Seven – Os sete crimes capitais (1995)

Por André Dick

Em 1992, Alien 3, continuação de Alien e Aliens, foi dirigida pelo talentoso estreante David Fincher, que havia feito até então videoclipes de Madonna, Mark Knopfler, George Michael, Sting, Paula Abdul, Iggy Pop e Billy Idol, entre outros. Ele pode ter salvo uma ficção científica com muitos problemas de produção: estouro de orçamento, abandono de dois diretores – Vincent Ward e Renny Harlin –, muitos roteiros, reclamações de Sigourney Weaver, que não queria voltar à série. Fincher nunca considerou essa sequência de Aliens como realmente parte de sua carreira, porém seu clima claustrofóbico já anunciava um dos cineastas mais interessantes do cinema norte-americano contemporâneo.

Seu filme seguinte, Seven – Os sete crimes capitais, com elementos fortes de suspense e até terror, confirmou isso. Nele, Brad Pitt e Morgan Freeman interpretam a dupla principal de investigadores abalada pelo surgimento de um serial killer em Nova York que se inspira nos sete pecados capitais para guiar o espectador por crueldades cometidas ao longo da narrativa. David Mills (Pitt) recém chegou à metrópole, com sua esposa Tracy (Gwyneth Palthrow).  O veterano policial William Somerset interpretado por Freeman, prestes a se aposentar, vai atrás da Divina comédia, de Dante Alighieri, a fim de buscar pistas. O chefe de ambos (R. Lee Ermey, conhecido por interpretar o sargento de Nascido para matar), não os pressiona – de qualquer modo, as manchetes dos jornais atrapalham ainda mais a progressão.
Trata-se de um duelo surpreendente entre dois policiais e um psicopata que evita deixar qualquer pista, antecedendo outra obra exemplar de Fincher, Zodíaco, e, principalmente, Millennium – Os homens que não amavam as mulheres e sua série exemplar Mindhunter, sobre os primeiros investigadores que mesclaram o entendimento da psicanálise na tentativa de identificar psicopatas.

Além de ser um bom artesão, Fincher sabe compor personagens e criar interesse contínuo. Em Seven, os diálogos não se mostram tão importantes quanto o clima, mórbido e vigoroso já revelado no seu episódio de Alien acentuado pela ótima fotografia de Darius Khondji, trazendo a experiência visual que mostrou em Delicatessen, de Jean-Pierre Jeunet. Ainda assim, ele talvez contenha a escrita mais bem elaborada de um thriller da década de 90, mesclando discussões sobre uma amizade forçada entre os detetives e sua tentativa de convivência em meio a discussões sobre a influência de uma obra literária em crimes horrendos ou para se adentrar na mente de um psicopata. Os sete pecados capitais na obra de Dante são também a ponte para que ele possa adentrar o Paraíso. O que esses personagens teriam a dizer sobre isso?
O que evidencia o talento do roteiro de Andrew Kevin Walker é a perplexidade diante dos acontecimentos. É evidente que Seven adiantou boa parte da obra posterior de Fincher, embora se inspire em Blade Runner, por exemplo, com sua chuva contínua e seus ambientes úmidos. É raro algum momento em que os policiais não estão em algum lugar soturno, com lanternas (antecipando Zodíaco em todos os aspectos), e mesmo ambientes acolhedores e calmos, como a da biblioteca municipal de Nova York, soam ameaçadores. Talvez o momento mais acolhedor seja o do jantar, e é também, por causa das grandes atuações de Freeman, Pitt e Palthrow, aquela sequência em que os personagens mais se revelam, por meio do descompromisso.

Fincher praticamente cria um estilo aqui influenciado por Hitchcock, Jonathan Demme (O silêncio dos inocentes) e novamente Ridley Scott (há momentos que remetem ao seu irregular Chuva negra), principalmente, mas sobretudo dele próprio. Sua mistura entre uma cidade perturbadora e sempre lotada com os ambientes vazios nos quais os detetives ingressam para recolher provas cria um contraste interessante, assim como ele consegue, em momentos detalhados, um certo humor corrosivo, por meio do personagem de Somerset (subentendendo “summer set”, numa espécie de contraponto ao clima chuvoso). Trata-se de uma figura ao mesmo tempo seca e emotiva, a exemplo do diálogo que tem em determinado momento com Tracy, deixando implícita a sua vida anterior àquele momento decisivo. David se mostra sempre jovem e impaciente, entregando também os melhores recursos de Brad Pitt já despontando como astro, e Fincher aproveita a diferença.
Quando a identidade do serial killer é revelada, o roteiro se descostura um pouco, no entanto ainda assim mantém a qualidade. É bastante difícil encarar o final sem deixar se abalar pela estrutura que acaba prendendo a narrativa a uma ideia mais conceitual. Fincher pinta um retrato cruel da sociedade (recebendo recentemente uma homenagem de David Lynch em Twin Peaks – O retorno, num momento decisivo para o agente Cooper em seu duplo), mas sobretudo impactante e que este filme tenha arrecadado quase dez vezes o seu custo mostra o encontro entre qualidade e recepção à altura.

