Fora de série (2019)

Por André Dick

A atriz Olivia Wilde, conhecida por filmes como Ela e Vinyl, estreia atrás das câmeras dirigindo esta comédia adolescente com um tom mais incomum em relação a outras. Sua inspiração é bem clara: Superbad, da década passada. No entanto, pode-se dizer que dialoga também com várias outras que vieram posteriormente, além daquelas obras mais dramáticos e sensíveis sobre a passagem da adolescência, a exemplo de As vantagens de ser invisível e Bling Ring – A gangue de Hollywood e também com humor menos sutil, presente em Não vai dar, lançado em 2018.
Ela foca a amizade de Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein), duas colegas de ensino médio e melhores amigas. Elas descobrem, no fim dessa fase em suas vidas, que não aproveitaram absolutamente nada em termos de festa e resolvem, numa noite de despedida, buscarem conciliar seus sonhos e pretensões. Os pais de Amy são Doug (Will Forte) e Charmaine (Lisa Kudrow), despreocupados com o que pode acontecer.

Enquanto Molly é apaixonada por Nick (Mason Gooding), Amy gosta de uma outra colega de escola, Ryan (Victoria Ruesga). Para chegarem à festa e sem terem noção do caminho a ser seguido, elas pedem ajuda a Jared (Skyler Gisondo, de Férias frustradas e da série Santa Clarita Diet), que gosta de Molly. A primeira parada é num iate com um salão de festas grandioso, onde os três se deparam com Gigi (Billie Lourd), que, ao longo da narrativa, pode aparecer em lugares imprevistos.
A maneira como Wilde mostra a escola é bem mais otimista do que séries e filmes recentes, por exemplo Oitava série, no qual a protagonista sofria constantemente, embora não sem certo uso de bom humor em momentos-chave. Não que as duas amigas não tenham problemas aqui, no entanto Wilde acrescenta um tom de humor, principalmente quando elas têm de lidar com o diretor Jordan Brown (o ótimo Jason Sudeikis), a professora Miss Fine (Jessica Williams) e com Hope (Diane Silvers).

É muito interessante a maneira como Wilde filma a dinâmica de amizade ou inimizade das duas com seus colegas, principalmente num encontro de Molly com colegas que ela imagina perdidos na vida e em suas escolhas no banheiro da escola, quando descobre não se sobressair como imaginava em relação a eles, a começar por Triple A (Molly Gordon) e Theo (Eduardo Franco). Sua reação é um dos melhores momentos da primeira parte, estabelecendo praticamente o caminho seguido pela história. O roteiro escrito a oito mãos por Emily Halpern, Sarah Haskins, Katie Silberman e Susanna Fogel (esta diretora do interessante Meu ex é um espião) flui de maneira objetiva, não apresentando grande espaçamento entre uma e outra etapa nem desperdiçando alguns coadjuvantes que contribuem realmente para a narrativa. Os estereótipos quase caem no lugar-comum, porém os diálogos se fazem necessários.
Há algumas sequências com extrato um tanto surreal, perdidas em meio a outras, com alívio cômico por vezes desnecessário, mas Fora de série apanha a atmosfera e o clima de uma determinada época e as agruras da transformação adolescente. Dever já se mostrou antes ótima atriz, em filmes como Querido menino e Outside in, além do já referencial (e infelizmente subestimado) Homens, mulheres e filhos, e Feldstein tem mais uma chance depois de sua participação exitosa em Lady Bird, demonstrando um lado cômico pouco explorado por jovens atrizes em Hollywood.

Ambas possuem uma química muito grande, situadas entre a aceleração do que desejam fazer e as dúvidas que as cercam, em cenas sobretudo emotivas no ato final, no qual a trilha sonora tem uma participação relevante, remetendo ao curioso Meu namorado é um zumbi. Mas talvez seja Gisondo o grande intérprete dessa história, passada basicamente em uma noite e com ótima fotografia de Jason McCormick, captando uma atmosfera interessante, e trilha sonora. Ele oferece, como ótimo ator que é, um tom agridoce a esta passagem de fase e se confirma como um dos talentos jovens de Hollywood. E Wilde se firma como uma nova diretora de destaque, com influência de Sofia Coppola na combinação de um ar sofisticado com algo mais popular na abordagem, levando Fora de série para um campo de diversão reflexiva.

