Vida de adulto (2013)

Por André Dick

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Há uma tendência de se rotular filmes como herméticos e inteligentes e outros como simplesmente descartáveis. Sob este ponto de vista, determinados filmes são lançados e rotulados como desprovidos de uma aura especial de inteligência: Vida de adulto, o mais novo filme com John Cusack, se tornou um deles. Desde seu lançamento, apesar de boas críticas parciais, estávamos diante de um cult fracassado, que não acrescentaria a seu tema, pois simplesmente se prestaria a um determinado humor involuntário. A antítese desse tipo de tratamento seria, por exemplo, aquela concedida a uma obra como Amores imaginários, de Xavier Dolan, por seu tratamento mais influenciado pelo cinema francês.
Com uma rápida trajetória nos cinemas norte-americanos, Vida de adulto foi lançado diretamente em DVD e Blu-ray no Brasil. Enquanto se assiste a ele, pode-se ficar em dúvida sobre o que gostaria de ser: por um lado, é uma comédia estridente, nada discreta e por vezes até excêntrica; por outro, ele consegue ter espaço para um certo drama e conflito existencial da personagem central, Amy, que gostaria de ser poeta e tem como influência Sylvia Plath, cujo suicídio ela tenta imitar já na primeira sequência. Ao contrário de outros filmes sobre o tema literatura, Vida de adulto não conduz seus personagens para um universo à parte, como Dentro da casa ou Depois de maio, ou de pretensa introspecção de um artista, como Inside Llewyn Davis, nem apresenta a densidade de Poesia. No entanto, ao mostrar essa jovem que gostaria de ser vista como um talento poético, com uma atuação exagerada de Emma Roberts (também presente no surpreendente Palo Alto), mas estranhamente convincente em sua mescla de comportamento bipolar e melancolia, e intervalos pop soando o descartável, consegue dizer certamente mais do que os três primeiros, com toda sua seriedade ou sua metalinguagem em parte previsível.

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A história de Vida de adulto se desenvolve em Syracuse, com Amy, que tem como melhor amiga Candace (Shannon Woodward), mais afeita a participar de movimentos pelos quais a amiga não tem nenhum interesse, encontrando emprego numa sex shop, chamada exatamente Adult World. Nela, conhece uma das donas, Mary Anne (Cloris Leachman), e o gerente, Alex (Evan Peters), amigo de um transexual, Rubia (Armand Riesco). No entanto, Amy ainda é virgem e o ambiente em que inicia seu trabalho não seria o mais indicado para compartilhar suas experiências. Em conflito com os pais, Amy encontra seu poeta preferido, Rat Billings (John Cusack), o qual passa a perseguir, sobretudo depois de uma sessão de autógrafos desastrada em que a narrativa esboça seus exageros. Amy quer ser protegida de Billings, investindo numa carreira, mas o filme não desliza para as falhas de Garotos incríveis, o filme bastante superestimado de Curtis Hanson, mostrando Billings como um autor no mínimo irônico, a melhor atuação de John Cusack em vários anos, e com alguma influência de O lado bom da vida, no ritmo de conversas entre os personagens.
A inclusão de Cusack não acontece por acaso: com uma bela fotografia de James Laxton, dialogando com filmes independentes, o clima e a atmosfera, também da trilha sonora (assinada quase completamente pela Handsome Furs), de Vida de adulto é de anos 80, além de determinados maneirismos de Cusack que vimos em Matador em conflito. O cinema dos anos 80 ficou também conhecimento pela vertente de filmes jovens apoiada por John Hughes, com peças que acabaram se tornando referenciais, como Gatinhas e gatões, O clube dos cinco e A garota de rosa shocking, para não falar em Curtindo a vida adoidado. No final da década de 90, Alexander Payne conseguiu utilizar a inteligência do cinema de Hughes com uma vertente de cinema considerado indie em Eleição – e o que temos neste trabalho de Coffey é um aproveitamento de ambas as vertentes sob o ponto de vista do humor estridente, com alguns elementos do ótimo Jovens adultos, em que Jason Reitman mostrava uma escritora, interpretada por Charlize Theron, voltando à sua cidade depois de se tornar ghost-writer de livros infantojuvenis.

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Vida de adulto pode mesmo se tornar um filme exagerado, mas não é possível ficar indiferente à maneira como ele vai combinando os personagens de forma despretensiosa e aparentemente sem conflitos quando na verdade reserva uma visão corrosiva sobre aquilo que pretensamente é visto como cult ou respeitável – e a personagem central, ao mesmo tempo em que não se sente com talento, sempre agindo de acordo com clichês de comportamento (como em outro momento no qual Amy tenta seduzir Billings), sendo, por outro lado, estranhamente, uma figura original.  Sua amizade com Rubia, em grande atuação de Riesco, não chega a ser explorada da maneira que poderia, mas Evan Peters, como seu amigo de loja Alex, consegue, ao mesmo tempo, soar como uma inclinação a um romance verdadeiro. Peters, para isso, é bastante convincente, situado entre o interesse por Amy e uma insegurança em demonstrá-lo. No entanto, é a desenvoltura da relação entre os personagens de Amy e Billings que dá o tom do filme e, consequentemente, as atuações de Roberts e Cusack. Há pelo menos duas sequências excelentes (em que Cusack é plenamente confrontado com a falta de discrição de Amy), quando o elenco se mostra efetivo.
Nesse sentido, o que, no início, parecia apenas uma sátira se transforma em um filme mais interessante do que se previa, estranhamente emocional, beirando o limite do seu tema, por causa não apenas de Roberts e Cusack, mas por seu diretor Scott Coffey (que fez Ellie Parker, com Naomi Watts). Coffey foi ator nos anos 80 e trabalhou, de forma quase invisível, como um dos coelhos de Império dos sonhos, de David Lynch, e sentimos que aqui ele se coloca como autor. É ele o responsável pelos maiores acertos de Vida de adulto, no qual existe mais do que pede para ser visto: sua alegria desmedida, que não se leva a sério, parece esconder tanto a despedida de toda uma estação na vida dessa personagem quanto os idos de uma geração, que perdeu a inocência, além do fato de que não é possível se esconder do seu destino mesmo sem ter ao lado Rilke, Octavio Paz ou Billings. Quando as luzes de uma discoteca se acendem e Amy parece descobrir o mundo adulto, ao som de “Repatriated”, há uma estranha sensação de que a personagem não se sentiria mais tão excluída do mundo se participasse de uma antologia apenas como fonte de diversão e afastamento de tudo, e o espectador embarca com ela para uma jornada desconhecida. Gostando-se ou não de Vida de adulto, ele proporciona essa jornada com grande autenticidade.

