Rambo – Até o fim (2019)

Por André Dick

O ator Sylvester Stallone conseguiu construir sua carreira principalmente em cima de dois personagens: Rocky Balboa, o lutador de boxe humilde da Filadélfia, e John Rambo, o veterano que voltou do Vietnã sem a guerra ter saído dele. No seu primeiro filme, Rambo – Programado para matar, ele colocava uma cidade do interior em polvorosa depois de um xerife arrogante tentar expulsá-lo do lugar. Era a oportunidade de Stallone mostrar uma vertente mais violenta do seu boxeador. E o filme era um dos grandes momentos do cinema dos anos 80. Na continuação, com roteiro de James Cameron, ele voltava de fato ao Vietnã para resgatar prisioneiros de guerra – e sua história pouco provável rendeu boas sátiras, como Top Gang, apesar de suas cenas de ação serem uma cortesia de George Pan Cosmatos. Nos episódios seguintes, ele ia ao Afeganistão combater os russos, numa das produções mais caras da história e com cenas de ação muito bem filmadas, e à Birmânia.

Em Rambo – Até o fim, o personagem cuida da fazenda herdada do pai em Bowie, Arizona, com a amiga Maria Beltrane (Adriana Barraza) e sua neta Gabrielle (Yvette Monreal) salvando pessoas de tormentas, montado em cima de um cavalo. Gabrielle fica sabendo notícias do paradeiro de seu pai (Marco de la O) por meio de uma amiga, Jezel (Feneza Pineda), mas, por ele tê-la abandonado, é impedida por sua avó. Rambo tenta protegê-la da maldade do mundo, sendo contrariado pelo ímpeto de quem deseja descobrir seus caminhos por si só. Ou seja, ele projeta a figura do cowboy norte-americano. Stallone escreve o roteiro com Matt Cirulnick, no entanto, com uma série de lugares-comuns, ele não consegue reproduzir o fechamento para seu personagem Rocky em 2006, o ótimo Rocky Balboa – embora ele voltasse na história de Creed em 2015. Isso talvez se deva não apenas a Stallone não ter mais encontrado o ponto de vista que fazia Rambo ser tão interessante na Guerra Fria, colocando-o numa paisagem evocando a dos dois Sicario, em meio ao cartel de drogas mexicano e à exploração de mulheres, assim como Onde os fracos não têm vez (no qual Stallone diz ter especialmente se inspirado). Rambo, apesar da violência que empreendia contra os inimigos, sempre possuiu uma faceta de tentativa de mudar o próprio mundo.

Este Rambo atual, que, na verdade, podia atender por outro nome (se não fosse a questão da guerra e o uso do arco e flecha), talvez por fazer parte de outra fase de vida de Stallone, não tem essas características Nisso, acaba se reproduzindo uma espécie de testamento sobre a falência da humanidade. Se a primeira parte é bastante previsível, com uma série de discussões que não encontram o ponto, sem dúvida a segunda parte é forte e conta com a presença de uma jornalista, Carmen (Paz Vega), a qual investiga o cartel. No entanto, o roteiro não constrói a passagem para o terceiro ato e a figura da jornalista, que seria muito interesse para desenvolver uma trama paralela, se torna pouco aproveitável. Os vilões pouco têm a dizer e não se constrói a expectativa de Rambo em enfrentá-los. Além disso, todo o trabalho de fotografia lembra o de um antigo telefilme, em contraposição, por exemplo, ao terceiro, que, com todos seus problemas narrativos, era um evento de luzes e sombras.

Não ajuda Adrian Grunberg ser um diretor muito inexperiente para lidar com um personagem de quase 40 anos, reduzindo-o praticamente a algumas cenas violentas (um elemento também dos outros da série, prejudicado especificamente por uma que, além do exagero, extrai do personagem sua humanidade presente principalmente no original de 1982), um tanto abruptas e sem a agilidade de um filme de ação. Também nos outros filmes, Rambo sempre agiu de maneira extrema, mas o roteiro entregava um desenvolvimento capaz de convencer o espectador de que havia mais do que um enfrentamento em jogo; aqui vemos um homem amargurado, à vontade apenas em construir túneis de guerra debaixo de uma fazenda, sem a necessária empatia, mesmo na sua preocupação paternal. Sobre o retrato que o filme oferece do México, mesmo cineastas naturais do país, como Amat Escalante no ótimo Heli, que, aliás, poderia ser uma prévia desse filme – melhorada –, costumam receber críticas pelo retrato que fazem dele. Não há nenhuma novidade no que é visto, com argumentos prós e contras. Ou seja, este Rambo pode não mostrar uma boa imagem dos mexicanos e é antecedido nisso por dezenas de obras, inclusive indicadas ao Oscar, a exemplo de Babel e Traffic. Talvez se possa dizer que as duas atuações mais dedicadas sejam justamente dos atores Sergio Peris-Mencheta e Óscar Jaenada nos papéis dos traficantes Hugo e Victor Martinez – ambos, apesar de pouco a dizerem, interpretam bem seus personagens. Quanto a Rambo e seus dilemas de guerra, é mais interessante voltar aos três filmes dos anos 80, quando ele não falava tanto de si mesmo, mas seu silêncio costumava indicar exatamente o que sentia.

