Vingadores – Guerra infinita (2018)

Por André Dick

Se  há uma qualidade que já havia ficado clara nos dois Os vingadores anteriores é que Joss Whedon tinha uma disposição de desenvolver esses super-heróis em dois planos: o da mitologia e o da humanidade. No segundo, havia imagens estranhas do passado ou possível futuro de cada um, o que remetia a Linha mortal, em que jovens faziam experiências com a morte e eram atormentados por visões estranhas e que poderiam, inclusive, defini-los. Embora este recurso se fundamente em desvios da trama, esses serviam como impulso para uma das melhores sequências, ligada a um ambiente campestre e no qual podíamos ter uma divisão da trama antes de uma grande contribuição de Whedon para o cinema de ação.

Nesse sentido, Vingadores – Era de Ultron não ficava a dever para seu antecessor: enquanto seu primeiro ato preparava a história para algo maior, como o primeiro, as duas partes finais eram tão boas ou ainda melhores do que as do original, não apenas pelo fluxo oferecido por Whedon – em alternar explosões e perseguições com um verdadeiro sentimento de perigo e humanidade empregada nas situações –, como em igual intensidade pelo visual magnífico, com o auxílio da fotografia de Ben Davis (o mesmo de Guardiões da galáxia), e pela atuação do elenco.
Em Vingadores – Guerra infinita, os irmãos Anthony e Joe Russo, responsáveis por Capitão América – O soldado invernal e Capitão América – Guerra Civil, assumiram o lugar de Whedon. A história começa com Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston) enfrentando o temível Thanos (Josh Brolin), desde sempre atrás das Joias do Infinito. Localizados no espaço, não por acaso logo teremos a presença dos guardiões da galáxia: Peter Quill/Starlord (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e Baby Groot (Vin Diesel), acompanhados de Mantis (Pom Klementieff).

Em meio a tudo, aparecem Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Stephen Strange/Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch) e Peter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland), com a companhia de T’Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman). Muitos outros personagens adentram em cena: Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) estão de volta, assim como Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e Natasha Romanoff, a “Viúva Negra” (Scarlett Johansson), além de James Rhodes (Don Cheadle), Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie) e Pepper Potts (Gwyneth Paltrow).
Em seus Vingadores, Whedon os desenvolve como seres mitológicos e trabalhava com emoções básicas, sobretudo o medo da morte e de realmente transformar o mundo. É interessante como todos ganham em seus filmes linhas de roteiro apontando esse sentimento, sobretudo Romanoff, Banner, Rogers e Stark, sempre, de certo modo, ligados ao passado. Se Banner e Stark parecem sempre estar com o pensamento no que podem criar de novo no laboratório, Rogers se encontra encapsulado nos anos 40, dos quais é obrigado a se distanciar, assim como os gêmeos não conseguem esquecer a imagem gravada na infância do nome Stark, e Romanoff tem receio do que as visões podem lhe mostrar sobre ser uma assassina letal. No caso dela, acalmar Banner não é apenas uma ironia do destino quando ela, de fato, não atinge nenhuma tranquilidade.

Não há nenhuma discussão no plano conceitual em Vingadores – Guerra infinita. Trata-se apenas do embate de um vilão literalmente sem traços próprios – com a colaboração de um CGI perturbador – contra os vingadores, que parecem unidos apenas na campanha de marketing. Há pelo menos dois anos o universo MCU vem tendo dificuldades de unir seus traços de humor e drama em filmes irregulares como Doutor Estranho, Thor: Ragnarok, Capitão América – Guerra Civil e Pantera Negra. Todos parecem parte de uma linha de produção sem nenhuma tentativa de inovar, sob a liderança de Kevin Feige, o produtor que planifica histórias para encaixar sua visão de cinema.
Desde a saída de Whedon, o MCU só contou com três momentos muito bons: Homem-Formiga, Guardiões da galáxia 2 e Homem-Aranha – De volta ao lar. Até certo ponto, como Guerra Civil não era um filme do Capitão América, este novo Vingadores parece um Guardiões da galáxia 3. Os irmãos Russo, no entanto, não têm o olho para o visual dinâmico de James Gunn e desde Arrested development, a série de humor que ajudaram a solidificar com êxito, não sabem identificar interação entre personagens. Todos em Guerra infinita aparecem e desaparecem sem criar o devido impacto. Há lacunas consideráveis entre as aparições de uns e outros, nunca formando uma unidade, e mesmo durante as batalhas os encontros se dão sem nenhuma sensação de vínculo ou proximidade. Não há uma ligação clara entre os diferentes grupos enfocados, embora um dos méritos desse universo compartilhado seja exatamente sabermos em que ponto da história desses personagens nos encontramos, o que, por outro lado, não acrescenta qualidade especial. Filmes devem se manter por si só e construir relações entre os personagens, mesmo que já hajam outros a apresentá-los, mesmo porque a reunião deles é inédita.

