Personal shopper (2016)

Por André Dick

Uma das lendas propagadas por determinada crítica é de que Kristen Stewart se transformou numa boa atriz apenas quando iniciou sua parceria com Olivier Assayas em Acima das nuvens, justamente porque foi a primeira atriz norte-americana a receber o César, o Oscar do cinema francês. Pode-se lembrar, inclusive, das piadas feitas com ela numa cerimônia do Oscar, numa época em que poucos a consideravam como atriz. Outra lenda é de que ela se transformou numa atriz realmente após a série Crepúsculo. São avaliações equivocadas de quem certamente não assistiu a suas atuações em O quarto do pânico, Na natureza selvagemO silêncio de Melinda, feitos antes de Crepúsculo (série na qual tem a mesma base de interpretação, apenas com um roteiro de apelo mais pop), e em The Runaways, O lenço amarelo, Adventureland, Na estradaAmerican Ultra e Café Society, feitos ao mesmo tempo que ou após a série, nos quais apresenta atuações destacadas e de uma atriz que procura caminhos diferentes, embora mantenha um determinado estilo. Diante disso, a constatação é a seguinte: Stewart só teve seu talento valorizado quando destacada pelos franceses, igual a outros artistas desde o século passado.

Em Personal shopper, ela interpreta Maureen Cartwright, que perdeu o irmão gêmeo Lewis e tenta se conectar com ele por meio da mediunidade, elemento que ele também possuía. Ela trabalha exatamente como “personal shopper”, escolhendo roupas para uma celebridade, Kyra (Nora von Waldstätten), cujo namorado é Ingo (Lars Eidinger). O filme de Assayas mostra ela entre a tentativa de contactar o irmão, mas é muito mais sobre a falta de diálogo entre as pessoas vivas. Há um casal de amigos (Audrey Bonnet e Pascal Rambert), interessado em comprar a casa onde ela e Lewis viviam, mas Maureen quer primeiro reencontrar, de algum modo, o irmão. Essa tentativa de voltar à casa onde se morou retoma certamente um dos temas de Assayas em Horas de verão, sobre o reencontro de uma família, e as folhas amarelas de outono que caem na sacada do lugar representam essa mudança existencial.
Situado entre Paris e Londres, Personal shopper tem uma atmosfera muito interessante – uma mistura entre arthouse e obra sobre paranormalidade – e, além da belíssima fotografia de Yorick Le Saux, apresenta uma das melhores atuações de Stewart, atriz que certamente acrescentou a seu repertório um traço de atriz europeia, bem mais arriscado daquele a que o espectador está acostumado. É uma atuação comovente até determinado ponto, pois é sua busca pelo irmão a todo custo e contra qualquer vestígio material, mesmo tentando se manter ligada à ex-namorada dele, Lara (Sigrid Bouaziz).

Vaiado no Festival de Cannes de 2016, onde foi lançado e no qual recebeu o prêmio de melhor diretor (dividido com Cristian Mungiu, do excelente Graduation), Personal shopper talvez seja o filme mais estranho de Assayas. Ele está a todo momento contrapondo mundo material (roupas, joias) ao mundo espiritual (que se reflete em luzes e sombras, principalmente quando Maureen passa a noite numa casa vazia a fim de ver se recebe algum sinal do irmão), assim como usa smartphones e computadores como um meio de estabelecer relações com aqueles que existem (mas também inexistem), a exemplo de seu namorado Gary (Ty Olwin), que trabalha no Oriente Médio, ou não estão presentes e surgem a princípio como curiosidades para se transformarem em stalkers (as conversas durante uma viagem dela a Londres por meio de celular são especialmente bem feitas, utilizadas de maneira realmente funcional como no drama Homens, mulheres e filhos). A relação de Maureen com Kyra é tão fantasmagórica quanto qualquer matéria intangível: ao ser um manequim vivo da celebridade, Maureen vive de reflexos e de uma existência ao mesmo tempo vazia de vínculos. Ela se divide entre um ar resignado e sofrido (da mesma maneira que se apresenta no recente A longa caminhada de Billy Lynn) e procurando uma sexualidade que visualiza em Kyra.

O momento mais contundente neste sentido é quando ela resolve experimentar as roupas de Maureen no apartamento dela: é um diálogo com a tentativa de viver realmente como outra pessoa, embora seu drama pessoal seja não encontrar mais seu irmão. Com toques de suspense e assustador em determinadas sequências, Personal shopper tem características do melhor Assayas, aquele de Boarding gate, que também trazia a imagem de uma mulher solitária num universo do crime, e de Clean, sobre uma junkie que tem uma banda de rock com o marido e, depois de determinado acontecimento, encontra-se solitária. A obra de Assayas, apostando no drama em que é especialista, embora às vezes irregular, não deixa de ser um thriller disfarçado de Hitchcock por meio da paisagem parisiense, com toques de Leos Carax e seu Holy Motors, além de uma interessante analogia final com Oslo, 31 de agosto, por meio da presença do ator Anders Danielsen Lie. Assim como na obra de Carax, a tecnologia parece deixar o cinema “antigo” para trás: a sensação, aqui, é que Assayas está tratando do cinema digital em primeiro lugar por meio de uma trama instigante. Há uma cena que define isso: quando Maureen está diante de um acontecimento que mudará sua trajetória, há barulhos e luzes distantes que remetem a uma sala de cinema. O que estará acontecendo lá? Para Assayas, está acontecendo essa procura por sua própria identidade. É estranho, diferente e assustador, como Personal shopper.

