Batman – O retorno (1992)

Por André Dick

Esta continuação fez maior sucesso do que o primeiro, de forma surpreendente, pois é um filme tematicamente mais ousado, embora perca levemente seu misto entre o lado cartunesco do Coringa de Jack Nicholson e a direção de arte intensamente soturna de Anton Furst (vencedora do Oscar). Tim Burton havia gostado muito do roteiro original de Daniel Waters, autor um ano antes do ambicioso Hudson Hawk, com Bruce Willis, que homenageia a época do expressionismo alemão, tanto nos cenários quanto na figura dos personagens (Max Schreck, o nome do vilão feito de maneira hábil por Christopher Walken, é o mesmo do antigo ator que fez Nosferatu, em 1922) e ainda explica o surgimento de novos vilões: o Pinguim e a Mulher-Gato. Como trama, o roteiro de Waters não convence, mas quanto aos diálogos há um surpreendente jogo de questões explorando a dupla personalidade dos personagens centrais.
A história se passa durante o Natal, 33 anos depois que o casal Cobblepot (Paul Reubens e e Diane Salinger) jogou seu filho defeituoso nos esgotos de Gotham City, depois de um início que remete a O milagre de Anne Sullivan, dos anos 60. A cidade está assustada com o Homem Pinguim (Danny DeVito), que vive junto a pinguins no subsolo do zoológico municipal.

Ajudado por Max Schreck, ele volta à sociedade, com a vontade de se tornar um cidadão comum, mas sempre atormentado por ter sido abandonado pelos pais. Acaba se transformando em candidato a prefeito, tendo por trás a Red Triangle Gang, uma trupe de figuras saídas de algum circo desvirtuado, e desafia Batman (a persona heroica do milionário Bruce Wayne, interpretado por Michael Keaton) a enfrentá-lo. No entanto, sua obsessão pelo abandono o leva a planejar uma determinada captura, envolvendo também Charles “Chip” Shreck (Andrew Bryniarski).
Enquanto isso, surge a Mulher-Gato da pele da secretária de Schreck, Selina Kyle (Michelle Pfeiffer, que voltaria a trabalhar com o diretor em Sombras da noite), que mora num apartamento com inúmeros gatos, em meio a neons que servem como jogo de palavras, e se mantém informada dos negócios de seu chefe. Com problemas de relacionamento, ela se modifica completamente depois de um acontecimento e passa a namorar Bruce Wayne, sem nenhum deles saber quem é, na verdade, o outro. Este envolvimento dará origem a novos conflitos irremediáveis.

Se, de um lado, os personagens procuram conviver e Wayne continue a ver um pai em Alfred (Michael Gough), por outro, as explosões e os efeitos especiais se sucedem em ritmo vertiginoso, a violência é explícita (como a cena em que o vilão, uma espécie de Edward mãos de tesoura perverso, quase arranca o nariz de um publicitário, ou quando a Mulher-Gato rasga a pele de assaltantes) e batalhões de pinguins fazem um desempenho incrível numa produção sofisticada – sobretudo de excelentes cenários. Burton tinha em mente não repetir o primeiro Batman, e realmente o fez.
O visual de Bo Welch é brilhante, com referências a Nosferatu, O corcunda de Notre-Dame, A noiva de Frankenstein O patinho feio, enquanto a atmosfera é melancólica, lembrando, assim, o período vitoriano e expressionista, em diálogo com os personagens (o Pinguim e a Mulher-Gato são pessoas abandonadas, que querem enlouquecer a cidade; a sequência em que o vilão voa com seu guarda-chuva, enquanto Batman e a Mulher-Gato se enfrentam pelos telhados da cidade é uma das mais bem solucionadas dentro das pretensões do diretor). Nesse sentido, o estilo de Burton permanece intacto, com direito a outras cenas originais: a grandiosa invasão dos pinguins nas ruas de Gotham City, por exemplo; a explosão durante a festa de Schreck. Há uma prevalência de fantasia nas imagens aqui do que na trilogia de Nolan, fazendo persistir na memória muitas sequências interessantes. Com isso, a fotografia de Stefan Czapsky explora Gotham City como uma sucessão de ruelas abafadas por edifícios imensos, e as perspectivas de filmagem remetem ao expressionismo e a uma espécie de pesadelo kafkiano.

É um filme de ação, por vezes, pesado e triste e a direção de Burton é sempre melhor do que a narrativa (que em muitos momentos cansa, pois não dosa as peças direito), procurando a estranheza dos personagens e os problemas psicológicos de cada um, com referências à psicologia de Freud, Jung e Lacan, não necessariamente nessa ordem. Todos possuem não apenas uma face dupla, como um duplo comportamento, não interagindo de maneira previsível em meio aos diferentes rumos de narrativa. Talvez Kyle seja a melhor personagem, pois se confronta com uma vida tediosa e, depois da transformação, com a descoberta de uma sexualidade que, de forma completa, a torna rejeitada. Trata-se de um filme que antecipa elementos, por exemplo, empregados por Burton em A lenda do cavaleiro sem cabeça, com seu clima vitoriano e brumas de uma fábula. Não é um filme para crianças portanto, já que as atuações de Michelle e Danny DeVito às vezes assustam, sendo, no mesmo sentido, bastante eficazes, principalmente a dela. Mais espetacular, barulhento e “filme de autor” do que o primeiro, e ainda assim inferior, Batman – O retorno, mesmo assim, é visualmente uma das melhores produções de super-heróis já feitas, de profunda influência nas obras atuais do gênero e um símbolo de que um blockbuster pode flertar realmente com ideias originais e com a história do cinema.

