It – Capítulo 2 (2019)

Por André Dick

Depois do grande sucesso de It – A coisa, já era previsível sua sequência. Na verdade, ele foi concebido para que ela existisse, dividindo o romance com mais de mil páginas de Stephen King entre as fases infantil e adulta, ao contrário da série em dois capítulos distribuída nas locadoras como filme em 1990, e muito assustadora, dirigida por Tommy Lee Wallace. Em It – Capítulo 2, do Clube dos Perdedores original, Mike Hanlon (Isaiah Mustafa quando adulto e Chosen Jacobs quando criança) foi o único a ficar em sua cidade, Derry, Maine, trabalhando como bibliotecário, além de ter problemas com drogas, por causa dos traumas com o palhaço Pennywise (Bill Skarsgård). Ele percebe, vinte e sete anos depois, que aos poucos a criatura está voltando à pequena comunidade para criar terror entre os habitantes, depois de um acontecimento com Adrian Mellon (o cineasta e ator Xavier Dolan).

Ele, então, avisa os antigos amigos. Bill Denbrough (James McAvoy e Jaeden Lieberher) tornou-se um escritor e é casado com uma atriz de destaque (Jess Weixler). Beverly Marsh (Jessica Chastain e Sophia Lillis) tem um casamento infeliz com Tom Rogan; Ben Hanscom (Jay Ryan e Jeremy Ray Taylor), que era perseguido pelo excesso de peso, trabalha como arquiteto renomado; Richie Tozier (Bill Hader e Finn Wolfhard) é um DJ de Los Angeles; Eddie Kaspbrak (James Ransone e Jack Dylan Grazer) continua um hipocondríaco à frente de uma empresa de limusines; e Stanley Uris (Andy Bean e Wyatt Oleff) virou sócio de uma firma de contabilidade. A primeira reunião se dá num restaurante chinês, com uma iluminação que cria, ao mesmo tempo, toda uma atmosfera de acolhimento e insegurança, com um desfecho surpreendente – e talvez seja a melhor sequência, aquele que melhor separa o que seria esta segunda parte da primeira. A fotografia de Checco Varese é grande, conseguindo inserir o espectador dentro da história, colhendo inspiração em George Romero (especialmente Creepshow) e Dario Argento, e a trilha sonora de Benjamin Wallfisch não se sente mais diluída de John Williams.

Também regressa Henry Bowers (Teach Grant), que perseguia o Clube dos Perdedores e está numa clínica, quando se sente estranho ao ver um balão vermelho flutuando em frente a uma das janelas do lugar – e balões vermelhos em It significam a presença de algo muito amedrontador.
Convencionou-se dizer que esta sequência é muito inferior ao original. Pode-se dizer que ele é realmente diferente – para melhor. O bom momento do primeiro filme de Amdy Muschietti, também responsável por este segundo capítulo, é quando a turma descobre que, além da amizade, tem em comum essa ameaça do palhaço. Até aí, a narrativa já construiu uma atmosfera eficiente e envolvente, o que significa que temos também pelo menos três cenas assustadoras e uma analogia com a violência paterna por meio de um banho de sangue que faz lembrar O iluminado.

Mesmo Bill Skarsgård funciona até este momento em que aparece mais discretamente. No entanto, aos poucos, percebe-se como o diretor na verdade se apoia demais em experimentos de nostalgia, como Os Goonies e Super 8, além de Stranger things (utilizando até mesmo seu ator principal, Wolfhard), para pretensamente fazer uma peça de terror que, a cada passo, aparenta ter sido realizada e decidida por um grupo de executivos em busca de uma franquia da maneira mais previsível e sintomática.  Ele salta do horror e do suspense para a comédia e depois para o drama não porque deseja uma síntese desses gêneros e sim porque deseja apenas agradar ao espectador, não de maneira criativa e sim apenas procurando seu desejo de rever imagens de crianças andando de bicicleta.
O que não existe em It – Capítulo 2 é essa atmosfera de filme infantojuvenil, que não combina com os elementos mais pesados. Enquanto no elenco original apenas dois atores se saíam bem (Jaeden Lieberher e Sophia Lillis), o elenco adulto é muito superior, a começar por McAvoy e Jessica Chastain, seguidos por Bill Hader e Jay Ryan. São atuações conflitantes, de pessoas que representam adultos abalados por um trauma de infância e que precisam voltar a locais marcantes do passado para tentar uma reviravolta contra Pennywise. E funciona. Muschietti empreende uma espécie de clima épico, sugerido pela extensa duração (quase 3 horas), para mostrar um clima de reunião que retoma flashbacks da infância, mas é, sobretudo, assustador, com diversas sequências realmente de terror, e não de diversão para contentar as plateias menos interessadas por isso e mais por ação disfarçada de suspense.

