Roda gigante (2017)

Por André Dick

A impressão que se tem é que, depois de sua passagem pela Europa, principalmente após Meia-noite em Paris, o diretor Woody Allen se sente mais cuidadoso com sua parte técnica. Nos anos 70, ele fazia comédias realistas, nos anos 80 alternou obras entre o drama bergmaniano e o humor, no entanto tendo sempre Nova York como ponto de encontro, e nos anos 2000, ao filmar O escorpião de Jade e Vicky Cristina Barcelona, ou 2010, quando esteve na ensolarada Itália (em Para Roma com amor), ele se transformou num autor com toque mais europeu do que antes já se entrevia nele e o qual satirizava em Dirigindo no escuro. Claro que já aparecia um certo cuidado nas ambientações, como em Tiros na Broadway e Poucas e boas, mas nunca com a maturidade de agora e com a beleza plástica de Café Society (em diálogo direto com Meia-noite em Paris) e agora com Roda gigante.

No filme, passado nos anos 1950, vemos a narração de um jovem salva-vidas, Mickey Rubin (Justin Timberlake), que trabalha na praia de Coney Island, perto de um parque de diversões, onde Ginny Rannell (Kate Winslet) trabalha num restaurante e seu marido Humpty (Jim Belushi) num carrossel, quando não está pescando. Mais: eles moram de frente para a roda gigante do lugar. Ela é mãe de Richie (Jack Gore), um piromaníaco, e determinado dia recebe a filha sumida de Humpty, Caroline (Juno Temple), fugindo do ex-marido, um gângster. Para Allen oferecer seu toque autoral, Mickey deseja ser escritor de peças de teatro e Ginny é uma ex-atriz.
As referências do diretor ao cinema dos anos 30 a 50 são apaixonadas, com uma trilha sonora embalada pelo jazz e um trabalho espetacular novamente da fotografia de Vittorio Storaro, que trabalhou com ele em Café Society e remete aos melhores momentos de O conformista, dos anos 70 (quando mostra o restaurante de Ginny), e O fundo do coração (quando algumas situações ganham colorações diferentes) e um desenho de produção belíssimo. Storaro ilumina o parque de diversões com uma alegria incomum, enquanto a casa dos Rannell tem tons mais azulados e vermelhos, de acordo com o sentimento sugerido, igual ao filme de Coppola. Este é um Adventureland de época e sem muitos amores a serem descobertos.

Neste ponto, Allen parece dialogar com um universo de sonhos não concretizados, e igualmente pouco amargo e sim otimista, mais no sentido de Blue Jasmine do que de Magia ao luar, por exemplo. No entanto, Roda gigante parece uma obra inacabada, embora Kate Winslet ainda seja uma boa atriz. Não se trata exatamente da escolha do diretor, mas porque, ao longo do filme, Allen usa uma série de elementos para que o espectador consiga identificar as mudanças de comportamento e tom de Ginny em relação às pessoas, dependendo de sua situação. Quando finalmente o espectador parece entendê-la, assim como seu encanto pela arte, ele pede para que entendamos, como em Blue Jasmine, que tudo aquilo que foi visto na verdade foi guiado por um certo desequilíbrio, sem que se elabore o que veio antes de sua vida com Humpty e depois para que se chegasse naquele ponto, sendo o comportamento dela apenas falho ou não suficientemente tratado. O homem, para Allen, nunca é responsável pela situação da vida alheia: seria apenas alguém que divaga sem solidez, e Humpty, que só pensa na filha, se torna cada vez mais violento.

Inicialmente, a situação de Ginny destoa do tom ameno, embora amargo, de todo o filme, tornando-se um estudo de caso frustrante. Allen parece não querer dar espaço a um tema pesado, tentando se desapegar da preocupação da personagem de enfrentar seu sonho (a atuação, o mundo da arte) para, enfim, reduzir todos os personagens a um ponto de interrogação e conscientes de uma vida que o diretor considera plana. Para ele, Ginny, como o filho, é uma fonte de destruição e não se deve ouvi-la nem ampará-la. A atuação de Kate Winslet nos diz o contrário do que entrega o diretor: embora ela queira falar, ele não permite. E, se Timberlake só oferece uma real atuação em A rede social, não convencendo aqui como um aspirante a dramaturgo e prejudicando cada cena com Winslet, Belushi não chega a ser o elo fraco, parecendo até divertido como em alguns momentos de Twin Peaks. A parte menos interessante fica a cargo de uma subaproveitada Temple, com uma personagem um tanto dispersa. E o Allen com tom moralista, que torna os personagens apenas em símbolos do que gostaria de transmitir – aquele de Crimes e pecadosMemórias Match Point – é, sem dúvida, o menos atrativo, extraindo toda a energia que poderia haver na estrutura de Roda gigante.