Batman returns, EUA, 1992 Diretor: Tim Burton Elenco: Michael Keaton, Danny DeVito, Michelle Pfeiffer, Christopher Walken, Michael Gough, Pat Hingle Michael Murphy Roteiro: Daniel Waters Fotografia: Stefan Czapsky Trilha Sonora: Danny Elfman Produção: Denise Di Novi, Tim Burton Duração: 126 min. Estúdio: Warner Bros. Distribuidora: Warner Bros.

Foxtrot (2017)

Por André Dick

Drama israelense que ficou entre os pré-finalistas ao Oscar de filme estrangeiro, depois de iniciar uma trajetória exitosa no Festival de Veneza do ano passado, Foxtrot, como muitas produções de qualidade, não chegou aos cinemas brasileiros, sendo lançado diretamente em vídeo. Com sua história contundente, ele mostra Michael (Lior Ashkenazi) e Dafna Feldmann (Sarah Adler), importante casal de Tel Aviv que recebe a notícia de militares israelenses de que seu filho Jonathan (Yonathan Shiray), que serve como soldado, morreu. Eles possuem outra filha, Dafna (Ilia Grosz), inserida no mesmo drama.
No entanto, acontece uma reviravolta, e se descobre que o Jonathan Feldman que morreu é outro. O diretor irá mostrar, a partir daí, exatamente Jonathan com seus colegas no posto onde trabalha, em situação precária, vigiando a entrada de pessoas vindas da Palestina. O filme desliza para um tom crescente de pessoas perdidas no meio do nada que remete muito a Incêndios, de Villeneuve, no entanto com elementos mais bem-humorados.

O diretor Samuel Maoz está em busca claramente de uma síntese para um tema espinhoso – o da guerra nas fronteiras de um país –, escolhendo como pressuposto uma família em ordem desestabelecida por uma notícia contrária a qualquer expectativa. O diretor localiza a família em ambientes bem arejados e esteticamente belos, enquanto no deserto tenta focar essa estética nas cores dentro de um contêiner onde ficam os soldados e em vidros quebrados de uma construção a distância. Do mesmo modo, contrapõe o ambiente de dança onde está a mãe idosa de Michael (Karin Ugowski), sobrevivente de Auschwitz, um deles com um rifle em meio à estrada, que dá passagem, num momento aparentando certo surrealismo, a um camelo, indo em direção a um horizonte infinito.
Se ele coloca o pai no início maltratando um cão depois de saber da morte do filho, Foxtrot lida com a raiva de modo a canalizá-la em um sistema já entregue pela sociedade: a guerra está presente, no entanto os pais do filho soldado não estão preparados justamente para carregá-la em seu cotidiano. A mãe está desperta, no entanto à base de remédios; o pai tenta se punir no banheiro abrindo uma torneira com água quente, fazendo ferida em sua mão.

Essa espécie de busca pela punição vai no sentido oposto do cotidiano de Jonathan com seus amigos: enquanto eles esquentam latas congeladas de carne e contam os segundos que levam para uma delas rolar no trailer precário onde ficam, elas não antecipam o que irá ocorrer a eles numa determinada noite. Há um determinado receio no ar do que pode acontecer a esses personagens, como se tudo estivesse no limite de um embate não configurado de forma explícita, sendo quase uma faceta mais realista de Cães do guerra, a obra subestimada de Todd Phillips de alguns anos atrás.
O diretor Maoz certamente traz para o filme sua participação na Guerra do Líbano, mostrando essa divisão entre um cenário familiar e um cenário de adversidade. Jonathan também representa, por meio dos seus desenhos, uma lembrança, para seu pai, de um passado já distante. É interessante como a figura da mulher se torna manifesta quase que praticamente por meio dos desenhos – e uma conversa de Jonathan, que os realiza, ao lembrar para seus colegas de exército sobre uma revista particular encontrada por seu pai, desencadeia no ato final uma animação que lembra ligeiramente Valsa para Bashir, voltado a um reencontro familiar no imaginário.