Trata-se de uma espécie de Linha mortal ou de Sobre meninos e lobos, com os adultos tentando entender o que ocorreu na infância, em sequências menos óbvias e visualmente mais ousadas, como aquela em que Beverly fica trancada num banheiro, com influência de Kubrick, remetendo a uma passagem da infância. Há outra em que Bill Denbrough entra numa espécie de mansão mal-assombrada num parque de diversões – e se trata de uma verdadeira composição aterradora que talvez gostaria de ter sido apresentada este ano em Nós. As bicicletas são substituídas por adultos se sentindo perdidos num ambiente antes familiar, e o bosque se mostra um espaço para a expectativa criada de que algo pode realmente acontecer. Apesar de incorrer em certos exageros próprios de sua filmografia, desde Mama, Mushiettetti tem aqui um olhar muito mais interessado por nuances. É isso que torna esta sequência muito superior ao filme de 2017.

It – Chapter Two, EUA, 2019 Diretor: Andy Muschietti Elenco: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, James Ransone, Andy Bean, Bill Skarsgård, Chosen Jacobs, Jaeden Lieberher, Sophia Lillis, Jeremy Ray Taylor, Finn Wolfhard, Jack Dylan Grazer Wyatt Oleff Roteiro: Gary Dauberman Fotografia: Checco Varese Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch Produção: Barbara Muschietti, Dan Lin, Roy Lee Duração: 169 min.  Estúdio: New Line Cinema, Double Dream, Vertigo Entertainment, Rideback Distribuidora: Warner Bros. Pictures

 

X-Men – Fênix Negra (2019)

Por André Dick

É preciso estar atento que X-Men – Fênix Negra está conseguindo ter uma aprovação de pouco mais de 20% no Rotten Tomatoes, o agregador de críticas que alguns utilizam para decretar a qualidade de um filme e não conseguem expor exatamente o motivo, a não ser o simples fato de que em algum lugar possa se encontrar uma opinião “consensual”, mesmo que cada espectador tenha motivos para pensar justamente o contrário. Isso parece prenunciar um desastre no mínimo constrangedor para o último filme realizado ainda na Fox do universo da Marvel, já que ela foi incorporada pela Disney, agora sua distribuidora.
A história inicia em 1975, mostrando Jean Grey (Summer Fontana) com oito anos de idade, no carro de seus pais, Elaine (Hannah Emily Anderson) e Dr. John (Scott Shepherd) quando há uma interferência de sua telecinesia na viagem. O resultado do acontecimento a leva para a Escola do professor Charles Xavier, em Westchester County, New York, destinada a crianças e jovens com habilidades especiais ligadas ao cérebro.

Transportada para 1992, a história acompanha os X-Men que estão para salvar um ônibus espacial, Endeavour, do desastre. Liderados por Xavier, Grey (Sophie Turner), agora conhecida como Fênix Negra, acaba por absorver os resíduos de uma explosão, tornando-se mais forte, para preocupação do mestre. Ficam sabendo disso após uma análise de Hank McCoy/Fera (Nicholas Hoult). Grey namora Scott Summers/Ciclope e é amiga próxima de Raven Darkhölme/Mística (Jennifer Lawrence). Essas relações já são desenhadas no filme X-Men – Apocalipse, quando Summers é levado por seu irmão, Havok (Alex Summers) para a escola de Xavier, assim que começa a ter problemas em manter seus olhos abertos, logo depois de uma sequência escolar que lembra o recente Homem de aço, de Snyder. Ele se aproxima de Jean, em razão dessa falta de adaptação. Aparecem de relance Peter Maximoff/Mercúrio (Evan Peters) e Ororo Munroe/Tempestade (Alexandra Shipp) e Kurt Wagner/Noturno (Kodi Smit-McPhee).
Grey não sabe que destino exatamente teve seus pais e passa a ficar preocupada com o que pode ter acontecido a ela. Isso a leva para uma tentativa de reencontrar seu pai em Red Hook, Nova York e ir atrás da ajuda de Erik Lehnsherr/Magneto (Michael Fassbender). Enquanto isso, segue em seu encalço a enigmática Vuk (Jessica Chastain).

