Melhores filmes de 2017

Por André Dick

A década de 2010 está chegando ao final. Por isso, o Cinematographe irá mostrar sua seleção dos 10 melhores filmes de cada ano. Neste mês, as obras de 2017. Antes, os 15 que formariam um Top 25. Não se costuma incluir obras que são consideradas séries, mas abriu-se uma exceção para Twin Peaks – O retorno, uma vez que se trata, na minha opinião, de um filme dividido em 18 episódios e dirigido por um dos maiores cineastas da história. Ele foi exibido como tal no Museu de Arte Moderna em Nova York no fim de 2017, assim como em outros lugares do mundo. Este foi um ano especialmente difícil para se escolher a ordem. Qualquer um dos quatro primeiros colocados poderia ser o melhor filme desse ano. Destaca-se que o visual das imagens é baseado naquele utilizado pelo MUBI.

25. The Square – A arte da discórdia (Ruben Östlund) 24. Alien: Covenant (Ridley Scott) 23. Graduation (Cristian Mungiu) 22. O sacrifício do cervo sagrado (Yorgos Lanthimos) 21. O filme da minha vida (Selton Mello) 20. Planeta dos macacos – A guerra (Matt Reeves) 19. O estranho que nós amamos (Sofia Coppola) 18. A cura (Gore Verbinski) 17. mãe! (Darren Aronofksy) 16. Em ritmo de fuga (Edgar Wright) 15. Columbus (Kogonada) 14. Sombras da vida (David Lowery) 13. A forma da água (Guillermo del Toro) 12. Lágrimas sobre o Mississipi (Dee Rees) 11. Todo o dinheiro do mundo (Ridley Scott)

Melhores filmes 2010-2019 (até agora)

Por André Dick

Assim como aconteceu em relação aos anos 1980, 1990 e 2000, é apresentada, aqui, uma lista de melhores filmes de 2010 a 2019 (o deste ano, claro, provisória),  cada uma seguida por menções honrosas. Em cada ano, são destacadas 25 obras. O cinema dos anos 2010, como o da década que abre o século, é caracterizado por apresentar o cinema fora dos Estados Unidos de uma maneira que nunca havia acontecido em décadas anteriores.
Cineastas vindos de Taiwan (Apichatpong Weerasethakul), da China (Jia Zhangkhe, Bi Gan), do Japão (Wong Kar-Wai, Hirokazu Koreeda), da Coreia do Sul (Joon-ho Bong, Chang-Dong Lee, Chan-wook Park, Hong Sang-soo) e da Malásia (Tsai Ming-Liang) são correntes nessa década, em que o cinema norte-americano também continuou abrindo espaço para diretores estrangeiros, a exemplo de Ang Lee, Walter Salles, Werner Herzog, Alfonso Cuarón, Wim Wenders, Pablo Larraín, Sebastián Lelio e Guillermo del Toro, com destaque para Alejandro G. Iñárritu, que ganhou dois Oscars consecutivos, e Nicolas Winding Refn, com seu artesanato surrealista (ocupando o lugar de um ausente David Lynch no cinema, que regressou em grande estilo com Twin Peaks). Atores e atrizes. como Bradley Cooper, Andy Serkis, Olivia Wilde e Paul Dano, estrearam atrás das câmeras.
Nuri Bilge Ceylan continua apresentando um trabalho interessante, assim como Abdellatif Kechiche e Béla Tarr, além de Carlos Reygadas, todos vitoriosos em Cannes. Também continua tendo destaque o cinema iraniano, com cineastas como Abbas Kiarostami, que lamentavelmente faleceu em 2016, e italiano, com Luca Guadagnino e Paolo Sorrentino.
E, mais ainda do que seu regresso em O novo mundo, na década passada, Terrence Malick tem cada vez mais ressurgido com frequência. Seu cinema é o mais influente dos anos 2010.

Cineastas que começaram produzindo nos anos 70 ou 80 continuaram a mostrar seus filmes, como Martin Scorsese, Steven Spielberg, Tim Burton, David Cronenberg, Cameron Crowe, Oliver Stone, Woody Allen, William Friedkin, Joel e Ethan Coen, Francis Ford Coppola, Michael Mann, Gus Van Sant, Robert Zemeckis, Brian De Palma, Ron Howard, Jim Jarmusch, Spike Lee, Sam Raimi e Clint Eastwood. Numa retrospectiva, chamou atenção como o trabalho de Ridley Scott continua vigoroso, tendo sido indicado ao Oscar de direção por Perdido em Marte. Firmaram-se também Kathryn Bigelow e M. Night Shyamalan, este apesar de todas as críticas.
O austríaco Michael Haneke conquistou Cannes, assim como novamente os irmãos Dardenne, enquanto Lars von Trier se viu convidado a se retirar dele (e depois regressou). Destaques também para os irmãos belgas Jean-Pierre Jeunet, juntamente com os franceses François Ozon, Jacques Audiard, Olivier Assayas, Benoît Jacquot, Claire Denis e Phillipe Garrel e o franco-argentino Gaspar Noé, além da continuidade de Jean-Luc Godard.
A geração ligada ao cinema indie dos anos 90 continuou seu trabalho, mostrando sua vitalidade: Quentin Tarantino, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Spike Jonze, Richard Linklater, Sofia Coppola e Todd Solondz. Entre eles, muitos continuaram chegando ao Oscar ou chegaram pela primeira vez à nomeação de melhor filme, como Jonze, Linklater e Anderson.

Como na década passada, prosseguiram seus trabalhos Greg Mottola, com sua visão de juventude, assim como Judd Apatow, depois da série Freaks and geeks, além de Noah Baumbach, enquanto surgiram ou mostraram novos trabalhos nomes como Jeff Nichols, Derek Cianfrance, Shane Carruth, David Robert Mitchell, Jean-Marc Vallée, David O. Russell e Ben Affleck. E David Fincher continuou trabalhando entre o drama e o suspense. No campo da comédia, Seth MacFarlane (à frente de séries de animação) e Sam Esmail (criador de Mr. Robot) migraram da TV para o cinema, e Shawn Levy mostrou um talento subestimado que se confirmaria à frente de alguns episódios e da produção de Stranger things, série exitosa de 2016.
Também surgiram grandes diretoras, a exemplo de Mia Hansen-Løve, Angelina Jolie, Gia Coppola, Stéphane Lafleur, Julia Loktev, Céline Sciamma, Maïwenn, Sophie Barthes e Jessica Hausner, além do documentarista Joshua Oppenheimer. Duplas-revelações: Phil Lord e Christopher Miller e Veronika Franz e Severin Fiala.
Na Austrália, tivemos o surgimento de David Michôd. Em Portugal, Miguel Gomes lançou o marcante Tabu. Na Romênia, surgiu Cristian Mungiu; na Grécia, Yorgos Lanthimos; na Argentina, Lisandro Alonso; na Suécia, Ruben Östlund; e na Rússia, testemunhamos a volta de Andrey Zvyagintsev.
Também nos Estados Unidos, prosseguiram com inclinação para o espetáculo nomes como Peter Jackson, J.J. Abrams, Christopher Nolan, Bryan Singer e Zack Snyder, com os acréscimos de Joss Whedon, Joe & Anthony Russo, Rian Johnson, David F. Sandberg e Jon Favreau, outros para o drama cotidiano, como Jason Reitman, James Ponsoldt, Mike Mills e Kelly Reichardt, ou drama histórico ou atual, com James Gray.

Os irmãos Wachowski tentaram avançar em seus experimentos com Cloud Atlas, embora tenham recuado um tanto em O destino de Júpiter, ao lado do alemão Tom Tykwer. Da Inglaterra, continuaram a se destacar Guy Ritchie, Lenny Abrahamson, Andrea Arnold, David Yates, Stephen Frears, Steven McQueen, Edgar Wright e Joe Wright. No Canadá, Denis Villeneuve se firmou ainda mais, como o jovem cineasta Xavier Dolan, e Atom Egoyan continuou a lançar filmes em grande quantidade.
E, no universo da animação, apesar da presença da Pixar, foi Hayao Miyazaki quem continuou se destacando. Entre os cineastas brasileiros, assinala-se a manutenção de cineastas como Laís Bodanzky, Jorge Furtado, José Padilha, Anna Muylaert e Cláudio Assis, e as revelações Fellipe Barbosa, Kleber Mendonça Filho, Marina Person, Alê Abreu, Paulo Morelli e Júlia Rezende, assim como Carlos Saldanha, de Rio, para lembrar alguns nomes.

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Como observado na lista aos melhores filmes das décadas de 1980 a 2000, alguns filmes que não agradam na primeira visão se mostram interessantes e até mesmo indispensáveis quando revisitados. Muitas dessas listas mudaram em poucos anos, à medida que, ao rever alguns filmes, fui gostando mais ou menos deles (um exemplo é O lado bom da vida, que estava longe de ser um dos meus favoritos quando lançado e, em revisões, cresceu como obra). Ou seja, aqueles que a princípio parecem indispensáveis, com o passar dos anos parecem ter o impacto reduzido e se tornam menos importantes. A premissa de que um filme é bom ou fraco muitas vezes varia, mas a distância dos anos parece ser a melhor maneira de constatar isso. Os anos de cada filme estão de acordo com o IMDb, com raras exceções. Nesta década, às vezes é difícil precisar o ano de alguns filmes, pois muitos são exibidos primeiramente em festivais (em Cannes e Sundance, por exemplo) para serem lançados oficialmente dali a um ou até dois anos. Veja-se os casos de Personal shopper e Graduation, que estrearam em Cannes em 2016, mas só foram lançados internacionalmente no ano seguinte. Ou seja, tento colocar o filme no ano em que ele tem data de lançamento internacional, não apenas em seu país de origem, pelo menos nos últimos dois anos, quando isso se tornou mais recorrente. A partir de 2017, os filmes produzidos pela Netflix passam em alguns festivais ou estreiam em poucos cinemas, isso quando não são exibidos apenas pela plataforma. Eles passaram a ser considerados como filmes (não telefilmes), principalmente porque costumam ter uma produção cinematográfica, incluindo diretores de fotografia, compositores e elenco. Alguns títulos mantenho no original, pois não gosto especial da tradução feita, como Cloud Atlas (intitulado no Brasil A viagem) e Greenberg (chamado no Brasil de O solteirão).  Tenta-se um equilíbrio com essas informações, mas às vezes elas podem destoar.
Espera-se que as listas levem você, cinéfilo e leitor, a rever ou descobrir alguns desses filmes.

