Cruzada (2005)

Por André Dick

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Poucos são os cineastas que conseguem voltar a um tempo demarcado da história sem darem a impressão de que estão querendo apenas relatar fatos. Ridley Scott é um deles. Ele sempre fez filmes primorosos visualmente (como Os duelistas, Alien e Blade Runner). A partir do novo século, ele passou a focar mais em dramas cotidianos, mas sempre com cenários elaborados, alternando com peças de sentido histórico. Vencedor do Oscar em 2001, Gladiador é um feito moderno da narrativa mais simples e, ao mesmo tempo, épica, grandiosa. O personagem principal, interpretado por Russel Crowe, é traído e precisa recuperar sua dignidade voltando à Roma para salvá-la de um tirano (Joaquin Phoenix), o filho do antigo César. O argumento é mais do que previsível, contudo Ridley Scott consegue transformá-lo em imagens antológicas de lutas em arenas, com atuação eficiente de todo o elenco. A direção de arte e os efeitos especiais também são de muita consistência, sobretudo porque estamos diante de um filme de época, que nos faz crer que Roma está de volta.

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Também não há muitos filmes em que o corte do diretor realmente mude o significado da história e da narrativa. O portal do paraíso talvez seja o mais representativo, em razão da polêmica que cercou o corte imposto à metragem original da obra de Cimino. E há os cortes com os quais os diretores não concordam, como aquele de Duna, nunca aceito por David Lynch. Nos últimos anos, talvez não haja outro corte novo tão significativo quanto o de Cruzada, feito por Ridley Scott. A duração original tinha 144 minutos e a que saiu em Blu-ray tem 194 minutos, ou seja, quase uma hora de acréscimo. O filme com a metragem original tinha uma grande qualidade, no entanto era irregular; Scott, por meio dessas cenas novas, mostra realmente um épico. Talvez essa diferença não funcione com todos, talvez eu tenha visto a primeira versão em uma época em que esperava mais, e hoje esse gênero de filme parece mais raro; particularmente, a versão estendida de Cruzada é extraordinária, um dos melhores momentos na trajetória de Scott.
O filme inicia em 1184, mostrando um ferreiro, Balian (Orlando Bloom), na França, às voltas com a perda recente da esposa, que se suicidou depois de perder o bebê. Chega à sua cidade o Barão Godfrey de Belin (Liam Neeson), que pede a Balian para que o acompanhe em direção à Terra Santa. Godfrey lhe pede para que sirva ao Rei de Jerusalém, Rei Baldwin IV (Edward Norton, escondido atrás de uma máscara de ferro), assessorado por Tiberias (Jeremy Irons), o Marechal de Jerusalém. O rei é irmão da princesa Sibylla (Eva Green), que se interessa por Balian, enquanto seu marido Guy de Lusignan (Marton Csokas) investe contra os muçulmanos com a Ordem dos Templários. Abre-se uma guerra de Jerusalém contra Saladino (Ghassan Massoud).

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Dizer que Cruzada tem elementos de Gladiador, filme anterior de Ridley Scott, é bastante claro. Mas eis uma obra em que realmente a fotografia, de John Mathieson, faz uma diferença imprescindível, auxiliado pelo fabuloso desenho de produção. Se Orlando Bloom se entrega com certa dificuldade ao papel principal – e seus conflitos nunca são devidamente externados –, Scott selecionou um grande elenco coadjuvante, não apenas Norton, Irons e Massoud, mas Eva Green em um dos momentos de início de carreira mais exitosos. Sua personagem em Cruzada é possivelmente a mais elaborada do roteiro, adotando uma dualidade estranha, e, ao mesmo tempo que tenta ser sedutora, é abalada pela tragédia. É Green quem conduz com talento as cenas com Bloom. Trata-se de um personagem feminino típico da filmografia de Scott, que lançou a Ripley de Sigourney Weaver em 1979 e pouco mais de uma década depois fez Thelma & Louise. A personagem de Green se conecta com essas personagens na maneira de ver além de seu tempo, e Scott deseja visualizá-la com os encantos de Marion Cotillard de Um bom ano num cenário justificado de combate entre exércitos.

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Já Scott filma não apenas cenários do Oriente Médio com um talento impressionante, como faz uma batalha final (de em torno de 40 minutos) com a mesma persuasão de Kurosawa em Ran, como apontou certa crítica. Não estamos mais no meio da fantasia, mas de uma reprodução da história poucas vezes igualada na história do cinema. Se a atuação de Bloom não está à altura dessa grande condição alcançada pelo filme, não exatamente importa: a versão com mais de três horas concede a ele uma chance a mais, com sequências não quebradas de maneira abrupta como na versão que foi aos cinemas. Com este filme, também se conclui que os anos 2000 não ficam para trás dos anos 70-80 na qualidade da obra de Scott: Cruzada forma um número de fpeas muito interessantes, ao lado de Falcão negro em perigo, Os vigaristas e O gângster.