Se a nova fase de X-Men teve uma trilogia dirigida inicialmente por Matthew Vaughn e continuada por Bryan Singer, e seus destaques sejam Primeira classe e Apocalipse, a criticada sequência com um dos melhores desenvolvimentos de personagens da série, este episódio dedicado à figura de Fênix Negra talvez seja o derradeiro no estilo desses personagens na Fox antes de ser vendida para a Disney. E, não contando com Singer na direção, mais afeito a um tratamento pop, embora de qualidade, apresenta no comando Simon Kinberg, que estreia como diretor, mas tem no currículo o roteiro dos dois episódios anteriores dessa nova fase de X-Men, além de X-Men – O confronto final (da primeira fase, dos anos 2000), com pontos parecidos com o desta nova obra no desenvolvimento da saga de Fênix Negra, além de trabalhos ótimos, como Sherlock Holmes, de Guy Ritchie. É curioso também que ele tenha produzido inúmeros filmes (a exemplo de Logan e Deadpool2) e escreva X-Men – Fênix negra. Nada – nem mesmo Vingadores – Ultimato – tem um ritmo tão contemplativo no universo Marvel quanto este episódio para uma figura feminina de destaque. Há um peso para as ações de cada personagem, um sentimento de culpa envolvendo lembranças familiares e ser aluno de um mestre. Esse ritmo vem acompanhado de ótimas atuações, como as de McAvoy, Fassbender, Turner e, principalmente, Jessica Chastain, além da trilha sonora de Hans Zimmer, capaz de dar profundidade a sequências de ação e explosões, aqui com ótimos efeitos visuais, sobretudo no terceiro ato.

Como no filme anterior, subestimado, Prof. Xavier, na tentativa de dar uma certa tranquilidade aos novos mutantes, é uma espécie de figura que complementa a de Magneto: se este não deseja revelar seus poderes, o professor pretende que os mutantes sejam, afinal, considerados como parte do mundo. Um dos problemas que havia lá – e que não se repete aqui – é que os personagens quase não possuíam cenas em conjunto. Agora essa aproximação dos alunos de Xavier mostra, ao mesmo tempo, uma tentativa de independência, assim como a tentativa do professor em convencer Magneto a ficar novamente de seu lado no embate continue. Se o duelo masculino prossegue entre eles, Fênix Negra e Vuk protagonizam o duelo feminino, ligado a uma figura do passado da personagem central. O roteiro não trabalha com os excessos de tramas de Apocalipse e prefere focar bem em alguns personagens. Desse modo, em X-Men – Fênix Negra novas surpresas ocorrem nesse campo de ligações anteriores e com uma dose a mais de introspecção, não notada desde Logan pelo menos entre as produções da Marvel ligadas inicialmente à Fox. É justamente essa característica que torna o filme tão interessante do ponto de vista do desenvolvimento e, justamente ao contrário da obra com Hugh Jackman, o que surpreendentemente suscita tantas críticas injustas.

Dark Phoenix, EUA, 2019 Diretor:  Simon Kinberg Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Jessica Chastain, Summer Fontana Roteiro: Simon Kinberg Fotografia: Mauro Fiore Trilha Sonora: Hans Zimmer Produção: Simon Kinberg, Hutch Parker, Lauren Shuler Donner Duração: 114 min. Estúdio: 20th Century Fox, The Donners’ Company, Marvel Entertainment, TSG Entertainment Distribuidora: Walt Disney Studios Motion Pictures

Vidro (2019)

Por André Dick

O universo do cineasta M. Night Shyamalan sempre teve como base uma mistura entre realidade e fábula. Isso fica claro não apenas em A dama na água e O último mestre do ar, mas, principalmente, A vila, filme campestre de suspense e terror, com grande elenco. Trata-se de uma vila, da qual as pessoas que nela moram não podem sair, cercada por grandes cercas e sempre com um vigia à noite, pois monstros podem atacar. Já é possível ver que a história  lida com o imprevisível, mas William Hurt e Sigourney Weaver, como os mandantes desta vila, concedem credibilidade aos diálogos. Um dos jovens (Joaquin Phoenix) acaba ferido por um rapaz excepcional (Adrian Brody), que está apaixonado por uma jovem cega (Bryce Dallas Howard). Ela se disponibiliza a sair da vila para buscar remédios, embrenhando-se na floresta assustadora. O figurino é adequado para isso (todo amarelo) e é interessante imaginar que estejamos em algum século passado para vermos o modo como essas pessoas agiam.

De certo modo, essa captura de uma realidade sob a camada fantasiosa já se encontrava em Corpo fechado, no qual Bruce Willis agia como um homem com um poder: ao tocar nas pessoas, consegue ver imagens capazes de identificar se são boas ou más. Em Fragmentado (a partir daqui, spoilers ligando os filmes), uma inesperada sequência de Corpo fechado, o personagem feito por James McAvoy, Kevin Wendell Crumb, se dividia em múltiplas personalidades, principalmente “a besta”. O foco era no sequestro que ele fazia de três jovens, Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy). Crumb está de volta em Vidro, assim como o personagem David Dunn (Bruce Willis) e seu rival Elijah Price, o Sr. Glass (Samuel L. Jackson), rivais em Corpo fechado, uma espécie de estudo cinematográfico sobre as HQs antes de elas virem ajudar a coordenar a forma como se organiza a indústria contemporânea.
Inicialmente, Shyamalan mostra Dunn procurando Crumb depois que este escapou do zoológico, sob vigia do filho, Joseph (Spencer Trate Clark). Antes guarda na Filadélfia, agora ele é dono de uma loja de equipamentos de segurança e vai encontrar novas vítimas da “besta” quando o carrega preso. No entanto, acabam parando no Hospital Psiquiátrico Ravenhill, sob investigação de Ellie Stapple (Sarah Paulson), onde se encontra internado Glass. De maneira inesperada, Shyamalan estabelece contatos entre personagens de filmes diferentes, construindo uma trilogia jamais esperada, considerando-se que Stapple dialoga com a psiquiatra Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley), do filme anterior.

