Melhores filmes 1990-1999

Por André Dick

Melhores filmes.1990.1999.Cinematographecinemafilmes

Com o intuito de organizar uma seleção de filmes da década de 1990, assim como aconteceu em relação aos anos 80, é apresentada, aqui, uma lista de melhores a cada ano, de 1990 a 1999, cada uma seguida por menções honrosas. O cinema dos anos 90 é um dos mais interessantes já realizados, não apenas por sua multiplicidade, mas pela maneira como muitos de seus filmes continuam influenciando a produção contemporânea.
Caso selecionemos apenas o período entre 1990 e 1992, veremos alguns dos filmes mais importantes e referenciais já feitos, trazendo a concretização de cineastas que surgiram nos anos 70 e 80, a exemplo de Martin Scorsese, Steven Spielberg, Tim Burton, David Lynch, David Cronenberg, Oliver Stone, Woody Allen, Joel e Ethan Coen, Gus Van Sant, Brian De Palma, Jim Jarmusch, entre outros – e, após o início da década, um lento desaparecimento de Francis Ford Coppola, tão destacado nas décadas de 70 e 80. Dos cineastas norte-americanos que começaram a produzir em décadas anteriores, quem se firmou nessa década foi Clint Eastwood, que desde os anos 80 tentava encontrar seu estilo por trás das câmeras.
Há alguns movimentos, voluntários ou não, nessa década, e remetem ao cinema iraniano, com nomes como Abbas Kiarostami e Majid Majidi; ao cinema oriental, com nomes como Wong Kar-Wai, Ang Lee (que ao final da década já estava em Hollywood), Zhang Yimou, John Woo – de filmes de ação – e ainda, no início da década de Akira Kurosawa; e ao movimento (de fato) Dogma 95, de Thomas Vinterberg e Lars von Trier.
O cinema francês também continuou marcando presença destacada, sobretudo com a obra de Leos Carax, embora o principais nomes da Europa sejam os de Krzysztof Kieślowski, em razão da Trilogia das Cores, que marcaria toda a década, e do húngaro Béla Tarr. Ao lado de ambos, o mais comentado foi o de Pedro Almodóvar. Mas também Michael Haneke antecipou seus filmes dos anos 2000, com uma mescla entre Hitchcock e as ameaças contemporâneas de uma cultura que tenta compreender de onde surge a violência. Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro fizeram Delicatessen, Bruno Dumont firmou-se e Jean-Pierre e Luc Dardenne se destacaram, sobretudo em Cannes.
Também surgiram alguns grandes nomes do cinema norte-americano, de forma independente, naquele mercado a que se deu o nome de indie: Quentin Tarantino, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Alexander Payne, Spike Jonze, Hal Hartley, Richard Linklater, Sofia Coppola e Todd Solondz.
Além dos Irmãos Washowski, em Bound e Matrix, no gênero noir e de ficção científica, e de Peter e Bob Farrelly, no campo da comédia.
Com Alien3 surgiu David Fincher, até então diretor de videoclipes e dando início à carreira, que prosseguiria com Seven, Vidas em jogo e Clube da luta.
Do México, surgem Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón. Da Inglaterra, surge Danny Boyle, com Cova rasa e Trainspotting, e Mike Leigh, Jim Sheridan, James Ivory e Terry Gilliam se reafirmam. Da Itália, Giuseppe Tornatore passa a ser uma referência, depois de surgir nos anos 80 com Cinema Paradiso. Na Suécia, surge Lukas Moodysson e na Alemanha Tom Tykwer.
Cineastas europeus firmaram a carreira em Hollywood, como Lasse Hallström e Paul Verhoeven.
Em 1998, tivemos o retorno de Terrence Malick, e em 1999 a despedida de Stanley Kubrick. A animação dos estúdios Walt Disney regressou com títulos com A bela e a feraAladdin e O rei leão, mas quem se tornou realmente destacado no gênero foi o cineasta Hayao Miyazaki. Entre os cineastas brasileiros, Walter Salles revelou um grande talento em A grande arte (sua estreia), Central do Brasil, Terra estrangeira (esses dois em parceria com Daniela Thomas)  e Carlos Reichenbach fez o antológico Alma corsária.
Como observado na lista aos melhores filmes dos anos 1980, alguns filmes que não agradam na primeira visão se mostram interessantes e até mesmo indispensáveis quando revisitados. Do mesmo modo, outros que a princípio parecem indispensáveis, com o passar dos anos parecem ter o impacto reduzido e se tornam menos importantes. A premissa de que um filme é bom ou fraco muitas vezes varia, mas a distância dos anos parece ser a melhor maneira de constatar isso. Os anos de cada filme estão de acordo com o IMDb, com raras exceções.
Espera-se que as listas levem você, cinéfilo e leitor, a rever ou descobrir alguns desses filmes.