1. Mistérios de Lisboa (Raoul Ruiz)
2. Cisne negro (Darren Aronofksy)
3. Reino animal (David Michôd)
4. Cópia fiel (Abbas Kiarostami)
5. Bravura indômita (Joel e Ethan Coen)
6. A rede social (David Fincher)
7. Poesia (Chang-Dong Lee)
8. O mágico (Sylvain Chomet)
9. O mito da liberdade (David Robert Mitchell)
10. Incêndios (Denis Villeneuve)

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11. Um doce olhar (Semih Kaplanoğlu)
12. Um lugar qualquer (Sofia Coppola)
13. Scott Pilgrim contra o mundo (Edgar Wright)
14. Greenberg (Noah Baumbach)
15. Ventre (Benedek Fliegauf)
16. Não me abandone jamais (Mark Romanek)
17. O escritor fantasma (Roman Polanski)
18. Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1 (David Yates)
19. Como você sabe (James L. Brooks)
20. Caminho para o nada (Monte Hellmann)
21. The Runaways – Garotas do rock (Floria Sigismondi)
22. O atalho (Kelly Reichdart)
23. Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Apichatpong Weerasethakul)
24. Filme socialismo (Jean-Luc Godard)
25. Encontro explosivo (James Mangold)

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Menções honrosas: 127 horas (Danny Boyle), Tron – O legado (Joseph Kosinski), A origem (Christopher Nolan), A mentira (Will Gluck), O último mestre do ar (M. Night Shyamalan), Atração perigosa (Ben Affleck), Homem de ferro 2 (Jon Favreau), A ressaca (Steve Pink), O lobisomem (Joe Johnston), Coincidências do amor (Josh Gordon, Will Speck), Biutiful (Alejandro G. Iñárritu), Cyrus (Jay Duplass), Além da vida (Clint Eastwood), A lenda dos guardiões (Zack Snyder), Toy Story 3 (Lee Unkrich), As melhores coisas do mundo (Laís Bodanzky), Meu malvado favorito (Pierre Coffin, Chris Renaud), Splice (Vincenzo Natali), Paul – O alien fugitivo (Greg Mottola), Essential killing (Jerzy Skolimowski), Salt (Phillip Noyce), Confiança (David Schwimmer), Deixe-me entrar (Matt Reeves), Red – Armados e perigosos (Robert Schwentke), Shrek para sempre (Mike Mitchell), O estranho caso de Angélica (Miguel de Oliveira), Wall Street – O dinheiro nunca dorme (Oliver Stone), Uma noite fora de série (Shawn Levy), Lembranças (Allen Coulter), Pânico na neve (Adam Green), Uma manhã gloriosa (Roger Michell), O lenço amarelo (Udayan Prasad), Tropa de elite 2 (José Padilha), Reencontrando a felicidade (John Cameron Mitchell)

1. A árvore da vida (Terrence Malick)
2. Os descendentes (Alexander Payne)
3. A separação (Asghar Farhadi)
4. Drive (Nicolas Winding Refn)
5. O cavalo de Turim (Béla Tarr)
6. O abrigo (Jeff Nichols)
7. Pina (Wim Wenders)
8. O garoto da bicicleta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)
9. Era uma vez na Anatólia (Nuri Bilge Ceylan)
10. Super 8 (J.J. Abrams)

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11. A invenção de Hugo Cabret (Martin Scorsese)
12. Millennium – O homem que não amava as mulheres (David Fincher)
13. Meia-noite em Paris (Woody Allen)
14. Melancolia (Lars von Trier)
15. Amor a toda prova (Glenn Ficarra, John Requa)
16. A pele que habito (Pedro Almodóvar)
17. Missão madrinha de casamento (Paul Feig)
18. Margaret (Kenneth Lonergan)
19. Tomboy (Céline Sciamma)
20. 50% (Jonathan Levine)
21. Polissia (Maïwenn)
22. Jovens adultos (Jason Reitman)
23. Planeta solitário (Julia Loktev)
24. As aventuras de Tintim (Steven Spielberg)
25. Virgínia (Francis Ford Coppola)

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Menções honrosas: Oslo, 31 de agosto (Joachim Trier), Ataque ao prédio (Joe Cornish), Tudo pelo poder (George Clooney), A hora do espanto (Craig Gillespie), Kung fu panda 2 (Jennifer Yuh Nelson), Carnage (Roman Polanski), Hanna (Joe Wright), Las acacias (Pablo Giorgelli), Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2 (David Yates), Histórias cruzadas (Tate Taylor), Quero matar meu chefe (Seth Gordon), Contágio (Steven Soderbergh), A arte da conquista (Gavin Wiesen), O artista (Michel Hazavenicus), Thor (Kenneth Branagh), Alpes (Yorgos Lanthimos), Rango (Gore Verbinski), Cowboys e aliens (Jon Favreau), Para a floresta da luz dos vaga-lumes (Takahiro Omori), Compramos um zoológico (Cameron Crowe), O homem que mudou o jogo (Bennett Miller), Meu país (André Ristum), Minha semana com Marilyn (Simon Curtis), Sherlock Holmes – O jogo das sombras (Michael Ritchie), Vencer, vencer (Tom McCarthy), Sucker Punch (Zack Snyder), Se beber, não case! – Parte II (Todd Phillips), Amor profundo (Terrence Davies), Rio (Carlos Saldanha), X-Men – Primeira classe (Matthew Vaughn), Margin Call – O dia antes do fim (J. C. Chandor), Inquietos (Gus Van Sant), O exótico Hotel Marigold (John Madden)

1. Cloud Atlas (Andy e Lana Wachovski e Tom Tykwer)
2. O mestre (Paul Thomas Anderson)
3. Moonrise Kingdom (Wes Anderson)
4. Amor (Michael Haneke)
5. As vantagens de ser invisível (Stephen Chobsky)
6. Um alguém apaixonado (Abbas Kiarostami)
7. A hora mais escura (Kathryn Bigelow)
8. Luz depois das trevas (Carlos Reygadas)
9. Na estrada (Walter Salles)
10. O hobbit – Uma jornada inesperada (Peter Jackson)

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11. O som ao redor (Kleber Mendonça Filho)
12. Prometheus (Ridley Scott)
13. A visitante francesa (Hong Sang-soo)
14. Tabu (Miguel Gomes)
15. Batman – O cavaleiro das trevas ressurge (Christopher Nolan)
16. O gebo e a sombra (Miguel de Oliveira)
17. Ferrugem e osso (Jacques Audiard)
18. Anna Karenina (Joe Wright)
19. Vampiras (Amy Heckerling)
20. Holy Motors (Leos Carax)
21. A caça (Thomas Vinterberg)
22. O lado bom da vida (David O. Russell)
23. As aventuras de Pi (Ang Lee)
24. Cosmópolis (David Cronenberg)
25. Sombras da noite (Tim Burton)

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Menções honrosas: Os miseráveis (Tom Hooper), No (Pablo Larraín), Lincoln (Steven Spielberg), O voo (Robert Zemeckis), As loucuras de Charlie (Roman Coppola), Além das montanhas (Cristian Mungiu), 007 – Operação Skyfall (Sam Mendes), Um divã para dois (David Frankel), Celeste e Jesse para sempre (Lee Toland Kriger), John Carter – Entre dois mundos (Andrew Stanton), O amante da rainha (Nicolaj Arcel), Ruby Sparks – A namorada perfeita (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Django livre (Quentin Tarantino), Vizinhos imediatos de terceiro grau (Akiva Schaffer), As sessões (Ben Lewin), O espetacular homem-aranha (Marc Webb), Branca de neve e o caçador (Ruppert Sanders), Para Roma com amor (Woody Allen), Anjos da lei (Phil Lord, Christopher Miller), Adeus à rainha (Benoît Jacquot), Bem-vindo aos 40 (Judd Apatow), A baía (Barry Levinson), Espelho, espelho meu (Tarsem Singh), Os vingadores (Joss Whedon), Detona Ralph (Rich Moore), Barbara (Christian Petzold), Amigos inseparáveis (Fisher Stevens), Ted (Seth MacFarlane), O ditador (Sascha Bara Cohen), Paranorm (Chris Butler, Sam Fell), Amor mudo (Jeff Nichols), Dentro da casa (François Ozon), Hitchcock (Sacha Gervasi), O labirinto de Kubrick (Rodney Ascher), Eles voltam (Marcelo Lordello)

1. Azul é a cor mais quente (Abdellatif Kechiche)
2. Ela (Spike Jonze)
3. Amor pleno (Terrence Malick)
4. O grande mestre (Wong Kar-Wai)
5. Heli (Amat Escalante)
6. O lobo de Wall Street (Martin Scorsese)
7. Vidas ao vento (Hayao Miyazaki)
8. Nebraska (Alexander Payne)
9. Cores do destino (Shane Carruth)
10. O conselheiro do crime (Ridley Scott)

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11. O maravilhoso agora (James Ponsoldt)
12. A imagem que falta (Rithy Panh)
13. 12 anos de escravidão (Steve McQueen)
14. Bastardos (Claire Denis)
15. Gravidade (Alfonso Cuarón)
16. Temporário 12 (Destin Daniel Cretton)
17. Star Trek – Além da escuridão (J.J. Abrams)
18. Apenas Deus perdoa (Nicolas Winding Refn)
19. O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata)
20. Rush – No limite da emoção (Ron Howard)
21. O lugar onde tudo termina (Derek Cianfrance)
22. Walt Disney nos bastidores de Mary Poppins (John Lee Hancock)
23. Um toque de pecado (Jia Zhangke)
24. Fruitvale Station (Ryan Coogler)
25. A vida secreta de Walter Mitty (Ben Stiller)

