Resultados do Oscar 2017

Por André Dick

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Melhor filme

Ninguém pode dizer que o Oscar 2017 não foi surpreendente. Quando a dupla de Bonnie e Clyde Faye Dunaway e Warren Beatty subiu ao palco para a entrega do prêmio de melhor filme, nada indicaria que o vencedor anunciado, La La Land, não seria de fato o escolhido. Depois de toda a equipe de La La Land agradecer, Beatty ressurgiu para explicar que o vencedor era Moonlight – Sob a luz do luar. No envelope lido por Dunaway, aparecia Emma Stone (La La Land), que havia vencido como melhor atriz. Envelope duplicado? Beatty, por aparentar não conseguir ler o envelope, foi visto pela imprensa como responsável pela confusão – o que é lamentável, assim como nenhuma indicação para seu mais recente e ótimo filme, Rules don’t apply. Mas quem o leu foi Dunaway, que nunca imaginaria que o envelope entregue estava errado. Culpa dos atores? Isso seria desconsiderar que uma organização não deve abrir espaço para a possibilidade de um equívoco desse tamanho. E avaliar que Beatty e Dunaway, astros históricos de Hollywood, quiseram prejudicar a premiação é ainda mais injusto.
Gosto mais da seleção deste ano do que a dos três anos anteriores. Há dois filmes excelentes, La La Land e Moonlight, dois ótimos (Manchester à beira-mar e Lion), dois muito bons (Até o último homem e A qualquer custo), dois particularmente sustentados por grandes atuações (Um limite entre nós Estrelas além do tempo) e uma ficção científica interessante e que melhorou em duas revisões que fiz (A chegada) em relação à primeira vez. La La Land saiu com 6 prêmios, Moonlight com 3, Até o último homem e Manchester à beira-mar com 2 e Um limite entre nós e A chegada com 1.

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Desde Crash, em 2005, o escolhido a melhor filme não vencia exatamente 3 Oscars. E, assim como em outros anos, especificamente aqueles em que Ang Lee foi escolhido melhor diretor (em O segredo de Brokeback Mountain e As aventuras de Pi), ou quando Cuarón recebeu o Oscar por Gravidade e Iñárritu em O regresso, o melhor diretor não acompanha melhor filme.
Novamente a Academia não atinge 10 concorrentes. Numa décima vaga, poderiam ter lembrado de Silêncio, JackieA lei da noiteLoving, Elle, Florence – Quem é essa mulher?, PatersonA longa caminhada de Billy LynnAnimais noturnos e vários outros sequer cotados, a exemplo de Ave, César!, Cavaleiro de copasA criada, A luz entre oceanos, Jovens, loucos e mais rebeldes!!Wiener-dogDocinho da América, Beleza ocultaMais forte que bombas, Dois caras legais, A garota no trem, Café Society e Demônio de neon.
A ordem dos meus preferidos a melhor filme era a seguinte:

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A apresentação de Jimmy Kimmel, de forma geral, foi vaga e pouco inspirada, destacando-se apenas em meio à confusão no final, e os números musicais foram um tanto apagados. Houve um belo in memoriam a artistas da indústria que faleceram, encerrado com Carrie Fisher. E, nos agradecimentos, apenas as falas de Viola Davis e Mahershala Ali foram realmente comoventes. Artistas que ganham o prêmio muito jovens, como Casey Affleck e Emma Stone, não costumam render bons discursos de agradecimento, assim como o do diretor Damien Chazelle foi apagado.
O fato é que, tirando esse momento histórico de gafe da organização, o Oscar aconteceu com premiações bastante previstas.

Melhor direção

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Damien Chazelle, logo depois de Whiplash, consegue seu prêmio como melhor diretor, de forma merecida e com somente 32 anos. Com um belo musical, ele conseguiu extrair grandes atuações de seu elenco. Seu concorrente mais forte, Jenkins, de Moonlight, acabou sendo agraciado com o melhor roteiro adaptado. Alguns esperavam uma possível surpresa de Mel Gibson ou Kenneth Lonergan, mas ambos não tinham potencial para atingir os votantes, e Villeneuve é ainda um nome com futuros projetos de destaque, a exemplo de Duna e Blade Runner 2049, e certamente será relembrado.

Melhor ator

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Nos últimos dias, Denzel Washington era apontado como favorito ao prêmio por Um limite entre nós, mas quem ficou com a estatueta foi o desde sempre favorito Casey Affleck, de Manchester à beira-mar. Pelo olhar de Washington, foi uma derrota sentida – ele ganharia o terceiro Oscar, depois de Tempo de glória e Dia de treinamento. Andrew Garfield, particularmente o melhor entre os concorrentes, era visto com uma possibilidade por sua atuação em Até o último homem, mas tem uma longa carreira pela frente, o que indica também Silêncio, em que faz um padre. Viggo Mortensen não estava muito cotado por Capitão Fantástico, nem Ryan Gosling por La La Land, embora seu Sebastian seja um ponto de equilíbrio para o filme ter êxito.

Melhor atriz

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A ótima Emma Stone, depois da indicação a coadjuvante por Birdman, superou as atuações de Isabelle Huppert em Elle e Natalie Portman em Jackie, superiores à dela. Mesmo Ruth Negga, em Loving, apresenta um trabalho mais marcante. Já Meryl Streep, excelente em Florence Foster Jenkins, apenas cumpria a sua participação. Mas Emma é uma atriz que tem uma longa carreira pela frente e já fazia por merecer indicações desde A mentira e Histórias cruzadas.

Melhor ator coadjuvante

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Mahershala Ali era o favorito e ganhou por Moonlight, num papel que domina todo o primeiro ato da narrativa. Jeff Bridges apresenta um trabalho excelente em A qualquer custo, mas não muito diferente do que já apresentara em Bravura indômita, enquanto Michael Shannon reafirma seu estilo singular em Animais noturnos e Dev Patel mostra um lado desconhecido de emoção em Lion – Uma jornada para casa.

