Capitão América – Guerra Civil (2016)

Por André Dick

Capitão América 3

Se o primeiro filme da nova fase de Capitão América era dirigido pelo competente Joe Johnston, um especialista em obras de fantasia, com uma ótima ambientação e uma atuação excelente de Stanley Tucci, a sua continuação, Capitão América 2 – O soldado invernal, parecia indicar realmente uma narrativa diferenciada, com toques de thriller de espionagem e uma cena de luta coreografada num elevador. Chris Evans se tornou uma boa referência para o personagem depois do primeiro filme de Joe Johnston – em que o destaque era o início, mostrando o surgimento do personagem – e Scarlett Johansson novamente tinha boa presença.
Apesar de ótimas cenas de ação, há uma sensação incômoda de que o visual da segunda parte de Capitão América tende a lembrar mais a de um telefilme do que a imaginação do primeiro, claramente causado pela mudança de cenário; no entanto, ela é brusca e o design de produção não é atraente para os olhos, assim como a fotografia. Ao final, os efeitos especiais e as cenas de ação lembravam Os vingadores de forma demasiada para dar a sensação de que havia realmente algo original a ser visto nele – embora tivéssemos a atuação de Robert Redford e Samuel L. Jackson cumprindo bem o seu papel.

Capitão América 9

Capitão América 4

Capitão América 14

No entanto, o que realmente decepciona no segundo filme é a direção dos irmãos Joe e Anthony Russo, mais interessada em seguir o roteiro da Marvel do que investir naquele caminho que apresentam na primeira hora – quando há até um pouco de elementos autorais. Nesta terceira parte, Capitão América – Guerra Civil, novamente dirigida por eles, temos já desenhado o duelo – demarcado principalmente por certa cota da crítica – entre o que seria o estilo da Marvel e o da DC Comics. Mesmo com os três Homem de Ferro, os dois Hulk e Thor, é este o momento em que Batman enfrenta Superman no cinema e as comparações passam a ser do filme de Snyder com a obra dos irmãos Russo. E um fato notável: cada peça lançada de super-heróis da Marvel passa a ser a maior já feita no gênero, parecendo ignorar o que já fizeram cineastas como Tim Burton, Richard Donner, Richard Lester, Ang Lee, Edgar Wright, Jon Favreau, Kenneth Branagh, Sam Raimi, Cristopher Nolan e aquele ao qual foi entregue, inadvertidamente, a placa de prepotência desse universo: Zack Snyder. Não passa a ser desconhecimento, e sim uma consciente e infeliz falta de memória.
Nos dois primeiros Capitão América, faltava uma ligação mais interessante do personagem com os outros; ele se sentia sempre isolado, em conflito, mesmo como Steve Rogers, afora seu interessante contato com o criador feito por Stanley Tucci – e a série passa de uma quase fantasia do primeiro para um thriller no segundo. É um personagem sem o carisma dos outros, principalmente Stark, embora Evans faça o possível para tornar seus diálogos ágeis e seja, digamos, a parte mais melancólica do grupo, devido a ser alguém do passado vivendo numa época turbulenta.

Capitão América 15

Capitão América

Capitão América 6

Aqui os irmãos Russo colocam o personagem numa situação delicada: ele quer defender seu amigo de longa data, Bucky Barnes (Sebastian Stan), o soldado invernal, capturado e transformado pela Hydra em assassino, do que ele imagina ser uma conspiração. Para complicar, houve um problema num país no Quênia, África do Sul, provocado tanto pelo Capitão América quanto pelo Falcão (Anthony Mackie), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e a Viúva Negra (Scarlett Johansson).  Causam um certo alvoroço e o governo dos Estados Unidos, pela figura do secretário de Estado Thaddeus Ross (William Hurt), ex-general e inimigo de Hulk, deseja enquadrar os vingadores. A partir daí, o mote é a lembrança do que eles já fizeram nos filmes anteriores – sobretudo em Nova York e em Sarkovia. Stark se encontra num momento particularmente difícil e parece longe seu desafio às autoridades sobretudo de Homem do ferro 2, quando ele pretende privatizar a paz mundial. Aqui, ele parece mais preocupado em acertar um determinado acordo com a ONU e convencer o Capitão América – com quem se desentende desde o primeiro Os vingadores – que surge principalmente nas figuras de T’Chaka (John Kani) e seu filho T’Challa (Chadwick Boseman). Em meio a tudo, surge uma figura chamada Helmut Zemo (o talentoso Daniel Brühl, inevitavelmente desperdiçado).
Os irmãos Russo, como no segundo filme, apresentam uma primeira hora de grande qualidade, com uma colocação acertada dos personagens e uma trama misteriosa que está no nível dos bons thrillers. Eles sabem fazer cenas de contato físico aproximado, o que não é uma especialidade de Joss Whedon, mais interessado na grandiosidade dos cenários, principalmente nas batalhas finais dos dois Os vingadores. Os irmãos Russo também possuem um bom ouvido para o diálogo; ele não soa forçado, mesmo que as situações pareçam excessivamente implausíveis. Porém, eles não apresentam o que seria um diferencial no gênero da fantasia: a ambientação.