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Menções honrosas: O grande Gatbsy (Baz Luhrmann), Frances Ha (Noah Baumbach), Oldboy – Dias de vingança (Spike Lee), Pais e filhos (Hirokazu Koreeda), Um estranho no lago (Alain Guiraudie), O mordomo da casa branca (Lee Daniels), We’re the Millers (Rawson Marshall Thurber), Red 2 (Dean Parisot), Une jeune fille (Catherine Martin), O verão da minha vida (Jim Rash, Nat Faxon), Universidade Monstros (Dan Scanlon), Depois da terra (M. Night Shyamalan), O foguete (Kim Mordaunt), Antes da meia-noite (Richard Linklater), Philomena (Stephen Frears), O menino e o mundo (Alê Abreu), Os estagiários (Shawn Levy), Círculo de fogo (Guillermo del Toro), Oz – Mágico e poderoso (Sam Raimi), Filha de ninguém (Hong Sang-soo), Meu namorado é um zumbi (Jonathan Levine), O homem de aço (Zack Snyder), Clube de compras Dallas (Jean-Marc Vallée), A menina que roubava livros (Brian Percival), O ciúme (Philippe Garrel), Um fim de semana em Paris (Roger Michell), Bling Ring – A gangue de Hollywood (Sofia Coppola), Trapaça (David O. Russell), Elysium (Neill Blomkamp), Entre nós (Paulo Morelli), A morte do demônio (Fede Alvarez), Mesmo se nada der certo (John Carney), Jack, o caçador de gigantes (Bryan Singer), Confissões de adolescente (Daniel Filho, Chris D’Amato), Caça aos gângsteres (Ruben Fleischer), Sem evidências (Atom Egoyan)

1. Boyhood (Richard Linklater)
2. Vício inerente (Paul Thomas Anderson)
3. Interestelar (Christopher Nolan)
4. Ida (Pawel Pawlikowski)
5. Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância) (Alejandro G. Iñárritu)
6. O hobbit – A batalha dos cinco exércitos (Peter Jackson)
7. Sono de inverno (Nuri Bilge Ceylan)
8. Leviathan (Andrey Zvyagintsev)
9. O homem duplicado (Denis Villeneuve)
10. Dois dias, uma noite (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

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11. Palo Alto (Gia Coppola)
12. Homens, mulheres e filhos (Jason Reitman)
13. O grande hotel Budapeste (Wes Anderson)
14. Força maior (Ruben Östlund)
15. Ninfomaníaca – Vol. I (Lars von Trier)
16. O ano mais violento (J. C. Chandor)
17. Jersey Boys – Em busca da música (Clint Eastwood)
18. Cães errantes (Tsai Ming-liang)
19. Vida de adulto (Scott Coffey)
20. Mapas para as estrelas (David Cronenberg)
21. Nós somos as melhores! (Lukas Moodysson)
22. RoboCop (José Padilha)
23. Invencível (Angelina Jolie)
24. Transcendence (Wally Pfister)
25. Êxodo: deuses e reis (Ridley Scott)

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Menções honrosas: A culpa é das estrelas (Josh Boone), Acorda, Nicole (Stéphane Lafleur), Ninfomaníaca – Vol. II (Lars von Trier), Pássaro branco na nevasca (Gregg Araki), O duplo (Richard Ayoade), Noé (Darren Aronofsky), O reino da beleza (Denys Arcand), Cake – Uma razão para viver (Daniel Barnz), Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro), Calvário (John Michael McDonagh), Uma viagem extraordinária (Jean-Pierre Jeunet), Grandes olhos (Tim Burton), Amores inversos (Liza Johnson), Tirem o sorriso do rosto (Daniel Patrick Carbone), Duna de Jodorowksy (Frank Pavich), Planeta dos macacos – O confronto (Matt Reeves), Frank (Lenny Abrahamson), Guardiões da galáxia (James Gunn), Magia ao luar (Woody Allen), Uma aventura LEGO (Phil Lord, Christopher Miller e Chris McKay), Boa noite, mamãe (Veronika Franz, Severin Fiala), Anjos da lei 2 (Phil Lord e Christopher Miller), O abutre (Dan Gilroy), The blue room (Mathieu Almaric), Marcados pela guerra (Peter Sattler), Top five (Chris Rock), Willow creek (Bobcat Goldthwait), À procura (Atom Egoyan), Love & Mercy (Bill Pohlad), Jogos vorazes: A esperança – Parte 1 (Francis Lawrence), Sniper americano (Clint Eastwood)

1. O regresso (Alejandro G. Iñárritu)
2. Amour fou (Jessica Hausner)
3. Os oito odiados (Quentin Tarantino)
4. Eden (Mia Hansen-Løve)
5. A juventude (Paolo Sorrentino)
6. Creed (Ryan Coogler)
7. Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (Roy Andersson)
8. O peso do silêncio (Joshua Oppenheimer)
9. Sob o mesmo céu (Cameron Crowe)
10. À beira mar (Angelina Jolie Pitt)

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11. A assassina (Hou Hsiao-Hsien)
12. A colina escarlate (Guillermo del Toro)
13. Hacker (Michael Mann)
14. Corrente do mal (David Robert Mitchell)
15. Casa Grande (Fellipe Barbosa)
16. Jauja (Lisandro Alonzo)
17. 007 contra Spectre (Sam Mendes)
18. O conto dos contos (Matteo Garrone)
19. O quarto de Jack (Lenny Abrahamson)
20. Sicario – Terra de ninguém (Denis Villeneuve)
21. Rio perdido (Ryan Gosling)
22. Peter Pan (Joe Wright)
23. No coração do mar (Ron Howard)
24. O fim da turnê (James Ponsoldt)
25. Homem-Formiga (Peyton Reed)

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Menções honrosas: Califórnia (Marina Person), Madame Bovary (Sophie Barthes), Poltergeist – O fenômeno (Gil Kennan), Oeste sem lei (John Maclean), Férias frustradas (John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein), Chatô – O rei do Brasil (Guilherme Fontes), Homem irracional (Woody Allen), Cidades de papel (Jake Schreier), Amizade desfeita (Levan Gabriadze), Love (Gaspar Noé), Jogos vorazes: A esperança – O final (Francis Lawrence), Vingadores – A era de Ultron (Joss Whedon), A teoria de tudo (James Marsh), Phoenix (Christian Petzold), Magic Mike XXL (Gregory Jacobs), Nossa irmã menor (Hirokazu Koreeda), A visita (M. Night Shyamalan), Ponte aérea (Júlia Rezende), Star Wars – O despertar da força (J.J. Abrams), O agente da U.N.C.L.E. (Guy Ritchie), Eu estava justamente pensando em você (Sam Esmail), O bom dinossauro (Peter Sohn), A garota dinamarquesa (Tom Hooper), Que horas ela volta? (Anna Muylaert), A travessia (Robert Zemeckis), Joy – O nome do sucesso (David O. Russell), A grande aposta (Adam McKay), Enquanto somos jovens (Noah Baumbach), Timbuktu (Abderrahmane Sissako), Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível (Brad Bird), American Ultra – Armados e perigosos (Nima Nourizadeh), Ted 2 (Seth MacFarlane), Faults (Riley Stearns), Pixels – O filme (Chris Columbus), O que fazemos nas sombras (Jemaine Clement, Taika Waititi), Lugares escuros (Gilles Paquet-Brenner)

1. Cavaleiro de copas (Terrence Malick)
2. Paterson (Jim Jarmusch)
3. La La Land (Damien Chazelle)
4. Batman vs Superman – A origem da justiça (Zack Snyder)
5. Ave, César! (Joel e Ethan Coen)
6. Cemitério do esplendor (Apichatpong Weerasethakul)
7. Silêncio (Martin Scorsese)
8. Demônio de neon (Nicolas Winding Refn)
9. A criada (Chan-wook Park)
10. Elle (Paul Verhoeven)

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11. Depois da tempestade (Hirokazu Koreeda)
12. Jovens, loucos e mais rebeldes (Richard Linklater)
13. Docinho da América (Andrea Arnold)
14. Wiener-dog (Todd Solondz)
15. Moonlight – Sob a luz do luar (Barry Jenkins)
16. Voyage of time: Life’s journey (Terrence Malick)
17. Jackie (Pablo Larraín)
18. É apenas o fim do mundo (Xavier Dolan)
19. As montanhas se separam (Jia Zhangke)
20. Regras não se aplicam (Warren Beatty)
21. Zootopia (Byron Howard, Rich Moore, Jared Bush)
22. Lion – Uma jornada para casa (Garth Davis)
23. Mais forte que bombas (Joachim Trier)
24. Dois caras legais (Shane Black)
25. Café Society (Woody Allen)

Menções honrosas: Loving (Jeff Nichols), A longa caminhada de Billy Lynn (Ang Lee), Animais fantásticos e onde habitam (David Yates), A garota no trem (Tate Taylor), Animais noturnos (Tom Ford), O nascimento de uma nação (Nate Parker), Cães de guerra (Todd Phillips), Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan), Uma repórter em apuros (Glenn Ficarra, John Requa), O mar de árvores (Gus Van Sant), Sully (Clint Eastwood), O invasor americano (Michael Moore), Mãe só há uma (Anna Muylaert), Rogue One – Uma história Star Wars (Gareth Edwards), Demolição (Jean Marc-Vallée), Mogli – O menino lobo (Jon Favreau), Memórias secretas (Atom Egoyan), Um holograma para o rei (Tom Tykwer), Warcraft – O primeiro encontro de dois mundos (Duncan Jones), Até o último homem (Mel Gibson), Cosmos (Andrzej Zulawski), A qualquer custo (David Mackenzie), Popstar: sem parar, sem limites (Akiva Schaffer, Jorma Taccone), Meu amigo, o dragão (David Lowery), A incrível aventura de Rick Baker (Taika Waititi), A lenda de Tarzan (David Yates), Kung fu panda 3 (Jennifer Yuh Nelson, Alessandro Carloni), Top model (Mads Matthiesen), A chegada (Denis Villeneuve), A luz entre os oceanos (Derek Cianfrance), Star Trek – Sem fronteiras (Justin Lin), Florence – Quem é esta mulher? (Stephen Frears), 13 horas – Os soldados secretos de Benghazi (Michael Bay), A chefa (Ben Falcone), Invasão zumbi (Yeon Sang-ho), O lar das crianças peculiares (Tim Burton), O contador (Gavin O’Connor), Esquadrão suicida (David Ayer), Terra violenta (Tiu West), Gênios do crime (Jared Hess), O abraço da serpente (Ciro Guerra), Sing Street – Música e sonho (John Carney), Alice através do espelho (James Bobin), Shin Godzilla (Hideaki Anno, Shinji Higuchi), Quase 18 (Kelly Fremon Craig), Mulheres do século 20 (Mike Mills), Beleza oculta (David Frankel)

