Twin Peaks – As peças que faltam (2014)

Por André Dick

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Este texto contém spoilers

Depois do anúncio feito no ano passado, de que Twin Peaks estaria de volta em 2016, com nove episódios dirigidos por David Lynch, os rumos se modificaram com a notícia de que o cineasta estaria de fora da empreitada; no dia 15 de maio, no entanto, ele confirmou novamente sua presença, o que volta a criar expectativa. No ano passado, as duas primeiras temporadas já haviam sido lançadas em Blu-ray, trazendo também o filme, Twin Peaks – Fire walk with me (no Brasil, Twin Peaks – Os últimos dias de Laura Palmer). O material vem numa bela caixa, para os fãs da série, num item raro, basicamente utilizando a mesma confecção estrangeira, com cuidado sobretudo na apresentação das imagens icônicas da série e uma remasterização realmente impressionante (a imagem é irretocável).
O filme, por sua vez, é acompanhado ainda de um material extra, intitulado Twin Peaks – As peças que faltam (The missing pieces), que reserva 91 minutos de cenas estendidas ou deletadas, ou seja, compõe basicamente outra obra. Desde 1992, depois de David Lynch afirmar que teve de excluir muito material da versão final preparada para ser exibida no Festival de Cannes, há uma grande expectativa em conhecê-lo, e seu lançamento sempre foi adiado por questão de direitos autorais. No entanto, fotografias dispersas de algumas dessas cenas deram origem a petições para que fossem liberadas.
A exibição em Cannes, seguida por vaias, foi a primeira polêmica despertada pelo filme. Tarantino, que estreava por lá com seu Cães de aluguel, saiu da sessão desapontado, dizendo que nunca mais veria um filme do diretor, do qual se dizia fã. Pedro Almodóvar – um dos integrantes do júri, que tinha como presidente Gérard Depardieu –, disse, em entrevista a Fabio Liporoni (Revista SET, ed. 62, ago. 1992), que teria dado a Palma de Ouro ou a Twin Peaks – Fire walk with me ou para L’oeil qui ment (de Raul Ruiz):  “O filme é fantástico. David Lynch é um diretor excepcional. E, ao contrário do que muitos disseram, totalmente independente da série de televisão”.

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Twin Peaks – Fire walk with me figurou ao lado de obras que acabaram se tornando referências, como O jogador, de Robert Altman, Instinto selvagem, de Paul Verhoeven, Retorno a Howards End, de James Ivory, O fim de um longo dia, de Terrence Davies, e Simples desejo, de Hal Hartley. Quem venceu foi As melhores intenções, de Bille August, que já havia recebido a Palma pelo ótimo Pelle – O conquistador. O interessante é como a peça de David Lynch foi recebendo mais atenção do que todos esses filmes, reunindo um culto não apenas por sua ligação com uma série referencial, mas sim por sua importância. Apesar de Lynch defendê-lo, o filme rendeu um hiato ao diretor de cinco anos, até A estrada perdida, período em que se questionou seu talento, como depois da realização de Duna.
Nesse sentido, As peças que faltam é uma espécie de homenagem aos fãs de Twin Peaks e um grande acréscimo para quem gosta de materiais complementares de uma obra. Nos últimos anos, não são poucas as experiências e materiais que cresceram com uma versão estendida do diretor: O portal do paraíso, de Michael Cimino; Cruzada, de Ridley Scott; Era uma vez na América, de Sergio Leone, O barco, de Wolfgang Petersen, e Vidas sem rumo, de Francis Ford Coppola, são alguns, além da trilogia O senhor dos anéis (ainda melhor em sua versão estendida). David Lynch preferiu não fazer uma versão estendida do filme, considerando que este já tem a metragem que gostaria, deixando os 91 minutos de extras como um material complementar, assim como fez com Veludo azul há alguns anos, que contém quase outro filme também em extras. Ele chegou, inclusive, a fazer uma festa de lançamento no cinema, em Los Angeles, para As peças que faltam. No entanto, o caso de Twin Peaks é mais interessante: Lynch precisou cortar o material que não se encaixava bem no filme do cinema, com as participações de personagens queridos da série de TV. Mas não apenas.