Personal shopper, FRA, 2016 Diretor: Olivier Assayas Elenco: Kristen Stewart, Sigrid Bouaziz, Anders Danielsen Lie, Pascal Rambert, Lars Eidinger, Nora von Waldstätten, Ty Olwin, Audrey Bonnet Roteiro: Olivier Assayas Fotografia: Yorick Le Saux Produção: Charles Gillibert Duração: 105 min. Estúdio: arte France Cinéma / CG Cinéma / Detailfilm / Poisson Rouge Pictures / Scope Pictures / Sirena Film / Vortex Sutra

Café Society (2016)

Por André Dick

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Escolhido para abrir o Festival de Cannes em 2016, Café Society traz mais uma vez a marca de Woody Allen, que vem fazendo um filme a cada ano, em grande regularidade. Nesta década, especialmente, ele tem colhido elogios, por obras como Meia-noite em Paris, Blue Jasmine, Magia ao luar e Homem irracional. Em Café Society, Allen parece assumir algumas características não tão visíveis. Ele sempre procura mostrar pares românticos em suas histórias, em que a mulher normalmente costuma prender o homem a uma expectativa, e aqui não é tão diferente. Allen, ainda assim, consegue inovar dentro de seu roteiro padrão.
Jesse Eisenberg faz Bobby Dorfman, que sai de Nova York, nos anos 1930, para Los Angeles, a fim de trabalhar com o tio Phil Stern (Steve Carell), casado com Karen (Sheryl Lee, com pouca chance), um agente de talentos cada vez mais reconhecido. Ele segue para lá por indicação de sua tia, Rose (Jeannie Berlin), deixando para trás sua irmã Evelyn (Sari Lennick), casada com um professor de colégio, Walt (Richard Portnow), seu pai joalheiro, Marty (Ken Stott), e sua mãe, Rose (Jeannie Berlin). Phil pede que sua secretaria Veronica/Vonnie (Kristen Stewart) apresente Los Angeles a Bobby. Ela é o contrário de todos que conhece na cidade, uma jovem que está em busca de uma vida simples.

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No entanto, quando ele demonstra interesse, ela diz que tem um namorado jornalista, Doug. Bobby continua fazendo trabalhos para o tio, frequentando festas com estrelas, enquanto tem os olhos voltados apenas para Vonnie. As conversas incluem Judy Garland, Billy Wilder, DW Griffiths, Barbara Stanwyck e James Cagney, entre outros, bastante ágeis, graças à competência habitual de Allen em mesclar fantasia e realidade, o humor judaico e referências artísticas diversas.
A partir daí, há uma surpresa na narrativa e Allen mostra as desilusões e conquistas desse casal. Também surgem com mais definição na trama um irmão gângster de Bobby, Ben (Corey Stoll), que lembra exatamente um determinado personagem de Tiros na Broadway, e Veronica Hayes (Blake Lively, a revelação de Águas rasas).
As referências do diretor ao cinema dos anos 30 são apaixonadas, com uma trilha sonora embalada pelo jazz e um trabalho espetacular de fotografia de Vittorio Storaro, que remete aos melhores momentos de O conformista, dos anos 70 (quando mostra clubes noturnos e pistas de dança), e O fundo do coração (quando algumas situações ganham colorações diferentes), um desenho de produção belíssimo de Santo Loquasto, além do figurino brilhante e minucioso de Suzy Bezinger. Várias sequências lembram igualmente New York, New York, de Scorsese, dos anos 70. Storaro ilumina as passagens filmadas em Los Angeles, com uma alegria antes captada apenas em Barton Fink (em sua porção fora do hotel), enquanto Nova York se torna mais cinza e azulada, fora de um determinado clube noturno onde a história guarda seus momentos. Se pudesse haver um correspondente direto deste filme é Era uma vez em Nova York, com a diferença de a obra de Allen ser mais despretensiosa e bem construída.