Rambo – Last blood, EUA, 2019 Diretor: Adrian Grunberg Elenco: Sylvester Stallone, Paz Vega, Sergio Peris-Mencheta, Adriana Barraza, Yvette Monreal, Genie Kim, Joaquín Cosío, Oscar Jaenada, Marco de la O, Sergio Peris-Mencheta, Óscar Jaenada Roteiro: Matthew Cirulnick e Sylvester Stallone Fotografia: Brendan Galvin Trilha Sonora: Brian Tyler Produção: Avi Lerner, Kevin King Templeton, Yariv Lerner, Les Weldon Estúdio: Millennium Media, Balboa Productions, Templeton Media Distribuidora: Lionsgate

 

Rocky – Um lutador (1976)

Por André Dick

O primeiro filme da série Rocky, de 1976, teve uma trajetória tipicamente de ascensão de um astro, também responsável pelo roteiro. Sylvester Stallone até então havia tido pouca presença no cinema. Foi mais do que uma simples ascensão. Stallone conduziu Rocky – Um lutador ao Oscar e, mais do que ao prêmio, à vitória, nas categorias de filme e diretor, superando Todos os homens do presidente e Rede de intrigas, sobre os bastidores da política e do jornalismo.
Se o segundo veio na esteira, tendo praticamente o mesmo estilo que encontraremos em Rocky Balboa, não se pode esquecer que se trata de uma das melhores peças de boxe já feitas e, a despeito de ser parte de uma franquia, um dos que têm menos aspecto de blockbuster, para faturar milhões – mesmo porque, na época de seu lançamento, ainda não havia esse conceito firmado.

Este elemento havia em Rocky III e Rocky IV, feitos sob o influxo da estética do video clipe dos anos 80, com belas canções, montagem acelerada, mas com o intuito basicamente de se divertir, sem compromissos.
Rocky – Um lutador é uma espécie de precursor para Touro indomável, de Scorsese, mostrando um lutador chamado Rocky Balboa, morador do bairro de Kensington, na Filadélfia, apaixonado por Adrian Pennino (Talia Shire), que trabalha numa loja de animais e é irmã de seu amigo Paulie (Burt Young). Ele se envolve em lutas amadoras, no entanto trabalha mais cobrando contas para um agiota, Anthony Gazzo (Joe Spinell). Certo dia, o grande campeão mundial Apollo Creed (Carl Weathers) resolve dar oportunidade a um lutador comum, e ele é o escolhido – representando a oportunidade do “sonho americano” –, sendo convidado pelo promotor Miles Jergens (Thayer David). Para que possa enfrentá-lo, ele pede a ajuda do dono de uma academia de boxe, Mickey (Burgess Meredith), seu amigo. É esta amizade a fonte para toda a série no requisito familiar, de aproximação entre personalidades diferentes e que se complementam para partir rumo a uma vitória imprevista por todos.

Se Creed (que se torna seu amigo no terceiro da série) é uma espécie de boxeador com o olho nas finanças, a vida de Rocky é mais soturna e densa. Pode-se imaginar aqui o que se tornaria em Rocky Balboa, já como dono de um restaurante, afastado do mundo do boxe, quando vive bem, andando pela Fidadélfia e sendo reconhecido apenas por fãs antigos.
Os elementos dos outros Rocky estão já neste primeiro, principalmente o humor do boxeador, assim como se assinala o romantismo em relação à mulher e à projeção de constituir uma família. É uma pena que Stallone não tenha se dedicado mais em sua trajetória a filmes como este, ou, mais recentemente, Creed, com um roteiro que encobre suas limitações como ator. Não temos em nenhum momento o caminho mais comercial, como na sequência de “The eye of Tiger”, de Rocky III, porém sim uma Filadélfia acinzentada, com ruas vazias e bares cheios, no entanto prontos para alguma confusão. O diretor John G. Avildsen, com o mesmo talento que mostraria em Karatê Kid e Meu mestre, minha vida, sabe desenhar, mesmo assim, uma atmosfera acolhedora. O primeiro encontro entre Rocky e Adrian que termina num ringue de patinação é um exemplo dessa conciliação entre um romance implícito e uma vontade de desenhar um personagem capaz de criar empatia imediata com o público, por uma certa simplicidade e ingenuidade diante das coisas da vida.