Capitão América 20

Capitão América 10

Capitão América 11

Tudo neste Capitão América, como no anterior, se passa em cenários duramente reais, sem um design de produção atraente. Por isso, a comparação deste estilo com o de Zack Snyder – o diretor que, junto a Nolan, projetou o visual dos filmes da DC Comics –, um criador com toque visual delirante, é improvável e deslocada. O que eles mostram aqui é uma deliberada ponte entre o humor e a ação, a especialidade de Joss Whedon, ou seja, não há evolução aqui como deseja parte da crítica e do público, aceitem ou não seus críticos, e um interesse em tratar da política e do modo como a segurança é vista – ou deve ser vista – em relação ao ser humano, embora esse tema não chegue a ser original.
Por estarem incumbidos de apresentar um filme com uma quantidade insuspeita de heróis – e talvez falar neles possa remeter a spoilers –, eles tentam facilitar as coisas assumindo tudo numa única sequência que surpreende pela coreografia impecável das lutas e por um efeito visual específico, mesmo que sem nenhum tom de ameaça (pelo contrário, os personagens parecem apenas se apresentar para o próximo episódio) e cujo cenário é absolutamente comum, sem nenhuma criatividade. Se é isso que certa crítica aponta como sendo o problema de Snyder (o CGI), pode-se dizer que estamos falando de outra coisa: a decisão da Marvel de fazer uma ambientação seca, sem, inclusive, o que víamos nos dois Thor, torna suas produções visualmente muito limitadas. Tanto que, quando em determinado momento (spoiler), surge uma prisão marítima espetacular, parece que o espectador adentra em outro filme (se fosse em Snyder, certamente a concepção da prisão seria excessivamente dark).

Capitão América 7

Capitão América 16

Capitão América 18

Em termos de simbologia, também não há qualquer semelhança dos irmãos Russo com Snyder. Capitão América é um personagem envolvido com corporações, mas sua dedicação à amizade coloca em xeque sua amizade exatamente com alguns companheiros de batalha. No entanto, enquanto Snyder aprofunda o fato de que os heróis não são assim porque querem, a alegria dos heróis da Marvel é justamente serem o que são. Não ver essas diferenças é uma desonestidade consciente, quando Capitão América, em seus melhores momentos, entrega um ritmo não no nível de Whedon ou mesmo do Homem-formiga – particularmente o maior acerto da companhia –, mas de um filme de ação muito bem feito. Ainda assim, faltam motivações claras por parte do vilão, além de ele se distanciar da narrativa com um tempo considerável para quase ser esquecido, e nenhum até agora conseguiu se equivaler ou superar o Loki de Tom Hiddleston – e William Hurt, com sua habitual competência, acaba assumindo às vezes o posto de forma involuntária. Isso é contrabalançado por Chris Evans e por um ótimo Robert Downey Jr., em participação superior às que apresenta no terceiro Homem de Ferro e no segundo Os vingadores – e o ator aparece no início do filme em versão jovem revolucionária, como se estivesse em De volta às aulas ou Mulher nota mil.
Embora Capitão América – Guerra Civil sobreviva muito bem às duas primeiras partes, sendo o melhor por diferença considerável, há alguns elementos que poderiam ser melhor trabalhados no sentido, principalmente, psicológico. A maneira como Stark se aprofunda em sua memória poderia ser melhor trabalhada, em relação como a maneira que o Capitão América tenta proteger um amigo por ser, na verdade, seu único elo vivo com o passado. Stark é o homem da modernidade e o Capitão América se conserva com certo classicismo. A Viúva Negra fica procurando por uma conciliação, mas é difícil quando os comportamentos são opostos. Isso não fica empregado do melhor modo pelos irmãos Russo, pela necessidade de incluir tantos super-heróis, embora eles consigam delinear as relações entre os personagens com desenvoltura, tudo acaba parecendo disperso, mesmo que em ritmo adequado (poucas vezes se repara na excessiva metragem) e com um final realmente surpreendente e que costura algumas tramas paralelas do melhor modo. No entanto, o que é um filme divertido não significa ser de fato superior aos outros, mesmo aos da Marvel, apenas para os que não viram (realmente) os de Whedon, Branagh, Ang Lee: como a presença de Stan Lee, as cartas estão sempre marcadas.