Adult world, EUA, 2013 Diretor: Scott Coffey Elenco: Emma Roberts, John Cusack, Evan Peters, Armando Riesco, Shannon Woodward, Cloris Leachman Roteiro: Andy Cochran Fotografia: Gina Hirsch, James Laxton Trilha Sonora: BC Smith Produção: Alex Goldstone, Joy Gorman, Justin Nappi, Manu Gargi Duração: 97 min. Distribuidora: Califórnia Filmes Estúdio: Anonymous Content / Treehouse Pictures

Cotação 4 estrelas e meia

Transcendence – A revolução (2014)

Por André Dick

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Quando foi anunciada a estreia de Wally Pfister, diretor de fotografia dos filmes de Cristopher Nolan, com Johnny Depp, à frente de uma grande produção, logo se criou uma grande expectativa. Talvez seja esta mesma expectativa que tenha feito o estúdio colocar Transcendence – A revolução um pouco antes das estreias de verão, como se fosse um blockbuster destinado a arrecadar milhões. Com grande prejuízo nas bilheterias e um rastro de críticas em parte bastante negativas, o filme de Pfister não conseguiu criar uma empatia direta, mesmo com seu elenco: além de Depp, Morgan Freeman e Rebecca Hall, para citar apenas os principais. Filmes de ficção científica com fundo filosófico dificilmente conseguem, de qualquer modo, atrair uma grande bilheteria, independente de seus objetivos: é quando a ficção se mescla com cenas de movimento contínuo que o gênero costuma crescer em todos os sentidos – e se tiver espaçonaves e batalhas espaciais quanto mais melhor. E é importante não esquecer: Godzilla foi um grande sucesso de bilheteria e mesmo elogiado por grande parte da crítica estrangeira, mesmo sendo o filme que, de fato, é.
Daí não ser uma surpresa que Transcendence tenha sido recebido com tanta desconfiança, além, claro, de que sua história não estava interessada em puxar os elementos mostrados para o lado espetacular da questão, preferindo se manter com uma certa reserva e um certo tom de onirismo ao longo de sua narrativa. Esta mostra um cientista, Will Caster (Johnny Deep), casado com Evelyn (Rebecca Hall), que, quando está fazendo uma palestra sobre a inteligência artificial, descobre a existência do grupo Revolutionary Independence From Technology (RITF). Ao mesmo tempo, há a presença do agente do FBI Donald Buchanan (Cillian Murphy), acompanhado do cientista do governo Joseph Tagger (Morgan Freeman), investigando a história. Caster tem o objetivo de retornar de maneira a princípio inacreditável: ele tenta transferir sua consciência para um computador. Tendo o apoio da mulher, mas a desconfiança de seu melhor amigo, Max Waters (Paul Bettany), Caster tentará se tornar uma espécie de humano habitando um sistema de informática, quase uma versão masculina do Ela de Spike Jonze.

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Enquanto isso, Max é perseguido por  Bree (Kate Mara), o líder do RIFT, e, na medida em que terá de se decidir em trair Caster ou segui-lo, e do mesmo modo continuar fiel à imagem de sua amiga, Max se tornará um personagem deslocado pelos acontecimentos.
Caster quer ainda mais: criar no deserto um lugar em que as pessoas possam ir se tratar, com ganhos envolvendo a a biologia, a tecnologia e as nanotecnologias. Estão aí todos os elementos de uma ficção científica de interesse, e Pfister os trabalha com cuidado. No início, dispondo os personagens em cena, já é possível sentir uma certa atmosfera melancólica, inusitada neste tipo de filme. Os personagens estão em contato uns com os outros, mas ao mesmo tempo parece haver um afastamento.  E, se a trama oferece a impressão de andar lenta demais, é mais porque Transcendence, embora pareça, não segue o ritmo da maioria dos blockbusters, preferindo se concentrar na relação entre Caster e Evelyn. Esta é baseada no conhecimento científico e nas descobertas, mas não consegue nunca ganhar corpo porque ambos os personagens se situam e se comportam como pessoas deslocadas. Na verdade, eles parecem sempre estar em sonhos ou transições de energia, como o da internet, nunca em lugares fixos ou determinados. O quarto de Caster e Evelyn, por exemplo, é um exemplo de lugar que aparenta ser acolhedor, mas esconde os conflitos do casal deixados em vida. O fato de se fazer o upload da consciência de Caster para um computador não significa, para Evelyn, que ele de fato exista, mas que pode ser ameaçador e dominador como a rede da internet em que ele pretende sobreviver e se espalhar.
Não é por acaso, neste sentido, que Transcendence, a partir de sua segunda metade, prefira mostrar a tentativa de Caster criar uma comunidade no meio do deserto, na cidadezinha de Brightwood. As imagens de Transcendence neste deserto são ao mesmo tempo vagarosas e contemplativas, sugerindo um espaço-tempo indefinido e lembram as do início do filme 2010 – O ano em que faremos contato, quando o sol está nascendo em frente a placas de energia solar. A direção de arte do filme de Hyams tem semelhanças com a do filme de Pfister, sendo que esta é ainda mais elaborada e evoca sempre um sentimento de solidão e afastamento do mundo. O cenário dialoga com a tentativa de Caster é soar como um deus capaz de regenerar – ou de transcender, conforme o título – toda a humanidade à sua volta. Como Caster, Depp está num limite tênue entre a apatia e a frieza tecnológica, mas talvez seja uma necessidade de não soar como seus personagens ligados aos filmes de fantasia, enquanto Hall demonstra o talento já mostrado em outros filmes, compondo uma mulher situada entre o mundo experimental e a preocupação de lidar com algo que pode fugir ao controle.

