Death note (2017)

Por André Dick

O diretor Adam Wingard tem feito alguns filmes interessantes e até subestimados, a exemplo de O hóspede e a refilmagem de A bruxa de Blair, esta especialmente criticada em seu lançamento e muito superior à versão dos anos 90, a começar por seu terceiro ato claustrofóbico. Aqui ele parte de um mangá criado por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata para desenhar a vida de um adolescente de Seattle, Light (Nat Wolff). Depois de se mostrar interessado pela líder de torcida Mia (Margaret Qualley), em meio a uma tempestade, ele se depara com um caderno que cai do céu, cuja inscrição na capa é Death Note. Por meio do caderno, ele entra em contato com a figura assustadora de Ryuk (Willem Dafoe), o deus da morte. Detalhe: se ele escrever o nome de uma pessoa no caderno traçando seu destino e imaginar seu rosto, pode eliminá-la. Rapidamente, ele já tem alguém em vista, e o destino da vítima é doloroso de assistir. A meia hora inicial de Death note é instigante, e temos ainda a relação entre Light e seu pai, o detetive James Turner (Shea Whigham), além de cenas que remetem a um clima de terror que verdadeiramente assusta.

No entanto, quando surge o investigador L (Lakieth Stanfield), acompanhado por seu pai e assistente Watari (Paul Nakauchi), e a química entre Light e Mia começa a soar forçada, o roteiro vai se perdendo aos poucos, apesar de o visual continuar interessante, um dos méritos da filmografia de Wingard, com a ótima fotografia climática de David Tattersall, o mesmo de Speed Racer, inspirada em Demônio de neon e Enter the void (nas cenas passadas em Tóquio). O problema é a tentativa de transformar o conceito original, mais reflexivo, em algo muito popular e apressado, e não se pode imaginar que Nat Wolff tenha sido escolhido por outro motivo. Muito bem em A culpa é das estrelas, Palo Alto e Cidades de papel, ele tem uma atuação bastante limitada, talvez pelo roteiro e pela direção. Ele acaba sendo sobrepujado por Qualley, sua parceira, que deseja agir em conjunto para enfrentar o mal do mundo usando um caderno que serve a uma figura maligna com o intuito de ser “mais do que uma líder de torcida”.
Se eles chegam a uma festa de colégio em que está tocando “Don’t change”, do INXS, é exatamente o contrário do que acontece com ela, justamente porque passa a ter mais ideias sobre o que deve ser feito, e aos poucos o conjunto de mortes em escala universal atinge uma escala de autoperturbação e desejo de domínio sobre o outro. Trata-se de uma ideia aparentemente simples, mas que pode ganhar um significado se o diretor estivesse disposto a colocar a discussão por trás dela realmente em prática; isso fica apenas na aparência e em cenas violentas. A montagem ágil acaba não dando peso às sequências, ou seja, se o filme não cansa, ele dificilmente convida a olhar os personagens além da maneira como aparecem na tela. A simbologia que os cerca se perde.

Em O hóspede, Wingard já lidava com um personagem que se situava entre o bem e o mal, ambíguo, e Light não é diferente. No entanto, falta uma certa densidade a alguns conflitos enfrentados por ele, sobretudo quando Ryuk sugere que a autoria das mortes seja assinada pelo codinome Kira. A seu lado, Stanfield (que aparece bem em Corra! e War machine) tem uma atuação equivocada, tentando repetir certos maneirismos do personagem original, mas logo caindo mais numa espécie de caricatura. Shea Whigham e Willem Dafoe, por sua vez, aparecem muito bem e dão respaldo às suas cenas. Longe de ser o desastre como está sendo apontado, haveria espaço para um desenvolvimento melhor de personagens. Há assuntos delicados aqui (querer fazer justiça em cima de criminosos por meio de uma figura maligna), no entanto as coisas se perdem em determinado momento, recuperando-se apenas mais ao final, com uma ótima sequência de ação, uma das especialidades de Wingard. É preciso dizer que esta sequência tem um trabalho visual principalmente com as cores poucas vezes visto no cinema blockbuster e o rumo dos personagens lembra um episódio de Além da imaginação.