Seven, EUA, 1995 Diretor: David Fincher Elenco: Brad Pitt, Morgan Freeman, Gwyneth Paltrow, R. Lee Ermey, Richard Roundtree, John C. McGinley Roteiro: Andrew Kevin Walker Fotografia: Darius Khondji Trilha Sonora: Howard Shore Produção: Arnold Kopelson, Phyllis Carlyle Duração: 127 min. Estúdio: Cecchi Gori Pictures, Juno Pix Distribuidora: New Line Cinema

Zodíaco (2007)

Por André Dick

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O cineasta David Fincher, depois de realizar o subestimado Alien 3, regressou com Seven, que traz Brad Pitt e Morgan Freeman, como investigadores de um serial killer. Em Seven, os diálogos não se mostram tão importantes quanto o clima mórbido, com reviravoltas e uma experiência sensorial, cercada por uma galeria de mortes inspirada nos sete pecados capitais. Fincher pinta um retrato cruel da sociedade, sobretudo impactante. Depois de Clube da luta e Vidas em jogo, ele realizou O quarto do pânico, ainda tateando, indefinido, como nesses anteriores, entre a estética e a história bem contada, mostrando uma mãe (Jodie Foster) e sua filha (Kristen Stewart), com problema de asma, presas num quarto do pânico, por causa de um assalto que acontece em sua casa. Se há problemas narrativas, Fincher trabalha de forma notável o elemento claustrofóbico.
Em Zodíaco (daqui em diante, possíveis spoilers), Fincher volta ao clima de perseguição a um psicopata de Seven com todas as doses de suspense de que é capaz e consegue solucionar o clima de O quarto do pânico de forma efetiva. Mostra isso ao começar contando a história do assassino que se autonomeia Zodíaco (ele mandava cartas para jornais, incitando a polícia e novas vítimas), mas nunca consegue ser descoberto, ao longo de anos, mesmo investigado por um policial, David Toschi (Mark Ruffalo), acompanhado de William Armstrong (Anthony Edwards), sob o comando do Capitão Marty Lee (Dermot Mulroney).

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Esses investigadores ganham a parceria de Jack Mulanax (Elias Koteas), em Vallejo, e Narlow Ken (Donal Logue), em Napa. Todos os seus crimes são cometidos sem deixar pistas: inicia-se no dia 4 de julho de 1969, em meio a festividades dos Estados Unidos, com fogos de artifício riscando o escuro da noite e a quebra com a inocência dos anos 50 e 60 – depois de os personagens pararem numa lanchonete à la American graffiti –, e o mais impactante é um à beira de um lago, quando um casal é abordado pelo criminoso que surge por trás das árvores (com o Zodíaco desenhado em sua roupa), e sua tentativa mais assustadora aquela em que aborda uma mulher na estrada.
Fincher mostra a repercussão dos assassinatos do Zodíaco no San Francisco Chronicle, com a cobertura de um jornalista alcoólatra, Paul Avery (Robert Downey Jr., excelente). Todas as tramas ganham o interesse de um cartunista do jornal, Robert Graysmith (Jack Glylenhaal, no melhor papel de sua carreira, escolhido por Fincher depois de assistir a Donnie Darko), obcecado pelo caso e pela criptografia enviada pelo Zodíaco para provocar os leitores do jornal. Trata-se de um caso quase impossível e coloca até sua mulher, Melanie (Chloë Sevigny), e seus filhos em perigo para conseguir obter novas pistas, sobretudo quando a polícia se mostra cansada com a procura sem resolução.
Graysmith se torna amigo de Avery, tentando fazer parte da investigação, e são especialmente divertidos os momentos em que o jornalista diz a seu chefe que está sendo ameaçado. Além disso, Fincher, com seus ambientes amarelados, por meio do auxílio da excelente fotografia de Harris Savides, dialoga abertamente com Todos os homens do presidente, de Alan J. Pakula, sobretudo nos debates da redação sobre como os crimes do Zodíaco devem ser abordados. Também provoca suspense a procura para desvendar a caligrafia do assassino, com um especialista, Sherwood Morrill (Phillip Baker Hall), além de haver as tentativas de um apresentador de TV, Melvin Belli (Brian Cox), em estabelecer uma ligação com o assassino pretendendo antecipar suas ações.

