Pixels – O filme (2015)

Por André Dick

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Para muitos, Pixels – O filme é quase uma ofensa pessoal, uma espécie de descida perigosa a um nível de gratuidade ameaçador, embora acompanhada pela tranquilidade de ter todo o Rotten Tomatoes ao seu lado. Quer se mostrar inteligente aos amigos e familiares? Se viu, diga simplesmente que é ruim. Algumas vezes o motivo é Adam Sandler, que tem bons momentos em filmes como Embriagado de amor, Tratamento de choque, EspanglêsComo se fosse a primeira vez e Homens, mulheres e filhos, e o caminho, cada vez mais presente, de querer homenagear os anos 80 de forma contínua, neste caso os video games.
Seres extratrerrestres interpretam uma fita com imagens de jogos de video game, em que há peritos em arcade, lançada junto com uma cápsula ao espaço nos anos 80 como uma espécie de convite a uma guerra – e decidem invadir a Terra usando as mesmas imagens desses jogos, em movimento vivo e grandioso. Pode-se dizer que as crianças não se interessam por esses games dos anos 80 – bem, elas se interessam por outros, que dialogam com esse universo. O presidente Will Cooper (Kevin James) chama o seu amigo de infância, Sam Brenner (Adam Sandler), para combater essa invasão, ao lado de Ludlow Lamonsoff (Josh Gad) e Eddie Plant (Peter Dinklage). Will e Sam eram amigos desde essa década – o filme inicia exatamente em 1982, ano de E.T. – e participavam de torneios de video games, em que Plant era o inimigo a ser batido.

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Quando a terra passa a ser ameaçada, o presidente precisa mostrar serviço – pois seus índices de aprovação estão baixos – e a tenente-coronel Violet Von Patten (Michelle Monaghan) lhe serve de guia, enquanto Brian Cox é o Almirante Porter, não tão interessado na resolução de todo o problema. Nesse universo, Von Patten estabelecerá ligação com Sam, principalmente depois de compartilharem, parte a parte, frustrações amorosas. O problema é que podemos sofrer ataques não apenas de “Galaga”, como de “Centipede” e, principalmente – a imagem de marketing do filme –, do Pac-Man. A cada ataque dos alienígenas, surgem imagens de figuras ligadas à década de 80 tratando de novas fases desse jogo vivo, a exemplo de Madonna e da dupla de A ilha da fantasia.
Baseado num curta-metragem de mesmo nome, dirigido por Patrick Jean em 2010, que mostrava figuras de jogos invadindo uma cidade, dizer que a trama deste filme é estapafúrdia é investir no lugar-comum. De que os diálogos são apenas passageiros, como forma de passar o tempo, e realmente os roteiristas Tim Herlihy (responsável por um dos melhores trabalhos de Sandler, Afinado no amor) e Timothy Dowling não utilizam o conceito do filme totalmente a seu favor, também. E investir num espaço em que Pixels se transforma num exemplo de filme a ser contestado porque não seria suficientemente elaborado e sério, ainda mais. Chris Columbus, o diretor que se destacou nos anos 80, como roteirista de Os Goonies, Gremlins e O enigma da pirâmide, já mostrou talento no universo infantojuvenil, em filmes como Esqueceram de mim, Uma noite de aventuras e os dois primeiros Harry Potter, assim como o ótimo e esquecido Uma noite com o rei do rock, uma homenagem a Elvis Presley.

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Em Pixels, ele conduz tudo com tanto descompromisso que faz com que Evolução, de Jason Reitman, seja uma espécie de obra máxima da invasão alienígena. No entanto, ele tem noção de contar uma história que prende a atenção – e Pixels faz isso de modo que o espectador por vezes esquece que a trama é sustentada por uma mistura de Os caça-fantasmas com Uma aventura Lego. Os gráficos do filme são muito bons, com design de produção elaborado e ótimos efeitos especiais. Talvez pela presença do Donkey Kong – um dos personagens de games –, o filme também pareça dialogar visualmente com Detona Ralph e Scott Pilgrim contra o mundo, além do referencial Tron, com seu mundo de jogos tentando invadir o espaço real; a questão é que Pixels, sem nenhum objetivo de levar o espectador a pensar sobre elos de trama, é uma diversão. E ainda consegue suscitar uma bem-humorada crítica ao militarismo norte-americano desde Reagan e seus elos com a Inglaterra, numa óbvia brincadeira com Margaret Thatcher na figura de Jane Krakowski. Há, igualmente, em Pixels, alguns elementos que tanto contestam em filmes de Sandler, como piadas sexistas, mas este não é o ponto (nem nos anos 80 haveria interesse em destrinchar recados simbólicos na trama a esse respeito): trata-se de uma sátira aos filmes de invasão espacial e o faz com uma excelente fotografia de Amir Mokri, de Homem de aço.

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Se Adam Sandler repete seus maneirismos, ele não tem a presença a ponto de incomodar, e Kevin James se mostra mais aceitável do que em outros momentos, enquanto Monaghan, sempre menosprezada como atriz, e Dinklage (de Game of Thrones) estão muito bem. Dinklage, em especial, soa não raramente divertido. Gad, por sua vez, tenta o riso em algumas situações, mas possivelmente seja o menos adequado à história, com suas teorias da conspiração envolvendo JFK. Diante do curta-metragem que o inspirou, Pixels consegue, principalmente em sua parte final, trabalhar com uma certa visualidade que remete às misturas entre humanos e animações que a Disney tentou em outros momentos – e o mais conhecido é Uma cilada para Roger Rabbit –, inclusive tentando trazer uma figura irreal também à vida. É de se lamentar apenas que as gags não sejam tão numerosas que acompanhem os efeitos especiais fabulosos de Pixels, capazes de realmente criar um universo à parte dentro da realidade que conhecemos. Os esforços não são no sentido de Uma aventura Lego, um manancial grande de referências culturais também vertidas em diálogos ininterruptos entre os personagens, o que acaba deixando as características dos personagens pouco desenhados. Ainda assim, ele atende ao que se propõe: é, de certo modo, parte da cultura pop em movimento.

Pixels, EUA, 2015 Diretor: Chris Columbus Elenco: Adam Sandler, Kevin James, Peter Dinklage, Michelle Monaghan, Josh Gad, Matt Lintz, Brian Cox, Jane Krakowski Roteiro:  Tim Herlihy, Timothy Dowling Fotografia: Amir Mokri Trilha Sonora: Henry Jackman Produção: Adam Sandler, Allen Covert, Chris Columbus, Mark Radcliffe, Michael Barnathan Duração: 105 min. Distribuidora: Sony Pictures Estúdio: Columbia Pictures / Happy Madison Productions

Cotação 3 estrelas e meia

 

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