O mais afetado pela história apressada, mesmo com os 149 minutos de duração, é Banner, numa participação não apenas distinta daquela de Thor: Ragnarok, basicamente humorística, cuja relação com a Viúva Negra não se estabelece sequer com uma conversa, apenas um olhar distanciado (isso desde o afastamento da obra de Whedon há três anos). Talvez Quill se destaque, junto com Thor e o Rocket; de resto, nem o carisma de Downey Jr. consegue dar sentido ao fato de o Homem de Ferro estar aqui, e Holland, que demonstrou ser um bom Homem-Aranha, é subutilizado de maneira inegavelmente injusta. Os diretores não têm tempo a perder: Guerra infinita é uma sucessão de sequências de ação vazias, sem nenhum senso de perigo ou realização, pouco se importando com personagens ou as consequências do que fazem.
Os Russo acreditam oferecer um ar dramático ao vilão Thanos, mas se trata de uma figura tão carregada digitalmente (e que nem as expressões de Brolin conseguem realçar, ao contrário de Serkis ao interpretar Cesar em Planeta dos macacos) que soa, a cada instante em que aparece, artificial como a história que o cerca. Existem os conflitos físicos, no entanto os embates de ideias existentes nos melhores filmes do MCU desaparecem, em virtude do roteiro limitado de Christopher Markus e Stephen McFeely, que tenta passar do trágico para o cômico de forma tragicômica.

Uma caminhada no parque de Stark e Pepper, lembrando a comicidade saudável dos dois primeiros Homem de Ferro, é interrompida por um inesperadamente denso Doutor Estranho, sem mais tempo para piadas com os livros da biblioteca. Os Russo não possuem a menor ideia de constituir um ambiente fantasioso, apegando-se a interiores escuros de naves e um CGI de qualidade discutível, que extrai qualquer atrativo pela fotografia. Excluindo a parte final e algumas cenas numa metrópole, tudo parece ter sido filmado em estúdios e à frente de um chroma key. Mesmo nos seus filmes com o Capitão América, a dupla de diretores, usando um estilo de thriller, enveredavam por um caminho que tentava interligar seus personagens. Neste filme, eles parecem interessados exclusivamente em focar o caos. Acabam por fazer a obra menos interessante de todo o universo MCU, uma falha de ignição notável, que nenhuma bilheteria conseguirá sobrepujar. Talvez a quarta parte, já em realização, com um pré-aviso: os Russo são novamente os diretores.

Avengers – Infinity war, EUA, 2018 Diretor: Anthony Russo e Joe Russo Elenco: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Don Cheadle, Tom Holland, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Danai Gurira, Letitia Wright, Dave Bautista, Gwyneth Palthrow, Zoe Saldana, Idris Elba, Josh Brolin, Chris Pratt, Vin Diesel, Bradley Cooper Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely Fotografia: Trent Opaloch Trilha Sonora: Alan Silvestri Produção: Kevin Feige Duração: 149 min. Estúdio: Marvel Studios Distribuidora: Walt Disney Studios

 

Blade Runner 2049 (2017)

Por André Dick

Lançado em 1982, Blade Runner – O caçador de androides, de Ridley Scott, teve uma recepção tímida por parte da crítica e do público, mas acabou se transformando num grande cult, uma obra-prima da ficção científica. Visto como um filme intocável, foi estranho à primeira vista imaginar uma continuação, e sem a direção de Scott. Foi ele, como produtor executivo, quem convidou Denis Villeuneuve para estar à frente da sequência. O diretor canadense se notabilizou nos últimos anos por transitar entre gêneros diferentes, em filmes como Polytechnique, Incêndios, Os suspeitos, O homem duplicado e Sicario – Terra de ninguém. No ano passado, ele fez a elogiada ficção científica A chegada, sobre a tentativa de contato humano com extraterrestres.
Por toda a carga de expectativa, ele parecia cada vez o melhor nome para dirigir Blade Runner 2049. Tendo como base o roteiro de Hampton Fancher (que colaborou no primeiro) e Michael Green, baseado nos personagens de Philip K. Dick, o filme mostra um novo caçador, K (Ryan Gosling), um replicante, que trabalha para a tenente Joshi (Robin Wright), da LAPD, e, quando vai atrás de um replicante mais datado, Sapper Morton (Dave Bautista), numa sequência que lembra a de Leon (Brion James) no original, descobre uma árvore com uma ossada escondida embaixo dela.