Contudo, o lutador pode trazer essa vida de volta – e ele traz, mas sem a alegria desenfreada da montagem fragmentada e sim sob o aspecto da fotografia e do design de produção casados de maneira efetiva numa Filadélfia introspectiva. Rocky – Um lutador sabe captar, como poucos filmes de boxe, a solidão do lutador, a expectativa para o combate, os dilemas na família, o confronto aberto com o adversário e a pressão da imprensa para criar um espetáculo com o objetivo de tornar homens em mitos. A maneira como Avildsen mostra o treinamento de Rocky com Mickey é justificadamente exitoso em sua maneira de conduzir o espectador ao ápice de uma narrativa bastante simples e francamente honesta em cada uma de suas exposições e discursos, graças não apenas à atuação de Stallone, como também do grande Meredith. O círculo familiar, composto por Adrian e Paulie, e o círculo esportivo, tendo à frente Mickey, tornam o personagem extremamente empático. O flerte inicial ele com Adrian, principalmente conversando sobre pássaros numa gaiola, falam muito de cada um e de suas pretensões para o que vem a seguir. Num ritmo entre o calmo, o melancólico e o otimista e ágil, principalmente na luta final (que certamente fez o filme ganhar o Oscar de melhor edição), Rocky – Um lutador permanece como uma das grandes obras, talvez um tanto subestimada, dos anos 1970. Do mesmo modo, a trilha sonora colabora para um clima de triunfo esportivo: é a obra-prima da trajetória de Bill Conti. Ela torna a corrida de Rocky pela escadaria, num ponto-chave da narrativa, em um sentimento nostálgico e comovente, capaz de preparar o personagem para seu grande embate.

Rocky, EUA, 1976 Diretor: John G. Avildsen Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Burgess Meredith, Thayer David, Joe Spinell Roteiro: Sylvester Stallone Fotografia: James Crabe Trilha Sonora: Bill Conti Produção: Irwin Winkler, Robert Chartoff Duração: 119 min. Distribuidora: United Artists

 

Creed II (2018)

Por André Dick

A primeira parte da série Rocky, de 1976, recebeu os Oscars de melhor filme e direção e o segundo veio na esteira, tendo praticamente o mesmo estilo. Já Rocky III e Rocky IV foram feitos sob o influxo da estética do videoclipe dos anos 80, com belas canções, montagem acelerada, mas com o intuito da diversão. No quarto, especificamente, o lutador enfrentava Ivan Drago (Dolph Lundgren), boxeador russo treinado em laboratórios, depois de ele matar seu amigo Apollo Creed numa luta-evento. É justamente com este quarto filme da série que Creed II estabelece mais contato.
Michael B. Jordan regressa como Adonis, filho de um relacionamento extraconjugal de Apollo, que passou um bom tempo no reformatório até ser buscado pela esposa dele, Mary Anne (Phylicia Rashad), com quem possui um relacionamento baseado na confiança.

Depois de derrotar Danny “Stuntman” Wheeler (Andre Ward) e se tornar campeão mundial, ele é procurado por um agente, Buddy Marcelle (Russell Horsnby) para lutar com Viktor Drago (Florian Munteanu), filho de Ivan (mais uma vez  Lundgren), que matou seu pai em Rocky IV. Sem o apoio de Rocky para a nova empreitada, ele se muda para Los Angeles, onde vai treinar sob o comando de Tony “Little Duke” Evers (Wood Harris), filho do treinador de seu pai. No entanto, não apenas esses personagens atuam em sintonia, como também Tessa Thompson, na persona de Bianca Taylor, namorada de Creed. O romance entre os dois remete ao de Rocky e Adrian – e a personagem de Bianca é sensível na medida em que atinge notas conseguidas antes na série justamente apenas por Talia Shire, principalmente em Rocky II, com o qual este filme tem muitas semelhanças também. Aqui o casal em início de vida conjunta precisa estabelecer uma nova estrutura para que cada um possa se realizar em sua área: Bianca é uma música, com problemas auditivos.
Stallone está mais uma vez excepcional como um personagem que não tem mais a esposa e os amigos à sua volta e se volta à tentativa colocar Adonis como uma espécie de substituto para a paternidade falha que teve com Robert.