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Ao contrário de Seven, não temos, aqui, crimes a serem solucionados da noite para o dia, mas uma indagação que percorre anos, décadas, desde os anos 1960, entrelaçando diferentes personagens interessados ou não pelo crime. Fincher não entrega qualquer resposta, pois no fim das contas quer relatar como uma história hedionda pode perpassar a própria atemporalidade das pessoas envolvidas, que vão do ápice ao desaparecimento, ou ao contrário, em segundos. Nesse sentido, sua aproximação de Memórias de um assassino, de Joon-Ho Bong, se destaca, com a obsessão da polícia em capturar um criminoso imprevisível durante anos (o filme de Fincher apenas tem menos humor). Quando surge Arthur Leigh Allen (John Carroll Lynch), essa sensação se mostra ainda mais presente. Aos poucos, cada policial começa a imaginar que as demais investigações só podem andar se o Zodíaco for preso; é como se ele fosse um impecilho em suas vidas. Do mesmo modo, Graysmith passa a se desentender com a mulher, à medida que, mesmo com filhos, concentra seu olhar numa possível investigação pessoal, trazendo para casa telefonemas anônimos. O tempo corre para todos, mas o espectador não o vê passar na Golden Gate Bridge, apenas na construção de edifícios e na passagem de datas assinalada pelo diretor, além de na clara construção psicológica dos personagens.
A cada pista não correspondida, Fincher não mostra nenhum mistério solucionado e cenas de perseguição gratuitas, mantendo-se mais no plano da investigação em cima de materiais enviado pelo Zodíaco ao jornal de San Francisco e nos documentos de delegacias e depoimentos. Ele parece interessado, muito mais, em cada personagem do que em Seven ou qualquer outro filme – talvez pela admiração que tem com os personagens reais, pois trata-se de uma história que habitou sua infância. Está lá também sua homenagem ao cinema, quando Graysmsith encontra Toschi na sala em que é exibido Dirty Harry – com Clint Eastwood –, cuja história tem ecos de Zodíaco. Toschi sai do cinema perturbado por exatamente não conseguir solucionar o crime que lembra o do filme.

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Numa metalinguagem sensível à obra de Fincher, mais bem solucionada do que normalmente, o diretor ainda mostra um encontro entre Graysmith e alguém que teria trabalhado com o assassino num cinema. Nele, pode-se dizer que Fincher brinca claramente com a obra de Hitchcock, quase sendo uma homenagem à parte. Mais interessante é que surge uma amizade também entre Graysmith e Toschi, e a habitual competência de Ruffalo para compor papéis cotidianos com sensibilidade cria um grande vínculo com a insistência cercada de ingenuidade de Glyllenhall.
Como em O curioso caso de Benjamin Button, A rede social e Millennium, Fincher está interessado na progressão que cada um desses personagens tem para a história e na história, deslocando-se de uma década para a outra sem nenhum sobressalto, mas como se tudo fosse atemporal. Isso ganha a colaboração da excelente trilha sonora e da fotografia de Savides. Se em seu início a estética crescia sobre o roteiro e os personagens, em Zodíaco Fincher começa a atingir o equilíbrio. Com isso, revela-se, em toda sua abrangência, a obsessão pelos detalhes e pelos personagens complexos. E ainda revela mais: um dos artesãos mais sensíveis que o cinema ofereceu nos últimos 20 anos, pelo menos.

Zodiac, EUA, 2007 Diretor: David Fincher Elenco: Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Anthony Edwards, Robert Downey Jr., Brian Cox, John Carroll Lynch, Richmond Arquette, Bob Stephenson, John Lacy, Chloë Sevigny, Elias Koteas, Dermot Mulroney, Philip Baker Hall, David Lee Smith, J. Patrick McCormack, Adam Goldberg, James LeGros Roteiro: James Vanderbilt Fotografia: Harris Savides Trilha Sonora: David Shire Produção: Ceán Chaffin, Brad Fischer, Mike Medavoy, Arnold Messer, James Vanderbilt Duração: 158 min. Distribuidora: Não definida Estúdio: Paramount Pictures / Warner Bros. Pictures / Phoenix Pictures

Cotação 5 estrelas

 

Chamada.Filmes dos anos 2000

Garota exemplar (2014)

 Por André Dick

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Depois de praticamente ter reinventado o thriller de suspense no cinema, com os filmes Zodíaco, Seven e Millennium, e ter conseguido tornar a criação do Facebook num drama contemporâneo real, Fincher é um cineasta a ser sempre visto. Mesmo porque ele também possui em sua trajetória alguns filmes estranhamente esquecidos, como O curioso caso de Benjamin Button, um daqueles a melhor mostrar as contradições de tempo na vida humana, e o surpreendente Vidas em jogo (ainda do início de sua carreira). Ao anunciar que adaptaria para o cinema o romance Garota exemplar, de Gillian Flynn, era natural que se criasse uma grande expectativa em torno, sobretudo porque volta ao gênero que o consagrou com obras tão diferenciadas e complementares.
No início de Garota exemplar, os personagens demoram a ganhar força, sendo apresentados de maneira um tanto abrupta. Acompanhamos Nick Dunne (Ben Affleck), que depois de parar no bar que administra com a irmã gêmea, Margo (Carrie Coon), volta para a casa e vê sinais de briga na sala. A questão é que sua mulher, Amy (Rosamund Pike), desapareceu, e Fincher retoma em flashbacks o momento em que ambos se conheceram. Assim como o presente dado por Nick a Margo, tudo passa a ser um jogo. A polícia da pequena cidade do Missouri para onde Nick e Amy se mudaram, depois de ambos terem uma trajetória como escritores em Nova York, começa a segui-lo. A partir daí, preocupado em estar num capítulo de Law & Order, Nick tem sua vida invadida pelos questionários da detetive Rhonda Boney (Kim Dickens) e do oficial James Gilpin (Patrick Fugit), assim como a TV dos Estados Unidos concentra seu espaço no desaparecimento. Fincher emprega um ritmo cada vez mais crescente, apresentando alguns novos personagens e sempre levando o espectador para um universo aparentemente de rotina, mas enigmático. É o que Garota exemplar tem de mais interessante: a atmosfera criada é basicamente de um filme de Fincher, e isso diz muito da sua qualidade visual.

