Vidro (2019)

Por André Dick

O universo do cineasta M. Night Shyamalan sempre teve como base uma mistura entre realidade e fábula. Isso fica claro não apenas em A dama na água e O último mestre do ar, mas, principalmente, A vila, filme campestre de suspense e terror, com grande elenco. Trata-se de uma vila, da qual as pessoas que nela moram não podem sair, cercada por grandes cercas e sempre com um vigia à noite, pois monstros podem atacar. Já é possível ver que a história  lida com o imprevisível, mas William Hurt e Sigourney Weaver, como os mandantes desta vila, concedem credibilidade aos diálogos. Um dos jovens (Joaquin Phoenix) acaba ferido por um rapaz excepcional (Adrian Brody), que está apaixonado por uma jovem cega (Bryce Dallas Howard). Ela se disponibiliza a sair da vila para buscar remédios, embrenhando-se na floresta assustadora. O figurino é adequado para isso (todo amarelo) e é interessante imaginar que estejamos em algum século passado para vermos o modo como essas pessoas agiam.

De certo modo, essa captura de uma realidade sob a camada fantasiosa já se encontrava em Corpo fechado, no qual Bruce Willis agia como um homem com um poder: ao tocar nas pessoas, consegue ver imagens capazes de identificar se são boas ou más. Em Fragmentado (a partir daqui, spoilers ligando os filmes), uma inesperada sequência de Corpo fechado, o personagem feito por James McAvoy, Kevin Wendell Crumb, se dividia em múltiplas personalidades, principalmente “a besta”. O foco era no sequestro que ele fazia de três jovens, Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy). Crumb está de volta em Vidro, assim como o personagem David Dunn (Bruce Willis) e seu rival Elijah Price, o Sr. Glass (Samuel L. Jackson), rivais em Corpo fechado, uma espécie de estudo cinematográfico sobre as HQs antes de elas virem ajudar a coordenar a forma como se organiza a indústria contemporânea.
Inicialmente, Shyamalan mostra Dunn procurando Crumb depois que este escapou do zoológico, sob vigia do filho, Joseph (Spencer Trate Clark). Antes guarda na Filadélfia, agora ele é dono de uma loja de equipamentos de segurança e vai encontrar novas vítimas da “besta” quando o carrega preso. No entanto, acabam parando no Hospital Psiquiátrico Ravenhill, sob investigação de Ellie Stapple (Sarah Paulson), onde se encontra internado Glass. De maneira inesperada, Shyamalan estabelece contatos entre personagens de filmes diferentes, construindo uma trilogia jamais esperada, considerando-se que Stapple dialoga com a psiquiatra Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley), do filme anterior.

Do mesmo modo, quando coloca Casey (novamente Taylor-Joy) querendo ajudar Crumb, mostra uma interessante aproximação da mulher do universo dos quadrinhos enfocado principalmente em Corpo fechado e expandido aqui de modo ágil, também por meio da mãe de Price (Charlayne Woodard). Vidro consegue ser o estudo sobre três personagens, ligados por imagens de infância definidoras para seu comportamento, mesclando suspense e elementos de terror, sem nunca parecer uma obra derivada – mesmo que a visão de infância de Glass remeta ao parque de diversões de A fúria, de De Palma, uma clara influência aqui, e aos flashbacks de Casey em Fragmentado, quando os animais a serem abatidos numa caçada não eram tão ameaçadores quanto um determinado familiar. E que a infância é o mote de boa parte da filmografia de Shyamalan basta ver O sexto sentido e A visita.
Talvez seja surpreendente que Shyamalan consiga fazer, inclusive, o melhor episódio de sua trilogia, uma vez que os outros sofriam de quedas abruptas de ritmo, principalmente Fragmentado, e o primeiro possuía um final em aberto nunca satisfatório. Shyamalan adota uma variação de cenários dentro do Hospital Psiquiátrico, que acabam dialogando com os impulsos da narrativa: veja-se por exemplo a grande sala com pintura rosa, quase onírica, semi-iluminada, em que os personagens recebem perguntas da Dra. Stapple. Do mesmo modo, cada personagem adota uma cor: Glass, a roxa; Dunn, o branco; e Crumb, o amarelo, servindo como figurinos de heróis ou vilões de quadrinhos.