A dor com a qual Foxtrot lida envolve não apenas a família, como também a própria tradição da qual ela faz parte. Por isso, é tão espetacular quando, de maneira discreta, Maoz costura o primeiro ato com o ato final, como se tudo fizesse parte de uma história a ser recontada por gerações. A descoberta de pequenas lembranças, objetos deixados para a posteridade, se encaixa com uma notável sensibilidade voltada à culpa pelo que se escondeu. Preocupado com um certo discurso poético subliminar, Maoz lida com o destino dos personagens como parte daquilo que os antecedeu não apenas no cargo do qual se encarregam e sim do passado que recontam às pessoas próximas. Nesse sentido, a visita de Jonathan à sua mãe adquire toda uma carga simbólica, fazendo de Foxtrot um registro documental da sensibilidade.

פוֹקְסטְרוֹט, ISR/ALE/FRA/SUI, 2017 Diretor: Samuel Maoz Elenco: Lior Ashkenazi, Sarah Adler, Yonathan Shiray, Ilia Grosz, Karin Ugowski Roteiro: Samuel Maoz Fotografia: Giora Bejach Trilha Sonora: Ophir Leibovitch, Amit Poznanky Produção: Eitan Mansuri Duração: 112 min. Estúdio: Bord Cadre Films

Sicario – Dia do soldado (2018)

Por André Dick

É no mínimo surpreendente que Sicario – Terra de ninguém, um dos melhores filmes sobre tráfico de drogas, dirigido por Denis Villeneuve, tenha recebido uma continuação tão interessante pelas mãos do italiano Stefano Sollima. Isso talvez se deva ao fato de Taylor Sheridan, roteirista do primeiro, regressar aqui, para mostrar a trajetória novamente de Alejandro Gillick (Benicio del Toro) e Matt Graver (Josh Brolin), do Departamento de Justiça.
Se o primeiro barrava os limites entre o certo e o errado, entre a ética do Estado ou seu rompimento, para evocar indagações internas na agente do FBI Kate Macer, interpretada por Emily Blunt, isso, de certo modo, ganha um grande potencial, até maior, em Sicario – Dia do soldado, com uma configuração notável dos problemas no México. Sheridan, mais uma vez, depois dos trabalhos exibidos em A qualquer custo (pelo qual foi indicado ao Oscar) e Terra selvagem (o qual escreveu e dirigiu), mostra seu interesse por personagens vivendo uma experiência à parte do mundo conturbado, em lugares afastados, no entanto sempre afetados pela realidade mais explosiva. Toda a sua narrativa poderia ser equiparada, como A qualquer custo, com um faroeste contemporâneo, no qual os mocinhos e bandidos não são bem definidos, os cavalos são helicópteros ou caminhonetes e as regras da lei são constantemente quebradas para que se imponha o mínimo de ordem.

Graver é chamado novamente à ação depois de um atentado terrorista num supermercado de Kansas City, pelo secretário de Defesa dos EUA, James Riley (Matthew Modine). Supervisionado por Cynthia Foards (Catherine Keener), Graver, depois de uma passagem pela Somália (em cenas que lembram A hora mais escura), tenta colocar traficantes de drogas uns contra os outros dentro do México. Ele pede a participação do antigo companheiro no sequestro de Isabel Reyes (Isabela Moner), filha adolescente de 16 anos de um dos mais poderosos líderes de um cartel de drogas mexicano, mas dando a entender que são os rivais dele que o realizam – quando o espectador sabe se tratar de agentes ligados ao governo, com ou sem lei. A maneira como Sollima grava essas sequências, nas quais a verdade existe para o espectador, não para Isabel, numa espécie de metalinguagem bem-sucedida (tudo é uma grande encenação), se faz fidedigna do talento de Villeneuve em compor um clima de tensão, localizável anteriormente em Incêndios, tanto dentro de pavilhões militares quando em estradas em meio ao deserto. Esta característica se revela nos momentos de emboscada, que Sollima roda com uma urgência incomum no cinema norte-americano sem se expor a lugares-comuns excessivos.

Esta continuação de Sicario guarda em parentesco com o primeiro, além da fotografia extraordinária de Dariusz Wolski (utilizando suas lentes já testadas nesse cenário com O conselheiro do crime, de Ridley Scott, uma influência clara para o original de Villeneuve), a sua maneira discreta de tratar de temas familiares, como se mostra no comportamento de Gillick, em mais uma atuação irrepreensível de Del Toro. Sua amizade com Isabel é parecida com aquela que tinha com a agente feita por Blunt no primeiro e os maneirismos do ator mexicano nunca perdem para sua convicção em interpretá-los. Ao recordar novamente de sua filha, impossível não registrar o domínio da figura da mulher num ambiente petrificado.
Muitos apontam este filme como uma sequência desnecessária, contudo é possível ver os personagens sendo explorados de uma maneira interessante. Pode-se ver certa influência de Traffic, de Soderbergh, e de Heli, à medida que a trama cria raízes no México. No original de Villeneuve, quase tudo se concentrava em Macer e em seus amigos, a exemplo de  Reggie Wayne (Daniel Kaluuya), ficando para os personagens aqui enfocados apenas um mistério. Eles surgiam sempre à espreita, sem terem muito o que dizer; aqui, eles dizem, porém quando não se expressam é que seus sentimentos vêm mais à flor da pele. O destino de Gillick é um ponto realmente bem trabalhado, além de ressoar para além das imagens.