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Acompanhar as lembranças de Amy por meio de um diário ajudam a dar um registro de sinuosidade à trama, mas, assim como Ben Affleck se mostra quase ao limite indefinido sobre qual tom deve seguir, Rosamund Pike é possivelmente uma das escolhas de elenco mais problemáticas da trajetória de Fincher: ela não possui a força necessária para levar o personagem adiante. Em determinados momentos, ela lembra muito o estilo de atuação usado por Rooney Mara não em Millennium, de Fincher, mas em Terapia de risco, de Soderbergh, e quando a assistimos atuando tudo é tão elaborado que não resta nenhuma espécie de tom humano – e não há nuances, pois Amy parece se comportar como se estivesse numa propaganda da Dolce & Gabbana. É justamente isso o que falta em Garota exemplar e havia com tanta intensidade nos filmes anteriores de Fincher: os personagens não são guiados pelo sentido de descoberta e de suspense inerente ao comportamento de cada um, mas estão claramente atendendo aos passos de uma trama, de um labirinto, e Fincher, por mais que tente adaptar o romance com apoio da própria autora, com certa dedicação e fidelidade, nunca consegue apresentá-los com insegurança, medo, solidão. Talvez pela falta de amplitude nas atuações de Affleck e Pike, o filme se coloca num meio-termo entre a avaliação psiquiátrica de um matrimônio conturbado e a crítica aos meios de comunicação sobre quererem interferir na condução de um caso.
Desse modo, o que parece estar nas margens de Garota exemplar se torna estranhamente central e destacado, sem discrição. Isso já ocorria em outros filmes de Fincher, como Clube da luta, em que o discurso que habitava a mente conturbada do personagem de Edward Norton sobrepujava toda a narrativa e a fazia ligada de maneira equivocada do início ao fim. Mas em Garota exemplar o eixo é ainda mais destacável, pois trata-se de uma história que depende de o espectador estar ligado ou não aos personagens. Que o personagem de Nick Dunne não tem a vida necessária isso parece claro por causa das limitações conhecidas de Affleck, mas seu comportamento certamente não poderia ser tão descompromissado diante da situação, seja qual fosse o objetivo da trama. Fincher não consegue também colocar o roteiro como algo que pudesse reparar pelo menos a falta de condução do elenco (não são raras as vezes em que se tem a impressão de que Fincher não realizou uma segunda tomada com Affleck e Pike).

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A adaptação de Garota exemplar foi feita pelo próprio autor do romance, porém, ao contrário de outros filmes notáveis de Fincher (e sua obra-prima permanece sendo Zodíaco), há algumas escolhas bastante estranhas e confusas (neste parágrafo, spoilers menores). É difícil indicar, num thriller, o que pode ser desconsiderado, para que se dê mais espaço aos imprevistos, mas o roteiro de Garota exemplar possui algumas lacunas consideráveis, sobretudo da metade para o final quando Fincher desloca suas câmeras da investigação policial – e os integrantes da polícia acabam sumindo de cena mesmo quando possuem em mãos uma das provas que podem incriminar Dunne – para coadjuvantes num hotel de beira de estrada ou para o milionário Desi Collings (Neil Patrick Harris), assim como surge um advogado, Tanner Bolt (Tyler Perry), que, depois de parecer indicar todas as soluções, acaba sendo colocado de lado em qualquer decisão.
Essa transição não é feita de maneira clara e compassada por Fincher, fazendo com que os personagens fiquem prejudicados ou deixados em segundo plano, para que se possa desenhar um pretenso estudo psicológico da personagem de Amy. Este estudo não apenas afeta o filme como um todo, em razão da atuação excessivamente posada de Pike, como leva Garota exemplar a ter duas personalidades, e quando os avisos de passagem de tempo surgem, mostrando os impactos na vida de Dunne e sua corrida para tentar convencer a todos de que não tem ligação com o desaparecimento da mulher, são apenas uma maneira de estabelecer ainda mais a distância que o espectador vai criando em relação à narrativa, mesmo que a atmosfera acabe atraindo a atenção.
Os melhores momentos de Garota exemplar são aqueles que justamente dialogam com  outras obras de Fincher: as lanternas dos investigadores remetendo a Zodíaco e a Seven; o bairro onde mora Nick com a solidão do campus de A rede social à noite; as imagens da natureza de rios pela manhã como em O curioso caso de Benjamin Button; as imagens de casas ou bares à noite retratando uma sugestiva perfeição. Outros momentos (como inúmeras pessoas num campo esverdeado ou ao lado de um rio atrás do paradeiro) remetem a O círculo vermelho, de Jean-Pierre Melville, thriller referencial dos anos 70. Para um filme de quase duas horas e meia, esta atmosfera hipnotiza – e Fincher fazer isso com o roteiro que tem em mãos mostra o quanto tecnicamente é um autor sem sobressaltos. Não há como não prestar atenção num filme assim. No entanto, são artifícios, que tentam constantemente desviar o espectador das atuações problemáticas, da falta de um roteiro realmente surpreendente e de duas atuações centrais e de alguns coadjuvantes (sobretudo Patrick Harris, Fugit e Dickens) sem o ânimo necessário, embora Coon e Perry tragam um sopro de humanidade.