Levando os dados para sua equipe em Los Angeles, tão chuvosa quanto no clássico de Scott (spoiler até o fim deste parágrafo), descobre-se que seria da replicante Rachael (Sean Young), desaparecida com Rick Deckard (Harrison Ford) muitos anos antes. K, certamente uma homenagem ao segundo nome do autor que criou esse universo (Kindred), vai atrás de dados dela na corporação comandada por Niander Wallace (Jared Leto), assessorado por Luv (Sylvia Hoeks), que segue a linha da Tyrell original. Nisso, um pequeno cavalo de madeira é a pista para lembranças decisivas, em paralelo com o unicórnio da obra de Scott. Há uma analogia desse símbolo com a árvore sustentada por cordas e uma pequena flor que K recolhe perto dela como se precisasse dela para uma pesquisa científica, tamanha a raridade.
Além disso, K tem uma relação cibernética com Joi (Ana de Armas), um programa de computador que reproduz uma imagem feminina, nos moldes de Ela, mas, como os replicantes do primeiro filme, que então só podiam viver em colônias da Terra, deseja, de forma angustiada, ser humano. Para quem gosta do estilo de atuação de Ryan Gosling (o meu caso), Blade Runner 2049 certamente funcionará melhor. Gosling, como nos filmes de Refn (Drive e Apenas Deus perdoa), usa o mínimo de expressões, mas de maneira relevante e sua busca pelo lado humano que pode existir nele é o mote do roteiro e da direção sensível de Villeuneuve. Suas memórias, mesmo implantadas, são o guia desta viagem. A todo instante, a história pergunta se as sensações são reais ou imaginárias.

O diretor canadense nunca apresentou personagens extremamente simpáticos, e sim conflituosos, e aqui não é diferente. K é um Deckard ainda mais frio, mais concentrado na investigação de por que Rachael morreu e quem seria seu elo de ligação – e sua busca por si mesmo dialoga com a do personagem de Scarlett Johansson em Ghost in the shell este ano. Do lado contrário, Luv faz as vezes de Roy Batty, personagem de Rutger Hauer, com um sentido implacável de abreviar a vida de quem pretende descobrir um determinado mistério decisivo para a trama. Eles são opostos que se complementam. K não deixa de ser um Batty às avessas, com sua paixão real não pela própria existência, mas para compartilhar com os outros sua experiência de vida. O afeto que tem por Joi é real, mesmo romântico (numa cena embaixo da chuva, muito bem filmada por Villeneuve), não o que tem Niander por suas criações – o beijo nelas, depois de deslizarem por uma espécie de placenta plastificada, é um sinal de abandono. O corpo é sempre o símbolo de um prazer proibido (spoiler: K vai ver sua musa desnuda apenas num holograma ao final do filme e sua relação com ela, por meio de Mariette (Mackenzie Davis), é quase impessoal).
Seria talvez desnecessário elogiar a parte técnica, que certamente reproduziria a competência mostrada em Blade Runner. No entanto, é obrigatório: o trabalho de Roger Deakins na fotografia e Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch na trilha sonora (captando as sensações daquela clássica de Vangelis) são exemplos notáveis de como ajudar a contar uma história e tornar este um blockbuster sem elementos de blockbuster (talvez por isso como o primeiro tenha estreado mal nas bilheterias). Além disso, os efeitos visuais trazem um realismo poucas vezes visto em tempos de CGI exagerado: as naves espaciais têm uma movimentação verossímil e Villeneuve, como em Sicario, aproveita para fazer tomadas áreas sobre o deserto de maneira particular. E, na parte de efeitos sonoros, há ecos de A chegada, principalmente, embora aqui sejam mais impactantes.