Sollima oferece a eles mais diálogos e transparência, ao mesmo tempo que os conserva à distância do espectador. É como se ele tivesse conseguido acertar naquilo que Ridley Scott não conseguiu, em Hannibal, continuação de O silêncio dos inocentes. Utiliza a ação como um soco, não deixando de lado a violência, mas sem utilizá-la com exagero. Tanto a trilha sonora de Hildur Guðnadóttir lembra a composição de Jóhann Jóhannsson (infelizmente falecido) quanto a fotografia de Wolski repete tons daquela de Deakins. Em termos narrativos, é claramente diferente do primeiro (mais lento e com transições discretas, uma especialidade de Villeneuve), com uma linearidade mais ligada a um cinema de ação, sem nunca deixar de ser igualmente interessante. Talvez sua recepção menos entusiasmada tenha se dado em razão de uma certa visão política que seria prejudicial ao país focado. Isso, porém, não se expande na abordagem de Sollima: ele apenas confere problemas que estão localizados nesse combate entre personagens ligados aos Estados Unidos e seus vizinhos, sem querer indicar nenhuma solução.

Sicario – Day of soldado, EUA, 2018 Diretor: Stefano Sollima Elenco: Benicio del Toro, Josh Brolin, Isabela Moner, Jeffrey Donovan, Manuel Garcia-Rulfo, Catherine Keener Roteiro: Taylor Sheridan Fotografia: Dariusz Wolski Trilha Sonora: Hildur Guðnadóttir Produção: Basil Iwanyk, Edward L. McDonnell, Molly Smith, Thad Luckinbill, Trent Luckinbill Duração: 122 min. Estúdio: Black Label Media, Thunder Road Pictures Distribuidora: Columbia Pictures, Lionsgate

O predador (2018)

Por André Dick

O filme original da série O predador é de 1987, dirigido por John McTiernan, uma referência em cinema de ação daquela década, a julgar também por Duro de matar, que faria no ano seguinte, rendendo a Bruce Willis sua franquia mais consistente. Ao mostrar um extraterrestre ultraviolento perseguindo militares numa selva da América Central, Arnold Schwarzenegger se destacava no elenco, mas era o visual que o tornava um grande atrativo, assim como o clima claustrofóbico. O predador basicamente era um caçador que farejava a violência. No início dos anos 90, sob outro diretor, Stephen Hopkins, a criatura de outro planeta ressurgiu na cidade grande, em Los Angeles, sendo perseguido por um policial vivido por Danny Glover. Embora nos anos 2000 tenha sido utilizado em filmes da série Alien vs Predador, apenas seu reaproveitamento em Predadores, com Adrien Brody num planeta inóspito, traria verdadeiros acréscimos.

O novo O predador, por sua vez, é uma realização de Shane Black. Desde o roteiro dos quatro filmes da série Máquina mortífera, dos anos 80 e 90, com Mel Gibson e Danny Glover, Black se tornou um especialista em obras sobre duplas. Em O último boy scout, ele colocou, sob direção de Tony Scott, Bruce Willis ao lado de Damon Wayans. Já em 1993, em O último grande herói, ele traz uma homenagem ao cinema de ação, na amizade entre um menino e Arnold Schwarzenegger. Em 2005, Black finalmente estreou na direção com o ótimo Beijos e tiros, uma homenagem ao cinema noir com cores surpreendentes, tendo à frente o dueto entre Val Kilmer e Robert Downey Jr. De qualquer modo, o seu grande ponto alto foi Dois caras legais, uma parceria entre Ryan Gosling e Russell Crowe que teve uma infeliz bilheteria.
Na continuação dos três anteriores, Black e seu roteirista Fred Dekker (que escreveu e dirigiu nos anos 80 o curioso Deu a louca nos monstros), mostram um franco-atirador, Quinn McKenna (Boyd Holbrook), que descobre a figura dos predadores e, antes de ser preso, manda o que restou das armaduras de um para sua casa, numa caixa de correspondência. Ele se separou de Emily (Yvonne Strahovski), com quem vive seu filho Rory (Jacob Tremblay), que possui uma espécie de autismo e sofre bullying no colégio, mas acaba tendo acesso à caixa enviada pelo pai.