Melhor atriz coadjuvante

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A grande Viola Davis finalmente venceu o Oscar, por seu papel em Um limite entre nós. Depois de várias indicações e ser favorita ao prêmio, em Histórias cruzadas, ela já havia sido premiado por esse papel pelo Tony, quando o representou na Broadway. Naomie Harris está bastante convincente em Moonlight, como a mãe de Cherrie, enquanto Victoria Spencer novamente é carismática em Estrelas além do tempo. Nicole Kidman está muito bem em Lion, enquanto Michelle Williams faz participação em Manchester à beira-mar.

Melhor roteiro original

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Kenneth Lonergan subiu ao palco por Manchester à beira-mar. Deixou para trás a estranheza do roteiro de O lagosta, a agilidade narrativa de A qualquer custo, a alegria agridoce de La La Land e o trabalho excepcional de Mike Mills em Mulheres do século 20, o melhor, a meu ver, nesta categoria.

Melhor roteiro adaptado

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Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney levaram o prêmio por Moonlight – Sob a luz do luar, superando os trabalhos elogiados de A chegada, Um limite entre nós e Estrelas além do tempo.

Melhor animação

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O grande favorito, Zootopia, foi o escolhido, superando o blockbuster Moana e o cult A tartaruga vermelha, além do influenciado por animações orientais, Kubo e as cordas mágicas.

Melhor longa estrangeiro

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O favorito e superestimado Toni Erdmann viu sua corrida encolher na reta final, e Asghar Farhadi recebeu o prêmio pelo excepcional O apartamento. Ele já havia recebido o prêmio com A separação, em 2011, e não compareceu à premiação por causa da política de imigração atual dos Estados Unidos, enviando uma mensagem. Um homem chamado Ove também possuía boas características para ser lembrado, embora os grandes esquecidos tenham sido Elle e É apenas o fim do mundo (esta obra de Xavier Dolan chegou a figurar entre os nove pré-finalistas).

Melhor documentário em curta-metragem

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Os capacetes brancos

Melhor documentário em longa-metragem

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O.J. – Made in America

Melhor curta-metragem

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Sing

Melhor curta em animação

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Piper

Melhor fotografia

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O sueco Linus Sandgren quebra a sequência de Emmanuel Lubezki, sequer indicado, com o belíssimo trabalho de luzes de La La Land. Embora muitos vissem James Laxton um potencial concorrente forte com Moonlight e Rodrigo Prieto, a indicação solitária de Silêncio, de Scorsese, uma possibilidade, não há maneira de dizer que Sandgren não tenha modernizado Los Angeles com uma nostalgia recorrente ao passado. Ele tem clara influência dos trabalhos de Lubezki e escolhe uma paleta de cores que transforma a narrativa numa referência.

Melhor trilha sonora

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Justin Hurwitz foi o vencedor pela belíssima trilha de La La Land, embora Mica Levi apresente um trabalho excepcional em Jackie e Nicholas Britell traga notas musicais interessantes para os conflitos de Moonlight.

Melhor canção original

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“City of Stars”, música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul, de La La Land, foi a grande vencedora, um clássico instantâneo. Destaque-se que a canção aparece melhor no filme, com Ryan Gosling, do que na performance de John Legend durante a apresentação.

Melhor edição

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John Gilbert recebeu o prêmio por Até o último homem. Prêmio que costuma acompanhar melhor filme, mas não foi o caso desta vez. O trabalho de montagem de La La Land é excepcional, e os de A qualquer custo e Moonlight conseguem mesclar boas passagens de tempo.

Melhor figurino

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Depois de ganhar o prêmio por ChicagoMemórias de uma gueixa e Alice no país das maravilhas, Coleen Atwood recebe um novo Oscar por Animais fantásticos e onde habitam, superando o favoritismo de La La Land e Jackie. Interessante que nenhum filme da série Harry Potter tenha recebido um Oscar sequer.

Melhor design de produção

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David Wasco (design de produção) e Sandy Reynolds-Wasco (decoração de set) receberam o prêmio por La La Land, embora os trabalhos de Animais fantásticos e Ave, César! não fiquem distantes em termos de qualidade, o primeiro na passagem do universo literário de J.K. Rowling para as telas e o segundo na reelaboração de uma Hollywood já histórica.

Melhor maquiagem e cabelo

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Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson receberam o prêmio por Esquadrão suicida, um dos filmes mais subestimados de 2016. Jared Leto estaria rindo agora da crítica que o menosprezou ou a crítica que disse que Esquadrão nunca poderia concorrer ao Oscar estaria chorando?

Melhor mixagem de som

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Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mckenzie e Peter Grace receberam o prêmio por Até o último homem, embora o trabalho de La La Land fosse suficientemente forte, assim como os de Rogue One e 13 horas – Os soldados secretos de Benghazi.

Melhor edição de som

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Sylvain Bellemare recebeu o único prêmio de A chegada, de forma merecida, com um trabalho competente, principalmente quando os personagens adentram a espaçonave principal da obra, superando o favorito La La Land.

Melhores efeitos visuais

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Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon receberam o Oscar por Mogli – O menino lobo, superando Doutor Estranho e Rogue One. O visual belíssimo da nova adaptação da Disney é um destaque desde o seu lançamento e traz inovação para o campo.

 

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2 Comentários

  1. Eu achei o Oscar mais justo dos últimos anos.

    Responder
    • André Dick

       /  28 de fevereiro de 2017

      Prezado Matteus,

      também achei. Esta seleção de indicados é muito boa e os prêmios foram bem divididos.

      Volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder

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