Indicados ao Oscar 2013

Por André Dick

1138856 - Django Unchained

Melhor filme

Amor
Argo
Indomável sonhadora
Django livre
Os miseráveis
As aventuras de Pi
Lincoln
O lado bom da vida
A hora mais escura

Não há surpresas, diante das indicações a outros prêmios. Lincoln, de Spielberg, já despontava como um dos favoritos, ao lado de A hora mais escura, de Kathryn Bigelow, que recebeu o Oscar pelo fraco Guerra ao terror. Uma grata surpresa o ingresso de Django livre, que vem dividindo opiniões e parece não prometer como Bastardos inglórios. Por tudo o que se tem falado, trata-se de um Tarantino eficiente como sempre. As aventuras de Pi, de Ang Lee, é a indicação merecida, e Argo é lamentavelmente lembrado. Indomável sonhadora parece ter tirado o lugar de Moonrise Kingdom na categoria de filmes sobre a fantasia infantil, em escalas diferentes. Aliás, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas demonstrou não apreciar mesmo Wes Anderson, dando a ele uma indicação apenas a melhor roteiro original (o que há havia acontecido em Os excêntricos Tenenbaums), assinado com Roman Coppola. Moonrise não concorrer sequer a algum Oscar de elenco ou técnicos (trilha musical, direção de arte, fotografia) chama a atenção.
Para trazer um pouco de comédia agridoce, inclui-se O lado bom da vida, e se oferece outra indicação a um filme de Tom Hopper, Os miseráveis, depois do equívoco de premiação a O discurso do rei. Já premiado pelo Festival de Cannes, Amor novamente preenche o espaço de seus concorrentes nesse festival, como Moonrise Kingdom, Cosmópolis, Na estrada (esses dois dificilmente seriam lembrados, de qualquer modo), além do superestimado Holy Motors. Outra ausência sentida é The master e não adiantou o marketing da Warner para indicar Batman – O cavaleiro das trevas ressurge. Aliás, neste caso, é estranho ele não ter recebido uma indicação sequer (nem mesmo técnica), o que mostra que a Academia nunca gostou do fato de que se cometeu uma injustiça ao não se indicar a melhor filme Batman – O cavaleiro das trevas. Os blockbusters foram ignorados, e nesse sentido O hobbit (indicado a melhor maquiagem, direção de arte e melhores efeitos visuais) também não recebeu a indicação que merecia.

S

Melhor diretor

Michael Haneke, por Amor
Benh Zeitlin, por Indomável sonhadora
Ang Lee, por As aventuras de Pi
Steven Spielberg, por Lincoln
David O. Russell, por O lado bom da vida

Parece-me que o acerto foi a exclusão de Ben Affleck. Argo não está à altura de premiações, nem ainda seu trabalho como diretor. Bigelow, depois de ganhar o Oscar por Guerra ao terror, foi deixada de lado. Trata-se de uma artesã competente, mas não parece esteticamente uma grande diretora (a se conferir em A hora mais escura), enquanto os nomes de Ang Lee e Spielberg são até previsíveis. David O. Russell costuma ser um diretor competente, mas sem grande brilho de direção. Seria, dependendo da qualidade de Django livre, a hora de Tarantino, mas ele foi esquecido. Wes Anderson merecia ser lembrado pela direção de Moonrise Kingdom. A surpresa, nesse caso, é Michael Haneke, por Amor.