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Isto pesa no resultado final, em razão dos desdobramentos nem sempre necessários. Garota exemplar vai criando várias camadas de enredo e a energia aos poucos diminui, mostrando que Fincher teve dificuldade de lidar com o tema mais básico do roteiro – a relação entre o homem e a mulher – que nunca foi seu predileto. Nos filmes de Fincher, quando casais são enfocados, eles nunca formam o centro, mas sim servem apenas para ressaltar a solidão do homem (os personagens de Pitt e Gyllenhaal em Seven e Zodíaco, o Mark Zuckerberg de A rede social, o Benjamin Button, o jornalista e a hacker de Millennium); em Garota exemplar, embora pareça que o enfoque seja a solidão de Nick ou de Amy, Fincher é chamado a tratar realmente das relações entre o homem e a mulher. No entanto, como não consegue retratá-las, ele desvia para outros temas: as exigências feitas à mulher de um casamento perfeito, a manipulação da mídia em relação a um caso (e todas as jornalistas são caricaturais), e nisso Fincher não é sugestivo, mas impõe sua visão. Ou seja, só existe o terceiro ato de Garota exemplar – e ele é eminentemente falho em todas as suas soluções – porque Fincher e a roteirista e autora do romance Flynn acreditam que não há saída para essa idealização: a saída é a entrega a uma determinada loucura ou cinismo diante da realidade. Para Fincher, o casamento só pode ser enfocado de maneira irônica e sem explicação e o círculo da investigação se completa. Não raramente, com a trilha intrusiva de Atticus Ross e Trent Reznor, o filme acaba tendo um tom frequente de autoimportância, como se estivesse recontando o gênero do qual faz parte, quando não consegue ser efetivo nos caminhos que escolhe. Nessa linha de ideias mal solucionada, Fincher acaba caindo numa espécie de indefinição, o que é bastante raro em sua trajetória. Isso não torna Garota exemplar dispensável, mas não tira seu impacto de jogo previsível.

Gone girl, EUA, 2014 Diretor: David Fincher Elenco: Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris, Tyler Perry, Carrie Coon, Kim Dickens, Patrick Fugit, Casey Wilson, Missi Pyle, Sela Ward Roteiro: Gillian Flynn Fotografia: Jeff Cronenweth Trilha Sonora: Atticus Ross, Trent Reznor Produção: Arnon Milchan, Ceán Chaffin, Joshua Donen, Reese Witherspoon Duração: 149 min. Distribuidora: Fox Film Estúdio: New Regency Pictures / Pacific Standard / Regency Enterprises

Cotação 2 estrelas e meia

 

Millennium – Os homens que não amavam as mulheres (2011)

Por André Dick

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Depois de realizar, em sequência, alguns dos melhores filmes dos últimos anos (Zodíaco, O curioso caso de Benjamin Button e A rede social), David Fincher mostra, em Millennium – Os homens que não amavam as mulheres, que continua em grande fase. Apesar de muitos terem dito que não havia necessidade desse filme, depois da versão sueca, e que Fincher não teria conseguido imprimir seu estilo nele, é necessário dizer que se trata de um dos melhores filmes de investigação realizados, mesmo em alguns momentos sendo excessivo (a longa-metragem é uma característica de Fincher, a julgar pelas quase três horas deste, de Zodíaco e Benjamin Button) e com inúmeras reviravoltas, o que, a certa altura, pode provocar cansaço. Trata-se de um cineasta que não consegue se conter na aspiração de desenvolver os personagens por um longo tempo, colocando-os em diversas situações. O subestimado, em muitas avaliações, Zodíaco, a meu ver, é uma obra-prima – supera Seven por toda sua complexidade e retrato de uma época, além de ter um elenco superior –, e Benjamin Button possui uma narrativa original com uma influência dramática que atrai o espectador, sendo um dos filmes mais melancólicos já feitos (pode ser uma manipulação, mas Fincher a faz com talento). Em A rede social, Fincher trazia um toque mais contemporâneo, no retrato do criador do Facebook e o início da empresa, com uma fotografia e trilha sonora que se correspondem diretamente com as de Millennium, a começar pela abertura, com imagens impressionantes que vão como que moldando o rosto da personagem central, e que, além disso, tem muitas sequências que ecoam o cenário apertado de O quarto do pânico (um dos filmes dele menos interessantes). Enquanto em Benjamin Button e A rede social, a violência havia se atenuado, em Millennium ela aparece em vários momentos. Porém, Fincher não trivializa essa violência, e sim a insere numa rede de complicação psicológica. Para ele, os personagens sempre são movidos por um passado nebuloso, que acarreta em problemas que não conseguem superar, irreversíveis. Desse modo, a violência deles é sempre inesperada, pois não se associam a algo que o espectador desconfia.