O ótimo ator de Moonlight Trevante Rhodes atua como Gaylord “Nebraska” Williams, um ex-fuzileiro naval que participa da operação de caça aos predadores e conhece Quinn num ônibus para prisioneiros militares, enquanto Olivia Munn aparece como Casey Bracket, uma professora e bióloga que logo está em meio ao conturbado universo, tentando ajudar Will Traeger (Sterling K. Brown), agente que investiga a espécie rara. Ainda temos um veterano de guerra, Baxley (Thomas Jane), e Lynch (Alfie Allen), também ex-fuzileiro. Não se pode dizer que no novo O predador haja uma dupla determinada, mas não há dúvida de que Qunn e Nebraska formam uma em momentos decisivos.
É notável que Shane Black, como já havia demonstrado em Homem de ferro 3 e Dois caras legais, tem uma noção clara de como dirigir cenas de ação e, como nesses filmes, ele imprime um humor em situações muitas vezes de tensão. Se o objetivo do espectador é encontrar algo que se aproxime da claustrofobia da selva do primeiro O predador, esta nova empreitada sugere mais um blockbuster com todos os elementos aguardados: o mocinho que tenta se reaproximar do filho, os burocratas do governo querendo estudar uma espécie ameaçadora, os amigos que se juntam num combate que pende mais para o extraterrestre fazer vítimas. Também não há o elemento que se destaca sobretudo nos primeiros filmes, que mostravam um alien sedento por violência.

Há uma mescla clara de gêneros, o que em alguns momentos funciona, em outros não, e é visível que o filme foi editado de outra maneira depois do primeiro trailer vir a público, com destaque sendo dado ao menino Rory. A presença do personagem é muito discreta, e Tremblay não tem possibilidade de mostrar o talento que exibiu em O quarto de Jack, quase como se Black o tivesse inserido para aproximar a franquia de um público infantojuvenil (ele já fizera isso com o garoto que ficava amigo de Tony Stark em Homem de ferro 3), tendo sido impedido por produtores de mostrar mais a sua figura, conforme mostrava o trailer original. De modo geral, o elenco, com exceção de Rhodes e Brown, é bastante limitado, e Holdbrook soa como genérico.
Em termos de efeitos visuais e direção de arte, o novo O predador é competente, dificilmente falhando em ambientações ou explosões que vêm à tona no terceiro ato. Contudo, a simples presença de Shane Black poderia levar o filme a ser o que não se configura: numa grande tomada de ação que pelo menos lembrasse na agilidade e na tensão o de McTiernan, já que, em termos de elenco e localização, a história não propicia maiores momentos. Tudo é muito parecido, na estrutura da história com Super 8, desde o contato de Rory com a nave do predador até as ruas de subúrbio à noite sendo atacadas pelo alien ameaçador – aliás, não por acaso a fotografia é do mesmo Larry Fong que trabalhou com Abrams. Inclusive, há uma sequência num ônibus e outra no colégio de Rory que remetem à maior inspiração de Stranger things. Nesse sentido, a localização pende mais para a despretensão de filmes infantojuvenis dos anos 80 sem nunca aplicar sua própria personalidade e, mesmo que existam momentos até violentos para uma obra assim, eles nunca impedem de ser uma ficção científica comportada em termos de visão e alcance.

The predator, EUA, 2018 Diretor: Shane Black Elenco: Boyd Holbrook, Trevante Rhodes, Jacob Tremblay, Keegan-Michael Key, Olivia Munn, Thomas Jane, Alfie Allen, Sterling K. Brown Roteiro: Fred Dekker, Shane Black Fotografia: Larry Fong Trilha Sonora: Henry Jackman Produção: John Davis Duração: 107 min. Estúdio: Davis Entertainment Distribuidora: 20th Century Fox

10 possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme em 2019

Por André Dick

Abaixo, seleciono alguns possíveis indicados ao Oscar de melhor filme em 2019. Em 2017, acertei apenas 3 candidatos; em 2018, acertei 5. Neste embalo, o Cinematographe vai acabar antecipando todos os indicados 😂, servindo como referência para quem gosta de fazer previsões – isso se a Academia de Hollywood colocar 10 filmes na disputa principal, o que não faz desde 2012. Esta lista sai antes de premiações importantes (Independent Spirit Awards, BAFTA, Globo de Ouro, Festival de Cinema Internacional de Toronto, principalmente), ou seja, depois dos vencedores e indicações delas, as coisas se aclaram um pouco mais. As probabilidades se baseiam em recepção crítica (dos que estrearam até agora; alguns podem ainda ser mal recepcionados) e temas tratados, que agradam mais ou menos à Academia, além dos gêneros de filmes. Por isso, coloco também cinco filmes numa repescagem.

Nasce uma estrela

Estreia na direção de Bradley Cooper, esta nova adaptação da obra de William A. Wellman segue os passos do cantor Jackson Maine (o próprio ator), que se apaixona por uma estrela quase em queda, Ally (Lady Gaga). A boa recepção no Festival de Veneza indica que este é um dos grandes cotados para o Oscar. E mais ainda: vai na linha de La La Land, trazendo à tona o mundo da música, embora aqui não com danças ou direção de arte especialmente criativa. Pelas imagens do trailer e críticas, esta versão dialoga muito com a de 1976, que tinha Kris Kristofferson e Barbra Streisand.