Do mesmo modo, quando coloca Casey (novamente Taylor-Joy) querendo ajudar Crumb, mostra uma interessante aproximação da mulher do universo dos quadrinhos enfocado principalmente em Corpo fechado e expandido aqui de modo ágil, também por meio da mãe de Price (Charlayne Woodard). Vidro consegue ser o estudo sobre três personagens, ligados por imagens de infância definidoras para seu comportamento, mesclando suspense e elementos de terror, sem nunca parecer uma obra derivada – mesmo que a visão de infância de Glass remeta ao parque de diversões de A fúria, de De Palma, uma clara influência aqui, e aos flashbacks de Casey em Fragmentado, quando os animais a serem abatidos numa caçada não eram tão ameaçadores quanto um determinado familiar. E que a infância é o mote de boa parte da filmografia de Shyamalan basta ver O sexto sentido e A visita.
Talvez seja surpreendente que Shyamalan consiga fazer, inclusive, o melhor episódio de sua trilogia, uma vez que os outros sofriam de quedas abruptas de ritmo, principalmente Fragmentado, e o primeiro possuía um final em aberto nunca satisfatório. Shyamalan adota uma variação de cenários dentro do Hospital Psiquiátrico, que acabam dialogando com os impulsos da narrativa: veja-se por exemplo a grande sala com pintura rosa, quase onírica, semi-iluminada, em que os personagens recebem perguntas da Dra. Stapple. Do mesmo modo, cada personagem adota uma cor: Glass, a roxa; Dunn, o branco; e Crumb, o amarelo, servindo como figurinos de heróis ou vilões de quadrinhos.

Shyamalan também tenta visualizar Casey como aquela que compreende a “besta” quase como Clarice na continuação de O silêncio dos inocentes em relação a Hannibal Lecter. O lugar onde Crumb prendia as jovens em Fragmentado não deixava de lembrar não apenas um labirinto humano, como também a falta de passagens para um lado equilibrado. Aqui os corredores do hospital e os quartos contrastam: os primeiros são escuros, nebulosos, e os segundos, iluminados. Nesse sentido, o trabalho de fotografia de Mike Gioulakis, o mesmo do anterior, é superior e com mais sutilezas.
Do mesmo modo, as luzes que disparam no rosto de Crumb criam uma sensação de claustrofobia e McAvoy é realmente bom aqui, sem precisar concentrar sua atuação como um destaque e sim como complemento aos demais personagens. Alternando uma estranha humanidade com uma violência de serial killer, Crumb tem um significado mais trabalhado do que no anterior e faz com que o terceiro ato se desenhe como uma espécie de mescla entre fantasia e ecos do 11 de setembro, que ocorreu um ano após o lançamento de Corpo fechado e que já se expressava na obra de Shyamalan em obras como Sinais e Fim dos tempos. A sequência em que Crumb corre como um animal contra policiais tendo ao fundo edifícios que remetem ao World Trade Center (representando, ao mesmo tempo, um ataque bestial de humanos contra humanos), é uma das melhores da trajetória o diretor. Os demais do elenco, principalmente Paulson, Willis, Taylor-Joy e Jackson, são muito competentes e ligados a um desespero humano por saber onde estamos. Eis que, para o diretor de origem indiana, os verdadeiros heróis estão concentrados todos os dias em enfrentar seus problemas de rotina. Num movimento incomum em seus filmes, Shyamalan se permite mesmo a se emocionar.

