Êxodo: deuses e reis (2014)

Por André Dick

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Desde Gladiador, Ridley Scott tem tentado repetir o sucesso com filmes relacionados à história da humanidade. Se no filme com Russell Crowe ele conseguia mesclar uma visão da Roma Antiga com o cinema de entretenimento de Hollywood, recebendo por ele o Oscar de melhor filme, no recente Êxodo: deuses e reis Scott tenta enfileirar as características já exibidas em Cruzada e Robin Hood. Do primeiro, há as cenas com visual magnífico incrustadas em algum ponto entre a Espanha e o Oriente Médio, e o segundo possuía a história mais densa sobre o ladrão da Floresta de Sherwood, embora não com a qualidade correspondente. Nos últimos anos, pelo menos desde o ótimo Falcão negro em perigo, Scott tem tentado produzir filmes com bastante desenvoltura e pouco espaçamento entre um e outro. Bastante criticado, Prometheus prometia trazer o cineasta a seus melhores anos, os que se situam entre Os duelistas e A lenda.
Scott nunca teve entre seus méritos o trabalho com o roteiro. Sua estreia em Os duelistas tem um visual magnífico, característico de sua obra, mas uma dificuldade de estabelecer conexões entre os personagens. O mesmo acontece em outras obras importantes suas, mas em Êxodo, pela preocupação em fazer o relato bíblico estabelecer uma ligação direta com o cinema de aventuras de Hollywood, parece que Scott não está preocupado exatamente com a história: surpreende que haja entre os roteiristas o talentoso Steven Zaillian (Tempo de despertar, A lista de Schindler e O homem que mudou o jogo). Talvez com preocupação de desagradar ao público mais religioso, Scott procura tornar seu filme muito mais propenso a não se envolver com nenhum dos lados retratados. Ou seja, Êxodo: deuses e reis lida com a narrativa bíblica de modo a não se incomodar ou ser incomodado – e, se há algumas liberdades maiores no que se refere ao Antigo Testamento, parece não ser exatamente a vontade de Scott em desafiar as versões oficiais, mas apenas para acomodar sua história a um amplo estado cinematográfico.

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É um filme ao mesmo tempo arrebatador – pela quantidade de belas imagens e um senso de design primoroso – e, pelos lapsos da história, com uma sucessão de diálogos não tão interessantes, problemático, na sua estrutura. A história inicia com uma batalha em que Moisés (Christian Bale) e Ramsés II (Joel Edgerton) terão, cada qual, um desfecho que interessa às profecias. O faraó Seti (John Turturro), pai de Ramsés II, confia mais em Moisés, no entanto o que acontece a partir daí é uma espécie de reprodução da história de Gladiador baseada nos relatos bíblicos. Moisés é enviado para Phitom, a fim de ter uma reunião com Hegep (Ben Mendelsohn), à frente dos escravos hebreus. A figura de Nun (Ben Kingsley) surge para tentar avisar Moisés sobre a profecia que o cerca, mas não consegue ser ouvido. Moisés se torna um exilado e, sem seguir nenhum preceito religioso, é procurado por Malak (Isaac Andrews), que configura a presença de Deus na história. Moisés acaba conhecendo seu amor, Zipporah (María Valverde), e recebe o chamado para defender os hebreus dos egípcios numa batalha que poderá ser épica. No entanto, são quase 130 minutos até a batalha, e Scott, além da tentativa de ser fiel ao relato bíblico, com ligeiras adaptações – e deve-se dizer que Aronofsky, em Noé, conseguia trabalhar melhor a passagem bíblica do dilúvio, com menos informações de que Scott dispõe em Êxodo – precisa fazer um filme de entretenimento.
Particularmente eficaz a atuação do elenco. Scott sempre foi um especialista em extrair boas interpretações, e Bale consegue demonstrar seu talento como em outras obras. Edgerton não tem exatamente uma sequência de diálogos, nem parece o mais adequado para o papel, mas tem certa presença de cena. E Mendelsohn é mais uma vez um vilão interessante, embora não traga exatamente nada de novo.  O restante do elenco, como o excelente Kingsley e Weaver, como a rainha Tuya, mãe de Ramsés II, aparecem desperdiçados e não ficam claras quais as intenções de Scott com os personagens suplementares. O que interessa a Scott, muito mais, é tornar a narrativa de Êxodo num conjunto de imagens espetaculares – e principalmente aquelas que lidam com Moisés em contato com as mensagens divinas, a primeira logo depois de subir uma montanha com as ovelhas, em que Scott o lança numa espécie de sono tenebroso, e a fotografia de Dariusz Wolski se encarrega de colocar Bale numa situação claustrofóbica.

