Melhores filmes de 2015

Por André Dick

Melhores filmes de 2015.Blog

O ano de 2015 trouxe uma série de filmes que pareciam remeter ao final dos anos 70 e início dos anos 80, além de dar uma passagem pelos anos 90: Star Wars, Mad Max, Jurassic WorldFérias frustradas, Poltergeist… Entre George Lucas e George Miller, as franquias vão se revitalizando. E os filmes de super-heróis permanecem: Vingadores e Homem-Formiga foram os dois filmes da Marvel, habilmente satirizada por Birdman, de Iñárritu. Mas agora também ao lado de personagens que satirizam James Bond, Kingsman e A espiã que sabia de menos. E, se Kylo Ren e Rey lutavam numa nova geração, parece que no início do ano os Wachowski ainda tentavam rever os rumos de sua trajetória na ficção científica em O destino de Júpiter.
Muitos cineastas continuam produzindo em grande escala, como Woody Allen em Homem irracional; Tim Burton em Grandes olhos; Guillermo del Toro com A colina escarlate; David Cronenberg com Mapas para as estrelas; Clint Eastwood em Sniper americano; Ridley Scott em Perdido em Marte; M. Night Shyamalan em A visita; Denis Villeneuve em Sicario – Terra de ninguém. Noah Baumbach regressou com dois filmes, Mistress America e Enquanto somos jovens, e Angelina Jolie se firmou com Invencível e À beira mar como uma cineasta de visão intimista.
O cinema europeu esteve também em grande escala em salas de cinema de art house com peças da Suécia, França, Itália, Inglaterra… O cinema brasileiro teve como seu principal representante Que horas ela volta? em premiações no exterior, no entanto teve outras peças de destaque, como Casa grande e Ponte aérea.

Que horas ela volta 12

A visita.Filme 9

Frank.Melhores

Dostoiévski pôde ser encontrado numa Londres neofuturista em O duplo e no professor atormentado de Homem irracional, enquanto Frank tentou visualizar uma espécie de gênio musical à margem, como o protagonista de Eden. Tivemos a história do equilibrista Philippe Petit em A travessia, enquanto Louis Zamperini, herói de guerra, esteve em Invencível, e Alan Turing, criador do código que ajudou no fim da Segunda Guerra, em O jogo da imitação. A fantasia dos games invadiu a realidade em Pixels, enquanto o casal de American Ultra partiu da fantasia para uma realidade envolvendo um exército treinado e o casal de Sob o mesmo céu tentou enfrentar a ameaça atômica a partir da crença em si mesmo. Hollywood foi novamente desconstruída não apenas em Birdman, como também em Mapas para as estrelas e Acima das nuvens, enquanto a trabalhadora feita por Cotillard em Dois dias, uma noite gostaria de sonhar com algo mais acessível do que o estrelato. Se a fantasia de O conto da princesa Kaguya sai das páginas orientais, a de J.M. Barrie se mostra novamente criativa na nova adaptação de Peter Pan, e No coração do mar mostrou a origem do romance de Herman Melville. A comédia teve bons momentos em Ted 2, Férias frustradas, Um santo vizinho e A espiã que sabia de menos. A juventude tentava desvendar um enigma em tonalidades diferentes tanto em Pássaro branco na nevasca quanto em Cidades de papel e Amizade desfeita, enquanto um grupo de dançarinos fazia sua última turnê em Magic Mike XXL. O 3D foi usado por dois diretores conhecidos por serem de art house, Gaspar Noé (Love) e Jean-Luc Godard (Adeus à linguagem). Formas diferentes de mostrar o amor em Um fim de semana em Paris, Love, Eu estava justamente pensando em você, Enquanto somos jovens, Ponte aérea, RespireCidades de papel e no curta antes de Divertida mente, Lava. E fazia algum tempo que não se fazia tantos blockbusters de qualidade, como 007 contra Spectre, Vingadores – Era de Ultron, Star Wars – O despertar da força, Homem-Formiga, Peter Pan, No coração do mar e Jogos vorazes: A esperança – O final.

