Dick

Gosto tanto da seleção do Oscar deste ano quanto a do ano passado. Há uma obra-prima (Trama fantasma), três filmes excelentes (Lady Bird, A forma da água e Três anúncios para um crime), um muito bom (Corra!) e um historicamente interessante e bem interpretado (O destino de uma nação). Não sou apreciador, no entanto, de Dunkirk, The Post – A guerra secreta e de Me chame pelo seu nome.  Eu teria substituído esses três filmes por Blade Runner 2049, De canção em canção e Projeto Flórida, e acrescentaria um décimo: Todo o dinheiro do mundo ou Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi.
Dos indicados, a disputa vai ficar, ao que tudo indica, entre A forma da água, Três anúncios para um crime e Lady Bird – A hora de voar. Pessoalmente, a única surpresa seria Trama fantasma. Na verdade, depois dos índices baixos de audiência, não sei se a Academia de Hollywood não vai querer surpreender este ano, premiando filmes diferentes de outros eventos. Seria uma alternativa para atrair mais espectadores (que não seja por envelopes trocados). E Boyhood era favorito em 2015 e perdeu, O regresso em 2016 e perdeu, La La Land em 2017 e perdeu, então o filme de McDonagh pode sofrer uma surpresa. Abaixo, quem VAI ganhar, PODE ganhar e DEVERIA ganhar em cada categoria principal, em escolhas pessoais (destaco a imagem do filme preferido).

Melhor filme

Vai ganhar: Três anúncios para um crime

Pode ganhar: A forma da água

Deveria ganhar: Trama fantasma

Melhor diretor

Vai ganhar: Guillermo del Toro (A forma da água)

Pode ganhar: Greta Gerwig (Lady Bird – A hora de voar)

Deveria ganhar: Paul Thomas Anderson (Trama fantasma)

Melhor ator

Vai ganhar: Gary Oldman (O destino de uma nação)

Pode ganhar: Daniel Day-Lewis (Trama fantasma)

Deveria ganhar: Daniel Day-Lewis (Trama fantasma)

Melhor atriz

Vai ganhar: Frances McDormand (Três anúncios para um crime)

Pode ganhar: Saoirse Ronan (Lady Bird – A hora de voar)

Deveria ganhar: Sally Hawkins (A forma da água)

Melhor ator coadjuvante

Vai ganhar: Sam Rockwell (Três anúncios para um crime)

Pode ganhar: Willem Dafoe (Projeto Flórida)

Deveria ganhar: Christopher Plummer (Todo o dinheiro do mundo)

Melhor atriz coadjuvante

Vai ganhar: Allison Janney (Eu, Tonya)

Pode ganhar: Laurie Metcalf (Lady Bird – A hora de voar)

Deveria ganhar: Laurie Metcalf (Lady Bird – A hora de voar)

Melhor roteiro original

Vai ganhar: Greta Gerwig (Lady Bird – A hora de voar)

Pode ganhar: Jordan Peele (Corra!)

Deveria ganhar: Greta Gerwig (Lady Bird – A hora de voar)

Melhor roteiro adaptado

Vai ganhar: James Ivory (Me chame pelo seu nome)

Pode ganhar: Aaron Sorkin (A grande jogada)

Deveria ganhar: Aaron Sorkin (A grande jogada)

Melhor filme em língua estrangeira

Vai ganhar: The Square: A arte da discórdia (Suécia)

Pode ganhar: Uma mulher fantástica (Chile)

Deveria ganhar: The Square: A arte da discórdia (Suécia)

Melhor animação

Vai ganhar: Viva – A vida é uma festa

Pode ganhar: Com amor, Van Gogh

Deveria ganhar: Viva – A vida é uma festa

Melhor fotografia

Vai ganhar: Roger Deakins (Blade Runner 2049)

Pode ganhar: Hoyte van Hoytema (Dunkirk)

Deveria ganhar: Roger Deakins (Blade Runner 2049)