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A impressão que se tem é que, depois de sua passagem pela Europa, principalmente após Meia-noite em Paris, Allen se sente mais cuidadoso com sua parte técnica. Nos anos 70, ele fazia comédias realistas, nos anos 80 alternou obras entre o drama bergmaniano e o humor, no entanto tendo sempre Nova York como ponto de encontro, e nos anos 2000, ao filmar O escorpião de Jade e Vicky Cristina Barcelona, ou 2010, quando esteve na ensolarada Itália (em Para Roma com amor), ele se transformou num autor com toque mais europeu do que antes já se entrevia nele e o qual satirizava em Dirigindo no escuro. Claro que já aparecia um certo cuidado nas ambientações, como em Tiros na Broadway e Poucas e boas, mas nunca com a maturidade de agora e com a beleza plástica de Café Society (em diálogo direto com Meia-noite em Paris).
Com um custo de 30 milhões, alto para os padrões de Allen, é lamentável que ele não tenha retornado em boa bilheteria (arrecadou apenas 20 até agora), mesmo trazendo uma dupla (Eisenberg e Stewart) que já deu certo em outros filmes, a exemplo de Adventureland e American Ultra. Outra vez a química do casal é excelente, e Café Society deve alguns de seus melhores momentos a essa interação.
Talvez esta bilheteria também se deva ao fato de Café Society não apresentar a mesma melancolia alegre do diretor e ator, nem exatamente seu melhor bom humor. Apesar de Eisenberg se esforçar em ser um Woody Allen na tela, e ele é realmente um grande ator, e Stewart oferecer certa graciosidade à sua personagem (sendo filmada por Allen e Storaro como uma diva dos anos 30), além de estar cada vez mais desenvolta (comprovando o talento que já exibe desde O silêncio de Melinda, em 2004), o filme se mantém num plano quase decepcionado diante da vida e dos possíveis sonhos de Los Angeles.

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Neste ponto, ele parece dialogar com um universo de sonhos não concretizados, e igualmente pouco amargo e sim otimista, mais no sentido de Blue Jasmine do que de Magia ao luar, por exemplo. Lively e Carell trazem boas atuações complementares, embora o segundo se sinta um pouco deslocado (ele substituiu Bruce Willis um pouco antes do início das filmagens) e sua ligação com o contexto nunca fique devidamente trabalhada, em razão da pressa narrativa com seu personagem. Eisenberg, sob esse ponto de vista menos afeito à carreira do diretor (que aqui atua como narrador também), mostra uma insuspeita melancolia, que faz com que tudo a seu redor se transforme em algo menos previsto do que ele gostaria, exibindo a versatilidade já exibida este ano ao interpretar o vilão de Batman vs Superman, Lex Luthor. Ele lida com um personagem que simplesmente vai amadurecendo, com a companhia de amigos como o casal Rad (Parker Posey) e Steve Taylor (Paul Schneider), sem exatamente mudar, e Allen, por meio de uma montagem ágil em todos os aspectos, emprega sua presença como aquela que imagina ser a de um jovem em plena época da depressão, com sua vontade de se transformar em alguém. Entre sonhos na capital do cinema e dedicação ao universo gângster, Café Society mostra que todos os personagens estão à procura de si mesmos. Não é algo novo na filmografia de Allen, contudo é mais denso do que poderia ser um retrato apenas bem-humorado dos anos 30.

Café Society, EUA, 2016 Diretor: Woody Alllen Elenco: Jesse Eisenberg, Steve Carell, Kristen Stewart, Corey Stoll, Blake Lively, Paul Schneider, Parker Posey, Ken Stott, Jeannie Berlin, Paul Schackman, Sheryl Lee Roteiro: Woody Allen Fotografia: Vittorio Storaro Produção: Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum Duração: 96 min. Distribuidora: Imagem Filmes Estúdio: Gravier Productions

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American Ultra – Armados e perigosos (2015)

Por André Dick

American Ultra

A parceria entre Jesse Eisenberg e Kristen Stewart já proporcionou um filme referencial sobre adolescência chamado Adventureland (lamentavelmente traduzido no Brasil como Férias frustradas de verão, como se fosse uma continuação da série da família Griswold). Em American Ultra – Armados e perigosos, eles retomam essa parceria fazendo um casal apaixonado, Mike Howell e Phoebe Larson. No entanto,  como o Truman de Jim Carrey, Mike não consegue nunca sair de sua cidadezinha, Liman, onde trabalha numa loja de conveniência, pois sempre acaba tendo uma surto de pânico, e tem receio de pedir a mão da namorada em casamento. Determinado dia, surge Victoria Lasseter (Connie Britton), que pretende avisá-lo sobre algo que está para acontecer em sua vida e utiliza para isso uma série de códigos, a fim de que ele possa relembrar seus talentos escondidos.
Embora o trailer anunciasse mais uma comédia, com o casal em ritmo de Doc Sportello, de Vício inerente, o filme se destaca por ser um thriller de perseguição, American Ultra tem boa direção de Nima Nourizadeh (Project X) e um punhado de boas ideias, mesmo que elaboradas com uma pressa narrativa. Há algumas comparações com A identidade Bourne, e realmente tem pontos de semelhança. Muito violento, ele dialoga também com Kingsman, usando as brigas como ponto de comicidade, e com Hanna (e particularmente me parece superior a ambos). A pergunta é quem seria exatamente Mike, ou seja, qual o seu passado e o que ele esconde.