Vingadores.Filme 27

O duplo 7

Invencível.Melhores
Os filmes avaliados para as listas estrearam no Brasil entre janeiro e dezembro de 2015, inclusive aqueles indicados ao Oscar de 2014. Não foram avaliados filmes exibidos apenas em festivais ou que estrearam nos Estados Unidos e virão estrear no próximo ano em circuito comercial no Brasil.
Cinematographe apresenta a seguir listas com menções honrosas, filmes subestimados, apreciados em parte, decepções e/ou superestimados e lançados diretamente em home video. Também há uma lista de filmes não vistos ainda e pelos quais tenho interesse.

Menções honrosas

Frank (Lenny Abrahamson), O duplo (Richard Ayoade), Pássaro branco na nevasca (Gregg Araki), Um fim de semana em Paris (Roger Michell), Homem-Formiga (Peyton Reed), Enquanto somos jovens (Noah Baumbach), Que horas ela volta? (Anna Muylaert), Ted 2 (Seth MacFarlane), Eu estava justamente pensando em você (Sam Esmail), Respire (Mélanie Laurent), Invencível (Angelina Jolie), Homem irracional (Woody Allen), American Ultra – Armados e perigosos (Nima Nourizadeh), Amizade desfeita (Levan Gabriadze), Um santo vizinho (Theodore Melfi), Love (Gaspar Noé), Vingadores – Era de Ultron (Joss Whedon), Sicario – Terra de ninguém (Denis Villeneuve), Cidades de papel (Jake Schreier), Star Wars – O despertar da força (J.J. Abrams), Ponte aérea (Julia Rezende), Sniper americano (Clint Eastwood), A visita (M. Night Shyamalan), Chatô – O rei do Brasil (Guilherme Fontes), A travessia (Robert Zemeckis), Jogos vorazes: A esperança – O final (Francis Lawrence), Timbuktu (Abderrahmane Sissako)

Cidades de papel.Lista 2

Timbuktu

Sicario.Filme 9

Apreciados em parte

A espiã que sabia de menos (Paul Feig), Divertida mente (Pete Docter e Ronaldo Del Carmen), Perdido em Marte (Ridley Scott), O jogo da imitação (Morten Tyldum),  Kingsman: serviço secreto (Matthew Vaughn), Cobain – Montage of Heck (Brett Morgen), A teoria de tudo (James Marsh), Phoenix (Christian Petzold), Virando a página (Marc Lawrence), Mistress America (Noah Baumbach). Magic Mike XXL (Gregory Jacobs), Golpe duplo (Glenn Ficarra e John Requa), Cinderela (Kenneth Branagh)

Subestimados

Tomorrowland – Um lugar onde nada é impossível (Brad Bird), Poltergeist – O fenômeno (Gil Kennan), Cake – Uma razão para viver (Daniel Barnz), Férias frustradas (John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein), Lugares escuros (Gilles Paquet-Brenner), Lava (James Ford Murphy), Pixels – O filme (Chris Columbus), Quarteto fantástico (Josh Trank), Bata antes de entrar (Eli Roth), Grandes olhos (Tim Burton)

Tomorrowland 19

Pixels 6

Grandes olhos 23

Decepções e/ou superestimados

Whiplash – Em busca da perfeição (Damien Chazelle), Adeus à linguagem (Jean-Luc Godard), Foxcatcher – Uma história que chocou o mundo (Bennett Miller), Livre (Jean-Marc Vallée), A pele de Vênus (Roman Polanski), Acima das nuvens (Olivier Assayas), Mad Max – Estrada da fúria (George Miller), O destino de Júpiter (Andy e Lana Wachowski), Ponte dos espiões (Steven Spielberg), Chappie (Neill Blomkamp), Jurassic world – O mundo dos dinossauros (Colin Trevorrow), Parceiras eternas (Susanna Fogel)

Whiplash

Mad Max 2

O destino de Júpiter.Lista

Lançados diretamente em home video

Destaques: Palo Alto (Gia Coppola), Hacker (Michael Mann), Top five (Chris Rock), Calvário (John Michael McDonagh), Dope – Um deslize perigoso (Rick Famuyiwa), Duna de Jodorowsky (Frank Pavich)