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Dentro do que se propõe, ele cumpre o que Pfister organiza com a lentidão de sua narrativa, sem nenhum momento estridente de ação no sentido em que o cinema vem se moldando nos últimos anos. Embora haja elementos de filmes de Nolan, sobretudo de A origem, sobretudo numa certa confluência entre a bela trilha sonora de Mychael Danna (As aventuras de Pi), fotografia de Jesse Hall (The spectacular now) e diálogos, fazendo com que esses soem o tempo todo dispersos ou vagando pelo espaço pelo qual a narrativa se move, os personagens parecem estar sempre conversando com computadores, como se a consciência humana tivesse sido deslocada para esse compartimento, e há imagens de grande sensibilidade, sobretudo quando mostra o corpo como uma coleção de partículas, em contraste com as tormentas que surgem. Transcendence consegue muito mais empregar uma elegância por meio de seu trabalho de fotografia e diálogos breves e soltos, com o apuro de uma montagem não linear, mas que ao longo da narrativa se torna mais confusa e mais evocativa. É interessante como Pfister, por exemplo, mostra os ambientes da universidade, de maneira asséptica, e dos laboratórios e corredores em que Caster passa a trabalhar com as nanotecnologias com a mesma luminosidade de Apichatpong Weerasethakul em Síndromes e um século, assim como é compreensível que o início do filme antecipe o seu final, como uma rede ligada a outra, em que os pontos devem se conectar. Mais ainda é a maneira como Pfister filma, no início, uma gota-d’água num lugar-chave para o casal – e essa gota antecipará a verdadeira transcendência, numa imagem sobretudo elaborada, fixando-se também na semelhança com o campo de placas de energia em Brightwood, que lembram girassóis voltados para o céu. Pfister certamente não está conduzindo a humanidade, em seu filme, a uma fuga dos compromissos modernos e contemporâneos por meio dos computadores, mas vendo a base desse sentimento pela consciência artificial. Neste sentido, Transcendence é um filme que, mais do que pontos bastante interessantes a serem discutidos, foge a qualquer traço de simples filme comercial, daí sua maior originalidade e aquilo que equivale a seu título.

Transcendence, EUA, 2014 Diretor: Wally Pfister Elenco: Johnny Depp, Morgan Freeman, Rebecca Hall, Paul Bettany, Kate Mara, Cillian Murphy, Cole Hauser, Clifton Collins Jr. Roteiro: Jack Paglen Fotografia: Jess Hall Trilha Sonora: Mychael Danna Produção: Andrew A. Kosove, Annie Marter, Broderick Johnson, Kate Cohen, Marisa Polvino Duração: 119 min. Estúdio: Alcon Entertainment / Straight Up Films

Cotação 4 estrelas

 

Uma aventura LEGO (2014)

Por André Dick

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Nos últimos anos, Wes Anderson está acostumado a tomar como base o universo de Roald Dahl para suas histórias, principalmente no reino do stop-motion em que figura O fantástico Sr. Raposo, ao mesmo tempo em que a série Toy Story definiu a cultura dos brinquedos em movimento. Em meio a isso, mesmo o personagem de um jogo, Ralph, se revolta contra sua sina de figurar sempre como vilão, e tenta fugir ao lugar-comum. Brinquedos ou aquilo que os suscita nunca estiveram distantes das cifras e da imaginação infantil, e se vierem em 3D poderão garantir ainda mais entretenimento. Não demoraria, diante deste panorama, que se tivesse a ideia para uma própria marca de brinquedos tivesse o seu filme e, com o auxílio fundamental da Warner Bros, ela se materializou com Uma aventura LEGO, que no início deste ano superou nas bilheterias o favorito Caçadores de obras-primas, de George Clooney, e coloca o stop-motion como o seu principal trunfo, assim como em Sr. Raposo, de Anderson, constituindo-se num exemplo para futuras incursões na área. O intuito do filme, depois de sua primeira meia hora, é homenagear a cultura pop, sobretudo aquela que surge dos quadrinhos e do cinema. Mas, até certo ponto, é essa cultura que acaba criando força sobretudo junto às crianças, conseguindo fazer com que elas consigam estabelecer um diálogo entre a tecnologia em que já são inseridas desde cedo e as peças nostálgicas que lembram mais a imaginação colocada em verdadeira prova.
O início de Uma aventura LEGO parece uma homenagem a O senhor dos anéis e Star Wars, mas depois que o roteiro se fixa na figura de Emmett, o filme parece destinado mais a ser uma homenagem, em diversos tempos, à série Matrix. Emmet Brickowoski (Chris Pratt) é recebido como uma espécie de predestinado a salvar o universo ameaçado por Lord Business (com a voz de Will Ferrell), que pretende neutralizar a liberdade da criação com a descoberta de um certo Kragle.

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Depois de uma passagem por seu local de emprego – e brinquedos podem não parar de cantar por 5 horas, sobretudo se for a canção “Tudo é possível” –, ele acaba caindo numa rede de aventuras, quando Emmett conhece a Wildsyle (Elizabeth Banks), e um mago, Vitruivius (com toda a carga de sabedoria para um nome de origem latina, embora com conhecimento suficiente na área em que Emmett deve atuar), que lembra Gandalf e Obi Wan-Kenobi, com algumas mensagens que poderiam soar como as deYoda, não fosse a voz de Morgan Freeman. Atrás deles, vem o policial Good Cop/Bad Cop, ou seja, com duas faces (a boa e a ruim), uma espécie de Gollum com distintivo e com voz de Liam Neeson. Ao trio se junta Batman (Will Arnett), namorado de Wildstyle. Depois de Burton e Nolan, não surpreende que o Batman aqui só queira trabalhar com peças de montagem escuras ou cinzas e em determinado momento pode até mesmo conhecer Han Solo, Lando Calrissian e Chewbacca (num anúncio prévio para o novo filme da franquia de J.J. Abrams), reproduzindo, inclusive, uma imagem icônica de O império contra-ataca que envolve a Millenium Falcon.
Todo o filme é desenhado num fluxo de visitação a alguma fábrica da Lego ou de estúdios alternando cenários para que os personagens passem em movimento contínuo, e não estaria dizendo a verdade se não admitisse que os bonecos lembraram de quando a infância reservava sempre um tempo para a imaginação – principalmente na passagem de Uma aventura LEGO pelo velho oeste, influenciada pelo gênero do faroeste, tão em voga entre os anos 50 e 70, com um certo clima do Rango de Verbinski, mas sem esquecer por sua evolução em meio aos piratas da Middle Zealand, em que se evoca a franquia também da parceria Johnny Depp e Verbinski, Piratas do Caribe. Essas mudanças repentinas de lugar podem dialogar não apenas com o universo Lego, mas com A história do mundo (de Mel Brooks) e O sentido da vida (do grupo Monty Phyton), com a diferença de que aqui a história da humanidade se desenha com um fluxo de homenagens de vertente pop, com a colaboração das vozes dos atores para oferecer mais humanidade a todo o cenário, que em alguns momentos pode lembrar também os espaços de Tron, sobretudo na alternância entre mundos, ainda mais clara ao final. Tudo é acelerado, como se fosse parte de uma mente que, cansada de um lugar, se transporta imediatamente para outro, e o aspecto frenético pode ser uma influência clara de Edgar Wright, que fez Chumbo grosso e Scott Pilgrim contra o mundo, principalmente no modo que é feito a transição de uma cena para outra – quando, se a gag visual ou verbal não funciona, logo é coberta por outra, capaz de fazer esquecer a anterior, que não teria dado certo (também poderia se imaginar o personagem de Emett com a voz de Michael Cera).

