Alita – Anjo de combate (2019)

Por André Dick

Com roteiro de James Cameron e Laeta Kalogridis, Alita – Anjo de combate, baseado na série de mangás criada por Yukito Kishiro, parece uma reprodução das heroínas do responsável por O exterminador do futuro. Encontrada em meio ao ferro-velho de Iron City, pelo Dr. Dyson Ido (Christoph Waltz), a ciborgue que passa a ser chamada de Alita (Rose Perez) e carrega um cérebro humano, é reconstruída. Logo, ela descobre que muitos da Terra querem chegar a Zalem (o que lembra Elysium), uma espécie de cidade tecnológica no céu da cidade, principalmente o jovem pelo qual se apaixona, Hugo (Keean Johnson). Por sua vez, Ido foi casado com Chiron (Jennifer Connelly), da qual se afastou após a morte da filha e que terá uma ligação essencial com a trama para explicar os destinos da narrativa.
Essa premissa é uma prévia do que virá: Ido, na verdade, trabalha como um guerreiro caçador, buscando peças de ciborgues à noite, no longínquo ano de 2563, até o dia em que precisa enfrentar Grewishka (Jackie Earle Haley), em relação ao qual Alita vai demonstrar sua capacidade de luta chamada “Panzer Kunst”. Nesse sentido, talvez a melhor sequência da história se passa no Kansas Bar, no qual Alita precisa enfrentar vários de sua corporação e, principalmente, uma versão atualizada de uma ameaça que já combateu.

Aos poucos, ela começa a recuperar as memórias de sua vida passada, o que faz lembrar Ghost in the shell, além de possuir uma grande influência dos mangás, com sua cultura cyberpunk, Blade Runner. Não por acaso, trata-se de uma personagem feminina bem delineada. É de praxe nas obras de Cameron: a Grace de Avatar é uma extensão daquelas heroínas que esse cineasta privilegiou em sua trajetória, desde Sarah Connor, de O exterminador do futuro, passando pela Lindsey de O segredo do abismo, Ripley, de Aliens, até a Rose, de Titanic.  Pode-se dizer, nesse sentido, que Alita – Anjo de combate, parece muito mais uma obra de Cameron do que de Robert Rodriguez, o diretor oficial. Conhecido por sua parceria com Quentin Tarantino desde Um drink no inferno, passando por Planeta Terror, Rodriguez se projetou com A balada do pistoleiro nos anos 90 e com Sin City, a adaptação estilosa dos quadrinhos de Frank Miller. Também fez algumas séries com visual kitsch (Pequenos espiões) ou excessivamente exageradas (Machete), e pode-se dizer que a elegância visual de seu novo filme também tem muita influência de Cameron. São em torno de 150 e 200 milhões de dólares muito bem aplicados.

Pode-se dizer, também, o quanto há de influência aqui, de Sucker Punch, de Zack Snyder, sobre uma menina presa numa clínica psiquiátrica que, para fugir da sua realidade, se recolhia num mundo de sonho, onde podia se livrar dos seus carrascos. Alita, pela própria maneira com que é escrita, também está dividida entre o universo em que precisa obedecer ao doutor que a recria e aquele em que se mostra poderosa, com uma competência para lutar que pode lembrar o Neo de Matrix. Nesse sentido, ao mesmo tempo, a obra das irmãs Wachowski é uma nítida inspiração visual do filme de Rodriguez, assim como o RoboCop de Paul Verhoeven, principalmente em sua violência bastante contundente em alguns trechos, pouco normal numa obra a princípio para um público infantojuvenil. As sequências no Motorball, que dialogam com Speed Racer e Jogador Nº 1 (que virou uma referência para este gênero), são, não raramente, empolgantes e filmadas com autenticidade, elemento cada vez mais raro em blockbusters.

