Aladdin (2019)

Por André Dick

Lançado em 1992, Aladdin é um dos desenhos animados de maior bilheteria de todos os tempos. Embora não tenha repetido o feito de ser indicado ao Oscar de melhor filme, como A bela e a fera um ano antes, trata-se de uma grande diversão, sobretudo pela presença de Robin Williams no papel do Gênio da Lâmpada.
Em seu live-action, dirigido por Guy Ritchie, ele conta basicamente a mesma história: Aladdin (Mena Massoud) é um jovem que vive nas ruas do reino de Agrabah, em meio ao deserto, com o macaco Abu, seu melhor amigo. Seu objetivo é casar com a princesa do reino, Jasmine (Naomi Scott), filha do Sultão (Navid Negahban) e cuja melhor amiga é a criada Dalia (Nasim Pedrad). O pai quer casá-la com o Príncipe Anders (Billy Magnussen). Antes, contudo, precisa enfrentar Jafar (Marwan Kenzari), que, sempre com seu papagaio, controle o reino por meio de seus poderes hipnóticos. Ele pretende se transformar no homem mais temido do mundo e deseja encontrar o Gênio da Lâmpada (Will Smith) na Caverna das Maravilhas. Ele pode ser o meio de Aladdin se transformar num príncipe.

No filme de 1992, Jafar não é tão divertido quanto Aladdin, que se transformava em qualquer coisa para aparecer, lembrando um showman, mas tinha grande presença, o que seu intérprete no filme não consegue lamentavelmente repetir. É importante lembrar o quanto Guy Ritchie, em Snatch – Porcos e diamantes, trazia uma espécie de miscelânea de gêneros ligados ao mundo da máfia, com todos os maneirismos possíveis de sentido pop e violência influenciada visivelmente por Tarantino. Ritchie parecia um bom cineasta, mas ainda tateando, em busca de uma personalidade. Ele não conseguiu isso em projetos como Destino insólito (com sua ex-mulher, Madonna), mas são os elementos que já apareciam em Snatch que fizeram funcionar tão bem nos dois Sherlock Holmes, em O agente da U.N.C.L.E e em Rei Arthur – A lenda da espada.

Neles estão os elementos que já se encontravam em Snatch: uma espécie de necessidade de destacar os movimentos de câmera, lembrando às vezes um videoclipe, o visual carregado e o elenco fazendo soar o máximo uma espontaneidade teatralizada. Nesta adaptação com atores de Aladdin, Ritchie não emprega visualmente seu estilo – mais soturno –, apanhando um colorido capaz de remeter ao cinema de Bollywood, mas, principalmente, a The fall, de Tarsem Singh. Mesmo assim, ele consegue mostrar sua personalidade num certo humor agridoce trazido pelo Gênio da Lâmpada, numa das melhores atuações de Will Smith em sua carreira – e o filme diminui de tamanho quando em determinados momentos ele sai de cena. De algum modo, ele ainda está lá, por trás do estilo imposto pela Disney, capaz de tirar algumas vezes o mérito de diretores à frente de outras obras nesses moldes, a exemplo de A bela e a fera.
O filme de Ritchie não tem objetivo de respeitar algum molde clássico, como todos os projetos do cineasta: é um espetáculo em movimento quase de videoclipe, com uma montagem por vezes confusa, mas sem tanto, como ele gosta, idas e vindas no tempo e cortes para evitar excessivo material expositivo – uma das suas qualidades. O roteiro dele em parceria com John August (autor de vários filmes de Tim Burton, como Peixe grande e Sombras da noite), baseado no original de 1992, assinado por Ron Clements, John Musker, Ted Elliott e Terry Rossio, tenta mesclar as partes musicais, com danças, inclusive, com uma atmosfera de obra infantojuvenil que possa dialogar também com os adultos.

Nesse sentido, um dos destaques do live-action é novamente a trilha sonora brilhante de Alan Menken (o mesmo de A pequena sereia), com a parceria de Howard Ashman, que tem pelo menos três canções antológicas e um som de inegável qualidade. Não à toa, o desenho animado ganhou dois Oscars neste campo e rendeu muitos frutos. Os diálogos que a narrativa empresta ao Gênio são muito bons, embora a porção romântica entre Aladdin e Jasmine se realize mais no visual do que exatamente nas atuações um pouco deslocadas de Massoud e Scott, embora nenhuma diminua o material e sempre evoquem a animação. Apenas chama a atenção como este live-action é aquele mais realista já feito pela Disney, sem recorrer tanto a CGI (os efeitos visuais, inclusive, são ótimos, como os do tigre e do macaco) e adotando uma fotografia com várias tomadas destacando um design de produção real, assim como em seus figurinos ultracoloridos. Há também, como diferença em relação ao original, uma nova canção, “Speechless”, dos oscarizados Benj Pasek e Justin Paul, responsáveis pela belíssima “City of stars” de La La Land, e uma certa modulação no roteiro visando algumas temáticas atuais. Nada se sente forçado como poderia se imaginar inicialmente de um cineasta tão pouco provável para este material. Mesmo não alcançando a magia do original, este Aladdin consegue às vezes alçar voos altos.

Aladdin, EUA, 2019 Diretor: Guy Ritchie Elenco: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen Roteiro: John August e Guy Ritchie Fotografia: Alan Stewart Trilha Sonora: Alan Menken Produção: Dan Lin e Jonathan Eirich Duração: 128 min. Estúdio: Walt Disney Pictures, Rideback, Marc Platt Productions Distribuidora: Walt Disney Studios

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