Melhor ator

Bradley Cooper, por O lado bom da vida
Daniel Day-Lewis, por Lincoln
Hugh Jackman, por Os miseráveis
Joaquin Phoenix, por O mestre
Denzel Washington, por O voo

De todos os atores dramáticos, o que mais surpreende é a ausência de Richard Gere, por A negociação. Bom ator – embora raramente excepcional –, desde Dias de paraíso, foi lembrado antes por Chicago. Denzel Washington, apesar de excelente, não estava entre os favoritos, por O voo, ao contrário de Daniel Day-Lewis e Joaquin Phoenix. O primeiro é um dos grandes atores dos últimos cinquenta anos, e o segundo conseguiu se transformar num bom ator, sobretudo em Johnny & June. Embora Phoenix tenha recorrentemente desdenhado do prêmio, parece que só ele pode ameaçar Day-Lewis. John Hawkes vinha sendo elogiado por As sessões, e foi esquecido. A surpresa, aqui, poderia ser Jack Black, pela comédia elogiada Bernie. No entanto, parece que os demais têm chances. Fala-se que Hugh Jackman está excelente em Os miseráveis. Era cotado Ewan McGregor, por O impossível, embora como ator dramático tivesse sido mais difícil cavar um espaço. Também Bill Murray merece um prêmio há tempos, embora, ao que parece, não foi ainda por Um final de semana em Hyde Park. Uma ausência sentida é a de Tommy Lee Jones, excelente em Um divã para dois. Ele competiria com Bradley Cooper pela vaga de atuação entre drama e comédia (esta quase sempre menosprezada).

Lincoln

Melhor atriz

Jessica Chastain, por A hora mais escura
Jennifer Lawrence, por O lado bom da vida
Emmanuelle Riva, por Amor
Quvenzhané Wallis, por Indomável sonhadora
Naomi Watts, por O impossível

Desde A árvore da vida e Histórias cruzadas, no ano passado, Jessica Chastain está sendo lembrada. Uma surpresa a presença da menina de 9 anos Quvenzhané Wallis (há casos como o de Anna Paquin, cuja carreira depois não se concretizou plenamente), por Indomável sonhadora. Também não se esperava Emmanuelle Riva, por Amor. Jennifer Lawrence parece ser uma atriz juvenil (ela está em Jogos vorazes) que poderá emplacar. Naomi Watts, atriz semiesquecida e de grande talento, aparece aqui por sua atuação em O impossível, sobre o tsunami que devastou a ilha no Japão. Merecia um Oscar só por não ter sido premiada por 21 gramas. Entre as esquecidas, Marion Cotillard, depois da fraca participação no desfecho da trilogia de Batman, não foi indicada por Ferrugem e osso, depois do prêmio por Piaf, apesar de ser boa atriz. Helen Mirren já se torna um nome repetitivo, e, mesmo sobrepujando Hopkins, em Hitchcock, também não foi lembrada. Rachel Weisz, depois de uma participação sem acréscimos em 360, volta a ser destaque em The deep blue sea, e foi esquecida também. Não se repetiu mais uma indicação de Meryl Streep por Um divã para dois.

Melhor ator coadjuvante

Alan Arkin, por Argo
Robert De Niro, por O lado bom da vida
Philip Seymour Hoffman, por O mestre
Tommy Lee Jones, por Lincoln
Christoph Waltz, por Django livre

Seymour Hoffman, por O mestre, já era esperado, assim como a de De Niro, ator sempre interessante. Resolveram compensar Jones, que deveria estar indicado a melhor ator por Um divã para dois, pela atuação em Lincoln. Mas são DiCaprio e Cristoph Waltz que voltam a se destacar em Django livre: Waltz novamente, depois de ganhar por Bastardos inglórios. Surpresa é a indicação de Alan Arkin, um ator excelente, mas cuja presença em Argo não faz jus a uma indicação. Pelo menos a atuação de Arkin não é melhor do que as de Bill Nighy e Tom Wilkinson em O exótico Hotel Marigold; de Edward Norton e Bruce Willis, em Moonrise Kingdom; e de Garret Hedlund, grande esquecido, por Na estrada (que, espantosamente, não conseguiu nem indicação a melhor fotografia ou a trilha sonora, preterida por trabalhos mais fracos, como o de Argo, trilha menor de Alexandre Desplat, que também fez as de Moonrise Kingdom, muito melhor, e A hora mais escura); ou mesmo a de Michael Fassbender (em Prometheus, lembrado apenas para o Oscar de efeitos visuais, quando, no mínimo, deveria ter sido indicado também a melhor direção de arte e categorias técnicas, como a de som e edição de som). Javier Bardem também está num momento interessante em 007 – Operação Skyfall, mas os filmes do agente secreto dificilmente são indicados a categorias principais.