O filme anterior era mais uma perseguição incessante e atmosférica; este é mais uma investigação, e com todas as minúcias do gênero. Menos noir que o anterior, ele sai de Los Angeles e vai para outros lugares, mostrando mais a amplidão de 2049 do que a opressão da metrópole na vida desses personagens. Isso fica claro desde o início, quando K está atrás de Morton numa espécie de fazenda na Califórnia. Como em Sicario, Villeuneuve está interessado em mostrar cenários imensos, em que o horizonte se perde, e nunca deixa de inserir o espectador num universo futurista incontestável. Se no primeiro Los Angeles parecia Tóquio, com uma profusão infinita de neons, em seu retrato cyberpunk, este lembra mais o deserto… de Las Vegas. No apartamento de K, as luzes do lado de fora remetem mais ao filme de 1982, mas Villeneuve não tenta copiar o estilo de Scott, preferindo os ambientes mais assépticos e menos coloridos, sem também as luzes entrando pelas janelas, uma característica das narrativas noir e dos anos 80. A corporação de Niander lembra muito a do original, mas, ainda assim, parece mais labiríntica, como se a identidade das pessoas se perdesse em corredores e salas frias. Villeneuve sempre foi cuidadoso com o design, mas ele se supera em Blade Runner 2049, levando o espectador realmente para outro universo, com certa influência ainda de Inteligência artificial, na maneira como torna os ambientes desolados e, sobretudo, na sequência passada em Las Vegas, quando há também referências musicais por meio de hologramas e aos duelos de faroeste, que, se resolvidos, só poderiam terminar na mesa de um bar. Em determinado momento, também há uma referência pertinente à exploração do trabalho infantil, porém sem nenhum traço facilitador ou piegas, numa ilha de sucata remetendo a Eraserhead, de Lynch, contrastando com uma reunião de crianças imaginária ao redor de um bolo de aniversário.

Embora Leto e Hoeks tenham participações breves, ambos estão muito bem, assim como Ana de Armas e Robin Wright. Já Harrison Ford, voltando como Deckard, é particularmente emocionante, mais do que sua retomada como Han Solo em Star Wars. Este elenco conserva uma particularidade pessoal, tornando Blade Runner 2049 numa obra bastante independente da primeira, apesar dos óbvios diálogos visuais e temáticos. Se o de Scott tinha uma atmosfera mais pessimista, o novo é mais esperançoso, mas não no sentido do lugar-comum e sim na maneira como visualiza principalmente o trajetória de K. Este é um personagem que amplia a solidão anunciada no clássico de 1982 e, mais ainda, sinaliza para um futuro real. A longa duração (quase 50 minutos a mais que o original) não prejudica; pelo contrário, torna as sequências mais definidas e compostas com um cuidado extremo, fazendo com que cada uma ressoe junto ao espectador. São belas principalmente as que trazem simbologias, como o fogo (nas lembranças de K) e a água (representando a morte e a vida), encontrando na neve (imaginária ou não) o meio-termo para as lágrimas na chuva, da mensagem de Batty, que tanto comovia minha mãe, admiradora do primeiro filme e que, imagino, apreciaria muito também esta nova obra-prima. É um filme que, à medida que é assistido, cresce na imaginação: nunca um replicante do primeiro, mas uma obra grandiosa.

Blade Runner 2049, EUA, 2017 Diretor: Denis Villeneuve Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Robin Wright, Ana de Armas, Sylvia Hoeks, Jared Leto, Dave Bautista, Edward James Olmos, Wood Harris, Mackenzie Davis, Hiam Abbass, David Dastmalchian, Tómas Lemarquis Roteiro: Hampton Fancher e Michael Green Fotografia: Roger Deakins Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Bud Yorkin, Cynthia Yorkin Duração: 163 min. Estúdio: Warner Bros. Distribuidora: Sony Pictures

Guardiões da galáxia Vol. 2 (2017)

Por André Dick

A equipe da série de ficção científica com grande dose de humor retorna em Guardiões da galáxia Vol. 2, mais uma vez dirigido por James Gunn. A volta era previsível, principalmente pela recepção do original junto ao espectador e uma arrecadação de mais de 700 milhões nas bilheterias, uma surpresa, que antecedeu a de Deadpool pelo pouco conhecimento do público em relação aos personagens dos quadrinhos. E ainda mais surpreendente era que Gunn, autor dos roteiros de duas adaptações para o cinema de Scoby-Doo e da refilmagem de Madrugada dos mortos, havia se destacado na direção à frente apenas de Seres rastejantes e Super.
Na equipe, estão novamente Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (Bradley Cooper) e Baby Groot (Vin Diesel), formando os Guardiões da galáxia. A Alta Sacerdotisa Ayesha (Elizabeth Debicki), da raça dos Soberanos, os convoca para proteger baterias de grande valor de um monstro ameaçador, chamado Abilisky, em troca da irmã de Gamora, Nebula (Karen Gillan), que estava tentando roubá-las. Esta sequência, que acontece ao som de “Mr. Blue Sky”, da Electric Light Orchestra, é realmente um dos acertos do universo Marvel: além da mescla entre som e imagens, há uma composição refinada dos ângulos do planeta que remetem ao início de Duna, de David Lynch.