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Com uma agilidade grande na composição de peças, o filme não interrompe sua sucessão de imagens e efeitos plásticos, com uma sobreposição constante de cores fortes, não se permitindo a intervalos, e há referências a muitos filmes, mas também porque surgem, em diferentes momentos, Lanterna Verde (Jonah Hill) e Superman (Channing Tattum) – numa homenagem aos heróis da DC Comics, da Warner Bros. Parte do imaginário infantil está retratado no filme, e o herói faz parte das unidades que seguem todas as regras, com uma desenvoltura incomum para a sua construção diária de prédios. No entanto, o que Uma aventura LEGO propõe é que a imaginação terá de ser mais forte para compensar a existência deste universo, e o personagem Emmet acaba sendo o ponto-chave para o êxito: os criadores do filme conseguiram torná-lo num brinquedo com sensações críveis ligadas tanto à sua insegurança quanto ao romantismo que reserva pela rebelde Wildstyle (nisso, a voz de Chris Pratt colabora para que isso aconteça). Neste sentido, ele dialoga diretamente com um dos clássicos infantis da década de 80, A história sem fim, em que o personagem, trancado num sótão de colégio, se permitia viajar com sua imaginação pela Terra de Fantasia, com as figuras mais interessantes. É certamente o poder da imaginação que faz com que Uma aventura LEGO não se torne um encaixe desvariado de peças, mas de fato um filme que questiona até que ponto essa mesma cultura pop permite uma criação de seu próprio mundo, individual. Embora ele não consiga atingir o grau de emoção que envolve os personagens de A história sem fim, não é por falta de tentativa, de forma mais destacada em seu final, quando o humor é atenuado em prol até de uma mensagem. Possivelmente, a sua crítica corrosiva ao imaginário pré-concebido seja dirigido aos próprios criadores do brinquedo Lego – mas sem a mesma contundência, pois se trata, claro, também de uma homenagem à empresa. No entanto, é por meio desse imaginário pré-concebido que pode surgir exatamente o possível caminho de Emett, que é construir suas peças distante do manual que antecipa o que deve ser feito. Uma aventura LEGO tenta fazer o mesmo com o espectador, e este pode estar disposto ou não a aceitar a diversão oferecida.

The Lego movie, EUA, 2014 Diretores: Christopher Miller, Phil Lord Elenco: Chris Pratt, Will Ferrell, Elizabeth Banks, Will Arnett, Nick Offerman, Alison Brie, Morgan Freeman, Charlie Day, Liam Neeson Roteiro: Christopher Miller, Dan Hageman, Kevin Hageman, Phil Lord Trilha Sonora: Mark Mothersbaugh Produção: Dan Lin, Roy Lee, Stephen Gilchrist Duração: 104 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: Animal Logic / LEGO / Lin Pictures / Warner Bros. Pictures  

