Kick-Ass 2 (2013)

Por André Dick

Kick ass 2.Filme 2Há filmes despretensiosos que surgem com a mesma pressa com que criam admiradores de todas as idades, e um deles foi o primeiro Kick-Ass, com Nicolas Cage, lançado em 2010, que se tornou um cult movie, com sua sátira ao sentimento de heroísmo dos Estados Unidos. Embora não tenha sido um grande sucesso de bilheteria, era esperado que alguns anos depois se fizesse sua continuação, que parte do ponto em que o filme anterior parou, com a direção agora de Jeff Wadlow, baseado novamente nos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr.
O que chama a atenção, em primeiro, é o visual de Kick-Ass 2, com a fotografia excepcional de Tim Maurice-Jones (do ótimo Snatch), e a direção de arte e figurinos leves, além do destaque dado à Hit-Girl, feita por Chloë Grace Moretz. Trata-se de uma atriz que, nesse meio tempo, fez dois sucessos, A invenção de Hugo Cabret e Sombras da noite, e recentemente lançou-se na nova versão de Carrie, interpretando uma adolescente que tenta fugir ao lugar-comum. Aqui, no papel de Mindy Macready, ela continua tentando, a princípio, ser uma heroína, mesmo que com a ausência de Big Daddy (Nicolas Cage) e a contrariedade de Marcus (Morris Chestnut), o amigo policial de seu pai, que recebeu a sua guarda. Ela dá aulas a Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson, quase irreconhecível, depois de Anna Karenina), o Kick-Ass, a fim de que possam combater o crime. No entanto, em algum momento, Marcus lhe pede que deixe a vida de encurralar bandidos em becos.

Kick ass 2.Filme 3

Kick ass 2

Morando num subúrbio de casas exatamente iguais e jardins iluminados, Mindy sente sua vida um tédio e tenta se adaptar ao burburinho adolescente do colégio, saindo com, ao que parece, uma chefe de torcida repleta de maldade, pois ela seria desajeitada, à procura pela adaptação do que seria uma vida normal, com uma espécie de sátira a Beleza americana.
Enquanto isso, Kick-Ass continua querendo participar do combate ao crime e se junta a um grupo comandado pelo Coronel Star and Stripes (Jim Carrey, que criticou a violência do filme depois do lançamento, e certamente porque ele está envolvido em algumas das cenas mais fortes), que conta, entre outros, com Buttle Guy (Clark Duke), um casal que teve o filho desaparecido (Steven Mackintosh e Monica Dolan) e “Night-Bitch” (“Vadia da Noite”), feita por Lindy Booth, e se reúne num QG com a bandeira dos Estados Unidos formada por lâmpadas. Os nomes dos personagens são diretos como a premissa do filme, que basicamente é mostrar como uma parte da adolescência e adultos fantasiados gostariam de ver os desejos de ser super-herói reproduzidos contra os playboys que têm dinheiro para gastar com armas e contratar uma gangue, papel que cabe ao Motherfuck (Christopher Mintz-Plasse), auxiliado, entre outros, por Mother Russia (Olga Kurkulina), fisiculturista que lembra Ivan Drago de Rocky IV. Tudo encoberto por um discurso de como os pais são importantes, como se quisessem também satirizar algum filme da Disney, e de como negar o que pedem pode conduzir a um desvio inesperado.

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Kick ass 2.Filme

Uma espécie de duelo entre as castas de Nova York e seu subúrbio, Kick-Ass 2 mostra ainda que o desejo dos jovens por armas pode ser também apenas uma brincadeira de desenhos animados e que decepar mãos pode ter o mesmo resultado de um videogame. Num país com tantos casos desse gênero (e alguns filmes mostram bem), Kick-Ass 2 soa como uma provocação de Hollywood bastante calculada em alguns momentos, com tiradas específicas, mas equivocado na maior parte do tempo. A impressão, desta vez, é sempre que tenta soar moderno nos dá a impressão de não ser exatamente um filme, mas, pelas cores, diálogos, uma propaganda para consumo rápido, tendo como guia o guia o mais exagerado Quentin Tarantino, de Kill Bill – Vol. 1, que colocou o filme em seu Top 10 antecipado de 2013. E Tarantino, para o bem ou para o mal, foi o precursor de tornar a sanguinolência com os recursos de DJ de filmes em algo colorido e multiespalhafatoso. Mas onde mais Kick-Ass 2 quer ser amoral mais ele parece se tornar gratuito e desnecessário. A ironia e a sátira não se fecham com o que vemos, e, embora Chloë Moretz seja uma atriz talentosa, aqui, não lhe é dado roteiro para trabalhar. Suas falas, que pretendiam ser engraçadas, parecem escapar com certo constrangimento.
É difícil não reconhecer que algumas sequências são muito bem feitas (particularmente, uma visita da gangue do mal a um bairro e o clímax), embora outras não tenham a graça que gostariam de ter (uma visita de Mindy ao restaurante da escola, com um instrumento específico, é a mais exagerada delas, mas não perde para aquelas em que Jim Carrey, em seu pior momento, aparece). Pode-se dizer que a atmosfera de Kick-Ass 2 é mais interessante do que exatamente seu conteúdo e, com a exceção de que prende a atenção, que, lamentando-se a presença de Chloë Grace Moretz, sua sátira em relação à sociedade acaba se voltando contra o próprio roteiro, em ritmo de fantasia narcisista.

Kick-Ass 2, EUA, 2013 Diretor: Jeff Wadlow Elenco: Chloë Grace Moretz, Aaron Taylor-Johnson, Jim Carrey, Morris Chestnut, John Leguizamo, Lindy Booth, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Olga Kurkulina, Steven Mackintosh, Monica Dolan Roteiro: Jeff Wadlow  Fotografia: Tim Maurice-Jones Trilha Sonora: Henry Jackman, Matthew Margeson Produção: Adam Bohling, Brad Pitt, David Reid, Matthew Vaughn, Tarquin Pack Duração: 103 min. Distribuidora: Universal Estúdio: Marv Films / Universal Pictures

Cotação 2 estrelas

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