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À primeira vista, ele parece apenas parte de uma van saindo de Seattle para alguma turnê na época do grunge, mas seu estilo parece mais comedido e romântico, sempre interessado em agradar à sua namorada. Para responder a parte dessas respostas, podemos ter como referências Adrian Yates (Topher Grace), Raymond Krueger (Bill Pullman) e um programa de governo que treinava homens especializados em combate, intitulado Ultra. Em meio à sucessão de conflitos que se estabelece a partir dessa premissa, temos ainda Rose (John Leguizamo), o traficante de drogas de Mike, que junto com o amigo se vê envolvido nas mesmas questões. E são colocados no encalço de Mike Laugher (Walton Goggins) e Crane (Monique Ganderton). O problema é que Mike está mais interessado em se dedicar a seu projeto Apollo Ape, de quadrinhos, linguagem na qual o filme vai buscar seu caminho, principalmente em muitas sequências rodadas com um grande fluxo e uma passagem pelo lugar onde mora Rose, com seus grafites iluminados à noite. A pressa narrativa, no entanto, não tira desses personagens um acentuado sentido de abandono e isolamento de um mundo à parte, àquele ao qual pareciam pertencer e, diante dos novos fatos, não parece tão acessível de ser entendido.
É uma característica que está presente em A identidade Bourne, mas não exatamente no filme recente que mais se aproxima deste em sua concepção de mescla entre humor e ação: Kingsman. Além de tudo, o roteiro de Max Landis consegue agregar algumas outras referências, especialmente ao primeiro O exterminador do futuro na sequência de uma delegacia e alguns lances que poderiam ser pensados por Edgar Wright sobretudo em seu Hot Fuzz – Chumbo quente, em um supermercado. Nesse sentido, o acentuado humor ligado à tensão de algumas cenas poderia, sem dúvida, ter sido pensada pelo criador de Scott Pilgrim.

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Infelizmente colocado na lista de falhas na bilheteria do ano, a nova parceria de Eisenberg e Stewart é no mínimo curiosa e inteligente, fazendo jus ao seu marketing antecipado. Eisenberg oferece uma ótima atuação como de praxe, enquanto Stewart não deixa a parte dramática diminuir. Lamenta-se apenas que ela continue sendo colocada em segundo plano, quando já apresentou tantas atuações convincentes, como em O silêncio de Melinda e Runaways. Impressiona como o casal possui uma química interessante, não apenas neste como no anterior Adventureland (e não por acaso estará junto novamente no próximo filme Woody Allen). Há, junto com um roteiro que busca algumas surpresas em meio a clichês habituais, um cuidado visual muito interessante, principalmente na fotografia de Michael Bonvillain (de outro filme com Eisenberg, Zumbilância). Entre os coadjuvantes, Leguizamo e Topher Grace se destacam – mesmo que Grace repita os seus trejeitos já vistos principalmente na série em homenagem aos anos 70 pela qual é tão conhecido. No geral, é uma diversão descompromissada, visualmente interessante e bem feita, na qual se lamenta apenas que os personagens não sejam tão desenvolvidos, em razão do elenco talentoso. Do tipo de filme a que se assiste novamente sem reclamações.

American Ultra, EUA, 2015 Diretor: Nima Nourizadeh Elenco: Kristen Stewart, Jesse Eisenberg, Topher Grace, Monique Ganderton, Walton Goggins, Connie Britton, John Leguizamo, Bill Pullman, Nash Edgerton, Tony Hale Roteiro: Max Landis Fotografia: Michael Bonvillain Trilha Sonora: Marcelo Zarvos Produção: Anthony Bregman, Britton Rizzio, David Alpert, Kevin Scott Frakes, Raj Brinder Singh Duração: 95 min. Distribuidora: Paris Filmes Estúdio: Bridge Finance Company, The / Circle of Confusion / FilmNation Entertainment / Likely Story / Merced Media Partners / PalmStar Entertainment / PalmStar Media

Cotação 3 estrelas e meia

Na estrada (2012)