Shyamalan também tenta visualizar Casey como aquela que compreende a “besta” quase como Clarice na continuação de O silêncio dos inocentes em relação a Hannibal Lecter. O lugar onde Crumb prendia as jovens em Fragmentado não deixava de lembrar não apenas um labirinto humano, como também a falta de passagens para um lado equilibrado. Aqui os corredores do hospital e os quartos contrastam: os primeiros são escuros, nebulosos, e os segundos, iluminados. Nesse sentido, o trabalho de fotografia de Mike Gioulakis, o mesmo do anterior, é superior e com mais sutilezas.
Do mesmo modo, as luzes que disparam no rosto de Crumb criam uma sensação de claustrofobia e McAvoy é realmente bom aqui, sem precisar concentrar sua atuação como um destaque e sim como complemento aos demais personagens. Alternando uma estranha humanidade com uma violência de serial killer, Crumb tem um significado mais trabalhado do que no anterior e faz com que o terceiro ato se desenhe como uma espécie de mescla entre fantasia e ecos do 11 de setembro, que ocorreu um ano após o lançamento de Corpo fechado e que já se expressava na obra de Shyamalan em obras como Sinais e Fim dos tempos. A sequência em que Crumb corre como um animal contra policiais tendo ao fundo edifícios que remetem ao World Trade Center (representando, ao mesmo tempo, um ataque bestial de humanos contra humanos), é uma das melhores da trajetória o diretor. Os demais do elenco, principalmente Paulson, Willis, Taylor-Joy e Jackson, são muito competentes e ligados a um desespero humano por saber onde estamos. Eis que, para o diretor de origem indiana, os verdadeiros heróis estão concentrados todos os dias em enfrentar seus problemas de rotina. Num movimento incomum em seus filmes, Shyamalan se permite mesmo a se emocionar.

Glass, EUA, 2019 Diretor: M. Night Shyamalan Elenco: James McAvoy, Bruce Willis, Anya Taylor-Joy, Sarah Paulson, Samuel L. Jackson, Charlayne Woodard, Spencer Trate Clark Roteiro: M. Night Shyamalan Fotografia: Mike Gioulakis Trilha Sonora: West Dylan Thordson Produção: M. Night Shyamalan, Jason Blum, Marc Bienstock, Ashwin Rajan Duração: 129 min. Estúdio: Blinding Edge Pictures, Blumhouse Productions Distribuidora: Universal Pictures (Estados Unidos) e Buena Vista International (Internacional)

 

Fragmentado (2017)

Por André Dick

A melhor notícia de Fragmentado é a volta de M. Night Shyamalan ao posto das grandes bilheterias (até agora, a partir de um orçamento de 9 milhões já fez 257 milhões de dólares). Embora o anterior, A visita, já tivesse recuperado um pouco seu crédito junto aos produtores (orçamento de 5 milhões para arrecadação de 98), O último mestre do ar e Depois da terra, com seus orçamentos típicos de blockbuster, haviam rendido pouco, além das críticas em coro apontando que ele havia perdido seu talento. Em Fragmentado, ele parte da situação de três jovens, Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy) sendo sequestradas num engarrafamento, quando estão dentro do carro do pai de uma delas, por Dennis, uma das 23 personalidades de Kevin Wendell Crumb (James McAvoy). Ele, obviamente, tem um grave transtorno e visita frequentemente a psiquiatra Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley), certamente uma homenagem a Louise Fletcher, a atriz de Um estranho no ninho.
As meninas logo percebem que ele surge com outras identidades, como a de uma criança, e imaginam uma maneira de escaparem do lugar onde ficam presas, que lembra bastante tanto Beijos que matam e O silêncio dos inocentes. A atuação de Anya Taylor-Joy, o destaque de A bruxa, talvez seja o toque mais surpreendente de Shyamalan, que novamente aparece aqui em uma ponta, e Buckley também convence.

Claire tem alguns flashbacks que mostram ela criança (em atuação de Izzie Coffey) em momentos de caça ao lado do pai (Robert Michael Kelly) e do tio (Brad William Henke). O que teria a ver a caça, em que o tio finge ser um animal, com a situação na qual ela se encontra? Haley Lu Richardson, que faz a melhor amiga da personagem de Hailee Steinfeld em Quase 18, também proporciona bons momentos, como uma espécie de oposto de Claire, sendo uma jovem mais popular no colégio. No entanto, Fragmentado se sente como uma decepção de Shyamalan principalmente em relação ao filme A visita, mesmo com todas as falhas que este possuía: a grande atuação de McAvoy não sustenta o filme. A partir de determinado momento ela é muito fragmentada, no mau sentido, não desenvolvendo de forma satisfatória cada uma de suas personalidades, não a ponto de criar um impacto, que certamente era o objetivo de Shyamalan, e a elaboração dos demais personagens é ligeira demais. Há um problema de narrativa, com as intrusões da psiquiatra de modo muito evasivo, não compondo um núcleo capaz de fazer a história render com o potencial que demonstrava ter ao menos nos primeiros vinte minutos.