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O que incomoda por vezes em Êxodo é o quanto não parece haver a conexão necessária entre alguns personagens, não apenas por causa do roteiro com lacunas, mas em razão da própria direção de Scott. Não saberia se uma versão estendida do filme – e há uma para Cruzada, do qual vi apenas o corte feito para os cinemas, irregular, considerada melhor – ajudaria a eliminar o incômodo da montagem ou das passagens mal esclarecidas. O filme, no entanto, tem alguns méritos bastante claros, além do design fundamentalmente interessante: quando são mostradas as dez pragas do Egito, Scott lida com um cinema não apenas calibrado em termos de efeitos especiais – todos, sem exceção, espetaculares –, mas impactante o suficiente para atrair a atenção do espectador. Do mesmo modo, quando Scott mostra inicialmente os personagens ou quando retrata os diálogos de Moisés com Malak, além daqueles em que revela os conflitos de Ramsés com sua cúpula política, há também bons momentos.
Scott parece reencontrar sua linha como artesão do cinema capaz de retratar cenários espetaculares, como aqueles que encontramos em suas ficções científicas (Blade Runner e Prometheus) ou em suas fantasias (A lenda). No entanto, em muitos momentos, ele opta por uma montagem que joga a narrativa para vários lados ao mesmo tempo. É uma maneira de contar que prefere muitas vezes os cortes e a ação, bastante evidentes quando se inicia a caçada aos hebreus, do que a contemplação. Nas cenas com as pragas que abatem o Egito, Scott consegue produzir sensações de espanto – como aquela que envolve os crocodilos – e coloca em prática seu talento para a reprodução de cenários históricos, como havia em 1492 – A conquista do paraíso, por exemplo, ou mesmo Cruzada, com fundo religioso. Mesmo A lenda era uma espécie de transposição para um universo fantástico do relato bíblico sobre Adão e Eva.

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Em determinados momentos, personagens desaparecem e reaparecem (a exemplo de Nun, Tuya e Josué, feito por Aaron Paul) sem motivação especial ou explicada, e as perseguições aos hebreus se sucedem com bastante barulho, numa certa desordem, mas Bale oferece ênfase à figura de Moisés quando é escolhido seu caminho, tentando reatar as pontas do roteiro proporcionado por oito mãos a Scott. E com Moisés há certamente as sequências que valem a pena, como todas em que encontra a figura de Deus em Malak, ou quando precisa enfrentar a própria humanidade para saber se deve escolher seu caminho longe da comunidade em que está estabelecido como pastor.
Se falta a síntese e a complexidade de embate que havia em Gladiador, além de personagens que não saiam de cena sem dizer exatamente a que vieram, Êxodo pelo menos se arrisca. O interessante é que possui problemas que um cineasta como Scott saberia resolver, mas aqui ele não parece estar à vontade para isso, possivelmente preocupado em descontentar correntes religiosas ou mesmo por problemas particulares (a perda de Tony, seu irmão, a quem o filme é emocionalmente dedicado). Ainda assim, Êxodo é o retrato de um cineasta que se propõe a fazer algo espetacular para ser visto – e a cena que evoca o Mar Vermelho é portentosa – e mostra uma preocupação de estabelecer eixos temporais dentro de seu cinema, desde a ficção científica, passando pelo mundo de fábulas, até retratos contemporâneos de qualidade, como Thelma & Louise, Falcão negro em perigo e Rede de mentiras. Só parece lhe faltar, em algumas obras, como as que tentam reproduzir Gladiador, o lado mais dramático que possa se encaixar com as imagens espetaculares ou a direção de arte.

