Roda gigante (2017)

Por André Dick

A impressão que se tem é que, depois de sua passagem pela Europa, principalmente após Meia-noite em Paris, o diretor Woody Allen se sente mais cuidadoso com sua parte técnica. Nos anos 70, ele fazia comédias realistas, nos anos 80 alternou obras entre o drama bergmaniano e o humor, no entanto tendo sempre Nova York como ponto de encontro, e nos anos 2000, ao filmar O escorpião de Jade e Vicky Cristina Barcelona, ou 2010, quando esteve na ensolarada Itália (em Para Roma com amor), ele se transformou num autor com toque mais europeu do que antes já se entrevia nele e o qual satirizava em Dirigindo no escuro. Claro que já aparecia um certo cuidado nas ambientações, como em Tiros na Broadway e Poucas e boas, mas nunca com a maturidade de agora e com a beleza plástica de Café Society (em diálogo direto com Meia-noite em Paris) e agora com Roda gigante.

No filme, passado nos anos 1950, vemos a narração de um jovem salva-vidas, Mickey Rubin (Justin Timberlake), que trabalha na praia de Coney Island, perto de um parque de diversões, onde Ginny Rannell (Kate Winslet) trabalha num restaurante e seu marido Humpty (Jim Belushi) num carrossel, quando não está pescando. Mais: eles moram de frente para a roda gigante do lugar. Ela é mãe de Richie (Jack Gore), um piromaníaco, e determinado dia recebe a filha sumida de Humpty, Caroline (Juno Temple), fugindo do ex-marido, um gângster. Para Allen oferecer seu toque autoral, Mickey deseja ser escritor de peças de teatro e Ginny é uma ex-atriz.
As referências do diretor ao cinema dos anos 30 a 50 são apaixonadas, com uma trilha sonora embalada pelo jazz e um trabalho espetacular novamente da fotografia de Vittorio Storaro, que trabalhou com ele em Café Society e remete aos melhores momentos de O conformista, dos anos 70 (quando mostra o restaurante de Ginny), e O fundo do coração (quando algumas situações ganham colorações diferentes) e um desenho de produção belíssimo. Storaro ilumina o parque de diversões com uma alegria incomum, enquanto a casa dos Rannell tem tons mais azulados e vermelhos, de acordo com o sentimento sugerido, igual ao filme de Coppola. Este é um Adventureland de época e sem muitos amores a serem descobertos.

Neste ponto, Allen parece dialogar com um universo de sonhos não concretizados, e igualmente pouco amargo e sim otimista, mais no sentido de Blue Jasmine do que de Magia ao luar, por exemplo. No entanto, Roda gigante parece uma obra inacabada, embora Kate Winslet ainda seja uma boa atriz. Não se trata exatamente da escolha do diretor, mas porque, ao longo do filme, Allen usa uma série de elementos para que o espectador consiga identificar as mudanças de comportamento e tom de Ginny em relação às pessoas, dependendo de sua situação. Quando finalmente o espectador parece entendê-la, assim como seu encanto pela arte, ele pede para que entendamos, como em Blue Jasmine, que tudo aquilo que foi visto na verdade foi guiado por um certo desequilíbrio, sem que se elabore o que veio antes de sua vida com Humpty e depois para que se chegasse naquele ponto, sendo o comportamento dela apenas falho ou não suficientemente tratado. O homem, para Allen, nunca é responsável pela situação da vida alheia: seria apenas alguém que divaga sem solidez, e Humpty, que só pensa na filha, se torna cada vez mais violento.

Inicialmente, a situação de Ginny destoa do tom ameno, embora amargo, de todo o filme, tornando-se um estudo de caso frustrante. Allen parece não querer dar espaço a um tema pesado, tentando se desapegar da preocupação da personagem de enfrentar seu sonho (a atuação, o mundo da arte) para, enfim, reduzir todos os personagens a um ponto de interrogação e conscientes de uma vida que o diretor considera plana. Para ele, Ginny, como o filho, é uma fonte de destruição e não se deve ouvi-la nem ampará-la. A atuação de Kate Winslet nos diz o contrário do que entrega o diretor: embora ela queira falar, ele não permite. E, se Timberlake só oferece uma real atuação em A rede social, não convencendo aqui como um aspirante a dramaturgo e prejudicando cada cena com Winslet, Belushi não chega a ser o elo fraco, parecendo até divertido como em alguns momentos de Twin Peaks. A parte menos interessante fica a cargo de uma subaproveitada Temple, com uma personagem um tanto dispersa. E o Allen com tom moralista, que torna os personagens apenas em símbolos do que gostaria de transmitir – aquele de Crimes e pecadosMemórias Match Point – é, sem dúvida, o menos atrativo, extraindo toda a energia que poderia haver na estrutura de Roda gigante.