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O filme inicia mostrando um jornalista, Mikael Blomkvist (Daniel Craig, numa atuação mais contida, diferenciando dos momentos em que faz James Bond ou de Cowboys e aliens), que perde um processo para o empresário Hans-Erik Wennerström (Ulf Friberg), por tê-lo acusado, em matéria da revista Millennium, sobre fatos que não pode provar. Os segredos de sua vida, além disso, foram levantados por uma moça, Lisbeth (Rooney Mara, indicada com justiça ao Oscar de melhor atriz), sob a tutela do Estado desde os 12 anos e que, sem nenhum tipo de estudo, conseguiu se tornar numa investigadora perita. O jornalista é chamado por um ricaço, Henrik Vanger (Cristopher Plummer), de um clã que mora numa ilha, para, além de escrever uma biografia sobre ele, buscar a solução para o desaparecimento de sua sobrinha, Harriet, desde 1966. Ele mora num vilarejo da Suécia, onde se passa o filme, quase sem contato com os familiares, sobretudo porque alguns deles são nazistas. A recompensa seria dar ao jornalista algumas informações sobre Wennerstrom na justiça. Depois de se instalar numa pequena casa à beira de um lago, onde tem como companhia apenas um gato, inicia o processo de entrevistas com familiares, tentando descobrir sobretudo o que aconteceu com Harriet – no momento em que o filme mais lembra Zodíaco, sobretudo no jogo entre o claro e o escuro de alguns ambientes, representando os próprios personagens. O contato de Mikael com a família de Henrik é, a princípio, calmo, mas logo se torna complicado e o jornalista percebe estar lidando com uma “família maluca”, com exceção do simpático Martin Vanger (Stellan Skarsgård), que mora numa casa com vidraças, quase exposta.
Esta trama vai correndo em paralelo com a que mostra Lisbeth Salander. Como ela está sob a guarda do Estado, tem um senhor como tutor, que acaba sofrendo um derrame. Dependente dele, em parte, logo começa a ser chantageada pelo psicólogo que faz seu perfil para que possa receber o dinheiro – inclusive para comida. O enfoque em Lisbeth é sempre misterioso. Com vários piercings e tatuagens – a garota com a tatuagem de dragão do título original –, ela atua como um hacker, invadindo os computadores das pessoas que pretende investigar. Quando Mikael está necessitando de uma assistente, ele chega até ela, e o primeiro encontro já é atípico, com ele convidando-a para um café da manhã depois de ela sair numa balada e amanhecer acordada ao lado de uma mulher. Lisbeth é um personagem situado entre a infância – está sempre com algum lanche para crianças por perto – e o mundo conturbado em que se inseriu desde cedo. Em nenhum momento, no entanto, ela é uma figura completamente autônoma ou responsável por tudo o que faz e, quando age violentamente, no filme, é para se vingar do que cometem com ela. Fincher, a julgar principalmente com Clube da luta (filme dele o qual aprecio menos), não poupa o espectador de cenas fortes, até repulsivas, mas ao mesmo tempo ele julga sempre como necessária esta etapa para mostrar o quanto a personagem consegue criar uma redoma ao redor de si e torna cada caso uma obsessão para substituir sua própria vida – tendo sobre cada caso um controle que não consegue ter normalmente nas relações sociais.

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Esta dualidade é muito bem conduzida por Fincher, especialista em desenvolver os personagens a distância e de forma íntima, mostrando suas falhas e ressalvas para continuar em determinada direção. São sempre personagens falíveis – o detetive do Zodíaco feito por Mark Ruffalo talvez seja o melhor exemplo –, de qualquer modo sempre bem delineados, a partir do ponto de vista de Fincher. Não é diferente em Millennium. Mesmo com uma trama que poderia ser considerada previsível, com elementos típicos de um policial em que se busca, a todo custo, o criminoso – e nessa empreitada se encontram provas em referências bíblicas e fotografias quase apagadas pelo tempo –, o filme jamais se parece com outros filmes, a começar pela fotografia mostrando as mudanças de tempo para a ilha onde se investiga toda a história (já começa no alto inverno, com o carro levando Mikael à mansão de Venger, e a câmera o acompanha num travelling opressor, que fazia parte, inclusive, do trailer) e o céu quase sempre nublado, com alguns poucos espaços para nuvens e para o azul, representando uma paisagem triste, europeia, mas que dificilmente é fotografada da mesma maneira como aqui por Fincher. Os personagens são como que a paisagem do filme: na maior parte do tempo, estão encobertos, reclusos. A amizade que Mikael faz com um gato que chega na casinha logo em sua chegada mostra tão bem essa condição: para Fincher, o ser humano precisa da companhia para não se confundir com a paisagem e mesmo desaparecer nela. Mikael e Lisbeth parecem entender isso; outros personagens, não. Neste fio é que Fincher anda, mostrando ser um dos cineastas mais talentosos dos últimos vinte anos, pelo menos.