Por causa da atitude de um dos guardiões, a Soberana ataca a nave deles com inúmeros drones, quando surge a figura de Ego (Kurt Russell), o pai de Quill, acompanhado de Mantis (Pom Klementieff). Enquanto isso, Ayesha contrata Yondu Udonta (Michael Rooker), o pai adotivo de Quill, para perseguir os Guardiões. É neste momento que Gunn desvia do humor habitual do primeiro, apesar de manter a trilha sonora, para mostrar algumas das cenas mais fortes do universo Marvel.
Ao contrário do primeiro filme, Guardiões da galáxia Vol. 2 tem uma tentativa de abordar uma relação significativa entre o que seria a origem de Quill e a amizade com seus companheiros. Se no primeiro a ligação era com a mãe, desta vez é com o pai, e Kurt Russell entrega um personagem ambíguo na medida certa, num traço de composição em que ele vem se especializando, desde Os oito odiados. O humor, usado em larga escala no primeiro, está presente, mas de maneira mais contida, principalmente por meio do Groot, a melhor participação da narrativa. É possível vislumbrar uma centelha mais dramática em Chris Pratt, assim como em Michael Rooker, embora Zoe Saldana novamente não ganhe o espaço necessário. Bautista novamente tem boa atuação como Drax, principalmente na sua ligação com Mantis, muito bem interpretada por Klementieff. Não temos aqui as presenças de Josh Brolin (Thanos), Glenn Close (Irani Rael/Nova Prime), John C. Reilly (Rhomann Dey) e Benicio Del Toro (Taneleer Tivan), que de certo modo enriqueciam o elenco original, mas as ausências são supridas não apenas pelas atuações do elenco central como pelos coadjuvantes e pela aparição de Sylvester Stallone.

Como no primeiro, há um padrão interessante de humor despertado por Gunn por meio de seus personagens, com um ritmo quase de animação mas sem se perder na caricatura e sim inserindo os personagens numa ação quase sempre surpreendente – no comportamento do Groot, por exemplo, quando ele precisa ativar uma bomba, embora seus olhos digam o contrário sobre essa atitude extrema diante de uma ameaça. Não apenas por meio de Quill, é visível que Gunn tenta inserir um caráter mais dramático na sua narrativa, principalmente nas expressões de Rocket e do Groot sendo, em determinado momento, colocado numa situação complicada, ou de Gamora e Nebula, sempre inseridas num conflito não solucionado. Há, inclusive, diálogos com uma conotação mais adulta do que o primeiro, de Drax e Quill em relação a Mantis. A mescla resulta interessante não apenas pela interação de elenco, como pelos bons diálogos de Gunn.
Além disso, ainda mais do que o primeiro, a direção de arte de Guardiões da galáxia Vol. 2 é um triunfo, até mesmo de simplicidade, com o design das naves feitos com uma mistura entre CGI e uma estranha coloração humana, aqui se destacando o amarelo fabuloso da raça dos Soberanos. E uma influência visível do Flash Gordon oitentista produzido por Dino de Laurentiis, mas, ainda mais, um cuidado visível com a ambientação fantástica, auxiliada pela fotografia de Henry Braham (A lenda de Tarzan).

O planeta em que a nave dos guardiões cai evoca também Endor de O retorno de Jedi e Pandora de Avatar, e Gunn desenha uma sequência ultraviolenta de maneira sintética apenas com o uso da trilha sonora. Percebe-se o cuidado que o diretor possui em relação aos cenários e à maneira como seus personagens interagem com eles. Como no primeiro, há uma certa profusão de CGI e uma competência técnica que às vezes se sobressai à emoção, mas ainda assim o salto do primeiro para o último ato é interessante.
Se o primeiro lidava com o conhecimento entre si dessa equipe, Gunn parece tentar neste segundo o conhecimento do que leva cada um a se sentir feliz junto uns dos outros. Isso não ocorre sem uma certa amargura e um punhado de decepção no que se refere ao passado. Isso é o que torna este segundo mais diferente do primeiro: mesmo sua trilha sonora mais desconhecida, embora muito boa, contribui para um afastamento do apelo mais pop do original, em que passos de dança podiam significar também um duelo para salvar o universo. Os personagens parecem estar em busca de uma explicação para o que mesmo fazem, e esta explicação pode estar dentro deles mesmos. Aparentemente, esta abordagem poderia ser melhor explorada em alguns momentos, mas mesmo assim se sobressaem aqueles mais íntimos da trama, quase ausentes no original. Isso torna Guardiões da galáxia Vol. 2 surpreendentemente emotivo.