Glass, EUA, 2019 Diretor: M. Night Shyamalan Elenco: James McAvoy, Bruce Willis, Anya Taylor-Joy, Sarah Paulson, Samuel L. Jackson, Charlayne Woodard, Spencer Trate Clark Roteiro: M. Night Shyamalan Fotografia: Mike Gioulakis Trilha Sonora: West Dylan Thordson Produção: M. Night Shyamalan, Jason Blum, Marc Bienstock, Ashwin Rajan Duração: 129 min. Estúdio: Blinding Edge Pictures, Blumhouse Productions Distribuidora: Universal Pictures (Estados Unidos) e Buena Vista International (Internacional)

 

Submersão (2017)

Por André Dick

O diretor alemão Wim Wenders vem se afastando bastante de seu estilo empregado nos anos 70 e 80, e mesmo nos anos 90, só reiterado ainda no ótimo Estrela solitária, uma homenagem às pinturas de Edward Hopper, e seus documentários, a exemplo do magistral Pina. Pode-se lembrar de O amigo americano ou Alice nas cidades, dos anos 70, e O estado das coisas, Hammett, Paris, Texas e Asas do desejo, dos anos 80, para saber como Wenders conseguiu elaborar um cinema de arte e, ao mesmo tempo, com forte sentido de visual moderno. Nos últimos projetos, ele tem se concentrado em apresentar tramas sem muita complexidade. É o caso de Submersão. Na costa leste da África, o escocês e, a princípio, engenheiro de água James Moore (James McAvoy) é aprisionado por integrantes jihadistas. Ele lembra de quando conheceu, numa praia francesa, Danielle Flinders (Alicia Vikander), uma biomatemática que trabalha com experimentos ligados a mergulhos no oceano, prestes a experimentar as profundezas da Groenlândia a bordo de um minissubmarino.

Wenders se mostra sem muito sentimento nesta visão sobre um casal aproximado pelas lembranças e afastado pelas circunstâncias. É visível que ele possui algumas influências, e é inescapável a de Terrence Malick. Tem como base belas atuações de McAvoy e Vikander, no entanto demora a explorar os meandros de um roteiro baseado em romance de JM Ledgard. O casal inspira essa paixão, porém ela se encontra dispersa ou não se encontra simplesmente na tela: Vikander rende mais quando tem um roteiro como os de A garota dinamarquesa e O agente da U.N.C.L.E. no qual demonstra elementos como o bom humor, do que quando faz alguém mais introspectivo, como em Ex Machina. É curioso como McAvoy lembra aqui o estilo de atuação de Fassbender, com quem Vikander é casada e atuou em A luz entre oceanos. Basicamente, a trama paralela, localizada na Somália, é de James com Yusef (Hakeemshady Mohamed), um líder jihadista, e um médico (Alexander Siddig), além de um soldado, Saif (Reda Kateb), e a personagem de Vikander fica em segundo plano de modo estranho, com pouca participação dramática, apesar da tentativa de se inserir sua amizade com Thumbs (Celyn Jones), o que soa desajeitado.

A maneira como Wenders apresenta o personagem de James como um espião remete a alguns experimentos de Kathryn Bigelow, a exemplo de A hora mais escura, no qual também aparece o ator Kateb, contudo o diretor alemão não tem a mesma consistência dramática para revelar seu sofrimento. A relação do casal a distância poderia conviver com Até o fim do mundo, um de seus melhores filmes dos anos 90, não fosse a montagem um tanto previsível e linear demais, tentando compor sentimentos por meio de enquadramentos estáticos.
O navio onde está Danielle remete, por um lado, ao filme A vida marinha com Steve Zissou, de Wes Anderson, assim como ao Filme socialismo, de Godard, mesmo que não haja a mesma profusão visual, assim como o final tenta capturar uma espécie de mergulho de uma estrangeira no continente europeu, sempre aberto à mudança, e pode-se dizer que em certos momentos lembra de Mediterrâneo, dos anos 60, quando Wenders filma o vento nas árvores do hotel em que o casal se hospeda.

A fotografia de Benoît Debie, o mesmo do belíssimo Enter the void, de Gaspar Noé, é notável, porém, de modo surpreendente, Submersão não tem um design de produção criativo, uma especialidade de Wenders. Quando ele é mais elaborado, sente-se um pouco deslocado, como o próprio lugar onde James fica preso, com uma série de jogos de luz que tira a realidade da situação, ao mesmo tempo que tenta soar mais literal. Isso faz com que os personagens, como é comum em seus melhores filmes, também se traduzam pelos cenários, mesmo que aqui a água represente o vínculo entre ambos. Também se visualiza a correspondência entre o vento nas árvores e nos rochedos do mar, como se os personagens fossem extensões da natureza – e o final deixa claro que uma reação humana pode ser a reprodução de outra, seja em qual parte do mundo estiver. Nesses pontos, Wenders reproduz o que fez seu cinema tão conhecido e respeitado principalmente nos anos 70 e 80 e se lamenta que ele não consiga elaborar melhor seus diálogos, ficando preso demais a termos técnicos. Por instantes, é possível perceber que tudo foi rodado meio que às pressas. Em meio a isso, Submersão vale a pena ser assistido, mas sem muita expectativa.