Melhor trilha sonora

Vai ganhar: Alexandre Desplat (A forma da água)

Pode ganhar: Hans Zimmer (Dunkirk)

Deveria ganhar: Jonny Greenwood (Trama fantasma)

Melhor canção

Vai ganhar: “Remember me” (Viva – A vida é uma festa)

Pode ganhar: “Mighty river” (Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi)

Deveria ganhar: “Remember me” (Viva – A vida é uma festa)

Melhor design de produção

Vai ganhar: A forma da água

Pode ganhar: Blade Runner 2049

Deveria ganhar: Blade Runner 2049

Melhor figurino

Vai ganhar: Trama fantasma

Pode ganhar: A bela e a fera

Deveria ganhar: Trama fantasma

Melhor edição

Vai ganhar: Dunkirk

Pode ganhar: Em ritmo de fuga

Deveria ganhar: A forma da água

Melhor mixagem de som

Vai ganhar: Dunkirk

Pode ganhar: Em ritmo de fuga

Deveria ganhar: Dunkirk

Melhor edição de som

Vai ganhar: Em ritmo de fuga

Pode ganhar: Dunkirk

Deveria ganhar: Em ritmo de fuga

Melhor maquiagem e cabelo

Vai ganhar: O destino de uma nação

Pode ganhar: Extraordinário

Deveria ganhar: O destino de uma nação

Melhores efeitos visuais

Vai ganhar: Planeta dos macacos – A guerra

Pode ganhar: Blade Runner 2049

Deveria ganhar: Blade Runner 2049 

Indicados ao Oscar 2018

Por André Dick

Em outubro de 2017, fiz um texto sobre 10 possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme de 2018.

Dos que apontei, cinco chegaram às indicações de melhor filme: A forma da água, Dunkirk, Três anúncios para um crime, Trama fantasma e O destino de uma nação. Das repescagens, The Post – A guerra secreta. E de possibilidades menores Lady Bird, Me chame pelo seu nome e Corra! Entre os outros que apontei, não se imaginava que o filme de Alexander Payne, Pequena grande vida, fosse o grande fracasso comercial e de crítica de sua carreira e que Blade Runner 2049 fosse tão desconsiderado depois de recebido como uma obra-prima, mesmo tendo sido indicado a várias categorias técnicas. Do mesmo modo, O estranho que nós amamos e Detroit em rebelião foram esquecidos na temporada de premiações. E Projeto Flórida, que vinha sendo apontado como um favorito até mês passado, perdeu fôlego na corrida ao prêmio e recebeu apenas uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante, merecida, para Willem Dafoe.

Melhor filme

Dunkirk
Me chame pelo seu nome
O destino de uma nação
Corra!
Lady Bird – A hora de voar
Trama Fantasma
The Post – A guerra secreta
A forma da água
Três anúncios para um crime

Gosto tanto da seleção deste ano quanto a do ano passado. Há três filmes excelentes (Lady Bird, A forma da água e Três anúncios para um crime), um muito bom (Corra!) e um historicamente interessante e bem interpretado (O destino de uma nação). Não sou apreciador de Dunkirk nem de Me chame pelo seu nome, e não assisti ainda aos filmes de PTA e Spielberg. Novamente a Academia não atinge 10 concorrentes, o que desvaloriza um pouco a indústria. Numa décima vaga, poderiam ter lembrado de Todo o dinheiro do mundo, Blade Runner 2049, Ghost Story, Os Meyerowitz, O sacrifício do cervo sagrado, Columbus, De canção em canção, Mudbound, mãe!, Planeta dos macacos – A guerra, Logan Lucky, Terra selvagem, Maudie, Suburbicon, Z – A cidade perdida, Primeiro, mataram o meu pai e Lucky. Outras ausências que se lamenta nesta temporada de premiações: indicações a A melhor escolha, de Linklater, com elenco extraordinário, e Wonderstruck, de Todd Haynes. A Academia só nomearia os melhores filmes a partir de uma determinada média, mas é estranho filmes como Blade Runner 2049 e Mudbound (primeiro filme da Netflix indicado ao Oscar), por exemplo, com várias indicações, não chegarem a essa média. Nisso, anos que alternam entre 8, 9 ou 10 candidatos (apenas nos dois primeiros anos em que a regra passou a valer, em 2009 e 2010) parecem indicar uma inconstância que não está de acordo com o que acontece, pois claramente há no mínimo de 15 a 20 filmes marcantes por ano.
Dos indicados, a disputa vai ficar, ao que tudo indica, entre A forma da água, Três anúncios para um crime e Lady Bird. A única surpresa pode ser, ao que tudo indica, Trama fantasma.