1. Close-up (Abbas Kiarostami)
2. O céu que nos protege (Bernardo Bertolucci)
3. Sonhos (Akira Kurosawa)
4. A viagem do capitão Tornado (Ettore Scola)
5. Edward, mãos de tesoura (Tim Burton)
6. Coração selvagem (David Lynch)
7. O poderoso chefão III (Francis Ford Coppola)
8. Estamos todos bem (Giuseppe Tornatore)
9. Dick Tracy (Warren Beatty)
10. Dias selvagens (Wong Kar-Wai)

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11. Filhos da guerra (Agnieszka Holland) 12. Horas de desespero (Michael Cimino). 13. Alucinações do passado (Adrian Lyne) 14. Coração de caçador (Clint Eastwood) 15. Os bons companheiros (Martin Scorsese) 16. Confiança (Hal Hartley) 17. Linha mortal (Joel Schumacher) 18. Dança com lobos (Kevin Costner) 19. Avalon (Barry Levinson) 20. Tempo de despertar (Penny Marshall)

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Menções honrosas: Ata-me (Pedro Almodóvar), Lembranças de Hollywood (Mike Nichols), Darkman (Sam Raimi), De volta para o futuro III (Robert Zemeckis), Nikita (Luc Besson), Louca obsessão (Rob Reiner), Loucos de paixão (Luis Mandoki), O vingador do futuro (Paul Verhoeven), Te amarei até te matar (Lawrence Kasdan), Destino em dose dupla (James Orr), Stelinha (Miguel Faria Jr.), Uma história americana (Richard Pearce), Esqueceram de mim (Chris Columbus), As aventuras na ilha do tesouro (Frase Clarke Heston), Minha mãe é uma sereia (Richard Benjamin), Jovem demais para morrer (Geoff Murphy), A chave do enigma (Jack Nicholson), RoboCop 2 (Irvin Kershner), Aracnofobia (Frank Marshall), O ataque dos vermes malditos (Ron Underwood), Duro de matar 2 (Renny Harlin), Acima de qualquer suspeita (Alan J. Pakula), Meu pequeno paraíso (Herbert Ross), Simplesmente Alice (Woody Allen), Mais e melhores blues (Spike Lee), A fogueira das vaidades (Brian De Palma), Gremlins 2 (Joe Dante)

Melhores filmes.1991.Cinematographe

1. JFK – A pergunta que não quer calar (Oliver Stone)
2. Os amantes da Pont-Neuf (Leos Carax)
3. O boi (Sven Nykvist)
4. Cabo do medo (Martin Scorsese)
5. Brincando nos campos do senhor (Hector Babenco)
6. Barton Fink – Delírios de Hollywood (Joel e Ethan Coen)
7. Nosso querido Bob (Frank Oz)
8. Até o fim do mundo (Wim Wenders)
9. Delicatessen (Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro)
10. A grande arte (Walter Salles)

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11. Kafka (Steven Soderbergh) 12. Grand Canyon – Ansiedade de uma geração (Lawrence Kasdan) 13. Mediterrâneo (Gabrielle Salvatores) 14. Tomates verdes fritos (Jon Avnet) 15. O silêncio dos inocentes (Jonathan Demme) 16. Os donos da rua (John Singleton) 17. Frankie & Johnny (Garry Marshall) 18. Um conto americano 2 – Fievel vai para o oeste (Phil Nibbelink, Simon Wells) 19. Lanternas vermelhas (Zhang Yimou) 20. Jornada nas estrelas VI – A terra desconhecida (Nicholas Meyer)

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Menções honrosas: As noites de Rose (Martha Coolidge), Cortina de fogo (Ron Howard), Voltar a morrer (Kenneth Branagh), Rocketeer (Joe Johnston), Garotos de programa (Gus Van Sant), Minha vida (Bruce Joel Rubin), Robin Hood (Kevin Reynolds), Corra que a polícia vem aí 2 ½ (David Zucker), Liebestraum (Mike Figgis), Aprendiz de feiticeiro (John Badham), É pura sorte (Nadia Tass), O último boy scout (Tony Scott), Mentes que brilham (Jodie Foster), Caninos brancos (Randal Kleiser), Meu querido intruso (Lasse Hallström), Para eles, com muito amor (Mark Rydell), L.A. Story (Mick Jackson), Uma segunda chance (Mike Nichols), Point Break – Caçadores de emoções (Kathryn Bigelow), A dupla vida de Veronique (Krzysztof Kieślowski), Hook – A volta do capitão Gancho (Steven Spielberg), A bela e a fera (Gary Trousdale, Kirk Wise), Febre da selva (Spike Lee), O exterminador do futuro 2 – O julgamento final (James Cameron), Thelma & Louise (Ridley Scott)

