A balada de Buster Scruggs (2018)

Por André Dick

Depois de realizarem Gosto de sangue e antes de revitalizarem o cinema de gângsteres com Ajuste final, os irmãos Coen realizaram Arizona nunca mais, que mostra a história de um ladrão arrependido (Nicolas Cage), que pede em casamento uma policial (Holly Hunter) – uma espécie de versão mais engraçada de Fargo.
Quando os dois decidem ter filhos, descobre-se que ela é estéril. Para buscar a felicidade, os dois resolvem roubar um dos cinco bebês de um casal cujo sobrenome é Arizona. Tudo ocorre bem no começo, mas surgem dois fugitivos da cadeia, amigos do personagem, e um motoqueiro selvagem, na linha de Mad Max, que pretende recuperar o bebê. Os irmãos Coen acertam no clima da história, nas gags visuais e entregam aqui um de seus melhores filmes, ainda o mais despretensioso deles.

Fazem mais: realizam uma espécie de faroeste moderno e cômico, no qual o homem interiorano precisa fugir das balas de um vendedor por ter roubado um saco de fraldas, antecipando, mais do que Onde os fracos não têm vez, cuja história transporta para os dias atuais o clima de faroeste, na guerra entre psicopatas atrás de maletas de dinheiro e o tráfico de drogas, o desejo de homenagear o clássico de John Wayne em Bravura indômita por meio de uma nova adaptação do romance de Charles Portis – à época do lançamento, os Coen, inclusive, negaram que sua versão seria um remake, e sim uma nova adaptação do mesmo livro que havia inspirado o filme de Henry Hathaway.
Com um gosto tão grande pelo gênero que marcou a história do cinema norte-americano e ainda continua produzindo peças interessantes (só neste ano tivemos também o ótimo Damsel, com Robert Pattinson e Mia Wasikowska), a dupla de irmãos regressa com A balada de Buster Scruggs (ou The ballad of Buster Scruggs), lançado no Festival de Veneza, no qual recebeu o prêmio de melhor roteiro, com o selo da Netflix. Colecionando seis histórias apresentadas diretamente das páginas de um livro antigo, que poderiam situar o filme como uma espécie de No limite da realidade do faroeste, A balada é uma síntese da trajetória dos irmãos, com um talento incomum para o humor corrosivo. Já inicia mostrando a história de Buster Scruggs (Tim Blake Nelson), um cowboy que vive entrando em duelos a cada cidadezinha ou bar perdido em meio às pradarias, esperando também ser reconhecido como cantor.

Na segunda história, um pistoleiro (James Franco) tenta assaltar um banco perdido em meio à poeira do Velho Oeste, quando se depara com um atendente muito bem preparado, Teller (Stephen Root). Na terceira, um homem (Liam Neeson) viaja com um jovem (Harry Melling) numa carruagem, que se converte em palco de teatro. O rapaz não tem braços nem pernas e faz longos discursos, que mesclam poesia e política. No quarto episódio, temos um prospector (Tom Waits) em busca de ouro numa paisagem intocada. Quando ele chega, a coruja que fica numa das árvores muda de lugar, os cervos e os peixes de um riacho se afastam: tudo simboliza a chegada ameaçadora da civilização. Uma jovem, Alice Longabaugh (Zoe Kazan), em busca de um marido é o mote do quinto episódio. Numa caravana para um lugar determinado (que lembra O atalho, também com Zoe, e Um sonho distante), ao lado de seu irmão Gilbert (Jefferson Mays), ela se ressente de perder o cão que atrapalha a todos latindo e faz amizade com Billy Knapp (Bill Heck), que trabalha ao lado de Arthur (Grainger Hines). E finalmente no sexto episódio temos uma espécie de diálogo com o ato inicial de Os oito odiados, quando uma mulher, Sra. Betjeman (Tyne Daly), e quatro homens, o irlandês Clarence (Brendan Gleeson), o inglês Thigpen (Jonjo O’Neill), o francês René (Saul Rubinek) e Trapper (Chelcie Ross), viajam numa carruagem por uma pradaria que lembra a de um filme de terror.

Os Coen abrem o filme com uma história curta e ágil, uma espécie de curta-metragem que talvez seja o que melhor corresponda à sua filmografia. Scruggs tem um físico franzino, mas enfrenta pistoleiros que tentam encontrá-lo e ainda com uma agilidade impecável para se sair bem num bar sem armamento. Neste episódio, já se deixa claro que a temática principal, que liga todas as histórias, é a morte. Esse registro não passa batido, contudo faz expandir a visão que os Coen lançam sobre o homem: por um lado, cômica, por outro negativa e mesmo pessimista. Eles conseguem sintetizar traços humanos por meio de pequenas fagulhas narrativas, a exemplo da terceira – e mais amarga – história, quando a barbárie humana ultrapassa qualquer discurso retórico. Em certos momentos, a fotografia primorosa de Bruno Delbonnel, habitual colaborador dos mais recentes filmes de Tim Burton, e o desenho de produção de Jess Gonchor (de Bravura indômita) fazem o Velho Oeste se sentir vivo como em A conquista do Oeste, épico dos anos 60, para ser exibido em Cinerama. Delbonnel é o diretor de fotografia que se tornou conhecido por seu trabalho irretocável em O fabuloso destino de Amélie Poulain, que leva as pradarias e as florestas a terem uma grande atmosfera. Isso não atenua numa tela menor.

