Suspíria – A dança do medo (2018)

Por André Dick

A versão de Luca Guadagnino para Suspiria retoma alguns elementos narrativos do original, mas os reveste com um novo olhar. Ele inicia justamente na Alemanha em 1977 (ano do filme original), quando chega uma norte-americana menonita vinda de Ohio, Susie Bannion (Dakota Johnson), ao Markos Dance Academy, em Berlim. Uma de suas estudantes, Patricia Hingle (Chlöe Grace Moretz), desapareceu, depois de contar ao seu psicoterapeuta Josef Klemperer (Tilda Swinton) que a Academia é coordenada por bruxas, que formariam as Três Mães: Mater TenebrarumMater Lachrymarum e Mother Suspiriorum. Klemperer suspeita que algo acontece de errado na academia depois do desaparecimento dela.
Durante um dos ensaios, a estudante Olga (Elena Fokina) discute com a coreógrafa Madame Blanc (novamente Tilda Swinton) – e isso justamente um pouco antes de Susie começar a se destacar, numa coreografia determinada pelo impulso das mãos de Blanc. Embora Gadagnino não utilize as cores como Argento fazia na versão dos anos 70, pelo contrário compõe uma espécie de extensão do cenário da Segunda Guerra, com uma Alemanha ainda dividida em oriental e ocidental, e ruas e muros que lembram os guetos onde os judeus foram tragicamente assassinados. Embora com um estilo simétrico que às vezes remeta a Nicolas Winding Refn em Demônio de neon, Suspíria – A dança do medo joga com mais nuances, principalmente em seu design de produção e na fotografia repleta de zooms e captação atmosférica de Sayombhu Mukdeeprom.

Por isso, pode-se dizer que esta refilmagem lida com uma camada quase histórica e absolutamente séria e outra camada ligada ao terror mais ostensivo. Quase nunca Suspíria se inclina para o sangue do original – no entanto, quando se inclina, lida com imagens que, embaralhadas, vão formando um sentido metafórico, principalmente no primeiro ensaio de dança, que cria um paralelo com uma situação angustiante e muito bem filmada. Mesmo quando Susie chega à Academia, forma-se a palavra Theathre num letreiro embaralhado a seu fundo; em outros momentos, o espectador vê a capa de uma revista com a palavra Terror, como se estivesse comentando o que acontece, e a gangue Baader-Meinhof, um grupo violento à solta em Berlim e que toma conta dos noticiários.
Na Academia, também há a líder Madre Markos (Swinton novamente), que controla o clã, Miss Tanner (Angela Winkler) e Miss Griffith (Sylvie Testud). Susie, longe da sua rotina, torna-se amiga de Sara (Mia Goth) e passa a ser protegida por Blanc, principalmente para a nova peça que será encenada, “Volk”.

Argento fazia em seu filme uma espécie de diálogo multicolor com o expressionismo alemão: enquanto lá contava o jogo de sombras no preto e branco, em Argento o arsenal de cores trabalha para não identificar seu cenário com o que existe de mais aparentemente assustador, tal como Jodorowsky havia feito em A montanha sagrada, quatro antes, para mostrar uma certa psicodelia visual dos anos 1970. Esta trajetória vivida pela personagem central era típica de um personagem ingênuo de conto de fadas: não por acaso, ela sempre estava à mercê das pessoas a seu redor, fragilizada e assustada. Suzy era uma reprodução de várias mocinhas dos estúdios Disney e o espectador percebia que em algum momento estava vendo uma espécie de Alice no país das maravilhas em formato de terror e sustos. Também podia estar em meio a O mágico de Oz, uma influência declarada para a captação de cores da iluminada fotografia de Tovoli, em que os movimentos das pernas embaixo d’água na piscina adquiriam uma sobreposição com a cena do bosque da abertura do filme e uma ameaça externa, vinda de uma figura ligada à magia.