1. Twin Peaks – Os últimos dias de Laura Palmer (David Lynch)
2. Questão de honra (Rob Reiner)
3. Vida e nada mais (e a vida continua) (Abbas Kiarostami)
4. O sucesso a qualquer preço (James Foley)
5. Os imperdoáveis (Clint Eastwood)
6. O jogador (Robert Altman)
7. Simples desejo (Hal Hartley)
8. O fim de um longo dia (Terrence Davies)
9. Maridos e esposas (Woody Allen)
10. Chaplin (Richard Attenborough)

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11. Perfume de mulher (Martin Brest) 12. Lua de fel (Roman Polanski) 13. O vídeo de Benny (Michael Haneke) 14. Herói por acidente (Stephen Frears) 15. Como água para chocolate (Alfonso Arau) 16. Ratos e homens (Gary Sinise) 17. O óleo de Lorenzo (George Miller) 18. Aladdin (Ron Clements, John Musker) 19. Vem dançar comigo (Baz Luhrmann) 20. Os irresistíveis falsários (Helmut Dietl)

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Menções honrosas: Síndrome de Caim (Brian De Palma), Drácula de Bram Stoker (Francis Ford Coppola), Porco Rosso – O último herói romântico (Hayao Miyazaki), As melhores intenções (Bille August), Alien3 (David Fincher), A testemunha ocular (Howard Franklin), Batman – O retorno (Tim Burton), Indochina (Régis Wargnier), Desejos (Phil Joanou), Traídos pelo desejo (Neil Jordan), Mudança de hábito (Emile Ardolino), O último dos moicanos (Michael Mann), Instinto selvagem (Paul Verhoeven), O passageiro do futuro (Brett Leonard), Um sonho distante (Ron Howard), Bob Roberts (Tim Robbins), O amante (Jean-Jacques Annaud), 1492 – A conquista do paraíso (Ridley Scott), Retorno a Howards End (James Ivory), Quanto mais idiota melhor (Penelope Spheeris), Cães de aluguel (Quentin Tarantino), Vida de solteiro (Cameron Crowe), Meu primo Vinny (Jonathan Lynn), Para o resto de nossas vidas (Kenneth Branagh), Um peixe fora d’água (Fred Shepisi), Malcolm X (Spike Lee), Perdas e danos (Louis Malle)

Melhores filmes.1993.Cinematographe

1. Vale Abraão (Manoel de Oliveira)
2. Short Cuts – Cenas da vida (Robert Altman)
3. Terra das sombras (Richard Attenborough)
4. A liberdade é azul (Krzysztof Kieślowski)
5. O pagamento final (Brian De Palma)
6. Alma corsária (Carlos Reichenbach)
7. Gilbert Grape – Aprendiz de sonhador (Lasse Hallström)
8. Jurassic Park – Parque dos dinossauros (Steven Spielberg)
9. Um misterioso assassinato em Manhattan (Woody Allen)
10. Madadayo (Akira Kurosawa)

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11. Jovens, loucos e rebeldes (Richard Linklater) 12 Um mundo perfeito (Clint Eastwood) 13. Vestígios do dia (James Ivory) 14. Morango e chocolate (Tomás Gutiérrez Alea, Juan Carlos Tabío) 15. Na linha de fogo (Wolfgang Petersen) 16. A lista de Schindler (Steven Spielberg) 17. Feitiço do tempo (Harold Ramis) 18. Cronos (Guillermo del Toro) 19. O banquete de casamento (Ang Lee) 20. Em nome do pai (Jim Sheridan)

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Menções honrosas: Matinê (Joe Dante), Muito barulho por nada (Kenneth Branagh), Um dia de fúria (Joel Schumacher), O pequeno Buda (Bernardo Bertolucci), Uma mulher para dois (John McNaughton), Dias amargos (Marshall Herskovitz), Dave – Presidente por um dia (Ivan Reitman), A casa dos espíritos (Bille August), Coração indomável (Tony Bill), Benny e Joon – Corações em conflito (Jeremiah S. Chechick), Risco total (Renny Harlin), Caminho de pedras (Tony Bill), Evil Dead 3 (Sam Raimi), O fugitivo (Andrew Davis), O jardim secreto (Agniezka Holland), O piano (Jane Campion), Não chame a polícia (E. Max Frye), Filadélfia (Jonathan Demme), A família Addams 2 (Barry Sonnefeld), Os três mosqueteiros (Stephen Herek), A noite que nunca nos encontramos (Warren Leight), A época da inocência (Martin Scorsese)

1. Satantango (Béla Tarr)
2. Pulp fiction – Tempo de violência (Quentin Tarantino)
3. Ed Wood (Tim Burton)
4. A fraternidade é vermelha (Krzysztof Kieślowski )
5. Forrest Gump – O contador de histórias (Robert Zemeckis)
6. Um sonho de liberdade (Frank Darabont)
7. Cinzas do passado (Wong Kar-Wai)
8. Tiros na Broadway (Woody Allen)
9. O carteiro e o poeta (Michael Radford)
10. A guerra dos botões (John Roberts)