Captain America: War civil, EUA, 2016 Diretores: Anthony Russo, Joe Russo Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Daniel Brühl, Paul Rudd, William Hurt  Roteiro: Christopher Markus, Jack Kirby, Joe Simon, Stephen McFeely Fotografia: Trent Opaloch Trilha Sonora: Henry Jackman Produção: Kevin Feige Duração: 146 min. Distribuidora: Walt Disney Pictures Estúdio: Marvel Entertainment / Marvel Studios

Cotação 3 estrelas

 

Post anterior
Deixe um comentário

12 Comentários

  1. fredmorsan

     /  9 de maio de 2016

    André,

    Reassistir a Capitão América 2 depois do hype criado na época de seu lançamento me fez perceber o quão melhor é o primeiro filme do personagem. Enquanto este nos mostra o espírito heroico de Steve Rogers (alguém pronto para se sacrificar pelo bem coletivo), o segundo filme tenta parecer ser um filme investigativo complexo, quando na verdade, é apenas um filme de perseguição onde o herói é conduzido pelo roteiro a pistas que ele não precisa de nenhum esforço para obtê-las e um “vilão” que, sem nenhum motivo aparente, resolve contar toda a trama da HIDRA, deixando de lado desenvolver mais os conflitos de uma pessoa vivendo fora de seu tempo.

    Quanto a Guerra Civil, me parece que a ousadia dos irmãos Russo ficou apenas no título do filme, já que não há um conflito tão intenso para receber tal nome. Uma série de coincidências para fazer o plano do vilão dar certo (criar um conflito interno entre o grupo de heróis, especialmente entre Capitão América e Homem de Ferro) é difícil de engolir. Além disso, faltou uma decisão mais corajosa de (SPOILER) matar o personagem Máquina de Combate e usar esse evento como início do conflito entre os heróis principais desse filme. Com essa decisão, não haveria necessidade de se colocar o vilão Zemo na história.

    Parabéns mais uma vez pelo comentário!

    Responder
    • André Dick

       /  9 de maio de 2016

      Prezado Fred,

      agradeço novamente por seu comentário, sobre o filme e a crítica. Eu gosto muito da parte inicial do primeiro Capitão América e seu visual é um acerto, talvez o maior até agora da Marvel. E lembro que, à época, o filme foi recebido também como um dos melhores de super-heróis já feitos. O segundo, como a você, não me convenceu, e a mudança de tom para um thriller me deixou desconfiado. Não acho que seja um grande filme, embora competente. Suas observações conferem.

      Quanto ao Guerra Civil, eu também não vi esse conflito. Como me refiro no texto, parece que os personagens parecem apenas se apresentar para o próximo episódio. Pela sonorização no trailer, parecia até mesmo o combate entre a polícia de Gotham City e a gangue de Bane em Batman – O cavaleiro das trevas ressurge. Indo ao filme, não há nenhuma tensão nem tom de ameaça. E, pelo custo do filme (250 milhões), o mesmo de Batman vs Superman, sempre me dá a impressão de não ver o investimento na tela. As locações são reais, não há nenhuma tentativa de fazer realmente fantasia. Que eles sejam considerados pela maioria da crítica como melhores contadores de história do que Snyder me parece, bem, não vou dizer.

      Em menos de uma semana depois de assisti-lo, não há nada nele que possa se comparar minimamente ao trunfo que foi Batman vs Superman.

      Volte sempre.

      Um abraço,
      André

      Responder
      • fredmorsan

         /  10 de maio de 2016

        André,

        Acredito que o alto valor de custo do filme pode ser explicado pelo grande elenco de astros.

        E me preocupa essa visão menos fantasiosa justamente nos filmes Guerra Infinita, onde a fantasia deveria ser prioridade.

        Abraços!

      • André Dick

         /  10 de maio de 2016

        Prezado Fred,

        talvez seja isso, mas Vingadores – Era de Ultron, que contava ainda com Hemsworth, Ruffalo, Samuel L. Jackson, Idris Elba e Spader, tem o mesmo orçamento e uma sequência de cenas mais espetaculares, além de um cuidado maior com o design de produção.