1. Twin Peaks – O retorno (David Lynch)
2. De canção em canção (Terrence Malick)
3. Trama fantasma (Paul Thomas Anderson)
4. Blade Runner 2049 (Denis Villeneuve)
5. Lady Bird – A hora de voar (Greta Gerwig)
6. Projeto Flórida (Sean Baker)
7. A lei da noite (Ben Affleck)
8. O apartamento (Ashgar Farhadi)
9. Happy end (Michael Haneke)
10. Os Meyerowitz – Família não se escolhe (Histórias novas e selecionadas) (Noah Baumbach)

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11. Todo o dinheiro do mundo (Ridley Scott)
12. Lágrimas sobre o Mississipi (Dee Rees)
13. A forma da água (Guillermo del Toro)
14. Sombras da vida (David Lowery)
15. Columbus (Kogonada)
16. Em ritmo de fuga (Edgar Wright)
17. mãe! (Darren Aronofksy)
18. A cura (Gore Verbinski)
19. O estranho que nós amamos (Sofia Coppola)
20. Planeta dos macacos – A guerra (Matt Reeves)
21. O filme da minha vida (Selton Mello)
22. O sacrifício do cervo sagrado (Yorgos Lanthimos)
23. Graduation (Cristian Mungiu)
24. Alien: Covenant (Ridley Scott)
25. The Square – A arte da discórdia (Ruben Östlund)

Menções honrosas: Poesia sem fim (Alejandro Jodorowsky), Três anúncios para um crime (Martin McDonagh), A região selvagem (Amat Escalante), Corra! (Jordan Peele), Personal shopper (Olivier Assayas), Valerian e a cidade dos mil planetas (Luc Besson), Castelo de areia (Fernando Coimbra), Z – A cidade perdida (James Gray), Logan Lucky – Roubo em família (Steven Soderbergh), O outro lado da esperança (Aki Kaurismäki), Ao cair da noite (Trey Edward Schults), Primeiro, mataram o meu pai (Angelina Jolie), A morte te dá parabéns (Cristopher B. Landon), Terra selvagem (Taylor Sheridan), O castelo de vidro (Destin Cretton), Maudie (Aisling Walsh), John Wick 2 (Chad Stahelski), Um homem chamado Ove (Hannes Holm), Free fire – O tiroteio (Ben Wheatley), Na vertical (Alain Guiraudie), Homem-Aranha – De volta ao lar (Jon Watts), The little hours (Jeff Baena), Nossas noites (Ritesh Batra), Na praia à noite sozinha (Hong Sang-soo), Sandy Wexler (Steven Brill), Eu já não me sinto em casa nesse mundo (Macon Blair), The comedian (Taylor Hackford), Vida (Daniel Espinosa), Little boxes (Rob Meyer), Atômica (David Leitch), Rastros (Agnieszka Holland), Tramps (Adam Leon), Doentes de amor (Michael Showalter), Insensata paixão (Pierre Godeau), Guardiões da galáxia Vol. 2 (James Gunn), Wilson (Craig Johnson), Buster’s mal heart (Sarah Adina Smith), Transformers – O último cavaleiro (Michael Bay), War machine (David Michôd), Una (Benedict Andrews), Fobia (Ana Asensio), Uma beleza fantástica (Simon Aboud), Onde está Segunda? (Tommy Wirkola), Lovesong (So Young Kim), Kong – A ilha da Caveira (Jordan Vogt-Roberts), Suburbicon – Bem-vindos ao paraíso (George Clooney), Gaga: five foot two (Chris Moukarbel), Colossal (Nacho Vigalondo), As aventuras de Brigsby bear (Dave McCary), A garota desconhecida (Jean-Pierre e Luc Dardenne), Logan (James Mangold), Raw (Julia Docournau), Você e os seus (Hong Sang-soo), Spielberg (Susan Lacy), A vigilante do amanhã – Ghost in the shell (Rupert Sanders), Jasper Jones (Rachel Perkins), T2: Trainspotting (Danny Boyle), O círculo (James Ponsoldt), Carros 3 (Brian Fee), Founds of love (Ben Young), Agnes (Johannes Schmid), Power Rangers (Dean Israelite), Na selva (Greg Mclean), Fome de poder (John Lee Hancock), Rei Arthur – A lenda da espada (Guy Ritchie), Lotte (Julius Schultheiß), O mínimo para viver (Marti Noxon), Ingrid goes west (Matt Spicer), Patti Cake$ (Geremy Jasper), O estado das coisas (Mike White), Frantz (François Ozon), LEGO Batman – O filme (Chris McKay), O livro de Henry (Colin Trevorrow), Além das palavras (Terence Davies), Os amantes (Azazel Jacobs), Eine hunerhörte frau (Hans Steinbichler), A grande muralha (Zhang Yimou), Feito na América (Doug Liman), A tartaruga vermelha (Michel Dudok de Wit), Planetarium (Rebecca Zlotowski), Rakka (Neil Blomkamp), American fable (Anne Hamilton), Mulher-Maravilha (Patty Jenkins), Liga da Justiça (Zack Snyder), Extraordinário (Stephen Chobsky), Detroit em rebelião (Kathryn Bigelow), O que te faz mais forte (David Gordon Green), Boneco de neve (Tomas Alfredson), A guerra dos sexos (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Depois daquela montanha (Hany Abu-Assad), Star Wars – Os últimos Jedi (Rian Johnson), Sem fôlego (Todd Haynes), A melhor escolha (Richard Linklater), Uma mulher fantástica (Sebastián Lelio), O rei do show (Michael Gracey), O destino de uma nação (Joe Wright), Homens de coragem (Joseph Kosinski), 120 batimentos por minuto (Robin Campillo), A grande jogada (Aaron Sorkin), Viva – A vida é uma festa (Lee Unkrich), Ratos de praia (Eliza Hittman), Honra ao mérito (Jason Hall), Bright (David Ayer), Roman J. Israel, Esq. (Dan Gilroy), Pequena grande vida (Alexander Payne), O formidável (Michel Hazanavicius)

1. Nasce uma estrela (Bradley Cooper)
2. Roma (Alfonso Cuarón)
3. Foxtrot (Samuel Maoz)
4. Hereditário (Ari Aster)
5. Colo (Teresa Villaverde)
6. A balada de Buster Scruggs (Joel e Ethan Coen)
7. Maus momentos no Hotel Royale (Drew Goddard)
8. Querido menino (Felix Van Groeningen)
9. Suspíria – A dança do medo (Luca Guadagnino)
10. Vida selvagem (Paul Dano)

***

11. O amante duplo (François Ozon)
12. Você nunca esteve realmente aqui (Lynne Ramsey)
13. Outside in (Lynn Shelton)
14. No portal da eternidade (Julian Schnabel)
15. 22 de julho (Paul Greengrass)
16. Green Book – O guia (Peter Farrelly)
17. A favorita (Yorgos Lanthimos)
18. Deixe a luz do sol entrar (Claire Denis)
19. Dogman (Matteo Garrone)
20. Arábia (João Dumons e Affonso Uchoa)
21. Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald (David Yates)
22. O primeiro homem (Damien Chazelle)
23. Creed II (Steven Caple Jr.)
24. Puro-sangue (Cory Finley)
25. Se a Rua Beale falasse (Barry Jenkins)

