Guerra Mundial Z (2013)

Por André Dick

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Avaliado como uma das produções mais caras de todos os tempos (mais de 200 milhões de dólares), Guerra Mundial Z surgiu com um dos blockbusters desta temporada apostando na ideia da Terra ameaçada por um vírus. O ex-agente da ONU, Gerry Lane (Brad Pitt), dedicado à família, Karin (Mireille Enos) e duas filhas, Constance e Rachel (Sterling Jerins e Abigail Hargrove), enfrenta a consequência desse vírus: zumbis ultravelozes e implacáveis, que surgem em mais profusão exatamente onde ele se encontra, seja num carro durante uma manhã aparentemente tranquila da Filadélfia, seja na Coreia ou em Israel.
Os zumbis estão em todas as partes, e Forster, conhecido por seus belos A última ceia e Em busca da terra do nunca e por um 007 menos atrativo (007 – Quantum of solace), é um diretor que vem se aprimorando pela impessoalidade. Guerra Mundial Z poderia ter sido dirigido por um cineasta especialista em ação, mas Pitt, como um dos produtores, apostou nele, com quem se desentendeu durante as filmagens, criando quebras de orçamento e polêmicas antes da estreia. É difícil avaliar o que isso pode afetar uma produção (muitas vezes não afeta), mas Guerra Mundial Z, com seu destaque tecnológico, necessitaria do elemento dramático, no qual Pitt se aprimorou em seus projetos mais recentes, como A árvore da vida e O homem que mudou o jogo, e Forster seria um bom nome para trabalhar este elemento, tendo provado seu talento com atores de diferentes estilos. No entanto, as falas de seu personagem, ao longo de todo o filme, parecem uma combinação de outras. “Eu voltarei”, diz ele à sua mulher, Karin, antes de abandonar um navio para tentar solucionar o problema que vem acabando com a civilização. Quando as coisas se agravam, ele está no celular dizendo que as coisas  se complicam por onde passa (depois de fugir da Filadélfia com a mesma pressa do pai feito por Tom Cruise em Guerra dos mundos e de ver seres humanos tombando carros e voando em para-brisas).

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O espectador pode mesmo se sentir com medo, como nos primeiros 20 minutos, quando Lane e a família precisa agir por conta própria, sem a ajuda do governo, e quando a fotografia do talentoso Robert Richardson, habitual colaborador de Tarantino e Oliver Stone, se destaca. Ainda assim, Pitt consegue ter seu momento mais complicado, com uma postura que deseja dialogar com sua figura mundialmente conhecida, também por seu interesse em causas sociais: a melancolia do seu olhar parece ser a de quem precisa enfrentar este roteiro. O percurso dado a seu personagem é plano, à medida que, ao assistirmos Guerra Mundial Z, é como se estivéssemos vendo o seu trailer. Nesse sentido, não há nada fora do lugar, ao mesmo tempo em que parece faltar um encaixe, principalmente entre os episódios, que se sucedem sem existir um envolvimento com o personagem central ou os coadjuvantes. Isso pode ser explicado, embora não totalmente, pelo roteiro, que conta com Drew Goddard (diretor e corroteirista de O segredo da cabana), e Damon Lindelof, o normalmente questionado autor de Prometheus, no qual teria complicado a narrativa (em Guerra Mundial Z, não há complicações, de qualquer modo), reescrito algumas vezes e cujo final sofreu alterações (difícil imaginar como se conduziu ao clímax apresentado).
O desespero e os eventos do filme são superdimensionados, mas possuem a vitalidade dada a Gerry Lane, indicando que Forster não tem criatividade para cenas de ação, o que mais necessitaria Guerra Mundial Z por conta de seus saltos, tanto na história quanto dos zumbis. Lamenta-se quando uma produção fica conhecida pelos seus gastos milionários e, ao contrário de outras nesta temporada, como Star Trek e Círculo de fogo, esses não são vistos na tela. O filme poderia ser falho, mas grandioso, mesmo porque utiliza todos os transportes possíveis, do carro, passando por helicópteros, navios, até aviões, querendo dar um panorama de estado crítico internacional. A maneira como Richardson também amplia as imagens, criando algumas até assustadoras, mostra o quanto houve um trabalho prévio. Infelizmente, falta substância.

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Também não parece haver um elemento crítico, o que haveria no romance que deu origem ao filme, de Max (filho de Mel) Brooks. Se havia elementos no romance de corrosão política, eles ficaram ausentes do filme – e se há pelo menos três sequências muito bem feitas (inclusive a que antecede o final, com seu crescente) elas não apagam a sensação de que Forster, Pitt e os produtores não quiseram, de fato, transformar os zumbis em peças centrais.
Para uma narrativa em que eles deveriam se destacar, eles são quase escondidos ou mostrados às dezenas, em ultravelocidade, para despertar um medo que não se desperta realmente por não ser focado nenhum especificamente. Chega a surpreender quando Forster resolve filmar um deles de maneira mais próxima – mas a cena não traz nenhum medo (não há a presença ou influência de George Romero). Ao final de tudo, para uma produção que queria ser a maior sobre os zumbis, Guerra Mundial Z se restringe a ser um passatempo, e não dos mais divertidos: aqui, o futuro da Terra significa o mesmo que o futuro de uma franquia.

World War Z, EUA/Reino Unido, 2013 Diretor: Marc Forster Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Sterling Jerins, Abigail Hargrove, James Badge Dale, Daniella Kertesz Produção: Brad Pitt, Ian Bryce, Jeremy Kleiner Roteiro: J. Michael Straczynski, Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof Fotografia: Robert Richardson Trilha Sonora: Marco Beltrami Duração: 116 min. Distribuidora: Paramount Pictures Brasil Estúdio: Apparatus Productions / GK Films / Hemisphere Media Capital / Latina Pictures / Paramount Pictures / Plan B Entertainment / Skydance Productions / UTV Motion Pictures

1 estrela e  meia

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