Cotação 3 estrelas

Melhores filmes 1990-1999

Por André Dick

Melhores filmes.1990.1999.Cinematographecinemafilmes

Com o intuito de organizar uma seleção de filmes da década de 1990, assim como aconteceu em relação aos anos 80, é apresentada, aqui, uma lista de melhores a cada ano, de 1990 a 1999, cada uma seguida por menções honrosas. O cinema dos anos 90 é um dos mais interessantes já realizados, não apenas por sua multiplicidade, mas pela maneira como muitos de seus filmes continuam influenciando a produção contemporânea.
Caso selecionemos apenas o período entre 1990 e 1992, veremos alguns dos filmes mais importantes e referenciais já feitos, trazendo a concretização de cineastas que surgiram nos anos 70 e 80, a exemplo de Martin Scorsese, Steven Spielberg, Tim Burton, David Lynch, David Cronenberg, Oliver Stone, Woody Allen, Joel e Ethan Coen, Gus Van Sant, Brian De Palma, Jim Jarmusch, entre outros – e, após o início da década, um lento desaparecimento de Francis Ford Coppola, tão destacado nas décadas de 70 e 80. Dos cineastas norte-americanos que começaram a produzir em décadas anteriores, quem se firmou nessa década foi Clint Eastwood, que desde os anos 80 tentava encontrar seu estilo por trás das câmeras.
Há alguns movimentos, voluntários ou não, nessa década, e remetem ao cinema iraniano, com nomes como Abbas Kiarostami e Majid Majidi; ao cinema oriental, com nomes como Wong Kar-Wai, Ang Lee (que ao final da década já estava em Hollywood), Zhang Yimou, John Woo – de filmes de ação – e ainda, no início da década de Akira Kurosawa; e ao movimento (de fato) Dogma 95, de Thomas Vinterberg e Lars von Trier.
O cinema francês também continuou marcando presença destacada, sobretudo com a obra de Leos Carax, embora o principais nomes da Europa sejam os de Krzysztof Kieślowski, em razão da Trilogia das Cores, que marcaria toda a década, e do húngaro Béla Tarr. Ao lado de ambos, o mais comentado foi o de Pedro Almodóvar. Mas também Michael Haneke antecipou seus filmes dos anos 2000, com uma mescla entre Hitchcock e as ameaças contemporâneas de uma cultura que tenta compreender de onde surge a violência. Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro fizeram Delicatessen, Bruno Dumont firmou-se e Jean-Pierre e Luc Dardenne se destacaram, sobretudo em Cannes.
Também surgiram alguns grandes nomes do cinema norte-americano, de forma independente, naquele mercado a que se deu o nome de indie: Quentin Tarantino, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Spike Jonze, Hal Hartley, Richard Linklater, Sofia Coppola e Todd Solondz.
Além dos Irmãos Washowski, em Bound e Matrix, no gênero noir e de ficção científica, e de Peter e Bob Farrelly, no campo da comédia.
Com Alien3 surgiu David Fincher, até então diretor de videoclipes e dando início à carreira, que prosseguiria com Seven, Vidas em jogo e Clube da luta.
Do México, surgem Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón. Da Inglaterra, surge Danny Boyle, com Cova rasa e Trainspotting, e Mike Leigh, Jim Sheridan, James Ivory e Terry Gilliam se reafirmam. Da Itália, Giuseppe Tornatore passa a ser uma referência, depois de surgir nos anos 80 com Cinema Paradiso. Na Suécia, surge Lukas Moodysson e na Alemanha Tom Tykwer.
Cineastas europeus firmaram a carreira em Hollywood, como Lasse Hallström e Paul Verhoeven.
Em 1998, tivemos o retorno de Terrence Malick, e em 1999 a despedida de Stanley Kubrick. A animação dos estúdios Walt Disney regressou com títulos com A bela e a feraAladdin e O rei leão, mas quem se tornou realmente destacado no gênero foi o cineasta Hayao Miyazaki. Entre os cineastas brasileiros, Walter Salles revelou um grande talento em A grande arte (sua estreia), Central do Brasil, Terra estrangeira (esses dois em parceria com Daniela Thomas)  e Carlos Reichenbach fez o antológico Alma corsária.
Como observado na lista aos melhores filmes dos anos 1980, alguns filmes que não agradam na primeira visão se mostram interessantes e até mesmo indispensáveis quando revisitados. Do mesmo modo, outros que a princípio parecem indispensáveis, com o passar dos anos parecem ter o impacto reduzido e se tornam menos importantes. A premissa de que um filme é bom ou fraco muitas vezes varia, mas a distância dos anos parece ser a melhor maneira de constatar isso. Os anos de cada filme estão de acordo com o IMDb, com raras exceções.
Espera-se que as listas levem você, cinéfilo e leitor, a rever ou descobrir alguns desses filmes.

1. Close-up (Abbas Kiarostami)
2. O céu que nos protege (Bernardo Bertolucci)
3. Sonhos (Akira Kurosawa)
4. A viagem do capitão Tornado (Ettore Scola)
5. Edward, mãos de tesoura (Tim Burton)
6. Coração selvagem (David Lynch)
7. O poderoso chefão III (Francis Ford Coppola)
8. Estamos todos bem (Giuseppe Tornatore)
9. Dick Tracy (Warren Beatty)
10. Dias selvagens (Wong Kar-Wai)

***

11. Filhos da guerra (Agnieszka Holland) 12. Horas de desespero (Michael Cimino). 13. Alucinações do passado (Adrian Lyne) 14. Coração de caçador (Clint Eastwood) 15. Os bons companheiros (Martin Scorsese) 16. Confiança (Hal Hartley) 17. Linha mortal (Joel Schumacher) 18. Dança com lobos (Kevin Costner) 19. Avalon (Barry Levinson) 20. Tempo de despertar (Penny Marshall)

***

Menções honrosas: Ata-me (Pedro Almodóvar), Lembranças de Hollywood (Mike Nichols), Darkman (Sam Raimi), De volta para o futuro III (Robert Zemeckis), Nikita (Luc Besson), Louca obsessão (Rob Reiner), Loucos de paixão (Luis Mandoki), O vingador do futuro (Paul Verhoeven), Te amarei até te matar (Lawrence Kasdan), Destino em dose dupla (James Orr), Stelinha (Miguel Faria Jr.), Uma história americana (Richard Pearce), Esqueceram de mim (Chris Columbus), As aventuras na ilha do tesouro (Frase Clarke Heston), Minha mãe é uma sereia (Richard Benjamin), Jovem demais para morrer (Geoff Murphy), A chave do enigma (Jack Nicholson), RoboCop 2 (Irvin Kershner), Aracnofobia (Frank Marshall), O ataque dos vermes malditos (Ron Underwood), Duro de matar 2 (Renny Harlin), Acima de qualquer suspeita (Alan J. Pakula), Meu pequeno paraíso (Herbert Ross), Simplesmente Alice (Woody Allen), Mais e melhores blues (Spike Lee), A fogueira das vaidades (Brian De Palma), Gremlins 2 (Joe Dante)

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1. JFK – A pergunta que não quer calar (Oliver Stone)
2. Os amantes da Pont-Neuf (Leos Carax)
3. O boi (Sven Nykvist)
4. Cabo do medo (Martin Scorsese)
5. Brincando nos campos do senhor (Hector Babenco)
6. Barton Fink – Delírios de Hollywood (Joel e Ethan Coen)
7. Nosso querido Bob (Frank Oz)
8. Até o fim do mundo (Wim Wenders)
9. Delicatessen (Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro)
10. A grande arte (Walter Salles)

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11. Kafka (Steven Soderbergh) 12. Grand Canyon – Ansiedade de uma geração (Lawrence Kasdan) 13. Mediterrâneo (Gabrielle Salvatores) 14. Tomates verdes fritos (Jon Avnet) 15. O silêncio dos inocentes (Jonathan Demme) 16. Os donos da rua (John Singleton) 17. Frankie & Johnny (Garry Marshall) 18. Um conto americano 2 – Fievel vai para o oeste (Phil Nibbelink, Simon Wells) 19. Lanternas vermelhas (Zhang Yimou) 20. Jornada nas estrelas VI – A terra desconhecida (Nicholas Meyer)