Por André Dick

O novo filme de Walter Salles parece sintetizar toda sua trajetória como cineasta, ao mesmo tempo em que aponta novos rumos. Baseando-se na célebre obra de Jack Kerouac, o diretor brasileiro – o que é ainda mais interessante, pois tentou-se levar o projeto adiante anteriormente com outros cineastas dos Estados Unidos, a exemplo de Gus Van Sant, sem nunca ter dado certo – mostra um período importante da cultura – sobretudo literatura – norte-americana. Kerouac é, até hoje, uma espécie de escritor (romancista e poeta) que ajudou a trazer novos autores à cena, e sua trajetória ajuda a contar um pouco da história da América.
Em “Notas sobre a geração beat” (Re-habitar, Azougue Editorial, 2005), o excelente poeta Gary Snyder escreve sobre o autor: “Quando seu romance On the road foi publicado em 1957, a palavra beat se tornou famosa da noite pro dia, e a América se deu conta de que tinha nas mãos uma geração de escritores e intelectuais que estavam rompendo com todas as regras. Esta nova geração era educada, mas se recusava a seguir carreiras acadêmicas ou negócios ou o governo. Ela publicava seus poemas em suas próprias pequenas revistas, e nem mesmo se preocupava em submeter obras aos grandes jornais pseudointelectuais estabelecidos, que por tanto tempo retinham o monopólio sobre a escrita de vanguarda”.
Para Snyder, as pessoas que leram a obra de Kerouac ficaram “ou assustadas ou encantadas”. Muitos dos que gostaram se mudaram para São Francisco, mas, segundo Snyder, os intelectuais de esquerda e os editores de jornais falaram que os beats eram irresponsáveis, apontando o jazz como decadente (“ao passo que ele é”, atesta Snyder, “uma das coisas mais criativas e profundas da América”), além de escrevem sobre “a imoralidade sexual e a delinquência e o uso de drogas pelos escritores jovens de São Francisco e de Nova York”.
Poetas como Snyder e Allen Ginsberg, autor do notável Uivo, e de muitos livros que influenciaram a tradição poética norte-americana, além de Michael McClure, Gregory Corso e Lawrence Ferlinghetti (autor de Um parque de diversões da cabeça, traduzido no Brasil tanto por Eduardo Bueno quanto por Paulo Leminski), reafirmam a importância da literatura beat, pois investem numa recriação da linguagem sem desperdiçar o que foi feito antes.
Portanto, diante de todo esse quadro, não era fácil a empreitada de Walter Salles. Livros como Duna e a trilogia de O senhor dos anéis foram adaptados, com muita expectativa gerada por fãs,  com recepção boa ou não por parte de público e críticas. Mas nenhum deles representa tanto para a cultura norte-americana quanto Na estrada – e talvez ele represente, para a literatura sobre jovens, a imagem que James Dean tem para o cinema. Pode-se dizer que Salles, com o apoio e a escolha do produtor Francis Ford Coppola (que detinha os direitos sobre o livro há décadas e tem interesse especial pelo cenário da juventude, a julgar por Vidas sem rumo e Peggy Sue), sai-se muito bem e, mesmo não tendo nascido dentro dessa cultura, tem um olhar universal. O primeiro elemento em que Walter se sai bem é não considerar esses personagens como gênios românticos. Mostrando a trajetória de Sal Paradise (Sam Riley) e Dean Moriarty (Garrett Hedlund), que são pseudônimos para Jack Kerouac e Neal Cassidy, da vida real, eles não  mostram nenhum elemento espetacular em sua trajetória. Pode-se ter a impressão de que esses personagens deveriam ser incríveis, pois antecipavam um movimento de grandes proporções culturais. Mas, na realidade, nenhum deles imaginava fazer parte do início de um movimento, ou seja, até certa medida, não havia nenhum tipo de ilusão de um sucesso posterior – caso contrário, essa experiência seria mecânica, não verdadeira. Deste modo, Walter Salles respeita esses personagens como respeitava Josué e a escrevedora de cartas Dora, de Central do Brasil. Para ele, não é porque esses personagens de Na estrada tinham aspirações culturais que eram melhores ou mais interessantes do que os de Central do Brasil.