Melhor diretor

Christopher Nolan, por Dunkirk
Jordan Peele, por Corra!
Greta Gerwig, por Lady Bird – A hora de voar
Paul Thomas Anderson, por Trama fantasma
Guillermo del Toro, por A forma da água

O grande favorito é Guillermo del Toro, por A forma da água, que já recebeu o Leão de Ouro em Veneza e o Globo de Ouro. Mais lembrado como roteirista, PTA finalmente volta a concorrer como diretor depois de Sangue negro. Ele havia feito duas obras-primas nos últimos anos, O mestre e Vício inerente, que receberam indicações nas áreas de atuação e roteiro e uma técnica, o que não equivalia à total qualidade deles. A até então atriz reconhecida Greta Gerwig conquista um espaço merecido, e sua direção em Lady Bird é muito bem dosada. Jordan Peele consegue uma indicação em sua estreia, e Nolan marca mais um inglês prestigiado pela Academia depois do injustiçado Interestelar. Perdeu a vaga para ele McDonagh, de Três anúncios, que apresenta, particularmente, um trabalho superior. Poderiam facilmente ter indicado Denis Villeneuve (Blade Runner 2049), Angelina Jolie (Primeiro, mataram o meu pai), Sofia Coppola (O estranho que nós amamos), Terrence Malick (De canção em canção), Sean Baker (Projeto Flórida), Yorgos Lanthimos (O sacrifício do cervo sagrado) e Ridley Scott (Todo o dinheiro do mundo).

Melhor ator

Timothée Chalamet, por Me chame pelo seu nome
Daniel Day-Lewis, por Trama fantasma
Daniel Kaluuya, por Corra!
Gary Oldman, por O destino de uma nação
Denzel Washington, por Roman J. Israel, Esq.

Não vi todas as atuações, mas Gary Oldman está extraordinário em O destino de uma nação. Não aprecio a interpretação de Timothée Chalamet em Me chame pelo seu nome, apesar de reconhecer que a direção e o roteiro o prejudicam. Kaluuya tem bela atuação em Corra! e Denzel Washington volta a ser prestigiado depois de Um limite entre nós. Day-Lewis, no seu último papel no cinema, pode ter a chance de ganhar seu quarto Oscar, depois de Meu pé esquerdo, Sangue negro e Lincoln. Entre os esquecidos, aprecio em especial as performances de Jake Gyllenhaal em O que te faz mais morte; Harry Dean Stanton em Lucky; Adam Sandler em Os Meyerowitz; Jeremy Renner em Terra selvagem, Ethan Hawke em Maudie; e Steve Carell em Guerra dos sexos e A melhor escolha. Tom Hanks, como é lugar-comum na última década, foi ignorado novamente por sua atuação em The Post.