Menções honrosas: A mula (Clint Eastwood), Bem-vindos a Marwen (Robert Zemeckis), Stan & Ollie – O gordo e o magro (John S. Baird), Sicario – Dia do soldado (Stefano Sollima), Custódia (Xavier Legrand), Mudo (Duncan Jones), Corpo e alma (Ildikó Enyedi), As aventuras de Paddington 2 (Paul King), Noviciado (Margaret Betts), Ilha dos cachorros (Wes Anderson), Jogador Nº 1 (Steven Spielberg), Tully (Jason Reitman), 15h17 – Trem para Paris (Clint Eastwood), Like me (Robert Mockler), Deadpool 2 (David Leitch), Best f(r)iends – Vol. 1 (Justin MacGregor), Em pedaços (Fatih Akin), Robin Williams – Entre na minha mente (Marina Zenovich), The girl (Lukas Dhont), O conto (Jennifer Fox), Bird box (Susanne Bier), Baseado em fatos reais (Roman Polanski), Os incríveis 2 (Brad Bird), Eighth grade (Bo Durnham), Noite de lobos (Jeremy Saulnier), Mais uma chance (Tamara Jenkins), A pé ele não vai longe (Gus Van Sant), Venom (Ruben Fleischer), Jumanji – Bem-vindo à selva (Jake Kasdan), Hearts beat loud (Brett Haley), Amizade desfeita 2: dark web (Stephen Susco), Pedro Coelho (Will Gluck), As boas maneiras (Juliana Rojas, Marco Dutra), Sob o sol do oeste (David e Nathan Zellner), Domando o destino (Chloé Zhao), Missão: impossível – Efeito Fallout (Christopher McQuarrie), Permissão (Brian Crano), Quem somos agora (Matthew Newton), Princess Syd (Stephen Cone), Verão de 84 (François Simard, Anouk Whissell, Yoann-Karl Whissell), What keeps you alive (Colin Minihan), Bumblebee (Travis Knight), Pérolas no mar (Rene Liu), A noite do jogo (John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein), O outro lado do vento (Orson Welles), Sem amor (Andrey Zvyagintsev), Você e os seus (Hong Sang-soo), Não vai dar (Kay Cannon), Felicité (Alain Gomis), Homem-Formiga e a Vespa (Peyton Reed), Rastros (Agnieszka Holland), Fútil e inútil (David Wain), Halloween (David Gordon Green), Espectador profissional (Dito Montiel), Vende-se esta casa (Suzanne Coote e Matt Angel), Newness (Drake Doremus), Jurassic World – Reino ameaçado (J. A. Bayona), Tudo que quero (Ben Lewin), Hostis (Scott Cooper), Alfa (Albert Hughes), Rampage – Destruição total (Brad Peyton), Desobediência (Sebastián Lelio), Cargo (Ben Howling e Yolanda Ramke), Flower (Max Winkler), Almas secas (Liz W. Garcia), Blame (Quinn Shepard), Together (Terrence Malick), Distúrbio (Steven Soderbergh), No coração das trevas (Paul Schrader), Becks (Daniel Powell, Elizabeth Rohrbaugh), Fullmetal alchemist (Fumihiko Sori), Perigo na montanha (Lin Oeding), Frost (Šarūnas Bartas), A vingança de Lefty Brown (Jared Moshe), Submersão (Wim Wenders), Aniquilação (Alex Garland), O ritual (David Bruckner), Um lugar silencioso (Joseph Krasinki), O animal cordial (Gabriela Amaral Almeida), A sombra da árvore (Hafsteinn Gunnar Sigurðsson), Todas as razões para esquecer (Pedro Coutinho), O plano imperfeito (Claire Scanlon), O mercador (Tamta Gabrichidze), Utoya, 22 de julho – Terrorismo na Noruega (Erik Poppe), O rei da polca (Maya Forbes), Vingança (Coralie Fargeat), The Cloverfield Paradox (Julius Onah), Uma mulher exemplar (Susanna White), A rota selvagem (Andrew Haigh), Maria Madalena (Garth Davis), A câmera de Claire (Hong Sang-soo), Christopher Robin – Um reencontro inesquecível (Marc Forster), Grande saída (Alex Ross Perry), Tal pai, tal filha (Lauren Miller), O predador (Shane Black), Com quem será? (Victor Levin), Stella’s last weekend (Polly Draper), A esposa (Björn Runge), Juliet, nua e crua (Jesse Peretz), O mistério do relógio na parede (Eli Roth), Buscando… (Aneesh Chaganty), Bohemian Rhapsody (Dexter Fletcher), The kindergarten teacher (Sara Colangelo), Infiltrado na Klan (Spike Lee), Legítimo rei (David Mackenzie), Guerra fria (Pawel Pawlikowski), Meu ex é um espião (Susanna Fogel), Never goin’ back (Augustine Frizzell), Skate kitchen (Crystal Moselle), Boy erased – Uma verdade anulada (Joel Edgerton), Acrimônia (Tyler Perry), WiFi Ralph – Quebrando a internet (Rich Moore, Phil Johnston), O retorno de Mary Poppins (Rob Marshall), Poderia me perdoar? (Marielle Heller), Aquaman (James Wan), Os irmãos Sisters (Jacques Audiard), Mogli – Entre dois mundos (Andy Serkis), Millennium – A garota na teia da aranha (Fede Alvarez), Viúvas (Steve McQueen), Um pequeno favor (Paul Feig), Support the girls (Andrew Bujalski), Vice (Adam McKay), Zama (Lucrecia Martel), Anos 90 (Jonah Hill)

1. A árvore dos frutos selvagens (Nuri Bilge Ceylan)
2. Nunca deixe de lembrar (Florian Henckel von Donnersmarck)
3. Longa jornada noite adentro (Bi Gan)
4. Vingadores – Ultimato (Joe & Anthony Russo)
5. Sob o lago prateado (David Robert Mitchell)
6. Vox Lux (Brady Cobert)
7. O hotel às margens do rio (Hong Sang-soo)
8. Vidro (M. Night Shyamalan)
9. Velvet Buzzsaw (Dan Gilroy)
10. Climax (Gaspar Noé)

***

11. Alita – Anjo de combate (Robert Rodriguez)
12. Shazam! (David F. Sandberg)
13. Obsessão (Neil Jordan)
14. High life (Claire Denis)
15. Fora de série (Olivia Wilde)
16. Cemitério maldito (Kevin Kölsch e Dennis Widmyer)
17. Paddleton (Alexandre Lehmann)
18. Brightburn (David Yarovesky)
19. Dumbo (Tim Burton)
20. Uma aventura Lego 2 (Mike Mitchell)
21. Aladdin (Guy Ritchie)
22. A morte te dá parabéns 2 (Christopher Landon)
23. Gloria Bell (Sebastián Lelio)
24. John Wick 3 – Parabellum (David Stahelski)
25. Tater Tot & Patton (Andrew Kightlider)

Menções honrosas: JT LeRoy (Justin Kelly), Calmaria (Steven Knight), A cinco passos de você (Justin Baldoni), Estrada sem lei (John Lee Hancock), Deixando Neverland (Dan Reed), High flying Bird (Steven Soderbergh), O menino que queria ser rei (Joe Cornish), Casal improvável (Jonathan Levine), Amanda (Mikhaël Hers)

Acompanhe atualização desta lista de melhores filmes de 2019 aqui.

Melhores filmes de 2017

Por André Dick

O cinema de 2017 trouxe um bom número de filmes que marcaram o espectador. Não é um ano comum este em que tivemos no cinema mais um filme de Terrence Malick, assim como a volta de David Lynch em Twin Peaks.
Se as animações não fizeram o mesmo sucesso do ano passado e mesmo assim foram exitosas (Meu malvado favorito 3, LEGO Batman), inclusive aquelas mais de arthouse (A tartaruga vermelha, Minha vida de abobrinha), o gênero de super-heróis teve novas obras da Marvel e da DC.
Os blockbusters e a ficção científica, de modo geral, estiveram muito bem servidos, desde Logan, passando por Kong – A Ilha da CaveiraAlien: Covenant, Dunkirk, Blade Runner 2049, Valerian e a cidade dos mil planetas, até o existencialista Planeta dos macacos – A guerra. No fim do ano, Star Wars – Os últimos Jedi tentou provar que a franquia continua rendendo em termos de crítica e financeiros.
Se a juventude teve momentos de conflito em família (Quase 18), com a sexualidade (Thelma), ela também esteve na guerra (A longa caminhada de Billy Lynn, Frantz, Castelo de areia e Até o último homem) e tentando se adaptar a uma vida de roubos (Em ritmo de fuga, Tramps) ou à alta tecnologia (O círculo), assim como envolvida com o terrorismo (Nocturama). Também esteve na busca por seguidores religiosos, em Silêncio, e por fãs de música, em Patti Cake$.

O gênero do terror passou por uma revitalização com Corra!, A morte te dá parabéns, Raw, Ao cair da noite, Annabelle 2 e A cura, principalmente, com diferentes estilos e mesmo aplicando um bom humor, sendo que o maior sucesso desse campo foi It – A coisa, com seu grupo de crianças. Em ExtraordinárioO livro de Henry, também havia a amizade entre crianças e a descoberta do mundo adulto.
No cinema de ação, a mistura entre lutas e neons ficou explícita em Atômica e John Wick 2, mas nenhum deles parecia superar o sul-coreano A vilã.
O universo da família esteve bem representado pelos mais diversos filmes, com os objetivos mais múltiplos: Mãe!, Os Meyerowitz, O filme da minha vida, Logan Lucky, Primeiro, mataram o meu pai, O castelo de vidro, Fala comigo, Um homem chamado Ove, Como os nossos paisO mínimo para viver, O reino da beleza, Manchester à beira-mar, Mulheres do século 20 e Suburbicon.
E filmes falaram da solidão contemporânea com rara eficácia: Já não me sinto em casa nesse mundo, O mar de árvores, Una, A garota desconhecida, Certas mulheresMoonlightColossalO estado das coisas, Um limite entre nós e o belíssimo Columbus.

Se tivemos a mitologia de lendas inglesas em Rei Arthur – A lenda da espadaDeath note, Power Rangers e A vigilante do amanhã – Ghost in the shell transitaram pelo universo de adaptações de games e mangás orientais.
Algumas cinebiografias ajudaram a movimentar o gênero, daquele que fez posse de uma marca de lanches até uma primeira-dama afetada por uma perda histórica: Fome de poder, Estrelas além do tempo, Loving, Até o último homem, Maudie – Sua vida e sua arte, Regras não se aplicamAlém das palavras e Jackie.
A poesia esteve em discussão na época clássica, em Além das palavras (sobre Emily Dickinson), passando pelo momento atual em Paterson (um poeta motorista de ônibus) e pela autobiografia Poesia sem fim, além de estar registrada na vida de um cineasta no documentário David Lynch – A vida de um artista e na influência de uma música, vivida por Rooney Mara, por Rimbaud em De canção em canção.
Enquanto a história foi recontada por filmes como Primeiro, mataram o meu pai, passado no Camboja, mostrando mais uma vez o talento de Angelina Jolie na direção, o tema da imigração se fez presente no sensível O outro lado da esperança (da Finlândia) e o preconceito foi debatido explícita ou implicitamente em Terra selvagem, Uma mulher fantásticaA qualquer custo, Detroit em rebelião, Extraordinário e Bright. O tênis serviu para falar do movimento de mudança feminino em A guerra dos sexos e para tratar de lendas esportivas separadas pelo comportamento em Borg vs McEnroe.
Hong Sang-soo continuou sua filmografia metalinguística com Na praia à noite sozinha, e o canadense Denys Arcand regressou com O reino da beleza, mas é Chan wook-Park que fez uma adaptação ousada de um livro inglês em A criada. Os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne tiveram mais uma visão sobre a situação da Europa em A garota desconhecida, assim como Julia Docournau entregou um terror com estilo francês em Raw e François Ozon retratou a Segunda Guerra Mundial em Frantz. O chinês Zhang Yimou tentou estabelecer uma ponte entre os blockbusters da América do Norte e da Ásia em A grande muralha. E o grande sucesso de público e crítica do cinema brasileiro foi Bingo – O rei das manhãs.