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11. A igualdade é branca (Krzysztof Kieślowski) 12. O profissional (Luc Besson) 13. Comer beber viver (Ang Lee) 14. Assassinos por natureza (Oliver Stone) 15. O casamento de Muriel (P.J. Hogan) 16. Amores expressos (Wong Kar-Wai) 17. Entrevista com o vampiro (Neil Jordan) 18. A morte e a donzela (Roman Polanski) 19. A teta e a lua (Bigas Luna) 20. Lobo (Mike Nichols)

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Menções honrosas: Céu azul (Tony Richardson), True lies (James Cameron), Ninguém segura este bebê (Patrick Read Johnson), Maverick (Richard Donner), Debi & Loide (Peter e Bob Farrelly), Priscila – A rainha do deserto (Stephan Elliott), Quatro casamentos e um funeral (Mike Newell), Tão longe, tão perto (Wim Wenders), O rio selvagem (Curtis Hanson), Assédio sexual (Barry Levinson), Corina, uma babá perfeita (Jessie Nelson), Almas gêmeas (Peter Jackson), Na roda da fortuna (Joel e Ethan Coen), Atraídos pelo destino (Andrew Bergman), Os cabeças de vento (Michael Lehmann), Velocidade máxima (Jan de Bont), Loucas férias de verão (Bob Clark), Amazônia em chamas (John Frankenheimer), O cliente (Joel Schumacher), O rei leão (Roger Allers, Rob Minkoff), O guarda-costas e a primeira dama (Hugh Wilson), Uma virada do destino (Gillies MacKinnon), Clifford (Paul Flaherty), Com mérito (Alek Keshishian), O jornal (Ron Howard), Prêt-à-porter (Robert Altman)

1. Bem-vindo à casa de bonecas (Todd Solondz)
2. Seven (David Fincher)
3. Dead man (Jim Jarmusch)
4. Anjos caídos (Wong Kar-Wai)
5. As pontes de Madison (Clint Eastwood)
6. Babe – O porquinho atrapalhado (George Noonan)
7. Eclipse de uma paixão (Agnieszka Holland)
8. As patricinhas de Beverly Hills (Amy Heckerling)
9. Antes do amanhecer (Richard Linklater)
10. Cassino (Martin Scorsese)

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11. A excêntrica família de Antônia (Marleen Gorris) 12. 12 macacos (Terry Gilliam) 13. Maré vermelha (Tony Scott) 14. Mr. Holland – Adorável professor (Stephen Herek) 15. A princesinha (Alfonso Cuarón) 16. O quatrilho (Fábio Barreto) 17. Os últimos passos de um homem (Tim Robbins) 18. Despedida em Las Vegas (Mike Figgis) 19. Sábado (Ugo Giorgetti) 20. Showgirls (Paul Verhoeven)

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Menções honrosas: O nome do jogo (Barry Sonnenfeld), Carlota Joaquina – Princesa do Brazil (Carla Camuratti), Fogo contra fogo (Michael Mann), Rápida e mortal (Sam Raimi), Assassinato em primeiro grau (Marc Rocco), Enquanto você dormia (Jon Turteltaub), A cor da fúria (Desmond Dakano), Os suspeitos (Bryan Singer), Um dia para relembrar (James Foley), Underground (Emir Kusturica), Por uma vida menos ordinária (Danny Boyle), Duro de matar – A vingança (John McTiernan), A chave mágica (Frank Oz), O balão vermelho (Jafar Panahi), Epidemia (Wolfgang Petersen), Todos os corações do mundo (Murilo Salles), Tempo de decisão (Noah Baumbach), Energia pura (Victor Salva), Jumanji (Joe Johnston), Apollo 13 (Ron Howard), Diário de um adolescente (Scott Kalvert), Caminhando nas nuvens (Alfonso Arau)

Melhores filmes.1996.Cinematographe

1. Na trilha do sol (Michael Cimino)
2. Bottle Rocket (Wes Anderson)
3. Fargo (Joel e Ethan Coen)
4. Trainspotting – Sem limites (Danny Boyle)
5. Ondas do destino (Lars von Trier)
6. Bound – Ligadas pelo desejo (Andy e Lana Wachowski)
7. Terra estrangeira (Walter Salles e Daniela Thomas)
8. Crash (David Cronenberg)
9. Segredos e mentiras (Mike Leigh)
10. Como nascem os anjos (Murilo Salles)

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11. Voando para casa (Carroll Ballard) 12. O oitavo dia (Jaco Van Dormael) 13. O povo contra Larry Flint (Milos Forman) 14. Jogada de risco (Paul Thomas Anderson) 15. Michael Collins – O preço da liberdade (Neil Jordan) 16. Jerry Maguire (Cameron Crowe) 17. A gaiola das loucas (Mike Nichols) 18. Coragem sob fogo (Edward Zwick) 19. A sombra e a escuridão (Stephen Hopkins) 20.  Na corda bamba (Billy Bob Thornton)

