O homem de aço (2013)

Por André Dick

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A desilusão com o Superman de Bryan Singer em 2006 foi tão grande que a franquia acabou sendo deixada de lado pela Warner, até se encontrar uma possibilidade de retomá-la (imagina-se se teria sido melhor a versão planejada por Tim Burton, com Nicolas Cage, antes daquela de Singer). O grande problema parecia ser a comparação com a primeira série, cujos dois episódios, de Richard Donner e Richard Lester, eram referenciais para os filmes de super-heróis feitos a partir de então. Mas também porque Singer não conseguiu delinear um Superman para o público, preferindo situá-lo apenas como um indivíduo em busca da explicação para sua existência. Se a parte técnica do filme era respeitável, o mesmo não se podia dizer de sua falta de ação, a ponto de se desconfiar se era um filme de super-herói. Além disso, Kevin Spacey destoava como Lex Luthor, pelo menos quando comparado a Gene Hackman, e tanto Brandon Routh (Superman) quanto Kate Bosworth (Lois Lane) tinham dificuldade em trabalhar o roteiro. No início desta década, a Warner decidiu retomar a franquia, apagando o nome Superman e intitulando O homem de aço, desta vez a cargo de outro diretor, com novos roteiristas e atores.
Se as lições no que diz respeito à ação foram aprendidas com a versão desanimada de Singer, e atores melhores foram colocados nos papéis principais, O homem de aço tenta contrabalançar toda sua expectativa com doses maciças de movimento, ao mesmo tempo com uma tentativa de humanizar o personagem que remete a filmes mais contidos.
A primeira impressão é a visual, e parece que a paleta de cores frias foi um risco – independente de os primeiros filmes serem dos anos 70 e 80, uma época considerada mais ingênua, e o atual existir em meio a acontecimentos deste século. O primeiro Superman teve a fotografia de Geoffrey Unsworth (2001), e este possui o trabalho de Amir Mokri, mais conhecido por parcerias com o diretor Michael Bay, tornando a textura de algumas imagens parecida com a dos filmes Transformers. Quando acerta, e cria uma amplitude especial para os cenários, destacam-se as cores cinza e azul, com um tempo quase sempre chuvoso, úmido, sobretudo quando mostra a infância de Superman, trazendo imagens que lembram A árvore da vida, mas que não chegam a contrastar com o restante, além de luzes em ambientes escuros.

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Com essa escolha, ainda temos o design do filme. Desta vez, Krypton é uma mistura entre os ambientes de Matrix e, sobretudo, de H. R. Giger (da série Alien), e ainda da Terra média, o que acaba prejudicando a desvinculação do filme dessas referências claras e tirando do filme seu impacto inicial, a não ser em imagens excepcionais na água (remetendo novamente a A árvore da vida). Não se trata, nesse caso, de reproduzir os dois primeiros filmes do Superman, mas dar um visual menos denso e derivado ao filme (as cores do Superman, afinal, também são icônicas para uma certa pop art). De qualquer modo, pode-se imaginar essa escolha para que se deixasse o filme parecido com um ambiente da Roma Antiga, inclusive nos cortes de cabelo e do figurino, e no fato de que, aqui, o herói surge como um Messias que pode ameaçar os rumos de um ditador.
O filme (alguns spoilers a partir daqui) inicia da mesma maneira que o original, de 1978, com Jor-El (Russell Crowe, lembrando Gladiador) e sua mulher Lara (Ayelet Zurer), colocando Karl-El num berço em formato de espaçonave, antes da destruição de Krypton, e o envio para o espaço do General Zod (Michael Shannon). À medida que o berço espacial cai na Terra, já se mostra o personagem, chamado Clark Kent, adulto, viajando pelo país, trabalhando nos lugares mais inóspitos, enquanto cada ação recorda um momento da infância, com seus pais, Jonathan Kent (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) – certamente, os atores mais humanos do elenco, ao lado daqueles que fazem Clark quando criança, Cooper Timberline e Dylan Sprayberry (ambos ótimos). Numa estação do Ártico, ele vai conhecer Lois Lane (Amy Adams). Embora Znyder conte com a excelente montagem de David Brenner – e ela torna orgânica essa transição do presente para o passado, inovando em relação às versões anteriores –, ele não estabelece uma ligação mais clara entre os personagens. Num primeiro momento, torna-se difícil entender por que a aproximação de Clark e Lois não acontece de modo mais lento, pois era este detalhe que tornava o espectador suficientemente próximo deles do filme de 1978 – depois, percebe-se que o objetivo era centralizar especificamente na ação.

