Vox Lux – O preço da fama (2018)

Por André Dick

Em 2017, Natalie Portman perdeu injustamente o Oscar de melhor atriz pelo filme Jackie, que seria o seu segundo, superada por Emma Stone em La La Land (de qualquer modo, uma bela atuação). No Oscar deste ano, é inexplicável que ela não estivesse entre as nomeadas num grupo que incluía atuações de Glenn Close e Olivia Colman, pois ela merecia o prêmio. Ela está um nível acima das demais, em termos de atuação, em Vox Lux – O preço da fama com roteiro estranhíssimo na maneira como se apresenta em blocos e condução diferenciada do jovem diretor e ator Brady Cobert.
Ele começa com duas irmãs na adolescência, Celeste (Raffey Cassidy) e Eleanor “Ellie” Montgomery (Stacy Martin), passando por uma experiência terrível: um tiroteio na escola em 1999, quando um jovem faz  vítimas ao invadir uma sala de aula. Celeste passa a ser trabalhada como uma estrela, uma cantora, em potencial, depois de fazer uma canção sobre o acontecimento, sempre ajudada pela irmã e com o auxílio de um empresário (Jude Law) e Josie (Jennifer Ehle), da área de publicidade.

Ela grava um trabalho na Suécia, com um produtor de hits, e se consagra. O mais interessante é como Cobert mostra esse momento em sua vida, acelerando a narrativa como se fosse exatamente uma espécie de videoclipe. Ela grava um em que está de carona numa moto ao longo de um túnel, que será o símbolo da vida da personagem. Anos mais tarde, em 2017, Celeste tem 31 anos, é interpretada por Portman, e possui uma filha adolescente, Albertine (novamente Cassidy) e está se preparando para a maior turnê de sua trajetória. Também tem problemas com álcool e drogas de outros tipos, fornecidos pelo empresário. No mesmo dia em que ela vai iniciar, um grupo terrorista faz um ataque contra pessoas numa praia da Croácia com máscaras idênticas às que ela usa nesse videoclipe de sua carreira. É uma obra também sobre culpa e como ela se introjeta na personagem.
O filme conta com a narração de Willem Dafoe, que faz lembrar um pouco a obra de Lars von Trier (Cobert atua em Melancolia), e, nessa passagem de tempo (também assinalada pelo ataque às Torres Gêmeas, em 2001, justamente na noite em que conhece um interesse amoroso), o diretor parece mesclar a despretensão e o vazia do universo da música pop com a própria violência surgida de elementos psicóticos. Há um peso inesperado em suas imagens, muito por causa do trabalho de fotografia de Lol Crawley, e na atuação excelente de Portman, que, apesar de aparecer apenas nos dois terços finais da narrativa, a conquista para si e encarna realmente uma estrela pop, fazendo um meio-termo entre estrelas pop do início do século, principalmente Britney Spears, Christina Aguilera e Lady Gaga (referência evidente no terceiro ato).

Do mesmo modo que ela, Cassidy é uma boa revelação, prosseguindo o talento já mostrado em Tomorrowland. A relação entre as duas, como mãe e filha, é plausível, mais ainda a maneira como ela lida com esses acontecimentos-chave e de violência para tentar ignorá-los se mantendo na linha de uma diva pop com mensagens em telões eficientes. O trecho em que ela se desloca do camarim, dos bastidores, para uma conversa ao longo de uma rua de Nova York, até entrar num bar com a filha, e revelar sua insegurança diante do que a cerca, é um triunfo na direção de Cobert, e um exemplo de como Portman é capaz de controlar uma cena. Ela se tornou uma atriz muito superior com as duas experiências que teve na filmografia de Malick (Cavaleiro de copas e De canção em canção), deixando uma certa timidez de lado e partindo para momentos quase improvisados, de uma certa desesperança diante da realidade, e o mesmo se pode dizer de Law, que aqui se mostra numa nova parceria com a atriz já revelada em Closer – Perto demais com uma grande consciência interpretativa, mesmo com poucos diálogos.

