Rampage – Destruição total (2018)

Por André Dick

Há alguns anos, principalmente desde Terromoto – A falha de Santa Andreas, Dwayne Johnson, mais conhecido como The Rock, vem tendo uma ascendência sobre projetos de ação e bem-humorados na Warner Bros. O seu feito mais recente é Rampage – Destruição total, filme que se aquece com várias referências a King Kong, Godzilla e Jurassic Park, adaptado de um jogo de arcade muito popular nos anos 80. Com um orçamento respeitável de 120 milhões de dólares, ele arrecadou 420, constituindo-se num sucesso imprevisível, principalmente perto de franquias irregulares da companhia, como aquela que abriga os filmes da DC Comics. Afinal, o último filme com grande orçamento que apostou nessa ligação entre selva e cidade foi o financeiramente prejudicado A lenda de Tarzan. E deve-se ressaltar que Johnson está em outro grande sucesso nesse molde de filme situado entre o jogo e a realidade, que é a continuação de Jumanji.

Tudo inicia quando uma estação espacial, Athena-1, sofre problemas e tem como única sobrevivente a Dra. Kerry Atkins (Marley Shelton). Ela faz pesquisas de patógenos no espaço, a mando de Claire Wyden (Malin Akerman, de Watchmen – O filme), da empresa Energyne, assessorada pelo irmão Brett (Jake Lacy, forçando um overacting constrangedor). Os restos da estação acabam caindo nos Estados Unidos, atingindo especificamente San Diego Wildlife Sanctuary, onde mora um gorila albino, George (com movimentos impecáveis de Jason Liles), que é cuidado pelo primatologista David Okoye (Johnson), ex-integrante do exército norte-americano e um sujeito solitário, mesmo que o roteiro não desenvolva isso. Com os efeitos desse patógene atingindo seu amigo primata, David recebe a ajuda de Dra. Kate Caldwell (Naomie Harris). Esse vírus provoca raiva e crescimento no animal que sofre seus efeitos. Também surge um agente, Russell (Jeffrey Dean Morgan), que pode ou não prejudicar suas ações.

A partir daí, começa uma caçada das autoridades a George, mas também a outras criaturas que surgem pelo caminho. É inevitável avaliar que Rampage – Destruição total tem uma narrativa muito simples, sem nenhuma elaboração especial. No entanto, mesmo que a atuação de Johnson destoe, por exemplo, daquelas de Naomie Harris (Moonlight), com sua empatia habitual, e Dean Morgan (The Walking Dead), pode-se dizer que se trata de uma obra despretensiosa capaz de alcançar seu efeito.
Não há nenhuma novidade no caminho mostrado pelo diretor Brad Peyton, especializado em dirigir filmes de Johnson (o já mencionado Santa Andreas e Viagem 2 – A ilha misteriosa), porém o encadeamento das cenas não permite ao espectador um momento de desinteresse. Não se trata de uma ação puramente caótica, e sim o entrelaçamento dessa narrativa blockbuster com efeitos especiais realmente extraordinários, incorrendo por vezes num chroma key desnecessário em certos momentos, por outro lado revelando uma intensa vibração e um tom de aventura e busca de amizade. O roteiro escrito a oito mãos por Ryan Engle, Carlton Cuse, Ryan J. Condal e Adam Sztykiel é ostensivamente previsível, e ainda assim o espectador quer acompanhar seu desenvolvimento. Em razão de os vilões principalmente serem caricatos e Harris não ter química com Johnson, Rampage não atinge o potencial que deveria, porém é mais do que se esperaria de um projeto com suas características.

Os “diálogos” entre David e George, a criatura sendo observada, têm alguns bons momentos, embora mais ao final se mostrem excessivamente focados na comédia, o gênero preferido de Johnson nos últimos anos. George, curiosamente, é o melhor personagem do filme, e sua movimentação não deixa a desejar aos trabalhos de César, de Planeta dos macacos, e do King Kong de Peter Jackson (ambos os trabalhos de Andy Serkis). Há um real drama quando o diretor Peyton foca o olhar do gorila que vai, a seu contragosto, se agigantando por causa do patógene espacial. Seu traço cômico não se assemelha a George – O rei da floresta, filme irregular com Brendan Fraser, e sim com o personagem central de Detona Ralph. Literalmente, ele carrega o filme nas costas, junto com os efeitos especiais, responsáveis por transformar os vinte minutos finais em algo grandioso, além de relativamente violento (inclusive nas mortes). E Johnson, mesmo com sua limitação conhecida, é um ator funcional nesses projetos. Seus filmes que satirizam a polícia são cada vez mais presentes, assim como sua presença em Velozes e furiosos. No entanto, é em peças menos chamativas como Sem dor, sem ganho, Southland Tales e este Rampage que ele se mostra mais à vontade.

Rampage, EUA, 2018 Diretor: Brad Peyton Elenco: Dwayne Johnson, Naomie Harris, Malin Akerman, Jake Lacy, Jeffrey Dean Morgan Roteiro: Ryan Engle, Carlton Cuse, Ryan J. Condal, Adam Sztykiel Fotografia: Jaron Presant Trilha Sonora: Andrew Lockington Produção: Brad Peyton, Beau Flynn, John Rickard Hiram Garcia Duração: 107 min. Estúdio: New Line Cinema, Flynn Picture Company, Wrigley Pictures, ASAP Entertainment, Seven Bucks Productions Distribuidora: Warner Bros. Pictures

 

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