Na versão de Guadagnino, Suzy é uma personagem muito mais ligada a uma sexualidade não latente, encoberta por sua ligação familiar, pela doença familiar e por sua perturbadora ligação com Madame Blanc, bem delineadas pelas atuações de Dakota e, sobretudo, de Swinton (perfeita no papel e preparada para ele pelo menos desde Amantes eternos). O design de produção do novo Suspiria não se faz exatamente pela linha do onirismo dessa multiplicidade de cores, concentrado mais em cores que remetem à roupa que usavam os judeus nos campos de concentração. A paleta de cores trabalha mais com vidros embaçados, pisos geométricos, salas escondidas por cortinas ou espelhadas. O subsolo da Academia esconde segredos assim como o passado da personagem central e expande o que Guadagnino havia feito em Um sonho de amor e Me chame pelo seu nome.
A trilha de Thom Yorke (Radiohead) substitui a clássica de Globi, muito mais baseada em cordas que evocam uma tensão interna do que uma sinfonia que remete a um filme de terror angustiante. É interessante como Guadagnino a utiliza para tornar sua trama semilenta, baseada em poucos movimentos dos personagens. A trama, não à toa, vai sendo conduzida aos poucos, com cada um mostrando (ou não) suas motivações. Percebe-se que o roteirista David Kagjanich não aprecia realmente o original: sua tentativa é a de desenhar uma obra de terror com um pano de fundo de textura histórica. Klemper é o elo de ligação da narrativa com essa história, culpado de ter perdido sua esposa para os nazistas durante a Segunda Guerra e que sintetiza o paralelismo com a academia de dança: os horrores da guerra se reproduzem disfarçados pela música clássica. E, se os dois primeiros atos possuem uma lentidão europeia que renova o gênero de terror substancialmente, a parte final suscita uma aproximação evidente com experimentos fellinianos: Guadagnino transforma a Academia numa espécie de submundo da versão do diretor italiano para Satyricon. É perturbador e realizado com máxima competência, dando a seu filme uma importância maior do que imaginaria ter.

Suspiria, EUA/ITA, 2018 Diretor: Luca Guadagnino Elenco: Dakota Johnson, Tilda Swinton, Mia Goth, Angela Winkler, Ingrid Caven, Elena Fokina, Sylvie Testud, Renée Soutendijk, Christine LeBoutte, Fabrizia Sacchi, Małgosia Bela, Jessica Harper, Chloë Grace Moretz Roteiro: David Kajganich Fotografia: Sayombhu Mukdeeprom Trilha Sonora: Thom Yorke Produção: Marco Morabito, Brad Fischer, Luca Guadagnino, David Kajganich, Silvia Venturini Fendi, Francesco Melzi d’Eril, William Sherak, Gabriele Moratti Duração: 153 min. Estúdio: K Period Media, Frenesy Film Company, Videa, Mythology Entertainment, First Sun, Memo Films Distribuidora: Amazon Studios (Estados Unidos), Videa (Itália)

Lugares escuros (2015)

Por André Dick

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No ano passado, David Fincher adaptou com ótima recepção de público e crítica o suspense Garota exemplar, escrito por Gillian Flynn. Apesar de Flynn colaborar diretamente no roteiro, a partir de determinado momento é possível que seu estilo é substituído claramente pelo de Fincher, na maneira de conduzir a narrativa e os personagens, em parte resultando numa decepção, pois em seus projetos anteriores o diretor havia conseguido um notável equilíbrio. Pouco tempo depois (o romance original é de 2009), Flynn tem outro romance adaptado para as telas do cinema, Lugares escuros. Como em Garota exemplar, trata-se de uma trama de mistério e de indagações, relacionadas desta vez a um passado um pouco mais longínquo.
Libby Day (Chalize Theron) é sobrevivente de um massacre ocorrido em 1985, em Kinnakee, no Kansas, no qual parte de sua família terminou morta. Desde então, ela tem conseguido vários ganhos financeiros a partir desse acontecimento, seja por meio de livros, seja por meio de programas de TV, porém chega-se ao limite, e suas economias cessaram. Ela é procurada por Lyle Wirth (Nicholas Hoult), líder do Kill Club, formado por integrantes obcecados por assassinatos e crimes nunca solucionados devidamente. Lyle é dono de uma lavanderia, mas decide dar a Libby todo o custo financeiro cobrado para ela cobaborar com novas informações para saber se o que aconteceu ou não no Kansas corresponde às informações das autoridades. Segundo a mesma Libby declarou aos 8 anos de idade, tudo aconteceu da forma como relatado à época. A partir daí, Libby decide visitar o irmão acusado pelos assassinatos, condenado à prisão, Ben (Corey Stoll).