***

Menções honrosas: As noites de Rose (Martha Coolidge), Cortina de fogo (Ron Howard), Voltar a morrer (Kenneth Branagh), Rocketeer (Joe Johnston), Garotos de programa (Gus Van Sant), Minha vida (Bruce Joel Rubin), Robin Hood (Kevin Reynolds), Corra que a polícia vem aí 2 ½ (David Zucker), Liebestraum (Mike Figgis), Aprendiz de feiticeiro (John Badham), É pura sorte (Nadia Tass), O último boy scout (Tony Scott), Mentes que brilham (Jodie Foster), Caninos brancos (Randal Kleiser), Meu querido intruso (Lasse Hallström), Para eles, com muito amor (Mark Rydell), L.A. Story (Mick Jackson), Uma segunda chance (Mike Nichols), Point Break – Caçadores de emoções (Kathryn Bigelow), A dupla vida de Veronique (Krzysztof Kieślowski), Hook – A volta do capitão Gancho (Steven Spielberg), A bela e a fera (Gary Trousdale, Kirk Wise), Febre da selva (Spike Lee), O exterminador do futuro 2 – O julgamento final (James Cameron), Thelma & Louise (Ridley Scott)

1. Twin Peaks – Os últimos dias de Laura Palmer (David Lynch)
2. Questão de honra (Rob Reiner)
3. Vida e nada mais (e a vida continua) (Abbas Kiarostami)
4. O sucesso a qualquer preço (James Foley)
5. Os imperdoáveis (Clint Eastwood)
6. O jogador (Robert Altman)
7. Simples desejo (Hal Hartley)
8. O fim de um longo dia (Terrence Davies)
9. Maridos e esposas (Woody Allen)
10. Chaplin (Richard Attenborough)

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11. Perfume de mulher (Martin Brest) 12. Lua de fel (Roman Polanski) 13. O vídeo de Benny (Michael Haneke) 14. Herói por acidente (Stephen Frears) 15. Como água para chocolate (Alfonso Arau) 16. Ratos e homens (Gary Sinise) 17. O óleo de Lorenzo (George Miller) 18. Aladdin (Ron Clements, John Musker) 19. Vem dançar comigo (Baz Luhrmann) 20. Os irresistíveis falsários (Helmut Dietl)

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Menções honrosas: Síndrome de Caim (Brian De Palma), Drácula de Bram Stoker (Francis Ford Coppola), Porco Rosso – O último herói romântico (Hayao Miyazaki), As melhores intenções (Bille August), Alien3 (David Fincher), A testemunha ocular (Howard Franklin), Batman – O retorno (Tim Burton), Indochina (Régis Wargnier), Desejos (Phil Joanou), Traídos pelo desejo (Neil Jordan), Mudança de hábito (Emile Ardolino), O último dos moicanos (Michael Mann), Instinto selvagem (Paul Verhoeven), O passageiro do futuro (Brett Leonard), Um sonho distante (Ron Howard), Bob Roberts (Tim Robbins), O amante (Jean-Jacques Annaud), 1492 – A conquista do paraíso (Ridley Scott), Retorno a Howards End (James Ivory), Quanto mais idiota melhor (Penelope Spheeris), Cães de aluguel (Quentin Tarantino), Vida de solteiro (Cameron Crowe), Meu primo Vinny (Jonathan Lynn), Para o resto de nossas vidas (Kenneth Branagh), Um peixe fora d’água (Fred Shepisi), Malcolm X (Spike Lee), Perdas e danos (Louis Malle)

Melhores filmes.1993.Cinematographe

1. Vale Abraão (Manoel de Oliveira)
2. Short Cuts – Cenas da vida (Robert Altman)
3. Terra das sombras (Richard Attenborough)
4. A liberdade é azul (Krzysztof Kieślowski)
5. O pagamento final (Brian De Palma)
6. Alma corsária (Carlos Reichenbach)
7. Gilbert Grape – Aprendiz de sonhador (Lasse Hallström)
8. Jurassic Park – Parque dos dinossauros (Steven Spielberg)
9. Um misterioso assassinato em Manhattan (Woody Allen)
10. Madadayo (Akira Kurosawa)

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11. Jovens, loucos e rebeldes (Richard Linklater) 12 Um mundo perfeito (Clint Eastwood) 13. Vestígios do dia (James Ivory) 14. Morango e chocolate (Tomás Gutiérrez Alea, Juan Carlos Tabío) 15. Na linha de fogo (Wolfgang Petersen) 16. A lista de Schindler (Steven Spielberg) 17. Feitiço do tempo (Harold Ramis) 18. Cronos (Guillermo del Toro) 19. O banquete de casamento (Ang Lee) 20. Em nome do pai (Jim Sheridan)

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Menções honrosas: Matinê (Joe Dante), Muito barulho por nada (Kenneth Branagh), Um dia de fúria (Joel Schumacher), O pequeno Buda (Bernardo Bertolucci), Uma mulher para dois (John McNaughton), Dias amargos (Marshall Herskovitz), Dave – Presidente por um dia (Ivan Reitman), A casa dos espíritos (Bille August), Coração indomável (Tony Bill), Benny e Joon – Corações em conflito (Jeremiah S. Chechick), Risco total (Renny Harlin), Caminho de pedras (Tony Bill), Evil Dead 3 (Sam Raimi), O fugitivo (Andrew Davis), O jardim secreto (Agniezka Holland), O piano (Jane Campion), Não chame a polícia (E. Max Frye), Filadélfia (Jonathan Demme), A família Addams 2 (Barry Sonnefeld), Os três mosqueteiros (Stephen Herek), A noite que nunca nos encontramos (Warren Leight), A época da inocência (Martin Scorsese)

1. Satantango (Béla Tarr)
2. Pulp fiction – Tempo de violência (Quentin Tarantino)
3. Ed Wood (Tim Burton)
4. A fraternidade é vermelha (Krzysztof Kieślowski )
5. Forrest Gump – O contador de histórias (Robert Zemeckis)
6. Um sonho de liberdade (Frank Darabont)
7. Cinzas do passado (Wong Kar-Wai)
8. Tiros na Broadway (Woody Allen)
9. O carteiro e o poeta (Michael Radford)
10. A guerra dos botões (John Roberts)