Sal, que acabou de perder o pai e se encontra melancólico e sem inspiração para escrever – a escrita, no filme, representa uma etapa difícil, de crescimento, e sempre é preciso recolher os pedaços de texto espalhados ao longo da estrada –, conhece Moriarty, ex-presidiário, por meio do poeta Carlo Marx (pseudônimo de Allen Ginsberg, interpretado por Tom Sturridge), que ainda espera escrever um grande poema. Moriarty está em Nova York, recém-casado com Marylou (Kristen Stewart) e logo os dois se transformam em amigos: gostam ambos de jazz, e Moriarty quer aprender a escrever como Paradise, além de, afora suas aventuras sexuais, ter a expectativa de reencontrar o pai. Não por acaso, esses jovens pensam continuamente naqueles que chamam de “velhos”.
Carlo – apaixonado por Moriarty – sai em viagem com o casal e, quando Sal – querendo desbravar o Oeste – os reencontra, Moriarty já está com outra mulher, Camille (Kirsten Dunst). É o início de uma série de idas e vindas e reencontros, entre São Francisco, Nova York e outras cidades menores. Talvez a melhor parada seja na casa de Old Bull Lee (pseudônimo de William S. Burroughs, interpretado por Viggo Mortensen) e de sua mulher (Amy Adams). Mas o foco é sempre em Sal Paradise e suas mudanças de rumo ao longo da trajetória, precisando trabalhar em lugares diferentes – inclusive colhendo algodão, com uma jovem mexicana, Terry (interpretada por Alice Braga) com quem se envolve. E há as experiências sexuais, sobretudo a partir de Moriarty (e Walter Salles consegue, ao mesmo tempo, apresentar cenas mais fortes, até mesmo fora do padrão que vemos atualmente no cinema, sem em momento algum vulgarizar as imagens; a cena em que Moriarty está com outro personagem, feito por Steve Buscemi, é um trunfo de direção).
Como o poeta Snyder assinala, os “participantes [da geração Beat] viajavam livremente, vadiando de Nova York até a Cidade do México e até São Francisco – o grande triângulo – e viajavam ligeiro. Eles ficavam com amigos em North Beach, São Francisco, ou no East Side, em Nova York (a Greenwich Village dos beats, realmente uma favela) – e ganhavam seu dinheiro com quase qualquer tipo de trabalho. Carpintaria, trabalhos na via férrea, cortando madeira, serviços em fazendas, lavando pratos, controle de cargas – qualquer coisa servia”.
Nesse ponto, de ser fiel a todo um contexto (fazendo referências à economia americana do presidente Truman e ao comunismo, como no momento em que Sal para em frente a uma vitrine com televisões), Walter Salles acaba comprometendo em certa parte a narrativa, repetindo alguns cenários e algumas situações (sem desenvolver personagens, como o da mãe de Sal), o que não afeta a qualidade final de Na estrada.
Isso porque as viagens retratam, além da perda inicial, a perda da juventude, que se dá por meio da urgência e da constante insatisfação. É notório que Salles quer mostrar esse registro do que deve ser mantido pelo romantismo das ações, pelo ímpeto de mudança, em alternância com o que escapa da vida desses personagens. O que eles deixam para trás não será recuperado, e se isso já foi desenvolvido de forma interessante pelo cineasta em sua filmografia, ganha aqui uma amplitude ainda maior. Pois parece que esses personagens não estão na estrada para modificar especificamente suas vidas – tampouco, reitera-se, para constituir um movimento –, mas para entenderem que, em sua tentativa de esquecimento, do que deixam, a princípio, para trás, existe aquilo que mais permanece e os acompanha. Como a própria figura mítica do Oeste, que Sal Paradise, no início, quer conquistar – mas mítica não porque represente uma conquista de terras, por meio da violência, de combate a imigrantes e índios, e sim porque envolve o desenvolvimento da maturidade do personagem.
Ao longo do filme, Sal não se vê como grande escritor e, em determinado momento, quando Moriarty o visita, pedindo para que ele o ensine a escrever, acaba datilografando em sua máquina: “O caubói acha que sou gênio”. Não há – e ele sabe disso – genialidade: há, como mostra sua escrivaninha, muito mais leituras de Proust (de No caminho de Swann, o primeiro volume de Em busca do tempo perdido), de Joyce e de Rimbaud. Pois, para Walter Salles, que capta esse movimento beat de maneira exemplar, a criação conjuga experiência e leitura – e quem a coloca em prática não está afastado da estrada. Esses são personagens autocentrados, pouco complacentes e emotivos apenas por alguma circunstância que desconhecem. No entanto, provam que não há nenhuma espécie de literatura que não nasça da experiência.