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Menções honrosas: Hamlet (Kenneth Branagh), A promessa (Jean-Pierre e Luc Dardenne), Missão impossível (Brian De Palma), Shine – Brilhante (Scott Hicks), Coração de dragão (Rob Cohen), O sargento trapalhão (Jonathan Lynn), O entardecer de uma estrela (Robert Harling), Lone Star – A estrela solitária (John Sayles), Eu, minha mulher e minhas cópias (Harold Ramis), Mãe é mãe (Albert Brooks), A rocha (Michael Bay), Emma (Douglas McGrath), Queima de arquivo (Chuck Russell), Amor por acidente (Richard Benjamin), As filhas de Marvin (Jerry Zaks), Matilda (Danny de Vito), Um dia especial (Michael Hoffman), Um instante de inocência (Mohsen Makhmalbaf), Antes e depois (Barbet Schroeder), Uma escola muito doida (Hart Bochner), Feito cães e gatos (Michael Lehmann), O espelho tem duas faces (Barbra Streisand), Ruth em questão (Alexander Payne), Medidas extremas (Michael Apted), Tempo de matar (Joel Schumacher)

1. Boogie Nights (Paul Thomas Anderson)
2. Titanic (James Cameron)
3. Vidas em jogo (David Fincher)
4. Filhos do paraíso (Majid Majidi)
5. Melhor é impossível (James L. Brooks)
6. Gosto de cereja (Abbas Kiarostami)
7. Felizes juntos (Wong Kar-Wai)
8. Tempestade de gelo (Ang Lee)
9. Mãe e filho (Alexander Sukorov)
10. Contato (Robert Zemeckis)

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11. Matador em conflito (George Armitage) 12. Funny games (Michael Haneke) 13. Mera coincidência (Barry Levinson) 14. Reviravolta (Oliver Stone) 15. O quarto poder (Costa-Gravas) 16. Gênio indomável (Gus Van Sant) 17. A estrada perdida (David Lynch) 18. Donnie Brasco (Mike Newell) 19. Los Angeles – Cidade proibida (Curtis Hanson) 20. Os matadores (Beto Brant)

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Menções honrosas: O quinto elemento (Luc Besson), O mentiroso (Tom Shadyac), Beijos que matam (Gary Fleder), Gattaca – A experiência genética (Andrew Niccol), Kundun (Martin Scorsese), Tropas estelares (Paul Verhoeven), Desconstruindo Harry (Woody Allen), Princesa Mononoke (Hayao Miyazaki), Jackie Brown (Quentin Tarantino), Breakdown – Perseguição implacável (Jonathan Mostow), Justiça vermelha (Jon Avnet), Lolita (Adrian Lyne), Ou tudo ou nada (Peter Cattaneo), Cop land (James Mangold), Será que ele é? (Frank Oz), O pacificador (Mimi Leder), Soul food – Tudo aos domingos (George Tillman Jr.), Preso na escuridão (Alejandro Amenábar), Inimigo íntimo (Alan J. Pakula), A ostra e o vento (Walter Lima Jr.), O homem que fazia chover (Francis Ford Coppola), Guerra de Canudos (Sérgio Rezende), A vida é bela (Roberto Benigni), Força aérea um (Wolfgang Petersen), Teoria da conspiração (Richard Donner)

1. Corra, Lola, corra (Tom Tykwer)
2. Central do Brasil (Walter Salles)
3. Além da linha vermelha (Terrence Malick)
4. Amigas de colégio (Lukas Moodysson)
5. O grande Lebowski (Joel e Ethan Coen)
6. Pi (Darren Aronofsky)
7. Grandes esperanças (Alfonso Cuarón)
8. Rushmore (Wes Anderson)
9. Deuses e monstros (Bill Condon)
10. 32 de agosto na terra (Denis Villeneuve)

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11. Os amantes do Círculo Polar (Julio Medem) 12. O resgate do soldado Ryan (Steven Spielberg) 13. Medo e delírio (Terry Gilliam) 14. O show de Truman (Peter Weir) 15. Encontro marcado (Martin Brest) 16. Felicidade (Todd Solondz) 17. Festa de família (Thomas Vinterberg) 18. Arquivo X – O filme (Robert Bowman) 19. Quem vai ficar com Mary? (Peter e Bob Farrelly) 20. Amor além da vida (Vincent Ward)

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Menções honrosas: Psicose (Gus Van Sant), Shakespeare apaixonado (John Madden), Um crime perfeito (Andrew Davis), Cidade dos anjos (Brad Silberling), Afinado no amor (Frank Coraci), Pleasantville – A vida em preto e branco (Gary Ross), Following (Cristopher Nolan), O aprendiz (Bryan Singer), Babe – Um porquinho na cidade (George Miller), A razão do meu afeto (Nicholas Rytner), Ronin (John Frankenheimer), O príncipe do Egito (Brenda Chapman, Steve Hickner, Simon Wells), Vampiros de John Carpenter (John Carpenter), Medidas desesperadas (Barbet Schroeder), Máquina mortífera 4 (Richard Donner), Olhos de serpente (Brian De Palma), A máscara do Zorro (Martin Campbell), Segredos do poder (Mike Nichols), Impacto profundo (Mimi Leder), A outra história americana (Todd Kaynes), Um plano simples (Sam Raimi), Irresistível paixão (Steven Soderbergh), Terras perdidas (Stephen Frears)