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Para um filme de 143 minutos, no entanto, falta uma transição entre as passagens: tudo soa um tanto abrupto (imagina-se, certamente, uma pilha de material na sala de edição). Também não há proximidade na apresentação dos componentes do Daily Planet, como o chefe de Lois, Perry White (o competente Laurence Fishburne); parece que Snyder tinha receio de repetir a lentidão de Singer e tentasse acelerar mesmo o que acaba não sendo, de fato, mostrado. E torna-se difícil aceitar por que o personagem central simplesmente parece reduzir sua primeira participação ao fato de querer ajudar o exército dos Estados Unidos, com um tom triunfalista, que, se o uniforme não esconde, pelo menos na série universal era atenuado por humor (em determinado momento, o Coronel Nathan Hardy (Cristopher Meloni), depois de ver o herói destruir quase toda Smalville durante um combate, lamenta por não ter visto que ele na verdade é um amigo, não um inimigo).
Não é uma característica de Snyder, responsável pelo cansativo 300 e pelo visualmente interessante Sucker Punch, além de ter adaptado Watchmen, o humor, assim como não é um elemento que o roteirista David S. Goyer e o coargumentista Cristopher Nolan (responsável pela trilogia Batman), também produtores, têm em mente ao criarem seus filmes. Nolan, especialmente, costuma apresentar diálogos em muitos momentos expositivos – mas aqui, especialmente, se percebe a falta do seu irmão, que ajudou a fazer os roteiros da trilogia de Batman. Apenas nos momentos em que Jonathan e Clark Kent estão em cena, ele consegue traduzir uma espécie de humanidade do personagem de Clark, assim como em certa mitologia do ser perseguido por reunir em si a genética de seus descendentes. Há algumas escolhas estruturais que lembram especialmente Batman begins. O personagem de Clark Kent, não por acaso, viaja pelo país, sofrendo, assim como Bruce Wayne em Batman begins, e não por acaso a mocinha parece deslocada – nunca foi o forte de Nolan a concepção de um idealismo romântico. Do mesmo modo, enquanto o Batman realista de Nolan agia sempre com a polícia e o Inspetor Gordon, aqui o Superman parece integrar o exército mesmo antes de revelar todos os seus poderes. O tom contra a destruição de Gotham City era o mote em Batman; aqui o tom é contra a destruição da Terra, de aceitar que os humanos merecem sobreviver. Mas fica faltando o elemento humano: a Terra é ameaçada, mas parece que a população não se refere ao herói, criando um afastamento decisivo. Assim como Star Trek e outras produções recentes, há uma cota de referências ao 11 de setembro, lembrando em outras partes (não foi, diga-se, uma boa lembrança) Independence day e Godzilla, de Roland Emmerich, em algumas cenas-chave, e, em seus melhores momentos, Guerra dos mundos. O melhor, nesse diálogo entre filmes, é que há uma série de referências a Contatos imediatos do terceiro grau, como a origem do Superman escondida embaixo de uma montanha do Ártico, quando ele volta à noite para ver sua mãe e entra pela porta a fim de ver a TV (como a do menino de Contatos imediatos), a aproximação da nave de Zod em meio a árvores, um retrato de Clark quando menino ao lado do pai e de uma montanha como aquela em que as espaçonaves descem no filme de Spielberg para encontrar o personagem de Richard Dreyfuss.