The Girl With a Dragon Tattoo, EUA/SUE/Reino Unido/ALE, 2011 Diretor: David Fincher Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Goran Visnjic, Embeth Davidtz, Joely Richardson, Joel Kinnaman, Elodie Yung, Julian Sands Produção: Ceán Chaffin, Scott Rudin, Søren Stærmose, Ole Søndberg Roteiro: Steven Zaillian Fotografia: Jeff Cronenweth Trilha Sonora: Trent Reznor, Atticus Ross Duração: 158 min. Distribuidora: Sony Pictures Estúdio: Film Rites / Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Scott Rudin Productions / Columbia Pictures / Yellow Bird Films

Cotação 4 estrelas e meia

Série Alien (1979, 1986, 1992, 1997)

Por André Dick

Dirigido por Ridley Scott – que vinha de Os duelistas (1977) – Alien – o 8º passageiro marcou o final dos anos 1970 como uma das ficções científicas mais originais até então feitas, com elementos de terror e visual, em parte, de videoclipe, pois o diretor combina com este universo. Nesse sentido, o filme tem excelentes achados, a revelação de Sigourney Weaver, como Ellen Ripley, o desenho de produção raríssimo (de H.R. Giger) e bons efeitos especiais, que ganharam o Oscar. O problema, em certa parte, está no roteiro (não que o das continuações seja excelente, mas aqui parece haver uma previsibilidade): todos os personagens parecem morrer facilmente demais, por causa de uma criatura que fica grudada no capacete de um dos tripulantes de um cargueiro de  minério espacial, depois de ele descer num planeta estranho. Seu sucesso se deve a cenas de terror (como o monstro saindo da pessoa que torna hospedeira) e ao monstro, que realmente assusta.  Além disso, o elenco coadjuvante (com John Hurt, Ian Holm e Harry Dean Stanton) é de muita qualidade. Em Prometheus, a ser lançado ainda este mês, apesar de isso não ser exposto de maneira excessiva, Scott faz um prólogo dessa história.
Ficção científica de James Cameron com mais sustos do que sua primeira parte, Aliens – O resgate traz de volta Ripley, que passa mais de meio século no espaço sideral, navegando, e é recolhida e tratada, inclusive para seus pesadelos com o alienígena que matou todos os tripulantes de sua espaçonave. No entanto, o planeta de origem da criatura, nesse meio tempo entre o primeiro e o segundo filme, foi colonizado e teve seu sinal interrompido. É motivo, então, para ela voltar lá com vários fuzileiros navais, a fim de ver o que aconteceu com os moradores, e para James Cameron revelar todo seu talento com efeitos especiais e direção de arte elaborada e assustadora (o que vemos em Avatar, por exemplo), construída nos estúdios Pinewood, da Inglaterra. Ripley perdeu sua filha e encontra numa das sobreviventes do planeta, Newt (Carrie Henn) uma filha adotiva. Isso até o momento em que precisar enfrentar a mãe de todos os aliens que infestaram a estação do planeta. Os fuzileiros são caricatos (há uma durona, por exemplo, e um valente que, no primeiro ataque dos monstros, quer fugir), sempre coordenados por um burocrata, no entanto isso não incomoda, pois Cameron quer mostrar mesmo o estilo grosseiro e cômico deles. Um deles é valente, mas depois do ataque dos aliens se torna medroso (Bill Paxton), fazendo um contraponto com o general de Avatar. Na verdade, Cameron enfoca o sentido materno de Ripley, que não aparecia no primeiro, pois não sabíamos que ela já tinha uma filha. E a maneira como ele entrelaça a perda com o encontro de Newt é muito bem delineado. Por muitos considerado melhor do que original, parece-me que é um filme mais completo, no sentido de que cria uma atmosfera de maior suspense ainda – levando em conta que já não temos a surpresa do original. Como diversão, Aliens – O resgate é uma das maiores da década de 1980.
Por sua vez, Alien 3 é dirigido pelo talentoso estreante David Fincher (que faria depois, entre outros, Seven, O curioso caso de Benjamin Button e A rede social), que havia feito até então clipes de Madonna, Billy Idol, entre outros. Ele pode ter salvo uma ficção científica com muitos problemas de produção (estouro de orçamento, abandono de dois diretores – Vincent Ward e Renny Harlin –, muitos roteiros, reclamações de Sigourney, que não queria voltar à série). No papel da tenente Ellen Ripley, Sigourney transforma-se, aqui, numa espécie de fuzileira naval, de cabeça raspada, roupa maltrapilha e cara cheia de machucados. Ela volta a enfrentar um alien, muito mais veloz, num planeta-prisão, habitado por homens que seguem uma religião medieval e foram aprisionados ali por serem loucos ou psicopatas. O diretor soube criar uma atmosfera vazia e com clima claustrofóbico, tal como o primeiro da trilogia, mas com o suspense do segundo. Para isso, contou com a colaboração do desenhista de produção Norman Reynolds e do criador dos aliens, o suíço H.R. Giger. A ação parece se localizar justamente na Idade Média, mesmo sabendo que estamos no futuro. O fator que diferencia este Alien dos outros é a temática existencial, assinada por Vincent Ward (diretor de Navigator). Os personagens nunca agem de maneira previsível, principalmente, sobretudo os de Dance (o médico) e Dutton (o braço direito do líder da religião) e, claro, de Sigourney, emprestando um lado verossímil a um personagem que combate um monstro quase sem armas – ao contrário do segundo filme, ou seja, aproximando-se mais do original. Tem muita ação, muitos movimentos de câmera (para mostrar as perseguições), excelente maquiagem, uma boa dose de humor e apenas um problema: a curta duração. Considerado inferior aos demais, me parece quase tão bom quanto o segundo.