Talvez se Wingard também tivesse delimitado melhor seus objetivos – ele se situa entre uma tentativa de reproduzir outros filmes de adolescentes já citados com o próprio Wolff e um terror lado B, nos moldes de Creepshow, inclusive utilizando um trabalho de câmera semelhante –, aproveitando melhor a trilha sonora de Atticus e Leopold Ross (vencedores do Oscar por A rede social), inspirada claramente naquelas que Cliff Martinez compôs para as obras mais recentes de Refn, poderia ter realizado um filme realmente marcante. É claro que ele tinha um potencial narrativo a ser explorado com mais detalhes, à medida que tinha um elenco de ponta em suas mãos. Preferiu o caminho de apelo mais pop, e é justamente nesse terreno que ele vem sendo tão criticado. Para uma obra desse estilo, ele precisaria ter levado mais em conta os pressupostos originais, mesmo que quisesse, como fez, realizar uma adaptação mais livre. Fazer uma versão nos Estados Unidos requisita outro estilo, como o mostrado, com uma atmosfera bastante atraente, mas é preciso manter certo jogo de ideias, como, aliás, acontece em outras adaptações de mangás. Ainda assim, Death note tem suas qualidades e merece ser visto.

Death note, EUA, 2017 Diretor: Adam Wingard Elenco: Nat Wolff, Lakeith Stanfield, Margaret Qualley, Shea Whigham, Paul Nakauchi, Jason Liles, Willem Dafoe Roteiro: Charles Parlapanides, Vlas Parlapanides, Jeremy Slater Fotografia: David Tattersall Trilha Sonora: Atticus Ross, Leopold Ross Produção: Roy Lee, Dan Lin, Masi Oka, Jason Hoffs, Ted Sarandos Duração: 100 min. Estúdio: LP Entertainment, Vertigo Entertainment, Lin Pictures Distribuidora: Netflix

Palo Alto (2013)

Por André Dick

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A realização de filmes baseados no universo jovem teve um decréscimo muito grande depois de John Hughes, nos anos 80, ocasionando apenas alguns títulos esparsos, embora a visualização sobre esse mundo não tenha sido interrompida em produções de Hollywood feitas apenas como passagem para mostrar confusões em festas de universidade. Não surpreende, portanto, que um filme como Palo Alto, com sua temática discreta, não tenha conseguido obter um lançamento nos cinemas brasileiros, saindo diretamente em home video.
Baseado num livro de contos do ator James Franco, que interpreta um professor de educação física, Palo Alto traz possivelmente o retrato mais sugestivo e entre o otimismo e o pessimismo da juventude depois de Paranoid park – e avaliar que se trata apenas de cenário específico, da cidade de Palo Alto, ou restringir a classes, não parece o mais adequado. Embora haja elementos de imagens que já vimos em Bling Ring e antes em As vantagens de ser invisível, Gia consegue, com a colaboração de um elenco jovem de grande qualidade, obter notas ao mesmo tempo de esperança e tristes, na medida em que a trama cresce. April (Emma Roberts), integrante do time de futebol de sua escola, gosta de Teddy (Jack Kilmer, filho de Val, que faz uma pequena participação como padastro de April), mas vive uma admiração especial pelo professor Sr. B (Franco), envolvendo-se em uma questão delicada quando aceita cuidar do filho dele como babá.