Melhor atriz

Sally Hawkins, por A forma da água
Frances McDormand, por Três anúncios para um crime
Margot Robbie, por Eu, Tonya
Saoirse Ronan, por Lady Bird – A hora de voar
Meryl Streep, por The post – A guerra secreta

Nenhuma grande surpresa. Hawkins, das indicadas, parece a melhor, seguida por Ronan e McDormand. Robbie é uma ótima atriz, mas não merece, particularmente, a indicação por Eu, Tonya. Acrescento entre as atrizes que poderiam ter sido lembradas: Jennifer Lawrence (mãe!), Sareum Srey Moch (Primeiro, mataram o meu pai), Rooney Mara (Una ou De canção em canção), Emma Stone (Guerra dos sexos), Danielle Macdonald (Patty Cake$) e Haley Lu Richardson (Columbus). Nicole Kidman foi esquecida por ótimas atuações em O sacrifício do cervo sagrado e O estranho que nós amamos. E a atuação de Michelle Williams em Todo o dinheiro do mundo é um dos pontos altos do filme de Scott. Além de Jessica Chastain estar talvez em seu melhor momento depois de A hora mais escura em A grande jogada. McDormand é a favorita, mas, embora esteja bem, se vier a ganhar não será de todo justo. Inclusive se lembrarmos que a menina Brooklyn Prince, de Projeto Flórida, sequer foi indicada.

Melhor ator coadjuvante

Willem Dafoe, por Projeto Flórida
Woody Harrelson, por Três anúncios para um crime
Richard Jenkins, por A forma da água
Sam Rockwell, por Três anúncios para um crime
Christopher Plummer, por Todo o dinheiro do mundo

Não indicarem Bryan Cranston a ator coadjuvante por A melhor escolha é um dos maiores esquecimentos. Ele não só merecia ser indicado, mas ganhar. No entanto, todos os indicados são excelentes: Sam Rockwell e Harrelson têm papéis expressivos em Três anúncios para um crime; Willem Dafoe mostra um lado sentimental insuspeito em Projeto Flórida; Richard Jenkins é comovente em A forma da água; e Christopher Plummer estranhamente maligno em Todo o dinheiro do mundo. Michael Stuhlbarg e Armie Hammer foram deixados de lado por Me chame pelo seu nome; nenhuma das atuações comportava uma indicação, mas Stuhlbarg ao menos tinha um belo monólogo mais ao final. Ben Stiller poderia ter sido lembrado por Os Meyerowitz, no qual entrega sua melhor atuação desde Greenberg, Patrick Stewart por Logan e Josh Brolin por Only the brave.

Melhor atriz coadjuvante

Allison Janney, por Eu, Tonya
Mary J. Blige, por Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi
Lesley Manville, por Trama fantasma
Laurie Metcalf, por Lady Bird – A hora de voar
Octavia Spencer, por A forma da água

Laurie Metcalf é a melhor concorrente por Lady Bird. No entanto, a favorita é Allison Janney por um papel de mãe exploradora em Eu, Tonya. Octavia Spencer (vencedora nessa categoria por Histórias cruzadas) está ótima em A forma da água e Blige, magnífica em Mudbound. Lesley Manville é apontada como uma revelação no filme de PTA. Izabela Vidovic poderia ter sido lembrada por sua bela presença em Extraordinário, assim como Kirsten Dunst em O estranho que nos amamos. Também Holly Hunter vinha sendo lembrada por sua participação em Doentes de amor, mas não emplacou. Bria Vinaite, por sua vez, aparece excelente em Projeto Flórida; mais uma injustiça ao filme sua não indicação.

Melhor roteiro original

Greta Gerwig, por Lady Bird – A hora de voar
Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani, por Doentes de amor
Jordan Peele, por Corra!
Guillermo del Toro, por A forma da água
Martin McDonagh, por Três anúncios para um crime

Todos os indicados possuem qualidades: Greta pelo bom enfoque sobre a mudança da adolescência para a vida adulta em Lady Bird; Gordon e Nanjiani por uma comédia de conflitos entre costumes em Doentes de amor; Peele pela crítica social em Corra!; McDonagh pelo humor corrosivo de Três anúncios; e Del Toro pela fantasia de A forma da água. Gostaria muito que tivessem lembrado dos roteiros de O sacrifício do cervo sagradoColumbus, Projeto Flórida, Os Meyerowitz, Viva – A vida é uma festa e Ghost story.