Wonder wheel, EUA, 2017 Diretor: Woody Allen Elenco: Jim Belushi, Juno Temple, Justin Timberlake, Kate Winslet Roteiro: Woody Allen Fotografia: Vittorio Storaro Produção: Letty Aronson, Edward Walson, Erika Aronson Duração: 101 min. Estúdio: Gravier Productions, Perdido Productions Distribuidora: Amazon Studios

Café Society (2016)

Por André Dick

cafe-society-24

Escolhido para abrir o Festival de Cannes em 2016, Café Society traz mais uma vez a marca de Woody Allen, que vem fazendo um filme a cada ano, em grande regularidade. Nesta década, especialmente, ele tem colhido elogios, por obras como Meia-noite em Paris, Blue Jasmine, Magia ao luar e Homem irracional. Em Café Society, Allen parece assumir algumas características não tão visíveis. Ele sempre procura mostrar pares românticos em suas histórias, em que a mulher normalmente costuma prender o homem a uma expectativa, e aqui não é tão diferente. Allen, ainda assim, consegue inovar dentro de seu roteiro padrão.
Jesse Eisenberg faz Bobby Dorfman, que sai de Nova York, nos anos 1930, para Los Angeles, a fim de trabalhar com o tio Phil Stern (Steve Carell), casado com Karen (Sheryl Lee, com pouca chance), um agente de talentos cada vez mais reconhecido. Ele segue para lá por indicação de sua tia, Rose (Jeannie Berlin), deixando para trás sua irmã Evelyn (Sari Lennick), casada com um professor de colégio, Walt (Richard Portnow), seu pai joalheiro, Marty (Ken Stott), e sua mãe, Rose (Jeannie Berlin). Phil pede que sua secretaria Veronica/Vonnie (Kristen Stewart) apresente Los Angeles a Bobby. Ela é o contrário de todos que conhece na cidade, uma jovem que está em busca de uma vida simples.

cafe-society-25

cafe-society-19

cafe-society-26

No entanto, quando ele demonstra interesse, ela diz que tem um namorado jornalista, Doug. Bobby continua fazendo trabalhos para o tio, frequentando festas com estrelas, enquanto tem os olhos voltados apenas para Vonnie. As conversas incluem Judy Garland, Billy Wilder, DW Griffiths, Barbara Stanwyck e James Cagney, entre outros, bastante ágeis, graças à competência habitual de Allen em mesclar fantasia e realidade, o humor judaico e referências artísticas diversas.
A partir daí, há uma surpresa na narrativa e Allen mostra as desilusões e conquistas desse casal. Também surgem com mais definição na trama um irmão gângster de Bobby, Ben (Corey Stoll), que lembra exatamente um determinado personagem de Tiros na Broadway, e Veronica Hayes (Blake Lively, a revelação de Águas rasas).
As referências do diretor ao cinema dos anos 30 são apaixonadas, com uma trilha sonora embalada pelo jazz e um trabalho espetacular de fotografia de Vittorio Storaro, que remete aos melhores momentos de O conformista, dos anos 70 (quando mostra clubes noturnos e pistas de dança), e O fundo do coração (quando algumas situações ganham colorações diferentes), um desenho de produção belíssimo de Santo Loquasto, além do figurino brilhante e minucioso de Suzy Bezinger. Várias sequências lembram igualmente New York, New York, de Scorsese, dos anos 70. Storaro ilumina as passagens filmadas em Los Angeles, com uma alegria antes captada apenas em Barton Fink (em sua porção fora do hotel), enquanto Nova York se torna mais cinza e azulada, fora de um determinado clube noturno onde a história guarda seus momentos. Se pudesse haver um correspondente direto deste filme é Era uma vez em Nova York, com a diferença de a obra de Allen ser mais despretensiosa e bem construída.

cafe-society-30

cafe-society-31

cafe-society-32

A impressão que se tem é que, depois de sua passagem pela Europa, principalmente após Meia-noite em Paris, Allen se sente mais cuidadoso com sua parte técnica. Nos anos 70, ele fazia comédias realistas, nos anos 80 alternou obras entre o drama bergmaniano e o humor, no entanto tendo sempre Nova York como ponto de encontro, e nos anos 2000, ao filmar O escorpião de Jade e Vicky Cristina Barcelona, ou 2010, quando esteve na ensolarada Itália (em Para Roma com amor), ele se transformou num autor com toque mais europeu do que antes já se entrevia nele e o qual satirizava em Dirigindo no escuro. Claro que já aparecia um certo cuidado nas ambientações, como em Tiros na Broadway e Poucas e boas, mas nunca com a maturidade de agora e com a beleza plástica de Café Society (em diálogo direto com Meia-noite em Paris).
Com um custo de 30 milhões, alto para os padrões de Allen, é lamentável que ele não tenha retornado em boa bilheteria (arrecadou apenas 20 até agora), mesmo trazendo uma dupla (Eisenberg e Stewart) que já deu certo em outros filmes, a exemplo de Adventureland e American Ultra. Outra vez a química do casal é excelente, e Café Society deve alguns de seus melhores momentos a essa interação.
Talvez esta bilheteria também se deva ao fato de Café Society não apresentar a mesma melancolia alegre do diretor e ator, nem exatamente seu melhor bom humor. Apesar de Eisenberg se esforçar em ser um Woody Allen na tela, e ele é realmente um grande ator, e Stewart oferecer certa graciosidade à sua personagem (sendo filmada por Allen e Storaro como uma diva dos anos 30), além de estar cada vez mais desenvolta (comprovando o talento que já exibe desde O silêncio de Melinda, em 2004), o filme se mantém num plano quase decepcionado diante da vida e dos possíveis sonhos de Los Angeles.