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Mergulhado numa espécie de vazio existencial, Teddy se envolve em problemas, também com a ajuda do amigo Fred (Nat Wolff), que normalmente se mostra agressivo por motivos desconhecidos e passa a sair com Emily (Zoe Levin). Basicamente, são essas histórias que sustentam a narrativa, principalmente a partir de uma festa, quando Teddy e April saem pela noite procurando desenhar gravuras em árvores e Emily tentará envolver todos com sua necessidade de afeto um tanto impensado.
Embora, como em Paranoid park, nada pareça acontecer de relevante, Gia dispõe nas entrelinhas um retrato do jovem e seu apego tanto à infância quanto ao fato de estar em um processo de análise diante dos acontecimentos. Esta estreia de Gia Coppola parece ser aquilo que a sua tia Sofia buscou, sem o mesmo êxito, a meu ver, em Bling Ring e As virgens suicidas. Isso porque Sofia está mais interessado, às vezes, em compor suas figuras como representações de algo que deseja dizer nas entrelinhas, enquanto Gia busca um caminho de conflitos iminentes. Neste caminho, destacam-se tanto April quanto Teddy, não apenas porque seus personagens obtêm algo além da superfície, mas porque Emma Roberts e Jack Kilmer se revelam intérpretes excelentes, assim como Nat Wolff (que se tornaria conhecido por A culpa é das estrelas e Cidades de papel) e Levin. Em 2013, Roberts já havia participado do risivelmente contestado Vida de adulto, um retrato bem-humorado dessa mesma juventude focada no filme de Gia, e ela consegue, em ambos os filmes, contrastar a passagem da adolescência para uma vida com compromissos mais estabelecidos.

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Por mais que pareça, não há, nessa leva recente de filmes, nenhum que lembre exatamente Palo Alto. Mesmo que haja uma influência na cenografia e na fotografia do cinema considerado indie e, consequentemente, de Sofia Coppola, uma referência, o filme de Gia navega muito mais num terreno de tristeza juvenil sem o alívio da estranheza ou do onirismo que há, por exemplo, que há em As virgens suicidas ou em Bling Ring. Também não há a exploração do universo juvenil com o intuito de apenas impactar como Harmony Korine, um estilo que dialoga com uma certa atmosfera de impacto premeditado, na tentativa de levar o espectador a um universo em que se sintará inadaptado por antecipação.
No mesmo caminho, seguem os momentos em que Teddy precisa prestar serviços comunitários, que revelam, além de tudo, esse caminho não para uma mudança, mas para a avaliação do que parece mais certo diante das advertências do universo adulto. Seu gosto pelas artes, principalmente pelo desenho, se contrapõe, de certo modo, no entanto, ao mesmo tempo, é um complemento de um universo com franca dificuldade de crescer para fora de seus perímetros. Não apenas a biblioteca representa isso, como também os quartos de April e Emily. Os personagens de Palo Alto se mostram sempre indefinidos entre seguir o vazio já programado em suas vidas ou modificar tudo num lance de simplesmente fugir ao descartável. Notório como Gia consegue, principalmente por meio dessas relações entre Teddy e April e entre Fred e Emily, definir uma passagem para o universo de afastamento, sem abrir uma condescendência capaz de apagar esses personagens em prol de alguma mensagem em tom edificante. Ao contrário do que aparenta, Palo Alto se mostra um filme muito mais complexo e talvez isso explique por que arrecadou menos de 1 milhão de dólares (o seu custo). Todos os temas que ele revela por trás da ideia de um filme sobre a adolescência são mais difíceis de lidar do que Hollywood insiste em dizer.

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Franco também se revela uma presença interessante, ainda sob o impacto de sua participação em Spring breakers, sob uma direção talentosa de Gia, que se apoia na fotografia de Autumn Durald para capturar cenários que servem de diálogo com os personagens, como os playgrounds quase vazios, assim como um sereno noturno e o amarelo das tardes e manhãs desse lugar na Califórnia. Gia desenha um ambiente de contrastes: os personagens se situam entre o dia e a noite, numa espécie de representação daquilo que atravessam, de suas próprias inseguranças. Trata-se, possivelmente, do projeto mais acertado de James Franco, ator que costuma considerar os riscos de sua carreira – em projetos como Sprink breakers ou É o fim – mais importantes do que aquelas obras nas quais pode mostrar realmente seu talento. Em certos momentos, o estilo de fotografia lembra o de Temporário 12, mas há em Palo Alto uma sensação mais definida de melancolia e ela acompanha o espectador à medida que vai descobrindo os personagens. Os Coppola têm se especializado em fazer o retrato de uma juventude (Francis em Vidas sem rumo e O selvagem da motocicleta; Sofia nos filmes mencionados; Roman em CQ) e pode-se dizer que, com virtudes e falhas, são obras referenciais para o gênero, ao qual Palo Alto, o mais melancólico de todos, se junta com bastante merecimento.