Decepções: Longe deste insensato mundo (Thomas Vinterberg), O duque de Burgundy (Peter Strickland), Ex-Machina: Instinto artificial (Alex Garland)

Ainda não vistos

O sal da terra (Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders), A gangue (Miroslav Slaboshpitsky), Expresso do amanhã (Joon-ho Bong) Táxi Teerã (Jafar Panahi), Mia Madre (Nanni Moretti), Jornada ao oeste (Tsai Ming-liang), Dheepan – O refúgio (Jacques Audiard)

A seguir, a lista do Cinematographe com os 20 melhores filmes de 2015. Junto com ela, agradeço por sua leitura e companhia durante o ano.

No coração do mar.2015

Ron Howard mostra a origem do romance Moby Dick, de Herman Melville, num filme a respeito da sobrevivência em alto-mar, depois que a tripulação que empreende uma caça às baleias é perseguida por uma, a fim de extingui-la. Com grandes efeitos especiais e uma atuação segura de Chris Hemsworth, No coração do mar tem ainda uma belíssima parte técnica de reconstituição de época.

Melhores.19.Peter Pan

Num escopo abrangente, Joe Wright trabalha com imagens como se fossem resquícios de uma infância perdida, seja no vislumbre de um navio de pirata encalhado ou em pássaros gigantes que parecem trazer apenas seu esqueleto como se fossem esboços inacabados, ou simples caravelas que flutuam no espaço e parecem vigiar com luzes à noite como se estivéssemos numa versão adiantada do novo Blade Runner.

James Bond

Trabalho mais sólido de James Bond desde 007 – A serviço secreto de sua majestade, 007 contra Spectre agita todos os medos que cercam o personagem principal e entrega uma atuação mais uma vez convincente de Daniel Craig, assim como do vilão feito por Cristophe Waltz. Cenas de ação muito bem filmadas e um design de produção e fotografia fantásticos tornam este num dos grandes filmes sobre o agente secreto britânico.

Melhores.17.Mapas para as estrelas

Embora Robert Pattinson aqui não seja o principal nome, trata-se de um dos filmes mais originais de David Cronenberg, pois parece tratar dos costumes de Hollywood sem exatamente ser linear ou investir na estranheza evidente, e até rotulada, trazida pelo cineasta. Ou seja, a partir de determinado ponto, a obra do diretor só teria realmente qualidade se mostrasse o que mostra na maioria de seus filmes: coisas estranhas acontecendo como se fossem normais. Nesse sentido, Mapas para as estrelas pode se ressentir de seres humanos se transformando em insetos. Mas tem Julianne Moore em sua melhor forma.

Melhores.16.Dois dias, uma noite

Para os Dardenne, contra a presença opressiva da situação humana, a saída pode ser a escolha de um rock no rádio do carro. Momentos que parecem efêmeros e dispensáveis são o que tornam, como parece sempre acontecer na obra dos irmãos belgas, Dois dias, uma noite em uma obra de grande sensibilidade.

Melhores.15.Jauja

Todos os simbolismos parecem acertados, como a analogia entre os rochedos e o mar, a vegetação e o céu, lembrando, a partir de determinado momento, um pouco Walkabout, de Nicolas Roeg, desta vez com a presença do europeu na América Latina. Na parte final, o diálogo parece extensivo com Tarkovsky, no plano do cinema, e com a literatura de Borges, e novamente a fotografia de Salminen registra uma época sem tempo definido, como a própria sensação que traz o filme ao longo de sua narrativa.

Melhores.14.Casa grande

Quando surgem alguns materiais expositivos sobre a situação econômica e financeira, Casa Grande talvez perca um pouco de sua intensidade, no entanto não me parecem exatamente redutores, pois representam um certo discurso com o qual se pode concordar ou não. O roteiro, de qualquer modo, não leva o público a se certificar de que suas ideias estão sendo colocadas em prática. Se há uma questão também histórica em cena, Casa Grande não tenta solucioná-la, e esta é uma de suas maiores virtudes.