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Se o material com entrevistas reserva um encontro memorável de David Lynch com os atores Ray Wise (Leland Palmer), Sheryl Lee (Laura Palmer) e Grace Zabriskie (Sarah Palmer), com um humor corrosivo e relatos interessantes sobre a convivência nas filmagens, As peças que faltam inicia com imagens da investigação dos agentes Chester Desmond (Chris Isaak) e Sam Stanley (Kiefer Sutherland) em Deer Meadow. Há uma ida estendida deles ao Hap’s Diner e depois a briga de Desmond com o xerife da cidade, Cable (Gary Bullock). Para os fãs de Chris Isaak, aqui tem uma participação mais longa dele, e esta briga, apesar de se entender por que foi excluída do filme, tem uma atmosfera típica da série, mais bem-humorada. Em seguida, Sam Stanley aparece com o agente Cooper, que ganha uma cena de acréscimo, uma conversa com Diane. Dessas cenas, o encontro com Sam Stanley é certamente a melhor; a de Cooper conversando à porta com Diane, sem que o espectador a veja, parece mais uma brincadeira de bastidores, embora Kyle MacLachlan faça valer sua presença.
Melhor é a participação mais detalhada do agente do FBI Phillip Jeffries, feito por David Bowie, que aparecia de relance no filme e aqui tem um destaque maior, transportando-se de um hotel na Argentina para a sede do FBI na Filadélfia; é um dos grandes momentos aterrorizantes da obra de David Lynch, e Bowie sabe como lançar um personagem surpreendente, como já fez em outras experiências suas no cinema, como Fome de viver e Furyo – Em nome da honra. Também interessante é quando o agente lembra de sua passagem pelo Black Lodge, atrás da misteriosa Judy, onde estão Bob (Frank Silva) e o anão (Michael J. Anderson), e fala, com o rosto sobre a mesa, exatamente a data em que Laura Palmer será morta. Essas sequências transformam o material num item necessário para a compreensão de alguns detalhes, e principalmente a reunião no Black Lodge mostra que Twin Peaks envereda pelo gênero do terror, como parte da segunda temporada da série.

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Quando a história chega a Twin Peaks, temos sequências de Laura Palmer em convivência mais normal com seus pais – o que não acontece no filme oficial –, inclusive uma reunião em que Leland Palmer quer ensinar à mulher (Zabriskie, finalmente com maior oportunidade de aparecer) e a Laura como falar algumas palavras em norueguês, lembrando que é um comitiva da Noruega que está no Great Northern Hotel no início da série de TV. Leland adentra a sala como se fosse o personagem de Jack Nicholson em O iluminado. Também mostra Laura tendo um encontro mais demorado com Donna Hayward (Moira Kelly) e seus pais, o Dr. Will (Warren Frost) e Eileen (Mary Jo Deschanel), revelando uma normalidade familiar que não encontra em sua casa. Essas cenas são muito importantes tanto para a mitologia de Twin Peaks quanto para a compreensão do filme lançado nos cinemas: Dr. Hayward fala da figura do anjo a Laura – símbolo que será determinante a seu final – e faz um truque de mágica ligado à aparição de uma rosa vermelha (outro símbolo do roteiro, ligado à personagem de Lil); ele diz que a mágica havia dado certo no trecho da estrada em que Laura, afinal, virá a desaparecer (um detalhe colocado discretamente por Lynch). Nessas cenas, deve-se destacar não apenas a presença de Kelly, mas, principalmente, a atuação excelente de Frost.
Há também sequências de Laura com o namorado Bobby Briggs, editadas no filme oficial. Uma delas mostra Laura chegando à casa de Bobby, enquanto a mãe e o pai deste estão sentados na sala. O Major Briggs (Don S. Davis) lembra passagens bíblicas do Apocalipse, que remetem também à figura do anjo, fundamental para entender a narrativa de Twin Peaks – Fire walk with me. Além de David Lynch dar mais espaço ao cenário da casa – que no filme se restringe ao porão onde está Bobby (em mais uma excelente participação de Dana Ashbrook) –, e filmar exatamente como em algumas sequências do piloto da série (a câmera mais estática), ele novamente desenvolve esse encontro ou afastamento de Laura da vida familiar.
O contato de Laura com Donna rende igualmente uma sequência de ida das duas ao Canadá que dialoga certamente com o material que Lynch apresentaria anos depois em A estrada perdida. Não só a atriz Sheryl Lee, injustamente esquecida, e que depois faria pequenas participações em obras como Inverno da alma e Pássaro branco na nevasca, consegue mesclar diferentes tons em sua atuação como Laura. Ela divide a cena principalmente com Donna Hayward – e, ao contrário de muitos admiradores da série, não acredito que Lara Flynn Boyle faça exatamente falta. A atriz Moira Kelly, que no mesmo ano, 1992, fazia a namorada de Charlie Chaplin no filme biográfico com Robert Downey Jr., traz um certo ar de ingenuidade que Flynn Boyle não possui e se imagina como o personagem de Donna, na série de TV, teria crescido com sua participação. Se em Twin Peaks – Fire walk with me a sua participação era marcante, aqui, principalmente na conversa que tem com Laura, mais extensa do que no filme, ela ainda traz mais interesse para a dualidade que trava com a amiga. O clima noturno da sequência que desemboca no Canadá dialoga com aquele visto no início de Cidade dos sonhos.