Melhor roteiro adaptado

Scott Neustadter e Michael H. Weber, por Artista do desastre
James Ivory, por Me chame pelo seu nome
Aaron Sorkin, por A grande jogada
Scott Frank, James Mangold e Michael Green, por Logan
Virgil Williams e Dee Rees, por Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi

Nesta categoria, meu favorito é Aaron Sorkin por A grande jogada, embora o favorito para ganhar seja Ivory, pelo trabalho menos interessante de todos. Uma grande surpresa a indicação para Logan, embora merecida. O roteiro de Mudbound é belíssimo, e merecia ser considerado. Neustadter e Weber são indicados por Artista do desastre depois de trabalhos reconhecidos em (500) dias com ela, O maravilhoso agora e A culpa é das estrelas. Lamentável o esquecimento de Todo o dinheiro do mundo nesta categoria. Também Primeiro, mataram o meu pai e O estranho que nós amamos mostram bons trabalhos de adaptação.

Melhor filme em língua estrangeira

Uma mulher fantástica (Chile)
O insulto (Líbano)
Sem amor (Rússia)
Corpo e alma (Hungria)
The Square: A arte da discórdia (Suécia)

Depois da eliminação de Em pedaços, da Alemanha, favorito até então entre os pré-indicados, The square, vencedor em Cannes, toma o seu lugar. No entanto, não se deve menosprezar Sem amor, do mesmo diretor de Leviathan, e Uma mulher fantástica, do Chile, é irretocável. Havia bons filmes que não chegaram entre os finalistas, como Thelma e Rastros, e o ótimo Primeiro, mataram o meu pai.

Melhor animação

O poderoso chefinho
The Breadwinner
Viva – A vida é uma festa
O touro Ferdinando
Com amor, Van Gogh

Infelizmente, não assisti a todos. Viva – A vida é uma festa, no entanto, é um dos meus favoritos do ano passado.

Melhor documentário

Abacus: Pequeno o bastante para condenar
Visages villages
Ícaro
Últimos homens em Aleppo
Strong Island

Melhor documentário em curta-metragem

Edith+Eddie
Heaven is a traffic jam on the 405
Heroin(e)
Knife skills
Traffic stop

Melhor curta de animação

Dear Basketball
Garden park
Lou
Negative space
Revolting rhymes

Melhor curta

Dekalb elementary
The 11 o’ clock
My Nephew Emmett
The silent Child
Waty Wote/All of us

Melhor fotografia

Bruno Delbonnel, por O destino de uma nação
Roger Deakins, por Blade Runner 2049
Hoyte van Hoytema, por Dunkirk
Rachel Morrison, por Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi
Dan Laustsen, por A forma da água

Melhor trilha sonora

Hans Zimmer, por Dunkirk
Jonny Greenwood, por Trama fantasma
Alexandre Desplat, por A forma da água
John Williams, por Star Wars – Os últimos Jedi
Carter Burwell, por Três anúncios para um crime

Melhor canção

“Remember me” (Viva – A vida é uma festa)
“Mighty river”! (Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi)
“Mystery of love” (Me chame pelo seu nome)
“Stand up for something” (Marshall)
“This is me” (O rei do show)

Melhor design de produção

Blade Runner 2049
A bela e a fera
O destino de uma nação
Dunkirk
A forma da água

Melhor figurino

A bela e a fera
O destino de uma nação
Trama fantasma
A forma da água
Victória e Abdul

Melhor edição

Em ritmo de fuga
Dunkirk
Eu, Tonya
A forma da água
Três anúncios para um crime

Melhor mixagem de som

Star Wars – Os últimos Jedi
Em ritmo de fuga
Blade Runner 2049
Dunkirk
A forma da água