Os filmes avaliados para as listas estrearam no Brasil entre janeiro e dezembro de 2017, inclusive aqueles indicados ao Oscar de 2016, seja (agora um diferencial em relação aos anos anteriores) nos cinemas, em VOD ou na Netflix. Não é mais possível avaliar como foi o ano apenas com base naquelas obras que chegaram às salas, principalmente porque várias de qualidade não estreiam por causa de filmes de menos qualidade. Não foram avaliados filmes exibidos apenas em festivais ou que estrearam nos Estados Unidos e irão estrear no próximo ano em circuito comercial no Brasil.
Cinematographe apresenta a seguir listas com filmes que quase entraram na lista dos 25 melhores, menções honrosas, apreciados, subestimados, apreciados em parte e decepções e/ou superestimados. Foi um grande ano cinematográfico.

Quase entraram entre os 25

Castelo de areia (Fernando Coimbra), Z – A cidade perdida (James Gray), Logan Lucky – Roubo em família (Steven Soderbergh), Lion – Uma jornada para casa (Garth Davis), O outro lado da esperança (Aki Kaurismäki), Ao cair da noite (Trey Edward Schults), Primeiro, mataram o meu pai (Angelina Jolie), Liga da Justiça (Zack Snyder), Fala comigo (Felipe Sholl), Patti Cake$ (Geremy Jasper), Maudie – Sua vida e sua arte (Aisling Walsh), A morte te dá parabéns (Cristopher B. Landon), Terra selvagem (Taylor Sheridan), A longa caminhada de Billy Lynn (Ang Lee), Regras não se aplicam (Warren Beatty), O reino da beleza (Denys Arcand), Loving (Jeff Nichols), Uma mulher fantástica (Sebastián Lelio)

Menções honrosas

O castelo de vidro (Destin Cretton), Bright (David Ayer), O mar de árvores (Gus Van Sant), John Wick – Um novo dia para matar (Chad Stahelski), As duas Irenes (Fabio Meira), Um homem chamado Ove (Hannes Holm), Na vertical (Alain Guiraudie), Lucky (John Carroll Lynch), Até o último homem (Mel Gibson), Homem-Aranha – De volta ao lar (Jon Watts), Na praia à noite sozinha (Hong Sang-soo), Eu já não me sinto em casa nesse mundo (Macon Blair), Annabelle 2 – A criação do mal (David F. Sandberg), Tramps (Adam Leon), Quase 18 (Kelly Fremon Craig), Guardiões da galáxia Vol. 2 (James Gunn), Buster’s mal heart (Sarah Adina Smith), Thelma (Joachim Trier), Uma beleza fantástica (Simon Aboud), Mulheres do século 20 (Mike Mills), A guerra dos sexos (Jonathan Dayton, Valerie Faris), Gaga: five foot two (Chris Moukarbel), Colossal (Nacho Vigalondo), Spielberg (Susan Lacy), O mínimo para viver (Marti Noxon), Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan), Lovesong (So Young Kim), O invasor americano (Michael Moore), Top model (Mads Matthiesen), Beleza colateral (David Frankel), Boneco de neve (Tomas Alfredson), Suburbicon Bem-vindos ao paraíso (George Clooney), A qualquer custo (David Mackenzie), Una (Benedict Andrews), Certas mulheres (Kelly Reichardt), Star Wars – Os últimos Jedi (Rian Johnson), Wilson (Craig Johnson), Eu, Daniel Blake (Ken Loach), Free fire – O tiroteio (Ben Wheatley)

Apreciados

Nossas noites (Ritesh Batra), Detroit em rebelião (Kathryn Bigelow), Atômica (David Leitch), Doentes de amor (Michael Showalter), Onde está Segunda? (Tommy Wirkola), Kong – A ilha da Caveira (Jordan Vogt-Roberts), A garota desconhecida (Jean-Pierre e Luc Dardenne), Logan (James Mangold), Raw (Julia Docournau), Você e os seus (Hong Sang-soo), T2: Trainspotting (Danny Boyle), Power Rangers (Dean Israelite), Fome de poder (John Lee Hancock), A vilã (Jung Byung-Gil), O estado das coisas (Mike White), Frantz (François Ozon), Além das palavras (Terence Davies), Planetarium (Rebecca Zlotowski), Rakka (Neil Blomkamp), Mulher-Maravilha (Patty Jenkins), Lady Macbeth (William Oldroyd), A tartaruga vermelha (Michel Dudok de Wit), Um limite entre nós (Denzel Washington), Aliados (Robert Zemeckis), Estrelas além do tempo (Theodore Melfi), Borg vs McEnroe (Janus Metz Pedersen), Minha vida de abobrinha (Claude Barras), Extraordinário (Stephen Chobsky), O rei do show (Michael Gracey)

Subestimados

Sandy Wexler (Steven Brill), Vida (Daniel Espinosa),  Transformers – O último cavaleiro (Michael Bay), War machine (David Michôd), A vigilante do amanhã – Ghost in the shell (Rupert Sanders), Carros 3 (Brian Fee), Rei Arthur – A lenda da espada (Guy Ritchie), O livro de Henry (Colin Trevorrow), A grande muralha (Zhang Yimou), O círculo (James Ponsoldt), Piratas do Caribe – A vingança de Salazar (Joachim Rønning, Espen Sandberg)

Apreciados em parte

Assassin’s creed (Justin Kurzel), Como nossos pais (Laís Bodanzky), David Lynch A vida de um artista (Jon Nguyen, Rick Barnes, Olivia Neergaard-Holm), Armas na mesa (John Madden), Thor: Ragnarok (Taika Waititi), Feito na América (Doug Liman), LEGO Batman – O filme (Chris McKay), Death note (Adam Wingard), Passageiros (Morter Tyldum), Bingo – O rei das manhãs (Daniel Rezende), Depois daquela montanha (Hany Abu-Assad), Vizinhos nada secretos (Greg Mottola)

Decepções e/ou superestimados

Dunkirk (Cristopher Nolan), It – A coisa (Andy Muschietti), A bela e a fera (Bill Condon), Toni Erdmann (Maren Ade), Fragmentado (M. Night Shyamalan), Jogo perigoso (Mike Flanagan), Okja (Joon-Ho Bong), Sete minutos depois da meia-noite (Juan Antonio Bayona), Bom comportamento (Ben Safdie, Josh Safdie), Shimmer Lake (Oren Uziel), Nocturama (Bertrand Bonello), Sala verde (Jeremy Saulnier), Marjorie prime (Michael Almereyda), Minha prima Rachel (Roger Michell), Roda gigante (Woody Allen), A morte de Luís XIV (Albert Serra), Strange weather (Katherine Dieckmann)

Abaixo, a lista dos 25 melhores filmes de 2017 segundo o Cinematographe. Agradeço pela companhia durante o ano e desejo um ótimo 2018.

Com uma trilha sonora esplendorosa de Alexandre Desplat, apanhando algumas notas de Jerry Godsmith da antiga série de cinema Star Trek, e fotografia notável de Thierry Arbogast, arquitetando um festival de cores, Valerian se move num ritmo contínuo, mas sem parecer excessivo nesse ponto. Luc Besson tem um talento notável aqui para compor um quadro de imagens coloridas sem parecer kitsch, acertando na escolha do par central: DeHaan e Delevingne possuem uma química em todas as cenas nas quais aparecem juntos. Talvez mais do que todos os acertos técnicos ou de escolha de elenco, fica visível o respeito que Besson tem por esse universo de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, do qual é visivelmente um admirador.

A obra de Olivier Assayas, apostando no drama em que é especialista, embora às vezes irregular, não deixa de ser um thriller disfarçado de Hitchcock por meio da paisagem parisiense, com toques de Leos Carax e seu Holy Motors, além de uma interessante analogia final com Oslo, 31 de agosto, por meio da presença do ator Anders Danielsen Lie. Assim como na obra de Carax, a tecnologia parece deixar o cinema “antigo” para trás: a sensação, aqui, é que Assayas está tratando do cinema digital em primeiro lugar por meio de uma trama instigante. Há uma cena que define isso: quando Maureen, numa bela interpretação de Kristen Stewart, está diante de um acontecimento que mudará sua trajetória, há barulhos e luzes distantes que remetem a uma sala de cinema. O que estará acontecendo lá? Para Assayas, está acontecendo essa procura por sua própria identidade. É estranho, diferente e assustador, como Personal shopper.

Mais do que aterrorizar, Amat Escalante pretende estabelecer ligações entre um ser alienígena e personagens no interior do México. Com a ajuda da fotografia de Manuel Alberto Claro, do Chile, ele traça um mapa dessa situação, nunca se aproximando demais da ficção científica nem abdicando de uma influência surrealista. O melhor em seu cinema, desde Heli, é sua facilidade em construir uma narrativa antilinear que não soa desesperada em ser arthouse. Escalante lida com cenas de nudez sem que elas ultrapassem um determinado limite ou configurem um exagero, mas de forma quase casual. Alguns tendem a aproximar a atmosfera de A região selvagem daquela de Stalker; eu diria que ela está mais próxima de Twin Peaks, com sua floresta no meio da neblina e uma aparente tranquilidade nunca solucionada. Escalante é mais um grande nome do cinema mexicano, ao lado de Iñárritu, Cuarón, Reygadas e Del Toro.