Kingdon of heaven, EUA, 2005 Diretor: Ridley Scott Elenco: Orlando Bloom, Eva Green, Jeremy Irons, David Thewli, Brendan Gleeson, Marton Csokas, Liam Neeson, Marton Csokas Roteiro: William Monahan Fotografia: John Mathieson Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams Produção: Ridley Scott Duração: 144 min. (versão de cinema) 194 min. (versão estendida) Estúdio: Scott Free Productions,
Inside Track,Studio Babelsberg Motion Pictures GmbH Distribuidora: 20th Century Fox

 

 

O hobbit – A batalha dos cinco exércitos (2014)

Por André Dick

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Depois de receber os Oscars de melhor filme e direção pela terceira parte de O senhor dos anéis, Peter Jackson iniciou a sua fase de adaptação a um cinema sem tanta mitologia, mas, mesmo assim, ele refilmou King Kong e tentou fazer uma história sobre o além em Um olhar do paraíso. Sem ter o êxito esperado, ele voltou ao universo de Tolkien, desta vez para a trilogia de O hobbit. No entanto, além de ficar razoavelmente circunscrito a este universo, ele passou a não ser visto mais como um cineasta de especial criatividade, justamente pela opção em transformar um livro de Tolkien em três filmes, parecendo mais interessado no lucro proporcional da franquia. O primeiro O hobbit (Uma jornada inesperada) foi recebido com desconfiança pela crítica, embora, particularmente, seja um filme de muita qualidade, enquanto A desolação de Smaug, a segunda etapa da peregrinação de Bilbo e os anões foi melhor aceito, mas tinha dificuldade de criar o movimento necessário porque justamente Jackson o projetou depois de conceber O hobbit em apenas duas partes.
Essa decisão praticamente afastou Jackson de uma pretensa admiração pela obra de J.R.R. Tolkien, na visão de muitos: ele parecia mais interessado em fazer render a franquia e proporcionar uma tentativa de se equivaler com O senhor dos anéis. Finalmente chegamos à parte final da série, O hobbit – A batalha dos cinco exércitos, e já podemos ter uma noção bastante clara no sentido comparativo com a trilogia anterior.  Como se avalia desde o início, O hobbit não foi concebido, ainda em livro, para ser um épico na proporção de O senhor dos anéis, nem tinha, apesar dos personagens interessantes, o número proporcional de situações e reviravoltas. Nesse sentido, Jackson, ao incluir novamente Legolas e mais uma elfa na linha de frente, desde A desolação de Smaug, fazia o possível para lançar seu olhar pessoal para a obra de Tolkien, a meu ver sem tanta efetividade. Mas a questão é que o segundo filme tinha um encerramento sem ligação com seus longos 160 minutos e personagens ficavam soltos, sem nenhum direcionamento específico, inclusive Bilbo, que praticamente não aparecia, além de alguns personagens serem acrescentados sem a devida força.

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A terceira parte de O hobbit começa justamente onde o segundo terminou (e aqui há possíveis spoilers para quem também não viu A desolação de Smaug), com o ataque do dragão à Cidade do Lago. Jackson coloca uma dinâmica espetacular nessa sequência, com uma sucessão de efeitos especiais notáveis e um trabalho sonoro minucioso, além da agilidade da fotografia de Andrew Lesnie, o referencial desde a primeira trilogia. Este ataque de Smaug é certamente o clímax do filme passado transposto para o início deste, e o espectador logo teme que Jackson, em seguida, tome mais alguns minutos de exposição para o que acontecerá, sem o devido ritmo. Aos poucos, ele estabelece a narrativa, mas sem lacunas e demoras, ao mostrar Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage) dentro da Montanha enfrentando o que os seus companheiros de viagem chamam de “doença do dragão”. Considerando-se um rei, Thorin esquece suas promessas aos habitantes da Cidade do Lago para tentar abraçar o ouro de sua morada. Bilbo tenta contornar a situação com a ajuda sobretudo a Balin (Ken Scott), mas nada impedirá uma guerra por causa justamente de vários povos saberem do que aconteceu e irem atrás do ouro – daí os cinco exércitos do título.
A saída de Jackson para sua saga poderia render certamente batalhas e destruições em massa, com o mesmo enfoque de outros filmes de fantasia. Mas, de forma inusitada, pois Jackson se mostrava excessivamente confiante com a segunda parte da série – justamente a que foi filmada em grande parte depois de ele terminar a saga, ou seja, ele a criou para formar uma trilogia –, O hobbit derradeiro é um filme que consegue lembrar não apenas os melhores momentos de O senhor dos anéis, como apontar uma maneira original de ver esses personagens que havia, a meu ver, em Uma jornada inesperada. Ou seja, enquanto no segundo Jackson parecia fazer cenas de ação simplesmente para estender poucos argumentos do roteiro, aqui ele consegue, como em O senhor dos anéis, justificar a ação por meio da decisão de seus personagens. Há filmes de ação, que surgem principalmente no verão, que não trazem nenhuma dosagem dramática; O hobbit – A batalha dos cinco exércitos faz sua ação a partir do drama dos personagens, um elemento que Jackson resgata sobretudo da batalha do Abismo de Helm em As duas torres.

