10 possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme em 2020

Por André Dick

Neste artigo, seleciono alguns possíveis indicados ao Oscar de melhor filme em 2020. Em 2019, acertei 4 candidatos da lista principal e 2 da repescagem. Apresento 10 possíveis nomeados, o que não acontece, no entanto, desde 2012, costumando ficar entre 8 ou 9. Esta lista sai antes de premiações importantes (Independent Spirit Awards, BAFTA, Globo de Ouro, principalmente), ou seja, depois das indicações delas e seus vencedores, as coisas se aclaram um pouco mais. As probabilidades se baseiam em recepção crítica (dos que estrearam até agora; alguns podem ainda ser mal recepcionados) e temas tratados, que agradam mais ou menos à Academia, além dos gêneros de filmes. Alguns deles, como Adoráveis mulheres e 1917, ainda não estrearam e, dependendo das críticas, podem sair da disputa (como aconteceu com A lei da noite em 2017 ou Pequena grande vida em 2018). Também acredito que História de um casamento teria mais chances de figurar entre os candidatos se O irlandês não fosse a obra preferida com distribuição da Netflix (e tenho dúvidas se a Academia emplacaria dois filmes da empresa de streaming). Por isso, coloco também cinco filmes numa repescagem e outros possíveis indicados (esses às vezes guardam surpresas, capazes de se fortalecer na temporada de premiações). Assinalo que A hidden life, de Terrence Malick, corre à margem (o trabalho do diretor é ignorado pela Academia desde A árvore da vida), porém, dependendo de sua recepção em dezembro, pode repetir o que aconteceu, por exemplo, com Trama fantasma. Leve-se em conta que no ano passado ninguém esperava, nessa época, que Bohemian Rhapsody fosse indicado a melhor filme e recebesse 4 Oscars.

Era uma vez em Hollywood

Quentin Tarantino teve alguns filmes indicados ao Oscar principal (Pulp Fiction, Bastardos inglórios e Django livre). Este Era uma vez em Hollywood parece ser o próximo, principalmente por seu elenco (Brad Pitt especialmente a coadjuvante), e parte técnica de grande potencial. No entanto, Os oito odiados foi ignorado, e era uma obra-prima. Seu diferencial para atrair é a homenagem de Tarantino à Hollywood do final dos anos 60, por meio de um ator que está sendo esquecido e tem sua última oportunidade no universo cinematográfico, feito com grande talento por Leonardo DiCaprio.

Adoráveis mulheres

Após o sucesso de crítica de Lady Bird e ser indicada a direção e filme, Greta Gerwig traz em seu segundo projeto um grande elenco: além de sua atriz favorita, Saoirse Ronan, Timothée Chalamet, Meryl Streep, Florence Pugh, Laura Dern e Emma Watson. A história, adaptada por Gerwig e Sarah Polley de um romance de Louisa May Alcott, mostra irmãs na Nova Inglaterra em 1860, durante a Guerra Civil Americana. Com trilha sonora de Alexandre Desplat, o trailer antecipa uma mescla entre O estranho que nós amamos e Maria Antonieta, ambos de Sofia Coppola.

O irlandês

Com seus 210 minutos, O irlandês dificilmente ficará de fora dos indicados, embora o filme anterior de Scorsese, Silêncio, tenha sido nomeado apenas para melhor fotografia. O irlandês, porém, parece ser uma síntese da trajetória do diretor, mesclando desde os tempos de Touro indomável e Os bons companheiros (na parceria de De Niro e Joe Pesci) até O lobo de Wall Street. Ele conta a história de Frank Sheeran (Robert De Niro), que trabalha para a máfia e é veterano da Segunda Guerra Mundial. A trama acompanha seu envolvimento com o sumiço do líder trabalhista Jimmy Hoffa (Al Pacino). Lembremos que já há um filme especificamente sobre Hoffa, de 1992, interpretado por Jack Nicholson. Uma das expectativas é quanto ao rejuvenescimento de atores como De Niro, Pesci e Pacino, num trabalho ousado da equipe de Scorsese.

Coringa

Premiado de forma surpreendente com o Leão de Ouro em Veneza, Coringa é o segundo filme consecutivo de adaptação de quadrinhos, depois de Pantera Negra, a ter reais chances de indicações ao Oscar nas categorias principais. Além de Joaquin Phoenix no papel central, de Arthur Fleck, temos ainda Robert De Niro como coadjuvante e a fotografia de Lawrence Sher. O diretor Todd Phillips foi deixado de lado pelo Oscar por Se beber, não case! depois de ganhar o Globo de Ouro de melhor filme com a comédia. Coringa pode ser sua chance de chegar ao prêmio.