Melhores.13.O conto da princesa Kaguya

Animação das mais delicadas, produzida pelo mesmo Studio Ghibli de Miyazaki, O conto da princesa Kaguya lida com sensações como a infância, a vida adulta e a importância de se ter sonhos reais para que a fantasia seja mais duradoura. Com traços poéticos, o desenho de Isao Takahata tem um dos atos finais mais contemplativos do ano.

Melhores.12.Corrente do mal

Corrente do mal nunca sossega ou deixa o espectador confiante do que está vendo: ele mostra que a realidade pode ser dispersa e incômoda quando não se encontra um ponto de encontro. É interessante como ele pode apontar um desejo de dialogar com a necessidade de se ter um afeto e o que ele pode trazer em termos de compartilhamento entre pessoas. Em Corrente do mal, os jovens estão a um passo da vida adulta, e eles precisam estar preparados para carregar o que desconhecem e não têm explicação. Isso, para Mitchell, cria a mesma sensação de medo e pavor de seu filme.

Melhores.11.O ano mais violento

O ano mais violento reserva espaço sobretudo para quem não se deixa por um thriller que traga as peças pré-encaixadas, sem desenvolver a faceta psicológica do que desenvolve em sua narrativa: é um filme em parte difícil, pela própria maneira de apresentar sua trama, e em parte compensador, na medida em que oferece realmente um cinema capaz de surpreender.

Melhores.10.À beira mar

Mais do que tudo, À beira mar é sobre a perda de uma juventude e o encontro com uma possível melancolia da qual é preciso sair quando se tem ainda vigor e vontade. Esse é um registro arriscado de Jolie Pitt, mais próximo do cinema europeu, não apenas de Rohmer, como de Antonioni, e serve como uma espécie de assinatura de seus conceitos como diretora, que deseja seguir uma linha certamente independente, mesmo com a possibilidade de fazer apenas outros filmes que sigam a um Sr. e Sra. Smith. É um filme sobre o significado que move um casal, sobre suas ambições e seus receios de se encontrar.

Melhores.9.Força maior

Força maior parte de um acontecimento ameaçador da natureza para mostrar o desequilíbrio das relações, e o quanto um determinado instante pode ser acompanhado apenas pelo instinto momentâneo, assim como uma simples conversa entre pessoas pode expor toda uma relação.

Melhores.8.A colina escarlate

Nos momentos em que o cineasta trabalha com imagens como se fossem símbolos – Edith caminhando pela casa escura com um candelabro atrás da infância que parece ter perdido ameaçada por fantasmas, o barro vermelho querendo sair à superfície, o fantasma como uma ameaça ao longe –, A colina escarlate chega ao que mais imaginava: é resultado de um diretor que entende substancialmente da fantasia e de temores humanos que podem existir nela.

Melhores.7.Sob o mesmo céu

Ao contrário dos filmes anteriores de Cameron Crowe, principalmente Compramos um zoológico, não há uma reiteração do que a história se propõe; é mais fácil perceber, em Sob o mesmo céu, uma opção pela sugestão e por comportamentos estranhos e, algumas vezes, inexplicáveis. Ainda assim, esse caminho não se sente deslocado, mas parte de uma narrativa que se permite a discutir questões românticas e familiares sob o ponto de vista de condução do mundo, ou seja, procurando descobrir para onde ele segue.

Melhores.6.Um pombo pousou num galho refletindo sobre a sua existência

Depois de receber o prêmio de melhor filme em Veneza, Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência passou a ter maior destaque. Com direção do sueco Roy Andersson, trata-se de uma das peças mais surrealistas já feitas depois dos filmes de Buñuel, uma espécie de A árvore da vida com quadros estáticos e tentando reunir características que sintetizem a existência humana.

Melhores.5.Winter sleep

O mais surpreendente no filme de Ceylan é que os seus núcleos dramáticos alcançam uma fluidez rara e as mais de três horas, se o espectador consegue se interessar pelos diálogos, transcorrem rapidamente. Desse modo, Winter sleep, com o auxílio ainda da fotografia de Gökhan Tiryaki, o mesmo de Climas e Era uma vez na Anatólia, é grande cinema. Ceylan tem um talento especial – e nisso talvez Distante continue sendo sua principal obra – para enquadrar as imagens como se fossem realmente pinturas, não apenas pela lentidão da sua narrativa, como pelo cuidado em expor cada um de seus personagens em cena.