cafe-society-29

cafe-society-3

cafe-society

Neste ponto, ele parece dialogar com um universo de sonhos não concretizados, e igualmente pouco amargo e sim otimista, mais no sentido de Blue Jasmine do que de Magia ao luar, por exemplo. Lively e Carell trazem boas atuações complementares, embora o segundo se sinta um pouco deslocado (ele substituiu Bruce Willis um pouco antes do início das filmagens) e sua ligação com o contexto nunca fique devidamente trabalhada, em razão da pressa narrativa com seu personagem. Eisenberg, sob esse ponto de vista menos afeito à carreira do diretor (que aqui atua como narrador também), mostra uma insuspeita melancolia, que faz com que tudo a seu redor se transforme em algo menos previsto do que ele gostaria, exibindo a versatilidade já exibida este ano ao interpretar o vilão de Batman vs Superman, Lex Luthor. Ele lida com um personagem que simplesmente vai amadurecendo, com a companhia de amigos como o casal Rad (Parker Posey) e Steve Taylor (Paul Schneider), sem exatamente mudar, e Allen, por meio de uma montagem ágil em todos os aspectos, emprega sua presença como aquela que imagina ser a de um jovem em plena época da depressão, com sua vontade de se transformar em alguém. Entre sonhos na capital do cinema e dedicação ao universo gângster, Café Society mostra que todos os personagens estão à procura de si mesmos. Não é algo novo na filmografia de Allen, contudo é mais denso do que poderia ser um retrato apenas bem-humorado dos anos 30.

Café Society, EUA, 2016 Diretor: Woody Alllen Elenco: Jesse Eisenberg, Steve Carell, Kristen Stewart, Corey Stoll, Blake Lively, Paul Schneider, Parker Posey, Ken Stott, Jeannie Berlin, Paul Schackman, Sheryl Lee Roteiro: Woody Allen Fotografia: Vittorio Storaro Produção: Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum Duração: 96 min. Distribuidora: Imagem Filmes Estúdio: Gravier Productions

cotacao-4-estrelas-e-meia

 

Blue Jasmine (2013)

Por André Dick

Blue Jasmine.9

Depois de seus filmes demarcando um roteiro pela Europa, a exemplo de Vicky Cristina Barcelona e Para Roma com amor, Woody Allen regressa aos Estados Unidos com Blue Jasmine, que vem sendo recebido quase como Meia-noite em Paris, sobre a descoberta de Gil Pender do passado da Cidade Luz – pelo menos, estreou bem na temporada de premiações que antecedem o Globo de Ouro e o Oscar. Ainda comparado a suas produções dos anos 80 de Allen, Blue Jasmine começa por ser um equilíbrio entre duas vertentes do diretor: aquela mais dramática e uma mais cômica. Ele poucas vezes conseguiu mesclar essas vertentes com a perícia demonstrada em Hannah e suas irmãs e Maridos e esposas – não teve êxito em filmes como Memórias –, mas se esforça para obter o mesmo resultado em Blue Jasmine, por meio de um roteiro bastante superior ao que apresentou em Para Roma com amor, um filme divertido, mas de certo modo com um ar de acabado às pressas.
Tendo à frente do elenco, como a personagem principal, a atriz Cate Blanchett, Allen mostra mais uma vez ser um diretor de atores e atrizes. Poucos atores conseguem repetir sem a mão de Allen o mesmo vigor dramático. Cate Blanchett não é uma exceção. Apesar de ter realizado vários filmes desde Elisabeth, em que chamou a atenção pela primeira vez, Blanchett consegue, aqui, obter o desempenho de sua carreira até agora (embora não o melhor do ano). Ela consegue delinear, desde o início, uma personagem situada entre o ego e os problemas que surgiram depois que seu marido, Hal (Alec Baldwin), foi preso por problemas de desvios de dinheiro, relacionados a empresas. Desempregada e sem rumo, ela procura a irmã, Ginger (Sally Hawkins), com quem nunca teve um bom relacionamento. Ambas foram adotadas, e Jasmine vem a San Francisco para tentar se recuperar emocionalmente do baque que foi a perda de toda a riqueza em que vivia. Apontando os erros da irmã em matéria de relacionamento – Ginger namora Chili (Bobby Cannavale), que tenta empurrar um amigo seu a Jasmine –, ela não consegue se contentar com o novo ambiente, porque sempre considera que merece mais. A fim de ter uma formação, ela pensa novamente em estudar, desta vez como design de interiores. No entanto, precisa trabalhar, e o emprego que surge é com um dentista (Michael Sthulbarg). Esta é a primeira etapa da tentativa de Jasmine solucionar sua vida, e o espectador, ao mesmo tempo em que compartilha da atual situação da personagem, a conhece em sua vida anterior, rodeada de reuniões e a high society.