Booksmart, EUA, 2019 Diretora: Olivia Wilde Elenco: Kaitlyn Dever, Beanie Feldstein, Jessica Williams, Lisa Kudrow, Will Forte, Jason Sudeikis, Skyler Gisondo, Mason Gooding, Victoria Ruesga, Billie Lourd Roteiro: Emily Halpern, Sarah Haskins, Susanna Fogel, Katie Silberman Fotografia: Jason McCormick Trilha Sonora: Dan the Automator Produção: Megan Ellison, Chelsea Barnard, David Distenfield, Jessica Elbaum e Katie Silberman Duração: 105 min. Estúdio: Annapurna Pictures, Gloria Sanchez Productions Distribuidora: United Artists Releasing

Ela (2013)

Por André Dick

Her 7

O diretor Spike Jonze surgiu como uma das maiores revelações do cinema, à frente de Quero ser John Malkovich, uma experiência com John Cusack, e alguns anos depois fez o original Adaptação, com o melhor momento de Nicolas Cage. Desde então, Jonze só havia conseguido imprimir sua marca autoral no infantojuvenil com temática adulta Onde vivem os monstros. Alguns anos depois, ele finalmente volta ao cinema, com Ela, já sem a parceria no roteiro de Charlie Kaufman, trazendo novamente Joaquin Phoenix depois de sua atuação antológica em O mestre. Phoenix interpreta Theodore Twombly, nome próprio de alguma história infantil, que escreve cartões de amor numa empresa, BeautifulWrittenLetters.com, e se mantém solitário depois do casamento com Catherine (Rooney Mara). Até o dia em que ele decide adquirir um sistema operacional com inteligência artificial – cuja voz é de Scarlett Johansson (que substituiu Samantha Morton depois das filmagens).
Alguns têm falado que o filme apresenta elementos biográficos de Jonze e de sua relação com Sofia Coppola, e não por acaso temos Johansson, que havia feito Encontros e desencontros. Mas, se Sofia Coppola visualiza a solidão como uma espécie de artefato pop, Jonze a toma como uma espécie de síntese do ser humano. Em Ela, Theodore é um ser solitário, avesso aos relacionamentos, e Jonze não foge, neste ponto, a alguns clichês do gênero. Mesmo quando ele inicia o relacionamento de amizade com seu sistema operacional, chamado de Samantha, parece que há algo solto no filme e os personagens, de algum modo, não têm uma ligação estabelecida. Samantha organiza a agenda de Theodore e lhe repassa as informações de mensagens pessoais, tentando organizar não apenas a autoestima dele, como também sua vida profissional. No entanto, este é o preparo de uma narrativa com diversas nuances, que lidam com o afeto, a solidão e a companhia de maneira não tratada antes, e sob um ponto de vista moderno.

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O filme se passa num futuro não longínquo, mas as relações vistas nele já se mostram contemporâneas: a necessidade de, por meios tecnológicos, iniciar uma relação, e até que ponto ela será virtual ou verdadeira. Jonze discute essas questões num roteiro escrito com uma qualidade notável, em que o excelente Phoenix vai mostrando um crescente capaz de tornar detalhes mesmo banais em algo com sentimento. Jonze sempre soube também construir imagens que gravam na mente do espectador, com um sentido de lembrança e de conflitos inescapáveis. Mesmo os escritórios, as sacadas, os elevadores, corredores de estação de trem da cidade de Los Angeles no futuro (mas com várias cenas rodadas em Xangai) se mostram com uma sensação de que algo se perdeu, ou quando Theodore caminha pela rua mostrando as pessoas a Samantha. De elaboração a princípio simples, a direção de arte do filme mistura as suas cores com aquelas do figurino de Theodore, e há uma névoa em algumas imagens que lembram não apenas flashbacks, mas também uma atmosfera de sonho, o que empresta ainda mais ao filme uma sensação de conectar o espectador com lembranças dispersas. Se não soubéssemos que a história se passa no futuro, poderíamos imaginá-la num passado estilizado, pois tudo evoca algum tipo de lembrança. Ao mesmo tempo em que nos sentimos num local populoso, parece que estamos vagando, com o personagem, numa metrópole semiabandonada. A caracterização dos edifícios, as suas luzes e a imponência, também contrasta com a natureza (de árvores e do mar) em alguns trechos do filme – e deitar-se na areia da praia configura uma mudança da rotina.
Chama a atenção, também, como Ela, com seu bom humor em alguns momentos – sobretudo em seu início, quando mostra a relação de Theodore com seu videogame realista ou uma conversa sexual com uma mulher cuja voz é de Kristen Wiig –, consegue mesclar sentimentos variados em relação aos conflitos entre Theodore e Samantha. Se no início eles parecem corriqueiros, e às vezes não tão interessantes, Jonze faz com que o personagem central comece a materializar Samantha em uma figura humana, mesmo que sem rosto. Ela tem o comportamento de uma pessoa, com sentimentos em relação a Theodore e ao mundo, sente-se magoada e reage ao relacionamento, ou o possível abandono. Ela quer se transformar verdadeiramente num ser humano, interessada por livros e em valorizar as cartas escritas por Theodore – ditadas para um computador que vai desenhando a caligrafia das palavras. Ou seja, é notável como Jonze torna a atuação de Johansson naquela que é, talvez ironicamente (pois é uma atriz sempre acusada de chamar a atenção mais pela aparência do que pelo vigor dramático), a melhor de sua trajetória.

