Resultados do Oscar 2016

Por André Dick

Melhor filme

Spotlight.Filme 5

Eu acreditava que a disputa ficaria entre O regressoMad Max e Spotlight – Segredos revelados. É curioso que tenha recebido o Oscar justamente Spotlight, a escolha mais fraca da Academia desde O discurso do rei, capaz de derrotar em seu ano A rede social, Cisne negro e Bravura indômita, embora pudesse rivalizar com Argo, que conseguiu ganhar de filmes como A hora mais escura, Amor, As aventuras de Pi, Django livre e O lado bom da vida. O filme de McCarthy não tem qualidades que o representem como melhor obra do ano. No ano passado, Birdman ganhou de Boyhood, mas não deixava também de ser um grande filme. Assim como 12 anos de escravidão não era o melhor de seu ano e ainda assim tinha um ar quase de clássico. Spotlight ter ganho de obras como O regresso, assim como o belíssimo O quarto de Jack e mesmo superado o ágil A grande aposta mostra que a Academia preferiu a divisão de prêmios, como já fizeram duas vezes com Ang Lee e uma vez com Alfonso Cuarón, que ganharam como diretores e não levaram o prêmio de melhor filme. Premiar a obra de McCarthy por trazer um tema conturbado, tratado sem a devida contundência, parece ter sido uma maneira de contentar a todos. Em termos cinematográficos, uma grande falha. O que impressiona é a quantidade de críticos fazendo média com o filme, como se ele fosse, com prós e contras, merecedor (justamente porque enalteceria o jornalismo), ou o que o elenco estivesse extraordinário, quando o único que se destaca com real ênfase é Mark Ruffalo.
Durante a festa de premiação, ficou visível como a Academia quis colocar em discussão o fato de atores negros não terem sido indicados ao Oscar deste ano. Como apresentador, Chris Rock lançou o assunto em diversos momentos, e em alguns vídeos houve provocações a Will Smith, que notavelmente esperava uma indicação por Um homem entre gigantes. Ainda assim, Rock, há dois anos, fez o ótimo Top five, que não foi indicado a nenhum Oscar e merecia; do mesmo modo, B. Jordan merecia mais a indicação por Creed. Não só ele como o diretor, Ryan Coogler.
Em termos gerais, uma festa com roteiro confuso (um bloco de premiações técnicas no início, os prêmios de roteiro original e roteiro adaptado dados em primeiro lugar, quebrando um pouco a expectativa) e sem grande emoção, a não ser nos discursos de Morricone, Vikander e DiCaprio. E inevitável se perguntar como Os oito odiados não estava entre os melhores filmes num ano que incluiu Ponte dos espiões e Spotlight. E, como se esperava, Brooklyn e Perdido em Marte, dos indicados a melhor filme, saíram sem nenhum prêmio – e Ponte dos espiões seria o terceiro, não fosse a inesperada premiação de Rylance.
Outros esquecidos certamente foram Youth (de Paolo Sorrentino), A colina escarlate (de Guillermo del Toro), À beira mar (de Angelina Jolie Pitt) e No coração do mar (de Ron Howard): apenas o primeiro foi lembrado, e na categoria de melhor canção. E, apesar de A garota dinamarquesa, Sicario – Terra de ninguém e Joy terem sido lembrados em algumas categorias, mereciam possivelmente estar entre os indicados principais.

Mad Max

Mad Max – Estrada da fúria, em número de prêmios, foi o maior vencedor: recebeu os Oscars de melhor figurino, edição, design de produção, edição de som, mixagem de som e maquiagem. Poderiam ter dividido entre outros candidatos, como Carol, Cinderela e A garota dinamarquesa, com um figurino mais apurado, Star Wars, com uma mixagem de som mais interessante, e O regresso, com um design de produção excelente. E, como eu havia escrito no texto sobre os indicados, impressiona, nas categorias técnicas, o esquecimento de filmes como A colina escarlate – pela fotografia, pelo figurino e design de produção –, Peter Pan – por essas mesmas categorias, mais mixagem de som e efeitos especiais –, No coração do mar – pelos figurinos, mixagem de som e efeitos especiais, além de pela fotografia –, 007 contra Spectre – pelo design de produção e fotografia – e Jogos vorazes: A esperança – O final – nas categorias de mixagem de som, som, design de produção e efeitos visuais. Num momento em que Ex Machina foi premiado pelos efeitos visuais, quando tem um efeito visual (muito bom, por sinal), perdem-se os parâmetros.

Twitter

Melhor diretor

O regresso 3O escolhido foi novamente Alejandro G. Iñárritu. George Miller parecia ser o único a ameaçá-lo nesta categoria, mas decidiram que o mexicano havia realizado um trabalho mais difícil. Não achava que McCarthy e McKay pudessem ter chances por seus trabalhos mais convencionais (principalmente McCarthy), mas não há explicação para não ter sido incluído entre os indicados Quentin Tarantino, num trabalho antológico em Os oito odiados. Muito se comenta ainda sobre Ridley Scott não ter sido indicado, mas, para quem já foi esquecido por outros filmes muito superiores – Alien, Blade Runner, Cruzada, O gângster, Êxodo, Prometheus –, não chega a ser injusto.