Melhores.4.Leviatã

Representante da Rússia no Oscar de filme estrangeiro e vencedor do Globo de Ouro, Leviatã talvez seja o filme mais melancólico deste início de ano, no sentido de que faz um retrato direto de seu país de origem, pela quantidade de personagens envolvidos por uma situação delicada, e consegue, em igual tom, ser uma sátira direta a certo comportamento humano ligado ao Estado e aos meios que este domina.

Melhores.3.Eden

Conhecido como o filme que trataria do Daft Punk, Eden certamente não se restringe a isso. Nascida no início dos anos 80, Mia Hansen-Løve, depois de Os pais de meus filhosAdeus, primeiro amor, comprova ser uma cineasta claramente contemporânea: ela não está interessada em tecer elos óbvios entre os personagens, deixando a cargo do espectador selecionar uma narrativa das imagens.

Birdman.Melhores

Um dos componentes mais interessantes de Birdman é justamente ser um filme que mostra uma peça teatral baseada em “Do que falamos quando falamos de amor”, de Raymond Carver, em que temos alguns temas suscitados ao longo de sua história: a relação problemática entre o homem e a mulher e, sobretudo, a vida como um limite tênue com o desespero e a busca pela personalidade. No entanto, a obra de Iñárritu não se sustenta apenas por ser um filme de referências e autorreferências, ainda que uma conversa no início remeta a Roland Barthes, um dos teóricos da metalinguagem.

Melhores.1.Vício inerente

Paul Thomas Anderson respeita o romance que lhe serve de inspiração na mesma medida que lança seu olhar próprio: os zooms lentos sobre cada personagem em algumas situações, além de remeterem a Altman, mais claramente, possuem a técnica de exatamente diminuir a velocidade da prosa de Pynchon. Desse modo, o que Anderson faz não é exatamente fácil: ele retira todo o movimento dito moderno de Pynchon e coloca suas figuras, com jeito de estarem nas praias californianas, situadas entre tramas estranhas e distantes da realidade. Há um choque – e nisso se concentra a especialidade de Vício inerente. Sem deixar de ser fiel ao livro, o filme de Anderson é outra energia, como diria seu personagem principal, o detetive e hippie juramentado Doc Sportello.

Melhores filmes de 2015.Cartazes

 

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15 Comentários

  1. Everton

     /  1 de janeiro de 2016

    Como assim Whiplash e Mad Max como decepções? Que lista é essa?

    Responder
  2. daniel

     /  2 de janeiro de 2016

    O que eu gosto na lista desse blog é que se vê que gente vem aqui definir seus melhores e piores do ano. Quando está na lista de melhores aqui tem gente que coloca na lista de piores e vice-versa. Muito bom!

    Responder
    • André Dick

       /  2 de janeiro de 2016

      Daniel,

      agradeço por seu comentário. É que muitos começam a ver os filmes do ano a partir do último mês do ano e querem ficar batendo a lista dos outros, desconsiderando o que foi incluído como bom nelas. É lamentável, mas já me acostumei.

      Obrigado pela visita.

      Um abraço,
      André

      Responder
  3. André,

    Com todo respeito, mas Birdman é um dos superestimados, bem como Inàrritu. Filme em que a misancene não pode ser explorada e que tem na montagem sua maior virtude. História óbvia, que aponta o dedo para todos, menos para os diretores. A única coisa interessante em Birdman, que estaria entre meus dez que assisti este ano, é o final, pois escolher como se deseja viver é sempre interessante, mas tirando isso é um filme muito superestimado.