Em certos momentos, pela influência de Dead man, seu trabalho dialoga com o de Oeste sem lei, com Michael Fassbender, filmado na Nova Zelândia e excêntrico por causa disso, na composição de cores, fazendo o episódio derradeiro lembrar exatamente uma fantasia no Velho Oeste. De qualquer maneira, a beleza das imagens parece esconder a imagem que os criadores de Fargo projetam: o de uma civilização que se antecipava a índios e violência em meio a lugares a se perder de vista. Todos os personagens de A balada guardam em comum a solidão, a falta de uma família estabelecida, e a carruagem representa essa transitoriedade. É um mundo em composição e, ao mesmo tempo, em decomposição, levando o espectador de volta a uma época em que a humanidade era colocada em xeque a cada vilarejo. As atuações do elenco nesse sentido (principalmente as de Blake Nelson, Waits e Kazan) colaboram de forma fundamental para o êxito. Os Coen não chegam a almejar uma pretensa filosofia por meio de seus contos, no entanto ela pode ser vista a cada passo dos personagens. Sob um verniz de despretensão, de contar histórias de um livro (que o filme usa como recurso), eles mostram mais uma vez sua interessante visão sobre a constituição dos Estados Unidos. Melhor: após o marcante Ave, César!, sobre a Hollywood dos anos 50, parecem voltar à melhor forma, aquela dos anos 90, quando encadearam várias obras excelentes e se mostraram autores de cinema fundamentais.

The ballad of Buster Scruggs, EUA, 2018 Diretores: Joel Coen e Ethan Coen Elenco: James Franco, Brendan Gleeson, Zoe Kazan, Liam Neeson, Tim Blake Nelson, Tom Waits, Stephen Root, Harry Melling, Jefferson Mays, Bill Heck, Grainger Hines, Tyne Daly, Jonjo O’Neill, Saul Rubinek, Chelcie Ross Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen Fotografia: Bruno Delbonnel Trilha Sonora: Carter Burwell Produção: Joel Coen, Ethan Coen, Megan Ellison, Sue Naegle, Robert Graf Duração: 133 min. Estúdio: Annapurna Pictures Distribuidora: Netflix

Doentes de amor (2017)

Por André Dick

Há alguns filmes que costumam ser caracterizados pela fusão de gênero; quando os assistimos, não conseguimos definir a que gênero exatamente pertencem, e isso torna suas qualidades mais ou menos intensas, dependendo de como a proposta é desenvolvida. Mistura entre comédia, drama e romance assinada por Michael Showalter, Doentes de amor mostra o namoro entre um descendente de paquistaneses, Kumail (Kumail Nanjiani), que trabalha como motorista de Uber enquanto tenta se lançar como comediante de stand-up, e a recém-separada Emily (Zoe Kazan), estudante de psicologia. Os dois moram em Chicago. Se a família dele não sabe que ele está querendo namorar uma moça alheia à sua cultura, tudo se complica quando ela fica doente e ele precisa passar por uma experiência hospitalar junto aos pais dela, Beth (Holly Hunter) e Terry (Ray Romano). Se a primeira parte anuncia apenas um romance leve, com a aproximação de um casal tentando investir numa nova paixão, a partir do segundo ato os detalhes se concentram numa espécie de congregação de culturas diferentes.

O roteiro assinado por Nanjiani, mais conhecido pela série de TV Silicon Valley, e Emily V. Gordon, a partir de sua própria experiência, reserva momentos leves e de afeto, principalmente quando Beth se desentende com Kumail por saber de informações repassadas pela filha, e ele se torna amigo de Terry. Que a atuação de Nanjiani é muito boa, é claro desde o início, assim como de Kazan, sempre despertando empatia com o espectador (a exemplo de Ruby Sparks), mas são Hunter e Romano que de certo modo aplicam a humanidade nessa história. Os dois estão excelentes, roubando a cena: enquanto Hunter (vista este ano rapidamente em De canção em canção) é uma mãe dedicada à filha, o pai feito por Romano (conhecido por sua série de TV exitosa) fica num meio-termo entre a aversão da esposa a Kumail, por ele ter tido um determinado comportamento, e a tentativa de conciliar todos. Pelo cenário do hospital, pode-se imaginar que se evitam os conflitos abertos, no entanto esses se mostram mais amplos de maneira interna.