Blue Jasmine.5

Blue Jasmine.10

Allen nunca desistiu de satirizar a alta sociedade, e em Blue Jasmine não é diferente. Para ele, mais do que uma pessoa perturbada emocionalmente, Jasmine se revela a síntese de uma mulher que busca no homem apenas uma realização material. No entanto, ele consegue desfocar essa situação de maneira inteligente. Em certos momentos, imaginamos que Jasmine quer apenas uma sustentação emocional por meio dessa riqueza buscada, quando, na verdade, ela pode ser menos do que um centro vazio ao redor do qual vagam os outros personagens. Sua irmã, Ginger, é uma espécie de complemento. Indefinida entre seguir com sua vida ou agradar à opinião de Jasmine, ela acaba se situando sempre deslocada. Por mais que essas personagens pareçam, à primeira vista, agradáveis – uma com manias estranhas, que acabam até divertindo, e a outra tentando remediá-las com alguma ajuda –, como no recente Frances Ha, Woody Allen prefere a amargura de suas caracterizações. Mesmo os homens que ele coloca no caminho dessas duas irmãs são completamente desprovidos de imaginação: eles apenas repetem convenções do que se espera. Há aquele que está convencido de ser genial, Hal (mais um personagem do tipo na carreira de Baldwin); aquele que deseja uma vida perfeita e com passos para uma ampla publicidade de imagem (Peter Sarsgaard); aquele que diz estar à espera da mulher perfeita (Louis C.K.); e, finalmente, o mais romântico e menosprezado pelo jeito de se vestir, Chili. Como as mulheres, aqui, Allen desenha os homens como estereótipos. Na maior parte do tempo, entretanto, ele consegue elaborar diálogos ligeiros o suficiente para que todos pareçam estar interagindo e, sem a presença do próprio Allen no elenco, nenhum chama atenção em demasia. Mas, quando finalmente percebemos que a agilidade narrativa, exemplar, não se reproduzirá numa elaboração de personagens, o filme acaba se desencontrando.

Blue Jasmine.4

Blue Jasmine.3

É estranho como, ao longo de Blue Jasmine, as impressões sobre os personagens vão mudando: em certos momentos, a personagem parece requisitar uma compreensão, mas em outros parece que, para o espectador, ela poderia e deveria enfrentar o que Allen prepara em seu caminho. Talvez daí venha o principal desequilíbrio, ou qualidade, do filme de Allen: sua personagem central pode ser ouvida, mas não se deve dar, afinal, muito espaço para que isso aconteça, pois o que se terá é uma repetição de suas escolhas anteriores. Para isso, Blanchett tem um papel realmente decisivo, pois ela consegue transitar da insegurança, passando pela depressão e insegurança, até a raiva contida contra o que lhe fizeram passar. Estranhamente, no entanto, Allen não parece ter empatia por ela – ela não é, com certeza, o alter ego de Allen, como o foi Gil Pender, ou o dramaturgo de Tiros na Broadway – e talvez por isso o filme, principalmente em seu ato final, seja o que menos lembre um filme do diretor. Para Allen, esta figura feminina é uma espécie de exemplo da autopunição, e nem sempre esta visão segue o seu olhar ao longo da narrativa (daqui em diante, spoilers). Allen parece desapontar seu lado menos amargo quando escolhe o desfecho do filme. É como se a personagem não pudesse mais dar as respostas que ele obtinha, de certo modo, com outros personagens, ou realmente devesse ficar num presente irrecuperável, a fim de escolher outro caminho.
O que se sente, no entanto, é que o terceiro ato realmente não representa o filme como um todo, e nesse sentido Blue Jasmine acaba parecendo uma obra inacabada, embora Cate Blanchett ainda esteja lá. Não se trata exatamente da escolha do diretor, mas porque, ao longo do filme, Allen usa uma série de elementos para que o espectador consiga identificar as mudanças de comportamento e tom de Jasmine em relação às pessoas, dependendo de sua situação. Quando finalmente o espectador parece entendê-la, assim como sua manipulação, ele pede para que entendamos que tudo aquilo que foi visto na verdade só teve uma responsável, reduzindo-a novamente a uma pessoa desequilibrada, sem que se elabore o que veio antes de sua vida com Hal e depois para que se chegasse naquele ponto, sendo o comportamento dela apenas falho ou não suficientemente tratado. Nesse sentido, sua situação destoa do tom ameno, embora amargo, de todo o filme, tornando-se um estudo de caso frustrante. Allen parece não querer dar espaço a um tema pesado, tentando apegar-se ao desespero da personagem e à sua autodestruição para, enfim, reduzir todos os personagens a um ponto de interrogação e conscientes de uma vida que o diretor considera medíocre. Para ele, Jasmine é uma fonte de destruição e não se deve ouvi-la nem ampará-la. A atuação de Cate Blanchett nos diz o contrário do que entrega o diretor: embora ela queira falar, ele não permite. E o Allen com tom moralista, que torna os personagens apenas em símbolos do que gostaria de transmitir – aquele de Crimes e pecados, Memórias e Match Point – é, sem dúvida, o menos atrativo, extraindo toda a energia que poderia haver na estrutura do belo roteiro de Blue Jasmine.