Exodus: gods and kings, EUA/ESP/Reino Unido, 2014 Diretor: Ridley Scott Elenco: Christian Bale, Joel Edgerton, Aaron Paul, Sigourney Weaver, Ben Kingsley, Indira Varma, María Valverde, John Turturro, Golshifteh Farahani, Ben Mendelsohn Roteiro: Adam Cooper, Jeffrey Caine, Bill Collage, Steven Zaillian Fotografia: Dariusz Wolski Trilha Sonora: Alberto Iglesias Produção: Adam Somner, Mark Huffam, Michael Schaefer, Peter Chernin, Ridley Scott Duração: 149 min. Distribuidora: Fox Film do Brasil Estúdio: Babieka / Chernin Entertainment / Scott Free Productions

O grande Gatsby (2013)

Por André Dick

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A possibilidade de um leitor de F. Scott Fitzgerald gostar da nova versão de O grande Gatsby talvez seja a mesma de apreciar O curioso caso de Benjamin Button, de David Fincher, adaptado de um conto do escritor americano, que teria sido desvirtuado, estendido, ou seja, não se apresentou literalmente fiel. Há uma procura pelo material literário na adaptação que não pode se colocar como empecilho para os leitores atentos do livro, ou do escritor, mas não exatamente para quem não conhece com profundidade a obra. Assim, existem, em parte, exigências quanto à fidelidade da adaptação quando alguns livros  são vertidos para o cinema. Duna, de Frank Herbert, sofreu deste problema, com David Lynch sendo colocado como um talento promissor em decadência, em 2012 Walter Salles não teria seguido os passos de Jack Kerouac e neste ano a adaptação de Anna Karenina despertou polêmica por não respeitar Tolstoi.
O grande Gatsby está em voga porque, afinal, Baz Luhrmann decidiu refilmá-lo, teve uma bilheteria surpreendente e um novo impulso nas livrarias, depois de uma série de diretores ter tentado: a mais notável é a de 1974, com Robert Redford e roteiro de Francis Ford Coppola. Longe de ser um diretor discreto, Luhrmann conseguiu passar de um filme cuidadoso, Vem dançar comigo, a uma adaptação em ritmo juvenil de Romeu e Julieta, à superprodução de Moulin Rouge e Austrália. Particularmente, Moulin Rouge se apresenta ainda como um musical em que a alegria é consumida pelo cansaço, embora Austrália não se mostre o desastre como é chamado, apesar dos momentos piegas remetendo a O mágico de Oz. Sabemos, antes de assistir a um filme dele, que o exagero fará parte da trama e que, como vemos em O grande Gatsby, a produção é não menos do que memorável. Para quem conhece ou não Fitzgerald, O grande Gatsby se mostra um filme capaz não apenas de concentrar as atenções do espectador, apesar de irregular em algumas de suas escolhas, como apresentar algumas das melhores atuações do ano. O grande Gatsby não precisa ser necessariamente Fitzgerald, assim como Woody Allen pôde imaginá-lo como amigo de Gil Pender em Meia-noite em Paris, mas, ainda que com características próprias de Luhrmann, se mostra até mesmo como uma leitura bastante fiel, em sua espinha dorsal, ao livro de origem.

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Começamos a narrativa com Nick Carraway (Tobey Maguire, na melhor atuação de sua trajetória) numa clínica psiquiátrica, relembrando de sua experiência em Nova York, para trabalhar em Wall Street, e sua casa em West Egg, Long Island, numa espécie de flashback literário. Em Long Island, Nick mora ao lado de milionário que quase não sai à luz do dia, resguardando-se como um mistério. Durante uma festa para o qual é exclusivamente convidado – ao contrário de todos os outros –, e na qual encontra a golfista Jordan Baker (Elizabeth Debicki), por quem se demonstra inicialmente interessado, ele conhece Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). A ação se situa em 1922, ou seja, alguns anos antes da Grande Depressão, e Luhrmann desenha esse contexto com pompa e muitos fogos de artifício (sobretudo nessa festa em que os personagens se conhecem). A cidade de Nova York está começando a ter uma grande população, as ruas começam a ser tomadas por veículos de todos os tipos e o cenário se mostra cada vez mais grandioso, com inúmeros outdoors e luminosos, em imagens que lembram aquelas da Broadway de King Kong na versão de Peter Jackson, em atrito com o Vale das Cinzas, onde moram os operários. Carraway às vezes anda com Tom Buchanan (Joel Edgerton, belicoso), casado com sua prima, Daisy (Carey Mulligan, que, ao contrário de Drive, se mostra menos feliz, embora encaixada na pele de uma jovem entregue à alta sociedade), que também guarda segredos de todo o tipo, inclusive uma amante, Myrtle Wilson (Isla Fisher), casada com o dono de um posto de gasolina, George (Jason Clarke). Vigiados pelos olhos de TJ Eckleburg, esses personagens se mesclam, independente de classe em que estariam, embora a opressão se mantenha em cada parte e Tom avalie, em tom crítico, que Gatsby traz um “grupo heterogêneo” para sua mansão.
Nesta primeira parte, também pela presença ostensiva de Carraway, e Maguire consegue desenvolvê-lo bem, com seu estilo deslocado, há alguns dos grandes momentos de O grande Gatsby. Luhrmann consegue captar, por meio de seus olhos, a efervescência de um período de excessos e luxo. A primeira festa em que vai à casa de Gatsby é, com suas referências a Moulin Rouge e hip-hop ao fundo (a trilha mistura Jay-Z, Beyoncé, e ainda Lana Del Rey e Florence and the Machine, mas a era do jazz não sai exatamente prejudicada), excessiva, e ainda assim convence, atraindo o espectador para dentro da narrativa. É interessante reparar no preconceito extremo de Tom Buchanan em relação aos afro-americanos (que, junto com o grupo “heterogêneo”, ajuda a formar consideravelmente os Estados Unidos), e o filme destila, seja num carro, seja num clube por trás de uma barbearia, a sua imersão exata nesta influência cultural, que se dá tanto pelo jazz, no som de um trompete, quanto pelo hip-hop contemporâneo, às vezes negada. Do mesmo modo, quando Nick está num quarto de hotel e descobre sua segunda embriaguez. Luhrmann consegue, com uma densidade que me parece ausente em seus outros filmes, captar uma época de maneira talentosa, jogando cortes a todo instante em sua câmera, sobretudo nos primeiros quinze minutos, como se o sonho americano evocado por Fitzgerald dependesse dessa pressa e desse verão.

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É num dia de verão que Carraway encontra sua prima, em meio a cortinas brancas e raios de luz, com o vento entrando pela janela, e é durante esta estação que Gatsby faz todos seus lamentos e tenta redescobrir um amor perdido de juventude. Não se sabe exatamente quem é Gatsby: para alguns, é um criminoso; para outros, lutou na guerra; e para os incautos pode nem mesmo existir, ser apenas uma farsa. DiCaprio encarna essa indefinição existencial do personagem com uma agitação que já se entrevia no seu vilão de Django livre e pode-se dizer que O grande Gatsby desenha uma reviravolta em sua trajetória, do mesmo modo que Prenda-me se for capaz e Gangues de Nova York. Como Gatsby é um personagem que não consegue ficar imóvel, Luhrmann consegue estabelecer sua presença como a mais permanentemente presa ao passado. “Quero que o passado se repita”, diz ele a Nick, e sabemos, instantaneamente, que ele só tem olhos reais para a luz verde do farol de East Egg, do lado oposto da baía, a fim de avistar o que mais deseja. A sua imobilidade é uma fuga exatamente às festas que oferece em sua mansão, com milhares de convidados, ostentando taças de champanhe, com muita música, e nela pretende permanecer até mesmo o momento em que não é mais possível voltar atrás. Esta imobilidade também é uma saudação a Nick, que pega em cima de uma mesa um exemplar de Ulysses, de James Joyce, publicado no mesmo ano em que se passa a história e, ao que parece, o faz desistir, pelo menos momentaneamente, de sua carreira literária. Para ambos, este pode ser o verão definidor da existência, e para isso Luhrmann espalha não apenas fogos de artifício, temporais, charutos, copos com gelo e ventiladores tentando empregar um alívio à ameaça física entre alguns personagens, como também carros em alta velocidade, com a fotografia excelente de Simon Duggan (não vi o filme em 3D, mas, independente dele, alguns movimentos de câmera são criativos, e diria que as cores do filme ficam mais ressaltadas).
Nesse sentido, surpreende também a sutileza que Luhrmann emprega com um corte para o segundo andamento do filme, quase o avesso do primeiro, com sua espécie de depressão romântica, com todos os seus tons de cinza e invernais, extraindo do ar aquela sensação de um verão agradável: tudo se torna mais opressor. Embora a trama mostre-se neste ponto um pouco mais irregular, com algumas repetições na narrativa de Nick, e uma sensação de que Daisy poderia ser melhor explorada, tendo realmente a definição imaginária de um passado – e Mulligan desta vez não se mostra apta para extrair mais do material oferecido –, Luhrmann consegue atingir, depois de lançar alguns jornais na tela ao ritmo de Cidadão Kane, o lance definitivo da amizade que escapa às estrelas cadentes. O que se sobressai em seu filme, mais do que o visual e os exageros possíveis e do que o próprio Gatsby, é a posição de Nick diante dos fatos que se apresentam desde sua chegada a Nova York. Nesse sentido, seria um equívoco de leitura considerar que Gatsby seria o alter ego de Fitzgerald.
Num momento de concepção visual irretocável de Luhrmann, ele se concentra, da janela de um quarto, na vida das pessoas nas janelas do prédio logo em frente e se visualiza na rua, acompanhado pelo som distante de um trompete, dialogando com o trabalho artístico de Will Eisner (sobretudo O edifício e Avenida Dropsie). Acostumado a sempre observar de fora, ele passa a ser o presente da ação. É esta sensação que justamente lhe oferece Gatsby: ele passa a ser o centro do movimento, mesmo que dependa de outra personagem para isso. É ele exatamente a figura na qual Gatsby localiza seu passado e sua história, inclusive por meio de uma expressão recorrente em seus diálogos, como se fosse o retrato daquilo que Gatsby gostaria de ser, embora, em sua essência, sejam o mesmo: o milionário observa os cenários sempre de dentro para fora. Luhrmann consegue traçar essa aproximação apresentada por Fitzgerald de maneira bastante sutil e em pelo menos dois momentos, levando o espectador a se ver, depois de um verão de descoberta, o exílio no inverno para retomar justamente o que escapava a Nick: o passado. Sob esse ponto de vista, o filme de Luhrmann consegue mesclar, de maneira criativa, uma faceta divertida e descompromissada com outra mais dramática e de fundo inegavelmente romântico. O afeto pelo passado parece ser a única maneira de manter viva uma sociedade que abandonou as serpentinas e se entregou ao farol na escuridão, mas é por meio da sua luz projetada que esses personagens de O grande Gatsby conseguem ainda sentir com mais vitalidade.

The great Gatsby, EUA, 2013 Direção: Baz Luhrmann Roteiro: Baz Luhrmann, Craig Pearce Elenco: Leonardo DiCaprio,  Tobey Maguire, Carey Mulligan, Joel Edgerton, Isla Fisher, Jason Clarke, Elizabeth Debicki Produção: Baz Luhrmann, Catherine Knapman, Catherine Martin, Douglas Wick, Lucy Fisher Fotografia: Simon Duggan Trilha Sonora: Craig Armstrong Duração: 142 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: Bazmark Films / Red Wagon Productions / Village Roadshow Pictures

Cotação 3 estrelas e meia