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11. A igualdade é branca (Krzysztof Kieślowski) 12. O profissional (Luc Besson) 13. Comer beber viver (Ang Lee) 14. Assassinos por natureza (Oliver Stone) 15. O casamento de Muriel (P.J. Hogan) 16. Amores expressos (Wong Kar-Wai) 17. Entrevista com o vampiro (Neil Jordan) 18. A morte e a donzela (Roman Polanski) 19. A teta e a lua (Bigas Luna) 20. Lobo (Mike Nichols)

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Menções honrosas: Céu azul (Tony Richardson), True lies (James Cameron), Ninguém segura este bebê (Patrick Read Johnson), Maverick (Richard Donner), Debi & Loide (Peter e Bob Farrelly), Priscila – A rainha do deserto (Stephan Elliott), Quatro casamentos e um funeral (Mike Newell), Tão longe, tão perto (Wim Wenders), O rio selvagem (Curtis Hanson), Assédio sexual (Barry Levinson), Corina, uma babá perfeita (Jessie Nelson), Almas gêmeas (Peter Jackson), Na roda da fortuna (Joel e Ethan Coen), Atraídos pelo destino (Andrew Bergman), Os cabeças de vento (Michael Lehmann), Velocidade máxima (Jan de Bont), Loucas férias de verão (Bob Clark), Amazônia em chamas (John Frankenheimer), O cliente (Joel Schumacher), O rei leão (Roger Allers, Rob Minkoff), O guarda-costas e a primeira dama (Hugh Wilson), Uma virada do destino (Gillies MacKinnon), Clifford (Paul Flaherty), Com mérito (Alek Keshishian), O jornal (Ron Howard), Prêt-à-porter (Robert Altman)

1. Bem-vindo à casa de bonecas (Todd Solondz)
2. Seven (David Fincher)
3. Dead man (Jim Jarmusch)
4. Anjos caídos (Wong Kar-Wai)
5. As pontes de Madison (Clint Eastwood)
6. Babe – O porquinho atrapalhado (George Noonan)
7. Eclipse de uma paixão (Agnieszka Holland)
8. As patricinhas de Beverly Hills (Amy Heckerling)
9. Antes do amanhecer (Richard Linklater)
10. Cassino (Martin Scorsese)

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11. A excêntrica família de Antônia (Marleen Gorris) 12. 12 macacos (Terry Gilliam) 13. Maré vermelha (Tony Scott) 14. Mr. Holland – Adorável professor (Stephen Herek) 15. A princesinha (Alfonso Cuarón) 16. O quatrilho (Fábio Barreto) 17. Os últimos passos de um homem (Tim Robbins) 18. Despedida em Las Vegas (Mike Figgis) 19. Sábado (Ugo Giorgetti) 20. Showgirls (Paul Verhoeven)

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Menções honrosas: O nome do jogo (Barry Sonnenfeld), Carlota Joaquina – Princesa do Brazil (Carla Camuratti), Fogo contra fogo (Michael Mann), Rápida e mortal (Sam Raimi), Assassinato em primeiro grau (Marc Rocco), Enquanto você dormia (Jon Turteltaub), A cor da fúria (Desmond Dakano), Os suspeitos (Bryan Singer), Um dia para relembrar (James Foley), Underground (Emir Kusturica), Por uma vida menos ordinária (Danny Boyle), Duro de matar – A vingança (John McTiernan), A chave mágica (Frank Oz), O balão vermelho (Jafar Panahi), Epidemia (Wolfgang Petersen), Todos os corações do mundo (Murilo Salles), Tempo de decisão (Noah Baumbach), Energia pura (Victor Salva), Jumanji (Joe Johnston), Apollo 13 (Ron Howard), Diário de um adolescente (Scott Kalvert), Caminhando nas nuvens (Alfonso Arau)

Melhores filmes.1996.Cinematographe

1. Na trilha do sol (Michael Cimino)
2. Bottle Rocket (Wes Anderson)
3. Fargo (Joel e Ethan Coen)
4. Trainspotting – Sem limites (Danny Boyle)
5. Ondas do destino (Lars von Trier)
6. Bound – Ligadas pelo desejo (Andy e Lana Wachowski)
7. Terra estrangeira (Walter Salles e Daniela Thomas)
8. Crash (David Cronenberg)
9. Segredos e mentiras (Mike Leigh)
10. Como nascem os anjos (Murilo Salles)

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11. Voando para casa (Carroll Ballard) 12. O oitavo dia (Jaco Van Dormael) 13. O povo contra Larry Flint (Milos Forman) 14. Jogada de risco (Paul Thomas Anderson) 15. Michael Collins – O preço da liberdade (Neil Jordan) 16. Jerry Maguire (Cameron Crowe) 17. A gaiola das loucas (Mike Nichols) 18. Coragem sob fogo (Edward Zwick) 19. A sombra e a escuridão (Stephen Hopkins) 20.  Na corda bamba (Billy Bob Thornton)

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Menções honrosas: Hamlet (Kenneth Branagh), A promessa (Jean-Pierre e Luc Dardenne), Missão impossível (Brian De Palma), Shine – Brilhante (Scott Hicks), Coração de dragão (Rob Cohen), O sargento trapalhão (Jonathan Lynn), O entardecer de uma estrela (Robert Harling), Lone Star – A estrela solitária (John Sayles), Eu, minha mulher e minhas cópias (Harold Ramis), Mãe é mãe (Albert Brooks), A rocha (Michael Bay), Emma (Douglas McGrath), Queima de arquivo (Chuck Russell), Amor por acidente (Richard Benjamin), As filhas de Marvin (Jerry Zaks), Matilda (Danny de Vito), Um dia especial (Michael Hoffman), Um instante de inocência (Mohsen Makhmalbaf), Antes e depois (Barbet Schroeder), Uma escola muito doida (Hart Bochner), Feito cães e gatos (Michael Lehmann), O espelho tem duas faces (Barbra Streisand), Ruth em questão (Alexander Payne), Medidas extremas (Michael Apted), Tempo de matar (Joel Schumacher)