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E temos, em determinado momento, Laura Palmer sendo hipnotizada pelo ventilador de teto, reproduzindo uma sequência que se encaixaria perfeitamente em Império dos sonhos. Ou seja, como realmente Twin Peaks sempre anunciou, esta obra antecipa o David Lynch do final dos anos 90 e início dos anos 2000.
Do mesmo modo, há sequências mais longas do relacionamento entre Teresa Banks (Pamela Gidley) e Leland Palmer – que no filme se mostram com uma edição bastante concentrada. Nos extras, Lynch destaca mais o Blue Diamond Motel, onde está Teresa, fazendo, inclusive, uma analogia entre o anel da coruja carregado por alguns personagens e o diamante que caracteriza a fachada do Motel. Em meio a essas conversas entre Banks e Leland, temos outra participação de Jacques Renault (Walter Olkewicz).
Há outras passagens que conferem uma lembrança justa aos personagens da cidade, mas não se sentiriam encaixadas de maneira clara no filme: a ligação de Ed Hurley (Everett McGill) com Nadine (Wendy Robie) e Norma Jennings (Peggy Lipton); o xerife Harry Truman (Michael Otkean), preparando-se para apanhar um traficante com Andy Brennan (Harry Goaz), Tommy (Michael Horse) e a assessoria de Lucy Moran (Kimmy Robertson); uma conversa na madeireira entre Pete (Jack Nance) e Josie (Joan Chen) com o senhor que trabalha no banco no último episódio de Twin Peaks, Dell Mibbler (Ed Wright); os atritos entre Leo (Eric Da Re) e Shelly (Mädchen Amick). E do mesmo modo temos, numa breve aparição, a Senhora do Tronco (Catherine E. Coulson). São particularmente boas aquelas sequências em que Ed escuta com Norma a música de Angelo Badalamenti na caminhonete, e a conversa na madeireira, de extrato surreal próprio da série. A maneira como Lynch os traz de volta mostra seu carinho com esses personagens e complementa o filme, mesmo que de forma menos clara.

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De modo geral, acredita-se que todas as cenas em que Laura Palmer aparece – inclusive aquela em que recebe o telefonema do psiquiatra, Dr. Lawrence Jacoby (Russ Tamblyn) – deveriam ter sido mantidas no filme oficial, assim como a participação estendida de Phillip Jeffries, que traria acréscimos à história, e o encontro de Cooper com o agente Stanley. Outras poderiam ter mescladas, talvez não com a mesma duração, pois o ritmo de Twin Peaks – Fire walk with me tem uma falsa lentidão, sendo, na verdade, muito ágil (apesar de seus 135 minutos). O importante de As peças que faltam, além de ser um complemento vital de Twin Peaks, é o cuidado com que David Lynch retomou este material: além de as cenas inéditas terem a mesma qualidade de imagem do filme oficial, receberam um tratamento sonoro, musical (com a colaboração sempre vital de Angelo Badalamenti) e visual claramente de acordo com os tempos atuais, como o teletransporte de Jeffries ou a imagem em que Laura Palmer se encontra embaixo do ventilador. Mostram como David Lynch tinha uma noção exata de que o filme não era apenas a continuação da série, e sim uma outra linguagem. Mais pesado do que a série, Twin Peaks – Fire walk with me também conserva experimentos poucas vezes visto, acentuados com este material, como na passagem de Jeffries, a reunião no Black Lodge e as sequências surrealistas com Laura Palmer. E existe ainda, ao final, algumas cenas que se passam depois do final da série de TV, com Annie Blackburn (Heather Graham), que dialogam, no entanto, com um símbolo existente apenas no filme. Twin Peaks – As peças que faltam só não é tão excelente, principalmente para os fãs, quanto a volta da série no ano que vem.