Os pais de Kumail, Azmat (Anupam Kher) e Sharmeen (Zenobia Shroff) não sabem o que está acontecendo com o filho, nem entendem por que ele não se interessa por Naveed (Adeel Akhtar), pretendente de um casamento arranjado, que tenta fingir um interesse por Arquivo X, a série favorita dele. A reuniões da família durante o almoço ou o jantar configuram exatamente essa troca de ideias sobre a cultura paquistanesa e o quanto elas interagem para que os personagens se sintam individualmente interessantes. Em Doentes de amor, tudo transcorre em ritmo cotidiano, sem grandes mudanças de rumo, apenas visualizando o comportamento de pessoas em meio a uma situação de dificuldade. Compõe-se uma mescla entre o entendimento da vida, dos relacionamentos e a adaptação a determinados ambientes culturais. Há os bastidores da amizade do personagem central com outros comediantes, CJ (Bo Durnham), Mary (Aidy Bryant) e Chris (Kurt Braunohler). Doentes de amor capta bem esse ambiente, de forma muito próxima aos subestimados The comedian, com Robert De Niro em excelente performance, e Sandy Wexler, em sua visão sobre a arte. E está sendo tão bem recepcionado (depois de uma bilheteria que representa 10 vezes o seu custo) que é cogitado, inclusive, para os Oscars principais.

Temos a pressão da plateia para que o comediante seja engraçado e um certo rompimento entre o privado e o público, com histórias pessoais em meio ao tumulto. Em certos momentos, no entanto, falta mais pretensão por parte do diretor, fazendo com que tudo se mostre encaixado em excesso, para que o espectador se satisfaça. Não há, por exemplo, um desenvolvimento tão interessante no ato final que poderia conciliar todas as possibilidades no mesmo rumo. Se há algumas gags um pouco forçadas, como as que se referem ao fatídico 11 de setembro, e fazem lembrar a do previsível O ditador, ainda assim os personagens são tão simpáticos e bem delineados que o espectador acaba tendo vontade de voltar à narrativa mais uma vez. Tendo como produtor Judd Apatow, o filme lembra as narrativas desse diretor, a exemplo de Bem-vindo aos 40, retratando a tentativa de um casal de amadurecer por meio de dificuldades, embora este enfocado aqui seja mais novo do que o daquele filme. A preocupação aqui relacionada à saúde, no entanto, adquire um contorno mais dramático e ressonante, tornando Doentes de amor numa história realmente atrativa.

The big sick, EUA, 2017 Diretor: Michael Showalter Elenco: Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano, Adeel Akhtar, Anupam Kher Roteiro: Emily V. Gordon, Kumail Nanjiani Fotografia: Brian Burgoyne Trilha Sonora: Michael Andrews Produção: Judd Apatow, Barry Mendel Estúdio: FilmNation Entertainment, Apatow Productions Duração: 117 min. Distribuidora: Amazon Studios, Lionsgate

Ruby Sparks – A namorada perfeita (2012)

Por André Dick

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Um dos filmes mais comentados no final de 2012, com uma recepção de cult, embora tenha passado rapidamente pelos cinemas, é Ruby Sparks – A namorada perfeita. Dirigido pela mesma dupla do criativo e com ótimo elenco Pequena Miss Sunshine, Jonathan Dayton e Valerie Faris, o filme consegue se manter entre o drama, o romance e a comédia mais irônica ao longo da sua narrativa, sem exatamente alçar voos mais altos, mas tampouco desapontando o espectador.
Calvin Weir-Fields (Paul Dano, que participou do primeiro filme da dupla), depois de publicar um romance que se transformou em best-seller aos 19 anos, tem vivido uma crise existencial, sem conseguir produzir novos livros, e sai de casa praticamente apenas para participar de debates com alunos em universidades e de sessões de terapia com Dr. Rosenthal (Elliot Gould). Ele detesta a palavra gênio, e é chamado assim durante várias vezes ao longo do filme, sem esboçar felicidade. Isso porque gênio é a palavra que caracteriza o escritor que se destaca, colocando-o acima dos demais – e Calvin não se sente assim, pelo menos à primeira vista e com uma simples troca de palavras num debate.
Obcecado por J.D. Salinger, o autor de O apanhador no campo de centeio, ele ainda escreve numa máquina antiga, ou seja, afastado dos computadores . Também mora num apartamento moderno, completamente limpo, sem cores, como se retratassem a página que insiste em colocar todo o dia, junto com o café, a fim de ter uma espécie de inspiração momentânea para conseguir produzir outra história, além de um abajur posicionado geometricamente seja qual for a hora do dia e a insegurança diante da escrita.