Submergence, EUA/FRA/ESP, 2017 Diretor: Wim Wenders Elenco: Alicia Vikander, James McAvoy, Hakeemshady Mohamed, Alexander Siddig, Alex Hafner, Celyn Jones, Reda Kateb Roteiro: Erin Dignam Fotografia: Benoît Debie Trilha Sonora: Fernando Velazquez Produção: Cameron Lamb Duração: 112 min. Estúdio: Backup Films, Lila 9th Productions, Morena Films, Waterstone Entertainment Distribuidora: Mars Distribution, Antena 3, Samuel Goldwyn Films

Fragmentado (2017)

Por André Dick

A melhor notícia de Fragmentado é a volta de M. Night Shyamalan ao posto das grandes bilheterias (até agora, a partir de um orçamento de 9 milhões já fez 257 milhões de dólares). Embora o anterior, A visita, já tivesse recuperado um pouco seu crédito junto aos produtores (orçamento de 5 milhões para arrecadação de 98), O último mestre do ar e Depois da terra, com seus orçamentos típicos de blockbuster, haviam rendido pouco, além das críticas em coro apontando que ele havia perdido seu talento. Em Fragmentado, ele parte da situação de três jovens, Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy) sendo sequestradas num engarrafamento, quando estão dentro do carro do pai de uma delas, por Dennis, uma das 23 personalidades de Kevin Wendell Crumb (James McAvoy). Ele, obviamente, tem um grave transtorno e visita frequentemente a psiquiatra Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley), certamente uma homenagem a Louise Fletcher, a atriz de Um estranho no ninho.
As meninas logo percebem que ele surge com outras identidades, como a de uma criança, e imaginam uma maneira de escaparem do lugar onde ficam presas, que lembra bastante tanto Beijos que matam e O silêncio dos inocentes. A atuação de Anya Taylor-Joy, o destaque de A bruxa, talvez seja o toque mais surpreendente de Shyamalan, que novamente aparece aqui em uma ponta, e Buckley também convence.

Claire tem alguns flashbacks que mostram ela criança (em atuação de Izzie Coffey) em momentos de caça ao lado do pai (Robert Michael Kelly) e do tio (Brad William Henke). O que teria a ver a caça, em que o tio finge ser um animal, com a situação na qual ela se encontra? Haley Lu Richardson, que faz a melhor amiga da personagem de Hailee Steinfeld em Quase 18, também proporciona bons momentos, como uma espécie de oposto de Claire, sendo uma jovem mais popular no colégio. No entanto, Fragmentado se sente como uma decepção de Shyamalan principalmente em relação ao filme A visita, mesmo com todas as falhas que este possuía: a grande atuação de McAvoy não sustenta o filme. A partir de determinado momento ela é muito fragmentada, no mau sentido, não desenvolvendo de forma satisfatória cada uma de suas personalidades, não a ponto de criar um impacto, que certamente era o objetivo de Shyamalan, e a elaboração dos demais personagens é ligeira demais. Há um problema de narrativa, com as intrusões da psiquiatra de modo muito evasivo, não compondo um núcleo capaz de fazer a história render com o potencial que demonstrava ter ao menos nos primeiros vinte minutos.

O lugar onde ele prende as jovens não deixa de lembrar não apenas um labirinto humano, como também a falta de passagens para um lado equilibrado – ainda assim, em se tratando do diretor, poderia ser melhor explorado. Aqui, o mote parece ser aquele que envolve a infância: não por acaso, uma das identidades de Kevin é a de uma criança. Por meio dela, Shyamalan, assim como em quase todos os seus filmes, é possível imaginar o que vai acontecer na narrativa.
Seus filmes mais recentes dele, tão criticados (Fim dos temposO último mestre do ar e Depois da terra, por exemplo), têm qualidade, por isso não se exige que sua carreira dê uma guinada: ele realmente não a oferece em Fragmentado, baseando-se em temas simples do gênero de suspense e alguns toques de John Carpenter e Tobe Hooper (alguns movimentos de câmera lembram de O massacre da serra elétrica) e, principalmente, Dragão vermelho (da série de Hannibal Lecter). Há elementos que remetem à sua filmografia, que tem um atrativo por personagens confinados: em Sinais, numa fazenda; em A dama na água, num condomínio; em A vila, obviamente numa comunidade de campo. Assim como ele sempre gosta de mostrar personagens solitários: em Corpo fechado, O sexto sentido e O último mestre do ar, todos são, de certo modo, fechados em seu mundo. Kevin Wendell Crumb é a representação máxima, além de desequilibrada, deste traço.

E, claro, há sua movimentação de câmera sempre particular, construindo com ela parte do suspense de Fragmentado, que, no entanto, não cria uma solidez. Shyamalan desperdiça as personagens de Marcia e Casey, que certamente renderiam mais em combinação com a personagem de Claire durante mais tempo do que efetivamente acontece. Sente-se falta da espontaneidade de seu experimento anterior, A visita, que aproveita muito bem o cenário restrito para compor uma fábula assustadora.
Por outro lado, se temos um final sem uma grande revelação, ele é mais implícito do que o restante da narrativa, trabalhando com os conflitos internos de cada personagem, o que é uma característica do diretor muitas vezes não reconhecida suficiente. Ele também mostra que Shyamalan quer trabalhar com temas às vezes longe da superfície imediata. Em relação à grande parte da crítica destacar que Fragmentado é um grande filme, na verdade serve apenas para inventar que um cineasta que nunca perdeu seu talento, mesmo nos seus momentos mais conturbados, de uma hora para outra o reencontrou. Não é desta vez que ele apresenta seus melhores momentos, no entanto traz características capazes de interessar, de modo geral, o espectador. Isso se deve ao elenco e a seu estilo geralmente interessante.

Split, EUA, 2017 Diretor: M. Night Shyamalan Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Sebastian Arcelus, Brad William Henke, Izzie Coffey Roteiro: M. Night Shyamalan Fotografia: Mike Gioulakis Trilha Sonora: West Dylan Thordson Produção: Jason Blum, M. Night Shyamalan, Marc Bienstock Duração: 117 min. Distribuidora: Universal Estúdio: Blinding Edge Pictures / Blumhouse Productions

X-Men: Apocalipse (2016)

Por André Dick

Filme.X-Men 7

O terceiro filme que mostra os personagens em sua faceta mais jovem da série X-Men volta a ser dirigido por Bryan Singer, responsável pelos dois primeiros do início dos anos 2000 e pelo anterior a este, com o subtítulo Dias de um futuro esquecido, depois da reinicialização por Matthew Vaughn, em Primeira classe. Singer é um diretor bastante eclético, começando por Os suspeitos, passando por O aprendiz, ambos dos anos 90, até chegar à versão bastante criticada para o homem de aço, Superman – O retorno, e àquele que parece ainda seu maior acerto, Operação Valquíria, uma aventura de guerra com Tom Cruise em meio a nazistas. Recentemente, ele também fez o subestimado Jack e o caçador de gigantes (com o mesmo Hoult que trabalha como um dos X-Men), e seus próximos projetos incluem Broadway 4D (dirigido com Gary Goddard, de Mestres do universo) e uma nova versão de 20.000 léguas submarinas.
A nova história (a partir daqui, possíveis spoilers) começa mostrando En Sabah Nur, ou Apocalipse (um ótimo Oscar Isaac), como o mutante original, que fica por centenas de anos preso numa câmara embaixo da terra, no Cairo, até que é desenterrado. Possuindo poderes cada vez maiores, ele ressurge exatamente em 1983, e conhece uma jovem, Ororoe Munroe (Alexandra Shipp), que se torna sua discípula e, investida de poderes, em Tempestade.

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Por sua vez, na Berlim Oriental, Raven/Mística (Jennifer Lawrence) encontra Kurt Wagner/Noturno (Kodi Smit-McPhee) lutando com Anjo (Ben Hardy), pois seu papel agora parece ser o de libertar mutantes, e não por acaso ela surge como uma referência feminina na parede de Ororoe, que diz querer ser como ela. Ela não consegue impedir que Apocalipse venha atrás não apenas do Anjo, mas de Magneto (Michael Fassbender) e Psylocke (Olivia Munn). No encalço da criatura ressuscitada, está a agente Moira MacTaggert (Rose Byrne), que apareceu pela primeira vez no primeiro X-Men nesta nova franquia.
Por sua vez, o professor Charles Xavier (James McAvoy), para tentar lidar melhor com o passado, procura constituir uma nova família e recebe novos alunos em sua escola em Westchester County, New York, entre os quais Jean Grey (Sophie Turner), que está com problemas para se adaptar a seus superpoderes. Já Scott Summers/Ciclope (Tye Sheridan) é levado por seu irmão, Havok (Alex Summers), assim que começa a ter problemas em manter seus olhos abertos, logo depois de uma sequência escolar que lembra o recente Homem de aço, de Snyder. Ele se aproxima de Jean, em razão dessa falta de adaptação. Na escola, também reaparecem Hank McCoy/Fera (Nicholas Hoult) e Peter Maximoff/Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão de aumentar os seus poderes sobre os mutantes, sem antes encontrar o Coronel William Stryker (Josh Helman).