Um exemplo é o de Carlo Marx/Allen Ginsberg, que deseja fazer a trajetória de Rimbaud pela África, enquanto o amigo Sal tem consciência de que a aventura de sua geração está em descobrir seu próprio país, querendo, na verdade, entender a perda de seu pai. No início, com o intuito de ter epifanias joycianas e paixões amorosas, Carlo ainda não sabe que esta estrada está de passagem. E, quando Sal vai para o México com Moriarty, talvez nos perguntemos se ele vai atrás de novas experiências ou se quer, inonscientemente, encontrar o resquício de Terry, a qual abandona. De qualquer modo, se para os personagens, parar é se estabelecer, apenas no caso de Moriarty ela significa o desespero de saber que a juventude está passando e que o compromisso se estabelecerá. Não é possível, como Moriarty observa desde o encontro com Walter, um saxofonista (Terrence Howard), no início, parar o tempo, mesmo com a música – o próprio ciclo das estações na estrada denuncia isso. Pois a Geração Beat, mais do que sua ligação com as drogas, a música e a liberdade sexual (“sexo, drogas e jazz”), esclarece o que realmente está por trás de uma pretensa irresponsabilidade, filtrada pelo tempo, pela dança – de Moriarty com Marylou e com Sal, no México – e a fúria do jazz, captada de modo poético e realista, em ambientes noturnos. Na ida para a Cidade do México, em 1950, Kerouac lia bastante Os cantos, poema épico de Ezra Pound, e fez um longo poema, intitulado “Mexico City Blues”. Em sua contracapa, quando o publicou, escreveu: “Quero ser considerado um poeta de jazz soprando um longo blues numa jam session de domingo. Faço 242 refrões; minhas ideias variam e às vezes passam de refrão em refrão ou da metade de um refrão para a metade do seguinte”. No primeiro deles, diz: “Cume Mágico da Ignorância / Cume Mágico / É o mesmo que não-Cume / Tudo uma luz / Velhas estradas esburacadas / Uma Estrada de Ferro / Linha Principal” (A nova visão: de Blake aos beats, Azougue Editorial, 2005).
Com uma direção de arte exemplar, reproduzindo fielmente o período em que se passa a história, figurinos notáveis e uma trilha sonora de impacto, assinada por Gustavo Santaolalla (também de Diários e de 21 gramas), Na estrada tem um estilo que, por vezes, lembra o de Na natureza selvagem, de Sean Penn, emulando, ao mesmo tempo, imagens captadas por Edward Hopper (em plantações à beira de estradas desertas; em trilhos de trem; em casas perdidas no campo; em postos de gasolina quase abandonados). Não é por acaso: o fotógrafo é o mesmo Eric Gautier (que trabalhou com Walter em Diários de motocicleta). Foi no filme de Penn que Walter viu Kristen Stewart e a convidou para o fime, e talvez seja com aquele  que Na estrada tente se parecer em determinados momentos, sobretudo em seu tom crescente de melancolia (também existente no livro). Havia, em Na natureza selvagem, um sentimento de Jack Kerouac e de Henry David Thoreau, mas ainda mais radical – o combate era contra a estrutura da sociedade, entretanto num ponto em que ela já não é mais aceitável sob nenhum aspecto, o que não acontece em Na estrada, que é um encontro com a própria cultura que desperta ao redor. Ainda assim, Gautier apresenta uma textura de imagens ainda mais impressionante do que em Na natureza selvagem e Diários de motocicleta: as estradas e paisagens do interior norte-americano nunca foram tão bem fotografadas – registrando, inclusive, a mudança das estações – do que aqui (talvez David Lynch tenha chegado próximo em História real).
E o elenco escolhido por Walter Salles, mesmo aquele que aparece em pontas, é de grande qualidade, a começar por Garrett Hedlund (que atuou de forma inexpressiva em Tron – O legado, ou seja, aqui parece outro ator), num desempenho sensível e extraordinário – sobretudo pela mudança de tom em diversas cenas, passando da alegria e do descompromisso à gravidade e preocupação, e pela cena final –, mas Sam Riley (como Sal Paradise) não faz por menos, sobretudo com seu olhar de complacência. Kristen Stewart se arrisca num papel difícil, sobretudo pelas cenas de sexo, das quais mesmo atrizes experientes fogem, mostrando que é uma atriz com condições de crescer (seus desempenhos em O quarto do pânico, Na natureza selvagem e The runaways já mostravam isso) – o momento em que ela reflete sobre as viagens olhando para um cantor country é memorável. Tom Sturridge, como Carlo Marx, é preciso, mesmo que com pouca participação, e Kirsten Dunst, cada vez melhor atriz (acentuando o tom dramático já visto em Maria Antonieta e Melancolia). Viggo Mortensen parece um tanto exagerado, forçando o sotaque interiorano, no papel de Old Bull Lee, numa participação inferior à de Amy Adams – porém, não chega a destoar e tem uma última participação em cena antológica.
Diante do que vemos, vale a pena lembrar o que diz o poeta Gary Snyder sobre a geração beat: ela seria “particularmente interessante porque não é um movimento intelectual, mas um movimento criativo: pessoas que cortam seus laços com a sociedade respeitável para viver um modo independente de vida, escrevendo poemas e pintando quadros, cometendo erros e se arriscando – mas não encontrando nenhum motivo para apatia ou desânimo”. De certo modo, como em toda transgressão, os autores beats viajavam (em todos os sentidos) porque também fugiam – o que Walter Salles sutilmente apresenta ao longo de todo Na estrada – e acabaram sendo inseridos também no universo que combatiam, por exemplo, o universitário, sendo, em certa medida, institucionalizados – como o foi Rimbaud, poeta recorrente no filme, em menções ou fotografias, que terminou a vida traficando armas e escravos na África e com a perna gangrenada. Mas eles são inseridos já com o significado de que algo entre as idas e vindas se modificou e de que o corte completo com a sociedade não é necessário quando por trás de um gesto existe um senso de mudança. Não é preciso concordar com suas atitudes para perceber que em qualquer fuga ou reencontro existe toda uma transformação. Mesmo que seja imperceptível para a maioria, é ela que realmente move.

