Indicados ao Oscar 2019

Por André Dick

Dos possíveis candidatos ao Oscar que apontei em setembro de 2018 (neste post), quatro chegaram às indicações de melhor filme: Infiltrado na Klan, Nasce uma estrela, A favorita e Roma. Das repescagens, Pantera Negra e Vice (à época chamado de Backseat). Entre os outros que apontei, Duas rainhas não conseguiu chegar a tempo para as indicações: o filme com Saoirse Ronan e Margot Robbie não aconteceu junto à crítica e ao público. Boy erased – Uma verdade anulada também não conseguiu transformar as presenças de Lucas Hedges, Nicole Kidman e Russell Crowe em seu elenco em referenciais atrativos. Já o antimainstream Eighth grade teve boas indicações na temporada, no entanto sem alcançar a força de Lady Bird – A hora de voar, do ano passado, com temáticas semelhantes. Com ótimas atuações de Steve Carell e Timothée Chalamet, Querido menino infelizmente não agradou aos integrantes da Academia de Hollywood, pois merecia ser lembrado. No entanto, as grandes surpresas foram O primeiro homem e Se a Rua Beale falasse, dos diretores que em 2017 quase conquistaram juntos o Oscar de melhor filme por La La Land e Moonlight, lembrados em várias premiações, serem deixados de lado.

Melhor filme

Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
Green Book – O guia
Roma
A favorita
Nasce uma estrela
Vice

A seleção deste ano tem filmes excelentes (A favorita, Nasce uma estrela), um ótimo (Green Book – O guia), dois muito bons (Infiltrado na Klan e Bohemian Rhapsody) e um historicamente interessante e bem interpretado (Vice), apesar de abaixo do esperado. Pantera Negra se tornou a primeira obra de super-heróis a ser indicada ao Oscar principal, o que é um feito histórico. Novamente a Academia não atinge 10 concorrentes. Nas duas vagas não preenchidas, os votantes poderiam ter lembrado de Suspiria, de Luca Guadagnino (do superestimado Me chame pelo seu nome, do ano passado, indicado então ao prêmio principal), Maus momentos no Hotel Royale (com ótima atuação de Jeff Bridges e brilhante direção de arte), O primeiro homem (uma bela ficção científica, que se provou ao longo da temporada, e daí talvez seu esquecimento, anticomercial), Querido menino (um dos mais belos filmes já feitos sobre a relação entre um pai e um filho), A balada de Buster Scruggs (inusitado faroeste dividido em contos dos irmãos Coen), 22 de julho (melhor trabalho de Paul Greengrass, já lembrado pelo Oscar em Voo United 93 e Capitão Phillips), Hereditário (terror marcante de Ari Aster) e Vida selvagem (estreia na direção do ator Paul Dano). Estavam entre os cotados No coração das trevas (de Paul Schrader), Mais uma chance (de Tamara Jenkins) e Podres de ricos, mas não conseguiram chegar aos finalistas. E, se fosse lembrar de blockbusters, daria mais destaque a Jogador Nº 1 e Animais fantásticos – Os crimes de Grindelwald, menosprezados mesmo nas categorias técnicas (Animais fantásticos não ser indicado a efeitos visuais, design de produção e figurino faz lembrar o esquecimento recorrente da série Harry Potter na premiação). A Academia só nomeia os melhores filmes quando eles atingem, junto aos votantes, uma determinada média, porém é estranho peças como O primeiro homem,  A balada de Buster ScruggsSe a Rua Beale falasse, por exemplo, com indicações importantes, não chegarem a essa média. Nisso, anos que alternam entre 8, 9 ou 10 candidatos (este número apenas nos dois primeiros anos em que a regra passou a valer, em 2009 e 2010) parecem indicar uma inconstância que não está de acordo com o que acontece, pois claramente há no mínimo de 15 a 20 obras marcantes por ano.
Dos indicados, a disputa vai ficar, ao que tudo indica, entre Roma, Green Book – O guia e Nasce uma estrela. Correndo por fora paradoxalmente A favorita.

Melhor diretor

Alfonso Cuarón, por Roma
Adam McKay, por Vice
Yorgos Lanthimos, por A favorita 
Spike Lee, por Infiltrado na Klan 
Pawel Pawlikowski, por Guerra fria

O grande favorito é Alfonso Cuarón, por Roma. Apesar de ter sido premiado já com Gravidade, as premiações parecem apontá-lo como o principal nome. O grego Lanthimos já havia sido indicado pelo roteiro de O lagosta e por filme estrangeiro em Dente canino. Sua indicação é bastante merecida por A favorita. Uma surpresa a indicação de Pawel Pawlikowski por Guerra fria, contrapondo-se a Cuarón e Roma, entretanto bem-vinda: é um dos melhores cineastas surgidos na Europa nos últimos 20 anos.  E Spike Lee, normalmente negligenciado, volta a estar presente entre os indicados por Infiltrado na Klan. Talvez o mais deslocado aqui seja McKay, por um trabalho de direção até dinâmico, no entanto superficial, em Vice. Bradley Cooper, diretor exitoso em sua estreia em Nasce uma estrela, foi ignorado, o que mostra como a corrida do Oscar mudou na reta final, já que era um dos possíveis favoritos. Poderiam facilmente ter indicado Luca Guadagnino (Suspiria), Lynne Ramsay (Você nunca esteve realmente aqui), Paul Dano (Vida selvagem), Damien Chazelle (O primeiro homem), Felix Van Groeningen (Querido menino), Paul Greengrass (22 de julho) e Joel e Ethan Coen (A balada de Buster Scruggs).