Blue Jasmine, EUA, 2013 Diretor: Woody Allen Elenco: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins,Bobby Cannavale, Louis C.K., Richard Conti, Michael Stuhlbarg, Peter Sarsgaard, Tammy Blanchard, Vanessa Ross Roteiro: Woody Allen Fotografia: Javier Aguirresarobe  Produção: Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum Duração: 98 min. Distribuidora: Imagem Filmes Estúdio: Perdido Productions

Cotação 3 estrelas

Meia-noite em Paris (2011)

Por André Dick

Depois de alguns anos rodando por cidades europeias, como Londres (em Match point) e Barcelona (em Vicky Cristina Barcelona), Woody Allen chegou à Cidade Luz, Paris, para realizar aquele que é, nos últimos anos, seu filme mais elogiado e discutido, mesmo porque consegue trazer o início de sua trajetória com a fase do início dos anos 2000, como comédias como Igual a tudo na vida.
Allen quer nos fazer crer que seu escritor contemporâneo Gil Pender (Owen Wilson, em grande momento) volta, todas as meias-noites que está em Paris, para o início do século XX, quando perambulavam pela cidade as maiores figuras da literatura, da pintura e do cinema (como Hemingway, Picasso, Buñuel e Gertrude Stein). Não há dúvida de que ele se sai muito bem, entregando-nos um filme linear em seus propósitos, de qualquer modo enriquecido de detalhes – a transição do presente para o passado nunca é brusca, no entanto sempre guiada pelo trabalho de fotografia e pela direção de arte destacando a luminosidade dos ambientes. Desde o início, com uma longa sequência de imagens de diversos pontos de Paris, ao som do jazz, música preferida do diretor, o espectador não apenas assiste à cidade, mas se sente nela, como, em seguida, seus personagens.
Ele realiza um dos filmes mais humanos já feitos sobre a ligação entre gerações e artes, perdidas no tempo. O personagem do escritor, vivendo sempre com a mente no passado, é a representação dessa tentativa do ser humano de equivaler épocas; ele acha que se sentiria mais feliz na Paris dos anos 20. Mas Allen nos pergunta se cada época não tem sua própria felicidade. Os coadjuvantes que o cercam (como Paul Bates, o pseudointelectual interpretado pelo versátil Michael Scheen) ou sua noiva, Inez (Rachel McAdams), acompanhada por seus pais, atrapalhar Gil para sua fuga ao passado.
E este é muito bem reconstituído, pelo habitual toque de Woody Allen para situações surrealistas.
A cena em que Gil conhece os Fitzgerald (Tom Hiddleston e Alison Pill), por exemplo, é muito bem conduzida, até seu encontro com Hemingway (Corey Stoll), onde este diz que pode até ler seu romance, mas irá detestá-lo, se for bom (porque teria qualidade) ou ruim (porque o faria perder tempo), assim como quando visita Gertrude Stein (Kathy Bates, bastante parecida fisicamente com a poeta e romancista), e ela discute como Picassso retratou sua amada, pela qual Gil se interessará, Adriana (Marion Cotillard, de Piaf) . Também quando se depara com Salvador Dalí – vendo rinocerontes no ar, numa atuação engraçada do quase sempre sério Adrien Brody –, Luis Buñuel e Man Ray, contando seu problema de viagens no tempo. “Eu acredito em você”, diz Ray. “Sim, mas você é surrealista”, responde Gil.