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Em X-Men: Apocalipse, como na segunda parcela desta nova franquia esclarece, as décadas passam e com elas se vê a participação dos mutantes em fatos históricos – e o diálogo se estende a Watchmen. Aqui, nos anos 80, o pano de fundo é a Guerra Fria entre os Estados Unidos e União Soviética, e Apocalipse está interessado na desintegração da humanidade e na necessidade de mostrar que há “falsos deuses” entre os heróis. Tudo inicia no que poderia se chamar de uma parte extraída diretamente de A caçada ao outubro vermelho.
Em X-Men, as batalhas históricas se tornam parte de uma grande fantasia e um dos momentos mais dramáticos deste episódio mostra Magneto/Erik Lehnsherr vivendo como um operário numa fábrica de metais da Polônia, país natal, feliz ao lado de esposa, Magda (Carolina Bartczak), e sua jovem filha, Nina (T.J. McGibbon). Procurado pelo mutante original, ele é levado a Auschwitz, onde teria começado a manifestar seus poderes depois da morte de sua família. Não por acaso, é a parte que parece mais interessar a Singer em seus projetos mais pessoais, como O aprendiz e Operação Valquíria: para ele, o peso da Segunda Guerra Mundial marca para sempre Magneto, indefinido entre seguir seus companheiros ou de se vingar pelas situações em que se envolve e são trágicas para sua vida pessoal. Para Fassbender, presente em outro filme referencial sobre a Segunda Guerra, Bastardos inglórios, a essência do personagem é estar, de fato, preso a um passado que se repete a cada dia e cuja família não pode encobrir. Se ele é buscado por um homem que se autodenomina Apocalipse, como não lembrar de Hitler?

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Por sua vez, o Prof. Xavier, na tentativa de dar uma certa tranquilidade aos novos mutantes, é uma espécie de figura que complementa a de Magneto: se este não deseja revelar seus poderes, o professor pretende que os mutantes sejam, afinal, considerados como parte do mundo. Um dos problemas, porém, é que os personagens quase não possuem cenas em conjunto, o que proporcionaria uma maior aproximação deles no sentido de que são figuras complementares, à medida que também lida com a tentativa de Xavier em convencer Magneto a ficar novamente de seu lado.
Por isso, às vezes, a sensação é de que o roteiro de Singer e Simon Kinberg, cujo maior acerto é Sherlock Holmes, de Guy Ritchie, com o apoio ainda de Dan Harris e Michael Dougherty, tem inúmeros personagens à mão e é difícil solucionar a narrativa de cada um, mesmo em quase duas horas e meia, facilitando as transições e diminuindo, no terceiro ato, o peso do vilão, feito com perícia com Isaac. O filme flutua entre uma leveza de Xavier tentar uma aposta romântica e a descoberta de dois jovens de seus poderes, além de referências claras ao ano de 1983, como no figurino do Noturno, ainda mais parecido com aquele utilizado por Michael Jackson no videoclipe “Thriller”. Ele segue os capítulos anteriores com uma sequência de cenas que vão se conectando sem muito esforço para o espectador, com a fotografia de Newton Thomas Sigel, habitual colaborador de Singer, dedicada a uma mescla interessante de cores, principalmente quando o Prof. Xavier acessa o monumental cérebro.

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O roteiro às vezes é tão leve quanto a piada que faz consigo mesmo, quando os jovens saem do cinema e lamentam que O retorno de Jedi é a parte mais fraca de Guerra nas estrelas – Singer não se refere a X-Men – O confronto final, de Brett Ratner, o qual não dirigiu, e sim ao que espera que a crítica falará de seu filme, como de fato ocorreu.
A primeira parcela desta nova geração foi muito bem feita por Vaughn e esta terceira não fica nada a dever em termos de ação e efeitos visuais, embora haja um pouco de CGI carregado demais na sequência da batalha final. Muito boa a participação também do elenco: de McAvoy, Fassbender, Turner, Hoult e Peters, principalmente, servindo como alívio cômico, talvez na melhor sequência do filme, sonorizado por “Sweet Dreams (Are Made of This)”, de Eurythmics. Não fica muito clara qual a participação de Lawrence, mas ela sempre é uma presença eficiente em cena, e Byrne poderia ser melhor aproveitada. Por outro lado, aprecio mais esse elenco do que o da primeira trilogia e o saldo final deste X-Men: Apocalipse é agradavelmente positivo.

X-Men: Apocalypse, EUA, 2016 Diretor: Bryan Singer Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Oscar Isaac, Rose Byrne, Evan Peters, Josh Helman, Sophie Turner, Tye Sheridan, Lucas Till, Kodi Smit-McPhee, Ben Hardy, Alexandra Shipp, Lana Condor, Olivia Munn, Warren Scherer, Rochelle Okoye, Monique Ganderton, Fraser Aitcheson Roteiro: Bryan Singer, Dan Harris, Michael Dougherty, Simon Kinberg Fotografia: Newton Thomas Sigel Trilha Sonora: John Ottman Produção: Lauren Shuler-Donner, Simon Kinberg Duração: 144 min. Distribuidora: Fox Film Estúdio: Dune Entertainment / Marvel Entertainment / Twentieth Century Fox Film Corporation

Cotação 3 estrelas e meia