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Nesta ação ininterrupta – e aqui o tratamento é exatamente de Snyder, já que Nolan não segue uma linha frenética –, a atuação de Henry Cavill é interessante, sobretudo porque tenta outro caminho que não o de Reeve (seguido por Brandon Routh, de Superman – O retorno), e se Amy Adams não recebeu alguns diálogos a mais para justificar a ligação com o herói mostra-se novamente boa atriz. Na verdade, os dois têm um vínculo mais claro do que o casal de Superman – O retorno, mas Snyder tira a sutileza que poderia haver na sua proximidade, tornando a faceta mais romântica deste filme quase ausente.
Por outro lado, existe, pela primeira vez, uma visão mais física dos poderes do herói, como o voo, assim como a ligação com os quatro elementos da natureza. Da água, passando pelo fogo, até a terra e o ar, sobretudo numa sequência-chave, considerada por alguns absurda, mas adequada ao contexto do filme, de que o herói, mais do que de aço, é uma composição da força da natureza, O homem de aço apresenta uma simbologia. Os efeitos especiais são extraordinários, ainda que a maneira como alguns deles são apresentados traga a lembrança de atos terroristas, assim como em Homem de ferro 3 (não em Star Trek, cuja abordagem é mais discreta): parece que dentro da fantasia se quer tornar o ambiente pesado, extraindo a energia necessária para o envolvimento decisivo entre os personagens e, quando o herói fala em esperança para um grupo de militares, temos a impressão que ele está falando também como presidente dos Estados Unidos, o que soa irremediavelmente deslocado.
Há, com essa temática de fundo realista (o terrorismo), a presença de referências religiosas, e Snyder não é exatamente sutil ao abordá-las. Superman em vários momentos é comparado à figura de Jesus Cristo, inclusive no momento em que ele está na água com os braços abertos e de barba, ou quando diz que pode curar Lois Lane de um determinado ferimento, ou quando vai até uma igreja e um vitral da figura de Jesus é visto ao fundo, projetando-se ao lado dele. Mas nada, nesse sentido, se compara ao fato de que algumas vezes é referida sua idade: 33 anos. Isso acaba trazendo uma analogia ostensiva, que parece ser encaixada para tentar oferecer uma certa profundidade temática ao personagem de Jerry Siegel e Joe Schuster. Ela consegue ser melhor encaixada quando se visualiza seu nascimento, com a perseguição em seguida de uma espécie de cúpula rebelde que pretende tomar Krypton como a Roma Antiga, e sua infância, quando, num momento aterrorizante, se vê como Clark foi descobrindo, aos poucos, seus poderes.
Por toda a expectativa que criou, embora O homem do aço fique afastado das possibilidades que apresentava, como filme de ação funciona e diverte (mesmo com suas lacunas de roteiro), e nunca é entendiante (como alguns momentos de Homem de ferro 3), mantendo a ação pelas idas e vindas do tempo, trazendo alguns acréscimos à mitologia do Superman (destaque-se a trilha sonora de Hans Zimmer). A questão é que depois de toda a grandiosidade buscada aqui torna-se complicado trazer a série para um movimento não apenas de blockbuster com ação frenética, mas como estudo de um personagem de quadrinhos que fascina desde sua criação. Parece que realmente, depois das experiências com Singer e Snyder, que Superman, ao contrário da série Batman, que teve Tim Burton à frente de uma franquia e Nolan à frente de outra, não tem conseguido diretores autorais, com, entre qualidades e defeitos, uma visão mais sensível. Quando está em movimento, O homem de aço impressiona, mas quando precisa lidar com os personagens o fato é que deixa o espectador nostálgico.

Man of steel, EUA, 2013 Direção: Zack Snyder Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Russell Crowe, Michael Shannon, Kevin Costner, Diane Lane, Antje Traue, Ayelet Zurer, Cristopher Meloni, Laurence Fishburne, Cooper Timberline, Dylan Sprayberry Produção: Charles Roven, Christopher Nolan, Deborah Snyder, Emma Thomas Roteiro: David S. Goyer, Cristopher Nolan Fotografia: Amir Mokri Trilha Sonora: Hans Zimmer Duração: 143 min. Distribuidora: Warner Bros Estúdio: Atlas Entertainment / Legendary Pictures / Warner Bros. Pictures

Cotação 3 estrelas e meia

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20 Comentários

  1. Anderson

     /  2 de julho de 2013

    Parabens Andre pela bela linha de raciocinio. Eu gostei do filme bom roteiro, agora se o Snyder tivesse mais sutilezas narrativa e um equilibrio nas cenas de ação ,seria um reenicio excelente!