O lugar onde ele prende as jovens não deixa de lembrar não apenas um labirinto humano, como também a falta de passagens para um lado equilibrado – ainda assim, em se tratando do diretor, poderia ser melhor explorado. Aqui, o mote parece ser aquele que envolve a infância: não por acaso, uma das identidades de Kevin é a de uma criança. Por meio dela, Shyamalan, assim como em quase todos os seus filmes, é possível imaginar o que vai acontecer na narrativa.
Seus filmes mais recentes dele, tão criticados (Fim dos temposO último mestre do ar e Depois da terra, por exemplo), têm qualidade, por isso não se exige que sua carreira dê uma guinada: ele realmente não a oferece em Fragmentado, baseando-se em temas simples do gênero de suspense e alguns toques de John Carpenter e Tobe Hooper (alguns movimentos de câmera lembram de O massacre da serra elétrica) e, principalmente, Dragão vermelho (da série de Hannibal Lecter). Há elementos que remetem à sua filmografia, que tem um atrativo por personagens confinados: em Sinais, numa fazenda; em A dama na água, num condomínio; em A vila, obviamente numa comunidade de campo. Assim como ele sempre gosta de mostrar personagens solitários: em Corpo fechado, O sexto sentido e O último mestre do ar, todos são, de certo modo, fechados em seu mundo. Kevin Wendell Crumb é a representação máxima, além de desequilibrada, deste traço.

E, claro, há sua movimentação de câmera sempre particular, construindo com ela parte do suspense de Fragmentado, que, no entanto, não cria uma solidez. Shyamalan desperdiça as personagens de Marcia e Casey, que certamente renderiam mais em combinação com a personagem de Claire durante mais tempo do que efetivamente acontece. Sente-se falta da espontaneidade de seu experimento anterior, A visita, que aproveita muito bem o cenário restrito para compor uma fábula assustadora.
Por outro lado, se temos um final sem uma grande revelação, ele é mais implícito do que o restante da narrativa, trabalhando com os conflitos internos de cada personagem, o que é uma característica do diretor muitas vezes não reconhecida suficiente. Ele também mostra que Shyamalan quer trabalhar com temas às vezes longe da superfície imediata. Em relação à grande parte da crítica destacar que Fragmentado é um grande filme, na verdade serve apenas para inventar que um cineasta que nunca perdeu seu talento, mesmo nos seus momentos mais conturbados, de uma hora para outra o reencontrou. Não é desta vez que ele apresenta seus melhores momentos, no entanto traz características capazes de interessar, de modo geral, o espectador. Isso se deve ao elenco e a seu estilo geralmente interessante.

Split, EUA, 2017 Diretor: M. Night Shyamalan Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Sebastian Arcelus, Brad William Henke, Izzie Coffey Roteiro: M. Night Shyamalan Fotografia: Mike Gioulakis Trilha Sonora: West Dylan Thordson Produção: Jason Blum, M. Night Shyamalan, Marc Bienstock Duração: 117 min. Distribuidora: Universal Estúdio: Blinding Edge Pictures / Blumhouse Productions

A bruxa (2015)

Por André Dick

A bruxa

Um dos gêneros mais menosprezados pela crítica é o de terror, pelo menos em termos gerais. Tudo o que pertence a esse gênero costuma se transformar em cult, quase nunca apreciado no tempo em que é lançado, mas apenas por admiradores futuros. Não por acaso, a cada ano, surge um filme modelo para o gênero, e o deste ano se configurou como sendo A bruxa, desde seu lançamento no Festival de Sundance, referência para se descobrir produções independentes. Baseado em lendas, o filme inicia com uma família sendo empurrada para fora de uma comunidade, nos moldes de A fita branca e de A vila, referências claras para narrativa. De imediato, percebe-se a tentativa de o diretor Robert Eggers em mostrar como uma família pode habitar sozinha num espaço – afinal estamos em 1630, na Nova Inglaterra – e que isso pode não ser exatamente o melhor caminho. A família é constituída pelo pai William (Ralph Ineson), pela mãe Katherine (Kate Dickie), pela filha Thomasin (Anya Taylor-Joy), pelo filho Caleb (Harvey Scrimshaw), pelos gêmeos Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), além do recém-nascido Samuel. Os nomes dos filhos obviamente deixam claro o que pretende o diretor.
Certo dia (possível spoiler), quando já estão habitando longe da comunidade e a plantação de milho não consegue mais proporcionar a comida necessária – fazendo com que o pai precise caçar, o que não é seu forte –, diante de uma ameaçadora floresta, Thomasin brinca com o nenê, e de repente ele desaparece. Essa figura do bebê que desaparece é significativa para uma família que baseia todos seus preceitos na religião. A menina, Thomasin, obviamente se desespera, rezando a Deus e pedindo que o bebê volte em segurança. Nesse meio tempo, seu irmão Caleb entra em conflito com o que seria um pecado. No entanto, para uma família que precisou sair de sua comunidade por obter regras muito rígidas em relação à fé, essas crianças não estão seguindo à risca o que determinam, e o pai parece emitir discursos que se empilham com a lenha ao lado da casa.