Melhores filmes.1999.Cinematographe

1. De olhos bem fechados (Stanley Kubrick)
2. História real (David Lynch)
3. Tudo sobre minha mãe (Pedro Almodóvar)
4. Eleição (Alexander Payne)
5. Titus (Julie Taymor)
6. A humanidade (Bruno Dumont)
7. A lenda do cavaleiro sem cabeça (Tim Burton)
8. O sexto sentido (M. Night Shyamalan)
9. Pola X (Leos Carax)
10. Rosetta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

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11. Um lugar chamado Notting Hill (Roger Mitchell) 12. Magnólia (Paul Thomas Anderson) 13. Poucas e boas (Woody Allen) 14. Quero ser John Malkovich (Spike Jonze) 15. O mundo de Andy (Milos Forman) 16. Matrix (Andy e Lana Washowski) 17. À espera de um milagre (Frank Darabont) 18. A cor do paraíso (Majid Majidi) 19. Um domingo qualquer (Oliver Stone) 20. O gigante de ferro (Brad Bird)

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Menções honrosas: Vivendo no limite (Martin Scorsese), As virgens suicidas (Sofia Coppola), Meninos não choram (Kimberly Peirce), eXistenZ (David Cronenberg), Audition (Takashi Miike), Três reis (David O. Russell), Dois córregos (Carlos Reichenbach), Guerra nas estrelas – A ameaça fantasma (George Lucas), Ressurreição – Retalhos de um crime (Russell Mulcahy), Asterix e Obelix contra César (Claude Zidi), Beleza americana (Sam Mendes), Segundas intenções (Roger Kumble), Heróis fora de órbita (Dean Parisot), Topsy-Turvy – O espetáculo (Mike Leigh), Stigmata (Rupert Wainwright), O primeiro dia (Walter Salles e Daniela Thomas), Regras da vida (Lasse Hallström), O talentoso Ripley (Anthony Minghella), O informante (Michael Mann), O vento nos levará (Abbas Kiarostami)

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O mestre (2012)

Por André Dick

O mestre.Filme 9

Em Sangue negro, filme anterior a O mestre, de Paul Thomas Anderson, Daniel Day-Lewis interpreta Daniel Plainview, que vai explorar uma região com potencial petrolífero, no Oeste dos Estados Unidos, onde há um jovem que deseja ser pastor, Eli Sunday (Paul Dano). Plainview e Sunday são figuras controvertidas: suas ações, em determinado momento, se misturam e o vazio que os acompanha parece contaminar as pessoas que os cercam. São personagens delineados, no fim das contas, com uma complexidade quase ausente na cinematografia recente e se intensificam, sobretudo com a cena do batismo, que revela a verdadeira intenção do filme.
Com inúmeros silêncios interrompidos pela música dissonante de Jonny Greenwood, guitarrista do grupo Radiohead, O mestre volta aos elementos básicos dessa obra-prima de Anderson: um  cinema lento, simétrico, mas de forte magnetismo sensorial, baseado na ligação entre dois personagens. Nesse sentido, O mestre é quase uma continuidade daquele, na relação de suas vidas com a violência moral e que parece não encontrar sossego nem na imagem de um Deus protetor ou de um mestre capaz de ajudar o indivíduo a escapar de seus problemas.
Freddie Quell (Joaquin Phoenix) é um homem problemático. Ele serve na Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial e Anderson o focaliza numa praia, misturando bebida com água de coco. Depois, ele simula sexo com uma mulher feita com areia, em meio aos outros marinheiros, e se masturba na beira da praia. Em poucos minutos, Anderson contextualiza a volta de Freddie deste cenário, e os resultados psíquicos não são agradáveis. Vida pós-Marinha, ele se torna um fotógrafo, agora com o vício de misturar álcool com material fotográfico, e, munido de uma alquimia alcóolica, precisa fugir com urgência de outro lugar. Com o corpo arqueado, o rosto abatido e magro, ele é o retrato ao avesso das fotografias que registra. Certo dia, vagando sem rumo, ele vê uma festa num barco e, regressando à imagem de Marinha, adentra nele. É a chance que o destino lhe oferece para conhecer Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman), uma espécie de mestre de uma seita chamada A Causa. Sempre acompanhado pela família – a mulher Peggy, grávida (Amy Adams), a filha Elizabeth (Childers Ambyr), que está para se casar, e o filho, Val (Jesse Plemons) –, seu objetivo é propagar uma ciência fundamentada na psicologia, que poderia entender vidas passadas e ligação com outros planetas. A Causa seria um outro nome para a Cientologia, a polêmica seita, mas ela realmente mantém-se mais como um núcleo de abstração e enigmas.
Em nenhum momento, há uma explicação exata para o interesse de Freddie por querer ficar entre os familiares e seguidores de Lancaster, o que se esclarece exatamente por ambos serem, a princípio, exatamente iguais. Nesse sentido, Freddie fica no navio porque Lancaster gostou da bebida singular que ele prepara. Enquanto Freddie se acomoda nas cadeiras para ouvir a eloquência de Lancaster, ele projeta o que seria se conseguisse fazer o mesmo. Existe a curiosidade de que o autor original da Cientologia, L. Ron Hubbard, serviu na Marinha, assim como Freddie, e lançou, exatamente em 1950, ano em que se passa a maior parte de O mestre, um culto nos Estados Unidos. Inegável perceber o quanto ambos os personagens mantêm de proximidade mesmo sem nunca exatamente se aproximarem.