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Para quem esperava encontrar novamente ligações entre os personagens na Terra-média, finalmente temos uma presença bastante interessante de Thorin Escudo de Carvalho, numa atuação definitiva de Richard Armitage, fazendo algo difícil: colocar o espectador como alguém que tem aversão a seu comportamento, mas também atrair a empatia. Bilbo, praticamente esquecido no segundo filme, servindo como coadjuvante de Bard, o arqueiro, consegue novamente se sobressair, como no primeiro, sobretudo em alguns lances de humor e comoção do ótimo Martin Freeman. Não apenas esses personagens surpreendem, como também o próprio arqueiro consegue uma justificativa para sua presença – e Luke Evans finalmente tem reações emocionais quase ausentes no primeiro filme –, assim como Legolas (Orlando Bloom), Tauriel (Evangeline Lilly) e Kili (Aidan Turner) arquitetam uma trama paralela com interesse o suficiente para o espectador, inclusive em sua relação com Thandruil (Lee Pace), embora não sejam expansivos como os de O senhor dos anéis. Contudo, são personagens, pelo menos neste filme, com motivações humanas e uma procura inata pela nobreza que independe de guerra ou linhagem, mesmo que haja um paralelismo: em determinado momento a Arkenstone desejada por Thorin pode se passar por sementes: aquela simboliza o domínio sobre o reino; as sementes simbolizam o domínio da natureza sobre os poderes e os reinos que passam. Kili pode dar uma peça pessoal a Tauriel, e ela contém sempre uma aproximação, tendo como figura contrária a de Alfrid (Ryan Gage), que acompanha os habitantes da Cidade do Lago com outro objetivo.
Esse elenco consegue criar um equilíbrio com a parte técnica do filme. Um dos maiores incômodos da segunda parte de O hobbit era sua parte técnica com alguns problemas. Em razão de muitas cenas terem sido filmadas depois da rodagem oficial ser concluída, havia um excesso de CGI nos cenários, sobretudo na passagem pela cidade dos elfos. Aqui, se continua havendo CGI, deve-se reconhecer a riqueza de detalhes, acompanhada por figurinos que dialogam com as cores captadas por Lesnie, e Jackson coloca finalmente uma coleção de imagens fantásticas capazes de lembrar não apenas O senhor dos anéis, mas fábulas fantasmagóricas e assustadoras. Os interiores da Montanha Solitária ganham detalhes imprevistos, assim como Jackson consegue obter um olhar de 360 graus sobre o que cerca a Montanha e as batalhas em seu centro, tendo Azog (Manu Bennett) como o grande inimigo, à frente de milhares de orcs. Trata-se de um final ao mesmo tempo com tom dramático, mostrando várias ações paralelas, e teatral, como se tudo precisasse ser decidido num único lugar, em que todos os personagens se reúnem para a alegria ou a tragédia.

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Parte desta decisão se deve ao fato de ter se dividido as duas partes em três, mas o fato é que O hobbit – A batalha dos cinco exércitos funciona de maneira emocional, dramática e com um palco aberto a cenas fantásticas e de resolução que não havia em A desolação de Smaug. Um duelo do qual faz parte Gandalf (Ian McKellen, compensando a dificuldade com que fez o filme, por motivos de doença, com sua empatia) em meio a figuras fantasmagóricas apenas anuncia esse eixo em que os personagens se reúnem pela sua vida ou morte (e por um instante mesmo Galadriel, numa cena magnífica, parece lembrar a cena derradeira do Padre Karras de O exorcista, mas potencializada com mais efeitos especiais). Nesse sentido, a presença não apenas de Bilbo, como também do arqueiro, mostram sempre a necessidade de se buscar um sentido para a casa. O arqueiro, à frente daqueles que sobraram da Cidade do Lago, precisa dar um novo lar a seu povo, enquanto Thorin não entende por que Bilbo coleciona motivos para levar ao condado.
Há uma cena magnética em que Thorin, dentro da Montanha, enfrenta seu próprio eu e imagina um piso banhado de ouro – numa atuação excepcional de Armitage. Esta sequência estabelece uma relação direta com uma situação em que Thorin precisa lutar sobre a água, simbolizando sua origem, e não mais sobre o ouro. Também chama a atenção uma fala de Bilbo sobre as águias que remete ao final de Uma jornada inesperada, quando ele e Thorin conversam no alto de uma montanha sobre ter um lar. Essa motivação pessoal vai ao encontro daquela de Legolas, sobre voltar ou não para seu povo. Existiam esses elementos em O senhor dos anéis, e aqui eles são expostos de maneira sensível, em meio a batalhas ruidosas e fantásticas, assim como uma bela ligação das paisagens mais ensolaradas de Uma jornada inesperada com o cinza e a ambientação mais fria de A batalha dos cinco exércitos, como se as estações da jornada se completassem.
Neste sentido, este O hobbit consegue estabelecer pontes diretas com os filmes anteriores sem levar o espectador a se perguntar por que Jackson está estendendo determinada cena. E, em meio a sequências com um ritmo contínuo (e pela primeira vez a metragem não é excessiva, levando o espectador a se interessar pelo material que foi excluído), Jackson forma uma unidade interessante com O senhor dos anéis. Se a partir do segundo filme poderia haver uma desconfiança em relação ao cineasta, ele finaliza a trilogia com um êxito que certamente traria percalços a quem não dirigiu O senhor dos anéis. O hobbit – A batalha dos cinco exércitos não é apenas um grande filme de fantasia ou de ação, ou uma adaptação à altura do universo imaginado por Tolkien. Do mesmo modo, não é um filme apenas para os fãs dessa obra, como muitas vezes é recebido, e sim para quem admira um cinema no qual é possível rever e guardar parte da própria imaginação, que cresce como as sementes que Bilbo carrega.