    Queria saber se vc possui alguma pagina do site no Face, pra melhor acesso ! Grato

    Responder
    • Prezado Anderson,

      Obrigado por seu comentário generoso. Também gostei do filme, mas ele não consegue dosar as cenas de ação, como você também comenta. Se tivesse mantido o equilíbrio inicial (os flashbacks não atrapalham), me parece que seria melhor.
      O blog ainda não possui página no Facebook. No entanto, pretendo ainda fazê-la e agradeço por seu interesse.
      Volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder
  2. Marlon

     /  6 de julho de 2013

    Essa é uma das críticas mais lúcidas e tecnicamente embasadas que eu já li. Realmente o filme não é perfeito, as esperanças de sucesso dessa nova série estão agora depositadas no potencial das sequências. Financeiramente o filme funcionou, a bilheteria já é ótima para um reboot, mas é preciso maior consistência para sustentar uma sonhada trilogia.

    Responder
    • Prezado Marlon,

      Agradeço por seu comentário generoso e animador! Também espero, como você, que a série tenha potencial em suas futuras sequências, demonstrado aqui em algumas simbologias, no elenco e na parte técnica. O êxito para elas depende certamente da questão financeira, que, pelo visto, está garantida.
      Obrigado pela visita e volte sempre!

      Um abraço!
      André

      Responder
  3. Anderson de Sousa

     /  6 de julho de 2013

    A sua crítica é fantástica. Tem um peso a referências cinematográficas e aspectos reais, de fato, é assim que imagino um boa crítica. O seu texto eleva o filme a muitas discussões filosóficas, religiosas, psicológicas, técnicas e cinematográficas. Parabéns.

    Responder
    • Prezado Anderson,

      seu comentário me deixa muito feliz! Agradeço que tenha visto no texto uma possível discussão para outros temas, pois é comum se dizer que filmes sobre super-heróis só tratam de marketing. Seu comentário, como os anteriores, eleva o blog e agradeço por isso.
      Obrigado por sua visita e volte sempre!

      Um abraço!
      André

      Responder
  4. Paula Rocha

     /  13 de julho de 2013

    Também gostei do texto de André. Certamente, esses filmes apontam questões profundas porque tratam de um imaginário concretizado no público. Não via a hora da estreia para assisti-lo, mas ao contrário da opinião de Dick, eu achei que o filme conseguiu sim ser mais sensível, principalmente no que concerne à atuação do personagem do Superman, que demonstrou ter uma humildade e tanto. Ali, o possível e o inconcebível alimentam os sonhos e expectativas dos espectadores e torna a narrativa de super-heróis mais atual e forte do que nunca.

    Responder
    • Prezada Paula,

      agradeço novamente por sua visita. Acredito que haja sensibilidade no filme principalmente nos papéis de Kevin Costner e Diane Lane, mas certamente seria importante reiterar que Cavill faz um belo papel, não tentando copiar Reeve, ou seja, fazendo um Superman mais melancólico. Acredito que a sensibilidade do filme aparece mais por causa dele e do elenco (realmente bom, mesmo o hoje combatido Crowe) do que pela direção de Snyder e pela estrutura da história. O elenco extrai muito de poucas linhas de diálogo. Por isso, em alguns momentos, principalmente da metade para o final, esse elenco faria mais diferença do que os efeitos especiais.

      Volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder
  5. Marcos

     /  17 de julho de 2013

    Crítica muito boa André, o filme é bom, diverte e tem seus problemas, mas cumpre o que promete em um filme de super-herói: ação. Acho que a continuação irá trabalhar melhor os personagens e preencher as lacunas deixadas neste.