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Ao mesmo tempo, a narrativa começa a lançar os flashbacks sobre sua vida familiar numa fazenda do interior. Nela, sua mãe, Patty (Christina Hendricks) convive com os problemas conflituosos de Ben (Tye Sheridan), aos 15 anos, e ainda Michelle (Natalie Precht) e Libby (Sterling Jerins). Esta tem um bom relacionamento com o irmão, que se vê envolvido com Diondra Wertzner (Chloë Grace Moretz) e Trey (Shanon Kook), integrantes de uma estranha seita. Decisivamente, Libby está interessada em remontar essa história como um quebra-cabeças, vendo inclusive onde entram seu pai, Runner (Sean Bridgers) e Krissi (Addy Miller), uma menina que, à época, teria acusado Ben de tê-la molestado – fazendo a notícia se espalhar por toda a escola. Há vários temas em Lugares escuros: hipotecas de fazendas, crianças ameaçadas e jovens desgovernados. E há o Kill Club, embora apenas no início, pouco explicado pela narrativa e com uma ideia severamente desperdiçada.
O diretor francês Gilles Paquet-Brenner faz uma sucessão de idas e vindas no tempo para entendermos a presença de Libby no dia do massacre, e para isso ele tem o auxílio da fotografia de Barry Ackroyd. Responsável por trabalhos de filmes com movimentação de câmera contínua, como Guerra ao terror e Capitão Phillips, Ackroyd tenta dar uma motivação a todos os momentos de Lugares escuros, com êxito em alguns momentos, e em outros nem tanto. Não há um grande alento nas imagens de Lugares escuros, mas, de algum modo, este clima oferecido pelo filme leva todos os personagens a uma espécie de afastamento da realidade.

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Tanto quanto o clube coordenado por Lyle – em mais uma boa atuação de Hoult, que também divide a cena de Mad Max com Theron –, essas figuras estão dominadas por uma faceta noturna. Libby se movimenta com dificuldade, sempre associada ao massacre, enquanto o irmão está na prisão. As lembranças da mãe não são menos pesadas, e Hendricks mais uma vez consegue atuar bem  num papel de determinado modo limitado. No entanto, é Sheridan e Moretz que conduzem o filme para o foco do mistério e se mostram mais uma vez bons atores, sobretudo Sheridan, depois de Amor bandido e Joe (uma grande falha com Nicolas Cage, quase salva por ele). Theron, por sua vez, tem uma boa presença de cena, embora seu personagem não seja muito diferente daqueles que já protagonizou: em muitos momentos, a gelidez de Libby impede o espectador de uma aproximação maior, como se ela fosse a responsável pela nave de Prometheus. Em parte, isso é necessário para o papel, contudo Theron exagera por vezes, repetindo alguns maneirismos de amargura já entrevistos em Jovens adultos; Hoult ao aparecer em cena, como em Mad Max, consegue recompor a narrativa, apesar de nunca usado como deveria.
Entende-se que Gillian Flynn teria feito um romance com acontecimentos improváveis, mas isso já transparecia em Garota exemplar, cuja parte final é próxima do desastroso. Se Paquet-Brenner não tem nem um traço do talento para o visual de Fincher, pode-se dizer que sua trama é mais árida e concentrada, ao contrário daquela apresentada em Garota exemplar.