        E, como comenta, se os próximos filmes dos Vingadores tiverem esse mesmo visual empregado pelos irmãos Russo será complicado.

        Abraços!
        André

    • fredmorsan

       /  16 de maio de 2016

      Só um (grande) adendo à minha opinião após assisti-lo novamente:
      A percepção que tive do filme é que nenhum dos lados tem inteiramente uma posição firme de suas convicções (o lado do Capitão América me parece ter mais convicção do que o lado do Homem de Ferro, aliás). A cena no aeroporto é oportuna para apresentar esse quadro: enquanto o “time” Homem de Ferro não está muito confortável no papel de serem um grupo de elite governamental (e terem que enfrentar “amigos”), os heróis do outro grupo (principalmente o Capitão América, pois os demais estão mais apoiando o ícone do que a ideologia) não se importam de serem considerados foras-da-lei. Aliás uma das coisas mais elogiadas é que todos os personagens apresentam seus pontos de vista de maneira crível e coerente. No meu entender, o recurso de roteiro utilizado foi picotar a opinião a favor do acordo entre alguns personagens e picotar a opinião contra o acordo entre os demais. E apenas entre os personagens que estavam na reunião do secretário Ross. Personagens como Gavião Arqueiro, Homem-Aranha e Homem-Formiga foram enfiados na história sem relação com o acordo.

      Apesar do nome “Guerra Civil”, a história se desenrola mais por conta das ações e do passado do Soldado Invernal. Não há de verdade uma guerra entre os heróis. Por isso, acho precipitado terem feito esse filme agora. Fizeram por causa de Batman v Superman. O filme é uma colcha de retalhos que, por mais bem costurados que estejam, essas costuras incomodam. O Homem-Aranha, por exemplo, é a melhor coisa do filme. E isso é que é o paradoxo neste filme: é ótimo vê-lo ali, a forma como o construíram, bem próximo ao dos quadrinhos, mas não havia qualquer motivo para ele ter sido inserido nessa disputa (se você retira as cenas dele, a história continua andando). Inclusive cria um furo de roteiro, já que o Tony Stark compra a ideia do controle dos heróis porque as ações dos Vingadores em “Era de Ultron” gerou a morte, dentre várias, de um rapaz de 17 anos. Aí, de repente, ele recruta um garoto de 15 anos (que tinha adquirido seus poderes há 6 meses apenas) para entrar numa guerra! Fica nítido aqui que enfiaram o personagem durante o processo de filmagens (após o acordo com a Sony) e, assim como o Mercúrio em “Dias de um Futuro Esquecido”, o personagem é descartado sem mais nem menos.

      Outra coisa que me parece visível é o personagem Máquina de Combate não ter morrido. A altura que o personagem cai e se espatifa no chão e a reação de Tony Stark (e a performance magistral de dor e perda do Robert Downey Junior) mostram claramente que a intenção original do roteiro era esta morte ser o estopim do conflito entre Capitão América e Homem de Ferro (e cria uma incoerência dentro do próprio universo Marvel, já que em HdF3 na cena do avião presidencial, o Tony Stark consegue resgatar um monte de gente). Mas provavelmente os executivos da Marvel devem ter barrado essa ideia por a terem achado muito pesada. Isso fez com que se criasse a participação inexpressiva (e sem lógica) do personagem Zemo. Como um cara sem recursos financeiros consegue empreender tantas viagens, construir bombas e entrar num edifício de segurança máxima (edifício este que não tem sequer um sistema de energia emergencial) disfarçado de um psiquiatra para se encontrar com o Bucky? Por melhor que tenham construído a motivação do personagem Zemo, em nenhum momento o filme me mostra que ele tinha condições de realizar todas essas ações.

      Esses, para mim, são alguns dos problemas que me incomodam fortemente neste filme e me fazem não achá-lo grande, memorável, muito menos o melhor da Marvel.

      Abraços!

      Responder
      • André Dick

         /  16 de maio de 2016

        Spoilers abaixo

        Prezado Fred,

        não teria muito a acrescentar a seu ótimo comentário. Eu não consigo ver nada no filme que possa lembrar uma guerra civil; é, na verdade, um encontro de amigos e uma apresentação para os próximos episódios. Não há nada que leve um ou outro herói a apoiar o Homem de Ferro ou o Capitão América, a não ser o fato de que “eu sou fã dele, então deve estar certo”. Tudo é conduzido de maneira a não haver sobressaltos nem ambiguidades, o contrário do que vemos em “Batman vs Superman”. O suspense e o atrito devem diminuir para encaixar o Capitão América num fusca azul. O arqueiro tem de enfrentar o Visão fazendo humor – mas eles não eram da mesma equipe? O Homem-Aranha precisa em meia hora deixar claro que é uma versão avessa à de Tobey Maguire, a meu ver ainda o melhor ator do personagem.