Ford vs Ferrari

Com direção de James Mangold (Logan), Ford vs Ferrari talvez seja uma mescla entre Rush e o clássico Grand Prix, indicado ao Oscar de melhor filme em 1967. O filme traz a história de um designer de carros, Carroll Shelby (Matt Damon), e do motorista de carro de corrida Ken Miles (Christian Bale), que estiveram à frente de uma equipe que ajudou a Ford a construir um carro capaz de competir com a Ferrari. Já presente no Oscar com Johnny & June e Os indomáveis e indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado por Logan, Mangold costuma ter boa recepção na Academia.

A beautiful day in the neighborhood

Diretora de Poderia me perdoar?, que rendeu uma indicação ao Oscar para Melissa McCarthy, além de para ator coadjuvante e roteiro adaptado, Marielle Heller traz a história de um jornalista da Esquire, Lloyd Vogel (Matthew Rhys), que precisa fazer uma matéria sobre o apresentador de televisão infantil Fred Rogers (Tom Hanks) e muda sua percepção sobre a vida. Hanks é preterido pela Academia desde Náufrago (não tendo sido indicado por ótimas atuações em Prenda-me se for capaz, Cloud Atlas e Sully), mas o filme tem elementos que costumam agradar à Academia.

Jojo Rabbit

Quem viu o trailer deste filme certamente percebeu a inspiração do vencedor do Festival de Toronto, quase uma garantia de ser indicado ao Oscar mais almejado: a filmografia de Wes Anderson, mais exatamente sua obra Moonrise Kingdom. O diretor Taika Waititi, de Thor: Ragnarok e A incrível aventura de Rick Baker, reúne um grande elenco numa espécie de sátira da Segunda Guerra Mundial e a Adolf Hitler (que ele mesmo interpreta). O menino JoJo (Roman Griffin) descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) esconde uma menina judia em sua casa, o que vai de encontro aos ensinamentos que recebeu do nazismo. Parece evidente também a influência de O ditador e A vida é bela nessa trama.

Luta por justiça

Em nova obra de Destin Daniel Cretton, que fez O castelo de vidro e Temporário 12, o advogado Bryan Stevenson (Micheal B. Jordan) se desloca para o Alabama, a fim de defender os injustamente condenados, começando por Walter McMillian (Jamie Foxx), no corredor da morte, preso injustamente pela morte de uma mulher. Cretton não tem até agora sido lembrado pela Academia, no entanto costuma apresentar excelente trabalho de direção de atores e histórias profundamente humanas. No elenco ainda está Brie Larson, atriz preferida do cineasta, que esteve em seus dois filmes.

1917

Sob a direção de Sam Mendes, que se dedicou à série 007 nesta década, 1917 tem como cenário a Primeira Guerra Mundial, no ano do título, no norte da França, acompanhando dois jovens soldados ingleses, Schofield (George MacKay) e Blake (Dean-Charles Chapman), que recebem a missão de levar uma mensagem passando por linhas inimigas. Com fotografia de Roger Deakins, a inspiração é claramente Dunkirk, de Nolan, de 2017. Mendes já venceu o Oscar por Beleza americana, e 1917 tem grande chance como filme de guerra, gênero apreciado pela Academia, contando ainda no elenco com Colin Firth, Benedict Cumberbatch e Mark Strong.

The farewell

Com um pôster muito parecido com o de Flores de aço, de 1989, The Farewell tem na direção  Lulu Wang. Mostra a história de uma família, na qual o personagem central é o aspirante a escritor chinês-americano Billi (Awkwafina), que se reúne ao saber que a avó, chamada Nai Nai (Zhao Shuzhen), está prestes a morrer. Muito elogiado no circuito de festivais, tem mais chances do que aparenta

Repescagem

Parasita

Vencedor do Festival de Cannes em 2019, este é facilmente o melhor filme de Bong Joon-ho desde Memórias de um assassino. É um tanto insano, sem gênero definido, parece não dizer nada, mas sabe trabalhar seus temas. Joon-ho aprendeu com os erros de Okja e soube deixar as metáforas mais implícitas ao invés de tentar explicá-las para o espectador. Para isso, o diretor de fotografia Hong Kyung-pyo assegura os movimentos de câmera para fazer o espectador se inserir dentro dos ambientes. É uma espécie de jornada por uma sociedade em construção ou desconstruída, nunca previsível. Joon-ho pode repetir o fato de um diretor estrangeiro ser indicado, como Michael Haneke por Amor, em 2013, e Pawel Pawlikowski por Guerra fria, em 2019.