Essas brincadeiras com escolas e movimentos fazem com que o filme de Allen seja uma espécie de reencontro entre uma geração que tornou essas escolas em referenciais com aqueles que nem pensavam em constituí-las no início. Para Gil, Paris ainda é uma festa, e lembra pinturas de Manet, e ele quer aproveitá-la, mesmo que seja namorado de uma mulher fútil, que a ele prefere o amigo pseudointelectual, capaz de discutir até com uma guia (Carla Bruni) que sabe melhor as histórias sobre cada monumento. Gil age ao contrário; ele tem uma satisfação reverencial diante desses escritores, ou seja, ele nunca se coloca no pedestal por estar podendo conviver com eles.
Indefinido entre viver sua realidade – de escritor de Hollywood – e a de viver um sonho – ser, mais do que escritor, um amigo de Hemingway, Gertrude Stein, Eliot…. –, Pender acaba constituindo parte do imaginário do próprio Allen, que desde Dirigindo no escuro cada vez mais se autossatiriza, como se não levasse a sério sua própria obra, ou como se quisesse cada vez mais mantê-la longe do museu. As mulheres que o cercam tentam ou arrastá-lo para fora de sua imaginação ou acolhê-lo com seus erros de escritor ainda pouco resolvido, porém é sobretudo Adriana aquela que vai colocá-lo diante de sua dúvida: ficar numa Paris ainda mais antiga para sempre, ou voltar para a dura realidade de escritor em fuga de Hollywood, com um pequeno quarto para escrever em Paris, e uma luminária para acompanhá-lo. Ela é um contraponto para a noiva de Gil, Inez, a quem Rachel McAdams não empresta estofo adequado, parecendo, em boa parte do filme, apenas exaltada (e suas limitações haviam sido bem disfarçadas em Uma manhã gloriosa, formando dupla com Harrison Ford). E um extremo da vendedora (Léa Seydoux) que Gil conhece, tratando de Cole Porter – e a música cria um novo enlace atemporal. Além disso, os escritores que tanto admira – como Hemingway e Scott F. Fitzgerald – vivem em bares noturnos ou festas, atrás de mulheres ou querendo brigar (no caso do autor de O velho e o mar), o que acaba concedendo, mais do que humor, uma humanidade a eles. Se Gil Pender não conseguirá se sobressair na literatura, como Hemingway, ou como o pintor Picasso, pelo menos quer tentar conquistar a mulher que todos desejam, Adrianna – o que, para ele, não deixa de ser um consolo.
Como em outros filmes de Allen, a hipótese nunca é solucionada de maneira tranquila, sem atritos, e é preciso sempre confrontar o passado para se decidir dar o passo à frente. Gil Pender se diverte pedindo quadros para Picasso e tomando conselhos de Gertrude Stein, mas em determinado momento, pela frequência com que os encontra – antes, depois ou durante as festas –, é como se a magia da época áurea para ele fosse terminando, e essa magia é a mesma que sentimos quando Allen deposita sua expectativa num passo idealizado e romantizado: para ele, é preciso recorrer às fontes, embora não seja o melhor viver delas nem com elas. Com isso, a magia de Meia-noite em Paris vai também, aos poucos, diminuindo, quando vemos que Allen, na verdade, parece se conformar com o presente.
Entre idas e vindas no tempo, o personagem, apesar de indicar comprimidos modernos a Zelda Fitzgerald, antecipar a ideia de um filme para Buñuel ou prever que poderá acontecer num encontro romântico até então inexistente – nas tiradas de Marty McFly de Gil Pender –, pode ser visto como alguém que se concentra no passado para, então, de repente, renascer. Paris é idealizada por Gil Pender, mas aos poucos talvez seja hora de colocar uma música na vitrola e ficar em casa com os livros e a amada. Tal elemento parece estranho à filmografia de Woody Allen, que sempre esteve mais interessado em deixar seus personagens inquietos. No entanto, parece algo que se coloca cada vez mais no cinema moderno: o personagem melancólico transforma sua própria melancolia em obra. Ou seja, trata-se de uma melancolia arquitetada, construída, apenas à espera da chuva de Paris para poder se justificar (enquanto em outra comédia romântica, a subestimada Alguém tem que ceder, era a neve).
Allen está num momento inspirado, como esteve na maior no início deste século, sem ter a contrapartida da crítica (apenas para citar dois filmes: Igual a tudo na vida e Dirigindo no escuro, cada um especial à sua maneira de não levar a sério o contexto em que estão inseridos), entretanto aqui volta aos tempos de A rosa púrpura do Cairo (quando Jeff Daniels saía da tela para beijar Mia Farrow), em igual medida, tendo Gil como seu guia e alter ego, apaixonado pela chuva que cai sobre Paris, deixando-a mais bonita. Mas isso não é no passado?
Não para Allen, que se coloca como observador de um universo atemporal.