    Responder
    • Prezado Marcos,

      Agradeço novamente por seu comentário! Pelo final deste, também me parece que a continuação irá trabalhar com mais elementos. A ação deve estar presente, mas se dosada com outras escolhas será melhor.
      Obrigado pela visita e volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder
  6. Robert Oliveira

     /  21 de julho de 2013

    Olá André; como sempre suas críticas são sempre muito bem construídas e ainda abrem possibilidades para diversas discussões a respeito do filme em questão. Neste caso, em ‘O homem de aço’, o filme me agradou muito e atendeu as expectativas apesar de um detalhe particular meu: gostaria muito de ter visto Clark se apresentar a raça humana como herói salvando pessoas em eventos do cotidiano etc (único ponto positivo em Superman – o retorno), antes da ameaça eminente de Zod a Terra. Isso deixou um pouco a desejar e para mim foi uma perda considerável porque não estabelece claramente um relacionamento íntimo com a humanidade. O fato de não ter exposto sutilmente cada personagem não me incomodou tanto quanto esse detalhe a cerca do protagonista. O fato de fazer diversas referências a Jesus Cristo já era o esperado por ser tratar de um personagem criado baseado exatamente no Herói dos heróis, Cristo (porém não havia necessidade de especificar até a idade de 33 anos). Confesso que o final do filme me surpreendeu bastante e abre diversas questões interessantes sobre o que define ser um herói. Esse é um filme de potencial elevado e que cria grandes expectativas de se tornar ainda melhor a cada continuação (Consertando os erros e colocando o tempero na medida certa). Enfim, tudo que me resta declarar agora é: Vida longa ao novo Superman!

    Responder
    • Prezado Robert,

      Agradeço por seu ótimo (e generoso) comentário, e fico grato que considere isso. Eu realmente concordo com sua observação a respeito deste detalhe de que o herói não passa pela fase de estabelecer um contato inicial com a humanidade antes de precisar enfrentar o vilão que ameaça a Terra. Este é um ponto positivo tanto do clássico de 78 quanto de Superman – O retorno, e se perde aqui. Do mesmo modo, a aproximação com Lois Lane é muito rápida; parece que, de alguma maneira, Snyder queria centralizar tudo na ação. Eu aprecio pontos do filme, comparações e simbologias, embora acredite que a analogia extensiva com Jesus Cristo acaba sendo exagerada (principalmente pela idade). No entanto, como você, vejo potencial no filme, para que seja reelaborado, com mais equilíbrio, nas continuações. E o acerto inicial do elenco é fundamental para este caminho. Cavill surpreende, Adams é uma ótima atriz, e Fishburne desempenha bem o editor do jornal. Além de Diane Lane ser uma grande atriz, embora às vezes esquecida.
      Obrigado novamente pela visita e volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder
  7. Enoque

     /  23 de julho de 2013

    A verdade é: Superman O Homem de Aço ficou aquém das expectativas dos fãs mais exigentes. E sua frase final resume muito bem:

    “Quando está em movimento, O homem de aço impressiona, mas quando precisa lidar com os personagens o fato é que deixa o espectador nostálgico.”

    Eu esperava mais, adorei Watchmans e achava que, com coordenação de Nolan, O Homem de Aço seria excelente. Ao meu ver não foi um bom início de trilogia. Eu tinha em mente algo semelhante a maestria de Nolan: o cuidado com o roteiro, a sensibilidade com os personagens a coesão entre os fatos, os EXCELENTES diálogos etc.
    E como você falou, André, a efetiva ligação entre Clark e Lois não foi eficazmente abordada. Como Bruce e Rachel se conheciam desde da infância, não precisou de muitos elementos narrativos para fazer o amor entre eles parecer crível. Já em O Homem de Aço, seria necessários mais elementos de ligação entre os personagens.
    Concordo com você também, as referências religiosas em alguns momentos foram explícitas de mais, beirando à breguisse.
    Faltou mais referências ao universo DC no filme, referência que poderiam facilitar as convergências com futuros filmes da DC.
    Infelizmente até o momento, não houve um diretor que conseguisse fazer uma obra cinematográfica adaptando um super-herói de quadrinhos tão bem quanto a trilogia CT de C. Nolan. A trilogia Cavaleiro das Trevas é um verdadeiro “O Poderoso Chefão” das adaptação de quadrinhos.
    Sucesso as continuações de Superman.
    Parabéns, André!