Melhor edição de som

Em ritmo de fuga
Blade Runner 2049
Dunkirk
A forma da água
Star Wars – Os últimos Jedi

Melhor maquiagem e cabelo

O destino de uma nação
Victoria e Abdul
Extraordinário

Melhores efeitos visuais

Blade Runner 2049
Guardiões da galáxia Vol. 2
Kong – A ilha da caveira
Star Wars – Os últimos Jedi
Planeta dos Macacos – A guerra

Nas categorias técnicas, Blade Runner 2049 é o principal destaque, seguido por Dunkirk e Star Wars – Os últimos Jedi. Entre esquecimentos notáveis, Valerian e a cidade dos mil planetas (com design de produção, efeitos visuais e maquiagem ótimos), De canção em canção (a fotografia de Emmanuel Lubezki principalmente, que só concorre e ganha com filmes que não sejam de Terrence Malick) e Todo o dinheiro do mundo (fotografia, montagem e design de produção irretocáveis). Suburbicon também possui uma ótima parte técnica (fotografia, trilha sonora, design de produção, figurinos), assim como O estranho que nós amamos. Wonderstruck também poderia ter sido lembrado nas categorias de fotografia, design de produção e trilha sonora (Burwell foi indicado por Três anúncios).

A cerimônia de entrega dos prêmios ocorre no dia 4 de março.

10 possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme em 2018

Por André Dick

A alguns meses das indicações ao Oscar, as apostas começam. No ano passado, ao tentar prever os indicados, acertei apenas três, o que não me torna nenhuma referência. Mas lanço minhas possíveis indicações, já que a um dia de elas saírem, com todos os prêmios prévios já entregues, fica mais fácil apontar quem estará na lista. Lembro que a aposta é em 10 candidatos, mas em 2015 e 2016 foram oito indicados e em 2012, 2013, 2014 e 2017, nove. Ou seja, foram indicados 10 filmes apenas em 2010 e 2011, quando a nova regra passou a valer. Nesse sentido, tudo indica que serão 8 ou 9, deixando normalmente grandes filmes de fora da lista final.

No ano passado, A chegada foi indicado. E neste ano tudo indica que Blade Runner 2049, do mesmo Denis Villeneuve, tem grandes chances, não apenas nas categorias principais, como nas técnicas. Além de ser um triunfo em vários campos (fotografia, design de produção, trilha sonora, efeitos visuais e sonoros), tem uma grande direção de Villeuneuve. Se eu fosse apostar num novo Mad Max seria este. Apenas acredito que seu elenco (com exceção de Ryan Gosling) não tenha grandes chances, embora Sylvia Hoeks se destaque como a vilã.

O diretor Alexander Payne já foi indicado algumas vezes ao Oscar: por roteiro original (Eleição) e direção (Sideways, Os descendentes, Nebraska), e recebeu dois de roteiro adaptado (Sideways e Os descendentes). Pequena grande vida talvez seja mais um a integrar a lista, assim como Matt Damon e Kristen Wiig tem possibilidades de serem indicados nas categorias de ator e atriz. Na história, cientistas da Noruega descobrem como reduzir seres humanos a 5 centímetros de altura. Ingressam na ideia Paul Safranek (Matt Damon) e esposa Audrey (Kristen Wiig), de Omaha, nesta espécie de Querida, encolhi as crianças mais intelectual. Os filmes de Payne sempre tratam de uma dor familiar e esta história a princípio bem-humorada pode ser mais uma nessa linha.

Depois de ser premiado com o Leão de Ouro em Veneza, A forma da água, de Guillermo del Toro, pode apontar que um novo diretor mexicano estará na disputa este ano, colocando-se ao lado de Alfonso Cuarón e Alejandro Iñárritu. Sally Hawkins interpreta Elisa, zeladora de laboratório secreto e com experimentos do governo dos Estados Unidos, que se apaixona por um ser fantástico preso ali. No elenco, ainda estão Richard Jenkins e Octavia Spencer. Há imagens que remetem a Splice, produzido por Del Toro, no entanto o visual fantástico e com influência dos filmes de Terry Gilliam dialoga mais com A colina escarlate. Já Hawkins está sendo vista como uma das possíveis candidatas a atriz – em outro filme dela este ano, Maudie, ao lado de Ethan Hawke, ela está espetacular.