The Hobbit – The battle of the five armies, EUA, 2014 Diretor: Peter Jackson Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Aidan Turner, Luke Evans, Lee Pace, Stephen Fry, Ken Stott, Benedict Cumberbatch, Cate Blanchett, Manu Bennett, Hugo Weaving, Christopher Lee, Billy Connolly, Ian Holm  Roteiro: Fran Walsh, Guillermo del Toro, Peter Jackson, Philippa Boyens Fotografia: Andrew Lesnie Trilha Sonora: Howard Shore Produção: Carolynne Cunningham, Fran Walsh, Peter Jackson Duração: 144 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: 3Foot7 / Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / New Line Cinema / WingNut Films

Cotação 5 estrelas

 

O hobbit – A desolação de Smaug (2013)

Por André Dick 

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Com o lançamento de O hobbit, em 2012, surgiu a discussão de que Peter Jackson havia dividido a história em três partes, como O senhor dos anéis, para conseguir alcançar uma arrecadação extra. E aconteceu o que possivelmente ele mesmo já imaginava: a comparação com O senhor dos anéis trouxe o desgaste, sobretudo para a crítica e os possíveis prêmios que uma obra desse porte normalmente conseguiria. O que resultou a partir daí foi uma grande bilheteria, própria de um blockbuster, mas um esquecimento, de modo geral, do que havia feito O senhor dos anéis uma trilogia referencial para o cinema: a aceitação de um mundo fantástico. Difícil um filme de tanta qualidade como O hobbit ter sido recepcionado apenas como um prolongamento apenas em busca de mais dinheiro e de marketing, ou pensado apenas para estender o que não deveria ter sido, para alguns, sequer filmado. Um ano depois, estamos novamente diante da jornada de Bilbo, na segunda parte, O hobbit – A desolação de Smaug. E, de modo geral, parece existir novamente uma resistência à nova trilogia em termos do que ela oferece, embora uma melhor aceitação quanto ao ritmo. O ritmo é um dos destaques de O senhor dos anéis, mas não o principal: O hobbit – Uma jornada inesperada sentia-se como uma extensão sentimental da primeira trilogia e, se o seu ritmo não era igual, tinha bastante propriedade e envolvimento.
Na continuação de sua jornada, em busca da Montanha Solitária, onde se encontra o Dragão Smaug, Bilbo (Martin Freeman) está de volta, ao lado de Thorin (Richard Armitage), dos anões e Gandalf (Ian McKellen). O início do filme reserva um número de imagens suficientemente atrativo para o espectador, com bosques misteriosos e cenários da Terra-média pensados minuciosamente. De um esconderijo em que o personagem Beorn (Mikael Persbrandt) vaga rapidamente diante de nossos olhos, à Floresta das Trevas, até a chegada dos elfos, Jackson continua permeando seu filme de imagens fantásticas, misteriosas e implacavelmente belas, com a fotografia de Andrew Lesnie.