Midnight in Paris, EUA/ESP, 2011 Diretor: Woody Allen Elenco: Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Rachel McAdams, Adrien Brody, Gad Elmaleh, Carla Bruni, Nina Arianda, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet Produção: Letty Aronson, Jaume Roures, Stephen Tenenbaum Roteiro: Woody Allen Fotografia: Darius Khondji Trilha Sonora: Stephane Wrembel Duração: 94 min. Distribuidora: Paris Filmes Estúdio: Gravier Productions / Mediapro / Televisió de Catalunya (TV3) / Zentropa International Sweden

Cotação 4 estrelas e meia

 

Para Roma com amor (2012)

Por André Dick

Foi nos anos 70 que Allen consagrou seu estilo, com Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) e Manhattan, à frente dos demais. Nos anos 80, fez filmes mais nostálgicos, como A era do rádio, A rosa púrpura do Cairo e Hannah e suas irmãs, um pouco mais dramáticos do que o habitual. Nos anos 90, teve o que se considera seu declínio, mas ainda assim vemos títulos entre os melhores de sua trajetória, a começar por Maridos e esposas, Tiros na Broadway e Poucas e boas. Quando no início dos anos 2000, realizou filmes como O escorpião de Jade, Dirigindo no escuro e Igual a tudo na vida, comentava-se sobre sua distância dos melhores momentos. Era um exagero. Mesmo as comédias menos expressivas de Allen são melhores do que aquelas habituais, e um filme como Igual a tudo na vida, uma espécie de Annie Hall de jovens, é um dos melhores. Com  produções em que experimenta paisagens fora de sua habitual Nova York, Woody Allen vem fazendo uma espécie de cinema turístico. Foi assim em Vicky Cristina Barcelona, Meia-noite em Paris e agora em Para roma com amor. Todos filmes com qualidade, elencos de destaque e diálogos que fluem.
Allen se divide entre reinventar o que já fez nos anos 70 e a nostalgia de sua fase oitentista. Meia-noite em Paris mesclava ambos os momentos de maneira superior a tudo o que andávamos assistindo, e Owen Wilson era um alter ego de peso para o diretor, repetindo seus maneirismos. Havia nele um peso turístico grande – o início, sobretudo, podia fazer parte de cartões postais –, mas não havia nenhuma grande influência específica do cinema francês. É como se Allen tivesse transportado seus tipos amargurados de Nova York, intelectuais arrependidos por fazer sucesso, para Paris. Ele também não estava interessado em mostrar exatamente a cultura francesa, e sim artistas de diferentes lugares que estavam em Paris na década de 1920.
O que não acontece em Para Roma com amor, que é uma espécie de reedição das comédias italianas dos anos 60 e 70, com uma certa leveza, sobretudo na trilha sonora (com alguns clássicos), que não víamos há muito tempo e um senso equilibrado de farsa. Se Allen agora divide-se em quatro histórias, é porque Roma e a Itália evocam muito mais um cinema do qual tenta se aproximar do que o francês. E se sai muito melhor do que, por exemplo, um Robert Altman em Prêt-à-porter, no qual gostaria de ter feito um filme como este.
Ele se sente mais à vontade com os tipos italianos, e começa apresentando o filme por meio de um agente de trâfego – que logo, no entanto, desaparece. Em seguida, vemos um casal se conhecendo: a americana de Nova York, Hayley (Alison Phill), fazendo turismo, e o rapaz italiano, Michelangelo (Flavio Parenti). O seu pai é justamente um senhor nova-iorquino, da indústria de música, Jerry (Allen, divertido), casado com uma psicóloga, Phyllis (Judy Davis) – “Se está falando em nome de Freud, peça meu dinheiro de volta”, diz ele. Chegando à Itália, logo tem um atrito com o noivo da filha, sobretudo quando põe na cabeça que o pai dele, Giancarlo, poderia ser um tenor (este personagem é interpretado por um tenor real, Fabio Armiliato), depois de ouvi-lo cantando no chuveiro, o que rende uma das cenas mais divertidas do filme. Insistindo em tirá-lo do trabalho como agente funerário, ele tentará, por meio disso, provar que não deveria estar aposentado e, como ele diz, próximo da morte.