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Com todos esses aspectos, há uma complexidade maior do que aquela primeira premissa de Sangue negro (a do conflito e/ou ligação entre religião e capitalismo). Em O mestre, existiria a ligação entre um universo mais amplo e a regeneração. Em Anderson, esses conceitos se constroem, muitas vezes, lado a lado. Temos, na superfície de Sangue negro, a exploração de petróleo sendo feita ao mesmo tempo em que uma casa é construída para abrigar seguidores do pastor, na única sequência mais iluminada do filme, caracterizado por cores escuras. Em O mestre, Lancaster é também cobrado por desvios de dinheiro anteriores e quer manter seu olhar numa reta para a autodescoberta, sem avisar exatamente a quem ela interessa. De qualquer modo, o foco é nos principais personagens. Diante da violência moral potencializada pelas atuações de Day-Lewis e de Paul Dano num, e Phoenix e Hoffman em outro, em dueto fantástico, no entanto, firma-se a filmografia de Anderson, que é comparado a Kubrick e Altman e não nega suas influências. Desde o ator pornô vivido por Mark Wahlberg em Boogie Nights, até o conselheiro sexual interpretado por Tom Cruise em Magnólia, e mesmo a revolta pessoal de Barry Egan contra um diretor de telessexo em Embriagado do amor, temos por trás das câmeras alguém que busca o impacto sem contorno definido e uma constelação de personagens poucas vezes vista.
Em O mestre, há, em igual proporção, uma tensão amorosa implícita entre os dois personagens centrais. Ela não chega a se traduzir em palavras, mas a obsessão de Lancaster por Freddie percorre todo o filme, embora Anderson evite traduzi-la em confissões e palavras. Lancaster é Dodd (uma mistura entre God e dog); o sobrenome de Freddie é Quell (“suprimir”, “subjugar”, “dominar”); o do barco em que ambos se encontram é “Alethia” (que remete ao significado de “verdade” e “desocultação”, em grego). Lancaster diz a Freddie: “Você é meu protegido e minha cobaia”. Ele deseja experimentar com Freddie o processamento, técnica de seu programa, com uma série de perguntas, inclusive repetidas à exaustão, e neste momento o filme de Anderson consegue adquirir uma tensão. Pois vemos, detalhadamente, um homem querendo entrar na mente de outro, para trazer seu passado à cena, numa espécie de hipnose. Freddie passa a seguir Lancaster como se fosse uma espécie de sombra, deslocado das fotografias, embora seja aquele que registre tudo. Se antes ele parecia um fantasma perdido pelo mundo, ele, apesar do oferecimento de regeneração, não melhora. Acusado de simples animal pelo mestre, na verdade ele passa a fazer exatamente o que Lancaster deseja, mesmo sem dizer, pois não precisa, à medida que ambos se assemelham. É extraordinária uma sequência que se passa entre uma festa em Nova York, em que Lancaster é cobrado por um homem a respeito de suas promessas, e faz um discurso em que tenta não transparecer nenhuma ideia manipuladora, devolvendo as acusações em igual tom, e sua ida à casa de Helen Sullivan (Laura Dern), na Filadélfia, onde haverá uma festa estranha, acenos para o Kubrick derradeiro, e onde Peggy terá uma conversa reveladora com o marido, culminando num ponto crítico, em que Anderson filma os personagens, numa determinada situação, lado a lado, sendo que um age com o sentimento implícito do outro. Freddie é um personagem, sem dúvida, subjugado e seu vício no álcool é suplantado por um desejo furtivo de voltar a uma reminiscência de infância, a um amor perdido, antes da loucura da Guerra e permanentemente interessado no que a Causa considera animalesco (as conversas na Marinha já o anunciam). Em determinado momento, ele precisa prometer que não vai beber, mas, como um filho rebelde, precisa ir à varanda experimentar a nova mistura. É preciso, para ele, punir os pais, mesmo sem ser filho; é preciso fugir ainda mais, para fora do convés e dos trilhos, a pé ou não, e, ao contrário do que diz seu sobrenome, não ser subjugado. Como em Sangue negro, o Oeste, mais uma vez, significa um encontro com o passado (um livro enterrado em meio a rochas) e a fuga.