Depois do elogiado Tangerine, Sean Baker regressa em Projeto Flórida. Passado durante o verão, mostra uma menina de 6 anos, Moonee (Brooklynn Kimberly) que mora com sua mãe Halley (Bria Vinaite) num motel chamado The Magic Castle Motel, administrado por Bobby (Willem Dafoe). Com visual de cores vivas, remetendo a Wes Anderson e seu universo fabular, sua história e temática podem lembrar Indomável sonhadora. A belíssima fotografia é assinada por Alexis Zabe, que trabalhou com Carlos Reygadas em Luz silenciosa e Luz depois das trevas, que influenciaram muito Emmanuel Lubezki. Tem o aspecto de filme indie que costuma agradar a alguns acadêmicos.

Embora os excepcionais O mestre e Vício inerente tenham recebido algumas indicações ao Oscar, Paul Thomas Anderson não repetiu mais seu êxito de Sangue negro, indicado aos Oscars de filme e direção, que deu passagem ao favorito Onde os fracos não têm vez. Phantom thread traz Daniel Day-Lewis em seu dito último papel no cinema, como um costureiro da família real, Charles James, na Londres dos anos 1950. Vencedor do Oscar por Meu pé esquerdo, Sangue negro e Lincoln, Day-Lewis tem tudo para ter um desfecho de carreira irreparável. Dependendo da recepção, podemos ter aqui o Oscar de melhor filme.

Recebido sem o mesmo entusiasmo de A hora mais escura, Detroit em rebelião tem potencial ao Oscar por causa de Kathryn Bigelow na direção e Mark Boal no roteiro. Passado num momento conturbado da cidade de Detroit em 1967, envolvendo policiais e muitos protestos, o filme de Bigelow não deve ser menosprezado, à medida que conta com o astro em ascensão John Boyega e o jovem Will Pouter.

Em Três anúncios para um crime, de Martin McDonagh (Na mira do chefe), Frances McDormand interpreta Mildred Hayes, que espalha outdoors em busca de quem estuprou e matou sua filha. Woody Harrelson, por sua vez, é o xerife Bill Willoughby e Sam Rockwell, o oficial Jason Dixon. Premiado como melhor filme no Festival de Toronto, tem sua indicação quase certa.

A adaptação de O estranho que nós amamos, de Sofia Coppola, vencedora do Oscar de roteiro original por Encontros e desencontros, tem feito grande carreira desde a premiação da diretora em Cannes. O elenco feminino pode render indicações: Nicole Kidman e Kirsten Dunst, sobretudo, embora não se menospreze Colin Farrell, já ignorado por O lagosta, no ano passado. A parte técnica também é belíssima (principalmente design de produção, fotografia e figurino). Maria Antonieta ganhou o Oscar de figurino.

Após ser indicado pelo roteiro de Amnésia e ter várias indicações técnicas com Batman – O cavaleiro das trevas e principais com A origem, Cristopher Nolan pode voltar ao Oscar com seu filme de guerra Dunkirk. Não o aprecio como a maioria, mas tem grandes chances, principalmente pela parte técnica irrepreensível (não tanto nas atuações, a não ser Mark Rylance como coadjuvante). O problema é que dificilmente a Academia vai indicar dois filmes com o mesmo tema: Dunkirk ou O destino de uma nação deve ficar de fora. Contra Dunkirk, ainda conta o fato de ser da Warner, o mesmo estúdio de Blade Runner 2049, mais favorito. E o fato de a Academia apreciar filmes com atuações mais definidas.