Guardians of the galaxy Vol. 2 Diretor: James Gunn Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker, Karen Gillan, Pom Klementieff, Kurt Russell, Sylvester Stallone, Sean Gunn Roteiro: James Gunn Fotografia: Henry Braham Trilha Sonora: Tyler Bates Produção: Kevin Feige Duração: 136 min. Distribuidora: Disney Estúdio: Marvel Studios

 

007 contra Spectre (2015)

Por André Dick

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Alguns anos depois de 007 – Operação Skyfall, Sam Mendes relutou em voltar à franquia de James Bond, mas, convencido pelo estúdio, rodou mais este 007 contra Spectre. Segundo boa quantidade de admiradores do personagem, ele não deveria tê-lo feito, ou seja, teria sido melhor ele ter deixado sua marca apenas no anterior. Se a franquia com Daniel Craig no papel do agente britânico está em seu quarto filme, e Skyfall é considerado o melhor, seguido por Cassino Royale, deve-se admitir que este novo empreendimento está muito longe de ser o fracasso que quiseram transformá-lo. Pelo contrário, desde seu início no Dia dos Mortos na cidade do Novo México, quando James Bond está atrás de Marco Sciarra (Alessandro Cremona), e antes seduz uma latina para, então, partir de vez ao serviço programado, e o embate se dá num helicóptero, 007 contra Spectre se transforma no filme mais sólido do herói desde 007 – A serviço secreto de sua majestade, o único filme protagonizado por George Lazenby de uma série que já contou, entre seus atores, com Sean Connery, George Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan.

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Daniel Craig sempre fez o James Bond mais bruto da história e aqui acontece o mesmo: a sua ação, desde o início, não é exatamente pela conversa mais ponderada, e sim pela ação da arma. Por isso, talvez M (Ralph Fiennes) queira desativar a sua função, o que Bond não considera, à medida que conta com a ajuda de Q (Ben Wishaw) e Moneypenny (Naomie Harris), em momentos de humor que estavam no mínimo ausentes em 007 – Operação Skyfall e sempre fizeram parte do personagem. Sua ida de Londres para Roma marca um dos grandes momentos da série, quando ele precisa encontrar a mulher de Sciarra, Lucia, feita por uma ótima Monica Bellucci (embora em papel diminuto), e depois se depara com uma seita que nada fica a dever para aquela de De olhos bem fechados, de Kubrick.
Eis um dos melhores momentos da trajetória de Sam Mendes: a construção de suspense dessas cenas desencadeia um 007 realmente mais soturno, mesmo em relação ao anterior, por causa também da fotografia notável de Hoyte Van Hoytema (de Interestelar e Ela), que rende uma das melhores cenas de perseguição. Que o 007 de Skyfall já lidava com traumas do passado do personagem e sua relação com M era, sem dúvida, uma conquista de Mendes e também do diretor de fotografia Roger Deakins, neste parece que o espectador consegue entrar na mente de Bond, como em determinado momento do filme, vendo seus temores. Isso fica claro numa sequência-chave em que ele encontra um determinado homem que o levará à personagem de Madaleine Swann. Que Léa Seydoux não está tão à vontade neste papel, é determinante para que se torne uma das bond girls mais discretas da história. No entanto, tal atitude não extrai de sua presença enigmática uma ponte com o passado do agente, capaz de explicar não apenas o filme, como também os capítulos anteriores, junto com Franz Oberhauser (Christoph Waltz), ou seja, há um espectro rondando 007 realmente, ritmado pela trilha de Thomas Newman, que aproveita temas clássicos dando uma roupagem de suspense.

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O que mais torna o James Bond de Craig interessante desde Cassino Royale é seu equilíbrio entre a força incalculável e uma certa vulnerabilidade em qualquer confronto que precisa enfrentar – e da qual o espectador não sabe se sairá bem, desde o momento em que acaba tomando um whisky de forma descuidada em Cassino Royale. Ainda assim, essa vulnerabilidade é que estabelece o personagem como um ser humano e não meramente um agente secreto capaz de defender as cores da Rainha da Inglaterra desde sua origem.
Mendes, de maneira sugestiva, coloca os momentos iniciais numa claridade que serão ofuscados pela noite tanto da Inglaterra quanto de Roma, onde se dará o início dos eventos que levarão ao grande confronto, e durante a narrativa vai alternando lugares escuros com lugares claros dependendo das motivações estarem evidentes ou não para Bond. Há um enigma em 007 contra Spectre que não havia nos filmes anteriores de Craig e dificilmente foram tratados em algum momento. Sam Mendes é um cineasta irregular, mas muito interessante, capaz de ter se consagrado já no início de carreira com Beleza americana e sucedendo a trajetória com filmes que mostram os recantos escuros da América, a exemplo de Estrada da perdição, Soldado anônimo e Foi apenas um sonho, além de seu singelo Distante nós vamos, irrealizado filme sobre um casal querendo criar laços entre si e com os outros. Em todos esses filmes, Mendes mostra a fragilidade das relações, no entanto sempre oferece uma espécie de segunda chance a seus personagens.

