Lançamentos em VOD

O Cinematographe agora passa a comentar alguns lançamentos em video on demand.

Cidades de papel

Cotação 4 estrelas

 

Cidades de papelUm romance pop de um autor pop poderia redundar apenas num filme descartável. Não necessariamente. Isso já aconteceu ano passado, em se tratando de John Green. A culpa é das estrelas era um filme muito acima da média, aparentando apenas uma mensagem juvenil. Em Cidades de papel, o drama não é tão acentuado. Nele, acompanhamos Quentin (Nat Wolff), apaixonado pela vizinha que mora em frente à sua casa, Margo Roth Spiegelman (Cara Delevingne). Depois de um determinado acontecimento, ela desaparece, mas deixa pistas para que ele possa encontrá-la.
Com a ajuda dos amigos Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith), Quentin quer entender por que ela deixo tudou. Assim, Cidades de papel tem uma torção de investigação infantojuvenil, mas quem dá razão a tudo é Nat Wolff, o excepcional ator que surgiu em Palo Alto e também aparece em A culpa é das estrelas. Com roteiro acertado de Scott Neustadter e Michael H. Weber, também de A culpa é das estrelas, além de (500) dias com ela e O maravilhoso agora, embora sem traços grandes de originalidade, o filme é investido desde o início por uma atmosfera fantasiosa e de mudança de fase. Ele não chega a elaborar seus temas do modo que certamente poderia, no entanto é inegável que possui o que alguns outros filmes ditos melhores não possuem: um coração. Eu sei que a maioria vai para esse tipo de filme com a boa intenção de querer detestá-lo; nesse meio caminho, pode ser que se perca uma peça de qualidade.
O diretor Jake Schreier, além de extrair uma atuação de destaque e cível de Wolff, revela Austin Abrams e Justice Smith. A partir da metade, a trama parece perder um pouco o fôlego; de qualquer modo, ele se mantém estável com personagens interessantes e uma viagem feita a partir do verso “Eu contenho multidões”, de Walt Whitman. A base do roteiro leva o imaginário americano da viagem na estrada como ponto para se encontrar alguém realmente especial, que pode conter multidões, e Quentin visualiza isso em Margo. Com uma inesperada melancolia, Cidades de papel é mais do que se espera: ele projeta a adolescência como uma imaginação que precisa ser finalmente resgatada do esquecimento e em seguida superada. É muito mais do que aparenta.

Magic Mike XXL 

Cotação 3 estrelas e meia

 

Magic Mike XXLDepois do grande sucesso de 2012, Steven Soderbergh já ameaçou deixar o universo do cinema. Nesta continuação de seu Magic Mike, ele assina com pseudônimo a direção de fotografia e a montagem, deixando o comando oficialmente a Gregory Jacobs. Bastante elogiado nos Estados Unidos, entende-se por que Magic Mike XXL foi visto, inclusive, como superior ao primeiro: há nele uma espécie de despedida de uma fase e de uma alegria, mas também uma espécie de aceitação em clima quase de melancolia e introspecção.
Channing Tatum resolveu algumas de suas limitações e consegue até mesmo ser plausível no papel de Magic Mike, e o elenco coadjuvante é muito bom, principalmente Joe Manganiello e Matt Boomer, que proporcionam alguns diálogos interessantes. Andie McDowell faz uma ótima participação especial, assim omo Jada Pinkett Smith num filme que contrasta o pôr do sol e o anoitecer com o amanhecer ensolarado. É a promessa de uma América que pode existir apenas em sonhos – e que ainda é vislumbrada.
O que dificulta um pouco não é apenas a seção de dança prolongada, destoando da agilidade da narrativa, mas a pouca vontade do roteiro em explorar melhor esses personagens. O filme é realizado de maneira descompromissada e impressionantemente humana, com uma fotografia realmente marcante de Soderbergh, levando as situações com uma lentidão quase europeia. É uma obra muito interessante na medida em como extrai qualquer sentido de culpa dado ao uso do corpo e, no mesmo embate, principalmente por meio do personagem de Amber Heard. E no entanto algo falta nisso tudo: a narrativa é excessivamente demarcada em cenas longas, embora ágeis, e lembra por vezes um documentário. A agilidade excelente da montagem acaba diminuindo a interação, e deixa a sensação de um filme, ainda que de qualidade, incompleto.

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