        Eu não entendia a dinâmica dos comentários sobre um e outro filme, mas, além da crítica em geral desastrada ver uma obra-prima em “Capitão América” quando a obra referencial é a de Snyder, percebo que muito se restringe (sim, é ingenuidade constatar isso de maneira tão clara) a marketing. Ou seja, se o Homem-Aranha é inserido em “Capitão América” apenas para anunciar o próximo episódio, pelo menos ele aparece mais tempo do que alguns heróis anunciados em “Batman vs Superman”. Assim, a trama passa a ser superior, melhor elaborada etc. Mas não tem nada a ver com a trama em sim, e sim com marketing. O Flash mal aparece em “Batman vs Superman”, então passa a ser furo de roteiro. Mas o que tem a ver o tempo de metragem com a inclusão do personagem ser mais ou menos forçada? O Homem-Aranha neste filme dilui a trama que vinha em ritmo de thriller, na minha opinião… apenas para anunciar o próximo episódio.

        Se o visual de “Batman vs Superman” é criticado por ser soturno, o da Marvel não é sequer comentado. Mas pelo menos a equipe de Snyder se esmerou em criar um universo, não se restringindo a repartições governamentais e salas de políticos da ONU.

        Infelizmente, ele não é grande nem memorável, assim como não é o melhor da Marvel – que passará a ser, claro, o próximo filme.

        Abraços!
        André

  2. Critica absolutamente sem foco, nada é bem desenvolvido no texto, são só um monte de informações sem um desenvolvimento satisfatório.

    Vamos lá, primeiramente o senhor reclama de coisas bizarras como a suposta não clareza das motivações do Zemo, sendo que estas são explicadas claramente no filme na cena final do Pantera Negra, mesmo que seja uma motivação clichê, ainda assim é uma motivação que não poderia estar mais clara.

    Também me parece bizarro que você reclame da ambientação supostamente pouco inspirada com o argumento de que tudo se passa em “ambientes duramente reais”, o problema entra aqui, essa é a intenção do filme! é um filme muito mais politico que os demais filmes da Marvel, e numa escala também menor, os ambiente pelos quais os personagens passam estão absolutamente de acordo com como eles devem ser, uma assembleia politica por exemplo é representada exatamente como uma seria na vida real, logo não há como criar uma ambientação diferenciada como o senhor sugere na critica. Alias mais bizarro ainda é o senhor usar o Zack Snyder e o Nolan como parametro, como se eles não tivessem a disposição deles um lugares como Gotham City que permite as mais variadas possibilidades visuais, você pode assistir por exemplo A Origem onde o Nolan explora cenários mais reais e as partes mais reais não são muito diferentes de qualquer filme urbano, ou você pode até mesmo assistir aos filmes das franquia Bourne que é a grande inspiração desses filmes do Capitão América.

    E ainda percebo espantalhos para validar argumentos na critica, como por exemplo afirmar que todo filme da Marvel é para critica o melhor do gênero, o que não faz o menor sentido, pois nem mesmo Capitão América Guerra Civil foi tratado de tal forma. Uma parcela da critica achou que é o melhor filme da Marvel, e apenas alguns afirmaram que esse é o melhor filme de super herói de todos os tempos, mas o senhor faz parecer no texto que isso é um consenso, o que não é uma verdade, pois existem opiniões divergentes quanto ao filme, mas o senhor ignora isso, pois se encaixa melhor no seu argumento, o que eu acho francamente o cúmulo da preguiça, até porque é mais fácil manipular tudo ao seu bel prazer do que criar uma verdadeira argumentação sobre determinado filme.

    Responder
    • André Dick

       /  31 de julho de 2016

      A crítica é sem foco porque, na verdade, não é o foco que você deseja, desfocado. E o desenvolvimento é insatisfatório porque você acredita que ele deveria refletir a qualidade que imagina enxergar em Capitão América – Guerra Civil , se baseando num suposto consenso de crítica. Quando leio comentários como o seu, é possível tirar a prova clara e irrefutável de como conseguem ver um filme que não existe nessa produção dos irmãos Russo. Digamos que seu comentário é uma espécie de síntese dessa falta de senso para ver as peças de uma narrativa e que tenta justificar, tendo em mente inventar uma obra que não existe, até mesmo a motivação clichê de um vilão claramente desperdiçado, pois seu ator é excepcional.