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Num determinado encontro com Madeleine, a claridade do vagão de trem não chega a iluminar por completo uma cena que certamente vai desencadear algo muito remoto e escondido dentro de cada um desses personagens, além da ameaça de Mr. Hinx (Dave Bautista). É como se David Fincher estivesse fazendo um capítulo da franquia de 007, e não por acaso, mesmo pela presença de Craig, temos indícios da presença de Millennium na maneira como as paisagens são enquadradas, embora Rooney Mara seja mais participativa do que Seydoux e estabeleça uma parceria mais convincente com o ator. O ritmo empregado por Mendes traz um equilíbrio entre as paisagens espetaculares e as ações, com uma elegância incomum, já entrevista em Operação Skyfall, mas que chega ao ápice neste filme. Sua necessidade de mostrar James Bond como uma figura complexa, sempre ligado a uma questão familiar, é uma das saídas mais interessantes do período da série em que Daniel Craig está à frente. Mendes, com isso, nunca o mostra como um agente voltado apenas para sua missão, e sim como uma figura com virtudes e falhas. Desse modo, 007 contra Spectre é uma peça de alta tensão, feita realmente com a dedicação dada a um filme de Bond e que alterna cenários distintos como a naturalidade de quem muda o figurino do personagem central.

Spectre, Reino Unido, 2015 Diretor: Sam Mendes Elenco: Daniel Craig, Christoph Waltz, Léa Seydoux, Ben Whishaw, Naomie Harris, Andrew Scott, Monica Bellucci, Ralph Fiennes, Dave Bautista Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade Fotografia: Hoyte Van Hoytema Trilha Sonora: Thomas Newman Produção: Barbara Broccoli, Michael G. Wilson Duração: 148 min. Distribuidora: Sony Pictures Estúdio: B24 / Columbia Pictures / Eon Productions / Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / United Artists

Cotação 4 estrelas e meia

 

Guardiões da galáxia (2014)

Por André Dick

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O universo da Marvel apresentou, nos últimos anos, uma seleção de filmes de grande bilheteria, com super-heróis firmados nos quadrinhos por Stan Lee. Neste ano, depois de Capitão América e Homem-Aranha, tivemos uma adaptação de quadrinhos não tão conhecidos: aqueles de Guardiões da galáxia. Já com certo estilo garantido e um público fiel, esse tipo de adaptação costuma ser recebida com desconfiança pela crítica, mas, se apresentar elementos novos em relação aos anteriores, logo é acolhida. Não parece ter sido diferente com o filme de James Gunn, antes responsável pelo roteiro das adaptações de Scooby-Doo para o cinema. Os elementos diferentes em relação aos anteriores se baseia na sucessão de gags que esses personagens trazem.
No início, logo na chegada a um planeta estranho, atrás de um objeto, o orbe, o anti-herói, Peter Quill (Chris Pratt), abduzido quando criança depois de um momento definidor de sua vida, precisa enfrentar uma trupe. Mas, antes, ele adentra as ruínas de uma construção no planeta Morag, aos passos de “Come And Get Your Love”, como se fosse uma espécie de Moonwalker, apanhando um rato como microfone. Estes créditos iniciais são hilários e antecipam o que Guardiões da galáxia mais tem de especial: um humor involuntário que remete aos melhores momentos de certo cinema descompromissado dos anos 80. Logo com o orbe, Quill vai parar no negócio de um contrabandista, sendo esperado à porta por Gamora (Zoe Saldana), filha adotiva de Thanos (Josh Brolin), aliado a Ronan (Lee Pace). Daí a se deparar com Rockett (voz de Bradley Cooper) e Groot (voz de Vin Diesel) – um “ent” minúsculo –, é questão de uma dezena de minutos. Todos já estão numa prisão, onde conhecem Drax (Dave Bautista), de onde tentarão escapar – e neste ponto já estão no encalço para recuperar o orbe.

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Guardiões da galáxia.Filme 1