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A interação entre Phoenix (visível para o espectador) e ela (ausente de nossa visão) é memorável a partir de determinado momento, quando temos os mais variados sentimentos no que se refere a esta relação. Sobretudo porque Jonze nos lança na questão recorrente de que o ser humano vem se tornando mais frio e atento a programas de computador, e menos confortável em relações verdadeiras. O que ele nos lembra, mais do que tudo, é como a imaginação costuma ressoar mais forte mesmo quando parecemos nos entregar a uma distância com o contato humano. Mesmo os relacionamentos com Amy (Amy Adams, numa participação relativamente curta, mas eficiente), casada com Charles (Matt Letscher), com Paul (Chris Patt), colega que trabalha na empresa de Theodore, e a moça de um encontro às escuras (Olivia Wilde, deslocada como convém ao personagem), são um tanto evasivos, imersos num ambiente introspectivo. Nesse sentido, o sentimento se torna mais forte sobretudo pela capacidade que temos de, por meio da imaginação, delinear nossa concepção verdadeira de humanidade, e como ela acabará nos inserindo de verdade no mundo.
E o que Jonze faz é uma realização. Não era uma expectativa chegar a este filme de Jonze como um exemplo de cinema em que o escape se torna, na verdade, uma maneira de se encontrar de maneira tão elaborada, e cuja emoção vai repercutir na trilha da banda Arcade Fire (cujo clipe da canção “The Suburbs” foi feito por Jonze). Não que seus filmes anteriores, sobretudo Adaptação, não tivessem este elemento, mas não de maneira tão dosada quanto aqui. Há elementos que o afastam da metalinguagem de Charlie Kaufman, mas se aproximam do ato final de Sinédoque, Nova York, com a passagem do tempo e a mistura entre realidade e imaginação – como naquele instante extraordinário em que Theodore se insere numa paisagem invernal, com árvores, ou quando passeia com Samantha num dia de verão. Os cortes oferecidos por Jonze dessas imagens dialogam com nossa memória e aliam comoção e envolvimento. É interessante como, de algum modo, o diretor se expõe, com seu elenco, ao risco, no sentido de efetuar uma imagem ampla do que poderia ser apenas trazer a curiosidade do amor de um homem por um programa de computador. A ideia, que parece não oferecer a segurança para um filme, torna-se, aos poucos, cada vez mais plausível e, quando percebemos, estamos inseridos na história de amor talvez mais original já feita, não exatamente pela relação virtual, mas como ela é abordada de modo verdadeiro e sem artifícios. Quando Samantha diz a Theodore que ele a ajudou a se descobrir, não estamos mais lidando com um sentimento virtual, com uma fuga da realidade, desculpando-se pela solidão, e sim com o pleno entendimento do amor. É o que torna Ela um filme tão próximo, com seu universo aparentemente tão distante: ele nos lembra de nós mesmos.

Her, EUA, 2013 Direção: Spike Jonze Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Rooney Mara, Olivia Wilde, Chris Pratt, Matt Letscher, Portia Doubleday Roteiro: Spike Jonze Fotografia: Hoyte Van Hoytema Trilha Sonora: Owen Pallett Produção: Megan Ellison, Spike Jonze, Vincent Landay Duração: 120 min. Distribuidora: Sony Pictures Estúdio: Annapurna Pictures

Cotação 5 estrelas

Rush – No limite da emoção (2013)

Por André Dick

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O diretor Ron Howard sempre foi visto como um diretor sem marca autoral, ao qual estúdios recorrem quando querem alguma competência e o mínimo de riscos. Dos anos 80, quando dirigiu filmes que até hoje servem como referência do gênero fantasia (Splash, Cocoon e Willow) e uma bela comédia familiar (O tiro que não saiu pela culatra), ele passou os anos 90 com um interessante filme sobre a rotina dos bombeiros (Cortina de fogo) e a tentativa de fazer uma espécie de Rede de intrigas mais acessível (O jornal), até ter conseguido respeito com Apollo 13 e, já nos anos 2000, ganhar o Oscar por Uma mente brilhante. Embora não se saiba como ele fez projetos como O Código Da Vinci e O grinch, também realizou os subestimados A luta pela esperança e Frost/Nixon e, mais uma vez com roteiro de Peter Morgan, se recupera com seu novo filme, mostrando competência como diretor de atores. Dificilmente veremos más interpretações nos filmes de Howard, e não é diferente em Rush – No limite da emoção. Também dificilmente veremos uma montagem precária e um trabalho técnico sem cuidado. Embora pareça que o cinema tem mostrado um aperfeiçoamento nesse campo, não significa que se consiga mesclar a ele uma genuína emoção. Quando acerta, Howard consegue, e com aguçado senso de humor.
Rush inicia (daqui em diante, pequenos spoilers) mostrando o duelo entre Niki Lauda (Daniel Brühl) e James Hunt (Chris Hemsworth) já nos bastidores da F3, em 1970, quando Hunt o prejudica para poder vencê-lo. Depois de se desentender com o pai, Lauda busca um patrocinador para que possa disputar a Fórmula 1 e mostra seu talento também como técnico, apontando mudanças no carro para que ele tenha mais velocidade na pista. Hunt, por sua vez, recebe o apoio do milionário Lord Hesketh (Christian McKay). Desajeitado com as mulheres, ao contrário de Hunt, Lauda conhece Marlene Knaus (Alexandra Maria Lara), enquanto seu rival se casa com Suzy Miller (Olivia Wilde), que chegará mais tarde a Hollywood. Howard vai mostrando essa passagem do tempo e esses relacionamentos de maneira interessante, sem sobrecarregar a montagem ou as etapas.

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Pelo contrário, Howard consegue criar um paralelo entre esses corredores, sem prejudicar um ou outro, nem tornar este vínculo criado pela rivalidade em algo exagerado. Com os diálogos de Peter Morgan, que ao mesmo tempo soam despretensiosos e ágeis, Rush se estrutura em sua montagem praticamente perfeita, sem sobras, sobretudo quando passa a mostrar as corridas do campeonato de 1976, quando Lauda e Hunt entraram em disputa direta pelo título, pois ambos possuíam carros sofisticados. São essas corridas, criando uma ligação direta com acontecimentos pessoais, que tornam Rush num filme cujo tema – o desafio à morte, a tentativa de superar as limitações como esportista – ressoa uma emoção baseada nas imagens e no embate entre figuras, não na tentativa de o diretor soar mais complexo à medida que a trama avança. Neste caso, a narrativa tem êxito quando trabalha os conflitos e o sentimento despertado pelo receio de não conseguir chegar ao objetivo final.
Com uma fotografia notável de Anthony Dod Mantle, captando bem a atmosfera dos anos 1970, das corridas, inclusive das arquibancadas dos autódromos, assim como o espaço apertado dos carros, a velocidade deles e a dimensão das pistas, Rush consegue atrair o olhar também para momentos mais sensíveis – sempre em vista de mostrar o olhar de cada figura para as situações, que demandam ou não perigo. Talvez em razão de uma narrativa com figuras tão fortes Howard e o roteirista Morgan tenham deixado um pouco de lado as figuras coadjuvantes, mas isso não chega a atrapalhar o andamento da história e a propriedade com que é contada. Nem mesmo as inevitáveis provocações, até certo ponto previsíveis, entre os dois, reduzindo muitas vezes Lauda e Hunt a polos opostos que se atraem para o embate: o inglês playboy que adora festas e o austríaco que precisa provar a si mesmo que pode dominar a F1 de forma definitiva.

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A fim de que Howard chegue aos seus objetivos, dependeria de seus dois atores, e a resposta é a mais positiva possível. Depois de fazer parte de uma histórias mais marcantes de Bastardos inglórios, Brühl se mostra um ator cada vez mais eficiente, em sua mescla entre humor e arrogância, e Hesworth se mostra aqui muito mais à vontade do que em Thor e outros blockbusters, com inegável talento para contrabalançar a pretensão com uma certa ingenuidade. Ambos conseguem transformar Rush numa das experiências mais interessantes do cinema em 2013, ajudados pela compactação entre a montagem de Daniel P. Hanley e Mike Hill e a trilha sonora de Hans Zimmer, não tão presente quanto na série Batman de Cristopher Nolan, mas ainda assim eficiente para colaborar nos momentos de suspense. Na categoria de filmes envolvendo o duelo entre dois esportistas, não lembro de tal envolvimento desde o fundamental e hoje quase esquecido vencedor do Oscar de 1981, Carruagens de fogo, antológico não apenas pela trilha de Vangelis, como também por ampliar toda a tradição que cerca o esporte. Em filmes dessa natureza, o esporte acaba sendo apenas um motivo para expressar outros temas, que acabam sobrecarregados exatamente pela emoção dele. Rush é certamente um dos mais exemplares.

Rush, EUA/ALE/Reino Unido, 2013 Direção: Ron Howard Elenco: Chris Hemsworth, Daniel Brühl, Christian McKay, Olivia Wilde, Alexandra Maria Lara Roteiro: Peter Morgan Fotografia: Anthony Dod Mantle Trilha Sonora: Hans Zimmer Produção: Andrew Eaton, Brian Grazer, Brian Oliver, Eric Fellner, Ron Howard Duração: 123 min. Distribuidora: Califórnia Filmes Estúdio: Revolution Films

Cotação 4 estrelas e meia