Sonic – O filme (2020)

Por André Dick

Os filmes baseados em videogame até algum tempo atrás não eram tão bem recebidos pelo público. Já nos anos 90, com Super Mario Bros, confirmava-se uma espécie de dificuldade de fazer o trânsito entre as duas linguagens. Talvez Angelina Jolie tenha conseguido algum efeito com sua versão de Lara Croft – Tomb Raider, reprisada por Alicia Vikander sem a mesma aceitação, no entanto nunca chegou a se caracterizar como uma referência. E, mesmo com a decepção nas bilheterias de Scott Pilgrim contra o mundo (este um filme fora de série de Edgar Wright) e Assassin’s creed  na década passada, tivemos alguns sucessos nessas adaptações, com boas ou excelentes bilheterias: Pixels – O filme, Rampage, Warcraft e Pokémon: Detetive Pikachu são alguns exemplos.
Com Sonic – O filme, ganhamos mais uma adaptação que tenta mesclar o tom infantil e o atrativo para um público mais adulto. Tendo na direção Jeff Fowler, em sua estreia, o roteiro é  de  Pat Casey e Josh Miller, baseados nos personagens de Yuji Naka, Naoto Ohshima e Hirokazu Yasuhara  Ben Schwartz faz a voz do personagem central, Sonic, um ouriço azul vindo de outro planeta capaz de correr numa ultravelocidade.

Ao não ouvir o seu guardião, Longclaw, e depois de ser atacado por uma tribo, Sonic recebe um punhado de anéis com poder de leva-lo para outros planetas. Ele acaba parando  perto de Green Hills, Montana, onde se torna admirador do xerife Tom Wachowski (James Marsden) e sua esposa Maddie (Tika Sumpt). O xerife tem uma vida tranquila: como o policial rodoviário de Missão madrinha de casamento, seu passatempo ideal é ver se algum carro passa acima da velocidade por seu carro de polícia. Sem que Sonic saiba, eles estão para se mudar para San Francisco.
E determinado momento, Sonic acaba criando uma interferência eletromagnética com sua velocidade, causando a queda da energia no noroente do Pacúfico. O cientista Doutor Robotnik (Jim Carrey), chamado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, surge para tentar ver onde se originou essa questão, e passa a perseguir Sonic e quem estiver com ele.

É claro que essa premissa é simples e Sonic – O filme não foge a ela em nenhum momento. Isso leva em conta que a química entre os personagens, apesar de rápida e construída sem naturalidade, é agradável, tanto pela voz de Schwartz quanto pela presença despretensiosa de Marsden, ator que aparece em projetos, de X-Men, passando por Superman – O retorno, até A caixa e Encantada. Ao tentarem empreender uma fuga, o filme se torna um rápido road-movie, com elementos curiosos que remetem a uma entrada no espírito do interior norte-americano, com uma referência a Cowboy do asfalto, com John Travolta, dos anos 80.
A própria presença de Jim Carrey evoca uma nostalgia. Depois de uma década passada sem muitos filmes, como Os pinguins do papai e as desastradas sequências de Debi & Loide e Kick-ass, e uma participação na série Kidding, além do bom documentário Jim & Andy, Carrey retoma alguns momentos do Charada que fez em Batman eternamente, com um tom entre a psicopatia e a tentativa de soar bem-humorada, além de remeter à sua presença histriônica em Desventuras em série. É um ator tarimbado para a narrativa proposta e sua presença rouba a cena toda a vez em que aparece, embora pareça exagerada. É ele que consegue tornar uma ideia a princípio apenas descartável numa diversão moderadamente agradável, em seus conflitos com o agente Stone (Lee Majdoub).

O roteiro não chega a desenvolver os personagens do xerife e de sua esposa que embarcam nessa aventura com Sonic, mas este, com seu sentimento de solidão, afastado de seu lugar de origem, é certamente excêntrico o bastante para despertar interesse por suas falas e velocidade – uma espécie de The Flash animado e em forma de ouriço. Os efeitos visuais são competentes (lembre-se que os fãs reclamaram do primeiro trailer, e o diretor efetuou uma grande mudança no visual do personagem), e os drones que o cientista carrega empregam uma maneira interessante de desencadear as cenas de ação, em lugares abertos ou fechados. Algumas, mais ao final, tentam recuperar alguma inspiração de Batman – O cavaleiro das trevas ressurge, embora sem a mesma tentativa de ser épico. Não há muito roteiro a se explorar aqui, e os atos são divididos. De qualquer modo, Fowler consegue efetuar uma diversão para todas as idades, com bom visual e que não insulta o espectador, soando às vezes ingênuo e nostálgico, duas características às vezes em falta mesmo em obras mais despretensiosas.

Sonic the Hedgehog, EUA, 2020 Diretor: Jeff Fowler Elenco: James Marsden, Ben Schwartz, Tika Sumpter, Jim Carrey Roteiro: Pat Casey, Josh Miller Fotografia: Stephen F. Windon Trilha Sonora: Tom Holkenborg Produção: Neal H. Moritz, Toby Ascher, Toru Nakahara, Takeshi Ito Duração: 99 min. Estúdio: Sega Sammy Group, Original Film, Marza Animation Planet, Blur Studio Distribuidora: Paramount Pictures

 

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