Twin Peaks – The missing pieces, EUA, 2014 Diretor: David Lynch Elenco: Sheryl Lee, Ray Wise, Dana Ashbrook, Kyle MacLachlan, Madchen Amick, James Marshall, Mary Jo Deschanel, Warren Frost, David Bowie, Chris Isaak, Kiefer Sutherland, Everett McGill, Wendy Robie, Peggy Lipton, Michael Otkean, Harry Goaz, Michael Horse, Kimmy Robertson, Jack Nance, Joan Chen, Ed Wright, Don S. Davis, Russ Tamblyn, Catherine E. Coulson, Heather Graham, Gary Bullock, Pamela Gidley Produção: Francis Bouygues, Gregg Fienberg Roteiro: David Lynch, Robert Engels Fotografia: Ron Garcia Trilha Sonora: Angelo Badalamenti Duração: 91 min.

Cotação 5 estrelas

 

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5 Comentários

  1. Kiko

     /  25 de maio de 2015

    Spoilers abaixo

    Olá André!

    Dias atrás eu estava lendo alguns comentários sobre Twin Peaks e em um deles surgiu uma dúvida de outra pessoa que eu não consegui achar a resposta. Vc pode responder?

    Tem alguns erros, mas acho que dá pra entender a dúvida:

    Na série, quando o cara de um só braço ja com o Mike possuindo ele, o mesmo é levado ao hotel para tentar sentir quem é que estava possuido pelo bob aka robert, ele achava q poderia ser qualquer um do hotel, principalmente o Sr. Horn, mas não era, e ele não sabia quem era, até por isso foi no corpo do homem de um só braço até o hotel, pra tentar descobrir quem estava possuido pelo bob.
    Ou seja, nem o homem sem braço nem o mike (o espirito ex amigo do robert bob assassino da Laura) sabiam que era o lelland, pai da Laura

    Ai depois que a série acaba, lançam um filme prequel chamado ” Fire walks with me ” que é focado na relação entre Laura Palmer e o pai dela, Lelland, que como sabemos a 25 anos, foi quem serviu de medium pro robert aka bob matar Laura Palmer.

    Pois então, no filme, que em sua maior parte se passa antes da série (obviamente, pois Laura esta viva), há uma cena em que o homem de um braço provavelmente controlado por mike e nao por ele mesmo, emparelha o carro com lelland e laura e começa a gritar para Laura, que robert aka bob que a atormenta em visões e em sonhos e que quer matar ela, está usando lelland como medium; Mas ela não ouve, pois nessa hora bob através do corpo dr lelland, finge um acesso de raiva no transito para acelerar bem alto o carro no ponto morto e começar a gritar.

    Agora me.digam, se o mike aka espirito ex parceiro de Robert bob sabe ( no prequel)quem eh que esta servindo de medium pro robert bob cometer os crimes no mundo físico, pq diabos na série ele não sabe e nem imagina que Lelland é quem cometeu os crimes através do espírito robert bob ?????