Wonder wheel, EUA, 2017 Diretor: Woody Allen Elenco: Jim Belushi, Juno Temple, Justin Timberlake, Kate Winslet Roteiro: Woody Allen Fotografia: Vittorio Storaro Produção: Letty Aronson, Edward Walson, Erika Aronson Duração: 101 min. Estúdio: Gravier Productions, Perdido Productions Distribuidora: Amazon Studios

Beleza oculta (2016)

Por André Dick

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Depois de dois sucessos de bilheteria, O diabo veste prada e Marley e eu, o diretor David Frankel se tornou uma espécie de representante daquele nicho que mistura drama e comédia, potencializando essas características em Um divã para dois, com Meryl Streep, Tommy Lee Jones e Steve Carell em ótimas atuações. Talvez por isso ele tenha desapontado tanto a crítica em geral quando resolveu ingressar no drama em Beleza oculta, visto em geral como um filme que desperdiça seu grande elenco.
A história de Beleza oculta apresenta um publicitário, Howard Inlet (Will Smith), em dificuldades pessoais depois de perder a sua filha ainda criança. Seus parceiros Whit Yardshaw (Edward Norton), Claire Wilson (Kate Winslet) e Simon Scott (Michael Peña) não se preocupam apenas com Howard, mas com o destino da agência onde trabalham, na qual ele só aparece para montar dominós em escala gigante. Os três decidem contratar uma detetive particular, Sally Price (Ann Dowd), para colher provas de que Howard está mentalmente desequilibrado.
A investigadora descobre que ele escreve cartas para o Amor, o Tempo e a Morte, conceitos com que lidava na agência durante seu período mais tranquilo. Então, seus colegas contratam três atores – Raffi (Jacob Latimore), Brigitte (Helen Mirren) e Amy (Keira Knightley) – para atuarem como Tempo, Morte e Amor, respectivamente. Amy está especialmente em dúvida se seguirá o que estão solicitando, mas é Brigitte que toma a dianteira para tentar provar que, além do dinheiro a ser recebido, este pode ser um real trabalho de interpretação.

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Whit, Claire e Simon também enfrentam seus problemas pessoais: Whit quer estabelecer uma ligação com sua filha Allison Yardshaw (Kylie Rogers), Simon tem um segredo sobre sua vida; e Claire está atrás de doadores para que possa engravidar. Enquanto isso, Howard não sabe se frequenta um grupo de apoio, em que Madeleine (Naomie Harris) é a organizadora. Ele simplesmente não consegue dizer o nome da filha nem elaborar o que aconteceu a ela com os amigos. Frankel coloca os três colegas de Howard dando conselhos aos atores para que possam interpretar seus papéis de maneira convincente. Mais do que Howard, é eles, por outro lado, que necessitam dos conselhos do Tempo, do Amor e da Morte – e nisso o filme se justifica, colocando-os em diferentes situações.
São justamente esses personagens que gostariam que sua vida fosse transportada para o teatro, a fim de que não precisassem enfrentar a realidade, que inclui a depressão de Howard. Todos, de certa maneira, enfrentam o luto em suas vidas de algum sonho não realizado, e a agência de publicidade se projeta como o símbolo disso. Você vai ver Kenneth Lonergan trabalhar isso de maneira crua em Manchester à beira-mar; aqui, o tratamento é claramente apelando para a fuga da realidade.

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Esta é uma história claramente implausível, feita em cima de conceitos sobre a vida, mas Frankel não deixa de colocar um interesse em cada ação dos personagens e faz atingir um sentido de grandeza em muitos momentos. Assim como em seus outros filmes, ele sabe construir uma atmosfera, e em Beleza oculta o pano de fundo é a época natalina, uma época justamente em que vêm à tona lembranças familiares mais do que em outros períodos. Os seus personagens interagem com esse ambiente: por exemplo, mesmo enfrentando essa fase difícil em sua vida, Howard tenta se reanimar pedalando por Nova York, na contramão de carros ou sobre pontes. Registrada pela fotografia excelente de Maryse Alberti (responsável por dois ótimos trabalhos, em Creed e A visita), a atmosfera contrasta com os sentimentos dele, que não consegue nunca ser colocados à prova. Pode-se dizer, por um lado, que ele é discreto ao revelar sentimentos dos personagens, mas, ao mesmo tempo, contundente: sobretudo quando coloca Helen Mirren na figura da Morte.
De qualquer modo, é Will Smith, do elenco, que apresenta a melhor atuação, como em Esquadrão suicida: apesar de seu personagem ter alguns comportamentos estranhos, o ator estabelece um padrão interpretativo que lembra seus melhores momentos em Ali. Pode-se sentir a angústia de Howard por causa de Smith, mas num nível mais extremo daquele que vemos em À procura da felicidade e mais efetivo do que em Um homem entre gigantes, quando tentava emular um sotaque etíope e muitas vezes não dava certo. Ele não seria também individualista e egoísta vendo seus amigos numa situação complicada? Smith trabalha essa faceta muito bem. Não muito longe, fica Naomie Harris, de Moonlight, no papel da delicada Madeleine.

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Apesar do tom francamente dramático, não escapa à narrativa certo senso de humor, por exemplo na conversa de elevador que Whit procura ter com ele ou naquele momento em que Howard quer desvencilhar do Tempo, e Jacob Latimore aparece para importuná-lo. Helen Mirren tem uma atuação também comovente como a atriz que interpreta a Morte, embora Knightley e Norton sejam especialmente subaproveitados numa ligação cuja intensidade fica subentendida e logo é deixada de lado por Frankel e pelo roteiro.
Em alguns momentos, Beleza oculta evoca Simplesmente amor, pela ligação entre os personagens, mas sua proximidade é maior de filmes de James L. Brooks, principalmente Como você sabe, principalmente pelos cenários nova-iorquinos. E, claro, não é isento de falhas: em algumas resoluções simplistas, na tendência, algumas vezes, a querer que o espectador se comova, independente do que está assistindo. Ainda assim, ele possui uma humanidade interessante e particularmente tocante, mais do que outros projetos que se alimentam dessa ideia. Não é mais tão comum mais obras que tratam da sensibilidade em relação aos outros e das oportunidades que surgem e devem ser seguidas: Beleza oculta é uma delas.

Collateral beauty, EUA, 2016 Diretor: David Frankel Elenco: Will Smith, Edward Norton, Helen Mirren, Keira Knightley, Michael Peña, Naomie Harris, Kate Winslet, Jacob Latimore, Ann Dowd Roteiro: Allan Loeb Fotografia: Maryse Alberti Trilha Sonora: Theodore Shapiro Produção: Allan Loeb, Anthony Bregman, Bard Dorros, Kevin Scott Frakes Duração: 97 min. Distribuidora: Warner Bros. Estúdio: Anonymous Content / Likely Story / Overbrook Entertainment / PalmStar Media / Village Roadshow Pictures

cotacao-4-estrelas

Steve Jobs (2015)

Por André Dick

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O roteirista Aaron Sorkin realizou o roteiro de três filmes especialmente admiráveis, Questão de honra (1992), A rede social (2010) e O homem que mudou o jogo (2011). E também fez o roteiro do muito interessante – embora não no nível desses anteriores – Jogos do poder, além das séries referenciais de TV The west wing e The newsroom. Não parecia haver melhor nome para fazer um roteiro sobre a vida do grande nome da informática Steve Jobs. À frente da direção, o inglês Danny Boyle, de Trainspotting, A praiaQuem quer ser um milionário? e 127 horas, pode ser sinal ao menos de competência visual.
Este filme, que vem logo depois da obra sobre o nome da informática interpretado por Ashton Kutcher, inicia em 1984, quando Steve Jobs está para apresentar uma de suas criações da Apple Macintosh e nos bastidores precisa lidar, com a ajuda da assessoria de Joanna Hoffman (Kate Winslet) não somente com um artigo da revista Time sobre a paternidade de Lisa (a ótima Ripley Sobo), filha que teve com Chrissan Brennan (Katherine Waterston), da qual nega ser o pai. Além disso, a tensão recai sobre o engenheiro Andy Hertzfeld (Michael Stuhlbarg), cobrado ostensivamente por Jobs, uma vez que Sorkin não deixa dúvidas de imediato que estamos diante de alguém com um rigor inabalável e uma maneira complicada de lidar com as pessoas.

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Isso é reiterado quando ele se encontra com o cofundador da Apple, Steve Wozniak (Seth Rogen), que pede a Jobs para reconhecer a equipe do Appple II, enquanto o CEO da Apple, John Sculley (Jeff Daniels, em raro momento), tenta comover Jobs. Como comover Jobs? Para Sorkin, eis um homem que tem muitas falhas, e o roteiro inicial deseja expô-las didaticamente, mas cujas nuances podem deixá-lo complexo. Este início é tão bem teatral e esquemático – em outros momentos isso não seria ruim – que acaba por derrubar Steve Jobs do alto de onde imaginaria estar.
Eis aí um dos problemas: Sorkin é um roteirista que dá muito peso ao jogo de palavras e aos diálogos tensos e afiados. Em Steve Jobs, isso não é diferente. O problema é a maneira como eles são filmados. Enquanto nos filmes anteriores havia uma tensão quase documental, como em A rede social e O homem que mudou o jogo, Boyle tem uma clara tendência a transformar parte de suas obras em um videoclipe estendido, pelo visual e pela maneira como focaliza. Os saltos temporais – o roteiro se desloca para 1988 quando Jobs esteve à frente da empresa NeXT, mostrando novamente seus problemas com a filha e depois para 1998, quando Lisa passa a ser interpretada pela convincente Perla Haney-Jardine – são bastante previsíveis e nem mesmo as possíveis reviravoltas finais, com Sorkin tentando desviar a atenção do espectador para o fato de que o roteiro é papel fino, Steve Jobs consegue ser brilhante como alguma criação à frente de seu tempo.

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Se Fassbender inicia com os maneirismos de seu personagem Archie Hicox em Bastardos inglórios, e sem nenhum sinal de originalidade que víamos em suas atuações em Prometheus, 12 anos de escravidão e Slow west, e termina como Cristof (o diretor do programa de O show de Truman feito por Ed Harris), pode-se dizer que, de forma surpreendente, a melhor atuação é de Seth Rogen, enquanto Daniels e Winslet estão altamente competentes, e Katherine Waterston, exclusivamente no início, faz lembrar os bons momentos de Vício inerente. Esse elenco precisa lidar com um roteiro com referências muitas vezes técnicas (os especialistas em informática talvez extraiam mais do filme), e de maneira geral costuma se sair bem. No entanto, Sorkin empresta uma estrutura muito previsível realmente a eles. Tudo é tão planejado e encaixado e as relações que se mostram ao longo de um certo tempo tão teatrais que se torna claro: não é exatamente a criatividade da ideia (existente, pois mostra como pessoas se apegam a determinadas situações, lugares e pessoas sem notar), e sim a maneira como é apresentada, de maneira apressada e desigual. Há um componente teatral de muito vigor, que dialoga às vezes mesmo com Birdman (os bastidores de uma apresentação e a vida intermediada por várias dessas interpretações). Nesses atos divididos claramente, Sorkin deseja jogar com os mesmos temas envolvendo amizade e traição assistidos em A rede social, porém David Fincher (que foi o primeiro diretor cogitado para este Steve Jobs) localiza algo de mais humano e trágico, quando Boyle, como na maior parte de sua trajetória, com exceção de seu filme de estreia, Trainspotting, é muito técnico; a questão é não se sentir os diálogos do melhor modo, nem existe a passagem de um mundo universitário para uma descoberta envolvendo uma rede de contatos maior.

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Ou seja, Steve Jobs se sente com os personagens excessivamente conscientes de seu papel, sem deixar muito espaço para a discussão de quem pode ter feito algo capaz realmente de mudar o rumo das coisas. Rogen, como ator, é um dos poucos capaz de oferecer essa dimensão à história, o que Fassbender consegue apenas em alguns momentos. O personagem de Rogen, Wozniak, acaba fazendo o elo real e emotivo dessa história sobre a disputa existente por trás de criações associadas à mudança da humanidade em todos os planos, partindo do universo informatizado ou apenas de um desenho no paint. Para Boyle e Sorkin, Steve Jobs só conseguia expressar suas emoções quando via sua vida representada por números, equações e telas em movimento para o ser humano tocar. É uma perspectiva, mas, sem dúvida, a história acaba, por isso, reduzindo sua persona.
De qualquer modo, mais especificamente, o meio do filme de Boyle é realmente um problema, pois, além da atuação de Fassbender decair, a presença de Rogen diminui e a personagem de Winslet se torna apenas um complemento, não parte do centro, como na primeira parte. Isso não tira a competência de Steve Jobs para mostrar o panorama de épocas diferentes, trazendo um ato final mais interessante, reflexivo e movimentado, embora exagere em muitos momentos – a plateia batendo os pés antes de Jobs subir ao palco e mostrar mais uma de suas criações – e Fassbender, em certos momentos, não ajude, o que faz diferença, pois aparece durante o filme todo, sendo talvez o maior desapontamento, à medida que deveria ter sido o maior acerto de Boyle na escolha do elenco.

Steve Jobs, EUA, 2015 Diretor: Danny Boyle Elenco: Michael Fassbender, Kate Winslet, Katherine Waterston, Jeff Daniels, Seth Rogen, Michael Stuhlbarg, Perla Haney-Jardine Roteiro: Aaron Sorkin Fotografia: Alwin H. Kuchler Trilha Sonora: Daniel Pemberton Produção: Christian Colson, Danny Boyle, Guymon Casady, Mark Gordon, Scott Rudin Duração: 123 min. Distribuidora: Universal Pictures Estúdio: Cloud Eight Films / Decibel Films / Legendary Pictures / Scott Rudin Productions / The Mark Gordon Company / Universal Pictures

Cotação 3 estrelas