O primeiro homem

Depois do grande desempenho de La La Land, recebendo 6 Oscars, o novo filme de Damien Chazelle mostra a vida do astronauta Neil Armstrong (Ryan Gosling) e sua rotina com a sua primeira esposa Janet Shearon (Claire Foy), até começar a fazer parte da missão coordenada pela Nasa em direção à Lua. As imagens do trailer, com a fotografia de Linus Sandgren, remetem ao estilo de Terrence Malick de A árvore da vida. Ainda no grande elenco estão Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll, Ciarán Hinds, Christopher Abbott, Patrick Fugit e Lukas Haas (o menino de A testemunha). É o filme com mais embalagem de Oscar do ano.

If Beale Street could talk

Baseado num romance de James Baldwin, o novo filme de Barry Jenkins, de Moonlight – Sob a luz do luar, traz no elenco Stephan James, KiKi Layne, Teyonah Parris e Regina King. Kiki Layne é Clementine “Tish” Rivers, apaixonado por Fonny (Stephan James), acusado de estupro. Ela descobre estar grávida e luta para que o marido possa sair da prisão. Será exibido no Festival de Toronto.

Beautiful boy

Este filme, dirigido pelo belga Felix Van Groeningen (Alabama Monroe), está sendo apontado como um dos preferidos da crítica. Traz a amizade e os conflitos entre um pai, Davis Sheff (Steve Carell), e seu filho Nic (Timothée Chalamet). Ele tem elementos para o prêmio, mas Carell ainda é visto com desconfiança pela Academia (foi indicado apenas por Foxcatcher, apesar de suas atuações extraordinárias em A grande aposta e A melhor escolha) e Chalamet já teve muitos holofotes com Me chame pelo seu nome, o que pode ser tão positivo quanto negativo em relação a este filme. Ainda assim, tem todos os elementos para surpreender.

Roma

Produção da Netflix vencedora do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza, Roma prossegue a trajetória exitosa de Alfonso Cuarón, Oscar de direção por Gravidade. Ele faz o mesmo movimento que efetuou depois de sua versão de Grandes esperanças em 1998 em Hollywood, voltando à época ao México para filmar …E sua mãe também. A história foca Cleo (Yalitza Aparicio), de origem indígena, que trabalha como empregada doméstica para uma família de classe média na Cidade do México. Por ser da Netflix, seria uma surpresa a indicação principal – entretanto, sendo de Cuarón, é uma possibilidade. A fotografia em preto e branco é do próprio diretor, substituindo sua parceria com Emmanuel Lubezki.

Eighth grade

O mais antimainstream dos possíveis indicados, Eighth grade é dirigido por Bo Burnham, de 28 anos, conhecido nos Estados Unidos por ser comediante e um youtuber.  A distribuidora A24, que teve um grande 2018, parece menos competitiva este ano. Hereditário não é cotado, assim como Clímax, de Gaspar Noé, e Under the Silver Lake, mal recebido em Cannes. A tarefa ficou com este filme, lançado em Sundance. Ele conta a história de Kayla Day (Elsie Fisher), de 13 anos, que passou sua última semana na Suffern Middle School. Ela lança alguns vídeos no YouTube, mas não recebe a atenção que quer. Eighth grade tem todos os elementos para ser o Lady Bird deste ano.

The favourite

O cineasta grego Yorgos Lanthimos vem sendo acompanhado desde os sucessos Dente canino, Alpes O lagosta e teve um grande momento em 2017 com O sacrifício do cervo sagrado. Nesta peça histórica, ele mostra por que pode ser lembrado pela Academia, depois de receber o Grande prêmio do júri e de melhor atriz (Olivia Colman) no Festival de Veneza. A história se passa na Inglaterra, durante o século XVIII, quando a rainha Anne (Colman) tem uma amiga, Sarah Churchill (Rachel Weisz), governando na realidade em seu lugar. Surge uma nova serva, Abigail Masham (Emma Stone), que é prima de Sarah e passa a ser a nova favorita da rainha. O design de produção é fabuloso, lembrando Barry Lindon e Maria Antonieta.

Infiltrado na Klan

Lançado no Festival de Cannes de 2018, esta talvez seja a oportunidade de Spike Lee ficar mais próximo de um Oscar depois de concorrer pelo roteiro original de Faça a coisa certa. O filme mostra Ron Stallworth (John David Washington), contratado como o primeiro detetive negro no departamento de polícia de Colorado Springs, Colorado. Junto com Flip Zimmerman (Adam Driver), ele pretende desbaratar um grupo da Ku Klux Khan. Lee não costuma ter grandes chances ao Oscar grande parte das vezes (o melhor exemplo é sua cinebiografia Malcolm X, praticamente esquecido nos anos 90, não fosse a indicação para Denzel Washington), porém esta produção vem agradando em geral, o que lhe oferece mais chances.

Mary Queen of Scots

Esta obra de Josie Rourke mostra Mary Stuart (Saoirse Ronan) tentando fazer com que sua prima Elizabeth (Margot Robbie) seja condenada. A junção das atrizes que fizeram sucesso no ano passado com Lady Bird e Eu, Tonya, respectivamente, além da reconstituição de época maravilhosa, faz deste filme um dos possíveis candidatos. Trata-se de um retrato sobre uma relação conflituosa, que, pelo trailer, pode apelar à extrema qualidade ou ao overacting, dependendo da abordagem.