História de um casamento

Outro projeto do diretor Noah Baumbach na Netflix, depois de Os Meyerowitz, mostra o divórcio entre o diretor de teatro Charlie (Adam Driver) e uma atriz (Scarlett Johansson). Bem recebido no Festival de Toronto, parece seguir a linha temática dos anos 70, de obras como Kramer vs Kramer, nos moldes do que Baumbach aprecia em sua filmografia, a exemplo de Frances Ha, Enquanto somos jovensGreenberg. O elenco tem ainda Laura Dern e Alan Alda.

Entre facas e segredos

Logo depois de Star Wars – Os últimos Jedi, Rian Johnson emprega uma trama nos moldes de Agatha Christie, com um detetive tendo de investigar um assassinato com um grande número de suspeitos. Parece retomar elementos de A ponta de um crime, um de seus melhores filmes. O elenco é de destaque: Daniel Craig, Chris Evans, Don Johnson, Toni Collette, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon e LaKeith Stanfield.

Ad Astra – Rumo às estrelas

O filme de James Gray tinha todas as chances claras… não tivesse sido, como O primeiro homem, no ano passado, uma decepção nas bilheterias. Uma bela ficção científica, sua parte técnica e a atuação de Brad Pitt podem ajudá-lo a se credenciar. Além disso, pode repetir a influência que tem o gênero nos últimos anos, visto Gravidade e Perdido em Marte.

As golpistas

Este parece ser o filme independente com possibilidades de ser lembrado pelo Oscar. Dirigido por Lorene Scafaria, com base num artigo de 2015 da revista New York, “The Hustlers at Scores”, de Jessica Pressler, a trama segue um grupo de strippers na cidade de Nova York que passam a roubar dinheiro, envolvidas com acionistas de Wall Street. No elenco, estão Constance Wu, Jennifer Lopez, Julia Stiles, Keke Palmer, Lili Reinhart, Lizzo e Cardi B. Um detalhe importante: Lopez produz o filme com Jessica Elbaum, Will Ferrell e Adam McKay, esses dois indicados por A grande aposta e Vice.

Outros possíveis indicados

A lavanderia (Steven Soderbergh), O relatório (Scott Z. Burns), Waves (Trey Edward Shults), The aeronauts (Tom Harper), Meu nome é Dolemite (Craig Brewer), Cats (Tom Hooper), Dowton Abbey – O filme (Michael Engler), The last black man in San Francisco (Joe Talbot), Clemency (Chinonye Chukwu), O escândalo (Jay Roach), Judy (Rupert Goold), Dois papas (Fernando Meirelles), Dark waters (Todd Haynes), Harriet (Kasi Lemmons), Star Wars – A ascensão Skywalker (JJ Abrams), A grande mentira (Bill Condon), The personal history of David Copperfield (Armando Iannucci), A hidden life (Terrence Malick)

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4 Comentários

  1. Lembrei de outros:

    The Lighthouse – Robert Eggers
    Richard Jewell – Clint Eastwood
    Dor e Glória – Pedro Almodóvar

    Acho bastante improváveis, mas nunca se sabe né.

    Responder
    • André Dick

       /  18 de outubro de 2019

      Prezado Alan,

      boas lembranças! Eastwood não foi lembrado pelos últimos três filmes, mas é sempre nome cotado; o de Eggers vem sendo elogiado desde Cannes; e Dor e glória muito possivelmente estará entre os indicados ao Oscar de filme estrangeiro.

      Volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder
  2. Marcelo

     /  21 de outubro de 2019

    O filme de Star Wars não teria mais chance, por finalizar a trilogia? O irlandês vai ser o favorito.

    Responder
    • André Dick

       /  21 de outubro de 2019

      Prezado Marcelo,

      Acredito que o fechamento da nova trilogia de Star Wars será indicado, como os outros, em categorias técnicas. No entanto, parece difícil indicações a prêmios principais. Também considero que O irlandês é o favorito, ao lado de Era uma vez em Hollywood e Coringa. Mas é cedo; veremos.

      Volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder

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