    Responder
    • Prezado Enoque,

      Agradeço por seu excelente comentário. Concordo com você quando remete ao cuidado que teve Batman begins, com a direção de Nolan. Acho que ele teria feito uma adaptação melhor de Superman, mesmo tendo colaborado no roteiro deste, que em sua estrutura é um tanto confuso, principalmente quando não desenvolve melhor a ligação entre o herói e Lois Lane e não apresenta primeiro a figura dele à humanidade, antes de entrar em ação. Em nenhum momento, há o mesmo cuidado, e creio que isso se deve a Snyder, ainda um diretor em fase de experimentos. É difícil ignorar que ele tem um cuidado com o visual e a ação contínua, mas, embora tenha talento ao fazer algumas analogias entre Krypton e a Roma Antiga, falta sensibilidade em alguns planos. Na parte final, ele necessariamente deveria ter buscado um equilíbrio trazido pelos flashbacks, um O homem de aço com mais elementos de um filme dramático, mas sem o estilo empregado em Superman – O retorno. As analogias com a religião são presentes mesmo na história de Superman e o primeiro filme, de 1978, também o colocava como uma espécie de Moisés – no entanto, aqui, é exagerada, não deixando espaço para interpretações. Isso acaba deixando o filme com alguns problemas que devem ser solucionados em suas continuações – pelo menos assim se espera.
      Obrigado pela visita e volte sempre!

      Um abraço,
      André.

      Responder
  8. Giovanni

     /  29 de julho de 2013

    “Num primeiro momento, torna-se difícil entender por que a aproximação de Clark e Lois não acontece de modo mais lento, pois era este detalhe que tornava o espectador suficientemente próximo deles do filme de 1978 – depois, percebe-se que o objetivo era centralizar especificamente na ação.”

    Snyder já disse em entrevistas recentes que este filme não se trata do Superman e Lois, e sim do Superman.

    Tirar o foco desse romance foi um sem dúvidas um acerto.

    Responder
    • Tenho uma opinião oposta à sua e considero estranha se a declaração veio de Snyder. Lois Lane faz parte da mitologia do Superman, tanto é que neste filme foi incluída até mesmo em cenas de ação, o que não ocorria na série antiga. Snyder, como diretor, tem consciência das falhas de seu filme: uma delas é essa relação. Ele quis focar nas cenas com movimento contínuo com receio de que seu filme lembrasse o de Singer, mas tem a noção de que não conseguiu dar o espaço que Amy Adams merecia. E sabe que a continuidade da série depende dessa relação, à medida que (SPOILER) termina o filme com Lois cumprimentando Clark Kent no Daily Planet.

      Responder
  9. Diego Andrade

     /  1 de agosto de 2013

    Ótima crítica.

    Realmente há muitas referências a Jesus além das que comentou, como quando ele sai da nave de Zod e seu pai lhe diz que ele pode salvar a todos, e o super sai devagar de braços abertos fazendo uma cruz; ele é colocado como um ser acima dos seres humanos, quase perfeito e por isso deslocado, que mesmo assim tem que aprender a ter fé nas pessoas (afinal, eles não sabem o que fazem.. hehehe) para ser seu salvador, etc. E essa referencia já foi explorada também em suas hq´s.

    Acho que o Snyder explorou isso para criar o interesse no superman, pois o cara é um deus e tem sido visto como um escoteiro… então o snyder tentou fazer um paralelo com jesus para ficar mais facil entender porque alguem tão deslocado na sociedade e ao mesmo tempo tão poderoso se “sacrifica” de certa forma (abre mão de crypton ou do próprio domínio da terra) para nos defender.