Corra! foi lançado no Festival de Sundance e, a partir de um orçamento irrisório de 4,5 milhões, arrecadou 254. O sucesso se deve certamente à sua mescla entre suspense, terror, crítica social e toques de comédia que parecem deslocados, mas que no conjunto fortalecem o resultado. É um filme que prende a atenção do início ao fim, no entanto o espectador necessita de uma certa suspensão da narrativa mais comum do gênero, pois Corra! trabalha num campo em que Richard Kelly, de A caixa sobretudo, é um referencial. Desde a década de 70, o terror normalmente esteve personificado em ameaças indestrutíveis, como Freddy Krueger, Michael Myers e Jason, além de outros derivados; em Corra! esse medo parece se basear no comportamento da humanidade e de como a vítima reage a ele.

Uma espécie de testamento de sua obra, Alejandro Jodorowsky, autor de clássicos como El Topo e Santa Sangre, faz uma homenagem à sua origem como poeta, intercalando imagens de infância e da sua entrada na vida adulta, cercada de figuras estranhas. Mais do que uma das influências de David Lynch, por exemplo, Jodorowsky é um criador de imagens inesquecíveis, o que faz novamente aqui com auxílio da fotografia de Cristopher Doyle, que trabalha frequentemente com Wong Kar-Wai. A mescla de cores e uma narrativa surrealista conduz o filme a um espaçamento em que o espectador não sabe exatamente o que está acontecendo ao certo, mas sabe certamente que é grande cinema.

Alien: Covenant expande com qualidade evidente as ideias de Prometheus, sem ficar restrito ao universo simplesmente de monstros alienígenas; pode-se dizer que Ridley Scott ingressa numa fase em que o choque, como mostra ao final de O conselheiro do crime, atualiza o heroísmo dos anos 70 e 80. Não assusta como Vida, inspirado em Alien, mas é mais denso, e que alguns espectadores não queiram esse caminho mostra o quanto Scott está no caminho certo: do acréscimo substancial à sua criação. Do mesmo modo, Katherine Waterston, na figura de Daniels, configura uma espécie de libertadora de uma certa visão masculina, como Ripley. No entanto, enquanto havia fúria em Ripley, Waterston atenua seu enfrentamento com um receio plausível. Ela sofre ao ter de enfrentar a situação, não é uma guerreira como Ripley – e nisso Scott desenha um arco diferente e interessante da produção de Cameron principalmente, na qual Sigourney Weaver construía uma versão feminina de combate. No final, apesar da montagem excessivamente rápida, Scott continua exímio em filmar cenas de ação, com a fotografia impecável de Dariusz Wolski.

Além de Pablo Larraín extrair grandes atuações de todo o elenco, o que mais chama atenção, contudo, é a maneira como o cineasta transmite as sensações de cada personagem. Há um sentido de solidão diante do inesperado, uma angústia que não consegue se desprender do corpo e puxa o enfrentamento de toda uma existência. Jackie, depois do assassinato de JFK, vê toda sua vida se transformar em horas, e o que lhe resta é tentar projetar imediatamente o que pode acontecer a seguir. O roteiro de Noah Oppenheim (o mesmo, surpreendentemente, de Maze Runner) é eficaz na maneira como liga passado e presente (o da entrevista) e como deixa algumas lacunas para o espectador preencher, sobretudo quando Jacqueline precisa preparar o enterro do marido. O político, que existia por exemplo em JFK, de Oliver Stone, acaba sendo diluído em meio a comportamentos de bastidores que oscilam entre o drama implacável e a simples necessidade de esquecer o que aconteceu.

Os atores que representam Cherrie nas três fases da vida apresentam características que levam a crer que parecem realmente a mesma pessoa, e este é outro acerto de Barry Jenkins. O personagem acaba tendo uma ênfase que não se dá por meio dos diálogos (eles quase inexistem de sua parte) e Jenkins dá uma espécie de transcendência a momentos focados do cotidiano. Durante quase todo a narrativa, ele tem receio justamente de se enxergar, de saber o que realmente deseja em relação ao que se passa à sua volta, e isso se mostra ainda mais quando Jenkins lança a analogia entre as cores de sequências diferentes para interligá-las. Se para alguns isso pode soar apenas visualmente interessante, estilo sobre a substância, é preciso dizer que ele realmente consegue efetuar um desenho para cada símbolo que vai evocando, principalmente mais ao final, de maneira comovente. Essas cenas dispersas parecem banhadas literalmente pela luz do luar, assim como o momento definidor para o sentimento de Cherry se dá à noite em frente ao mar. É uma obra absolutamente comovente, sem fazer nenhuma força para que isso aconteça.

O mais interessante talvez seja como Selton Mello vai costurando memórias e narrações internas com o cenário ao redor: as viagens de motocicleta por estradas desertas evocam uma solidão estendida aos personagens. Se o diálogo com o cinema de Fellini é evidente por meio da metalinguagem e da maneira como se desperta a paixão pelo cinema, os arredores da casa de campo onde Tony e sua mãe vivem, com seus varais de roupa e uma longa fileira de árvores distante remete ao melhor Andrei Tarkosky de O espelho e Nostalgia, com sua sensação de isolamento de tudo, o que se sente igualmente na ficção científica do cineasta russo Solaris. Conhecendo algumas dessas paisagens, arrisco dizer que Selton Mello as mostra como talvez nenhum cineasta brasileiro antes dele (lembrei algumas vezes do subestimado e semiesquecido O quatrilho, mas aqui uma dinâmica narrativa maior está em jogo). Isso não é pouco, visto a qualidade de algumas obras.

A trilha sonora de Michael Giacchino fornece a introversão e a generosidade que o roteiro do diretor Matt Reeves e Mark Bombak repassa aos espectadores por meio de pouquíssimos diálogos. O filme passa sensações ao invés de um sentimento de aventura: a maneira como César precisa enfrentar o Coronel, o tratamento dado aos seus companheiros símios na construção do muro, o sentimento de ter uma menina órfã depois de causar a ela o que ele mesmo passou em sua vida. Todos esses temas se misturam com uma paisagem invernal, em mudança (o diretor de fotografia Michael Seresin acerta na paleta de cores escolhida), e os personagens em esconderijos ou presos, esperando o anúncio de uma rebelião que possa trazê-los de volta à vida. Planeta dos macacos – A guerra é um filme muito denso e mesmo profundo, com uma segurança técnica irretocável e um senso de escala capaz de proporcionar às cenas de ação uma grandiosidade especial.

Nicole Kidman está num de seus melhores momentos (embora Geraldine Page faça muito bem o papel no original de Clint Eastwood, muito inferior a este), Kirsten Dunst é minuciosa nos gestos de uma jovem melancólica, Colin Farrell é notável, entre uma certa ingenuidade e uma tentativa de manipular, e Elle Fanning acerta no tom de fingimento (o único senão é sua pouca presença, ao contrário de sua personagem na versão de 1971). Por esses elementos, entende-se que Sofia Coppola volta a seus melhores momentos, de Maria Antonieta e Um lugar qualquer, mas com um desenvolvimento ainda maior de temas discretos, que não se apresentam para o espectador com uma necessidade de convencê-lo sobre determinadas abordagens. Para Sofia, o mistério da humanidade está escondido no bosque como o soldado, à espera de atendimento. Não parece por acaso a maneira como a diretora utiliza a névoa do amanhecer como uma espécie de convite a tentar desvendar esse mistério insondável.

Gore Verbinski lida com suas ideias de maneira às vezes subjetiva, mas que conferem poder de fôlego, mesmo no final do terceiro ato, quando tudo é impulsionado a um gênero que mais parece dialogar com as fitas de terror de Roger Corman, quase se transformando num exemplo de cinema dos anos 50 sob o olhar contemporâneo. Pode-se dizer que, com esse intuito, Verbinski desenha um cinema que parte dos anos 40 e chega aos dias atuais, utilizando molduras já usadas com outras verdadeiramente inovadoras, sempre inovando com um design de produção no qual mergulha literalmente tanto os personagens quanto os espectadores. Há um senso de realidade permanente nas passagens do lugar sendo descobertas e é como se fossem pinturas vivas.

Darren Aronofksy destrói o conceito literário de autor e de si mesmo – à medida que escreve o roteiro. A metáfora de mãe! é uma sátira ao próprio Aronofsky: importa, para ele, não a personagem, e sim Jennifer Lawrence, que está, por sinal, excelente, no melhor momento de sua carreira depois de Joy, lembrando muito a performance de Laura Dern em Império dos sonhos. Sem a musa não há obra, não há vida. Mas, no final, pode-se trocá-la: é preciso um novo escrito. Sim, o terceiro ato é difícil de ser visto, especialmente uma cena desagradável, contudo é ele que sintetiza a estranheza.
Diante disso, estamos também lançados num filme sem gênero demarcado. O que mãe!, além de uma adaptação de ideias de A república de Platão, poderia ser? Um drama? Um suspense? Um terror? Certamente, um híbrido de todos esses gêneros. E mãe!, mesmo com seu psicologismo por vezes nada discreto, mas ainda interessante, ainda consegue ser um filme pop, ou seja, acessível, exercendo um magnetismo próprio e fascinante de um acabado cult movie. Poucos diretores conseguiriam isso, e Aronofsky é um deles.

Especialista em cenas de ação elaboradas, como mostrou principalmente em Chumbo grosso, aqui Edgar Wright consegue ainda mais. Inspirado claramente pelo referido DriveAtração perigosa, de Ben Affleck, e Caçadores de emoções, Wright torna o arsenal de cores dos cenários num pacote de amplo apelo popular, sem facilitar a narrativa. O diretor utiliza esse apoio de maneira eficiente em várias sequências, fazendo um repertório capaz de desenhar ainda melhor seu personagem central e inserir o espectador no ritmo da narrativa, basicamente sobre o sonho de um jovem em adentrar na vida adulta. Como em Scott Pilgrim, não há gênero definido aqui, apenas diversão inteligente garantida.