Melhor ator

O regresso 5Leonardo DiCaprio era o favorito por O regresso, e desta vez aconteceu tudo conforme se esperava, embora sua atuação não se compare a outras pelo qual foi indicado, como Gilbert Grape e O lobo de Wall Street. As ausências mais sentidas entre os indicados foram as Steve Carell, excelente em A grande aposta (num grande elenco, é, a meu ver, o melhor), Jacob Tremblay, memorável em O quarto de Jack, e Michael B. Jordan em Creed. Eles atuam de maneira mais atrativa do que outros indicados, como Fassbender, Redmayne e Matt Damon.

Melhor atriz

Brie Larson

Brie Larson, que há alguns anos deveria ter sido indicada por Temporário 12, recebeu a estatueta por O quarto de Jack. Ainda assim, em perspectiva, Saoirse Ronan estava talvez melhor em Brooklyn  (ela sustenta o filme) e mesmo Lawrence fez um trabalho mais amadurecido em Joy (em filmes de David O. Russell, o qual a acompanhava na premiação, ganhou por O lado bom da vida e foi indicada por Trapaça). De qualquer modo, Larson se mostra um grande talento e se espera que regresse em novos filmes. Como eu havia escrito em 2014,

Oscar de atriz

Melhor ator coadjuvante

Mark Rylance

Mark Rylance é escolhido o melhor ator coadjuvante por Ponte dos espiões. A pergunta seria: por que tirar de Stallone um prêmio merecido? Rylance tem uma participação muito curta e discreta, prejudicada pelo roteiro. Particularmente, não há comparação possível entre sua atuação e a de Stallone em Creed, ou mesmo de Ruffalo em Spotlight, e Hardy em O regresso, que são de fato coadjuvantes. Esta foi a categoria com mais esquecimentos, entre os quais Benicio del Toro (Sicario – Terra de ninguém), Paul Dano (Love & Mercy, mas ele também aparece bem em Youth), Bruce Dern, Kurt Russell ou Walton Goggins (Os oito odiados), Emory Cohen (Brooklyn), Idris Elba (Beasts of no nation) e Seth Rogen (Steve Jobs).

Melhor atriz coadjuvante

Alicia Vikander

Vikander teve a melhor atuação entre as coadjuvantes e recebeu um Oscar merecido por A garota dinamarquesa.  Já havia se mostrado grande atriz em Anna Karenina, O amante da rainha e Ex-Machina. A única que estava à sua altura é Jennifer Jason Leigh em Os oito odiados.

Melhor roteiro original

Spotlight

Josh Singer e Tom McCarthy receberam o prêmio por Spotlight – Segredos revelados. Parece dizer o bastante de uma categoria que não incluiu Os oito odiados.

A grande aposta

Melhor roteiro adaptado

Charles Randolph e Adam McKay receberam o prêmio por A grande aposta, embora meu predileto fosse o roteiro de O quarto de Jack.

O filho de Saul

Melhor longa estrangeiro

Recebeu o Oscar o favorito O filho de Saul.

Melhor longa de animação

O vencedor foi o favorito Divertida mente.

Melhor documentário em curta-metragem

A girl in the river: the price of forgiveness

Melhor documentário em longa-metragem

Amy

Melhor curta-metragem

Stutterer

Melhor curta em animação

Bear story

Melhor fotografia

O regresso 2

Emmanuel LubezkiMelhor trilha sonora

Os oito odiados

Ennio Morricone

Melhor canção original

Spectre

007 contra Spectre

Melhores efeitos visuais

Ex Machina 2

Ex Machina

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2 Comentários

  1. Paula Rocha

     /  4 de março de 2016

    Dick,
    Concordo com você na maior parte de suas assertivas, pois não assisti a todos os filmes indicados.
    Só acho que a Academia deveria repensar melhor as indicações, pois como você mesmo disse, muitos filmes que merecidamente deveriam ser indicados ficaram de fora.

    Responder
    • André Dick

       /  4 de março de 2016

      Prezada Paula,

      agradeço novamente por sua mensagem. Realmente a seleção de indicados a melhor filme parece ter sido a mais fraca desde 2010, quando passaram a indicar mais do que 5 filmes. Filmes deixados de fora, como Os oito odiados, Youth e Creed, para citar apenas alguns, são muito melhores, a meu ver, do que Spotlight, Ponte dos espiões e Mad Max. Comparemos a lista de indicados deste ano à de 2012, quando concorriam A árvore da vida, Os descendentes, A invenção de Hugo Cabret, Meia-noite em Paris e O homem que mudou o jogo, tendo ganho o inferior, mas muito bem feito, O artista, e ainda havia o interessante Histórias cruzadas. A indústria do cinema não piorou; é a Academia que deixou muito a desejar em suas escolhas.

      Volte sempre!

      Grande abraço,
      André

      Responder

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