Pode-se perceber por poucas cenas iniciais o que Guardiões das galáxias tem de melhor: as referências, no espaço, à Terra, e elas acontecem com Peter, abduzido quando criança mas teve tempo, pelo menos, de assistir a um dos musicais preferidos dos anos 80. Gunn tem, entre seus filmes, evidentemente uma referência clara, que é o Flash Gordon do início dos anos 80, embora com cenários mais baseados no CGI. Isto é explicado não apenas pela trilha sonora – conduzida pelo DJ Quill – como pelos vilões ameaçadores e, de certo modo, bastante caricatos. A questão é que o motivo para o enredo – o orbe que todos tentam possuir – é muito parecido com o Tesseract de Os vingadores, evidentemente pela mesma origem, mas isso inclui um sentido de comparação capaz de empobrecer o filme de Gunn em termos de motivação. Trata-se de uma justificativa do roteiro para reunir todos esses personagens em torno de uma necessidade de variação, mas não se sustenta ao longo da narrativa.
Os guardiões são figuras interessantes, a exemplo de Rocket, mas são baseados numa corrente de humor que não se mantém o tempo todo, sobretudo quando se pega como parâmetro a meia hora inicial, com uma dose equivalente de humor no espaço que não se vê desde os desentendimentos de Han Solo e Chewbacca com os problemas mecânicos da Millenium Falcon. De qualquer modo, há um padrão interessante de humor despertado por Gunn por meio de seus personagens, com um ritmo quase de animação (Uma aventura LEGO também possuía essa característica), mas sem se perder na caricatura e sim inserindo os personagens numa ação quase sempre surpreendente – no comportamento do Groot, por exemplo, num possível plano de fuga. Sempre que há uma queda no ritmo, Gunn aproveita para lançar mão de seu repertório musical setentista, no qual se encaixa até mesmo a contagiante “Cherry Bomb”, das Runaways, numa profusão setentista espaço sideral afora. Certamente, Rocket, o guaxinim, é a melhor figura, ao lado de Groot, fruto de experimentos científicos – fazendo com que, em determinado momento, se rebele num planeta cujas sacadas parecem remeter às tribos de Ewoks de Endor. Com voz de Bradley Cooper – particularmente não parece dele –, Rocket é o melhor personagem de Guardiões da galáxia, mesmo que sem sua voz humana seja produto apenas de efeitos especiais competentes. No entanto, mais do que a relação entre Peter e Gamora, é a amizade entre Rockett e Quill que dá o mote emocional do filme. E não se pode negar que o elenco tem outros bons nomes, como Glenn Close (Irani Rael/Nova Prime), John C. Reilly (Rhomann Dey) e Benicio Del Toro (Taneleer Tivan), que conseguem boas participações.

Guardiões da galáxia.Filme 2

Guardiões da galáxia.Filme 3

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Gunn é um diretor competente para desenvolver ambientes e ele disfarça bem o orçamento não tão milionário quanto o de outros filmes da Marvel com uma boa concepção de cores e de cenários, trazendo uma mistura entre o verde e o rosa para a composição do filme – em razão principalmente da tonalidade de pele de Gamora. A direção de Guardiões da galáxia, até determinado ponto, é um triunfo, até mesmo de simplicidade, com o design das naves feitos com uma mistura entre CGI e uma estranha coloração humana. De qualquer modo, ele não tem o mesmo sucesso nas transições da narrativa: apesar de o ritmo ser ágil nos atos que enlaçam o filme, não há uma continuidade clara em determinados momentos e, com metragem razoável (certamente suas duas horas deveriam ter sido encurtadas), ele se sente estranhamente confuso nas cenas de ação, influenciadas diretamente pela segunda trilogia de Star Wars, e mesmo o duelo entre Gamora e Nebula (Karen Gillan), que poderia lidar com uma questão familiar mais sólida, assim como os atritos entre Quill e seu antigo chefe,  Yondu (Michael Rooker), se mantêm com algum interesse, mas menos do que aquele que serve para novos duelos. Há as mesmas características da segunda trilogia de Star Wars, uma certa profusão de CGI e falta de naturalidade nas ações e uma competência técnica que acaba extraindo a emoção. Algumas vezes, nessas cenas, os personagens não são  bem visualizados e não sabemos muito bem o que está acontecendo, não simplesmente por causa da ação desenfreada e sim por uma dificuldade nos cortes para cada passagem. E entre os vilões, por mais que sejam bons atores (Brolin), falta um roteiro mais interessante, o que certamente possui, por exemplo, Tom Hiddleston como Loki. No entanto, Guardiões da galáxia continua seguindo a linha de humor existente no início do filme e tenta equilibrar Runaways e Marvin Gaye – a trupe de Quill é um convite a uma sessão não apenas de efeitos especiais, mas sonora.

Guardians of the galaxy, EUA, 2014 Diretor: James Gunn Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Lee Pace, Michael Rooker, Karen Gillan, Djimon Hounsou, Josh Brolin Roteiro: Chris McCoy, Nicole Perlman Fotografia: Ben Davis Trilha Sonora: Tyler Bates Produção: Kevin Feige Duração: 121 min. Distribuidora: Hughes Winborne / Walt Disney Pictures Estúdio: Craig Wood / Marvel Enterprises / Marvel Studios

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