O diretor estreante Kogonada mescla seus personagens aos lugares que visitam, e a maneira como eles os filma também em casa, com seus reflexos em espelhos, mostra um grande potencial narrativo. Poderia resultar num cinema excessivamente calculado, restrito a imagens e simbologias, porém há uma emoção que abastece internamente a história. Mais ainda quando Casey (Haley Lu Richardson), em determinado momento, fala de seus sentimentos e a câmera, que filmava um prédio, de costas, a mostra de frente, mas sem revelar o que está dizendo. Nesse sentido, humanidade e arquitetura se conjugam no mesmo tempo. Em outro momento, a personagem central liga para uma pessoa e a observa do lado de fora em razão de o prédio ser todo envidraçado: o olhar invade a arquitetura, mas nem por isso há uma aproximação maior entre as pessoas. Outro momento que chama a atenção é quando, sentindo-se um tanto perdido, Jin observa a distância um prédio abandonado: é como se o prédio representasse exatamente como ele se sente.

Noah Baumbach consegue conciliar o ambiente urbano de Nova York, pano de fundo para muitos de seus filmes com um ambiente mais bucólico, de interior, como se a intimidade dos personagens sempre estivesse conciliada com os cenários. Algumas passagens podem parecer desnecessariamente explicativas, no entanto conservam sempre um tom familiar capaz de tornar o material de Baumbach próximo do espectador. Os personagens, mesmo adultos, adotam algumas vezes um comportamento infantil, mas o roteiro não torna isso superficial, tentando minimizar a dimensão deles, e sim os torna mais complexos. Na tentativa de não reprisarem o passado, eles olham para a geração futura com a preocupação de fazerem o certo: não há também um sentido de competição novamente em cena.

O filme lança os homens no lado oposto das mulheres: para Chan-wook Park, elas assumem seus papéis, enquanto eles fingem assumi-los e, quando o fazem, nunca saem de seus esconderijos. Nesse sentido, seu objetivo é psicológico em vários sentidos, e absolutamente simétrico em suas escolhas. Um drama nos moldes vitorianos transportado para o cenário asiático, com toques de um thriller e sobre a violência subjetiva, A criada também é um filme de costumes excêntricos com tendência ao erótico em algumas cenas belissimamente filmadas. É inevitável, por sua temática e cenas ousadas, lembrar do francês Azul é a cor mais quente, que recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2013. De qualquer modo, Park, ao contrário de Kechiche, não filma essas cenas como semidocumentais: ele adota mais a beleza plástica de cores e gestos de Oshima em O império dos sentidos.

Como A separação e mesmo À procura de Elly, que tinha uma primeira metade esplendorosa para uma segunda de menos impacto, O apartamento joga com o sentimento do espectador de modo a fazê-lo entender os sentimentos de vingança e de perdão em igual sintonia. Sabemos por que a raiva transborda e entendemos quando ela deixa de ter efeito, quando as pessoas se desnudam diante de um acontecimento e se mostram simplesmente pelo que são. Vencedor dos prêmios de melhor roteiro e ator em Cannes, O apartamento investe numa narrativa situada entre o universo iraniano e a peça de origem norte-americana de Miller, instituindo um paralelo entre os personagens representados e os da realidade, assim como o belo cenário teatral cria um contraste com o apartamento real cheio de rachaduras e ainda não habitado por completo, à medida que o casal deseja sair dele.

Claro que, por todo seu contexto, sua publicidade, Silêncio trata da fé do ser humano: quando vamos ao filme, porém, Martin Scorsese lança um olhar de que a condição da fé passa pela materialidade, tanto que os personagens cristãos são obrigados a enfrentarem símbolos, neste caso cruzes ou a imagem de Cristo num molde de metal que eles precisam desrespeitar ou não. Vários filmes de Scorsese tem esse conflito religioso como pano de fundo – como o subestimado Vivendo no limite, sobre um motorista de ambulância, Gangues de Nova York, permeado pela violência, ou ainda Cabo do medo –, e obviamente ele não está doutrinando o espectador e sim mostrando que o discurso está ligado mais a símbolos. A pergunta que Scorsese lança é: podemos prendê-los e ameaçá-los de morte?

Quase não há mais obras sobre gângsters e este especificamente traz uma mistura de Os intocáveisDália negra e Dick Tracy (os tiroteios são filmados com uma precisão irretocável), além de Inimigos públicos, de Michael Mann, principalmente na maneira como Ben Affleck apresenta seus personagens. A reconstituição fina oferecida pelo filme não é menos atrativa do que sua narrativa desenhada com recursos mínimos a partir do romance de Dennis Lehane. Não há o mesmo nervosismo urbano dos primeiros filmes de Affleck, justamente pela atmosfera, e sim uma frieza impactante nas entrelinhas, acrescentada pela narração esporádica de Coughlin. Também não há nenhum humor aqui: esta é uma tentativa de empregar o mesmo clima das peças de gângsters dos anos 40 e 50. Talvez seja ainda mais: Affleck mostra como os gângsters estão presos a um momento histórico e a um comportamento que apenas pretende flertar com a violência, sem ter nenhuma ideia do que ela acarreta.

Quando o filme se move para a autodescoberta dos personagens, a noite se esvai um pouco e aparece o dia sem retoques fotográficos do trabalho impecável de Linus Sandgren, habitual colaborador de David O. Russell. Por isso, de forma até paradoxal, o filme funciona mais como um drama e romance do que exatamente como um musical: quem espera grandes coreografias ou canções intermitentes vai se deparar com um filme que praticamente não pertence a nenhum gênero, sendo essa uma de suas qualidades. Nesse sentido, Damien Chazelle considera que, para que se possa viver um sonho, não necessariamente deva ser desfeita alguma glória passada. Para ele, os números musicais e as relações românticas são o próprio cinema e o que se vê na tela e fora dela: é quando La La Land aproxima a todos, como um grande número musical, mas longe de tudo, apenas sob um facho de estrelas ou se vendo a cidade cintilante do alto de uma colina à noite. É emocionante e arrebatador.

A maneira como o diretor Jim Jarmusch mostra os poemas criados pelo motorista de ônibus (criações de Jarmusch e do poeta Ron Padgett) vai se mesclando ao seu dia a dia repetitivo, e Driver tem a melhor atuação de sua trajetória, depois de viver o vilão Kylo Ren do Star Wars de Abrams, mostrando um crescimento desde os filmes realizados com Baumbach: fazendo um homem tranquilo e gentil, trata-se da liderança do filme e conduz tudo com rara eficácia. Ele se sente gentil, contudo não de maneira simplista, e generoso, sem aparentar um exagero. Num determinado momento decisivo, ele olha para a capa de um de seus livros preferidos, imaginando possivelmente seu poema junto dele. Em outro, ele visualiza o nome de uma marca de fósforos, Ohio Blue Tip, gravado na caixinha, e começa a selecionar a partir dessa imagem palavras para um poema. As palavras e os versos são retratados como parte de um mesmo ciclo: o dia e a noite, o trabalho e o descanso, o volante e a biblioteca; tudo recomeça novamente a partir da imaginação.

Se o original de Ridley Scott tinha uma atmosfera mais pessimista, o novo é mais esperançoso, mas não no sentido do lugar-comum e sim na maneira como visualiza principalmente o trajetória de K (Ryan Gosling). Este é um personagem que amplia a solidão anunciada no clássico de 1982 e, mais ainda, sinaliza para um futuro real. A longa duração (quase 50 minutos a mais que o original) não prejudica; pelo contrário, torna as sequências mais definidas e compostas com um cuidado extremo, fazendo com que cada uma ressoe junto ao espectador. São belas principalmente as que trazem simbologias, como o fogo (nas lembranças de K) e a água (representando a morte e a vida), encontrando na neve (imaginária ou não) o meio-termo para as lágrimas na chuva, da mensagem de Batty, que tanto comovia minha mãe, admiradora do primeiro filme e que, imagino, apreciaria muito também esta nova obra-prima. É um filme que, à medida que é assistido, cresce na imaginação: nunca um replicante do primeiro, mas uma obra grandiosa, outra assinada por Denis Villeneuve.

De canção em canção requer novas visualizações para se obter mais das camadas que Terrence Malick entrega. Talvez seja melhor assisti-lo como um conjunto de peças que vão se encaixando mais por meio da sensação visual e dos temas enfocados e pelas atuações, não se dando tanta importância à ordem em que isso acontece: melhor seria acompanhar os trajetos indefinidos dos pássaros no céu, mostrados ao longo de todo o filme, em momentos diferentes. Como a vida, Malick não esclarece onde as relações começam ou terminam: é a própria viagem que se faz o importante. Os personagens conturbados necessitam apenas de uma ligação humana para darem sentido ao que vivem. O que se tem é mais um dos grandes momentos do cinema, uma amostra de como tornar um filme numa verdadeira experiência, muito em razão novamente da arte conjunta de Malick e Lubezki.

Este é considerado um “show de TV”, sobretudo porque é dividido em episódios. Mas Decálogo, de Krzysztof Kieślowski, também era dividido em episódios de TV e muitos o elegem como melhor filme dos anos 80. Twin Peaks é um experimento cinematográfico que apenas um canal de TV quis bancar, nos tempos modernos. Quem quiser o considera uma série de TV, mas, como diz Lynch, pode ser um filme de 18 horas, uma continuação direta de Twin Peaks – Fire walk with me (1992) e de Império dos sonhos, com o anjo de Laura Palmer pairando sobre a pequena cidade na divisa com o Canadá, em meio a visões de Carl Rodd (Harry Dean Stanton) e tentativas do agente Dale Cooper (Kyle MacLachlan) de voltar ao bom café. O diretor, o elenco, a fotografia, a trilha sonora e o design de produção são de artistas renomados do cinema. Twin Peaks é cinema que não chegou à tela grande – como várias grandes obras hoje. Das suas 18 horas, ao menos 10 são algumas das maiores peças audiovisuais da década. Da sala vermelha de Lynch à estrada perdida de Hitchcock, também é a história do cinema sendo recontada, passando pelo extraordinário momento em que o destino de Laura é selado. Neste momento, o cinema passa a não ser apenas cinema.