As nuances que Stallone entrega para seu personagem diferem daquelas exibidas em Rocky Balboa, no qual era mais bem-humorado e com uma ironia cáustica; a partir do primeiro Creed ele parece conduzir seu limite pessoal a um enfrentamento com o destino, e não é diferente aqui. Neste, a família Drago chega à Filadélfia com o objetivo de modificar a mitologia de turistas indo visitar a estátua de Rocky. Há um ressentimento de Ivan ao relação ao boxeador que o derrotou três décadas atrás, e uma tentativa de usar o filho de Creed para uma vingança pessoal. Os personagens são interdependentes. Deve-se dizer que o quinto filme, que tinha novamente John G. Avildsen na direção (como o primeiro) já apresentava um estilo que está sendo trabalhado na série Creed: embora com resultado irregular, era soturno, mais denso, mostrando a interrupção da carreira de Rocky (em razão da quantidade de socos que recebeu na cabeça), a volta para a Filadélfia (em razão de um contador desonesto) e o início de treino de um jovem com talento.
Mais do que sobre lutas, Creed, como Rocky, fala da passagem de tempo, de como os personagens submergem de seus conflitos pessoais e de como as histórias podem criar vínculos a distância, desenhando vínculos familiares. Neste sentido, apesar das devidas diferenças, o jovem diretor Steven Caple Jr. consegue realmente dar sequência à história iniciada pela figura de Rocky Balboa. Como John G. Avildsen no original, Stallone em Rocky II e Rocky Balboa e Coogler em Creed, o cineasta está interessado sobretudo nos personagens e a carga dramática que ele imprime ao filme está longe de ser superficial. Mesmo que não consiga atingir o punch de Coogler do primeiro, por contar com um roteiro mais didático e expositivo (Juel Taylor, que o assina com Stallone, é um estreante), ele extrai novamente ótimas atuações de todos (B. Jordan está novamente num dos melhores momentos de sua carreira) e encadeia a narrativa de maneira ágil do início ao fim. A sequência está no seu melhor quando mostra situações familiares de Creed, principalmente quando se vê diante de uma situação-chave em sua vida. E algumas sequências são, além de bem filmadas, simbólicas, como aquela em que o personagem central, sentindo-se destruído, tenta buscar um novo horizonte embaixo d’água, com imagens que remetem a cruzes no fundo de uma piscina, indicando vida e morte.

É uma pena que Stallone não tenha se dedicado mais em sua trajetória a obras como esta, em que encobre suas limitações com uma composição bem feita. Caple Jr. não coloca em nenhum momento a estética de videoclipe, mas mostra uma rotina de boxeador mais contida. Creed passa a viver com a namorada num apartamento vazio em Los Angeles, a academia onde treina tem uma imagem de seu pai Apollo que parece pesar sobre seus ombros; as ruas da Filadélfia e o restaurante de Rocky parecem desolados. A própria vida do filho e do pai Drago, na Ucrânia, embora não explorada como iria sugerir um roteiro superior, se dá num ambiente desolador, quase pós-guerra, com uma fotografia mais propensa a uma obra como Foxtrot, o que não deixa de ser curioso, pois Rocky IV era basicamente um documento cinematográfico da Guerra Fria nos anos 80. No entanto, o lutador pode trazer essa vida de volta – e ele traz, mas sem a alegria desenfreada da montagem fragmentada e sim sob o aspecto da fotografia e da trilha sonora casadas de maneira efetiva. A analogia que Caple Jr. faz entre os Balboa, os Creed e os Drago mostram, mais do que uma vida dedicada à luta, uma superação diária de traumas insolucionáveis, que devem ser enfrentados mesmo assim. Para esses personagens, apesar de existirem o medo e o ressentimento, não pode haver meio-termo; é preciso enfrentá-los.

Creed II, EUA, 2018 Diretor: Steven Caple Jr. Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Wood Harris, Phylicia Rashad, Dolph Lundgren, Russell Horsnby, Florian Munteanu Roteiro: Juel Taylor e Sylvester Stallone Fotografia: Kramer Morgenthau Trilha Sonora: Ludwig Göransson Produção: Sylvester Stallone, Kevin King-Templeton, Charles Winkler, William Chartoff, David Winkler, Irwin Winkler Duração: 130 min. Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer, New Line Cinema, Warner Bros. Pictures, Chartoff-Winkler Distribuidora: Metro-Goldwyn-Mayer (Estados Unidos), Warner Bros. Pictures (Internacional)

Os embalos de sábado à noite continuam (1983)

Por André Dick

Quando a continuação de Os embalos de sábado à noite estreou em 1983, a surpresa não deve ter sido pequena. Depois de um filme que foi um marco cultural no final dos anos 70, reproduzindo a febre da discoteca, com a trilha marcante dos Bee Gees, possivelmente ninguém esperava que sua sequência fosse realizada por Sylvester Stallone. E mais: que John Travolta, no personagem de Tony Manero, reaparecesse como uma espécie de Rocky Balboa, dançando na Broadway, com músculos e elasticidade de um atleta olímpico.
A aproximação feita por Stallone de Manero com seu personagem icônico é visível, inclusive no figurino do personagem e esse detalhe não é desprezível para que se entenda a aversão ao filme: praticamente toda a crítica o considerou um fracasso, mesmo que, junto ao público, tenha feito boa bilheteria. Os embalos de sábado à noite continuam mostra Manero querendo seguir carreira de dançarino. Isso poderia ser forçado, não fosse ao mesmo tempo um risco. Lembremos que no primeiro filme ele trabalha vendendo tinta no Brooklyn, mas quando chega sábado vai para uma discoteca, o Clube 2001 Odyssey, onde é o destaque, cercado de luzes, também embaixo de seus pés, típicas dos anos 70. Ele tenta se vestir como Al Pacino e Sylvester Stallone, suas referências do universo ítalo-americano e está tentando sair do seu universo, do qual não gosta, para tentar entreter as pessoas e, sobretudo, entreter-se. Annette (Donna Pescow) tem interesse por ele, porém é ignorada. Sua paixão é Stephanie (Karen Lynn Gorney), que deseja sair do Brooklyn para Manhattan, onde estão as neuroses contemporâneas vistas por Allen.