Este é um filme sobre a cultura e a política na América, a mania de se tentar esvaziar os temas para preenchê-los com um colorido animador, e como tudo isso não impede uma maldade que se manifesta sempre dos lugares mais inesperados e por pessoas já esvaziadas de qualquer sentimento. Por isso, Vox Lux é um referencial para entender sua própria época. A estrela está chorando pelas perdas que acontecem ao seu redor com toda a sua crise e desorientação pessoal; ela aparenta servir de guia. Não serve, mas ela está lá, tentando resistir, como cada um que se junta a um coro musical ilusório. Para o diretor Cobert, a arte é muito mais; é um retrato da confusão buscando pela tranquilidade, como na cena em que mãe e filha se ajoelham na areia da praia para orar pelas pessoas que se foram. Não importa o passar dos anos, o que importa é a experiência do momento e a carga de aprendizado que ele carrega. Vox Lux leva isso a um ponto em que o espectador tem certeza de que está diante de algo a ser transformado, e simplesmente é aquilo que o público espera atingir por meio dos sonhos fornecidos por outra pessoa. Não deixa de ser uma tentativa de reencontrar um sentimento de otimismo.

Vox Lux, EUA, 2018 Diretor: Brady Corbet Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin, Jennifer Ehle, Raffey Cassidy Roteiro: Brady Corbet Fotografia: Lol Crawley Trilha Sonora: Scott Walker Produção: Christine Vachon, D.J. Gugenheim, Brian Young, Michel Litvak, Andrew Lauren Duração: 110 min. Estúdio: Killer Films, Andrew Lauren Productions, Bold Films Distribuidora: Neon

O sacrifício do cervo sagrado (2017)

Por André Dick

O diretor grego Yorgos Lanthimos, depois dos exitosos Dente canino e Alpes, ingressou na indústria de cinema norte-americana com o estranho O lagosta, uma espécie de crítica corrosiva de uma vida em comunidade num futuro não longínquo, na qual o indivíduo escolhia seu modo de vida e sua amada baseado em conceitos deslocados do senso comum. Agora, ele regressa com um elenco novamente de atores americanos em O sacrifício do cervo sagrado. Na história, o cirurgião Steven Murphy (Colin Farrell) tem um casamento tranquilo com Anna (Nicole Kidman) e um casal de filhos, Kim (Raffey Cassidy) e Bob (Sunny Suljic). Alcóolatra, Steven fica amigo de Martin (Barry Keoghan), filho de um paciente dele que morreu na sala de cirurgia. Martin o visita frequentemente e quer que ele tenha um caso com sua mãe (Alicia Silverstone). No início, essa relação não fica muito clara, o que torna ainda mais perturbadora a narrativa. O espectador não possui informações do motivo pelo qual Murphy perambula com Martin por ruas e cafés, sabendo-se imediatamente que ele não é parte da família.

O roteiro de Lanthimos e Efthymis Filippou aposta no mistério dessa figura que age como intrusa numa família a princípio bem composta. Mas as coisas não são bem assim, e tudo na filmografia de Lanthimos prova isso. Se o elenco é excelente (principalmente Farrell, Kidman e Keoghan, este um dos integrantes da equipe de resgate em Dunkirk), as soluções visuais da fotografia de Thimios Bakatakis são ainda melhores. O hospital onde Steven trabalha parece uma extensão do comportamento desses personagens, tanto no que se refere ao afastamento quanto à ausência de cores abundantes. O uso das lâmpadas nos tetos dialoga com o estilo de Stanley Kubrick, mesmo na maneira de filmá-las: a impressão é que o espectador se encontra num túnel em que desconhece a saída, como os personagens apresentados. Nesse sentido, explica-se por que boa parte dos diálogos definidores se dão nos corredores do hospital onde Steven trabalha. Tudo, de qualquer modo, esconde um enigma: como pode acontecer o que acontece com os filhos desse casal? O núcleo da história parece se basear no seguinte conceito: enquanto o filho tem uma certa inclinação científica, talvez como o pai, a menina tem uma predisposição para a arte e para a música. O que acontece a eles se estende aos pais. Lanthimos mistura sentimentos de culpa e aflição com notável habilidade, nunca deixando os diálogos frios, vitais para que haja uma estranheza adicional no comportamento já estranho desses personagens, interromperem a atuação notável do elenco.

Mais do que um diálogo com Dente canino e O lagosta, O sacrifício se corresponde com Alpes, filme excelente de Lanthimos de 2011. Nele, a enfermeira “Monte Rosa” (Aggeliki Papoulia) se encontra num universo pré-determinado pelo cansaço da linguagem e das situações. Mais do que surrealista, o roteiro nunca permite nenhuma explicação clara ao espectador, e a composição de imagens pela fotografia de Christos Voudouris (Antes da meia-noite) realmente é atrativa, com uma certa simetria já existente em Dente canino, com o acréscimo de uma maior variação, também em razão dos temas oferecidos por Lanthimos. Os diálogos da nova obra do cineasta grego se assemelham muito em termos de ritmo dessa obra. Quando o médico, por exemplo, se deita com a esposa logo no início do filme, ela se comporta como se estivesse anestesiada: o médico não age por paixão e sim por meio de certa frieza. Não apenas a interpretação de Nicole Kidman é excepcional, como Lanthimos desenha uma ligação imediata da rotina do personagem central com sua vida em casa, igualmente deslocada de qualquer normalidade. Depois, quando ela precisa conversar com Matthew (Bill Camp), um colega do marido, dentro de um carro, sua reação se aproxima justamente desta cena.

O melhor desse filme em relação aos anteriores de Lanthimos é sua compreensão de atmosfera, apostando tudo num sentimento de obra de terror, sem cair num humor corrosivo que por vezes desconstrói em demasia a narrativa. Em Dente canino e O lagosta, o excesso de estranheza por vezes distanciava o espectador, como se inserido num surrealismo desmesurado. Quem conhece o trabalho do diretor sabe que ele privilegia a construção das imagens, sempre impactantes, em detrimento de uma explicação narrativa (que na maioria das vezes não importa para seu interesse). Aqui ele se limita a algumas bordas, e apara as arestas de maneira mais reflexiva e contundente, construindo uma mistura de gêneros efetiva e surpreendente. Levemente inspirado na peça de origem grega Iphigenia em Aulis, de Eurípedes, tratando do sacrifício de um determinado familiar para que permaneça uma “harmonia” dos integrantes que restam, O sacrifício do cervo sagrado se constitui num dos filmes mais originais dos últimos anos, em que a realidade do personagem central vai se mesclando à realidade, ou seja, o universo hospitalar vai tomando também o espaço de seu comportamento e de sua casa. O porão, neste caso (spoiler), se torna o espaço para que o cirurgião possa expor seu verdadeiro instinto, tanto no que se refere à sobrevivência dos filhos quanto à sua ideia de unidade familiar. Lanthimos faz isso de maneira tanto convincente quanto voltado a um olhar sobre a própria história dos gêneros que mistura de maneira tão bem acabada.

The killing of a sacred deer, EUA/IRL/Reino Unido, 2017 Diretor: Yorgos Lanthimos Elenco: Colin Farrell, Nicole Kidman, Barry Keoghan, Raffey Cassidy, Sunny Suljic, Alicia Silverstone, Bill Camp Roteiro: Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou Fotografia: Thimios Bakatakis Produção: Ed Guiney, Yorgos Lanthimos Duração: 121 min. Estúdio: Film4, New Sparta Films, HanWay Films, Bord Scannán na, hÉireann/The Irish Film Board, Element Pictures, Limp Distribuidora: A24, Curzon Artificial Eye

Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível (2015)

Por André Dick

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Lançado durante o verão dos Estados Unidos, Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível se mostra mais uma tentativa de Brad Bird em dirigir filmes com humanos. Precedido por desenhos animados importantes, como O gigante de ferro, Os incríveis e Ratatouille, Bird estreou em Missão fantasma – Protocolo fantasma à frente de um elenco. Se o episódio que fez de Ethan Hunt não possui a mesma vibração da terceira parte, de J.J. Abrams, pode-se dizer que ele conseguiu acertar nas sequências de movimento incessante. Com grande divulgação da Walt Disney, aos poucos Tomorrowland foi sendo comparado a John Carter, principalmente pela bilheteria, que equivale, no momento, a pouco mais de seu orçamento e teria provocado, inclusive, o cancelamento das filmagens de um possível terceiro Tron. E, se John Carter foi injustamente menosprezado, a dúvida seria se Tomorrowland possui as mesmas características.
Como no quarto Missão: impossível, há problemas na elaboração de roteiro, que parecem, de certo modo, se repetir neste filme. A cargo de Damon Lindelof, a narrativa se concentra em viagens de tempo ou no espaço, típicas do roteirista e já mostradas em larga escala em Lost, Prometheus, Cowboys e aliens e Além da escuridão – Star Trek, sempre mesclando teorias enigmáticas. Mesmo assim, Tomorrowland se sente ainda como um respiro ao mostrar personagens em lugares diferentes, não exatamente interligados. Inicia com um homem chamado Frank Walker (George Clooney) contando para a câmera sobre uma experiência que teve em 1964 na feira New York World (onde quem vive o personagem é Thomas Robinson). Ele conhece David Nix (Hugh Laurie), para quem mostra sua criação, uma espécie de foguete para usar às costas, e Bird homenageia certamente Rocketeer nas cenas de voo, com o auxílio fundamental da belíssima fotografia de Claudio Miranda, que recebeu o Oscar por As aventuras de Pi.

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Recebendo um pino de metal das mãos de uma menina que está com Nix, Athena (Raffey Cassidy), o menino consegue avançar para um lugar chamado Tomorrowland, uma espécie de mundo futuro, paralelo ao que vivemos, com um design fabuloso. Em seguida, a narrativa, voltando ao presente, mostra uma menina, Casey Newton (Britt Robertson), que tenta ajudar o pai, Eddie (Tim McGraw), a não perder seu emprego na Nasa no Cabo Canaveral, cujo rumo se encontra indefinido. Em determinado instante, ela entra em contato com o mesmo pino entregue a Walker em 1964, e, consequentemente, com Tomorrowland. As cenas do primeiro contato de Casey com esse universo são muito bem pensadas por Bird, sobretudo quando ela se encontra no carro ao lado do pai, ou quando chega em casa e decide ver novamente o funcionamento do pino. A partir de poucos elementos, percebe-se que Bird tem uma compreensão exemplar sobre o cinema infantojuvenil feito a partir da década de 1980, com E.T. – O extraterreste, Os Goonies – o pino é como se fosse o medalhão da caveira, que atrai para um mundo em que as riquezas podem ser descobertas no porão de uma casa à beira-mar – e, sobretudo, Super 8, a revisitação de Abrams para esses anos. Seguida pela mesma menina Athena, Casey chega a uma memorabilia em Houston, onde encontra Hugo (Keegan-Michael Key) e Ursula (Kathryn Hahn), que estão interessados no objeto capaz de efetuar esse deslocamento para um universo paralelo, e Bird desta vez estabelece um diálogo com Matrix, sobretudo por meio dos homens que estão no encalço da personagem, de terno e gravata.
A dúvida, em seguida, é saber como as histórias de Walker e Casey vão se conectar, e Brad Bird aponta sempre para uma sucessão de encontros, fugas e alguma ação muito bem conduzida, como já havia ficado claro em seu Missão: impossível. Enquanto isso há tentativas de divertimento no difícil contato entre Casey e Athena, que se revela uma androide mais otimista.

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Ela representa o avesso do David Bowman, de Prometheus; seu sonho parece ser acreditar na humanidade e sonha fazer parte dela. Não é difícil imaginar por que o nome Athena remete tanto à deusa grega da guerra, da civilização e da sabedoria, quanto ao nome de uma família de foguetes da Nasa. A atuação de Raffey Cassidy concede à personagem uma insuspeita humanidade centrada principalmente que ela conserva dos seres humanos, tentando buscá-los para que Tomorrowland possa sobreviver, não apenas como um universo paralelo. Ela recebe a contrapartida de Britt Robertson na maioria das cenas, uma atriz capaz de lidar de forma intensa com as cenas de ação.
O que Bird mais trabalha é justamente com a tentativa de o ser humano dominar seu futuro sem ter controle efetivo sobre seu passado e seu presente. E o faz de maneira interessante ao justapor o que seria o objetivo do criador da Disney, o Epcot Center, com este universo fantasioso, Tomorrowland, feito por pessoas com capacidade de sonhar. Avança neste terreno a sequência em que os personagens, em determinado momento, conhecem uma sala secreta na Torre Eiffel em Paris, com os manequins de Jules Verne (escritor francês), Nikola Tesla (criador da engenharia mecânica e eletrotécnica), Gustave Eiffel (engenheiro) e Thomas Edison (que, entre outras criações, fez o cinematógrafo), que teriam sido os fundadores da Plus Ultra, um grupo de sonhadores. Neste ponto, Tomorrowland adota uma clara influência de obras como Da terra à lua, de Jules Verne, assim como dialoga com a cinematografia de Meliès (numa associação direta com A invenção de Hugo Cabret). Essa sequência desenhada por Bird através de um gráfico esplendoroso de imagens coloca Paris como fonte de parte da criação humana e do sonho com um futuro ainda distante. É uma clara homenagem de Lindelof, um especialista em fazer essas referências, e Bird a alguns dos descobridores da modernidade. Neste ponto, o filme também dialoga com O gigante de ferro, estreia de Bird, em que o robô se alça ao espaço de maneira incontornável; em Tomorrowland o foguete que irrompe da Torre Eiffel é uma versão fantasiosa espetacular da Nasa.

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Mais do que o roteiro em parte confuso, principalmente depois dos dois primeiros atos bastante trabalhados, para desencadear em um terceiro mais apressado, Tomorrowland tem as características do trabalho de escrita de Lindelof também no que se refere à caracterização dos personagens. As personagens de Walker e são desenhadas com o mínimo de características, e ainda se sustentam, enquanto Walker se mostra um homem ameaçado pelo que pode vir a ser o futuro, em razão da presença de Clooney bastante envelhecido, e Tomorrowland um registro de que seus sonhos podem ser ainda alcançados. Trata-se de um personagem bastante humano, escondido em sua casa diante de monitores de televisão com notícias ruins, e ainda mais: Tomorrowland, que visualiza o futuro, é, na verdade, a lembrança de seu passado e o que marcou sua vida. A personagem de Athena representa tudo aquilo que ele imaginava ser diferente. Por isso, a partir desses personagens distintos dos que encontramos em blockbusters, Tomorrowland se sente como um filme que mistura diversos estilos e não necessariamente é indicado para crianças, jovens ou adultos, pelo menos especificamente. Bird, junto com Lindelof, prefere a estranheza de uma narrativa que parece em movimento e, por outro lado, é apegado a uma visão tão alegre quanto melancólica das coisas que nos cercam. Daí a sua mensagem de pano de fundo se sentir como algo ao mesmo tempo possível e ilusório, pois cada indivíduo necessita de sua imaginação, como também de sua praticidade. Há uma espécie de ambiente onírico ao longo de todo o filme de Bird, e é nisso que se concentra seu maior acerto: cada um desses personagens sugere que seu futuro é um sonho a ser construído.

Tomorrowland, EUA, 2015 Diretor: Brad Bird Elenco: George Clooney, Britt Robertson, Raffey Cassidy, Hugh Laurie, Thomas Robinson, Tim McGraw, Keegan-Michael Key, Kathryn Hahn Roteiro: Damon Lindelof, Jeff Jensen Fotografia: Claudio Miranda Trilha Sonora: Michael Giacchino Produção: Brad Bird, Damon Lindelof, Jeff Jensen Duração: 129 min. Distribuidora: Disney Estúdio: A113 / Walt Disney Pictures

Cotação 3 estrelas e meia