Boy erased

Dirigido pelo ator australiano Joel Edgerton, Boy erased tem um elenco surpreendente, incluindo Russel Crowe, Nicole Kidman, Lucas Hedges e o próprio Edgerton. Hedges, revelação de Manchester à beira-mar e que no ano passado esteve em Três anúncios para um crime e Lady Bird, interpreta Jared Eamons, que é filho de um pastor batista, Marshall (Crowe), e de Nancy (Kidman), no interior dos Estados Unidos e precisa participar de um programa que tentará mudar sua orientação sexual, coordenado pelo terapeuta mental Victor Sykes (Edgerton). É um tema que costuma agradar à Academia de Hollywood.

Repescagem

Widows

Esta nova obra de Steve McQueen é sua primeira depois do êxito de 12 anos de escravidão no Oscar. Ela segue a vida de quatro viúvas que, depois de seus maridos (Liam Neeson, Manuel García-Rulfo, Jon Bernthal e Garret Dillahunt) morrerem, começam a atuar como criminosas. O elenco apresenta Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki e Cynthia Erivo à frente de uma narrativa baseada em roteiro de McQueen e Gillian Flynn, autora de Garota exemplar e Lugares escuros, a partir de um livro de Lynda La Plante.

The ballad of Buster Scruggs

O novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen teve ótima recepção em Veneza, recebendo o prêmio de melhor roteiro. Seu problema é extrafilme: James Franco está em seu elenco e, desde as acusações de assédio no ano passado, seu nome não é bem visto em Hollywood. Distribuído também pela Netflix, ele é um faroeste episódico, com o bom humor conhecido dos seus autores. Pode surpreender, como já o fizeram Fargo e Onde os fracos não têm vez, ou decepcionar, a exemplo de Inside Llewyn Davis.

Pantera Negra

O filme de super-herói da Marvel é um dos cotados à categoria principal do Oscar desde sua estreia. No entanto, deve-se lembrar que Deadpool, cotado em 2016, sequer foi indicado a melhor maquiagem. Por isso, a obra de Ryan Coogler pode até chegar ao prêmio, mas dependerá de os participantes da Academia estarem propensos a finalmente indicar um filme do gênero na categoria principal.

O retorno de Mary Poppins

Este novo filme de Rob Marshall, diretor do oscarizado Chicago, pode tanto render várias indicações, como o original de 1964, quanto ser esquecido. Tudo depende realmente de sua recepção ao final do ano – levando em conta que também se pretende um blockbuster, o que costuma causar rejeição na Academia. No papel de Mary Poppins, Emily Blunt é uma atriz cada vez mais respeitada, sobretudo depois de atuações em Sicario, Um lugar silencioso e A garota no trem.

Backseat

Estrelado por Christian Bale, quase irreconhecível como Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush, uma das figuras que mais se insurgiram, de maneira polêmica, no combate ao terrorismo e em divergências sobre armas de destruição no Iraque, e tendo a seu lado Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Bill Pullman e Alison Pill, Backseat é o novo filme de Adam McKay, que alguns anos atrás concorreu com o surpreendente A grande aposta.

Outros possíveis candidatos: Tully (Jason Reitman), Ilha dos cachorros (Wes Anderson), Old man & the gun (David Lowery), Hereditário (Ari Aster), A garota na teia de aranha (Fede Alvarez), Don’t worry, he won’t get far on foot (Gus Van Sant), Bohemian Rhapsody (Dexter Fletcher), Jogador Nº1 (Steven Spielberg), First reformed (Paul Schrader), The front runner (Jason Reitman), White boy Rick (Yann Demange), On the basis of sex (Mimi Leder), Welcome to Marwen (Robert Zemeckis), Você nunca esteve realmente aqui (Lynne Ramsay), Wildlife (Paul Dano), The miseducation of Cameron Post (Desiree Akhavan), Leave no trace (Debra Granik), Blaze (Ethan Hawke), Creed 2 (Steven Caple Jr.), Suspiria (Luca Guadagnino), Todos lo saben (Asghar Farhad), Peterloo (Mike Leigh), At eternity’s gate (Julian Schnabel), The public (Emilio Estevez), The seagull (Michael Mayer), The son (Denis Villeneuve), The sisters brothers (Jacques Audiard), Missão: impossível: Efeito Fallout (Christopher McQuarrie), Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald (David Yates), Máquinas mortais (Christian Rivers), Life itself (Dan Fogelman), Legítimo rei (David Mackenzie), 22 july (Paul Greengrass), Can you ever forgive me? (Marielle Heller), The children act (Richard Eyre)

Alfa (2018)