Trata-se de uma nova saída para o cinema – a saída pelo prazer da música, no entanto não aquela depositada no cinema áureo de Hollywood, de musicais como A noviça rebelde, Amor, estranho amor e Um violinista no telhado, e sim pelo dia a dia de pessoas comuns. Nesse sentido, este belo filme de John Badham (que nos anos 80 faria o referencial Jogos de guerra) antecipa todo o movimento de videoclipes e da MTV, assim como obras no estilo de Nos tempos da brilhantina (também com Travolta), Fama, Flashdance, Footloose e Dirty Dancing, esses quatro representativos dos anos 1980, e mesmo bandas nova-iorquinas, a exemplo de Blondie, nos anos 70, e The Strokes, neste século (cujo clipe “Hard to explain” tem imagens que lembram as discotecas dos anos 70 de Os embalos).
O filme, com seus relacionamentos e as dúvidas amorosas de Tony Manero – que seria “revivido”, já numa fase mais madura, por Travolta em Pulp fiction, de Tarantino –, consegue ser atemporal: ou seja, os temas de que trata, que resultam na condução ou desaparecimento de uma amizade e no sentido de que a infância e a adolescência estão ficando para trás, conseguem avançar sobre o espectador.

Na passagem do Brooklyn para Manhattan, em que o sonho se transforma em competitividade no trabalho, Manero faz testes para shows, sem passar em nenhum, enquanto trabalha numa academia ensinando dança e à noite como garçom. Sua namorada, Jackie (Cynthia Rhodes), também dança e dá aulas no mesmo lugar, além de ser vocalista de uma banda underground. Stallone desenha uma atmosfera típica do início dos anos 80 e, sendo o filme do mesmo ano de Flashdance, é interessante como ambos se pareçam, tanto em ritmo, na trilha sonora contínua, quanto em desenvolvimento dos personagens. O roteiro original era de Norman Wexler, autor do primeiro, mas parece que Stallone praticamente o reescreveu, certamente diminuindo o número de diálogos e tornando a narrativa mais compacta. Este não é mais o filme dos anos 70, de John Badham, e sim um dos 80, feito por Stallone um ano depois de Rocky III, que se parece visualmente com a sequência de Os embalos. Stallone coloca a trilha sonora nas mãos dos Bee Gees e de seu irmão Frank, e o resultado é uma sucessão notável de hits oitentistas.

O comportamento de Tony em relação às mulheres não mudou muito. Ele continua buscando quem o rejeita, nesta sequência a dançarina Laura (Finola Hughes, a mais fraca do elenco). Por meio curiosamente da música antológica “Staying alive”, dos Bee Gees, marca do primeiro filme, Stallone coloca Manero em situações que lembram aquelas da superação de Rocky Balboa: ele caminhando num parque, observando uma estátua, ou na ponte que liga Nova York e Manhattan. Isso recupera os conflitos do personagem em relação a seu passado, numa visita à mãe Flo (Julie Bovasso), e, quando passa pela antiga 2001 Odyssey, vê que se transformou numa boate gay, o que mostra especificamente o contexto do início dos anos 80 em Nova York de maneira exemplar, já exposto em Parceiros da noite, com Al Pacino, outra referência do personagem Manero. É genuína a atuação de Rhodes, fazendo um bom dueto com Travolta, principalmente nas sequências mais dramáticas, contudo também nas de dança, muito bem efetuadas e com um design de produção atrativo, remetendo a All That Jazz, de Bob Fosse, realizado em 1979, com a fotografia de Nick McLean mostrando um bom panorama do palco e da movimentação dos dançarinos sob a carga de luzes e jogo cenográfico. Stallone oferece a ela um figurino rosa nos momentos mais delicados e um vermelho quando se mostra no trabalho, como dançarina ou cantora.