Em O destino de uma nação, Joe Wright, dos recentemente subestimados Anna Karenina e Peter Pan, traz Gary Oldman numa transformação fabulosa como Winston Churchill, nos eventos da Segunda Guerra Mundial que aparecem também em Dunkirk. Outro muito elogiado é Ben Mendelsohn e o elenco ainda conta com Kristin Scott Thomas. Wright parece voltar ao campo mais clássico e pendente à Academia de Orgulho & preconceito e Desejo e reparação, este indicado ao Oscar de melhor filme em 2008.

Repescagem:

mãe!, o novo experimento de Darren Aronofksy, traz Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Apesar da recepção dividida, não duvido de indicações principais a ele, principalmente para Lawrence como melhor atriz e Michelle Pfeiffer como atriz coadjuvante. A parte técnica (fotografia e design de produção) também é destacável.

Dirigido por Dee Rees, Mudbound vai ajudar a definir se a Academia de Hollywood adotará o discurso contra a Netflix parecido com o de Pedro Almodóvar no Festival de Cannes. O filme mostra uma família afro-americana que se mudou para o Mississipi durante a Segunda Guerra Mundial e precisa enfrentar o racismo. O filme tem um grande elenco: Carey Mulligan, Garrett Hedlund, Jason Clarke, Jason Mitchell, Mary J. Blige, Jonathan Banks, Rob Morgan e Kelvin Harrison Jr.

The post, de Steven Spielberg, traz Meryl Streep em seu elenco: isso é tentativa de receber pelo menos uma indicação. Mesmo com Tom Hanks em baixa na Academia desde… Náufrago?, este filme parece se encaminhar para a temporada de premiações. Ele mostra a primeira editora feminina do país, do jornal The Washington Post, Kay Graham (Meryl Streep), que lida com seu editor Ben Bradlee (Hanks), em artigos envolvendo o Pentágono. Acima, foto com Meryl Streep, Spielberg e Hanks, pois não há ainda imagens do filme.

Em seus trabalhos mais recentes, a exemplo de Frances HaEnquanto somos jovens e Mistress America, Baumbach tende a tentar desenhar um painel da juventude norte-americana em conflito com ideais de uma geração anterior, no entanto em certos momentos soa descompassado. Essa característica não se sente em Os Meyerowitz – Família não se escolhe (Histórias novas e selecionadas), que, mesmo com seus cortes às vezes abruptos, se sente orgânico do início ao fim e verdadeiramente sentimental em suas escolhas. Baumbach entrega um dos melhores filmes do ano, com roteiro e elenco verdadeiramente referenciais para o que, independente de onde se veja, ainda se chama cinema. Como esconder os desempenhos de Adam Sandler, Dustin Hoffman e Ben Stiller e o roteiro e a direção de Noah Baumbach? Cabe à Academia de Hollywood decidir.

Outros possíveis candidatos: A ghost story (David Lowery), Radegund (Terrence Malick), Corra! (Jordan Peele), Primeiro, mataram o meu pai (Angelina Jolie), Terra selvagem (Taylor Sheridan), Maudie (Aisling Walsh), Nossas noites (Ritesh Batra), Columbus (Kogonada), O rei do show (Michael Gracey), Doentes de amor (Michael Showalter), Bom comportamento (Benny Safdie e Josh Safdie), All the money in the world (Ridley Scott), Sem fôlego (Todd Haynes), Me chame pelo seu nome (Luca Guadagnino), Assassinato no expresso Oriente (Kenneth Branagh), Extraordinário (Stephen Chobsky), The current war (Alfonso Gomez-Rejon), A guerra dos sexos (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Only the brave (Joseph Kosinski), Marshall (Reginald Hudlin), Molly’s game (Aaron Sorkin), Last flag flying (Richard Linklater), Lady Bird (Greta Gerwig), Roda gigante (Woody Allen), O que te faz mais forte (David Gordon Green), Depois daquela montanha (Hany Abu-Assad)