Por André Dick

A pré-história, curiosamente, nunca chegou a ser tema de muitos filmes, apesar de seus atrativos. Dirigido por Albert Hughes, o mesmo de O livro de Eli, Alfa tenta romper esse pouco empenho em trazer histórias nesse período. Certamente o mais conhecido do gênero é A guerra do fogo, do diretor de O nome da rosa e O urso, o francês Jean-Jacques Annaud, com excelente nível de produção, ótimas fotografia, direção de arte e maquiagem (premiada justamente pelo Oscar), uma espécie de extensão da primeira parte de 2001. Além disso, o filme ganhou o César (o Oscar francês) de melhor filme.
O filme de Annaud traz um grupo de homens pré-histórico que desconhece o fogo, já descoberto pela tribo inimiga. O que mais importa é o comportamento do homem nessa época, com cenas envolvendo uma mulher (Rae Dwan Chong, de A cor púrpura), e a tentativa de amizade com os mamutes (o que seria imitado em 10.000 a.C., de Roland Emmerich). No todo, é um filme interessante, mas irregular.

Alfa se passa na Europa, em 20.000 a.C., quando tribos de homens caçadores se preparam para a caça a fim de encontrar alimentos suficientes para enfrentar o inverno. O líder dessa tribo, Tau (Jóhannes Haukur Jóhannesson), treina seu filho adolescente Keda (Kodi Smit-McPhee), apesar da negativa de sua esposa Rho (Natassia Malthe). Durante o combate a bisões da estepe, o menino acaba sofrendo um acidente e seu pai imagina que ele acabou morrendo. Isso, no entanto, não aconteceu e a partir daí surge uma luta pela sobrevivência. O ponto mais alto é justamente quando Keda precisa enfrentar uma matilha de lobos, dos quais um fica ferido e a ele se afeiçoa, sendo chamado Alpha. Ele o chama desta maneira certamente porque seu pai é o líder de sua tribo, e ele enxerga no animal uma extensão da liderança e do conhecimento em relação ao território de perigo que o cerca.

É interessante como Hughes faz uma boa mescla entre elementos de A guerra do fogo com a série de animação A era do gelo, mas sob um ponto de vista histórico, sem bom humor. Alfa também parece reproduzir, em alguns momentos, por causa também da paleta de cores, algumas imagens históricas, como aquela, em câmera lenta, do bisão no confronto com Keda, pausando suas imagens em slow motion, com toques ainda de Dança com lobos, mais exatamente de uma cena marcante da obra de Kevin Costner. A partir da imagem que se estabelece entre Keda e o lobo, pode-se identificar uma aproximação não apenas de Dança com lobos como de Caninos brancos, o filme com Ethan Hawke do início dos anos 90. Se Kodi Smit-McPhee fosse um ator mais completo, a narrativa certamente renderia mais. Trata-se de um jovem ator, talvez promissor, mas sem ainda a estrutura para sustentar praticamente sozinho um filme todo. Não que ele não se esforce: quando a narrativa não tem o ímpeto necessário, é por causa das escolhas do roteiro.

Se a primeira parte é levemente previsível, o filme ingressa em seguida numa tentativa de sobrevivência do personagem diante de várias situações, algumas mais plausíveis do que outras. Hughes concilia elementos de filmes de fantasia com a tentativa de reproduzir um período inóspito na vida na Terra. Ele acerta mais quando usa as imagens no sentido poético, com tomadas aéreas que remetem ao documentário Voyage of time, de Terrence Malick, do que explorando a parte técnica de ação. Ou seja, quando ele insere as imagens de maneira mais emocional ele ganha pontos, lembrando, inclusive, o recente Corpo e alma, indicado ao Oscar de filme estrangeiro. A fotografia de Martin Gschlacht não tem a competência de Lubezki, porém consegue oferecer um enquadramento que ressoa junto ao espectador, sobretudo na sequência em que Keda luta contra um lago congelado. De modo geral, Alpha não estabelece da melhor maneira a ligação entre a ideia de família do jovem sobrevivente com sua família e seu clã, e ainda assim Hughes extrai certo crédito das premissas oferecidas.

Alpha, EUA, 2018 Diretor: Albert Hughes Elenco: Kodi Smit-McPhee, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Natassia Malthe Roteiro: Daniele Sebastian Wiedenhaupt Fotografia: Martin Gschlacht Trilha Sonora: Joseph S. DeBeasi Produção: Albert Hughes, Andrew Rona Duração: 96 min. Estúdio: Columbia Pictures, Studio 8, The Picture Company Distribuidora: Sony Pictures

 

25 melhores filmes de Ficção Científica do século XXI (até agora)

Por André Dick

O Cinematographe preparou uma lista com os 25 melhores filmes de Ficção Científica do século XXI até agora. Pode-se dizer que o gênero nunca esteve tão forte quanto nos últimos dez anos, com um número significativo de obras que fazem justiça à imaginação original de Mèlies, principalmente com a revitalização das franquias Star Wars, Star Trek e Alien. O formato das imagens é inspirado naquele do site MUBI e o link com os cartazes dos filmes no Letterboxd está aqui. Segue a lista abaixo. Convido a deixar a sua lista de preferidos na área de comentários.