Há, inclusive, um conflito nos bastidores da peça da qual Manero vai participar que tem ecos precursores do Cisne negro de Arronofsy, de maneira mais ingênua, é certo, no entanto resolvida dentro da narrativa mais modesta e objetiva. Os embalos de sábado à noite continuam é uma das sequências mais esquecidas da história do cinema, mas Travolta talvez tenha uma atuação aqui melhor do que a do primeiro (pela qual foi indicado ao Oscar), aplicando muito bem sua raiva interna pelas situações em que se envolve por teimosia. E Stallone, na obra mais estranha à sua filmografia, apresenta uma agilidade cênica que ele aplicaria novamente em Rocky IV, alguns anos depois, com o ponto de superação como meta. Manero tinha Stallone como referência no primeiro filme; aqui, embora pareça se converter nele, pelo menos fisicamente, não deixa de ser um símbolo de uma era em que os artistas queriam conquistar o mundo por meio da Broadway, na mesma época em que Wall Street personificava o sonho americano. Temos um nervosismo na atuação de Travolta e uma melancolia no olhar de Rhodes que representa bem essa passagem dos anos 70 para os 80, num mundo caminhando progressivamente para o conhecimento de que a selva nova-iorquina deve ser vencida pela diversão.

Staying alive, EUA, 1983 Diretor: Sylvester Stallone Elenco: John Travolta, Cynthia Rhodes, Finola Hughes, Steve Inwood, Julie Bovasso Roteiro: Sylvester Stallone, Norman Wexler Fotografia: Nick McLean Trilha Sonora: Barry Gibb, Maurice Gibb, Robin Gibb Produção: Sylvester Stallone, Robert Stigwood Duração: 93 min. Estúdio: RSO Records Distribuidora: Paramount Pictures

Guardiões da galáxia Vol. 2 (2017)

Por André Dick

A equipe da série de ficção científica com grande dose de humor retorna em Guardiões da galáxia Vol. 2, mais uma vez dirigido por James Gunn. A volta era previsível, principalmente pela recepção do original junto ao espectador e uma arrecadação de mais de 700 milhões nas bilheterias, uma surpresa, que antecedeu a de Deadpool pelo pouco conhecimento do público em relação aos personagens dos quadrinhos. E ainda mais surpreendente era que Gunn, autor dos roteiros de duas adaptações para o cinema de Scoby-Doo e da refilmagem de Madrugada dos mortos, havia se destacado na direção à frente apenas de Seres rastejantes e Super.
Na equipe, estão novamente Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e Baby Groot (Vin Diesel), formando os Guardiões da galáxia. A Alta Sacerdotisa Ayesha (Elizabeth Debicki), da raça dos Soberanos, os convoca para proteger baterias de grande valor de um monstro ameaçador, chamado Abilisky, em troca da irmã de Gamora, Nebula (Karen Gillan), que estava tentando roubá-las. Esta sequência, que acontece ao som de “Mr. Blue Sky”, da Electric Light Orchestra, é realmente um dos acertos do universo Marvel: além da mescla entre som e imagens, há uma composição refinada dos ângulos do planeta que remetem ao início de Duna, de David Lynch.

Por causa da atitude de um dos guardiões, a Soberana ataca a nave deles com inúmeros drones, quando surge a figura de Ego (Kurt Russell), o pai de Quill, acompanhado de Mantis (Pom Klementieff). Enquanto isso, Ayesha contrata Yondu Udonta (Michael Rooker), o pai adotivo de Quill, para perseguir os Guardiões. É neste momento que Gunn desvia do humor habitual do primeiro, apesar de manter a trilha sonora, para mostrar algumas das cenas mais fortes do universo Marvel.
Ao contrário do primeiro filme, Guardiões da galáxia Vol. 2 tem uma tentativa de abordar uma relação significativa entre o que seria a origem de Quill e a amizade com seus companheiros. Se no primeiro a ligação era com a mãe, desta vez é com o pai, e Kurt Russell entrega um personagem ambíguo na medida certa, num traço de composição em que ele vem se especializando, desde Os oito odiados. O humor, usado em larga escala no primeiro, está presente, mas de maneira mais contida, principalmente por meio do Groot, a melhor participação da narrativa. É possível vislumbrar uma centelha mais dramática em Chris Pratt, assim como em Michael Rooker, embora Zoe Saldana novamente não ganhe o espaço necessário. Bautista novamente tem boa atuação como Drax, principalmente na sua ligação com Mantis, muito bem interpretada por Klementieff. Não temos aqui as presenças de Josh Brolin (Thanos), Glenn Close (Irani Rael/Nova Prime), John C. Reilly (Rhomann Dey) e Benicio Del Toro (Taneleer Tivan), que de certo modo enriqueciam o elenco original, mas as ausências são supridas não apenas pelas atuações do elenco central como pelos coadjuvantes e pela aparição de Sylvester Stallone.