On the road, EUA/BRA/FRA, 2012 Diretor: Walter Salles Elenco: Garrett Hedlund, Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Viggo Mortensen, Amy Adams, Steve Buscemi, Elisabeth Moss, Terrence Howard, Alice Braga, Tom Sturridge Produção: Charles Gillibert, Nathanaël Karmitz, Jerry Leider, Rebecca Yeldham, Walter Salles Roteiro: Jose Rivera Fotografia: Eric Gautier Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla Duração: 137 min. Estúdio: American Zoetrope / Film4 / MK2 Productions / Video Filmes

Cotação 4 estrelas e meia

Veja também Walter Salles: cinema na estrada.

Branca de Neve e o caçador (2012)

Por André Dick

Este filme baseado no conhecido conto de fadas dos irmãos Grimm tem o mérito de não ser desigual, ou seja, a narrativa nunca se desloca para um lugar não esperado. Daí, em parte, o filme ser interessante e previsível. Desde crianças, sabemos o que cerca a história de Branca de Neve: a bruxa má, a maçã envenenada, um caçador e os sete anões. O diretor estreante Ruppert Sanders se apega a essa estrutura clássica, mas lança contra a visão idílica dos estúdios Disney um contexto medieval bastante pesado – e em muitos momentos soturno. Ou seja, os personagens do mal querem provar que realmente são do mal (a começar pela bruxa, interpretada por Charlize Theron, e seu irmão, feito pelo ótimo Sam Spruell), indo contra a vida a princípio cômoda de Branca de Neve (Kristen Stewart, em bom momento, como aquele que vimos em Na natureza selvagem e The runaways), filha do rei que será deposto exatamente pela bruxa.
O início, com uma cena de batalha que emula a primeira de Gladiador, tem um ritmo bastante rápido – e o filme tem uma agilidade notável até em torno de 30 minutos, quando a personagem chega à Floresta Negra, onde quase ninguém entra. Neste momento, Sanders adota uma opulência visual que remete aos melhores momentos de O senhor dos anéis – série a que o filme deve bastante, em seu visual e mesmo tentativas de humor – e Willow – filme semiesquecido com produção de George Lucas. Daí, quando o caçador vem a mando da bruxa tentar prendê-la, o filme se alça a uma tentativa de criar um enlace entre os dois, no que o diretor é bem-sucedido em parte: o caçador, feito por Chris Hemsworth (que faz o Thor), tem um contraponto mais leve nessa fantasia, mas não combina com a Branca de Neve cândida, que esteve durante boa parte da vida presa numa torre. Tirando esse detalhe, o filme encadeia boas sequências que resultam no encontro com os oito anões (a princípio), entre os quais está Bob Hoskins (em bom momento), quando todos vão para um ambiente que mescla O senhor dos anéis e mesmo Labirinto (o filme pop para crianças dos anos 80, com David Bowie) e Alice no país das maravilhas (afinal, Burton é um mestre na direção de arte). Sanders presta reverência a esses contos de fadas, e é o único momento em que o filme caminha para um ar meio inocente e ingênuo. Claro que a bruxa má quer acabar com esse esteio de filme, e Charlize está preocupada em mostrar que é uma atriz que mereceu o Oscar (por Monster). Mas ela está exagerada e caricata – quase fazendo o filme se perder completamente nos momentos em que está em cena. Suas caretas de desprezo e de contrariedade não chegam a colaborar no andamento da narrativa. E um par menos pretensioso – Kristen e Chris Hemsworth –, além dos atores que fazem os anões, consegue manter o ritmo que ia se perdendo, pois não quer afirmar sua presença.
Boa parte do êxito de Branca de Neve e o caçador reside neste contraponto e na belíssima fotografia de Greig Fraser – emulando a todo instante O senhor dos anéis, porém com cenas de batalha eficazmente detalhadas (sem mostrar, por outro lado, muita violência), que devem, como já se disse, a Gladiador – e mesmo a Cruzada e Robin Hood, todos filmes de Ridley Scott (mais lentos do que este, embora com imagens parecidas, sobretudo em certa fotografia de florestas e praias). Para um diretor estreante e para uma história que não renderia um filme tão efetivamente bem conduzido, Branca de Neve e o caçador fica na linha de boas obras de fantasia já feitas – o que é um mérito para uma produção que poderia não ser levada a sério.

Snow White and the Huntsman, EUA, 2012 Diretor: Rupert Sanders Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Ian McShane, Toby Jones, Nick Frost, Ray Winstone, Sam Claflin, Sam Spruell, Bob Hoskins, Eddie Marsann, Lily Cole Produção: Sam Mercer, Palak Patel, Joe Roth Roteiro: Hossein Amini, Evan Daugherty Fotografia: Greig Fraser Duração: 129 min.  Distribuidora: Paramount Pictures Brasil Estúdio: Roth Films / Universal Pictures

Cotação 3 estrelas e meia