A bruxa 19

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Acredito que o principal incômodo despertado por A bruxa talvez não seja nem o fato de ser superestimado – rendendo algumas críticas que parecem falar de um filme com intuito complexo e histórico, acima do que pretende com seu enredo – ou de que não se enquadraria exatamente no gênero de terror, sendo mais um drama com toques de suspense. Seu principal incômodo é a maneira como o diretor Eggers, que faz a sua estreia, precisa esclarecer, de modo que não restem dúvidas, a sua simbologia em relação a esta família. O pai, William, lembra a figura de Jesus Cristo, principalmente à noite quando todos estão ao redor da mesa à espera da ceia. Para o diretor, a religião, de modo geral, nutre-se de um discurso que volta contra as próprias pessoas e segui-la seria negar a própria natureza. Não há, nisso, personagens com características distintas e sim símbolos que percorrem a trama de ponto a ponto sem exatamente fazerem algo que não seja o esperado. O pai, nesse sentido, é aquele que não pretende ver seus filhos distanciados da religião, e Thomasin aparenta ser uma ameaça porque faz exigências que não caberiam ali, inclusive parecendo provocar, com seu corpo, o irmão. O comportamento dos gêmeos também não é o mais normal, sobretudo quando dizem conversar com uma cabra preta chamada Black Phillip, que foge de forma insistente do estábulo. A cabra tem chifres, diz o diretor, e ela se assemelha a uma figura que pode ser ameaçadora para essa família religiosa. A família tem um cão, e logo ele resolve correr pela floresta sem olhar para o dono, que segue desesperado atrás.
As cenas da floresta se mostram assustadoras, mas só no momento em que se esquece em que este tipo de filme tem inspiração em projetos como A bruxa de Blair; Eggers na verdade parece querer apenas emular um tom clássico para a mesma tentativa de trazer sustos ao espectador. E com isso oferece a culpa proporcionada pelo desejo e pelas sensações corporais, que parecem não ter a devida autossuficiência se comparadas com o discurso. Com isso, mesmo as boas atuações, como a de Anya Taylor-Joy, acabam perdendo espaço para o excesso discursivo de Eggers, esclarecido nas atuações francamente exageradas de Ralph Ineson e Kate Dickie.

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Não estaria sendo claro se dissesse que a atmosfera de A bruxa é muito bem estabelecida, com ótima fotografia de Jarin Blaschke e um design de produção cuidadoso. Porém, isso não parece ser o bastante para trazer substância a uma história que deixa sempre o espectador esperando pela próxima simbologia, e não pela próxima sequência. O diretor, com isso, ao invés de transformar seu filme em algo complexo, o neutraliza e o encaminha para o mesmo caminho de outros filmes de suspense, com pouca diversidade de situações, tornando tudo muito específico ao seu universo, sem deixar o espectador interessado em desvendar outros temas correlacionados ao roteiro. Os animais que aparecem como ameaçadores nesse universo – a cabra e o coelho – se mostram peças-chave para a construção de certo suspense, no entanto, não chega a haver um crescente necessário para que sejam significativos para a compreensão do espectador, apenas como um elo para aquilo que se considere subversivo. É aqui que A bruxa acaba não anunciando nenhuma novidade: embora suas imagens sejam elaboradas com certa simetria, existe algo de muito previsível no comportamento de cada personagem; cada um deles, desse modo, não está a serviço da história, e sim apenas do diretor. Não há diálogos que não sejam expositivos em excesso, quase desconfiando do espectador de que ele possa não interpretar alguma mensagem subliminar que apareça neles. E, mesmo que o final seja possivelmente seu momento mais assustador, configurando uma mescla entre realismo e fantástico, A bruxa acaba tendo seu tema esgotado por sua própria pretensão de soar diferente.

The witch, EUA/CAN/Reino Unido, 2015 Diretor: Robert Eggers Elenco: Anya Taylor-Joy, Bathsheba Garnett, Ellie Grainger, Harvey Scrimshaw, Julian Richings, Kate Dickie, Lucas Dawson, Ralph Ineson, Sarah Stephens, Wahab Chaudhry Roteiro: Robert Eggers Fotografia: Jarin Blaschke Trilha Sonora: Mark Korven Produção: Daniel Bekerman, Jay Van Hoy, Jodi Redmond, Lars Knudsen, Rodrigo Teixeira Duração: 92 min. Distribuidora: Universal Pictures Estúdio: Code Red Productions / Maiden Voyage Pictures / Mott Street Pictures / Parts and Labor / Pulse Films / Rooks Nest Entertainment / RT Features / Scythia Films / Special Projects

Cotação 2 estrelas