1. Boogie Nights (Paul Thomas Anderson)
2. Titanic (James Cameron)
3. Vidas em jogo (David Fincher)
4. Filhos do paraíso (Majid Majidi)
5. Melhor é impossível (James L. Brooks)
6. Gosto de cereja (Abbas Kiarostami)
7. Felizes juntos (Wong Kar-Wai)
8. Tempestade de gelo (Ang Lee)
9. Mãe e filho (Alexander Sukorov)
10. Contato (Robert Zemeckis)

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11. Matador em conflito (George Armitage) 12. Funny games (Michael Haneke) 13. Mera coincidência (Barry Levinson) 14. Reviravolta (Oliver Stone) 15. O quarto poder (Costa-Gravas) 16. Gênio indomável (Gus Van Sant) 17. A estrada perdida (David Lynch) 18. Donnie Brasco (Mike Newell) 19. Los Angeles – Cidade proibida (Curtis Hanson) 20. Os matadores (Beto Brant)

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Menções honrosas: O quinto elemento (Luc Besson), O mentiroso (Tom Shadyac), Beijos que matam (Gary Fleder), Gattaca – A experiência genética (Andrew Niccol), Kundun (Martin Scorsese), Tropas estelares (Paul Verhoeven), Desconstruindo Harry (Woody Allen), Princesa Mononoke (Hayao Miyazaki), Jackie Brown (Quentin Tarantino), Breakdown – Perseguição implacável (Jonathan Mostow), Justiça vermelha (Jon Avnet), Lolita (Adrian Lyne), Ou tudo ou nada (Peter Cattaneo), Cop land (James Mangold), Será que ele é? (Frank Oz), O pacificador (Mimi Leder), Soul food – Tudo aos domingos (George Tillman Jr.), Preso na escuridão (Alejandro Amenábar), Inimigo íntimo (Alan J. Pakula), A ostra e o vento (Walter Lima Jr.), O homem que fazia chover (Francis Ford Coppola), Guerra de Canudos (Sérgio Rezende), A vida é bela (Roberto Benigni), Força aérea um (Wolfgang Petersen), Teoria da conspiração (Richard Donner)

1. Corra, Lola, corra (Tom Tykwer)
2. Central do Brasil (Walter Salles)
3. Além da linha vermelha (Terrence Malick)
4. Amigas de colégio (Lukas Moodysson)
5. O grande Lebowski (Joel e Ethan Coen)
6. Pi (Darren Aronofsky)
7. Grandes esperanças (Alfonso Cuarón)
8. Rushmore (Wes Anderson)
9. Deuses e monstros (Bill Condon)
10. 32 de agosto na terra (Denis Villeneuve)

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11. Os amantes do Círculo Polar (Julio Medem) 12. O resgate do soldado Ryan (Steven Spielberg) 13. Medo e delírio (Terry Gilliam) 14. O show de Truman (Peter Weir) 15. Encontro marcado (Martin Brest) 16. Felicidade (Todd Solondz) 17. Festa de família (Thomas Vinterberg) 18. Arquivo X – O filme (Robert Bowman) 19. Quem vai ficar com Mary? (Peter e Bob Farrelly) 20. Amor além da vida (Vincent Ward)

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Menções honrosas: Psicose (Gus Van Sant), Shakespeare apaixonado (John Madden), Um crime perfeito (Andrew Davis), Cidade dos anjos (Brad Silberling), Afinado no amor (Frank Coraci), Pleasantville – A vida em preto e branco (Gary Ross), Following (Cristopher Nolan), O aprendiz (Bryan Singer), Babe – Um porquinho na cidade (George Miller), A razão do meu afeto (Nicholas Rytner), Ronin (John Frankenheimer), O príncipe do Egito (Brenda Chapman, Steve Hickner, Simon Wells), Vampiros de John Carpenter (John Carpenter), Medidas desesperadas (Barbet Schroeder), Máquina mortífera 4 (Richard Donner), Olhos de serpente (Brian De Palma), A máscara do Zorro (Martin Campbell), Segredos do poder (Mike Nichols), Impacto profundo (Mimi Leder), A outra história americana (Todd Kaynes), Um plano simples (Sam Raimi), Irresistível paixão (Steven Soderbergh), Terras perdidas (Stephen Frears)

Melhores filmes.1999.Cinematographe

1. De olhos bem fechados (Stanley Kubrick)
2. História real (David Lynch)
3. Tudo sobre minha mãe (Pedro Almodóvar)
4. Eleição (Alexander Payne)
5. Titus (Julie Taymor)
6. A humanidade (Bruno Dumont)
7. A lenda do cavaleiro sem cabeça (Tim Burton)
8. O sexto sentido (M. Night Shyamalan)
9. Pola X (Leos Carax)
10. Rosetta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

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11. Um lugar chamado Notting Hill (Roger Mitchell) 12. Magnólia (Paul Thomas Anderson) 13. Poucas e boas (Woody Allen) 14. Quero ser John Malkovich (Spike Jonze) 15. O mundo de Andy (Milos Forman) 16. Matrix (Andy e Lana Washowski) 17. À espera de um milagre (Frank Darabont) 18. A cor do paraíso (Majid Majidi) 19. Um domingo qualquer (Oliver Stone) 20. O gigante de ferro (Brad Bird)

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Menções honrosas: Vivendo no limite (Martin Scorsese), As virgens suicidas (Sofia Coppola), Meninos não choram (Kimberly Peirce), eXistenZ (David Cronenberg), Audition (Takashi Miike), Três reis (David O. Russell), Dois córregos (Carlos Reichenbach), Guerra nas estrelas – A ameaça fantasma (George Lucas), Ressurreição – Retalhos de um crime (Russell Mulcahy), Asterix e Obelix contra César (Claude Zidi), Beleza americana (Sam Mendes), Segundas intenções (Roger Kumble), Heróis fora de órbita (Dean Parisot), Topsy-Turvy – O espetáculo (Mike Leigh), Stigmata (Rupert Wainwright), O primeiro dia (Walter Salles e Daniela Thomas), Regras da vida (Lasse Hallström), O talentoso Ripley (Anthony Minghella), O informante (Michael Mann), O vento nos levará (Abbas Kiarostami)

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