Como no primeiro, há um padrão interessante de humor despertado por Gunn por meio de seus personagens, com um ritmo quase de animação mas sem se perder na caricatura e sim inserindo os personagens numa ação quase sempre surpreendente – no comportamento do Groot, por exemplo, quando ele precisa ativar uma bomba, embora seus olhos digam o contrário sobre essa atitude extrema diante de uma ameaça. Não apenas por meio de Quill, é visível que Gunn tenta inserir um caráter mais dramático na sua narrativa, principalmente nas expressões de Rocket e do Groot sendo, em determinado momento, colocado numa situação complicada, ou de Gamora e Nebula, sempre inseridas num conflito não solucionado. Há, inclusive, diálogos com uma conotação mais adulta do que o primeiro, de Drax e Quill em relação a Mantis. A mescla resulta interessante não apenas pela interação de elenco, como pelos bons diálogos de Gunn.
Além disso, ainda mais do que o primeiro, a direção de arte de Guardiões da galáxia Vol. 2 é um triunfo, até mesmo de simplicidade, com o design das naves feitos com uma mistura entre CGI e uma estranha coloração humana, aqui se destacando o amarelo fabuloso da raça dos Soberanos. E uma influência visível do Flash Gordon oitentista produzido por Dino de Laurentiis, mas, ainda mais, um cuidado visível com a ambientação fantástica, auxiliada pela fotografia de Henry Braham (A lenda de Tarzan).

O planeta em que a nave dos guardiões cai evoca também Endor de O retorno de Jedi e Pandora de Avatar, e Gunn desenha uma sequência ultraviolenta de maneira sintética apenas com o uso da trilha sonora. Percebe-se o cuidado que o diretor possui em relação aos cenários e à maneira como seus personagens interagem com eles. Como no primeiro, há uma certa profusão de CGI e uma competência técnica que às vezes se sobressai à emoção, mas ainda assim o salto do primeiro para o último ato é interessante.
Se o primeiro lidava com o conhecimento entre si dessa equipe, Gunn parece tentar neste segundo o conhecimento do que leva cada um a se sentir feliz junto uns dos outros. Isso não ocorre sem uma certa amargura e um punhado de decepção no que se refere ao passado. Isso é o que torna este segundo mais diferente do primeiro: mesmo sua trilha sonora mais desconhecida, embora muito boa, contribui para um afastamento do apelo mais pop do original, em que passos de dança podiam significar também um duelo para salvar o universo. Os personagens parecem estar em busca de uma explicação para o que mesmo fazem, e esta explicação pode estar dentro deles mesmos. Aparentemente, esta abordagem poderia ser melhor explorada em alguns momentos, mas mesmo assim se sobressaem aqueles mais íntimos da trama, quase ausentes no original. Isso torna Guardiões da galáxia Vol. 2 surpreendentemente emotivo.

Guardians of the galaxy Vol. 2 Diretor: James Gunn Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker, Karen Gillan, Pom Klementieff, Kurt Russell, Sylvester Stallone, Sean Gunn Roteiro: James Gunn Fotografia: Henry Braham Trilha Sonora: Tyler Bates Produção: Kevin Feige Duração: 136 min. Distribuidora: Disney Estúdio: Marvel Studios

 

Creed – Nascido para lutar (2015)

Por André Dick

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Sequências e refilmagens têm se proliferado em Hollywood há décadas, e nos últimos anos não é diferente. Enquanto há obras que conseguem trazer acréscimos ou mesmo renovar a versão antiga, há aquelas que se mostram mais pendentes a ter como objetivo uma homenagem ao elenco e ao diretor da franquia. Diante disso, nem toda a expectativa diante do filme poderia indicar o resultado emocional que Creed – Nascido para lutar proporciona, mas, sobretudo, para quem é admirador da série Rocky (mesmo daqueles filmes considerados mais pop, embora o quinto tenha deixado especialmente a desejar). Para esta continuação indireta da série, pois muda o protagonista, Stallone convocou Ryan Coogler, o diretor do belo Fruitvale Station, sobre um acontecimento trágico num metrô de Nova York. Já naquele filme, a competência de Coogler na condução de uma narrativa curta se mostrava com grande relevância, assim como a empatia do seu protagonista, interpretado por Michael B. Jordan, que regressa aqui como Adonis, um rapaz que passou um bom tempo no reformatório até ser buscado pela esposa de seu pai, Mary Anne (Phylicia Rashad), já que ele é filho de um caso extraconjugal.