O mestre

Melhor atriz coadjuvante

Amy Adams, por O mestre
Sally Field, por Lincoln
Anne Hathaway, por Os miseráveis
Helen Hunt, por As sessões
Jacki Weaver, por O lado bom da vida

Amy Adams estava sendo esquecida por premiações anteriores (exceto a do Globo de Ouro), mas é lembrada aqui, ao lado da veterana Sally Field (Lincoln), Anne Hathaway, por Os miseráveis, e as inesperadas Helen Hunt (por As sessões) e Jacki Weaver (O lado bom da vida). Helen Hunt, inclusive, ganhou o Oscar por Melhor é impossível e esteve em alta no final dos anos 90 e início do ano 2000. Judi Dench e Maggie Smith, hóspedes de O exótico Hotel Marigold, foram preteridas: a primeira exatamente pelo Hotel Marigold, e a segunda por Quartet. Dench não tem uma interpretação fora dos padrões, mas sua ausência é sentida também por 007 – Operação Skyfall.

Melhor roteiro adaptado

Lincoln
Argo
O lado bom da vida
Indomável sonhadora
As aventuras de Pi 

Não há surpresa entre os indicados e tudo dependerá do desempenho de cada filme para se saber o favorito. A princípio, é Lincoln, mas talvez seja um prêmio de consolação para Argo, embora os demais corram juntos. A adaptação de As aventuras de Pi é muito bem feita, mas Indomável sonhadora e O lado bom da vida são novidades. O trabalho de Jose Rivera em Na estrada é excelente, e pode-se dizer que foi esquecido.

Melhor roteiro original

A hora mais escura
Django livre
Moonrise Kingdom
Amor
O voo

As indicações de A hora mais escura, Django livre e Moonrise Kingdom eram esperadas, mas seria uma grata surpresa se Moonrise recebesse pelo menos este prêmio, embora Tarantino seja um diretor extremamente competente nos diálogos. O roteiro de A hora mais escura está fazendo polêmica, pois nos Estados Unidos se quer saber como foram conseguidas as informações sobre a caçada a Bin Laden. Amor e O voo são duas surpresas.

Melhor Filme em Língua Estrangeira

Amor (Áustria)
Kon-Tiki (Noruega)
No (Chile)
O Amante da Rainha (Dinamarca)
War Witch (Canadá)

Aqui, o grande favorito é Amor, mas O fabuloso destino de Amélie Poulain, em 2002, teve várias indicações ao Oscar, inclusive de melhor filme em língua estrangeira, e não ganhou um sequer. Mas possivelmente seja diferente, pois os demais filmes não estão tendo o mesmo peso, sobretudo no que se refere às atuações.

Melhor Animação

Valente
Frankenweenie
ParaNorman
Piratas Pirados!
Detona Ralph

Possivelmente, um Oscar de animação para Tim Burton, por Frankenweenie (é estranho, aliás, que Sombras da noite não tenha sido indicado a algumas categorias técnicas, como direção de arte e figurino). Uma surpresa é Piratas pirados!, ocupando espaço de A origem dos guardiões.

Operação Skyfall 6
Categorias técnicas (principais indicados)

Anna Karenina: melhor figurino, melhor trilha sonora, melhor fotografia, melhor direção de arte.

Branca de Neve e o caçador: melhor figurino e melhores efeitos visuais.

O hobbit – Uma jornada inesperada: melhor maquiagem, melhor direção de arte e melhores efeitos visuais.

007 – Operação Skyfall: melhor fotografia, melhor trilha sonora original, melhor edição de som, melhor mixagem de som (também indicado a melhor Canção original).

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1 comentário

  1. Ótima postagem!

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