No entanto, a continuação da série foi muito fraca: Alien – A ressurreição. Além de trazer de volta a tenente Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, os produtores da Fox chamaram o francês  Jean-Pierre Jeunet para o cargo de diretor do novo Alien.
Se ele era elogiado por Delicatessen e Ladrão de sonhos, requintes de apuro visual – exigência para ser diretor da série, a julgar por Scott, Cameron e Fincher –, e viria a dirigir a obra-prima O fabuloso destino de Amélie Poulain, em sua estreia de Hollywood não se deu bem. Quase nada se salva. Fora os efeitos especiais, mais profissionais, e dos cenários fantásticos, superiores a qualquer ficção científica atual, Alien – a ressurreição é totalmente dispensável. A história é apenas motivo para mostrar um festival de mortes e violência com bastante exagero. Carrega demais na atmosfera, um híbrido entre gosma e pesadelo, exibindo monstros estraçalhando humanos – o que se via apenas de forma discreta, sobretudo no terceiro e, infelizmente, não o último capítulo –, seres mutantes (que rende uma das cenas mais asquerosas do filme), uma nova rainha alien, que dá a luz a um rebento demoníaco, além de uma porção de cenas sem nenhuma importância.
A partida da história já é absurda: os cientistas do filme anterior conseguem clonar a tenente Ripley, conseguindo extrair dela a mesma rainha alien, para reprodução. Enquanto a clone tem uma força incomum, proporcional ao do alien, os monstros da nova ninhada se rebelam contra os cientistas que os pesquisam numa nave, onde também se encontra um grupo de mercenários especiais, cujo destino é a morte e onde se inclui uma moça que esconde um segredo (Winona Ryder, em mau momento).
É triste assistir a um péssimo desfecho da série, com Sigourney totalmente sem roteiro e a vontade fracassada do diretor Jeunet em fazer o público se divertir com um número impressionante de mortos – o que é uma pena, pois a fotografia, os efeitos especiais e os cenários do novo filme são irrepreensíveis, assim como os outros filmes de Jeunet. Veremos se Prometheus irá recuperar a qualidade da trilogia inicial.

Alien, EUA, 1979 Diretor: Ridley Scott Elenco: Tom Skerritt, Sigourney Weaver, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm, Yaphet Kotto, Bolaji Badejo, Helen Horton Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Roteiro: Dan O’Bannon Fotografia: Derek Vanlint Trilha Sonora: Jerry Goldsmith, Lionel Newman Duração: 124 min. Distribuidora: Não definida

Cotação 3 estrelas e meia

Aliens, EUA/Reino Unido, 1986 Diretor: James Cameron Elenco: Sigourney Weaver, Carrie Henn, Michael Biehn, Paul Reiser, Lance Henriksen, Bill Paxton, William Hope, Jenette Goldstein, Al Matthews. Produção: Gale Anne Hurd Roteiro: James Cameron, David Giler, Walter Hill, Dan O’Bannon, Ronald Shusett Fotografia: Adrian Biddle Trilha Sonora: James Horner Duração: 137 min. (Versão estendida: 154 min). Distribuidora: Não definida Estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation / Brandywine Productions / SLM Production Group

Cotação 4 estrelas e meia

Alien 3, EUA/Inglaterra, 1992 Diretor: David Fincher Elenco: Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance, Paul McGann, Brian Glover, Ralph Brown, Danny Webb, Christopher John Fields. Produção: Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Roteiro: Vincent Ward, David Giler, Walter Hill, Larry Ferguson Fotografia: Alex Thomson Trilha Sonora: Elliot Goldenthal Duração: 114 min. (Versão estendida: 135 min.) Distribuidora: Não definida Estúdio: Brandywine Productions / Twentieth Century Fox Film Corporation

Cotação 4 estrelas

Alien: resurrection, EUA, 1997 Diretor: Jean-Pierre Jeunet Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman, Gary Dourdan, Michael Wincott Produção: Bill Badalato, Gordon Carroll, David Giler, Walter Hill Roteiro: Joss Whedon Fotografia: Darius Khondji Trilha Sonora: John Frizzell Duração: 109 min. Distribuidora: Não definida Estúdio: Brandywine Productions / Twentieth Century Fox Film Corporation

1 estrela e  meia