Melhor ator

Rami Malek, por Bohemian Rhapsody
Christian Bale, por Vice 
Viggo Mortensen, por Green Book – O guia 
Bradley Cooper, por Nasce uma estrela 
Willem Dafoe, por No portal da eternidade

Bradley Cooper está fora de série em Nasce uma estrela. Gosto muito também da atuação de Rami Malek, e foi ele quem fez Bohemian Rhapsody chegar à temporada de premiações com tantas chances. O ator Willem Dafoe está sendo muito elogiado por sua atuação como Van Gogh em No portal da eternidade. Mais uma vez lembrado, depois de Capitão Fantástico, no ano passado, Viggo Mortensen tem boa presença em Green Book – O guia, numa apreciável parceria. O favorito parece ser, de qualquer modo, Christian Bale, que em Vice interpreta Dick Cheney com a voz sussurrada que empregou em Batman debaixo de muita maquiagem. É uma atuação correta, mas não à altura de sua trajetória, embora o roteiro não o ajude. Entre os esquecidos, aprecio em especial as performances de Steve Carell em Querido menino; John David Washington em Infiltrado na Klan; Ethan Hawke em No coração das trevas; Ryan Gosling em O primeiro homem; Joaquin Phoenix em Você nunca esteve realmente aqui e A pé ele não vai longe; e Jay Duplass em Outside in.  

Melhor atriz

Glenn Close, por A esposa 
Lady Gaga, por Nasce uma estrela 
Olivia Colman, por A favorita
Melissa McCarthy, por Poderia me perdoar
Yalitza Aparicio, por Roma

Olive Colman, das indicadas, aparecia há pouco tempo como literalmente a favorita, embora estejam a seu lado Lady Gaga e Glenn Close. Colman tem uma boa atuação, porém não saberia dizer se comporta um prêmio. Gaga é surpreendente em Nasce uma estrela e Close está muito bem em A esposa, por outro lado o filme é ligeiramente superficial. Depois de uma indicação como coadjuvante em Missão madrinha de casamento, Melissa McCarthy regressa à categoria de atriz principal por Poderia me perdoar? Yalitza Aparicio é, apesar de não ser atriz profissional, a grande figura de Roma: sua indicação é um reconhecimento. Acrescento entre as atrizes que poderiam ter sido lembradas: Rosamund Pike (A private war), Elsie Fisher (Eighth grade), Toni Collette (Hereditário), Viola Davis (As viúvas), Juliette Binoche (Deixe a luz do sol entrar), Regina Hall (Support the girls), Carey Mulligan (Vida selvagem) e Charlize Theron (Tully). Apesar de elogiada, não acredito que Emily Blunt merecesse ser indicada por O retorno de Mary Poppins ou Um lugar silencioso.

Melhor ator coadjuvante

Mahershala Ali, por Green Book – O guia 
Richard E Grant, por Poderia me perdoar?
Sam Elliott, por Nasce uma estrela 
Adam Driver, por Infiltrado na Klan
Sam Rockwell, por Vice

Indicado no ano passado por Me chame pelo seu nome na categoria de melhor ator, Timothée Chalamet poderia ter regressado nessa categoria com uma performance realmente extraordinária, em Querido menino; acabou sendo preterido. Vencedor do Oscar por Três anúncios para um crime, Sam Rockwell é lembrado por sua atuação como George W. Bush em Vice, no qual não chega a se destacar. Muito bem em Green Book, Mahershala Ali já ganhou o prêmio por Moonlight. Talvez seja sua segunda premiação. Sam Elliott, apesar de aparecer pouco, deixa sua marca na narrativa de Nasce uma estrela, e Adam Driver mostra uma boa atuação em Infiltrado na Klan (já havia sido esquecido há alguns anos por Silêncio, de Scorsese). Esquecidos: Steve Carell (Vice), Nicholas Hoult (A favorita), Daniel Kaluuya (As viúvas), Jesse Plemmons (A noite do jogo), Robert Pattinson (Damsel), Jeff Bridges (Maus momentos no Hotel Royale), Ed Oxenbould (Vida selvagem), Russell Crowe (Boy erased) e Jonas Strand Gravli (22 de julho).

Melhor atriz coadjuvante

Emma Stone, por A favorita
Rachel Weisz, por A favorita
Amy Adams, por Vice
Regina King, por Se a Rua Beale falasse
Marina De Tavira, por Roma

Emma Stone e Rachel Weisz fazem uma boa parceria em A favorita, tornando a presença de suas personagens no melhor embate da temporada. Mais uma vez, Amy Adams recebe uma indicação por Vice, novamente sem o hype de ganhar. Regina King é uma das favoritas, por Se a Rua Beale falasse. Uma surpresa a indicação de Marina de Tavira por Roma, substituindo Claire Foy, que aparece bem em O primeiro homem, embora não com a mesma contundência de suas atuações na TV, em The crown. Esquecidas: Olivia Cooke (Puro-sangue), Zoe Kazan (A balada de Buster Scruggs), Rachel McAdams (Desobediência), Tilda Swinton (Suspiria), Elizabeth Debicki (As viúvas) e Nicole Kidman (Boy erased).

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2 Comentários

  1. Alfonso Cuarón vai ganhar pelos menos três premios. Filme estrangeiro, diretor e fotografia. Glenn Close e Christian Bale estão garantidos. Do resto só torço, principalmente, para A Balada de Buster Scruggs. Quero assistir Tim Blake cantando ao vivo na cerimonia…

    Responder
    • André Dick

       /  23 de janeiro de 2019

      Prezado Rubens,

      Sin, Cuarón vai sair com um número de Oscars capaz de deixá-lo como o cineasta mais premiado da década e torço para que A balada de Buster Scruggs traga diversão ao evento. Quanto a Close e a Bale, eu queria uma troca de envelopes. Com todo o respeito aos dois, eles já fizeram melhor e desta vez outros estão num melhor momento

      Um abraço!
      André

      Responder

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