Palo Alto, EUA, 2013 Diretora: Gia Coppola Elenco: Jack Kilmer, Nat Wolff, Emma Roberts, Olivia Crocicchia, James Franco, Val Kilmer, Zoe Levin Roteiro: Gia Coppola Fotografia: Autumn Durald Trilha Sonora: Devonté Hynes, Robert Schwartzman Produção:  Vince Jolivette, Miles Levy Duração: 100 min. Distribuidora: Tribeca Film

Cotação 5 estrelas

A culpa é das estrelas (2014)

Por André Dick

A culpa é das estrelas

Adaptado de um dos livros que fizeram mais sucesso neste início de década, A culpa é das estrelas traz no elenco o mesmo casal de outro sucesso juvenil, Divergente: Shailene Woodley e Ansel Elgort. Filmes enfocando doenças costumam trazer à tona uma determinada manipulação emocional, pelo menos desde que Arthur Hiller reuniu Ryan O’Neal e Ali MacGraw em Love Story. Desde o marketing feito, tende-se a eliminar qualquer tipo de expectativa em relação a filmes do gênero, principalmente quando, muito possível, ele atrairá doses de emoção desmedida, o que costuma ser visto com reservas e mesmo uma determinada pré-concepção de que isto extrai a qualidade do relato que a envolve. Assim como para cada dez filmes de adolescentes é muito raro se encontrar uma peça como As vantagens de ser invisível. A culpa é das estrelas consegue antecipar várias dessas características já no marketing em torno. Junto com essas características, tudo o que pode ser visto como sério já parece ser barrado por um tratamento mais pop, em razão da trilha sonora.
Woodley interpreta Hazel Grace Lancaster, que tem câncer, cuja progressão é atenuada por um remédio ainda em experimento, e carrega consigo um aparelho de oxigênio, enquanto Elgort faz Gus, que teve osteossarcoma e precisou amputar uma das pernas, precisando desistir da carreira de jogador de basquete. Eles se conhecem numa reunião de jovens com câncer, sob a liderança de Patrick (Mike Birbiglia), que toca violão e suscita uma tentativa de integrar diferentes personalidades. Em casa, Hazel tem um bom relacionamento com a mãe, Frannie (Laura Dern), e o pai, Michael (Sam Trammell). Diante de sua situação, no entanto, ela não consegue seguir o otimismo de seus colegas, no que Gus vem a ser o oposto – e A culpa é das estrelas se baseia, no início, neste conflito de personalidades. Mas há um livro no caminho de ambos: “Uma aflição imperial”, escrito por Peter van Houten, um escritor que preferiu se exilar em Amsterdã. Hazel é fã de sua obra e a indica para Gus. Depois de uma troca de e-mails com o escritor, é dada a oportunidade de visita a ele. A questão é se ela poderia viajar.

