Branca de Neve e o caçador (2012)

Por André Dick

Este filme baseado no conhecido conto de fadas dos irmãos Grimm tem o mérito de não ser desigual, ou seja, a narrativa nunca se desloca para um lugar não esperado. Daí, em parte, o filme ser interessante e previsível. Desde crianças, sabemos o que cerca a história de Branca de Neve: a bruxa má, a maçã envenenada, um caçador e os sete anões. O diretor estreante Ruppert Sanders se apega a essa estrutura clássica, mas lança contra a visão idílica dos estúdios Disney um contexto medieval bastante pesado – e em muitos momentos soturno. Ou seja, os personagens do mal querem provar que realmente são do mal (a começar pela bruxa, interpretada por Charlize Theron, e seu irmão, feito pelo ótimo Sam Spruell), indo contra a vida a princípio cômoda de Branca de Neve (Kristen Stewart, em bom momento, como aquele que vimos em Na natureza selvagem e The runaways), filha do rei que será deposto exatamente pela bruxa.
O início, com uma cena de batalha que emula a primeira de Gladiador, tem um ritmo bastante rápido – e o filme tem uma agilidade notável até em torno de 30 minutos, quando a personagem chega à Floresta Negra, onde quase ninguém entra. Neste momento, Sanders adota uma opulência visual que remete aos melhores momentos de O senhor dos anéis – série a que o filme deve bastante, em seu visual e mesmo tentativas de humor – e Willow – filme semiesquecido com produção de George Lucas. Daí, quando o caçador vem a mando da bruxa tentar prendê-la, o filme se alça a uma tentativa de criar um enlace entre os dois, no que o diretor é bem-sucedido em parte: o caçador, feito por Chris Hemsworth (que faz o Thor), tem um contraponto mais leve nessa fantasia, mas não combina com a Branca de Neve cândida, que esteve durante boa parte da vida presa numa torre. Tirando esse detalhe, o filme encadeia boas sequências que resultam no encontro com os oito anões (a princípio), entre os quais está Bob Hoskins (em bom momento), quando todos vão para um ambiente que mescla O senhor dos anéis e mesmo Labirinto (o filme pop para crianças dos anos 80, com David Bowie) e Alice no país das maravilhas (afinal, Burton é um mestre na direção de arte). Sanders presta reverência a esses contos de fadas, e é o único momento em que o filme caminha para um ar meio inocente e ingênuo. Claro que a bruxa má quer acabar com esse esteio de filme, e Charlize está preocupada em mostrar que é uma atriz que mereceu o Oscar (por Monster). Mas ela está exagerada e caricata – quase fazendo o filme se perder completamente nos momentos em que está em cena. Suas caretas de desprezo e de contrariedade não chegam a colaborar no andamento da narrativa. E um par menos pretensioso – Kristen e Chris Hemsworth –, além dos atores que fazem os anões, consegue manter o ritmo que ia se perdendo, pois não quer afirmar sua presença.
Boa parte do êxito de Branca de Neve e o caçador reside neste contraponto e na belíssima fotografia de Greig Fraser – emulando a todo instante O senhor dos anéis, porém com cenas de batalha eficazmente detalhadas (sem mostrar, por outro lado, muita violência), que devem, como já se disse, a Gladiador – e mesmo a Cruzada e Robin Hood, todos filmes de Ridley Scott (mais lentos do que este, embora com imagens parecidas, sobretudo em certa fotografia de florestas e praias). Para um diretor estreante e para uma história que não renderia um filme tão efetivamente bem conduzido, Branca de Neve e o caçador fica na linha de boas obras de fantasia já feitas – o que é um mérito para uma produção que poderia não ser levada a sério.

Snow White and the Huntsman, EUA, 2012 Diretor: Rupert Sanders Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Ian McShane, Toby Jones, Nick Frost, Ray Winstone, Sam Claflin, Sam Spruell, Bob Hoskins, Eddie Marsann, Lily Cole Produção: Sam Mercer, Palak Patel, Joe Roth Roteiro: Hossein Amini, Evan Daugherty Fotografia: Greig Fraser Duração: 129 min.  Distribuidora: Paramount Pictures Brasil Estúdio: Roth Films / Universal Pictures

Cotação 3 estrelas e meia

 

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3 Comentários

  1. Franinha

     /  7 de agosto de 2012

    achei o trailer mais legal que o filme, acho que tudo aconteceu muito rápido! e como uma boa mulher, senti falta de romance ;(

    Responder
    • Prezada Franinha,

      realmente achei a montagem do filme rápida demais na última hora. E, pelo que sabemos, talvez seja feita uma trilogia, ou seja, muitos desenvolvimentos ficaram de fora. Embora seja difícil dizer se haverá material suficiente para sustentar uma trilogia (acho que não). Volte sempre.

      Um abraço
      André

      Responder
  2. Lá se foram duas horas da minha vida que não voltam mais…Achei o filme péssimo! Em alguns momentos senti vergonha alheia, por exemplo, quando eles chegam aquele santuário, e começa um bla bla bla, e a branca fica encantada com as coisas que vê, n faz a menor diferença pra história aquilo.. Ou quando o anão começa a babar o ovo da Bella, opa, Branca de Neve, dizendo que ela é a prometida, sem motivo…achei tudo forçado demais…Kristen como sempre, sem graça, talvez um rosto mais angelical e menos insosso me irritasse menos…A fotografia realmente OK! E é só!

    Responder

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