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Esses personagens, a começar por Libby, não têm exatamente uma polidez: há um universo encoberto e mesmo sujo aqui, e Paquet-Brenner consegue retratá-lo com uma atmosfera por vezes assustadora, tendo como base a música de Gregory Tripi. Temos imagens da cidade grande e de clubes noturnos (inclusive o Kill Club) e elas não são diminuídas pelas imagens bucólicas do interior: nessas, pelo contrário, existe ainda uma ameaça maior, como se o lado campestre estivesse sempre em união com o urbano, nunca trazendo alívio aos personagens; a sua atmosfera é quase inabitável e habilmente incômoda. O espectador nunca se sente à vontade com sua variação de cenários, aparentemente sempre com o objetivo de cada um parecer preso à sua forma de agir. As improbabilidades do que acontece, reservadas a um suspense e a um thriller, não jogam o filme na vala comum; antes, fazem parte apenas do gênero, e o diretor consegue fazer uma sucessão contínua de novas informações se sobrepondo junto com a recuperação do passado. Uma pena o filme falhar em seus instantes finais, quando o diretor deixa as descobertas subentendidas e não recompõe a importância de cada personagem para o contexto. Ainda assim, Lugares escuros lança o espectador em meio a uma narrativa capaz de atrair a atenção e não aponta a necessidade de uma resolução definitiva para aquilo que aos poucos também se desmantelou na memória de Libby.

Dark places, FRA/EUA, 2015 Diretor: Gilles Paquet-Brenner Elenco: Charlize Theron, Nicholas Hoult, Chloë Grace Moretz, Christina Hendricks, Tye Sheridan, Corey Stoll, Drea de Matteo, Natalie Precht, Sean Bridgers, Shannon Kook, Sheri Davis, Sterling Jerins Roteiro: Gilles Paquet-Brenner Fotografia: Barry Ackroyd Trilha Sonora: Gregory Tripi Produção: Charlize Theron, Peter Safran, Stéphane Marsil Duração: 114 min. Distribuidora: Paris Filmes Estúdio: Cuatro Plus Films / Da Vinci Media Ventures / Denver and Delilah Productions / Exclusive Media Group / Hugo Productions / Mandalay Vision

Cotação 3 estrelas e meia

Kick-Ass 2 (2013)

Por André Dick

Kick ass 2.Filme 2Há filmes despretensiosos que surgem com a mesma pressa com que criam admiradores de todas as idades, e um deles foi o primeiro Kick-Ass, com Nicolas Cage, lançado em 2010, que se tornou um cult movie, com sua sátira ao sentimento de heroísmo dos Estados Unidos. Embora não tenha sido um grande sucesso de bilheteria, era esperado que alguns anos depois se fizesse sua continuação, que parte do ponto em que o filme anterior parou, com a direção agora de Jeff Wadlow, baseado novamente nos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr.
O que chama a atenção, em primeiro, é o visual de Kick-Ass 2, com a fotografia excepcional de Tim Maurice-Jones (do ótimo Snatch), e a direção de arte e figurinos leves, além do destaque dado à Hit-Girl, feita por Chloë Grace Moretz. Trata-se de uma atriz que, nesse meio tempo, fez dois sucessos, A invenção de Hugo Cabret e Sombras da noite, e recentemente lançou-se na nova versão de Carrie, interpretando uma adolescente que tenta fugir ao lugar-comum. Aqui, no papel de Mindy Macready, ela continua tentando, a princípio, ser uma heroína, mesmo que com a ausência de Big Daddy (Nicolas Cage) e a contrariedade de Marcus (Morris Chestnut), o amigo policial de seu pai, que recebeu a sua guarda. Ela dá aulas a Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson, quase irreconhecível, depois de Anna Karenina), o Kick-Ass, a fim de que possam combater o crime. No entanto, em algum momento, Marcus lhe pede que deixe a vida de encurralar bandidos em becos.