    Responder
    • André Dick

       /  26 de maio de 2015

      Spoilers abaixo

      Prezado Kiko,

      Agradeço por sua mensagem e certamente ela aponta uma questão interessante. Pelo extrato surrealista da série de David Lynch, eu não saberia esclarecer o motivo de Mike saber sobre Leland no filme e não na série; acredito que ele identifique a presença de Bob apenas quando algo está para acontecer ou quando não usa componentes químicos (é assim que esse outro lado dele aparece na delegacia; se você viu a série, certamente sabe). Pode também ser que seja apenas uma diferença de Lynch entre o filme e a série, para ressaltar o símbolo do anel que Mike usa e que não aparece nos episódios de TV (apenas o símbolo da caverna da coruja).
      Pensando nisso que observa, se reparar, a casa da família Palmer também é diferente no filme (a da série talvez seja mais assustadora); Donna, no filme, também conhece mais diretamente a vida dupla de Laura, inclusive Jacques Renault, o que na série não fica claro, pois quando ela passa a investigar o que pode ter acontecido à amiga, com James e a prima de Laura, Madison, em nenhum momento se refere a Renault; no filme, Donna e James Hurley mal parecem se conhecer, e na série eles são muito próximos; e não há, infelizmente, a presença dos Horne, que poderia acrescentar também, o que deixa um diálogo que Laura tem com o psiquiatra numa das cenas deletadas um pouco sem explicação, apesar de ótimo, pois ela se refere ao aniversário de Johnny Horne (sequência, pelo que se sabe, nunca filmada, apesar de estar no roteiro original do filme, disponível na internet). Também no livro Dale Cooper: minha vida, minhas gravações, é Cooper quem vai a Deer Meadow investigar o caso de Teresa Banks, quando no filme inventaram o agente feito por Chris Isaak, pois MacLachlan não queria inicialmente fazer o filme. Ou seja, o filme tenta criar sua independência das outras linguagens, também por certa necessidade, embora, ao contrário do que diz Almodóvar, é melhor entendido por quem viu a série. De modo geral, acho que Lynch consegue fechar bem, a narrativa presente e futura, digamos assim, sem deixar muitas lacunas. Uma ideia que acho interessante, por exemplo, é quando Cooper pede a Gordon Cole, na série, que não mande Sam, e sim Albert, por ser mais confiável, a fim de trabalhar como legista no caso. Sam é o atrapalhado Sam Stanley feito por Kiefer Sutherland, ou seja, acho que Lynch já planejava esse filme que mostra os acontecimentos anteriores durante a realização da série.
      Obrigado pela visita e volte sempre!

      Um abraço!
      André

      Responder
  2. André, parabéns pelo post! Essa deve ser a única análise aprofundada deste filme em nossa lingua e complementa muito bem sua primeira análise sobre Fire Walk With Me.

    Sobre o filme, também achei impreessionante a qualidade final da imagem e som. Seria mesmo bem legal se Lynch tivesse colocado as cenas mais importantes (com Laura Palmer, Teresa Banks e os Agentes do FBI) já inseridas em Fire Walk With Me, deixando o filme com uns 200 minutos e um extra de uns 30 minutos com os personagens secundários (mas não menos legais) da série.

    Abraço.

    Responder
  3. P.S.

    Jack Nance faz muita falta nos dias de hoje…

    Responder
    • André Dick

       /  30 de maio de 2015

      Fflush,

      Agradeço por seu comentário generoso a respeito da análise sobre As peças que faltam e o filme oficial! Realmente, David Lynch não havia antecipado de forma injustificada que os extras teriam a mesma qualidade de Twin Peaks – Fire walk with me, uma das exigências que fez para que voltasse ao projeto: essas peças parecem mais novas do que um filme rodado este ano. O filme oficial, a meu ver, é uma obra-prima, mas seria ainda melhor (embora isso soe um paradoxo) com esses acréscimos, sobretudo porque há trechos, sobretudo nos primeiros 20 minutos que se passam em Twin Peaks, que parecem andar rápido demais, em relação à investigação de Deer Meadow. Ou seja, os personagens são apresentados muito rapidamente, confundindo, por exemplo, quem não viu a série (para quem viu, isso é um problema menor). Não me incomodaria com essa metragem de 200 minutos. Lynch realmente parecia temer que o filme tivesse ainda menos bilheteria do que teve com uma metragem maior e acho que em Império dos sonhos ele concluiu, de forma acertada, que não precisava mais dessas amarras comerciais. E, com ou sem a metragem maior, deveria ter vencido em Cannes.
      Jack Nance é um excelente ator, totalmente adequado ao universo de Lynch; faz mesmo muita falta!
      Obrigado novamente pela visita e volte sempre!

      Um abraço,
      André.

      Responder

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