Do mesmo modo, o vilão Vector, feito por um inusitado (pois conhecido por papéis mais melodramáticos) Mahershala Ali, é uma extensão do que os burocratas maléficos dos filmes de Cameron podem fazer, o que acontece desde o tempo em que roteirizou Rambo II e dirigiu O exterminador do futuro 1 e 2, Aliens – O resgateTrue lies e O segredo do abismo. Apesar de boa parte de sua trama ser sobre um romance entre adolescentes, Alita nunca perde o seu foco, o de mostrar um universo fantástico abalado pela tentativa de o ser humano querer atravessar os caminhos da criação e se tornar o olhar vigilante de qualquer tipo de sistema. Rodriguez aplica de maneira muito consciente um certo estilo que demonstrou sobretudo em Sin City, convertendo imagens fantásticas num realismo bastante ameaçador, sem, aqui, no entanto se desviar para uma homenagem a uma época específica (no caso daquele, do cinema noir) e aproveitando o elenco talentoso do melhor modo, inclusive Waltz num momento muito bom, sem recorrer tanto a alguns de seus maneirismos, e Ali (este, se ganhar o Oscar de coadjuvante com Green Book, soma, com Waltz, quatro estatuetas desta categoria apenas na última década), além de uma emocional Connelly. Os intérpretes jovens, Salazar (com sua captação de movimentos), e Johnson, também são plausíveis, assim como Haley. É justamente a figura de Alita, mistura entre humano, animação e ciborgue, que torna o filme eficiente em todos os aspectos. Ela traz, ao mesmo tempo, um discurso, suas lembranças e uma vontade de superação que não torna o roteiro numa peça apenas funcional, como poderia, e sim bastante reflexivo.

Alita – Battle Angel, EUA, 2019 Diretor: Robert Rodriguez Elenco: Rosa Salazar, Christoph Waltz, Jennifer Connelly, Mahershala Ali, Ed Skrein, Jackie Earle Haley, Keean Johnson Roteiro: James Cameron, Laeta Kalogridis Fotografia: Bill Pope Trilha Sonora: Tom Holkenborg Produção: James Cameron, Jon Landau Duração: 122 min. Estúdio: 20th Century Fox, Lightstorm Entertainment, Troublemaker Studios, TSG Entertainment Distribuidora: 20th Century Fox

Avatar (2009)

Por André Dick

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Esta ficção científica feita pelo mesmo James Cameron de Aliens – O resgate e O segredo do abismo tem uma história simples: mostra o exército de humanos da empresa de mineração RDA contra os habitantes nativos, os Na’vi, de um planeta distante (Pandora) – numa espécie de simbologia para o Velho Mundo encontrando o Novo Mundo. Mas é essa história que deixa espaço para Cameron mostrar o visual impactante.
O fuzileiro Jake Sully (Sam Worthington), que foi ferido em batalha e está em cadeira de rodas, atua como um avatar numa pesquisa coordenada por uma bióloga, Grace Augustine (Sigourney Weaver), cuja equipe tem ainda Trudy (Michelle Rodriguez) e Norm Spellman (Joel Moore Jake), com o intuito de descobrir o que desejam os nativos de Pandora. Para isso, Jake, que é irmão gêmeo do avatar anterior, passa a ser uma espécie de porta-voz. No entanto, os militares enviados para detonar Pandora não estão muito interessados neste aspecto de pesquisa biológica. Nem interessados nos livros que tratam do meio ambiente de Pandora. Há sobretudo o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) e um burocrata, Parker Selfridge (Giovanni Ribisi). O objetivo é encontrar um determinado mineral que serviria à vida na Terra e o coronel faz um trato com Jake de que, se ele trouxer informações interessantes dos Na’vi, poderá caminhar novamente. No entanto, ele e Parker não se importam, por exemplo, com o fato de que a árvore que querem destruir para descobrir outras relíquias guarda um mistério.

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As cenas em que aparecem os avatares (de Jake e Grace) são, sem dúvida, as melhores, e a primeira entrada na floresta, em meio a um confronto indesejado, se mostra na medida exata, mas em algum ponto da metade da narrativa – quando Sully começa a fazer seu diário de experiências e trata da convivência com os habitantes do povo Na’vi, sobretudo com Neytiri (Zoe Saldana, de Star Trek), por quem inevitavelmente se apaixona – que Avatar se perde um pouco, porém não totalmente, pois ainda estamos em meio a cenários fantásticos. A floresta é uma criação notável, com fluidos e imagens de teias brilhantes caindo sobre os seres, o que mostra uma visão de Cameron para o amanhã da humanidade (enquanto os interiores das estações lembram Aliens, com suas lâmpadas fosforescentes). Em certos momentos, a textura das imagens lembra a de um desenho animado, com a ressalva de que, mesmo assim, o filme entrega camadas referenciais de natureza (rochas, águas, árvores). De qualquer modo, Cameron está interessado no que os burocratas podem fazer, o que acontece desde o tempo em que roteirizou Rambo II e dirigiu O exterminador do futuro 1 e 2, Aliens – O resgate, True lies e O segredo do abismo. Cameron os coloca como verdadeiras ameaças para qualquer paz, e Miles como o protótipo disso (a partir de determinado momento, suas atitudes chegam a ser engraçadas de tão absurdas).
Há uma presença dos elementos já vistos em O segredo do abismo, que começava em plena ação, com um submarino nuclear, o USS Montana, naufragando misteriosamente, depois de avistar luzes no fundo do oceano. Em seguida, uma expedição de resgate, liderada por Virgil (Ed Harris), é enviada para tentar se descobrir a causa do acidente. Divorciado da mulher, Lindsey (Mary Elizabeth Mastrantonio), também da marinha, a viagem se complica quando toda a tripulação começa a ficar perturbada com os estranhos acontecimentos de luzes flutuantes, surgindo um vilão, Hiram (Michael Biehn). Eles começam a descer nesse abismo, onde se deparam com seres extraterrestres em formas de peixes luminosos e raios de luz efêmeros. Cameron faz o primeiro filme filmado quase totalmente embaixo d’água, já mostrando suas obsessões (que fariam parte de Titanic e de suas pesquisas documentais), e uma espécie de Contatos imediatos do 3º grau, mas já antecipando elementos que veríamos em Avatar. O segredo do abismo, assim como Avatar, trabalha com uma mensagem que remete à origem, com a tentativa de reconciliação embaixo d’água do casal, como uma volta ao útero, ao nascimento – como no caso das árvores de Pandora. E, como em Avatar, avalia que as armas nucleares (o abismo que afundou as carregava) conduzem a um beco sem saída.  Já o era assim em toda a temática que circula em torno de Sarah Connor, sobretudo em O exterminador do futuro 2. A única saída para Cameron parece ser aquela em que se mostra no encontro de Jake tanto com a natureza estrangeira quanto com Neytiri.

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Já se comentou na ligação que há entre eles como a que vemos em Pocahontas (lembremos de O novo mundo de Malick), ou com a história do John Dunbar de Dança com lobos, ou com O último dos moicanos (na rebelião de Jake contra os militares). Ainda assim, em meio aos elementos cultivados por Cameron em sua filmografia, temos como principal ponto de referência a mitologia de Star Wars, por sua vez já captada em outras obras. Cameron não costuma ser um roteirista sutil, ou de múltiplos personagens, e seus diálogos têm mais ou menos o mesmo peso das falas de Miles. Seus vilões, como Parker, também costumam ser uma repetição do burocrata interpretado por Paul Reiser em Aliens – O resgate, assim como perturbados, a exemplo de Hiram (O segredo do abismo). No entanto, há também humanidade: Grace é uma extensão daquelas heroínas que Cameron privilegiou em sua trajetória, desde Sarah Connor, de O exterminador do futuro, passando pela Lindsey de O segredo do abismo, Ripley, de Aliens, até a Rose, de Titanic. O personagem principal de Avatar, Sully, segue as características dessas personagens de Cameron: ele é muito mais humano do que os personagens de filmes de ação e mistura elementos de coragem e de fragilidade na mesma medida, não tornando-se num estereótipo. Com isso, Sam Worthington tem aqui a sua melhor atuação, e Sigourney Weaver, como Grace, não fica para trás.
Há também um fundo religioso em Avatar e O segredo do abismo, não há a menor dúvida, e James Cameron procura, com seus cenários imponentes e efeitos especiais revolucionários, lembrar que o importante é a tentativa de compreender o outro. Parece um clichê, mas Avatar é tão bem trabalhado em seus detalhes que acabamos esquecendo, por um momento, do todo – que é irregular. Os seus 30 minutos finais, para quem aprecia filmes de ação, são realmente impressionantes, mostrando a batalha decisiva, com uma direção de arte fabulosa (vencedora do Oscar). Todos os elementos são dosados na reavaliação de cada personagem para o que deve, afinal, ser feito. Isso faz com que, mais do que uma ficção científica, seja uma experiência realmente primordial, vendo a base do ser humano, independente do 3D, que à época de seu lançamento foi tão comentado.

Avatar, EUA, 2009 Diretor: James Cameron Elenco: Sam Worthington, Sigourney Weaver, Zoe Saldana, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Joel David Moore, CCH Pounder, Wes Studi, Laz Alonso Produção: James Cameron, Jon Landau Roteiro: James Cameron Fotografia: Mauro Fiore Trilha Sonora: James Horner Duração: 162 min. Distribuidora: Fox Film Estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation / Lightstorm Entertainment / Dune Entertainment / Ingenious Film Partners

Cotação 4 estrelas

Série Alien (1979, 1986, 1992, 1997)

Por André Dick

Dirigido por Ridley Scott – que vinha de Os duelistas (1977) – Alien – o 8º passageiro marcou o final dos anos 1970 como uma das ficções científicas mais originais até então feitas, com elementos de terror e visual, em parte, de videoclipe, pois o diretor combina com este universo. Nesse sentido, o filme tem excelentes achados, a revelação de Sigourney Weaver, como Ellen Ripley, o desenho de produção raríssimo (de H.R. Giger) e bons efeitos especiais, que ganharam o Oscar. O problema, em certa parte, está no roteiro (não que o das continuações seja excelente, mas aqui parece haver uma previsibilidade): todos os personagens parecem morrer facilmente demais, por causa de uma criatura que fica grudada no capacete de um dos tripulantes de um cargueiro de  minério espacial, depois de ele descer num planeta estranho. Seu sucesso se deve a cenas de terror (como o monstro saindo da pessoa que torna hospedeira) e ao monstro, que realmente assusta.  Além disso, o elenco coadjuvante (com John Hurt, Ian Holm e Harry Dean Stanton) é de muita qualidade. Em Prometheus, a ser lançado ainda este mês, apesar de isso não ser exposto de maneira excessiva, Scott faz um prólogo dessa história.
Ficção científica de James Cameron com mais sustos do que sua primeira parte, Aliens – O resgate traz de volta Ripley, que passa mais de meio século no espaço sideral, navegando, e é recolhida e tratada, inclusive para seus pesadelos com o alienígena que matou todos os tripulantes de sua espaçonave. No entanto, o planeta de origem da criatura, nesse meio tempo entre o primeiro e o segundo filme, foi colonizado e teve seu sinal interrompido. É motivo, então, para ela voltar lá com vários fuzileiros navais, a fim de ver o que aconteceu com os moradores, e para James Cameron revelar todo seu talento com efeitos especiais e direção de arte elaborada e assustadora (o que vemos em Avatar, por exemplo), construída nos estúdios Pinewood, da Inglaterra. Ripley perdeu sua filha e encontra numa das sobreviventes do planeta, Newt (Carrie Henn) uma filha adotiva. Isso até o momento em que precisar enfrentar a mãe de todos os aliens que infestaram a estação do planeta. Os fuzileiros são caricatos (há uma durona, por exemplo, e um valente que, no primeiro ataque dos monstros, quer fugir), sempre coordenados por um burocrata, no entanto isso não incomoda, pois Cameron quer mostrar mesmo o estilo grosseiro e cômico deles. Um deles é valente, mas depois do ataque dos aliens se torna medroso (Bill Paxton), fazendo um contraponto com o general de Avatar. Na verdade, Cameron enfoca o sentido materno de Ripley, que não aparecia no primeiro, pois não sabíamos que ela já tinha uma filha. E a maneira como ele entrelaça a perda com o encontro de Newt é muito bem delineado. Por muitos considerado melhor do que original, parece-me que é um filme mais completo, no sentido de que cria uma atmosfera de maior suspense ainda – levando em conta que já não temos a surpresa do original. Como diversão, Aliens – O resgate é uma das maiores da década de 1980.
Por sua vez, Alien 3 é dirigido pelo talentoso estreante David Fincher (que faria depois, entre outros, Seven, O curioso caso de Benjamin Button e A rede social), que havia feito até então clipes de Madonna, Billy Idol, entre outros. Ele pode ter salvo uma ficção científica com muitos problemas de produção (estouro de orçamento, abandono de dois diretores – Vincent Ward e Renny Harlin –, muitos roteiros, reclamações de Sigourney, que não queria voltar à série). No papel da tenente Ellen Ripley, Sigourney transforma-se, aqui, numa espécie de fuzileira naval, de cabeça raspada, roupa maltrapilha e cara cheia de machucados. Ela volta a enfrentar um alien, muito mais veloz, num planeta-prisão, habitado por homens que seguem uma religião medieval e foram aprisionados ali por serem loucos ou psicopatas. O diretor soube criar uma atmosfera vazia e com clima claustrofóbico, tal como o primeiro da trilogia, mas com o suspense do segundo. Para isso, contou com a colaboração do desenhista de produção Norman Reynolds e do criador dos aliens, o suíço H.R. Giger. A ação parece se localizar justamente na Idade Média, mesmo sabendo que estamos no futuro. O fator que diferencia este Alien dos outros é a temática existencial, assinada por Vincent Ward (diretor de Navigator). Os personagens nunca agem de maneira previsível, principalmente, sobretudo os de Dance (o médico) e Dutton (o braço direito do líder da religião) e, claro, de Sigourney, emprestando um lado verossímil a um personagem que combate um monstro quase sem armas – ao contrário do segundo filme, ou seja, aproximando-se mais do original. Tem muita ação, muitos movimentos de câmera (para mostrar as perseguições), excelente maquiagem, uma boa dose de humor e apenas um problema: a curta duração. Considerado inferior aos demais, me parece quase tão bom quanto o segundo.

No entanto, a continuação da série foi muito fraca: Alien – A ressurreição. Além de trazer de volta a tenente Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, os produtores da Fox chamaram o francês  Jean-Pierre Jeunet para o cargo de diretor do novo Alien.
Se ele era elogiado por Delicatessen e Ladrão de sonhos, requintes de apuro visual – exigência para ser diretor da série, a julgar por Scott, Cameron e Fincher –, e viria a dirigir a obra-prima O fabuloso destino de Amélie Poulain, em sua estreia de Hollywood não se deu bem. Quase nada se salva. Fora os efeitos especiais, mais profissionais, e dos cenários fantásticos, superiores a qualquer ficção científica atual, Alien – a ressurreição é totalmente dispensável. A história é apenas motivo para mostrar um festival de mortes e violência com bastante exagero. Carrega demais na atmosfera, um híbrido entre gosma e pesadelo, exibindo monstros estraçalhando humanos – o que se via apenas de forma discreta, sobretudo no terceiro e, infelizmente, não o último capítulo –, seres mutantes (que rende uma das cenas mais asquerosas do filme), uma nova rainha alien, que dá a luz a um rebento demoníaco, além de uma porção de cenas sem nenhuma importância.
A partida da história já é absurda: os cientistas do filme anterior conseguem clonar a tenente Ripley, conseguindo extrair dela a mesma rainha alien, para reprodução. Enquanto a clone tem uma força incomum, proporcional ao do alien, os monstros da nova ninhada se rebelam contra os cientistas que os pesquisam numa nave, onde também se encontra um grupo de mercenários especiais, cujo destino é a morte e onde se inclui uma moça que esconde um segredo (Winona Ryder, em mau momento).
É triste assistir a um péssimo desfecho da série, com Sigourney totalmente sem roteiro e a vontade fracassada do diretor Jeunet em fazer o público se divertir com um número impressionante de mortos – o que é uma pena, pois a fotografia, os efeitos especiais e os cenários do novo filme são irrepreensíveis, assim como os outros filmes de Jeunet. Veremos se Prometheus irá recuperar a qualidade da trilogia inicial.

Alien, EUA, 1979 Diretor: Ridley Scott Elenco: Tom Skerritt, Sigourney Weaver, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm, Yaphet Kotto, Bolaji Badejo, Helen Horton Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Roteiro: Dan O’Bannon Fotografia: Derek Vanlint Trilha Sonora: Jerry Goldsmith, Lionel Newman Duração: 124 min. Distribuidora: Não definida

Cotação 3 estrelas e meia

Aliens, EUA/Reino Unido, 1986 Diretor: James Cameron Elenco: Sigourney Weaver, Carrie Henn, Michael Biehn, Paul Reiser, Lance Henriksen, Bill Paxton, William Hope, Jenette Goldstein, Al Matthews. Produção: Gale Anne Hurd Roteiro: James Cameron, David Giler, Walter Hill, Dan O’Bannon, Ronald Shusett Fotografia: Adrian Biddle Trilha Sonora: James Horner Duração: 137 min. (Versão estendida: 154 min). Distribuidora: Não definida Estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation / Brandywine Productions / SLM Production Group

Cotação 4 estrelas e meia

Alien 3, EUA/Inglaterra, 1992 Diretor: David Fincher Elenco: Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance, Paul McGann, Brian Glover, Ralph Brown, Danny Webb, Christopher John Fields. Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Roteiro: Vincent Ward, David Giler, Walter Hill, Larry Ferguson Fotografia: Alex Thomson Trilha Sonora: Elliot Goldenthal Duração: 114 min. (Versão estendida: 135 min.) Distribuidora: Não definida Estúdio: Brandywine Productions / Twentieth Century Fox Film Corporation

Cotação 4 estrelas

Alien: resurrection, EUA, 1997 Diretor: Jean-Pierre Jeunet Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman, Gary Dourdan, Michael Wincott Produção: Bill Badalato, Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Roteiro: Joss Whedon Fotografia: Darius Khondji Trilha Sonora: John Frizzell Duração: 109 min. Distribuidora: Não definida Estúdio: Brandywine Productions / Twentieth Century Fox Film Corporation

1 estrela e  meia