    Mas, lista é lista…

    Envio meus dez mais (que passou em Belém)…

    1.- Mad Max
    2 – Sniper Americano
    3 – Perdido em Marte
    4 – Vicio Inerente
    5 – Birdman
    6 – Acima das Nuvens
    7 – Que Horas ela volta?
    8 – Leviatã
    9 – Divertidamente
    10 – Jurassicc World

    A Visita, pela bela discussão sobre o cinema, levaria minha menção honrosa.

    PS.: Assista O Expresso do Amanhã, é muito bom.

    Abraços.

    Carlos Lira

    Responder
    • André Dick

       /  7 de janeiro de 2016

      Precado Carlos,

      Gosto muito de ver listas e agradeço em apresentar a sua, mas não entendi uma coisa: se “Birdman” é superestimado e com “história óbvia”, como você diz, de que modo ele ainda fica em quinto lugar e “O expresso do amanhã”, que ainda quero ver, é muito bom? E como a mise-en-scène não seria explorada em “Birdman” se ele tem exatamente essa como uma de suas maiores características? Bem, como você diz, “lista é lista”. Particularmente, eu considero o filme mais superestimado e tudo o que você diz de “Birdman” exatamente o primeiro de sua lista. Fico feliz de ver “Leviatã” e “Vício inerente” entre os dez. “Acima das nuvens” é, a meu ver, superestimado, assim como “Sniper americano”; aprecio em parte “Perdido em Marte” e “Divertida mente”. Gosto de “Que horas ela volta?”. Apenas acho desastroso “Jurassic world”; ele destoa na sua lista. Eu sugeriria esquecê–lo em algum lugar daquela ilha junto com aquela mutação do Tiranossauro Rex.

      Abraços,
      André

      Responder
  4. André,

    Primeiro irei explicar por que ele ficou em quinto lugar:

    Moro em Belém, o circuito alternativo é pequeno. Basicamente temos o Cine Estação das Docas, o Cine Líbero Luxardo e o Cinema Olympia (mais antigo em funcionamento do Brasil). O primeiro e o último exibem filmes em DVD, infelizmente. Já o circuito comercial é composto de aproximadamente 33 salas. É pouco para uma capital como quase 3 milhões de habitantes.

    Segundo, minha lista é baseada com o que assisti exclusivamente no cinema, um universo de 60 filmes este ano, não considerei o que assisti em casa. Por isso filmes como O Expresso do Amanhã não adentra minha lista.

    No caso de Birdman, não vejo como um filme ruim. É um belo exercício de montagem com uma excelente fotografia. O que vale apreciar como experimento cinematográfico. Mas, toda filme de plano sequência perde no quesito misancene cinematográfica, pois as peças no tabuleiro são apresentadas por que a câmera fica girando em torno de Keaton, nunca por entre as frestas. Em outras palavras, Birdman está mais para a misancene do teatro do que para a cinematográfica.

    Transcrevo abaixo um bom exemplo de misancene tirado de um blog local (Belém).

    “Um homem e uma mulher, frente a frente, de perfil para o espectador. Podem estar em uma sala de visitas, em um quarto, em um jardim, não importa. O que interessa é que o espaço deixado entre os dois nos permita ver uma porta aberta, ao fundo. O homem se aproxima da mulher. Ela hesita, mas logo cai nos braços do amante. O casal agora está no centro do quadro, encobrindo a porta. O rosto dele está voltado para nós. O dela, para o fundo do quadro. Subitamente, ela o empurra e se afasta, revelando novamente a porta aberta, desta vez emoldurando a figura de outro homem, que supomos ser o marido traído. A cena é demasiadamente melodramática, mas eficaz como mise-en-scène cinematográfica.

    Em Birdman, a revelação nunca se dá por uma câmera estática e sim pelo movimento dela entorno do protagonista e pela montagem (está sim muito boa) para criar um efeito surpresa. Se a câmera ficasse parada ela nada diria.

    Em síntese, assumo misancene como na definição de François Truffaut em que ela engloba a posição da câmera, o ângulo escolhido, a duração da tomada, o gesto de um ator e como David Bordwell, para quem o movimento de câmera pertencem à cinematografia, não à mise-en-scène.

    Abraços André!

    É sempre bom os feedbacks que você dá, isso é uma diferença com relação a outros espaços.