A segunda história mostra um jovem arquiteto, Jack (Jesse Eisenberg, um ator que, embora tenha trejeitos e cacoetes, é divertido), casado com Sally (Greta  Gerwig, sem oportunidade de aparecer), que recebe a visita não só de um arquiteto mais velho, John (Alec Baldwin, aprimorando seu estilo de comediante que rouba a cena nas poucas em que aparece), que depois identificamos como sendo uma espécie de alter ego experiente de sua vida (embora não pareça Baldwin ser sua versão mais velha, uma vez que ele pouco tem a ver com Eisenberg, a não ser que seja mais uma liberdade de Allen), como da melhor amiga da mulher, Monica (Ellen Page, inexpressiva em Juno e que aqui parece tentar imitar até mesmo os trejeitos da Amanda de Christina Ricci de Igual a tudo na vida, que, ao mesmo tempo, tinha os mesmos elementos pseudoculturais na sua fala), completamente liberal. O seu alter ego tenta alertá-lo de suas possíveis traições e de sua pseudocultura. Em certo momento, ela encadeia citações de Yeats, Rilke e Pound – John salta atrás de Jack, dizendo que ela decorou um verso de cada. Esta é a história mais parecida com a dos tradicionais filmes de Allen.
A outra história envolve um casal que chega a Roma, Milly (Alessandra Mastronardi) e Antonio (Alessandro Tiberi). Ele vem em busca de negócios e para apresentar a mulher à família. Por uma série de questões pouco convicentes, mesmo para uma comédia como essa, ele acaba tendo de apresentar a prostituta Anna (Penélope Cruz) como sendo a mulher, que, por sua vez, está perdida em Roma, encontrando-se com o seu astro preferido. Esta parte lembra as comédias descompromissadas italianas dos anos 70, mas perece por ser excessivamente teatral. Especialmente porque Tiberi não é um bom ator, o que dá a todas as sequências em que aparece um ar de teatro precário. Penelope, ao contrário do papel que recebeu em Vicky Cristina Barcelona – bastante divertido, o que lhe rendeu um Oscar de atriz coadjuvante – parece aqui completamente deslocada, como se tivesse sido chamada para o papel às pressas para complementar o filme em que estivesse faltando um pedaço (quando não estava; era a parte excessiva). Na verdade, curiosamente, esta parte, que mais lembra as comédias italianas, dos anos 60 e 70, é a que menos rende frutos a Allen.
Finalmente, temos a parte do filme que apresenta Leopoldo Pisanello (Roberto Benigni, que aqui parece encontrar seu tom certo). De um dia para outro, ele começa a ser perseguido por repórteres e vai para a TV, transformando-se numa personalidade pública, mesmo não tendo absolutamente nada a dizer. Esta é a parte, digamos, mais surreal e farsesca do filme – embora todas as outras tenham uma dose desses elementos – e, a princípio, pela interpretação de Benigni, uma das mais divertidas. No entanto, a piada, pela repetição, acaba cansando, e Allen não sabe, ao contrário do que acontece em Meia-noite em Paris, cortar o filme em pelo menos 20 minutos, fazendo os personagens repetirem situações num tempo muito extenso de metragem (em alguns momentos, com a estranheza de vermos continuamente microfones pendurados acima dos atores; seria algo precário mesmo ou tudo não seria mais do que teatro filmado? Ao final, não sabemos). O que, obviamente, não impede de o espectador se divertir com cada tipo que ele apresenta, com a colaboração da fotografia de cenários tipicamente italianos de Darius Khondji (que já havia trabalhado com Allen em Meia-noite em Paris, e fez trabalhos de destaque, como em Seven, Delicatessen e O quarto do pânico).
A obsessão de Allen por mulheres que adoram citar referências literárias para tentar conquistar quem desejam está cada vez mais presente, assim como sua crítica à fama – mesmo que de modo, muitas vezes, moralista – e à tentativa de transformação da juventude. O seu genro no filme é o exemplo acabado desta tentativa: preocupado em transformar o mundo, não aceita, em momento algum, que o pai seja mais do que agente funerário, debochando de sua tentativa de ser um tenor. Do mesmo modo, os personagens estão querendo eliminar suas frustrações sexuais de modo enviesado: o personagem do arquiteto é muito parecido com o de Jerry Falks (Jason Biggs), de Igual a tudo na vida, e ambos são divertidos – com a diferença de que aquele queria ser escritor, aconselhado por um escritor mais velho (o próprio Allen) e paranoico. Por sua vez, Antonio idolatra a mulher, que não parece tão interessada nele quanto em atores e assaltantes. Todos os personagens estão perdidos em becos e ruelas, como se quisessem se prender ao labirinto de paisagens que Roma apresenta – ao lado daquelas turísticas, grandiosas, sendo o cenário, muito mais do que em Meia-noite em Paris, representativo desses personagens, que perambulam sem saber ao certo para onde ir e cujo movimento é variado (as histórias se passam em tempos diferentes). E Allen não repete o papel de um humorista que escreve piadas para pessoas mais jovens, mas varia um pouco, indo para o universo musical, do qual pelo menos entende que tirar o artista de sua zona de conforto pode propiciar problemas na plateia. Já Benigni, com seu tipo indefinido entre o espanto e a pretensão, faz de tudo com o papel limitado que recebe, cercado por dezenas de figurantes a cada cinco minutos que aparece na tela – e seu personagem, ao mesmo tempo, previsível, parece definir tudo o que se passa nos holofotes ou bastidores de Roma. Sim, completamente farsesco, embora não por isso menos divertido.

To Rome with love, EUA/ESP/ITA, 2012 Diretor: Woody Allen Elenco: Ellen Page, Woody Allen, Jesse Eisenberg, Penélope Cruz, Alec Baldwin, Alison Pill, Greta Gerwig, Roberto Benigni, Ornella Muti, Judy Davis Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum  Roteiro: Woody Allen Fotografia: Darius Khondji Duração: 107 min. Distribuidora: Paris Filmes Estúdio: Gravier Productions / Mediapro / Medusa Film

Cotação 3 estrelas e meia