    Além disso mostra o tempo todo seus pais ensinado valores, mas dizendo que a escolha estará nas mãos dele, que faz com que ele tenha o senso de justiça e altruísmo típicos do personagem. Já a pancadaria frenética também seria para cortar aquela imagem de escoteiro bonzinho que citei, pois deixa claro que ele é justo, mas não “bobo”.

    Achei um filme muito bom, com as melhores cenas de ação que já vi em um filme de super herói, mas concordo que pecou no encaixe em alguns pontos, chegando a ficar um pouco cansativo para quem não é fã do personagem. Achei também um filme que fica melhor ainda quando visto pela segunda vez, quando é possível prestar atenção em muitos detalhes que provavelmente serão melhor explorados numa sequencia, em que ele poderá se mostrar mais seguro de si e etc.

    Abraço

    Diego

    Responder
    • Prezado Diego,

      Agradeço por seu ótimo comentário a respeito do que entendeu como influência religiosa no filme de Snyder; cenas em que não percebi, como você, este contexto. A maneira como as descreve apontam, inclusive, uma linha mais discreta na abordagem. Apenas tenho um pouco mais de dificuldade em ver que o Superman tem sido visto como um “escoteiro”. Não sei se se refere ao estilo do filme de 1978, ou mesmo da série de TV, mas acredito que aqui Snyder coloca o herói excessivamente ligado à faceta bélica dos Estados Unidos. Ele nem se apresenta à população e já está ao lado do exército. Acho, sem dúvida, um risco para Snyder, mas nos filmes de 78 e 80 esta ligação do herói com os Estados Unidos era mais atenuada, inclusive pelo humor. De qualquer modo, e seu comentário bem expõe, talvez seja uma fuga à esta visão dada anteriormente sobre o herói, uma tentativa de escapar daquela visão. Em certos momentos, Snyder tem mais eficiência; em outros, parece que está ainda indefinido entre os caminhos do ensinamento de Jonathan (Costner) e a “pancadaria frenética” a que você se refere. Creio que um meio-termo seria mais interessante no segundo filme. Quanto às cenas de ação, concordo. Apesar de em certos momentos (ao final) lembrar imagens de outros filmes da escola Michael Bay, tendo a considerar que elas têm uma emoção própria, assim como a sequência passada em Smalville – misturada ao encontro de Clark com sua paisagem de infância, agora visitada pelo inimigo.
      Obrigado pela visita e volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder
  10. Fernando Oliveira

     /  29 de janeiro de 2016

    Meus parabéns pela excelente crítica chegam com 3 anos de atraso e por isso me desculpo.

    Além das claras alegorias religiosas, da ação muito bem coreografada, dos efeitos espetaculares e das boas atuações, uma das coisas que mais me agradou – e aqui destaco algo que talvez seja muito sutil – foi a concepção de um Superman “conhecendo” seus poderes e “descobrindo-se” praticamente imortal.

    Porque, sigam comigo: em que momento, na vida de Clark Kent, ele soube que não poderia ser ferido? Temos uma cena em que um jovem Clark responde ao seu pai que lhe pergunta “eles te machucaram?” com um “você sabe que eles não poderiam fazer isso”. Mas até que grau de machucados Clark sabia ser invulnerável? Será que na fazenda seu pai ou ele ficavam fazendo brincadeiras sádicas de bater com um martelo nos dedos ou passar com o trator sobre ele pra testar sua invulnerabilidade?