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Kick ass 2

Morando num subúrbio de casas exatamente iguais e jardins iluminados, Mindy sente sua vida um tédio e tenta se adaptar ao burburinho adolescente do colégio, saindo com, ao que parece, uma chefe de torcida repleta de maldade, pois ela seria desajeitada, à procura pela adaptação do que seria uma vida normal, com uma espécie de sátira a Beleza americana.
Enquanto isso, Kick-Ass continua querendo participar do combate ao crime e se junta a um grupo comandado pelo Coronel Star and Stripes (Jim Carrey, que criticou a violência do filme depois do lançamento, e certamente porque ele está envolvido em algumas das cenas mais fortes), que conta, entre outros, com Buttle Guy (Clark Duke), um casal que teve o filho desaparecido (Steven Mackintosh e Monica Dolan) e “Night-Bitch” (“Vadia da Noite”), feita por Lindy Booth, e se reúne num QG com a bandeira dos Estados Unidos formada por lâmpadas. Os nomes dos personagens são diretos como a premissa do filme, que basicamente é mostrar como uma parte da adolescência e adultos fantasiados gostariam de ver os desejos de ser super-herói reproduzidos contra os playboys que têm dinheiro para gastar com armas e contratar uma gangue, papel que cabe ao Motherfuck (Christopher Mintz-Plasse), auxiliado, entre outros, por Mother Russia (Olga Kurkulina), fisiculturista que lembra Ivan Drago de Rocky IV. Tudo encoberto por um discurso de como os pais são importantes, como se quisessem também satirizar algum filme da Disney, e de como negar o que pedem pode conduzir a um desvio inesperado.

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Kick ass 2.Filme

Uma espécie de duelo entre as castas de Nova York e seu subúrbio, Kick-Ass 2 mostra ainda que o desejo dos jovens por armas pode ser também apenas uma brincadeira de desenhos animados e que decepar mãos pode ter o mesmo resultado de um videogame. Num país com tantos casos desse gênero (e alguns filmes mostram bem), Kick-Ass 2 soa como uma provocação de Hollywood bastante calculada em alguns momentos, com tiradas específicas, mas equivocado na maior parte do tempo. A impressão, desta vez, é sempre que tenta soar moderno nos dá a impressão de não ser exatamente um filme, mas, pelas cores, diálogos, uma propaganda para consumo rápido, tendo como guia o guia o mais exagerado Quentin Tarantino, de Kill Bill – Vol. 1, que colocou o filme em seu Top 10 antecipado de 2013. E Tarantino, para o bem ou para o mal, foi o precursor de tornar a sanguinolência com os recursos de DJ de filmes em algo colorido e multiespalhafatoso. Mas onde mais Kick-Ass 2 quer ser amoral mais ele parece se tornar gratuito e desnecessário. A ironia e a sátira não se fecham com o que vemos, e, embora Chloë Moretz seja uma atriz talentosa, aqui, não lhe é dado roteiro para trabalhar. Suas falas, que pretendiam ser engraçadas, parecem escapar com certo constrangimento.
É difícil não reconhecer que algumas sequências são muito bem feitas (particularmente, uma visita da gangue do mal a um bairro e o clímax), embora outras não tenham a graça que gostariam de ter (uma visita de Mindy ao restaurante da escola, com um instrumento específico, é a mais exagerada delas, mas não perde para aquelas em que Jim Carrey, em seu pior momento, aparece). Pode-se dizer que a atmosfera de Kick-Ass 2 é mais interessante do que exatamente seu conteúdo e, com a exceção de que prende a atenção, que, lamentando-se a presença de Chloë Grace Moretz, sua sátira em relação à sociedade acaba se voltando contra o próprio roteiro, em ritmo de fantasia narcisista.

Kick-Ass 2, EUA, 2013 Diretor: Jeff Wadlow Elenco: Chloë Grace Moretz, Aaron Taylor-Johnson, Jim Carrey, Morris Chestnut, John Leguizamo, Lindy Booth, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Olga Kurkulina, Steven Mackintosh, Monica Dolan Roteiro: Jeff Wadlow  Fotografia: Tim Maurice-Jones Trilha Sonora: Henry Jackman, Matthew Margeson Produção: Adam Bohling, Brad Pitt, David Reid, Matthew Vaughn, Tarquin Pack Duração: 103 min. Distribuidora: Universal Estúdio: Marv Films / Universal Pictures

Cotação 2 estrelas