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Ruby Sparks

Mantém uma relação próxima com o irmão, Harry (Chris Messina), tenta fugir do seu agente, Langdom Tharp (Steve Coogan) e convive com o seu cachorro, Scotty (uma homenagem a F. Scott Fitzgerald). Até o dia em que começa a sonhar com uma moça, que passa a servir de inspiração para seu livro. Quando o psiquiatra lhe pede para escrever algo numa página, o livro começa a surgir. Ele a chama de Ruby Sparks. Seu intuito é contar sua história desde o nascimento, passando pela infância, adolescência, até a vida adulta. Ela também é fã de John Lennon e pintora. E, certo dia, Ruby de fato aparece realmente, para seu espanto. No entanto, a princípio, ele considera que ninguém a vê, que ela é fruto de sua imaginação, até o momento em que conhece Mabel (Alia Shawkat), admiradora de sua obra.
Se antes tínhamos elementos que remetem a Adaptação (em que Nicolas Cage fazia os irmãos gêmeos que querem escrever roteiros), agora temos lembranças de A rosa púrpura do Cairo (uma das inspirações do filme), e do Gil Pender de Meia-noite em Paris, e o filme cultiva a ideia de que o personagem precisa se manter afastado do verdadeiro mundo para “criar sua obra”. No entanto, Ruby Sparks não chega a ser previsível como pode parecer a partir de sua premissa, embora sempre se mantenha numa linha regular, sem provocações. O filme brinca com o fato de o universo literário ser visto como o ponto da compreensão humana, assim como Pequena Miss Sunshine brincava com as estranhezas de uma família em viagem para um concurso de beleza da filha menor e tinha no personagem de Steve Carell o maior especialista de Proust nos Estados Unidos.
Ruby ganha vida com Joe Kazan, autora do roteiro e namorada na vida real de Paul Dano. O escritor passa a vivenciar outras experiências, inclusive aquela que parece mais ameaçadora: sair de casa. Passa, inclusive, a frequentar a noite – onde precisa passar por indiscrições de Ruby. Ela também o obriga a visitar sua mãe, Gertrude (Annette Benning), e seu padrasto, Mort (Antonio Banderas, inesperadamente divertido, embora subaproveitado), um carpinteiro que tenta convencer Calvin a levar para sua casa uma cadeira pós-moderna. Nada exatamente fora do contexto, e menos diferenciado do que a obra anterior dos diretores, apesar de o filme ter um ambiente indie interessante, apoiado numa bela trilha sonora de Nick Urata (a melhor qualidade do filme, ao lado da atuação do sempre eficiente Dano). É no momento em que Calvin e Ruby viajam para a praia que a noção de abertura da piscina para o mar se abre no personagem.

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Ruby Sparks depende de se gostar, mais do que de Paul Dano, de Zoe Kazan (neta do diretor Elia). Embora natural, ela fica um pouco deslocada quando o filme se inclina para a comédia, mesmo tendo feito o roteiro. Quando ela consegue dosar o personagem criado por Calvin e seus atritos românticos, mesmo que apressados e que escapam a um olhar mais atento, o filme acaba tendo seu melhor resultado. Com eles, o personagem passa a ter a experiência da vida que, na verdade, não deseja, mas experimentá-la por meio de Ruby passa a lhe causar não apenas melancolia, mas também cansaço e dinamismo. A questão é se ela conseguirá fazer com que Calvin dê tanto valor a ela quanto ao que estava fora dele mesmo. Volta-se, então, à questão que percorre o personagem: de que ele é, de fato, um gênio. Pois, se ele imaginava um amor perfeito com Ruby, ou seja, aplicava o romantismo em sua visão de mundo, com seus parques iluminados e uma toalha estendida no gramado, ele passa a reconhecer que pode ter o controle absoluto sobre Ruby, mas ela sempre será seu espelho, ou seja, com partes a serem sempre reescritas. É nesta releitura que, afinal, Calvin baseia sua existência a partir da premissa desse encontro, consigo e com o livro que, na verdade, tentará reescrever toda a vida.

Ruby Sparks, EUA, 2012 Diretor: Jonathan Dayton, Valerie Faris Elenco: Zoe Kazan, Antonio Banderas, Paul Dano, Alia Shawkat, Deborah Ann Woll, Annette Bening, Steve Coogan, Chris Messina, Elliott Gould, Aasif Mandvi, Wallace Langham Produção: Albert Berger, Ron Yerxa Roteiro: Zoe Kazan Fotografia: Matthew Libatique Trilha Sonora: Nick Urata Duração: 106 min. Distribuidora: Fox Film Estúdio: Bona Fide Productions / Fox Searchlight Pictures

Cotação 3 estrelas