      O interessante é que minha crítica não é negativa, mas tem detalhes que parecem ofender porque se deseja ver algo incontestável onde não há. Por exemplo, mostrar cenários duramente reais como se fosse a intenção do filme não impede de que isso encubra a completa falta de imaginação dos irmãos Russo para a fantasia e cenários que fujam a uma reunião de cúpula da ONU. Não vou me perder em meandros de considerar essa tentativa de fazer mais dinheiro para o padrão Marvel (que já rendeu ótimos filmes, não este) como um filme político. Filme político é JFK, Z de Costa-Gavras, não um que busca justificar as ações de seus personagens fantasiosos como se fossem políticos das Nações Unidas de forma terrivelmente fracassada, em que um inventor de armas e provocador de políticos passa a se julgar o arauto da paz e uma espécie de passagem para conversar com líderes de países. Colocar qualquer termo de comparação entre Snyder e Nolan com o padrão visual televisivo dos irmãos Russo é que não tem parâmetro. Nolan transformou Gotham City numa Nova York e nem por isso deixa de haver inventividade nessa inspiração. E, apesar de não ser admirador especial de A origem, achar que a pretensa realidade que mostra Nolan é tão seca quanto a dos irmãos Russo, mostra a falta de senso para identificar um cenário realmente trabalhado, um design de produção sofisticado.

      Quanto à crítica, eu tenho uma seleção considerável de links que tratam este filme como o melhor já feito do gênero. Isso é lamentável e acontece quase a cada lançamento de Marvel. É a visão de nossos tempos em que, para vender uma obra que não existe, se recorra a superlativos, no qual se enquadra Guerra Civil, já esquecido poucos meses depois de seu lançamento. Acaba produzindo espectadores, que parece ser o seu caso, que de forma presunçosa vêm apontar o dedo para quem não considerou o filme uma obra-prima, como imaginam de fato ser. E é fácil apontar que alguém manipula os argumentos quando, na verdade, quem aponta está manipulado por um consenso (o grande espantalho para muitos, como se pode perceber) que tenta preencher um vazio: o de que este filme realmente ocupará um lugar de destaque no cinema. Como eu previa em seu lançamento, aconteceu o contrário: este não é apenas mais um filme de super-herói; ele é dolorosamente esquecível.

      Responder
  3. Leandro

     /  5 de setembro de 2016

    Pessoal bom dia! Consegui assistir ao filme esse final de semana e por isso nao poderia deixar meu desabafo aqui no blog.
    Achei o filme decepcionante. havia algum tempo que nao ficava tao chateado com um filme como esse. Nao sei se por falta de ineditismo da Marvel, ou por que colocaram o Homem de ferro como o antagonista do filme ( pessoal nao li a Hq, opiniao de quem assiste aos filmes ). Pra mim eles são os Vingadores e ali mudaram todo o tom que eles estavam trazendo da saga no cinemas. Como o amigo fred falou ai, tbm achei desnecessario esse filme agora.
    Tbm concordo que o que salvou o filme foi a presenca do Homem aranha e do pantera
    Pra mim de toda “saga” marvel no cinema esse seja o mais meia boca de todos, e olha que adorei os Guardioes da Galaxia, que nem e assim tao famosos.
    Obrigado Andre pelo espaco e grande abraço a todos

    Responder
    • André Dick

       /  5 de setembro de 2016

      Prezado Leandro,

      agradeço por sua mensagem. Vejo que você não está nem no time do Homem de Ferro, nem no time do Capitão América, mas no time dos que não consideram este filme aquilo que a crítica e o público em geral viu. O filme parte justamente desse fato de usar uma premissa que não se sustenta – a de que os Vingadores resolvem tomar caminhos diferentes e o antigo rebelde virar quase um adendo de políticos – para levar o filme a um confronto que não se estabelece, parecendo apenas apenas um atrito banal e existente numa cena isolada. Eu entendo por que lançaram este filme pouco mais de um mês depois de Batman vs Superman: de fato, é uma resposta a ele. O filme tem qualidades, mas é decepcionante. Não se compara a obras mais despretensiosas da Marvel, como Hulk, Guardiões da galáxia e Homem-Formiga.

      Volte sempre!

      Grande abraço,
      André

      Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: