Columbus (2017)

Por André Dick

Há filmes que têm um certo encantamento visual que poderiam ser apreciados apenas por suas imagens, sem os diálogos: Columbus é um deles. Lançado no Festival de Sundance, principal evento do cinema independente, trata-se da estreia na direção do sul-coreano Kogonada, até então responsável por vídeos artísticos feitos para a Criterion Collection e Sight & Sound. Ele apresenta uma jovem, Casey (Haley Lu Richardson, de Quase 18), que trabalha na Biblioteca Memorial Cleo Rogers, da cidade de Columbus, Indiana, na qual tem como melhor amigo Gabriel (Rory Culkin), aluno de doutorado, que nutre certo interesse por ela. Determinado dia, Casey conhece um coreano, Jin (John Cho), um tradutor de livros, que está na sua cidade para acolher seu pai no hospital. Seu pai é um estudioso de arquitetura, exatamente o campo pelo qual a jovem é apaixonada. Ela, inclusive, assistiria a uma palestra dele.

Enquanto Jin reencontra a assistente do pai, Eleanor (Parker Posey), por quem já foi atraído, Casey cuida de sua mãe viciada, Maria (Michelle Forbes). Com uma fotografia de Elisha Christian evidentemente inspirada em Emmanuel Lubezki, de A árvore da vida, este é um filme sobre como a arquitetura pode representar o sentimento humano. Trata-se de quase uma adaptação não oficial do livro A arquitetura da felicidade, de Alain de Botton, com seus diálogos tranquilos sobre como as formas levantadas em blocos de concretos e aliviadas por vidraças modernistas podem conduzir o ser humano a um sentimento de acolhida pelo outro. No livro de Botton, investiga-se também a arquitetura moderna de Frank Lloyd Wright, a partir da qual Columbus se desenha em linhas retas. Kogonada mostra a biblioteca onde a personagem central trabalha como uma espécie de extensão de sua própria existência: ela está sempre guardando livros, de estudos feitos por outros alunos. Levando em conta que ela não sabe se conseguirá cursar faculdade, por causa justamente dos cuidados necessitados pela mãe, é uma rotina simétrica. Esta é levada ao lado do companheiro de trabalho, e Culkin entrega um trabalho discreto e eficaz, principalmente quando trata do mundo atual, em que uma parcela de pessoas não consegue se concentrar, usando os videogames em contraponto à leitura, sugerindo uma interpretação para a demanda desse filme.

Os personagens de Casey e Jin são interessantes justamente porque representam polos quase opostos, e não por acaso Kogonada mostra tanto uma escultura de madeira dividida em duas partes, como se fossem eles. A atuação de Richardson é muito delicada, mostrando ser uma nova atriz bastante promissora, enquanto Cho é explorado numa certa falta de empatia necessária para se transformar no complemento da personagem que conhece e quer lhe mostrar os principais pontos arquitetônicos de Columbus. Casey se torna aquela pessoa que vai apresentar a Jin o sentimento da arquitetura: ambos, em meio a isso, estão vinculados seja à mãe, no caso dela, seja ao pai, no caso dele: eles se unem para a apreciar a beleza da vida por meio de pontos de arquitetura. O isolamento não é permitido porque eles vivem transpirando também esse universo que se ergue ao redor do verde e dos gramados. Havia esse movimento em parte no romântico (500) dias com ela, em que Gordon-Levitt fazia um personagem voltado a esse campo, mas em Columbus isso se torna mais figurativo.

O diretor, em cada visita, vai mesclando esses personagens aos lugares, e a maneira como eles os filma também em casa, com seus reflexos em espelhos, mostra um grande potencial narrativo. Poderia resultar num cinema excessivamente calculado, restrito a imagens e simbologias, porém há uma emoção que abastece internamente a história. Mais ainda quando Casey, em determinado momento, fala de seus sentimentos e a câmera, que filmava um prédio, de costas, a mostra de frente, mas sem revelar o que está dizendo. Nesse sentido, humanidade e arquitetura se conjugam no mesmo tempo. Em outro momento, a personagem central liga para uma pessoa e a observa do lado de fora em razão de o prédio ser todo envidraçado: o olhar invade a arquitetura, mas nem por isso há uma aproximação maior entre as pessoas. Outro momento que chama a atenção é quando, sentindo-se um tanto perdido, Jin observa a distância um prédio abandonado: é como se o prédio representasse exatamente como ele se sente.
A fotografia de Elisha Christian possui uma simetria que serve às intenções do diretor sem menosprezar um sentimento naturalista, principalmente quando os personagens conversam em meio a árvores, no que se corresponde com o cinema de Wes Anderson, de Moonrise Kingdom, por exemplo. Casey é fascinada por uma igreja de sua cidade que possui uma fachada assimétrica, mas mesmo assim parece exata: talvez esteja falando do próprio desenvolvimento da narrativa, pois nenhum personagem consegue realmente se autossatisfazer, mas nem por isso sua busca por isso é menos intensa. É um filme, à sua maneira, muito oriental, feito por meio de pausas e gestos mínimos, com caráter independente e surpreende que ele não esteja na lista de favoritos a todos os prêmios.

Columbus, EUA, 2017 Diretor: Kogonada Elenco: John Cho, Haley Lu Richardson, Parker Posey, Rory Culkin, Michelle Forbes, Jim Dougherty Roteiro: Kogonada Fotografia: Elisha Christian Trilha Sonora: Hammock Produção: Danielle Renfrew Behrens, Aaron Boyd, Giulia Caruso, Ki Jin Kim, Andrew Miano, Chris Weitz Duração: 104 min. Estúdio: Depth of Field, Nonetheless Productions, Superlative Films Distribuidora: Sundance Institute

Café Society (2016)

Por André Dick

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Escolhido para abrir o Festival de Cannes em 2016, Café Society traz mais uma vez a marca de Woody Allen, que vem fazendo um filme a cada ano, em grande regularidade. Nesta década, especialmente, ele tem colhido elogios, por obras como Meia-noite em Paris, Blue Jasmine, Magia ao luar e Homem irracional. Em Café Society, Allen parece assumir algumas características não tão visíveis. Ele sempre procura mostrar pares românticos em suas histórias, em que a mulher normalmente costuma prender o homem a uma expectativa, e aqui não é tão diferente. Allen, ainda assim, consegue inovar dentro de seu roteiro padrão.
Jesse Eisenberg faz Bobby Dorfman, que sai de Nova York, nos anos 1930, para Los Angeles, a fim de trabalhar com o tio Phil Stern (Steve Carell), casado com Karen (Sheryl Lee, com pouca chance), um agente de talentos cada vez mais reconhecido. Ele segue para lá por indicação de sua tia, Rose (Jeannie Berlin), deixando para trás sua irmã Evelyn (Sari Lennick), casada com um professor de colégio, Walt (Richard Portnow), seu pai joalheiro, Marty (Ken Stott), e sua mãe, Rose (Jeannie Berlin). Phil pede que sua secretaria Veronica/Vonnie (Kristen Stewart) apresente Los Angeles a Bobby. Ela é o contrário de todos que conhece na cidade, uma jovem que está em busca de uma vida simples.

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No entanto, quando ele demonstra interesse, ela diz que tem um namorado jornalista, Doug. Bobby continua fazendo trabalhos para o tio, frequentando festas com estrelas, enquanto tem os olhos voltados apenas para Vonnie. As conversas incluem Judy Garland, Billy Wilder, DW Griffiths, Barbara Stanwyck e James Cagney, entre outros, bastante ágeis, graças à competência habitual de Allen em mesclar fantasia e realidade, o humor judaico e referências artísticas diversas.
A partir daí, há uma surpresa na narrativa e Allen mostra as desilusões e conquistas desse casal. Também surgem com mais definição na trama um irmão gângster de Bobby, Ben (Corey Stoll), que lembra exatamente um determinado personagem de Tiros na Broadway, e Veronica Hayes (Blake Lively, a revelação de Águas rasas).
As referências do diretor ao cinema dos anos 30 são apaixonadas, com uma trilha sonora embalada pelo jazz e um trabalho espetacular de fotografia de Vittorio Storaro, que remete aos melhores momentos de O conformista, dos anos 70 (quando mostra clubes noturnos e pistas de dança), e O fundo do coração (quando algumas situações ganham colorações diferentes), um desenho de produção belíssimo de Santo Loquasto, além do figurino brilhante e minucioso de Suzy Bezinger. Várias sequências lembram igualmente New York, New York, de Scorsese, dos anos 70. Storaro ilumina as passagens filmadas em Los Angeles, com uma alegria antes captada apenas em Barton Fink (em sua porção fora do hotel), enquanto Nova York se torna mais cinza e azulada, fora de um determinado clube noturno onde a história guarda seus momentos. Se pudesse haver um correspondente direto deste filme é Era uma vez em Nova York, com a diferença de a obra de Allen ser mais despretensiosa e bem construída.

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A impressão que se tem é que, depois de sua passagem pela Europa, principalmente após Meia-noite em Paris, Allen se sente mais cuidadoso com sua parte técnica. Nos anos 70, ele fazia comédias realistas, nos anos 80 alternou obras entre o drama bergmaniano e o humor, no entanto tendo sempre Nova York como ponto de encontro, e nos anos 2000, ao filmar O escorpião de Jade e Vicky Cristina Barcelona, ou 2010, quando esteve na ensolarada Itália (em Para Roma com amor), ele se transformou num autor com toque mais europeu do que antes já se entrevia nele e o qual satirizava em Dirigindo no escuro. Claro que já aparecia um certo cuidado nas ambientações, como em Tiros na Broadway e Poucas e boas, mas nunca com a maturidade de agora e com a beleza plástica de Café Society (em diálogo direto com Meia-noite em Paris).
Com um custo de 30 milhões, alto para os padrões de Allen, é lamentável que ele não tenha retornado em boa bilheteria (arrecadou apenas 20 até agora), mesmo trazendo uma dupla (Eisenberg e Stewart) que já deu certo em outros filmes, a exemplo de Adventureland e American Ultra. Outra vez a química do casal é excelente, e Café Society deve alguns de seus melhores momentos a essa interação.
Talvez esta bilheteria também se deva ao fato de Café Society não apresentar a mesma melancolia alegre do diretor e ator, nem exatamente seu melhor bom humor. Apesar de Eisenberg se esforçar em ser um Woody Allen na tela, e ele é realmente um grande ator, e Stewart oferecer certa graciosidade à sua personagem (sendo filmada por Allen e Storaro como uma diva dos anos 30), além de estar cada vez mais desenvolta (comprovando o talento que já exibe desde O silêncio de Melinda, em 2004), o filme se mantém num plano quase decepcionado diante da vida e dos possíveis sonhos de Los Angeles.

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Neste ponto, ele parece dialogar com um universo de sonhos não concretizados, e igualmente pouco amargo e sim otimista, mais no sentido de Blue Jasmine do que de Magia ao luar, por exemplo. Lively e Carell trazem boas atuações complementares, embora o segundo se sinta um pouco deslocado (ele substituiu Bruce Willis um pouco antes do início das filmagens) e sua ligação com o contexto nunca fique devidamente trabalhada, em razão da pressa narrativa com seu personagem. Eisenberg, sob esse ponto de vista menos afeito à carreira do diretor (que aqui atua como narrador também), mostra uma insuspeita melancolia, que faz com que tudo a seu redor se transforme em algo menos previsto do que ele gostaria, exibindo a versatilidade já exibida este ano ao interpretar o vilão de Batman vs Superman, Lex Luthor. Ele lida com um personagem que simplesmente vai amadurecendo, com a companhia de amigos como o casal Rad (Parker Posey) e Steve Taylor (Paul Schneider), sem exatamente mudar, e Allen, por meio de uma montagem ágil em todos os aspectos, emprega sua presença como aquela que imagina ser a de um jovem em plena época da depressão, com sua vontade de se transformar em alguém. Entre sonhos na capital do cinema e dedicação ao universo gângster, Café Society mostra que todos os personagens estão à procura de si mesmos. Não é algo novo na filmografia de Allen, contudo é mais denso do que poderia ser um retrato apenas bem-humorado dos anos 30.

Café Society, EUA, 2016 Diretor: Woody Alllen Elenco: Jesse Eisenberg, Steve Carell, Kristen Stewart, Corey Stoll, Blake Lively, Paul Schneider, Parker Posey, Ken Stott, Jeannie Berlin, Paul Schackman, Sheryl Lee Roteiro: Woody Allen Fotografia: Vittorio Storaro Produção: Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum Duração: 96 min. Distribuidora: Imagem Filmes Estúdio: Gravier Productions

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Homem irracional (2015)

Por André Dick

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O diretor Woody Allen sempre teve uma trajetória voltada à mescla entre humor e drama, o que pode se constatar mais uma vez em Homem irracional, tendo à frente Joaquin Phoenix e Emma Stone. Se os seus projetos anteriores já mostravam um roteiro se adaptando a essa mistura, em Homem irracional é possível dizer que Allen incorre numa tentativa de repetir dois filmes que já lhe trouxeram grandes críticas: Crimes e pecados, dos anos 80, com Alan Alda, e Match Point, do início dos anos 2000, em seu início de turnê de filmagens pela Inglaterra. De ambos, Allen extrai algumas características marcantes: de Crimes e pecados, Homem irracional possui um certo humor negro mesclado a aspectos trágicos, enquanto de Match Point ele conserva uma certa dúvida sobre quais são as pretensões do ser humano ao procurar uma reviravolta em sua vida.
Phoenix interpreta Abe Lucas, um professor com problemas etílicos que chega para dar aula de Filosofia numa pequena cidade de Rhode Island, na faculdade do campus de Braylin, onde imediatamente conhece uma de suas alunas, Jill Pollard (Emma Stone). Namorada de Roy (Jamie Blackley), ela passa a se encantar pelas histórias do professor, sempre preocupado em satisfazer aos outros com suas idiossincrasias, sendo perseguido por uma professora casada, Rita (Parker Posey), interessada em ter casos extraconjugais. O ambiente universitário não alegra mais ao professor, até o dia em que Abe e Jill estão numa lanchonete e ouvem uma mulher contar a amigos que será prejudicada por um juiz a princípio amigo de seu marido para obter a custódia de seus filhos. Abe passa a se interessar pela solução deste caso, o que pode implicar fazer algo com este juiz.

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Um dos comentários mais conturbados, mas não desprezível, que li sobre Homem irracional é de que ele poderia representar a vontade de Woody Allen em relação ao que fazer com a justiça, sobretudo em razão dos problemas familiares em que volta e meia é envolvido. Isso pode ser, por um lado, reducionista, pois é evidente que Allen sempre teve uma postura em relação a personagens frustrados – e muitas vezes incorre no limite da solução para desvendá-los, seja por meio de uma loucura pessoal, seja por meio da aceitação de que não há outra saída a não ser essa loucura. Trata-se de um personagem que, em outro nível, dialoga com aquele da esposa solitária vista em Blue Jasmine – e as atuações de Phoenix e Blanchett se equivalem na sua extrema facilidade em mostrar um estranhamento.
Também há, como lembra minha esposa, mais leitora do que eu desse universo, uma influência notável da literatura russa, sobretudo de Crime e castigo, de Dostoiévski – a qual eu, pessoalmente, não poderia oferecer em mais detalhes, mesmo para evitar spoilers. Essa influência literária, acompanhada pelos conflitos da filosofia que Lucas ensina na faculdade, que vai de Kant a Hegel, passando por Schopenhauer, é certamente o convite que Allen faz para ver tudo com olhos de um literato. Há uma grande recorrência de Allen em relação a esse universo que cerca a literatura e a filosofia. Para ele, os personagens sofredores na verdade estão jogando com os outros, sem dó ou piedade, e o mesmo acontece com Lucas. O seu estilo melancólico, e sempre acompanhado por uma dose etílica, proporciona momentos de humor com os personagens femininos, principalmente porque não consegue ver mais razão na vida que não seja conta-la para os outros, sempre aumentando suas histórias ou se mostrando cada vez com tendências a dar cabo de sua vida mesmo em ambientes nos quais os jovens parecem querer cada vez mais se divertir.

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Nesse sentido, Jill se torna a maquinação perfeita para que ele possa introduzir uma compreensão para suas loucuras. Emma Stone consegue ser muito agradável no papel, numa nova parceria com Allen logo depois de Magia ao luar, em que dividia a cena com Colin Firth. É justamente Stone que estabelece uma ligação com um plano de entendimento mais agradável – e deve-se imaginar que Allen a selecionou a partir de três filmes em que ela se mostra com a melhor verve, A mentira, Zumbilândia e Amor a toda prova. Talvez seja neste ponto que o roteiro de Allen acabe destoando um pouco do restante, pois Joaquin Phoenix ingressa numa espécie de obsessão pessoal por se modificar de acordo com os planos que passa a traçar a fim de que haja mais sentido em sua vida, enquanto Emma se encontra mais num filme que retrata uma fuga do primeiro amor para uma relação arriscada com o professor de filosofia que tanto admira.
Fazendo o equilíbrio entre os dois, Parker Posey é nunca menos do que excelente, principalmente depois de uma determinada situação amorosa, extraindo a parte mais divertida de Homem irracional e rendendo os melhores momentos para Phoenix. Mais uma vez, no entanto, em relação a possíveis problemas de narrativa – e o roteiro nunca estabelece adequadamente a comédia e o thriller –, Allen trabalha minuciosamente com as imagens de seu habitual colaborador Darius Khondji, iluminando as manhãs e tardes e especialmente um parque com iluminação que remete a uma das cenas em night club de New York, New York, de Scorsese, como algo que foge à realidade mais imediata evitada por Abe Lucas e sua tentativa de se desligar dos relacionamentos que insistem em se fazer e se manter à sua volta. É inegável, de qualquer modo, como Allen, mesmo em filmes não tão grandes, consegue manter a qualidade que dizem ter perdido a partir do início do século, quando entregou desde então obras realmente divertidas e menosprezadas, como Igual a tudo na vida, O escorpião de Jade, Dirigindo no escuro e outras elogiadas, como Vicky Cristina Barcelona, Melinda e Melinda, Tudo pode dar certo e Meia-noite em Paris. Homem irracional fica num meio-termo, mas nunca soa dispensável como obra; pelo contrário, é atrevido e original.

Irrational man, EUA, 2015 Diretor: Woody Allen Elenco: Joaquin Phoenix, Emma Stone, Parker Posey, Jamie Blackley, Betsy Aidem, Ethan Phillips Roteiro: Woody Allen Fotografia: Darius Khondji Trilha Sonora: William Barrett Produção: Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum Duração: 96 min. Distribuidora: Imagem Filmes Estúdio: Gravier Productions  

Cotação 3 estrelas e meia