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É uma semelhança importante com Fruitvale Station, no sentido de que o personagem inicia numa situação difícil; porém, a partir da adoção, a vida de Adonis se transforma. Trabalhando já adulto numa empresa, seu maior desejo é ter uma carreira de pugilista, tendo lutas escondidas em Tijuana, México. Também não quer ser associado à figura do pai, a fim de não receber favores indesejados. Ele decide se mudar de Los Angeles para a Filadélfia, atrás da figura de Rocky Balboa.
Se lhe dissessem que uma continuação para a história de Rocky mostraria o filho de Apollo Creed, talvez você imaginasse apenas um motivo para caça-níqueis, mas não com Jordan e Coogler, e um Stallone no auge de sua trajetória. Difícil imaginar que Stallone não tenha seu momento dramático mais intenso, mesmo em comparação com seus filmes anteriores da série, principalmente o primeiro, Rocky II e o ótimo Rocky Balboa. Ele está realmente excepcional como um personagem que não tem mais a esposa e os amigos à sua volta e se volta à tentativa de treinar o filho de seu melhor amigo e que o recuperou para a carreira depois da morte de Mickey em Rocky III. As nuances que Stallone entrega para seu personagem contrastam, por exemplo, de Rocky Balboa, em que ele se mostrava mais bem-humorado e com uma ironia cáustica; aqui ele parece conduzir seu limite pessoal a um enfrentamento com o destino – e também Stallone se dissocia, pelo menos no título, de uma de suas séries favoritas, ao lado de Rambo. Vejamos apenas as cenas mais discretas do personagem, como aquelas em que ele divide o espelho da academia com Creed para ensinar os golpes ou quando ele, numa situação delicada, precisa apoiar o jovem treinado a continuar na sua trajetória. Stallone parece, por meio do filme, ter consciência do legado desse personagem não apenas para sua trajetória (independente de se gostar ou não dele, de respeito) como da própria história do cinema.

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No entanto, não apenas esses personagens atuam em sintonia, como também Tessa Thompson, na persona de Bianca, que é conquistada por Creed. Há uma humanidade em ambos os personagens que poucas vezes vimos nesse tipo de história, tanto pela presença de Jordan como de Thompson. É certo que o romance entre eles remete ao de Rocky e Adrian – e a personagem de Bianca, embora numa participação talvez não tão merecedora do que deveria ganhar, é sensível na medida em que atinge notas conseguidas antes na série justamente apenas por Talia Shire. Em termos de roteiro, ambos conseguem traduzir as falas de maneira fluente, sendo o primeiro filme da série não roteirizado por Stallone, e sim por Coogler e Aaron Covington.
Se há uma queda na narrativa, ela acontece um pouco entre o segundo e o terceiro atos, mas Coogler traz uma hora final emotiva, com um poder muito grande de estabelecer a ligação emocional entre os personagens, e Stallone mais uma vez se destaca: a sua figura envelhecida e sábia é como se fosse o retrato de Mickey mais uma vez à tona. Contudo, em se tratando de uma visão de sabedoria, é Coogler que estabelece uma relação entre a Filadélfia dos anos 70 e dos anos 2010, não apenas pela atmosfera, como também pela trilha sonora. Coogler consegue captar um movimento de transformação do bairro, já antecipado por Stallone em seu belo Rocky Balboa de 2006.

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Mais do que sobre lutas, Creed, como Rocky, fala da passagem de tempo, de como os personagens submergem de seus conflitos pessoais e de como as histórias podem criar vínculos a distância. Neste sentido, apesar das devidas diferenças, Coogler consegue realmente dar uma sequência à história iniciada pela figura de Rocky Balboa, ao contrário da pressa de Abrams no último Star Wars em estabelecer vínculos com os fãs, apesar ainda ser muito interessante. Mas Coogler é mais exato ao criar um compasso original para as cenas de luta, uma delas sem um corte sequer, muito em razão da competência da fotografia de Maryse Alberti, além de empregar uma emoção especial no ato final, que eleva Creed a outro patamar, apesar de sua temática não original em relação aos filmes anteriores. Também não há nenhum material que deseje se aproximar de um Touro indomável, no tom ou maneira de se filmar (levando em conta que Scorsese inovou na maneira de captação das lutas). A referência, no universo do boxe, é realmente a série Rocky, da qual o diretor se teria dito fã a Stallone antes de colocar o projeto em prática. E, sem dúvida, há um contato direto com a obra original de Stallone, vencedor merecido do Globo de Ouro de coadjuvante (e, espera-se, também do Oscar). Quando a figura de Adonis se mescla com a de Apollo e com a de Rocky, sabemos que Coogler acerta em cheio no drama e na preferência de quem sempre gostou desses personagens. Creed se sente, desse modo, como uma continuidade de algo importante, mas também como algo independente, com seus próprios contornos e motivos. B. Jordan, nos minutos finais, assim como o filme de Coogler, é digno de premiações.

Creed, EUA, 2015 Diretor: Ryan Coogler Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Tony Bellew, Graham McTavish, Madeira Harris, Andre Ward, Gabe Rosado Roteiro: Aaron Covington, Ryan Coogler Fotografia: Maryse Alberti Trilha Sonora: Ludwig Goransson Produção: David Winkler, Irwin Winkler, Kevin King Templeton, Robert Chartoff, Sylvester Stallone, William Chartoff Duração: 133 min. Distribuidora: Warner Bros. Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Warner Bros. Pictures

Cotação 5 estrelas