    Carlos Lira

    Responder
    • André Dick

       /  7 de janeiro de 2016

      Prezado Carlos,

      Entendi, você não colocou Expresso do amanhã porque, apesar de ter estreado no dia 27 de agosto, não chegou à sua cidade. Mas eu o incluiria na lista. Alguns desses filmes acima só consegui ver em home video, por causa da distribuição, principalmente do circuito alternativo, embora eu prefira incluir na lista principal apenas aqueles lançados no cinema ao longo do ano.

      Em relação ao Birdman, eu acredito que temos opiniões realmente distintas (e veja que você o colocou em quinto numa lista de 60 obras), pois o filme, apesar de ter a câmera perseguindo os atores, capta os cenários como poucos que já vi, no sentido de que a mise-en-scène permite interpretação muito ampla de tudo que envolve uma cena, devido ao talento de Lubezki. Vejamos a sequência, por exemplo, em que ficamos sabendo que Mike Shiner (Norton) assumirá o papel, e o personagem de Galifianakis sai caminhando pelo corredor e quando a câmera desce uma escadaria já estamos com o ator feito por Norton e Keaton no palco: captamos não apenas o lugar em todos os detalhes como há uma elipse não vista de montagem. Ou quando Riggan precisa sair seminu pela Broadway e vemos a movimentação ao fundo, e as pessoas o abordando, com críticas e elogios, e ele adentra novamente o teatro, e vemos logo a moça da bilheteria espantada e ao fundo o ator do teste o esperando para anunciar um processo. Vejamos todo o trabalho de luzes, cenários, clima, cortina de fundo (literalmente): tudo isso é mise-en-scène. Acho que isso é brilhante, e Godard já fazia algo parecido em Acossado (não sou exatamente admirador de Truffaut, mas ele também entendia de metalinguagem, vendo-se A noite americana). Ou seja, Birdman me parece uma verdadeira habitação da mise-en-scène.

      Você afirma: “Em Birdman, a revelação nunca se dá por uma câmera estática e sim pelo movimento dela entorno do protagonista e pela montagem (está sim muito boa) para criar um efeito surpresa. Se a câmera ficasse parada ela nada diria”. Essa sua diferença parece confundir. Nesse sentido, os filmes de Malick então não diriam nada se ficassem com a câmera fixa? Bem, em Birdman, o diretor se fixa muitas vezes no rosto dos atores, há vários monólogos (de Keaton, Stone, Norton), totalmente parada ou não; ela diz muito em qualquer uma das situações, por causa de tudo: o roteiro, a ambientação etc.

      Agradeço pelo posicionamento e pelo debate.

      Abraços,
      André

      Responder
      • André,

        Sem sombras de duvidas um dos conceitos mais interessantes e confusos na arte cinematográfica.

        Por sinal, Sicário foi um dos filmes que deixei de ver no cinema, infelizmente.

        Provavelmente estaria na minha lista caso tivesse assistido.

      • André Dick

         /  7 de janeiro de 2016

        Prezado Carlos,

        não deixe de ver “Sicario”: Blunt, Brolin e Del Toro estão excelentes.

  5. Marcelo

     /  7 de janeiro de 2016

    Minha lista de 2015:

    1. Sicario
    2. Divertida mente
    3. Mad Max – Estrada da fúria
    4. Jurassic world
    5. Whiplash
    6. Perdido em Marte
    7. Star Wars – O despertar da força
    8. A travessia
    9. Kingsman
    10. A colina escarlate

    Um abraço!

    Responder
  6. Mauro

     /  17 de janeiro de 2016

    Foi um bom ano. Meus filmes preferidos foram: Que horas ela volta, Star Wars – O despertar da força, Mad Max, Whiplash, 007 contra Spectre, Jurassic World, Birdman, Homem formiga, Tomorrowland, Perdido em Marte.

    Responder
    • André Dick

       /  17 de janeiro de 2016

      Mauro,

      agradeço por enviar sua lista. Aprecio ter incluído os subestimados “Homem-Formiga”, “007 contra Spectre” e “Tomorrowland” na lista. Volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder

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