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No entanto, à medida que vemos a ação acontecendo, e em meio a ela Bilbo apenas como um apêndice, temos a sensação de que, com dois personagens sendo trazidos à cena sem fazerem efetivamente parte dela, Legolas (Orlando Bloom, deslocado), e Tauriel (Evangeline Lilly, em momento particularmente infeliz), marca presença aquilo que inexiste, pelo menos em minha avaliação (e estou em minoria), no primeiro. Há uma sensação de inchaço em muitas sequências, personagens são acrescentados sem a devida força e o elenco não se mostra à altura. Além disso, sente-se a fidelidade exagerada ao livro em algumas passagens e liberdade em outras. E elas não seriam incômodas se justamente ocorresse aquilo que foi cobrado antes do primeiro filme: que não fosse uma trilogia. Há uma sensação, de modo geral, que se tenta reproduzir fielmente os mesmos conflitos de O senhor dos anéis: o receio de o mal se estabelecer, mas de forma excessivamente vaga, a peregrinação solitária de Gandalf e até mesmo um triângulo amoroso. E tudo soa sem a mesma engenhosidade e ânimo, mas com um certo cansaço, inclusive no excesso, com o passar do tempo, do uso de CGI, apagando a qualidade da direção de arte e prejudicando a fotografia de Lesnie e o trabalho de cores. Tudo faz com que não pareça uma continuação de O hobbit, mas uma refilmagem econômica, em menor escala, de O senhor dos anéis. Ou seja, em O hobbit – Uma jornada inesperada, Jackson conseguia criar uma nova obra a partir do mesmo universo da Terra-média, dialogando de forma criativa com O senhor dos anéis; aqui ele apenas quer reproduzir a trilogia anterior.
Ao longo do filme, é difícil entender o que fez Peter Jackson abandonar seus trunfos na primeira trilogia e no primeiro O hobbit: o privilégio dado aos personagens, à inter-relação bem-humorada e as sensações de confronto, de perda e de busca pela própria identidade. Bilbo inicia o filme às voltas com o anel roubado de Gollum, mas, ao mesmo tempo em que parece ter um conflito consigo mesmo, ele logo se perde. A partir de determinado momento, independente, aqui, do que ocorre no livro, é como se ele fosse apenas parte do cenário, sem efetivamente pertencer a ele – e o fragmento longo de filme em que o arqueiro Bard (Luke Evans, sem qualquer reação) parece se tornar o personagem central, deixando Bilbo sem falas, é o mais delicado de todos. Se o primeiro sugeria uma proximidade de Bilbo dos anões, aqui parece haver mesmo nesta relação uma amizade pouco natural e nunca atribuída aos personagens, apenas imposta, sem emoção (veja-se a cena em que um anão elogia o hobbit, parecendo uma frase extraída de outros momentos). Do mesmo modo, alguns personagens desaparecem por um longo período de tempo, quando não temos mais ideia do que eles estão fazendo (a montagem é decisivamente o problema), algumas sequências se estendem demais e outras acontecem rápido demais, e se antes havia pelo menos a presença ameaçadora de um Orc, desta vez parece não haver o que será combatido. Se há, fica mais diluído, não havendo uma ameaça aterrorizante que coloque esses personagens em estado de medo – como no primeiro havia de modo evidente – até pelo menos quando surge o ameaçador dragão Smaug (criação tecnológica de surpreendente perícia, com voz de Benedict Cumberbatch), já muito tarde.

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E chegar a este ponto é realmente incontornável, é como não reencontrar o universo fantástico que se esperava há um ano. Vê-se Peter Jackson surgindo no início do filme – ele está dizendo que a obra é dele, assim como de Tolkien – e o que menos se vê é sua agilidade narrativa e de edição conhecidas mesmo em seus experimentos mais baseados em efeitos especiais, como King Kong. Até em Um olhar do paraíso, com sua confusão visual, ainda temos a sensação de que há um diretor com determinados sentimentos. Aqui, Jackson parece ausente, assim como a antes fabulosa trilha de Howard Shore, e nem mesmo o roteiro dividido, entre outros, com Guillermo del Toro consegue reparar uma estranha ausência de rumo no envolvimento com a história. Não se sabe, ao fim das contas, se alguns atores tiveram sua participação diminuída apenas por fidelidade ao livro – que não há em termos de outros personagens acrescentados, por exemplo – ou outras questões, mas O hobbit – A desolação de Smaug não se sente filmado no mesmo ritmo do primeiro O hobbit, nem com o mesmo envolvimento, nem a mesma competência para cenas de ação de Jackson, excluindo aquelas dos barris (independente de seus exageros, mesmo para uma fantasia, com Legolas em ritmo de videogame) e da Floresta das Trevas. Parece ter havido uma quebra, e esta se deve, a meu ver, ao fato de Jackson ter planejado O hobbit em dois filmes e ter resolvido, no fim das contas, realizar três, decisão ocorrida, ao que se sabe, no fim das primeiras filmagens, antes da refilmagem de cenas e acréscimos, como acontecem em filmes rodados ao mesmo tempo. Não há nesta segunda parte o que sentimos em outras trilogias: uma ligação extrema com o que veio antes, mas sobretudo com o que virá depois. E, se Aragorn não chegava a fazer falta em O hobbit, em razão de Thorin, este agora não recebe um roteiro à altura nem uma direção para mostrar os conflitos por querer recuperar a moradia de seu povo.

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De qualquer modo, o que se lamenta mesmo é ver Martin Freeman, que havia conseguido trazer uma dignidade respeitável ao primeiro filme, ser aproveitado como figurante, com participação direta apenas no início e no final, praticamente sem diálogos. Toda vez em que ele aparece é difícil imaginar por que Jackson e os roteiristas quiseram acrescentar outros personagens que não estão no livro (e poderiam perfeitamente, pois um filme não deve necessariamente ser fiel a um livro, desde que com a devida ênfase) tendo um personagem que poderia ser melhor explorado. Bilbo – o “Hobbit” do título – seria o motivo para o sucesso do filme. Da maneira como ele surge, não temos uma ligação emotiva com os personagens a ponto de estabelecer uma ligação vital para dar sequência à jornada. A pergunta ao final do filme parece valer para o próprio Jackson. E isso, em termos de mitologia da Terra-média, é terrível. Certamente, quero voltar à Terra-média, mas de preferência com Peter Jackson, equipe e seu elenco em alta voltagem. Aqui eles parecem estar apenas preparando terreno para algo realmente grande. Parecem apenas correr para passar o tempo antes do grande clímax.

The Hobbit – The desolation of Smaug, EUA/Nova Zelândia, 2013 Diretor: Peter Jackson Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Orlando Bloom, Benedict Cumberbatch, Evangeline Lilly, Lee Pace, Luke Evans, Aidan Turner, Mikael Persbrandt Roteiro: Fran Walsh, Guillermo del Toro, Peter Jackson, Philippa Boyens Fotografia: Andrew Lesnie Trilha Sonora: Howard Shore Produção: Carolynne Cunningham, Fran Walsh, Peter Jackson, Zane Weiner Duração: 161 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / New Line Cinema / WingNut Films

Cotação 2 estrelas e meia

O senhor dos anéis (2001, 2002, 2003)

Por André Dick

O senhor dos anéis.SérieA saga O senhor dos anéis, adaptada dos livros de J.R.R. Tolkien, teve uma transposição para o cinema à altura de seu desafio. Apesar de Peter Jackson não ter dado provas anteriores de que seria capaz de adaptar com tal força a trilogia (esteve à frente, por exemplo, de Os espíritos), é bem verdade que ele consegue um resultado superior ao que um diretor comum ou consagrado conseguiria. Ou seja, ele não era nem um cineasta do underground nem alguém incorporado a superproduções hollywoodianas. Talvez por tudo isso ele tenha criado um ritmo tão equilibrado para os três filmes, baseado em locações fantásticas da Nova Zelândia e um trabalho de adaptação e incorporação de cada personagem no imaginário de modo notável.
No primeiro, A sociedade do anel, ele apresenta os personagens, o surgimento do anel e o tom da série, passada na Terra-média. Gandalf (Ian McKellen) vai ao Condado dos hobbits para a festa de despedida de Bilbo (Ian Holm). Este tem um sobrinho, Frodo Bolseiro (Elijah Wood), amigo de Sam (Sean Astin). Gandalf acaba descobrindo que seu amigo carrega o anel do poder, ou seja, aquele que o possuir estará dominado pelas trevas e o desejo de poder. Ele pede que Frodo saia em jornada, com Sam – os quais, pelo caminho, encontram Pippin (Billy Boyd) e Merry (Dominic Monaghan) –, levando junto o anel, em direção ao vilarejo soturno de Bri, onde eles se encontram com Aragorn (Viggo Mortensen), que os ajuda a fugir de cavaleiros assustadores, em meio às árvores do Condado. Frodo entende, aos poucos, que sua missão não é tão simples quanto se imagina. Depois de um novo enfrentamento e serem salvos pela elfa Arwen (Liv Tyler), os hobbits vão para Valfenda, onde a sociedade do anel do subtítulo se reúne por meio da figura de Elrond (Hugo Weaving). Nela, há um elfo, Legolas (Orlando Bloom), um anão, Gimli (Rhyam-Davies), e Boromir (Sean Bean), que se integram à “sociedade do anel”, e o filme intensifica o poderio das imagens – constituindo o elo entre os três filmes. Eles precisam ajudar Frodo a chegar à Montanha da Perdição, em Mordor, onde o anel deverá ser destruído, em meio a provocações entre o anão e o elfo e o desequilíbrio de Boromir. Ao mesmo tempo, Gandalf precisa enfrentar Saruman (Cristopher Lee), que tem planos de seguir o Olho de Mordor, o qual deseja recuperar o anel. Saruman (Cristopher Lee) aprisiona Gandolf em Isengard, a princípio – depois de uma cena de embate em que os cajados representam a força de cada um –, mas logo é enfrentado.

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O senhor dos anéis

Neste primeiro filme, além da apresentação dos personagens, há detalhes surpreendentes, sobretudo quando eles chegam às Minas de Moria. Deparando-se com um monstro submarinho com tentáculos, o grupo foge para dentro dessa caverna, sem saber que nela os espera algo pior e aterrorizador. Peter Jackson consegue emprestar a sequências magníficas um tom, ao mesmo tempo, de pesadelo e fantasia, sem nunca cair num excesso; pelo contrário, a cada desmoronamento de uma montanha ou a abertura de um chão repleto de escadarias, apesar de sua grandiosidade, é dado um aspecto fabular inesquecível e modificador também para a narrativa.
No segundo filme, As duas torres, Frodo e Sam, já separados do restante do grupo, continuam a ser seguidos por Gollum (numa atuação de Adam Serkins), dono anterior do anel, que não consegue ficar longe dele, ao qual chama de “precioso”. Ao mesmo tempo, vemos Aragorn, Gimli e Legolas atrás de Pippin e Merry, que foram levados por orcs. Sarumon quer destruir a Terra-média, no entanto sabemos que há as árvores da Floresta de Fangorn para impedi-lo. Nela, Merry e Pippin conhecem a Barbárvore, que pertence aos ents e é incitado a se revoltar contra Saruman, que está querendo destruir, por meio dos orcs, toda a vegetação para a construção de seu exército. No meio do caminho, Aragorn e seus amigos precisam salvar o Rei Theoden (Bernard Hill) de um feitiço de Saruman, preservado por Gríma Língua de Cobra (Brad Dourif), fazendo com que se desloquem todos para o Abismo de Helm. Ele é pai de Éowyn (Miranda Otto), que se apaixona por Aragorn. Porém, precisam enfrentar uma batalha imprevisível – com um desfecho impressionante. Há, como se vê, uma miscelânea de histórias, mas que Jackson consegue unificar com raro empenho, nunca permitindo que determinados personagens sumam de vista (mesmo que personagens como o de Galadriel, de Cate Blanchett, e de Elrond, de Weaving, sejam menos interessantes para o andamento).

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Já Sam e Frodo, na continuação da viagem, precisam enfrentar Faramir (David Wenham), irmão de Boromir, interessado no destino do anel. Nessas sequências fantasiosas (em pântanos, sobrevoados pelos Cavaleiros Negros, e montanhas), vemos o maior potencial de O senhor dos anéis: o delírio de imagens, aliadas aos efeitos especiais, é forte o bastante para sustentar a atenção do espectador. A batalha do Abismo de Helm, por exemplo, apresenta-se antológica, fabulosa, sobretudo quando vemos a muralha desabar para a entrada assustadora dos orcs, debaixo da chuva, com os urros no meio da noite e luzes de tochas ao longe.
No terceiro filme, O retorno do rei, sabemos que Peter Jackson está desenhando um epílogo que deve estar de acordo com a série. Apresenta uma primeira hora um tanto devagar, com alguns traços românticos – entre Aragorn e a elfa –, para, então, ao mesmo tempo que acompanha a jornada de Frodo, Sam e Gollum, até a destruição do anel, vermos o que falta ainda ser resolvido, o que inclui uma batalha entre orcs e fantasmas, a loucura de Denethor (John Noble), pondo a Terra-média em risco, uma aranha gigante tentando enredar o personagem principal, a escalada na Montanha da Perdição passando em meio a tropas de orcs. Novamente, Jackson imprime uma montagem rápida, com talento especial para construir cenários fantásticos, e a verdade é que as versões estendidas – cada filme com vários minutos a mais, alguns se transformando em outros filmes, inclusive com peças mais bem-humoradas – são melhores do que as originais, o que impressiona, pois O senhor dos anéis, no original, já tem uma significativa extensão: mais de 9 horas no total. Peter Jackson tem uma tendência para a grandiosidade, o que ele viria a mostrar em King Kong, mas é ainda melhor quando se restringe a elementos básicos ao sucesso de um filme.

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O senhor dos anéis.O retorno do rei

O cineasta é fiel às características de cada personagem, colocando Gollum como uma criatura de dupla face, assim como situando os dois lados da magia, nas figuras de Gandalf e Saruman. Gollum é apenas um ser levado pelos eventos e pela própria incapacidade de administrar o poder que o anel tem sobre ele, enquanto os dois magos são decisivos para a existência ou não da Terra-média. Por sua vez, Frodo é combativo e não se entrega ao objeto, mesmo que ele possa levá-lo a momentos de perigo, inclusive desconfiando de Sam. No entanto, é preciso, afinal, acreditar na amizade e não no anel. E assim o que poderia se transformar numa espécie de contemplação da fantasia forçada – vemos o elfo brigando sempre com o anão, para saber quem é o mais ágil; a amizade entre Frodo e Sam sem cair em pieguice; a alegria de Gandalf ao avistar os hobbits depois de muitas batalhas – transforma-se em referência.
O que torna O senhor dos anéis uma trilogia respeitável como a do primeiro Guerra nas estrelas é seu talento em humanizar personagens que poderiam ser vistos como estereótipos de um mundo mágico, imersos num cenário que poderia não parecer verdadeiro, contudo acontece o contrário, costurado pelos figurinos, uma fotografia sempre adequada e uma trilha musical esplêndida – como se Jackson tivesse visto, enfileirados, os clássicos de fantasia dos anos 80 e pretendido revitalizá-los com o olhar e a tecnologia contemporâneos. Jackson está interessado em ver o que há atrás dessas personagens, seus significados mais densos e suas preocupações com o que pode ser dito nas fábulas a serem contadas a partir de seus feitos (o que se corresponde com o próprio Tolkien). Por isso, vai apresentando e dando espaço um a um, aos poucos. Claro que as cenas de batalha são muitas e preenchem boa parte da trilogia, mas o aspecto humano nunca escapa às suas lentes, que procuram a dramaticidade mesmo nos momentos em que flechas e fogos disparam para todos os lados e espadas necessariamente se confrontam, em meio à violência da batalha. É claro, também, que sem o elenco de que dispunha não daria certo: McKellen faz um Gandalf antológico, assim como Morttensen um Aragorn sem exageros, apoiados nos momentos bem-humorados de Orlando Bloom e John Rhys-Davies e no cast juvenil dos hobbits (Sean Astin é um destaque, enquanto Elijah consegue mostrar um herói bastante pressionado pela situação, no tom certo), além das antológicas participações de Cristopher Lee e Bernard Hill. Se alguns do elenco não estão à altura (Hugo Leaving e Cate Blanchett), em momento algum prejudica.

O retorno do rei.Série

O retorno do rei.Série 2

Pois, se no início a vida dos hobbits é vista como tranquila, com tocas em meio a montanhas de verde e simpáticas a ponto de parecerem convidar a nossa visita, e os fogos de artifício se transformando em um dragão dão a medida exata dessa fantasia que se inicia, o mundo que se desvenda para os hobbits é muito mais perverso: depois de Valfenda, com suas belas paisagens, eles precisam enfrentar cavernas, vales imensos, sendo perseguidos por orcs, finalmente pântanos (com as imagens de almas), montanhas pouco convidativas e uma caverna habitada por uma aranha gigante. Todavia, esta jornada não é sem efeitos e sem recompensas: os hobbits sabem que estão crescendo em enfrentar tal caminho, e Jackson está interessado em mostrá-lo da maneira mais completa possível. O que poderia ser apenas uma saga para tentar vender mais livros se transforma numa antologia cinematográfica. Peter Jackson entrega uma trilogia clássica, como poucas que conhecemos.

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, EUA/Nova Zelândia, 2001 Diretor: Peter Jackson Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Ian Holm, Christopher Lee, Andy Serkis, Ian McKellen, Billy Boid, Dominic Monaghan, Viggo Mortensen, Liv Tyler, Hugo Weaving, John Rhys-Davies Produção: Peter Jackson, Fran Walsh, Tim Sanders, Barrie M. Osborne Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh, Philippa Boyens Fotografia: Andrew Lesnie Trilha Sonora: Howard Shore Duração: 178 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: New Line Cinema / The Saul Zaentz Company / WingNut Films

Cotação 5 estrelas

The Lord of The Rings: The Two Towers, EUA/Nova Zelândia, 2002 Diretor: Peter Jackson Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Ian Holm, Christopher Lee, Andy Serkis, Ian McKellen, Billy Boid, Dominic Monaghan, Viggo Mortensen, Liv Tyler, Hugo Weaving, John Rhys-Davies, Brad Dourif, Miranda Otto, Bernard Hill Produção: Peter Jackson, Barrie M. Osborne, Tim Sanders Roteiro: Peter Jackson, Frances Walsh, Philippa Boyens, Stephen Sinclair Fotografia: Andrew Lesnie Trilha Sonora: Howard Shore Duração: 179 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: New Line Cinema / The Saul Zaentz Company

Cotação 5 estrelas

The Lord of The Rings: The Return of The King, EUA/Nova Zelândia, 2003 Diretor: Peter Jackson Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Ian Holm, Andy Serkis, Ian McKellen, Billy Boid, Dominic Monaghan, Viggo Mortensen, Liv Tyler, Hugo Weaving, John Rhys-Davies, Bernard Hill, Miranda Otto, Brad Dourif (versão extendida), Christopher Lee (versão extendida) Produção: Peter Jackson, Barrie M. Osborne, Frances Walsh Roteiro: Peter Jackson, Frances Walsh, Philippa Boyens Fotografia: Andrew Lesnie Trilha Sonora: Howard Shore Duração: 201 min. Distribuidora: Warner Bros. Estúdio: New Line Cinema / The Saul Zaentz Company / WingNut Films

Cotação 5 estrelas