    A meu ver, uma das facetas mais formidáveis para se trabalhar com Cavill seria nas emoções (ou falta delas) do filho de Krypton, pois, em seu cerne, ele não pode ser movido pelos mesmos ideais que os humanos normais. Segundo a mitologia clássica, todo o seu poder vem do sol e ele lhe basta, ou seja, Kal-El não dorme, não come, não bebe, e mal precisa respirar, visto que pode ir ao espaço ou ficar submerso na água tranquilamente e livre dos problemas relativos à pressão. Toda vez que faz isso, é por escolha própria, nunca por necessidade. Ele não sente medo, pois o medo vem do instinto de auto preservação, coisa que ele nunca precisou desenvolver. Ele não precisa se encolher ao esbarrar em alguém, não precisa piscar caso joguem areia em seus olhos, não toma sustos se gritam atrás dele. Ele não anseia por nada, não precisa se proteger dos fenômenos naturais e não depende de nada nem de ninguém para ir ou vir. É praticamente impossível para o Superman se identificar com a fragilidade humana e seus problemas como a sensação iminente de morte ou desamparo. Ele teve que APRENDER a se importar graças aos valores passados por seus pais. E, num momento brilhante, assumindo com humildade que o Poder Absoluto Corrompe Absolutamente, o próprio Kevin Kostner diz ao jovem Clark: “Você vai mudar o mundo, se para o bem ou para o mal, você terá que escolher.”

    Nas lutas, o Superman mal sabe dar golpes (afinal, quando foi que ele teve a oportunidade de brigar com alguém antes? Pra que treinar socos se ninguém pode te ferir?) e gostei disso. Ele acaba com tudo ao redor porque não sabe muito bem o que está fazendo. Sim! A primeira vez em que ele voa e dá um soco ao mesmo tempo é quando Zod ameaça a sua mãe! Ele nunca tinha lutado antes!!! Ele só salvava pessoas de desastres e ainda assim de forma contida. Ele também está aprendendo a usar seus poderes e isso, num contexto mais realista escolhido pela DC, vai trazer resultados desastrosos, como bem vistos no final do filme.

    Agora, para mim, dois pontos foram extremamente mal explicados e deficientes: o aparecimento do uniforme e a (falta de) evolução tecnológica de Krypton.
    Clark encontra uma nave enterrada há 20 mil anos e ao andar por um corredor, do nada uma portinha se abre e de lá sai o seu uniforme, do seu tamanho, com o brasão da sua família… de onde ele veio? Já estava alí? Foi a nave que o construiu na hora? Em que momento foi mostrado que Clark deveria vesti-lo? Pra que vesti-lo? Clark pode voar sem ele. Qual o sentido?

    Agora, o mais grave. Tente pegar um disquete de 5 1/4 de 1993, daqueles chatos como papel, e ache um ultrabook de 2015 que tenha um driver pra ele. Tente o contrário, pegue um pendrive e ache um computador de 1980 que tenha uma entrada USB. Não existe, é tecnologia ultrapassada! Agora, Jor-El coloca a chave com o simbolo da casa de El na nave de Clark, mas essa mesma chave também serve numa nave construída 20 mil anos atrás??? Como? Em 20 mil anos não houve evolução tecnológica em Krypton? O hardware e o software continuaram os mesmos? Aqui na terra, bem mais atrasados, 10 anos já são suficientes para tornar algo obsoleto e lá, em VINTE MIL ANOS nada mudou? Isso me incomodou demais.

    No mais, excelente filme e no aguardo de Batman v Superman!!

    Responder
    • André Dick

       /  1 de fevereiro de 2016

      Fernando,

      agradeço pelo comentário generoso e por sua análise a respeito do filme, certamente enriquecedora para que eu o entendesse melhor. Numa nova sessão dele, gostei mais do que à época, quando fiz essa crítica, principalmente já distanciado da expectativa, que era se parecer mais com o filme dos anos 70, em termos de senso de humor, para ser mais objetivo. No entanto, depois de assistir a Watchmen em sua versão mais longa, foi possível perceber melhor o que Snyder quis realizar aqui, inclusive a atmosfera mais soturna, não tanto ligada a Nolan, e sim a uma concepção pessoal do diretor em relação aos quadrinhos. O visual me pareceu também mais original do que na época em que o assisti e creio que houve uma boa influência filtrada de Malick. A relação com os pais talvez seja mais interessante do que aquela mostrada no filme de 1978, e você detalha muito bem sobre a questão dos valores recebidos pelo personagem.

      Volte sempre!

      Um abraço,
      André

      Responder

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