O mestre.Paul Thomas Anderson

O mestre.Filme 2

Há, em O mestre, um sentimento de que existe uma lacuna entre os personagens e as situações, como se algo maior a ser dito estivesse vagando. Para alguns, Magnólia pode ser um filme sobre um idoso adoentado e um jovem arrependido, em meio a uma chuva de sapos bíblica, e Barry Egan, de Embriagado de amor, apenas o dono de uma empresa feliz em meio a prateleiras do supermercado por descobrir uma promoção de milhas para viagens aéreas, mas sabemos que Anderson consegue apresentar mais do que isso. Em O mestre, as sensações, como a própria conversa sem piscar os olhos entre Lancaster e Freddie, abrangem uma atemporalidade e os cenários podem significar também sensações de descoberta, medo, vida e morte. Tudo pode também se concentrar no “eu”, mas sempre depende de qual “eu” está se falando. A caminhada entre a parede e a janela de uma casa pode esconder, também, a recuperação ou o mergulho na loucura substancial dos personagens.
Tecnicamente, O mestre é realizado, em grande parte, de closes nos rostos dos personagens, revelando em detalhes a figura dos personagens principais, e grandes aberturas para a planície e para o oceano, apoiado na fotografia impressionante de Mihai Malamaire Jr. (colaborador do Coppola mais recente, de Tetro e Twixt), na direção de arte irretocável de Jack Fisk (que trabalhou em Sangue negro e A árvore da vida, por exemplo) e David Crank (Lincoln), além do figurino, que complementa cada sequência, de Mark Bridges (habitual colaborador de Anderson). Anderson tem uma noção exata do que deseja mostrar e é um dos maiores cineastas contemporâneos justamente por causa disso. Seu controle sobre os atores é absoluto, e não se poderia deixar de dizer o que é até previsível: Phoenix tem a atuação de sua carreira (antecedida por Johnny & June), particularmente melhor, porque também de maior risco, do que a de Day-Lewis em Lincoln, e Phillip Seymour Hoffman volta a surpreender, sem utilizar nuances já reveladas em outros papéis. Amy Adams, plenamente antipática e sem dizer quase nenhuma frase com sentido que não seja de manipular quem está à volta, é uma atriz completa.
Difícil ver um filme em que os personagens, e os atores, estão, ao mesmo tempo, expostos e escondidos, em que por vezes se revelam e nesta revelação está seu esconderijo. As relações entre eles racham ou se complementam ao longo do filme, e o espectador precisa integrar as peças para dar um significado a um panorama que não se apresenta nunca definitivo. Nenhum deles, ainda assim, funcionaria sem a direção e o roteiro modulado e discreto de Anderson, aberto a lacunas e interpretações diferentes, sem trazer uma aula ou autoexplicações desgovernadas, o que faz com que se assemelhe a filmes com uma base filosófica mais densa, embora não traga um discurso preparado para que se possa introduzi-la de forma mais eficaz. Há uma espécie de secura amarga em muitas passagens, ou um corte no andamento, como o momento em que os personagens se perguntam quem é, afinal, Freddie Quell. Para Lancaster, ele precisa ser salvo; caso contrário, a falha pode ser de todos. Não se entende por que ele coloca o subjugado nesta situação, entretanto parece ser claro que, para Anderson, ele não consegue viver sem sua própria sombra, o ser em que ele pode, afinal, esconder seus segredos, como numa garrafa vazia, aquele que, definitivamente, pode entendê-lo, ou desmascará-lo.
Em determinado momento, a seguidora Helen pergunta a Lancaster porque, no processamento, ele mudou “lembrar” por “imaginar” outras vidas. Para Freddie, se há Doris Day, pode também haver Ruth Etting. Entre o oceano e uma mulher desenhada com areia nas costas do Pacífico, O mestre atinge uma espécie de linha subliminar em que pode se concentrar tudo. Como Sangue negro, atinge mais: é uma obra-prima.

The master, EUA, 2012 Diretor: Paul Thomas Anderson Elenco: Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Laura Dern, Jesse Plemons, Childers Ambyr, Rami Malek, Jillian Bell, Kevin J. O’Connor, W. Earl Brown Produção: Paul Thomas Anderson, Megan Ellison, Daniel Lupi, JoAnne Sellar Roteiro: Paul Thomas Anderson Fotografia: Mihai Malaimare Jr. Trilha Sonora: Jonny Greenwood Duração: 138 min. Distribuidora: Paris Filmes Estúdio: Annapurna Pictures / Ghoulardi Film Company

Cotação 5 estrelas