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A adaptação do livro de John Green foi feita por Scott Neustadter e Michael H. Weber, dois especialistas em temáticas jovens. Eles fizeram não apenas o bastante conhecido (500) dias com ela, como também o recente e por vezes esquecido O maravilhoso agora, também com Shailene (e Miles Teller, que está em Whiplash). Ambos são especialistas em darem uma sinceridade e uma humanidade a seus personagens, mesmo que às vezes se aponte clichês na estrutura de suas histórias. Não apenas O maravilhoso agora conseguia lidar com reais condições neste campo, como A culpa é das estrelas registra a procura por uma linguagem ao mesmo tempo sensível e reflexiva, sem abdicar da faceta pop. Mas a principal referência para o diretor Josh Boone parece ter sido um filme que há dois anos chegou a ser bastante cogitado para o Oscar, e teve nas atuações de John Hawkins e Helen Hunt trunfos excepcionais: As sessões. Assim como este filme, A culpa é das estrelas consegue conciliar o drama mais trágico – o enfrentamento de uma doença grave – com um lado mais ensolarado das coisas que nos cercam e que, como Gus diz, devem ser vistas e valorizadas. Pode-se aceitar que A culpa é das estrelas circule ao redor de um tema potencialmente emocional e que convoca o espectador a lidar com sentimentos de conquista, de perda e da valorização das coisas que realmente importam, mas isso não costuma ser lembrado pela maioria das produções e tampouco recebe o tratamento cuidadoso que o diretor Boone oferece. Ele caminha numa linha muito difícil: o tema, se visto sob o enfoque mais despojado, pode se tornar tão manipulador quanto se visto sob o lado aparentemente mais sério, como Love Story. Nesse sentido, o filme também possui alguns tons colhidos em 50%, em que Joseph Gordon Lewitt fazia um jovem com câncer que se envolve com a psicóloga que busca tratá-lo diante das dificuldades. No entanto, assim como 50% tinha um elenco excelente, A culpa é das estrelas prefere lidar com as atuações de Shailene e Elgort num enfoque em que eles parecem crescer juntos.

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Poucas vezes é vista uma interação como a de ambos na tela, não apenas pelo registro suave de Woodley quando precisa conversar com ele à noite como pela reunião entre humor (numa cena em que o personagem homenageia Richard Gere em Uma linda mulher, numa limusine) e drama. Com ambos, os coadjuvantes nunca são menos do que notáveis: Laura Dern mostra como, desde Império dos sonhos, é uma atriz indispensável mesmo para papéis aparentemente fáceis e Nat Woolf mostra novamente o talento já revelado no impactante Palo Alto, de Gia Coppola, como um amigo do casal, Isaac, que enfrenta a possibilidade de ficar cego – e, quando precisa enfrentar uma desilusão amorosa, pede a Gus para quebrar objetos em seu porão. Em alguns momentos, diante do tema, o filme dá a impressão de ficar leve demais, no entanto Boone consegue encontrar um equilíbrio interessante.
A culpa é das estrelas não tenta apenas tornar este drama numa espécie de revitalização de pequenas coisas, como consegue, por meio do personagem do escritor, Van Houten (um excepcional Willem Dafoe), colocar aquilo que Vida de adulto já revelava: uma brincadeira com o universo literário. Hazel, como a personagem de Emma Roberts naquele filme, visualiza o final de um romance não como seu final, mas como a possibilidade de uma continuidade, mas Van Houten não é a pessoa mais adequada para tratar disso. A passagem por Amsterdã simboliza a tour cultural de A culpa é da estrelas, numa visita à casa de Anne Frank (que proporciona um diálogo com a juventude da qual não é possível escapar ilesa de Hazel) e é quando a possibilidade de permanecer por meio da cultura se torna um diálogo com o que se consideram coisas efêmeras e a tentativa de negar o comportamento alheio, com a ajuda de Lidewij Vligenthart (Lotte Verbeek). São delicados os diálogos sobre a importância de cada um, a necessidade de deixar uma memória e estaria sendo cínico se dissesse que elas vêm embaladas meramente como pílulas de sabedoria, com os personagens recitando cada palavra como se pensassem apenas levar o espectador a ter um determinado sentimento. Isso não faria justiça ao trabalho de Woodley e Elgort. O diretor Josh Boone atinge um ponto delicado de afirmação desses personagens, que liberam a dor a ser sentida. Se essa dor vem com certa manipulação, a qualidade narrativa e o elenco de A culpa é das estrelas não deixam esquecer que este é um filme de verdade.

The fault in our stars, EUA, 2014 Diretor: Josh Boone Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Laura Dern, Nat Wolff, Sam Trammell, Willem Dafoe, Lotte Verbeek, Mike Birbiglia Roteiro: Michael H. Weber, Scott Neustadter Fotografia: Ben Richardson Produção: Marty Bowen, Wyck Godfrey Duração: 125 min. Estúdio: Temple Hill Entertainment

Cotação 4 estrelas